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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A consagração a Maria e a Comunhão


Conheça o modo próprio do consagrado a Virgem Maria viver esta devoção na santa comunhão.


São Luís Maria Grignion de Montfort, ensina como os consagrados a Nossa Senhora devem participar da comunhão eucarística, no final do seu extraordinário livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Apesar deste ser o último tema do Livro, não é o menos importante. Ao contrário, o grande Santo nos fala da comunhão separadamente das práticas interiores e exteriores justamente por causa da sua importância na santa escravidão a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria. Podemos dizer que esta última parte do Tratado é um coroamento da devoção que São Luís Maria nos ensinou. Não poderia ser diferente, pois participar bem da Santa Missa, principalmente da comunhão, recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo devotamente, em estado de graça e com um coração bem disposto, faz toda a diferença para o crescimento na vida espiritual.

A participação no sacrifício eucarístico de Jesus Cristo é a fonte e o centro de toda a vida cristã. Mais ainda, a Eucaristia é o ápice, o ponto mais alto, do mistério de nossa comunhão com Cristo e, n’Ele, com o Pai e com o Espírito Santo. Sendo assim, para participar bem do momento mais sublime e elevado de nossa fé, que é a Eucaristia, uma boa preparação é necessária. São Luís Maria sabia muito bem disso, tanto que, como grande pedagogo que é, de forma extraordinária, nos ensina não somente a nos preparar bem para receber a comunhão, mas também a comungar devotamente e a viver bem o momento de ação de graças.


A devoção a Virgem Maria antes da comunhão


A preparação para a comunhão começa antes mesmo da celebração da Santa Missa, ou da Palavra com comunhão, com o jejum eucarístico de pelo menos de uma hora antes – que tem como finalidade não somente de abster-nos de comida e de bebida, mas principalmente de despertar em nós “fome” e “sede” de Deus – e a busca do silêncio e do recolhimento interior. Além disso, as práticas seguintes, ensinadas por São Luís Maria para antes da comunhão, podem ser feitas durante a celebração, mas é muito salutar se forem vividas antes, ainda que num breve momento de meditação e oração. De qualquer forma, nesta preparação para a comunhão, devemos:

1º – Humilhar-nos profundamente diante de Deus;

2º – Renunciar ao nosso fundo mau, todo corrompido, e às nossas más disposições, embora o nosso amor próprio as faça parecer boas;

3º – Renovar a nossa consagração dizendo: “’Todo Vosso sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!‘ (Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt!)”;

4º – Suplicar a Virgem Maria que nos empreste o seu Coração de Mãe, para nele receber seu Filho com as disposições dela. Pois, a glória de seu Filho exige que não seja recebido num coração tão manchado e tão inconstante como o nosso. Se recebermos o Senhor em nosso coração, este não demorará em fazer-nos perdê-Lo, ou em privar-nos da Sua glória. Mas, se Nossa Senhora quiser vir habitar em nosso coração para receber seu Filho, poderá fazê-lo pelo domínio que tem sobre os corações. Dessa forma, seu Filho será bem recebido, sem mancha nem perigo de ser ultrajado ou perdido. Então, digamos confiantemente a Mãe de Deus que tudo o que lhe oferecemos dos nossos bens é bem pouca coisa para honrá-la. Por isso, desejamos dar-lhe, pela santa comunhão, o mesmo presente que o Pai Eterno lhe deu: seu Filho Jesus Cristo. Deste modo, a Virgem Maria será mais honrada do que se lhe oferecêssemos todos os bens do mundo. Podemos dizer a Virgem de Nazaré que seu Filho Jesus a ama muito particularmente, e que ainda quer ter nela as suas alegrias e o seu repouso, mesmo que agora seja em nossa alma, mais suja e pobre que o estábulo, onde Jesus não pôs dificuldades em vir, porque ela lá estava. Enfim, peçamos a Nossa Senhora o seu Coração, com estas ternas palavras: “Tomo-Vos como toda a minha riqueza. Dai-me o Vosso Coração, ó Maria!”.


