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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (06/04) por Santo Ambrósio


Comentário do dia 
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja 
Abraão, Livro I, 19-20

«Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia»

Consideremos a recompensa que Abraão pede ao Senhor. Não Lhe pede riquezas, como um avaro, nem vida longa, como quem teme a morte, nem poder, mas um digno herdeiro do seu trabalho. «Que me dareis, Senhor Deus, vou-me sem filhos» (Gn 15,2). […] Agar deu à luz um filho, Ismael, mas Deus diz-lhe: «Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas» (Gn 15,4). De quem fala Ele? Não se trata de Ismael, mas de Santo Isaac. […] Em Isaac, filho legítimo, podemos ver o verdadeiro Filho legítimo, o Senhor Jesus Cristo, que, no começo do evangelho de São Mateus, é chamado filho de Abraão (Mt 1,1). Ele mostrou ser um verdadeiro filho de Abraão, fazendo resplandecer a descendência do seu antepassado; foi graças a Ele que Abraão, olhando para o céu, viu brilhar a sua posteridade como as estrelas (Gn 15,5). O apóstolo Paulo afirma: «Uma estrela difere da outra em resplendor. Assim também é a ressurreição dos mortos» (1Cor 15,41-42). Ao associar à sua ressurreição os homens que a morte mantinha na terra, Cristo fê-los participar no reino dos céus. 

A filiação de Abraão apenas se propagou pela herança da fé, que nos prepara para o céu, nos aproxima dos anjos, nos eleva até às estrelas. Disse Deus: «"Será assim a tua descendência." Abraão confiou no Senhor» (Gn 15,5-6). Ele acreditou que, pela sua encarnação, Cristo seria seu herdeiro. Para to fazer compreender, o Senhor afirmou: «Abraão exultou por ver o meu dia.» Deus considerou-o justo porque ele não pediu explicações, antes acreditou sem a menor hesitação. É bom que a fé se sobreponha às explicações, pois de outro modo parecia que estávamos a exigi-las ao Senhor nosso Deus, como quem as exige a um homem. Que inconveniência, acreditar nos homens quando eles dão testemunho de outro, e não acreditar em Deus, quando fala de Si! Imitemos, pois, Abraão, para herdarmos o mundo pela justificação da fé, que o tornou a ele herdeiro da terra.

Fonte: Evangelho Quotidiano

domingo, 19 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (19/03, terceiro domingo da Quaresma) por Santo Agostinho


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermões sobre o evangelho de S. João, n.º 15, 6-7

Ele deu tudo por ti

Jesus, cansado do caminho, sentou-Se à beira do poço. Era cerca da hora sexta. Aí começam os mistérios. Não é sem razão que Jesus está cansado, Ele que é a força de Deus. [...] Foi por ti que Jesus Se cansou no caminho. Encontramos um Jesus que é a própria força; encontramos um Jesus que é fraco; um Jesus forte e fraco. Forte, porque «no princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus». [...] Queres ver a força de Deus? «Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito» (Jo 1,1-2), e tudo fez sem esforço. Quem há mais forte do que Aquele que fez todo o universo sem esforço? Queres conhecer a sua fraqueza? «O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). 

A força de Cristo criou-te; a fraqueza de Cristo recriou-te. A força de Cristo deu existência ao que não era; a fraqueza de Cristo fez com que aquilo que era não perecesse. Ele criou-nos pela sua força e recuperou-nos pela sua fraqueza. É através da sua fraqueza que alimenta os que estão fracos, como a galinha alimenta os pintainhos: «Quantas vezes», diz Ele a Jerusalém, «quis reunir os teus filhos como a galinha recolhe os pintainhos debaixo das asas, e tu não o quiseste?» (Lc 13,34) 

Esta é a imagem da fraqueza de Jesus cansado do caminho. O seu caminho é a carne que tomou para nós. Que outro caminho havia de tomar Aquele que está presente em toda a parte? Aonde vai e de onde vem, senão a habitar entre nós, pois para isso encarnou? Com efeito, Ele dignou-Se vir até nós para Se manifestar na forma de servo, e o caminho que escolheu foi o de tomar a nossa carne. Daí que a «fadiga do caminho» mais não seja do que a fraqueza da carne. Jesus é fraco na sua carne, mas tu não deves deixar-te enfraquecer. Permanece forte na sua fraqueza, pois «o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens» ( 1Cor 1,25). A fraqueza de Cristo é a nossa força.

