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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Comentário ao Evangelho (26/01) feito pelo Papa Bento XVI


Comentário ao Evangelho feito por Bento XVI
São Timóteo e São Tito, sucessores dos apóstolos
A comunidade que surgiu do anúncio evangélico reconhece-se convocada pela palavra daqueles que foram os primeiros a fazer a experiência do Senhor e por Ele foram enviados. Ela sabe que pode contar com a orientação dos Doze, como também com a de quantos a eles se associam pouco a pouco como sucessores no ministério da Palavra e no serviço à comunhão. Por conseguinte, a comunidade sente-se comprometida a transmitir aos outros a «feliz notícia» da presença atual do Senhor e do seu mistério pascal, que age no Espírito.

Isto é bem evidenciado nalguns textos das Epístolas de São Paulo: «Transmiti-vos o que eu próprio recebi» (1Cor 15,3). E isto é importante. São Paulo sabe que foi originariamente chamado por Cristo com uma vocação pessoal, que é um verdadeiro Apóstolo e, contudo, também para ele o que conta sobretudo é a fidelidade ao que recebeu. Ele não queria «inventar» um novo cristianismo, por assim dizer «paulino». Por isso insiste: «Transmiti-vos o que eu próprio recebi.» Transmitiu o dom inicial que vem do Senhor e é a verdade que salva. Depois, no fim da vida, escreve a Timóteo: «Tu és o depositário do Evangelho. Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi confiado» (2Tim 1,14).

Mostra-o também com eficiência este antigo testemunho da fé cristã, escrito por Tertuliano por volta do ano 200: «[Os Apóstolos,] no princípio, afirmaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram Igrejas para a Judeia; logo a seguir, espalhados pelo mundo, anunciaram a mesma doutrina e uma mesma fé às nações e, por conseguinte, fundaram a Igreja em cada cidade. A partir destas, as outras Igrejas procederam à ramificação da sua fé e das sementes da doutrina, e continuamente o fazem, para serem verdadeiras Igrejas. Desta forma, também elas são consideradas apostólicas, porque descendentes das Igrejas dos apóstolos» (De praescriptione haereticorum, 20; PL 2, 32).

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Comentário do Evangelho do dia (23/01) feito por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 311, 2


«Estabeleceu doze para andarem com Ele e para os enviar a pregar»

Os bem-aventurados apóstolos […] foram os primeiros a ver Cristo suspenso na cruz; choraram a sua morte, ficaram atemorizados face ao prodígio da sua ressurreição mas, logo a seguir, transportados de amor por esta manifestação do seu poder, não hesitaram em derramar o seu sangue para atestar a verdade do que tinham visto. Pensai, irmãos no que era pedido a esses homens: ir por todo o mundo pregar que um morto tinha ressuscitado e subido ao céu; e sofrer, devido à pregação dessa verdade, tudo o que aprouvesse a um mundo insensato: privações, exílio, cadeias, tormentos, carrascos, feras ferozes, a cruz e morte. Teriam sofrido tudo isso por um desconhecido?

Teria Pedro morrido para sua própria glória? Teria pregado em proveito próprio? Ele morria e Outro, que não ele, era glorificado por essa morte; ele foi morto e Outro foi adorado. Só a chama ardente da caridade, unida à convicção da verdade, pode explicar semelhante audácia! Eles pregavam o que tinham visto. Ninguém morre por uma verdade da qual não está seguro. Ou deveriam eles negar o que tinham visto? Mas não negaram, antes pregaram esse Morto que sabiam estar perfeitamente vivo. Eles sabiam por que vida desprezavam a vida presente, sabiam por que felicidade suportavam provas passageiras, por que recompensa espezinhavam todos esses sofrimentos. A sua fé pesava mais na balança que o mundo inteiro.


Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 19 de julho de 2014

Comentário do Evangelho do dia (19/07) feito por Santo Hipólito de Roma



(?-c. 235), presbítero, mártir
«Refutação de todas as heresias», 10, 33-34 (trad. breviário)

«Aqui está o meu servo, que escolhi, o meu amado»

O Pai enviou à terra o Verbo, porque […] desejava que Ele Se manifestasse de forma visível, a fim de que o mundo, ao vê-Lo, pudesse salvar-se. Sabemos que o Verbo assumiu um corpo no seio da Virgem e transformou o homem velho numa nova criação. Sabemos que Se fez homem da nossa mesma substância. Se não fosse assim, em vão nos mandaria que O imitássemos como mestre. Se este homem tivesse sido formado de outra substância, como poderia impor-me a mim, débil por nascimento, as mesmas coisas que Ele fez? Como poderíamos, em tal caso, dizer que Ele é bom e justo?