Cardeal Joseph Ratzinger e Papa São João Paulo II


A devoção a Santíssima Virgem durante a comunhão


Segundo a devoção ensinada por São Luís Maria, quando se aproximar o momento sublime de receber Jesus Cristo, depois do “Pai-Nosso”, diremos três vezes: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!”, cada uma delas por uma pessoa da Santíssima Trindade:

1ª – A primeira vez será para dizer ao Pai Eterno que não somos dignos de receber seu Filho Unigênito, por causa dos nossos maus pensamentos e ingratidões para com um Pai tão bom. Mas eis que Maria, a Serva do Senhor, está conosco, representa-nos e dá-nos confiança e esperança singulares junto da Divina Majestade;

2ª – A segunda vez, diremos ao Filho que não somos dignos de recebê-Lo por causa das nossas inúteis e más palavras, por causa da nossa infidelidade ao Seu serviço. Suplicaremos a Jesus que tenha piedade de nós, porque O introduziremos na casa da sua própria Mãe e nossa. Diremos que não O deixaremos partir sem que venha morar na casa de Maria: “Detive-o e não o deixarei até o introduzir na casa de minha Mãe e no quarto daquela que me gerou”. Pediremos a Cristo que se levante e venha descansar no lugar do seu repouso, na arca da sua santificação: “Levantai-Vos, Senhor, entrai no Vosso repouso, tu e a arca da tua santidade”. Não colocaremos nenhuma confiança nos nossos méritos, em nossas forças e na nossa preparação, como Esaú, mas nas mãos de Maria, nossa querida Mãe, como o jovem Jacó se colocou aos cuidados de Rebeca. Embora pecador e Esaú que somos, ousamos aproximar-nos da santidade do Filho de Deus apoiados e revestidos dos méritos e virtudes de sua Santa Mãe;

3ª – Na terceira vez, diremos ao Espírito Santo que não somos dignos de receber a obra-prima da sua caridade, por causa da tibieza e iniquidade das nossas ações e das nossas resistências às suas inspirações, mas que toda a nossa confiança está em Maria, sua Fiel Esposa. Com São Bernardo, exclamaremos: “Ela é a minha grande confiança, é toda a razão da minha esperança!” Neste momento, podemos pedir ao Espírito de Deus que venha mais uma vez a Virgem Maria, sua esposa inseparável; que seu seio é tão puro e seu Coração tão abrasado como sempre; e que sem que Ele desça à nossa alma, Jesus e Maria nela não poderão ser bem acolhidos, nem bem formados.



A devoção a Nossa Senhora depois da comunhão

Depois da santa comunhão, interiormente recolhidos, com os olhos fechados, introduziremos espiritualmente Jesus Cristo no Coração de Maria. Nós O daremos “à sua Mãe, que O receberá amorosamente, O instalará honorificamente, O adorará profundamente, O amará perfeitamente, O abraçará com amor e Lhe tributará, em espírito e verdade, várias homenagens que nos são desconhecidas, a nós, envoltos nessas densas trevas”. Ou então, permaneceremos profundamente humilhados em nosso coração, na presença de Jesus fazendo sua morada em Maria. Ou ficaremos como um escravo à porta do palácio do Rei, onde Ele está a falar com a Rainha e, enquanto Eles falam, sem precisar de nós, iremos em espírito ao Céu e pela Terra inteira para pedir a todas as criaturas que agradeçam, adorem e amem Jesus em Maria, por nós. “Vinde, adoremos, vinde!”. Ou então, nós mesmos pediremos a Jesus, em união com Maria, a vinda do seu Reino sobre a Terra, por intermédio de sua Santa Mãe. Ou pediremos a Sabedoria Divina, ou o Amor Divino, ou o perdão dos nossos pecados, ou qualquer outra graça, mas sempre por Maria e em Maria. Então diremos, considerando-nos com desconfiança: Senhor, não olheis para os nossos pecados, mas que os Vossos olhos só vejam em nós as virtudes e os méritos de Maria. E, recordando-nos dos nossos pecados, acrescentaremos: “Foi o inimigo que fez isto!”. Pois, nós mesmos somos o maior inimigo com quem temos que lutar; fomos nós que cometemos estes pecados. Ou então: Livrai-nos, Senhor, do homem perverso e mentiroso, que somos nós mesmos. Podemos dizer ainda: meu Jesus, é necessário que vós cresçais na minha alma e que nós diminuamos. Ó Maria, é necessário que cresçais em nós, e que sejamos menores do que nunca! “Crescei e multiplicai-vos”: ó Jesus e Maria, crescei em nós, e multiplicai-Vos fora de nós nos outros.