Fonte: Evangelho Quotidiano

domingo, 12 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (11/03) feito por Santo Ambrósio, bispo de Milão


Comentário do dia 
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja 
Sermão 8 sobre o salmo 118

«Ele faz nascer o sol sobre bons e maus»

«A terra está cheia, Senhor, da tua misericórdia; ensina-me as tuas vontades» (Sl 118,64). Como é que a terra está cheia desta misericórdia do Senhor senão pela Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, cuja promessa o salmista, que a via de longe, de alguma maneira celebra? Está cheia dela porque a remissão dos pecados foi dada a todos. O sol tem ordem para se erguer sobre todos e é isso que acontece diariamente. Com efeito, foi para todos que se ergueu em sentido místico o Sol de Justiça (Mal 3,20); Ele veio para todos, sofreu por todos, por todos ressuscitou. E, se sofreu, foi certamente para «tirar o pecado do mundo» (Jo 1,29). […] 

Mas, se alguém não tem fé em Cristo, priva-se a si mesmo deste benefício universal. Se alguém, fechando as suas janelas, impede os raios de sol de entrar, não se pode dizer que o sol nasceu para todos, pois essa pessoa fugiu do seu calor, não se deixa atingir por ele; e o que tem falta de sabedoria priva-se da graça de uma luz que é proposta a todos. 

Deus faz-Se pedagogo, iluminando o espírito de cada um e derramando nele a luz do seu conhecimento; com a condição, todavia, de que abras a porta do teu coração e acolhas a claridade da graça celestial. Quando duvidas, apressa-te a procurar porque «quem procura encontra e àquele que bate abrir-se-á» (Mt 7,8).

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Comentário ao Evangelho (20/02) por Isaac, o Sírio




Comentário do dia feito por
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul 
Discursos ascéticos (1ª série)

«Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé».

A fé é a porta dos mistérios. O que os olhos do corpo são para as coisas sensíveis, é a fé para os olhos escondidos da alma. Tal como temos dois olhos do corpo, também temos dois olhos espirituais da alma, dizem os Padres da Igreja, e cada um tem uma visão própria. 

Com um deles, vemos os segredos da glória de Deus, escondida nos seres da sua criação, isto é, o seu poder, a sua sabedoria e a sua providência eterna, que nos rodeia e de que nos apercebemos quando refletimos acerca da grandeza do alto da qual Ele nos conduz. Com esse mesmo olho, contemplamos também as ordens celestes e os anjos, nossos companheiros de serviço (Ap 22,9). 

Com o outro olho, contemplamos a glória da santa natureza de Deus, quando Ele quer fazer-nos entrar nos seus mistérios espirituais e quando abre à nossa inteligência o oceano da fé. 

Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017



Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul 
Discursos Espirituais, 1.ª série

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (Sl 50,12)

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. «Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado» (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo. 

Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a força da confiança. Quando o homem sente assim o socorro de Deus, quando sente que Ele está ali e vem em sua ajuda, imediatamente o seu coração fica cheio de fé e compreende então que a oração é o refúgio do socorro, a fonte da salvação, o tesouro da confiança, o porto livre da tempestade, a luz dos que estão nas trevas, o amparo dos fracos, o abrigo no tempo da provação, a ajuda no auge da doença, o escudo que defende nos combates, a flecha lançada contra o inimigo. Numa palavra, a abundância dos bens entra nele pela oração. Doravante, ele tem as suas delícias na oração de fé. O seu coração irradia confiança.

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (05/02) por São Josemaría Escrivá


Comentário do dia 
São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador 
«Cristo que passa», homilia de 4 de maio de 1957, §§ 147-148

«Brilha para todos os que estão em casa»

Encher de luz o mundo, ser sal e luz - assim definiu o Senhor a missão dos seus discípulos. Levar até aos confins da Terra a boa nova do amor de Deus - a isso devem dedicar a vida, de um modo ou de outro, todos os cristãos. [...] A graça da fé não nos foi concedida para ficar oculta, mas para brilhar diante dos homens. [...] 

Talvez algum de vós me pergunte como pode transmitir esse conhecimento às pessoas. E eu respondo-vos: com naturalidade, com simplicidade, vivendo como viveis, no meio do mundo, entregues ao vosso trabalho profissional e aos cuidados da vossa família, participando em todos os ideais nobres, respeitando a legítima liberdade de cada um. [...] A vida corrente pode ser santa e cheia de Deus; o Senhor chama-nos a santificar o trabalho quotidiano, porque aí está também a perfeição do cristão. [...] 

Não nos esqueçamos de que a quase totalidade dos dias que Nossa Senhora passou na Terra decorreram de forma muito semelhante à vida diária de muitos milhões de mulheres, ocupadas em cuidar da sua família, em educar os seus filhos, em levar a cabo as tarefas do lar. Maria santifica as mais pequenas coisas, aquilo que muitos consideram - erradamente - não transcendente e sem valor. [...] Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus! Na verdade, é isso que explica a vida de Maria: o amor. Um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, contente por estar onde Deus quer que esteja e cumprindo com esmero a vontade divina. É isso que faz com que o mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. [...] Havemos de procurar ser como Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que vivêssemos.

Créditos: Evangelho Quotidiano
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