Mas, para que ninguém pensasse que era diferente de nós, suportou o trabalho, quis ter fome, não recusou a sede, dormiu para descansar, não rejeitou o sofrimento, submeteu-Se à morte e manifestou a sua ressurreição. Em tudo isto, ofereceu a sua humanidade como primícias, para que tu não desanimes no meio do sofrimento mas, reconhecendo-te homem, esperes também tu receber o que a Ele foi oferecido.

Quando contemplares a Deus tal qual é, terás um corpo imortal e incorruptível como a alma, e possuirás o Reino dos Céus, tu que, peregrinando na terra, conheceste o Reino dos Céus. Viverás então na intimidade de Deus, serás herdeiro com Cristo, e já não estarás sujeito a concupiscências, paixões ou enfermidades, porque foste elevado à condição divina. […] Cristo é o Deus que está acima de todas as coisas, que decidiu libertar os homens do pecado, renovando o homem velho que tinha criado à sua imagem desde o princípio, e manifestando nesta imagem renovada o amor que tem por ti. Se obedeceres aos seus santos mandamentos e imitares com a tua bondade o Bem supremo, serás semelhante a Ele. 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 24 de março de 2014

Comentário ao Evangelho do dia (11/03) feito por São Cipriano



(c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
A Oração Dominical, 11-12 (trad. Breviário)


«Santificado seja o teu nome»

 
Caríssimos irmãos, devemos lembrar-nos e saber que, chamando a Deus nosso Pai, devemos proceder como filhos de Deus. […] Vivamos como templos de Deus, de modo que a nossa vida seja um testemunho da presença de Deus em nós. Não sejam indignas do Espírito as nossas acções. […] O santo apóstolo escreveu na sua epístola: «Não vos pertenceis a vós mesmos, porque fostes comprados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo» (1Cor 6,19).

Dizemos: «Santificado seja o vosso nome», não para exprimir o desejo de que Deus seja santificado com as nossas orações, mas para pedirmos ao Senhor que o seu nome seja santificado em nós. Aliás, por quem poderá Deus ser santificado, se é Ele próprio quem santifica? Mas, porque Ele disse: «Sede santos, porque Eu sou santo» (Lv 20,26), pedimos e rogamos para que, uma vez santificados no baptismo, perseveremos no que principiámos a ser. E isto pedimo-lo todos os dias. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Santo Afonso Maria de Ligório -- Festa de Santo Estevão, protomártir




Festa de Santo Estêvão, Protomártir.

Elegerunt Stephanum, virum plenum fide et Spiritu Sancto — “Elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Epírito Santo.” (Act. 6, 5).

Sumário. Eis aí o belo elogio com que a Sagrada Escritura presta homenagem às virtudes de Santo Estêvão: chama-o cheio de fé, cheio de graça, cheio de fortaleza, em uma palavra, cheio do Espirito Santo. Alegremo-nos com o santo Protomártir, e em seu nome demos graças a Deus. Volvendo depois os olhos a nós mesmos, vejamos se ainda, e em que grau, as mesmas belas virtudes se acham em nossa alma, visto que nos foram infusas pelo sacramento do Batismo.