O segredo de Maria na comunhão eucarística


Assim, o Espírito Santo nos inspirará uma infinidade de pensamentos, se formos interiores, mortificados e fiéis a esta grande e sublime devoção ensinada por São Luís Maria. Não tenhamos medo de clamar a presença de Nossa Senhora antes de receber Jesus Cristo na comunhão. Recordemos que, quanto mais deixarmos agir Maria na nossa comunhão, mais Jesus será glorificado. Além disso, tanto mais deixaremos agir Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente nos humilharmos e os escutarmos em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir. “Pois o justo vive, em tudo, da Fé, e particularmente na Sagrada Comunhão, que é um ato de fé: ‘O meu justo viverá da Fé!’”. Neste ato de fé, está o segredo para viver bem a comunhão e deixar que Jesus e Maria realizem a obra da Santíssima Trindade em nós. Na comunhão, não devemos buscar visões, consolações ou sensações, senão permaneceremos no exterior e praticamente impediremos a ação de Deus. Pois, é em nosso interior, no mais profundo de nossas almas, que Jesus e Maria realizam as maiores maravilhas da graça. Que Nossa Senhora nos ajude a acolher Jesus Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne, em nosso interior, no mais íntimo do nosso coração. Ó Virgem Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!


Natalino Ueda - Blog Todo de Maria 

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Referências:


1 Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 11.


2 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 22.


3 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Código de Direito Canônico, Cânon 919 — § 1. Quem vai receber a santíssima Eucaristia, abstenha-se, pelo espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão, de qualquer comida ou bebida, exceto água ou remédios.


4 TVD 266.


5 Cf. Lc 2, 7.


6 TVD 266.


7 Idem, 267.


8 Cf. Sl 4, 10.


9 Ct 3, 4.


10 Sl 131, 8.


11 Cf. Gn 27, 1-29.


12 TVD 269.


13 Idem, 270.


14 Sl 94, 6.


15 Mt 13, 28.


16 Cf. Sl 42, 1.


17 Cf. Jo 3, 30.


18 Gn 1, 28.


19 TVD 273. Cf. Hb 10, 38.


20 Cf. Jo 1, 14.


21 Cf. Lc 2, 19.51;

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O modo de receber o Santíssimo Sacramento da Eucaristia




