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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Comentário ao Evangelho do dia (28/01) por Santo Antônio de Lisboa



(c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja 
Sermões para domingo e dias santos


«E fez-se grande bonança»

Jesus subiu para uma barca. Quando alguém sobe para a barca da penitência, dá-se uma grande perturbação no mar. O mar é o nosso coração. «O coração do homem é complicado e doente: quem poderá conhecê-lo?» diz Jeremias (17,9); «espantosas são as agitações desse mar» (Sl 92,4). O orgulho incha-o, a ambição leva-o para lá dos seus limites, a tristeza cobre-o de nuvens, os pensamentos vãos lançam nele a perturbação, a luxúria e a gula fazem-no espumar. Mas só aqueles que sobem para a barca da penitência sentem esses movimentos do mar, essa violência do vento, essa agitação das ondas. Os que ficam em terra não se apercebem de nada. [...] O diabo, quando se sente desprezado pelo penitente, rebenta em escândalos e levanta uma tempestade; e só se vai embora «gritando e abanando violentamente» (Mt 9,26). 

«Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: 'Cala-te e está quieto'». Deus disse a Job: «Quem é que fixou limites ao mar? [...] Eu disse-lhe: Tu virás até aqui, sem ires mais longe; aqui rebentarás as tuas ondas tumultuosas» (38,8-11). Só o Senhor pode fixar limites à amargura da perseguição e da tentação. [...] Quando faz cessar a tentação, diz: «Aqui rebentarás as tuas ondas tumultuosas»: a tentação cederá diante da misericórdia de Jesus Cristo. Quando o diabo nos tenta, devemos dizer, com toda a devoção da nossa alma: «Em nome de Jesus de Nazaré, que ordenou aos ventos e ao mar, ordeno-te que te afastes de mim» (cf At 16,18). 

«E fez-se grande bonança». É o que lemos no livro de Tobias: «Eu sei, Senhor: aquele que Te honra, depois de ter sido experimentado nesta vida, será coroado; se sofrer a tentação, será libertado; se tiver de sofrer, encontrará misericórdia, pois Tu não Te alegras com a nossa perda. Depois da tempestade, dás-nos a calma; depois das lágrimas e dos choros, dás-nos a alegria» (3,21-22 Vulg).

Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (02/01) feito por Santo António de Lisboa

Franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e festas dos santos, 3º domingo do Advento


                              «Ele está no meio de vós»
«O Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar» (Fl 4,5-6). [...] No profeta Isaías, Deus Pai fala assim: «Não demorará a justiça que prometi (isto é, o Seu Filho), a libertação que predisse não tardará. Porei em Sião a salvação. A Minha glória será para Israel» (46,13). É o que vem no Evangelho de hoje: «No meio de vós está Quem vós não conheceis». Mediador entre Deus e os homens, homem (cf 1Tm 2,5), Cristo Jesus eleva-Se no mundo para combater o Diabo; vencedor, liberta o homem e reconcilia-o com Deus Pai. Mas vós não O conheceis.


«Criei filhos e fi-los crescer, mas eles revoltaram-se contra Mim. O boi conhece o seu dono e o jumento, o estábulo do seu senhor; mas Israel, Meu povo, nada entende» (Is 1,2-3). O Senhor está tão perto de nós! E nós não O reconhecemos! «Alimentei os Meus filhos com o Meu sangue», diz-nos Ele, «como uma mãe alimenta os seus filhos com o seu leite. Criei sobre o coração dos anjos a natureza humana que tomei, à qual Me uni». Poderia Ele honrar-nos mais? E eles desprezaram-Me: «Vede se existe dor igual à dor que Me atormenta» (Lm 1,12). [...]


Assim, «não vos deixeis inquietar», pois é a preocupação com as coisas materiais que nos faz esquecer o Senhor.

Créditos: Evangelho Quotidiano
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