I. Considera o belo elogio com que o Espírito Santo presta na Sagrada Escritura homenagem às virtudes do Protomártir Santo Estêvão. Chama-o em primeiro lugar cheio de fé: Elegeram Estêvão, homem cheio de fé — Elegerunt Stephanum virum plenum fide (1). Ser cheio de fé, segundo Santo Tomás (2), quer dizer, não somente ter uma firmeza eminente em crer todas as verdades reveladas, junto com um amor ardente à revelação e uma conformidade perfeita com a vontade de Deus que revela; mas quer dizer além disso, possuir o depósito inteiro da fé com o conhecimento explicito de todas as suas partes. Por esta razão São Jerônimo diz que Santo Estêvão era doutíssimo na lei. — O Espirito Santo chama Santo Estêvão em segundo lugar cheio de graça e de fortaleza: plenus gratia et fortitudine, porque advogava a causa de Jesus Cristo ao mesmo tempo com doçura e com zelo ardentíssimo. Temos a prova naquele sublime discurso que fez antes de morrer. Depois de pedir ao povo e aos anciãos que o escutassem em quanto lhes pregasse a salvação, Santo Estêvão expôs-lhes em seguida todos os favores que tinham recebido de Deus e a negra ingratidão com que lhe haviam pago. Vendo, porém, que com bons modos não conseguia abrandar-lhes o coração, começou a deitar-lhes à cara os seus defeitos, e com coragem heróica concluiu dizendo que eram homens duros de cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos, que sempre resistiam ao Espirito Santo (4).— Afinal a Sagrada Escriptura chama Santo Estêvão cheio de todos os carismas celestiais: Cum autem esset plenus Spiritu Santo (5). Por isso se diz que fazia grandes prodigios e milagres entre o povo (6); que não se podia resistir à sua sabedoria (7); que o seu rosto era refulgente como o de um anjo (8); e que pouco antes de expirar teve a ventura de ver os céus abertos, a glória de Deus, e Jesus à direita de Deus (9). — Alegra-te com o santo Diácono e dá graças a Deus por havê-lo enriquecido com tantas virtudes. Volvendo em seguida os olhos à tua própria alma, vê se em ti se acham as mesmas virtudes e o modo como as praticas, visto que te foram infusas no sacramento do Batismo.


II. Muito embora Santo Estêvão se avantajasse em todas as virtudes, distinguiu-se todavia particularmente pelo amor de Deus e do próximo. Deu prova de seu amor de Deus sofrendo, o primeiro entre os fiéis, um doloroso martírio pela pregação da fé. Porquanto os judeus, “ouvindo as suas repreensões e ameaças, se exasperaram em seus corações, e rangeram os dentes contra ele. E levantando um grande clamor, taparam os seus ouvidos, e todos juntos arremeteram contra ele, e expelindo-o para fora da cidade, o apedrejaram.” (10) 



Mostrou igualmente o seu amor para com o próximo. Desprezando a desmembração de seu próprio corpo e lamentando unicamente a obcecaçâo dos seus algozes, opôs benefícios a injúria, amor ao ódio, doçura à ira, bondade à mal querença. Com uma palavra, o Santo pôs em prática o ensino do divino Mestre:
Rogai pelos que vos perseguem (11); por isso, “pondo-se de joelhos, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, não lhes imputeis este pecado. E tendo dito isto, dormiu no Senhor.” (12) Esta caridade heróica agradou de tal forma a Jesus Cristo, que, na opinião de Santo Agostinho, mereceu a conversão do Apóstolo São Paulo, que “dera consentimento à morte de Estêvão”.

Que lição para ti, se a souberes aproveitar! Examina o teu coração para ver se nutre sentimentos de aversão ou de antipatia contra o próximo, e roga ao Senhor, te dê força para perdoar de boa vontade todas as injúrias, ainda que imerecidas, para suportares os defeitos dos outros, assim como estes suportam os teus, e para te mostrares sempre amável para com todos, sem nenhuma exceção.

“Concedei-nos, Senhor, a graça de imitar o que veneramos neste dia, para que, celebrando o natalício daquele que soube rogar pelos seus perseguidores, aprendamos a amar os nossos inimigos.” (13) Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e da nossa amada Mãe Maria.
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1. Act. 6, 5.
2. S. theol.2 2, q. 6, a. 4.
3. Act. 6, 8.
4. Act. 7, 51.
5. Act. 7, 55.
6. Act. 6, 8.
7. Act. 6, 10.
8. Act. 6, 15.
9. Act. 7, 55.
10. Act. 7, 54-57.
11. Matth. 5, 44.
12. Act. 7, 59.
13. Or. festi curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 81 - 84.)
 
Fonte: Blog São Pio V

sábado, 28 de dezembro de 2013

Comentário do dia (26/12) feito pelo Papa Bento XVI (Festa de Santo Estevão, protomártir)




Queridos irmãos e irmãs!