Com diferentes finalidades podemos aproximar-nos desse sacramento. Para obtê-las, devemos dar certos passos em três momentos: antes, durante e depois da comunhão.
            Antes da comunhão, seja qual for a finalidade com que a recebes, deves purificar-te e lavar-te com o sacramento da penitência, caso tenhas cometido pecado mortal. Depois, é necessário que te entregues de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças a Jesus Cristo, já que Ele, no sacramento, nos dá Seu Corpo e Sangue, junto com a Sua alma, divindade e méritos. Então, tendo em conta que o que oferecemos é bem pouco, devemos desejar possuir tudo o que Lhe ofereceram todas as criaturas do céu e da terra, para podermos oferecer-Lhe.
            O desejo do Senhor, de que Lhe reservemos um espaço em nosso coração, para que Ele possa unir-se a nós e ajudar-nos a vencer nossos inimigos, é tão grande que não há entendimento humano capaz de compreendê-lo. Desde a véspera, ao menos, deves começar a preparar o coração, meditando nesse desejo.
            Para poder começar a compreendê-lo, deves gravar na mente duas coisas:
            A primeira é a inefável alegria que Deus, infinitamente bom, encontra em unir-se conosco, a ponto de dizer que a nossa companhia são as suas delícias (Prov 8,31).
            A segunda  é o ódio infinito que Ele tem ao pecado, por ser impedimento e obstáculo para a união que tanto deseja ter conosco, e também porque, sendo Ele pura luz e beleza infinita, não pode deixar de odiar o pecado, que não é mais que treva e mancha intolerável nas nossas almas.
            Dessa forma, conhecendo ao menos em parte o desejo que Deus tem de se apossar do teu coração, para lançar fora os teus e Seus inimigos, anima-te também do desejo de O receber com essa mesma finalidade. E, para melhor te preparares, redobra os atos de virtude com os quais buscas vencer tuas paixões, nas horas que antecedem a Sagrada Comunhão.
            Um pouco antes de receber a comunhão, deves relembrar brevemente as tuas faltas desde a comunhão interior, e então, aproximando o teu abismo de ingratidão do abismo de bondade do Senhor, chega-te a Ele com confiança e abre-lhe a porta do teu coração, para que Ele tome posse de ti. Ao mesmo tempo, fecha resolutamente a porta a todas as coisas do mundo, a tudo o que não seja Deus.
            Depois de receberes a comunhão, encerra-te no íntimo do teu coração, adora o teu Senhor com profunda e humilde reverência, e então dialoga mentalmente com Ele da seguinte forma: “Vês, meu único Bem, com quanta facilidade Te ofendo e como essa paixão é maior do que eu, e que sozinha não consigo vencê-la. Mas esse combate é sobretudo Teu, e, embora eu tenha de lutar, só de Ti espero a vitória”.
            Oferece ao Pai eterno, em ação de graças pela vitória que esperas alcançar sobre ti mesma, o Seu próprio Filho, que Ele já te deu, e tens dentro de ti. E, enquanto lutas generosamente contra as tuas paixões, espera com fé a vitória de Deus, pois, ainda que tarde, ela não falhará, se fizerdes tudo o que estives ao teu alcance.
 
(Lorenzo Scupoli - O Combate Espiritual)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Céu da Eucaristia - São Pedro Julião Eymard

