domingo, 5 de maio de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (04/05) feito por São Cromácio de Aquileia



(?-407), bispo
Sermão 19, 1-3; SC 164
 

«O servo não é mais que o seu Senhor»


«Despiram-No e envolveram-No num manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça» (Mt 27,28-29). Foi como rei que Cristo foi revestido duma túnica vermelha, e como príncipe dos mártires, [...] porque resplandece com o Seu sangue sagrado de precioso escarlate. Foi como vencedor que Ele recebeu a coroa, pois é normalmente ao vencedor que se entrega uma coroa. [...] Mas podemos notar que a túnica vermelha é também símbolo da Igreja que, permanecendo com Cristo rei, brilha com uma glória régia. Daí o título de «reino» que lhe dá João no Apocalipse (1,6). [...] Com efeito, o tecido púrpura é uma coisa preciosa e própria da realeza. Embora seja um produto natural, muda de qualidade quando se mergulha no banho de tingimento, e muda de aspecto. [...] Sem ter valor por si mesmo, a transformação torna-o precioso. Passa-se o mesmo connosco: sendo destituídos de valor por nós próprios, a graça transforma-nos e dá-nos valor, quando [no baptismo] somos mergulhados por três vezes, como o tecido púrpura, no escarlate espiritual que é o mistério da Trindade. [...]


Podemos ainda notar que o manto vermelho é também símbolo da glória dos mártires, uma vez que, tingidos com o seu próprio sangue derramado, ornamentados com o sangue do martírio, brilham em Cristo como preciosa túnica escarlate. Outrora a Lei prescrevia que se oferecessem tecidos escarlate para ornamentar o tabernáculo de Deus (Ex 25,4); os mártires, com efeito, são ornamentos da Igreja de Cristo. [...]


A coroa de espinhos que colocaram na cabeça do Senhor é o símbolo da nossa união, nós que, vindos das diferentes nações, chegámos à fé. Não éramos senão espinhos, isto é, pecadores; mas, acreditando em Cristo, tornámo-nos coroa de justiça, porque deixámos de ferir e picar o Salvador e coroámos a Sua cabeça com a confissão da nossa fé. [...] Sim, antes éramos espinhos, mas [...] tornámo-nos pedras preciosas. 


Créditos: Evangelho Quotidiano

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