No dia após a solenidade do Natal, celebramos a festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir. À primeira vista a proximidade da recordação do "Protomártir" do nascimento do Redentor pode-nos fazer admirar, porque é tocante o contraste entre a paz e a alegria de Belém e o drama de Estêvão em Jerusalém na primeira perseguição contra a Igreja nascente. Na realidade, o aparente rangido é superado se considerarmos mais profundamente o mistério do Natal. O Menino Jesus, que jaz na gruta, é o Unigénito Filho de Deus que se fez homem. Ele salvará a humanidade morrendo na cruz. Agora vemo-lo envolvido em panos no presépio; depois da sua crucifixão será novamente envolvido por faixas e colocado no sepulcro. Não era ocasionalmente que a iconografia natalícia por vezes representava o Menino divino colocado num pequeno sarcófago, para indicar que o Redentor nasce para morrer, nasce para dar a vida em resgate por todos.

Santo Estêvão foi o primeiro que seguiu os passos de Cristo com o martírio; morreu, como o divino Mestre, perdoando e rezando pelos seus algozes (cf. Act 7, 60). Nos primeiros quatro séculos do cristianismo, todos os santos venerados pela Igreja eram mártires. Trata-se de uma multidão inumerável, que a liturgia chama "o cândido exército dos mártires", martyrum candidatus exercitus. A sua morte não incutia receio nem tristeza, mas entusiasmo espiritual que suscitava sempre novos cristãos. Para os crentes, o dia da morte, e ainda mais o dia do martírio, não é o fim de tudo, mas a "passagem" para a vida imortal, é o dia do nascimento definitivo, em latim dies natalis. Compreende-se então o vínculo que existe entre o "dies natalis" de Cristo e o dies natalis de Santo Estêvão. Se Jesus não tivesse nascido na terra, os homens não teriam podido nascer no Céu. Precisamente porque Cristo nasceu, nós podemos "renascer"!

Maria, que estreitou entre os braços o Redentor em Belém, sofreu também ela o martírio interior. Partilhou a sua paixão e teve que o estreitar, mais uma vez, quando foi descido da cruz. A esta Mãe, que conheceu a alegria do nascimento e a dor lancinante da morte do seu Filho divino, confiamos quantos são perseguidos e sofrem, de várias formas, para testemunhar e servir o Evangelho. Com especial proximidade espiritual, penso também naqueles católicos que mantêm a própria fidelidade à Sé de Pedro sem ceder a compromissos, por vezes também ao preço de graves sofrimentos. Toda a Igreja admira o seu exemplo e reza para que eles tenham a força de perseverar, sabendo que as suas tribulações são fonte de vitória, mesmo se no momento podem parecer uma falência.

Mais uma vez, desejo a todos bom Natal! 
 
Fonte: Vatican.va

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (02/11) feito por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, IV, 6, 4.7.3


«Revelaste-as aos pequeninos»

O que nos ensina o Senhor é que ninguém pode conhecer a Deus a não ser que Ele Se lhe revele; por outras palavras, não podemos conhecer a Deus sem o seu auxílio. Mas o Pai quer ser conhecido: conhecê-Lo-ão aqueles a quem o Filho O revelar. […] A palavra «revelar» não designa somente o futuro, como se o Verbo não tivesse começado a revelar o Pai senão depois de ter nascido de Maria, mas aplica-se à totalidade do tempo. Desde o princípio que o Filho, presente na Criação que Ele mesmo modelou, revela o Pai a todos aqueles a quem o Pai quer revelar-Se, quando Ele assim o quer e como Ele quer. Em todas as coisas e através de todas as coisas, há um único Deus Pai, um só Verbo, um só Espírito e uma só salvação para todos os que crêem nele.