Subindo ao Céu no dia da Ascensão, Jesus Cristo vai tomar posse de Sua glória e preparar-nos um lugar. Com Jesus Cristo, a humanidade remida entra no céu: sabemos que este não mais nos está fechado, e vivemos na expectativa do dia em que as suas portas se abrirão diante de nós. Essa esperança nos ampara e nos dá coragem. A rigor, poderia bastar para levarmos uma vida cristã e, para não perder tal esperança, sofreríamos todas as tristezas da vida. Entretanto, Nosso Senhor, para conservar em nós e tornar mais eficaz a esperança do Céu, para fazer com que esperemos pacientemente o céu da glória e conduzir-nos a ele, criou o belo céu da Eucaristia. Pois a Eucaristia é um belo céu, o céu antecipado. Não é Jesus glorioso, vindo do Céu à terra, e trazendo o Céu consigo? O Céu não está em toda parte onde se encontra Nosso Senhor? Seu estado, embora velado a nossos sentidos, ali está glorioso, triunfante, bem-aventurado: nada mais tem das misérias da vida e, quando comungamos, recebemos o Céu, pois recebemos Jesus, Que constitui toda a felicidade e toda a glória do paraíso. Que glória para um súdito receber o seu rei! Nós também, glorifiquemo-nos: recebemos o Rei do Céu! Jesus vem a nós para que não esqueçamos a nossa verdadeira pátria, ou então para que, nela pensando, não morramos de desejo e tédio. Ele vem e permanece corporalmente em nossos corações enquanto dura o Sacramento; depois, destruídas as espécies, sobe de novo ao Céu, mas permanece em nós por Sua graça e por Sua presença de amor. Por que não permanece muito tempo? Porque a condição de Sua presença corporal é a integridade das santas espécies.
Jesus, vindo a nós, traz os frutos e as flores do paraíso. Quais são? Não sei; não se os vê, mas sente-se-lhes o perfume. Ele nos traz os méritos glorificados, Sua espada vitoriosa de Satanás; traz-nos as Suas armas para que as utilizemos; Seus méritos, para que lhes acrescentemos os nossos, fazendo com que frutifiquem. A Eucaristia é a escada, não de Jacó, mas de Jesus, Que por nós sobe ao Céu e dele desce continuamente. Ele Se acha num movimento incessante para nós.
Mas vejamos quais são os bens celestes que Jesus especialmente nos traz, quando O recebemos.
Primeiro, a glória. É verdade que a glória dos santos e bem-aventurados é uma flor que só desabrocha ao sol do paraíso e sob o olhar de Deus; essa glória refulgente, não a podemos ter sobre a terra; adorar-nos-iam! Mas recebemos o seu germe oculto, que a contém interia, como a semente encerra a espiga. A Eucaristia deposita em nós o fermento da ressurreição, em consideração a uma glória especial e mais brilhante, e, semeada na carne corruptível, refulgirá em nosso corpo ressuscitado e imortal.
Em seguida, a felicidade. Nossa alma, entrando no Céu, vê-se na posse da felicidade de Deus, sem receio de perdê-la ou de vê-la diminuída. Mas, na Comunhão, não recebeis algumas parcelas dessa verdadeira felicidade? Não nos é dada inteira, para que não deixemos de pensar no Céu; mas de que paz, de que suave alegria não sois inundados após a Comunhão! Quanto mais desapegada a alma das afeições terrestres, mais goza dessa felicidade, e há almas tão felizes após a Comunhão que os seus próprios corpos se ressentem.
Enfim, os bem-aventurados participam do poder de Deus. Ora, aquele que comunga com um grande desejo de unir-se a Jesus, não experimenta mais que um soberano desprezo por tudo quanto não é digno de suas afeições. Domina tudo quanto é terrestre: é o verdadeiro poder. É então que a Comunhão faz subir a alma para Deus. Define-se a oração: uma ascensão de nossa alma para Deus. Mas que é a prece comparada à Comunhão? Como essa ascensão de pensamentos, de desejos, acha-se distante da ascensão sacramental em que Jesus nos eleva com Ele até o seio de Deus!
A águia, para habituar seus filhotes a voar nas mais altas regiões, apresenta-lhes o alimento, mantendo-se muito acima deles e, subindo cada vez mais à medida que se aproximam, faz com que subam insensivelmente até os astros.
Assim Jesus, Águia divina, vem a nós, traz-nos o alimento de que necessitamos, depois sobe e convida-nos a segui-lo. Cumula-nos de doçuras, para nos fazer desejar a felicidade do Céu; familiariza-nos com o pensamento do Céu.
Não reparais que, ao possuir Jesus no coração, desejais o paraíso e desprezais todo o resto? Desejaríeis morrer imediatamente a fim de estar mais depressa unido a Deus para sempre. Quem comunga raras vezes, não pode desejar ardentemente a Deus, e tem medo da morte. No fundo, este pensamento não é mau; mas se pudéssemos ter a certeza de ir imediatamente ao Céu, ah! não quereríeis permanecer um quarto de hora mais sobre a terra! Em um quarto de hora no Céu, testemunhareis a Deus mais amor e mais o glorificareis que durante a mais longa vida.
Assim, pois, a Comunhão nos prepara para o Céu. Que graça morrer após ter recebido o santo Viático! Sei que a contrição perfeita nos justifica e nos dá direito ao Céu; mas como deve ser bem melhor ir em companhia de Jesus, e ser julgado por Seu amor, unido ainda, por assim dizer, a Seu Sacramento de amor! Assim, a Igreja quer que seus sacerdotes administrem o santo Viático, até no último momento, ao penitente disposto, ainda que já houvesse perdido o uso dos sentidos; tanta questão faz essa boa Mãe de que os seus filhos partam bem providos para essa terrível viagem!
Peçamos muitas vezes a graça de receber o santo Viático antes de morrer: será o penhor de nossa eterna felicidade; e assegura São Crisóstomo, no livro do Sacerdócio, que os anjos esperam, à saída do corpo, as almas dos que acabam de comungar, em atenção ao divino Sacramento, eles as rodeiam e acompanham como satélites até o trono de Deus.


