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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (23/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja
Opúsculo 51

«Omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade»

Se quiseres avançar corretamente, com discrição e dando frutos no caminho da verdadeira religião, deves ser austero e rígido contigo mesmo, mas sempre alegre e aberto para com os outros, esforçando-te no teu coração por caminhar nos cumes da retidão, sabendo inclinar-te com bondade para os mais fracos. Numa palavra, perante o juízo da tua consciência, deves moderar os rigores da justiça, de tal forma que não sejas duro com os pecadores, mas acessível ao perdão e indulgente. [...]

Considera o teu pecado perigoso e mortal; o dos outros, considera-o uma fragilidade da condição humana. Pensa que a falta que, em ti, te parece digna de severa correção nos outros não merece mais do que uma pequena admoestação. Não sejas mais justo do que o justo : receia cometer o pecado, mas não hesites em perdoar ao pecador. A verdadeira justiça não é a que precipita as almas dos irmãos nos laços do desespero. [...] É muito perigoso o fogo que, ao queimar o mato, ameaça abrasar a própria casa com o ardor das suas chamas. Não, aquele que se compraz em escalpelizar os defeitos dos outros não evitará o pecado porque, ainda que seja movido pelo zelo da justiça, tarde ou cedo acabará por denegri-los.

Evidentemente, se a nossa vida não nos parecesse tão bela, a dos outros não nos pareceria tão feia. E se fôssemos juízes severos para nós mesmos, como deveríamos ser, as faltas dos outros não encontrariam em nós censores tão rigorosos.
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (16/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja 
Sermão 9; PL 144, 549-553


Deixar tudo para seguir a Cristo


Na verdade, é uma grande coisa «deixar tudo», mas ainda é ainda mais importante «seguir a Cristo»; porque, como aprendemos através dos livros, muitos deixaram tudo mas não seguiram a Cristo. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, o nosso trabalho, e nisso consiste o essencial da salvação do homem; mas não podemos seguir a Cristo se não abandonarmos tudo o que nos entrava. Porque «Ele sai, a percorrer alegremente o seu caminho como um herói» (Sl 18,6), e ninguém pode segui-Lo carregado com fardos. 

«Nós deixámos tudo para Te seguir», diz Pedro, não apenas os bens deste mundo mas também os desejos da nossa alma. Porque quem continua apegado, nem que seja a si mesmo, não abandonou tudo. Mais ainda, não serve de nada deixar tudo à exceção de si mesmo, porque não há para o homem fardo mais pesado que o seu eu. Que tirano será mais cruel, que senhor será mais impiedoso para o homem do que a sua própria vontade? [...] Por consequência, é necessário que deixemos os nossos bens e a nossa vontade própria se que queremos seguir Aquele que não tinha sequer «onde reclinar a cabeça» (Lc 9,58) e que não veio para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que O enviou (Jo 6,38).


Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 24 de agosto de 2013

Comentário do Evangelho do dia (24/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja
Sermão 42, 2º para a festa de São Bartolomeu; PL 144, 726

 
 
«Vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem»

A glória de todos os apóstolos é de tal modo indissociável e está unida por tantas graças que, quando se celebra a festa de um deles, é a grandeza comum a todos que é trazida à atenção da nossa visão interior. Com efeito, eles partilham a mesma autoridade de juízes supremos, o mesmo grau de dignidade, e possuem o mesmo poder de ligar e de absolver (Mt 19,28; 18,18). Eles são essas pérolas preciosas que São João diz ter contemplado no Apocalipse e com as quais são feitas as portas da Jerusalém celeste (Ap 21,21.14). […] Com efeito, quando, através de sinais ou de milagres, irradiam a luz divina, os apóstolos abrem o acesso à glória celeste de Jerusalém aos povos convertidos à fé cristã. […]


É ainda deles que o profeta diz: «Quem são estes que voam como nuvens?» (Is 60,8). […] Deus eleva o espírito dos seus pregadores à contemplação das verdades do alto, […] de modo que eles possam espalhar com abundância a chuva da palavra de Deus no nosso coração. Assim, eles bebem a água na nascente para depois no-la darem a beber. São Bartolomeu bebeu plenamente dessa fonte quando o Espírito Santo desceu sobre ele, tal como sobre os outros apóstolos, sob a forma de línguas de fogo (Act 2,3).


Mas ouves falar de fogo e talvez não vejas a relação com a água. Escuta como o Senhor chama água a esse Espirito Santo que desceu como um fogo sobre os apóstolos. «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba» e acrescenta: «Do seio daquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão rios de água viva»; e o evangelista explica: referia-Se «ao Espírito que iam receber os que nele acreditassem» (Jo 7,37-39). Também o salmista diz dos crentes: «Podem saciar-se da abundância da tua casa; Tu os inebrias na torrente das tuas delícias. Em Ti está a fonte da vida» (Sl 36, 9-10). 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano
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