Com efeito, ninguém pode conhecer o Pai sem o Verbo de Deus, isto é, se o Filho não O revelar, nem conhecer o Filho sem o «agrado» do Pai (Mt 11,26). Ora, o que o Pai quer, na sua bondade, o Filho realiza-o: o Pai envia, o Filho é enviado e vem. E o Verbo de Deus conhece esse Pai infinito que para nós é invisível, e dá a conhecer o que é inexprimível (cf. Jo 1,8). 
Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (18/10) feito por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as Heresias, III, 14-15; SC 34 


São Lucas, companheiro e colaborador dos apóstolos

 
Lucas era inseparável de Paulo e foi seu colaborador na pregação do Evangelho, como ele próprio evidencia, não para se glorificar, mas impelido pela verdade. Com efeito, quando Barnabé e João, chamado Marco, se separaram de Paulo e embarcaram para Chipre, Lucas escreveu: «Embarcámos para Tróade» (Act 16,8.11) […];e descreve detalhadamente toda a viagem e a sua chegada a Filipos, onde anunciaram a Palavra pela primeira vez. […] No relato da viagem com Paulo conta as situações com toda a precisão possível. […] Estando presente em todos os acontecimentos, Lucas registou-os de maneira precisa; não se pode encontrar nele mentira nem orgulho, porque todos aqueles factos eram conhecidos. […]

Lucas não foi apenas companheiro, mas também colaborador dos apóstolos, sobretudo de Paulo, que o diz claramente nas suas cartas: «Demas abandonou-me por amor das coisas do presente século e foi para Tessalónica, Crescente partiu para a Galácia e Tito para a Dalmácia; só Lucas está comigo» (2Tim 4,9-11). Isto prova claramente que Lucas esteve sempre ligado a Paulo, de maneira inseparável. Também na carta aos Colossenses se lê: «Saúda-vos Lucas, o caríssimo médico» (Col 4,14). […]

Por outro lado, conhecemos muitos acontecimentos do Evangelho – e dos mais importantes – unicamente por Lucas. […] Quem sabe, de resto, se Deus não fez de modo a que muitas passagens do Evangelho tivessem sido reveladas apenas por Lucas […] para que todos se deixassem guiar pelo testemunho que vem em seguida [no seu segundo livro] sobre os actos e a doutrina dos apóstolos e que, guardando assim inalterada a regra da verdade, pudessem ser todos salvos. Assim, o testemunho de Lucas é verdadeiro; o ensinamento dos apóstolos é manifesto, sólido, e nada esconde. […] Tais são as vozes da Igreja, de onde toda a Igreja retira a sua origem. 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (14/10) feito por São Justino



(c. 100-160), filósofo, mártir
Diálogo com Trifão, 106-107

O sinal de Jonas

 
O Filho sabia que o Pai, segundo o seu desejo, Lhe daria tudo, que O ressuscitaria de entre os mortos, e exortou todos os que temem a Deus a louvá-Lo por ter tido compaixão pela raça de homens crentes graças ao mistério do Crucificado (cf Sl 21,24). Para além disso, esteve entre os seus irmãos apóstolos após a sua ressurreição de entre os mortos […], e eles arrependeram-se por se terem afastado dele durante a crucifixão […].

Ele devia ressuscitar ao terceiro dia após a crucifixão; eis porque está escrito nas Memórias dos apóstolos [os evangelhos] que os judeus que com Ele conversavam disseram: «Mostra-nos um sinal.» Ele respondeu-lhes: «O único sinal que vos será dado é o de Jonas.» Com tais palavras veladas, podiam os auditores compreender que após a crucifixão, ao terceiro dia, Ele ressuscitaria. Mostrava-lhes assim que havia mais maldade nos seus compatriotas que na cidade de Nínive; porque quando, sendo lançado ao terceiro dia para fora do ventre do grande peixe, Jonas anunciou aos ninivitas que após três dias pereceriam em massa (3,4 LXX), estes proclamaram jejum a todos os seres vivos, homens e animais, com vestes de luto, com violentos lamentos, verdadeira penitência e a renúncia à injustiça. Eles acreditaram que Deus é misericordioso, que é «um espírito benevolente» (Sb 1,6), para todos aqueles que fogem do mal. De tal forma que, desde o momento em que o rei desta cidade em pessoa e os homens importantes passaram também a envergar vestes de luto e perseveraram no jejum e na oração, a cidade não foi destruída.