Fonte: Blog São Pio V

sábado, 15 de junho de 2013

Santa Comunhão - Santo Afonso Maria de Ligório

"O sacramento da Eucaristia é o sacramento do amor, nós temos a vida verdadeira,
uma vida abençoada e verdadeira felicidade".
Padre Pio



Santo Afonso Maria de Ligório
Práticas do amor a Jesus Cristo




"Quantas pessoas deixam de procurar a comunhão para não se sentirem obrigadas a viver com maior recolhimento e maior desapego das coisas desta terra. Esse é o motivo verdadeiro porque muitos não comungam com maior freqüência. Sabem que a comunhão diária não pode estar junto com o desejo de aparecer, com a vaidade no vestir, com o apego aos prazeres da gula, as comodidades, as conversas maldosas. Sabem que deveria haver mais oração, praticar mais mortificações internas e externas, maior recolhimento. É por isso que se envergonham de aproximar mais vezes da comunhão. Sem dúvida, tais pessoas fazem bem em deixar a comunhão freqüente enquanto se acham neste estado lastimoso de tibieza. Mas deve sair dessa situação de tibieza quem se sente chamado a uma vida mais perfeita e não quer pôr em perigo a própria salvação eterna.

É também muito bom para se manter com fervor espiritual, fazer frequentemente a 'comunhão espiritual', louvado pelo Concílio de Trento, que exorta os fiéis a praticá-la. Ela consiste num fervoroso desejo de receber a Jesus Cristo na Eucaristia. Por isso os santos a faziam várias vezes ao dia. O modo de fazê-la é este: "Meu Jesus, creio que estais no Sacramento da Eucaristia. Amo-vos e desejo vos receber; vinde à minha alma. Uno-me a Vós e Vos peço que não permitais que nunca me separe de Vós". Ou então, simplesmente: "Meu Jesus, vinde a mim, eu quero Vos receber para que vivamos intimamente unidos e não Vos separeis de mim". Este tipo de comunhão espiritual pode ser feito várias vezes ao dia, quando se reza, ou se faz uma visita ao Santíssimo Sacramento ou também na missa quando não se pode comungar. A Bem-aventurada Águeda da Cruz costumava dizer: "Se não me tivessem ensinado este modo de comungar muitas vezes ao dia, não sei como poderia viver".

domingo, 21 de abril de 2013

Propósito como sacerdote escrito por São João Bosco por ocasião de sua ordenação

"O padre não vai jamais sozinho para o Céu ou para o Inferno. Se for fiel a sua vocação vai para o Céu com as almas que com seu bom exemplo tiver salvado; se proceder mal e escandalizar os irmãos, irá para o Inferno juntamente com as almas condenadas por causa de seus maus exemplos. Este pensamento me vai ajudar a manter com todo o esforço os seguintes propósitos:

1 - Jamais darei um passeio sem necessidade.

2 - Ocuparei escrupulosamente o tempo.

3 - Sempre que se tratar da salvação das almas, encontrar-me-ão pronto a sofrer, a agir, a humilhar-me.

4 - A caridade e a doçura de São Francisco de Sales iluminem todas as minhas ações.

5 - Mostrar-me-ei sempre contente com o alimento que me derem, a não ser que seja realmente prejudicial à saúde.

6- Tomarei vinho sempre "batizado" e só como remédio, isto é, nos dias e na medidae que minha saúde exigir.

7 - Como o trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos de minha salvação, darei ao sono apenas cinco horas por noite. Durante o dia, e especialmente depois da refeição não repousarei nunca a não ser em caso de doença.

8 - Consagrarei todos os dias alguns momentos à meditação e à leitura espiritual. Durante o dia farei uma breve visita ou pelo menos uma oração ao Santíssimo Sacramento. Minha preparação para a Missa durará um quarto de hora. O mesmo se diga da ação de graças.

9 - Fora do Tribunal da Penitência e salvo rarissímas exceções necessárias, nunca me deterei a conversar com mulheres."

Retirado do livro Dom Bosco de A. Auffray SDB

Fonte: Blog Santa Igreja (Missa Gregoriana - CE). Com adaptações.
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