Ora, como Jonas ficou triste com isto […], Deus repreendeu-o por se ter injustamente desencorajado com o facto de a grande cidade de Nínive não ter sido ainda destruída. E disse […]: «E não hei-de Eu compadecer-me da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda?» (4,11). 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (09/10) feito por São Cipriano



(c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
Da Oração Dominical, 9/11 (Trad. Breviário, Ofício de Leitura, XI semana do Tempo Comum)

A oração dos filhos de Deus

 
Como são belos e grandiosos, irmãos caríssimos, os ensinamentos que nos revela a Oração do Senhor! São breves as palavras que os resumem, mas é grande o seu poder espiritual! [...] Diz o Senhor: «Orai assim: Pai nosso, que estais nos Céus.» O homem novo, renascido e restituído ao seu Deus por meio da sua graça, diz em primeiro lugar «Pai», porque já começou a ser filho. Diz a Escritura: «[O Verbo] veio para quem era seu, e os seus não O receberam; mas a todos quantos O receberam e nele creram, deu o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 11-12). Portanto, quem acredita no seu nome e se tornou filho de Deus deve começar por dar graças e professar que é filho de Deus ao chamar a Deus seu «Pai que está nos Céus». [...]

Como é grande a misericórdia do Senhor, como é grande a sua condescendência e a sua bondade para connosco! Ele quis que, ao orarmos na sua presença, O invocássemos com o nome de Pai, e assim como Cristo é o Filho de Deus, assim também nós nos chamássemos seus filhos! Nenhum de nós ousaria pronunciar este nome na oração se Ele próprio nos não tivesse permitido rezar assim.

Por isso, irmãos caríssimos, devemos lembrar-nos e saber que, chamando a Deus nosso Pai, devemos proceder como filhos de Deus para que, se nós nos honramos de ter a Deus como Pai, também Ele Se honre de nos ter a nós como filhos. Vivamos como templos de Deus (1Cor 3,16), de modo que a nossa vida seja um testemunho da presença de Deus em nós. 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 7 de maio de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (07/05) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



(1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia Pentecostes 1937


«É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós»

Quem és Tu, doce luz que me preenche
E que ilumina a treva do meu coração? [...]
Serás o Mestre da obra,
O construtor da catedral eterna
Que se eleva desde a terra até ao céu?
Tu dás vida às colunas que se erguem,
Altas e aprumadas, sólidas e imutáveis (Ap 3,12);
Que, marcadas pelo selo do nome divino e eterno,
Se lançam em direcção à luz e suportam a cúpula
Que remata e coroa a santa catedral,
Obra Tua que abarca o universo inteiro:
Santo Espírito, mão de Deus criadora! [...]


Serás o suave cântico de amor
E o respeito sagrado que ecoa sem fim
À roda do trono da Trindade santa (Ap 4,8),
Sinfonia em que ressoa
A nota pura emitida por cada criatura?
O som harmonioso,
O acorde unânime dos membros e da Cabeça (Col 2,19),
Em que cada um, na plenitude da alegria,
Descobre o sentido misterioso do seu ser
E o deixa jorrar, num grito de júbilo
Libertado,
Ao participar na Tua própria manifestação:
Santo Espírito, regozijo eterno!

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (06/05) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


(1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poema «Sete Raios de uma Novena de Pentecostes», estrofes 1, 3-4 (Pentecostes de 1937/1942)



«O Espírito da Verdade [...] que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai»

Doce luz, quem serás tu? [...]

O raio refulgente como o relâmpago
Do alto trono do Juiz eterno,
Penetrando como um ladrão na noite da alma (Lc 12,39)
Desdenhosa de si própria?
Tão misericordioso quanto implacável
Perscrutas as suas recônditas profundezas
Assim a assustando com o que ela vislumbra,
E por isso refugiada em sagrado temor
Diante do início omnisciente vindo do Alto
Que no Alto nos traz ancorados
Pela Tua acção recriadora,
Espírito Santo, raio imparável!


Ou serás a plenitude do Espírito e do poder
Que permite ao Cordeiro abrir os selos
Do eterno decreto de Deus? (Ap 5,7ss)
Às Tuas ordens os mensageiros do Julgamento
Cavalgam pelo mundo inteiro
Separando ao fio da espada o Reino da Luz
Do reino das trevas (Ap 6,2ss)
Os Céus serão novos e nova a Terra (Ap 21,1; Is 65,17)
E tudo encontrará o seu devido lugar
Pelo Teu sopro ligeiro,
Espírito Santo, vitorioso poder!


Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 1 de março de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (01/03) feito por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), Bispo, Teólogo, Mártir
Contra as heresias, IV 36, 2-3; SC 100

                                                        A vinha de Deus
Ao modelar Adão com o pó da terra (Gn 2,7) e ao eleger patriarcas, Deus plantou a vinha do género humano. Depois confiou-a a vinhateiros pelo dom da Lei transmitida por Moisés. Cercou essa vinha com uma sebe, isto é, circunscreveu a terra que eles teriam de cultivar; construiu uma torre, ou seja, escolheu Jerusalém; montou um lagar, ou seja, preparou os que iam receber o Espírito profético. E enviou-lhes profetas, antes do exílio de Babilónia; e, após o exílio, outros ainda em maior número, para reclamarem os frutos e para lhes dizerem [...]: «Endireitai os vossos caminhos e emendai as vossas obras» (Jr 7,3); praticai uma verdadeira justiça e excedei-vos em bondade e compaixão, cada um para com seu irmão. Não oprimais a viúva e o órfão, o estrangeiro e o pobre, e não formeis nos vossos corações maus desígnios uns para com os outros» (Zac 7,9-10) [...]; «lavai-vos, purificai-vos, tirai da frente dos Meus olhos a malícia das vossas acções; [...] aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo, socorrei os oprimidos» (Is 1,16-17). [...]

Tais eram as prédicas por que os profetas reclamavam o fruto da justiça. Mas como as multidões continuassem incrédulas, enviou-lhes finalmente o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a Quem os perversos vinhateiros mataram e lançaram para fora da vinha. Razão por que Deus a confiou - não a circunscrevendo já, antes a abrindo ao mundo inteiro - a outros vinhateiros para que estes Lhe entregassem o fruto na altura devida. A torre da eleição eleva-se por toda a Terra no seu esplendor, porque por toda a Terra a Igreja resplandece; por toda a Terra surge também erecto o lagar, porque por toda a Terra estão aqueles que recebem o Espírito de Deus. [...]

Por isso dizia o Senhor aos Seus discípulos, para fazer de nós bons obreiros: «Que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida [...]; velai, pois, orando continuamente» (Lc 21,34.36). [...] «Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor» (Lc 12,34-36).

Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (23/02) feito por São Policarpo



(69-155), bispo, mártir
Carta aos Filipenses, 8-12

«Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem»

Permaneçamos indefectivelmente ligados à nossa esperança e ao garante da nossa justiça, Jesus Cristo. «Ele suportou os nossos pecados no Seu corpo»; e no entanto, «Ele que não cometeu pecado e a Sua boca não proferiu mentira» (1P 2,24.22). Mas tudo suportou para que vivamos n'Ele. Sejamos imitadores da Sua constância e, se sofrermos pelo Seu nome, glorifiquemo-Lo. Tal é o exemplo que Ele próprio nos deu (Jo 13,15) e no qual acreditámos. [...] Perseverai nestes sentimentos e segui o exemplo do Senhor, firmes e inabaláveis na fé, amando-vos como irmãos, cheios de afeição mútua, unidos na verdade, ajudando-vos uns aos outros com a ternura do Senhor, sem desprezar ninguém. [...]

Estou seguro de que conheceis bem os livros sagrados e que eles já não têm mistérios para vós. Não partilho a vossa erudição. Mas basta-me esta citação das Escrituras: «Se vos irardes, não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira» (Ef 4,26). Felizes aqueles que se recordam desta palavra! Creio que vós estais entre eles.

Que Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele próprio, o Grande Sacerdote eterno (He 2,17), Jesus Cristo, Filho de Deus, vos fortaleçam na fé e na verdade, com serenidade, sem cólera, na paciência, na constância, na coragem e na castidade. Que vos façam partilhar a herança dos santos, tal como a nós e a todos aqueles que vivem debaixo do céu e crêem em Nosso Senhor Jesus Cristo e no Seu Pai, que O ressuscitou dos mortos. Orai por todos os santos. Orai também pelos reis, os príncipes, os magistrados, por aqueles que vos perseguem e vos odeiam, pelos inimigos da cruz, e que assim todos possam contemplar o fruto que vós trazeis e que nele sejais perfeitos.

Crédito: Evangelho Quotidiano
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