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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Viver de fé, com a ajuda de Maria - Por São Luís Maria Grignion de Montfort



 


 

A Santíssima Virgem vos fará partilhar a sua fé, que foi mais forte que a fé de todos os patriarcas, profetas, apóstolos e todos os santos. [...] 

 

Assim, pois, quanto mais conquistardes a benevolência desta augusta Princesa e Virgem fiel, mais fé pura tereis nas vossas ações: uma fé pura que fará com que não vos preocupeis grandemente com as coisas sensíveis e extraordinárias; uma fé viva e animada pela caridade, graças à qual tudo fareis por puro amor; uma fé firme e inabalável como uma rocha, pela qual permanecereis firmes e constantes no meio das tempestades e tormentas; uma fé ativa e penetrante, que, qual misteriosa chave universal, vos permitirá entrar nos mistérios de Cristo, nos fins últimos do homem e no coração do próprio Deus; uma fé corajosa, que vos fará empreender sem hesitar e levar a bom termo grandes coisas por Deus e pela salvação das almas; em suma, uma fé que será uma tocha acesa, uma vida divina, um tesouro escondido da Sabedoria divina e uma arma omnipotente, que utilizareis para iluminar os que se encontram na sombria região da morte, para abrasar os que estão mornos e têm necessidade do ouro aceso da caridade, para dar vida aos mortos pelo pecado, para tocar e mover, com as vossas palavras suaves e poderosas, os corações de mármore e os cedros do Líbano, e finalmente para resistir ao diabo e a todos os inimigos da salvação.



«Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem», § 214

 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O imenso valor da Ave Maria, a saudação angélica

 


Almas predestinadas, escravas de Jesus em Maria, aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis.


A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é, como dizem os santos, o inimigo do demônio, pondo-o logo em fuga, e o martelo que o esmaga; a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de santos ilustres.


Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu: "Qui seminat in benedictionibus, de benedicionibus et metet" (2 Cor 9,6).


 S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
 
Fonte: Blog GRAA

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

08 de Novembro: início dos 30 dias de preparação para a Consagração Total!



"Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará." (Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917).

Seguindo os passos do Beato João Paulo II, chegamos agora ao auge da nossa 4ª Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria. Milhares de pessoas espalhadas em grupos por todo o Brasil prepararam-se para fazer ou renovar a sua Consagração Total a Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de nossa Mãe Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, Solenidade da Imaculada Conceição!

Vivemos um Momento Mariano na Igreja, pois no dia 13 de Outubro de 2013, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria. Agora, cabe a cada um de nós precisa tomar posse, pessoalmente, dessa Consagração, e consagrar-se à Virgem Maria. É isso que queremos fazer em 08 de Dezembro.

A Consagração ou Renovação da Consagração deve ser feita, de preferência, na Santa Missa, ou ainda de maneira privada.

Para que não reste nenhuma dúvida, por favor, leiam o texto abaixo.
Quem pode se consagrar em nossa campanha?

Todos que se prepararam em grupo ou individualmente para fazer a Consagração Total à Maria Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, ou ainda em datas próximas (consideramos aproximadamente 15 dias, para antes ou para depois).

De forma geral, recomendamos não se consagrar e nem mesmo iniciar os 30 dias de preparação SEM A LEITURA COMPLETA do Tratado. Devido à importância e abrangência da Consagração não é possível realizá-la sem conhece-la bem. Além disso, a Consagração é feita uma vez na vida, portanto, é importante conhecê-la bem.

Esclarecemos também que a Consagração pode ser realizada em outro momento, após a leitura do livro. Ela pode ser feita em grupo ou individualmente, em data escolhida livremente.

Para quem ainda não tem o "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem", ele poderá ser adquirido através dos links abaixo, em nosso material de apoio.
Quem pode renovar a Consagração na nossa campanha?

Todos que já fizeram a Consagração Total pelo método de São Luis Maria Montfort, em absolutamente qualquer da data que tenha feito (a Consagração pode ser renovada, individualmente, todos os dias, inclusive).

Portanto, poderão renovar todos os que se consagraram no dia 08 de Dezembro de algum ano, como também os que se consagraram em qualquer data. A data da Renovação NÃO depende necessariamente da data da Consagração.

Recomendamos que aqueles que renovarem a Consagração façam também os 30 dias de orações preparatórias (embora não seja imprescindível, e quem por alguma razão não o fizer, poderá renovar tranquilamente).
Orações preparatórias

Aqueles que irão se consagrar ou tão somente renovar a consagração na Solenidade da Imaculada Conceição, devem iniciar os 30 dias de orações preparatórias no dia 08 DE DE NOVEMBRO.

As orações próprias estão indicadas no "Tratado" (n. 227-233), podendo também serem encontradas abaixo, em nosso material de apoio.
Falhei durante os 30 dias: o que fazer?

Recomendamos que, mesmo que haja alguma falha durante as orações preparatórias, que isso não seja motivo de desistência. Permaneça fiel e consagre-se.

O demônio odeia esta consagração total e poderá se utilizar de algum escrúpulo por não ter cumprido cem por cento os atos de preparação para, assim, incitar à desistência.

Além disso, a consagração é um ato interior, que não depende necessariamente dos atos exteriores de preparação.

No caso de uma queda em pecado mortal, que haja, evidentemente, arrependimento e se busque a Confissão o mais rápido possível, mas que isso também não seja motivo de desistência.
No dia da Consagração (08 De Dezembro), o que se faz?

- deve-se oferecer algum tributo a Nosso Senhor e a Santíssima Virgem, em penitência das nossas infidelidades e em sinal de dependência Deles. Poderá ser algum jejum, ou penitência, ou ato de caridade a um necessitado (ver Tratado, n. 232).

- deve-se utilizar um sinal físico da Consagração, a ser levado sempre junto consigo (Tratado n.236-242). São Luis sugere usar "pequenas cadeias de ferro", mas evidentemente que este sinal pode ser substituído com algo mais compatível com o estilo de vida de cada um (como uma Medalha da Santíssima Virgem, um Escapulário, uma pequena corrente, um anel etc).

- para a Consagração, propriamente dita, deve ser escrita e assinada em um papel a fórmula da Consagração (que pode ser encontrada na página 182/183 da edição do Tratado da Arca de Maria, denominada "Consagração de si mesmo a Jesus Cristo, Sabedoria Encarnada, pelas Mãos de Maria" ou abaixo, em nosso Material de Apoio). Aqueles que irão se consagrar durante a Santa Missa, devem ler a fórmula rezando a respectiva oração após a homilia ou Comunhão. Trata-se de um tesouro que deve ser guardado com muito zelo.
Importante: envio dos dados

Aqueles que quiserem participar da nossa Campanha FAZENDO ou RENOVANDO a Consagração, deverão enviar os seus dados, preenchendo o formulário no link abaixo, até o dia 05 de Dezembro de 2013 (os nomes serão oferecidos na Santa Missa):

http://goo.gl/FuWALo

Os dados das crianças deverão ser enviados normalmente, da mesma forma que dos adultos.

Os coordenadores dos diversos grupos de preparação para Consagração deverão estar atentos para enviar os dados dos membros do grupo não tiverem acesso à internet.

Fonte: Padre Paulo Ricardo

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Carta Encíclica "AD DIEM ILLUM" - Papa São Pio X



CARTA ENCÍCLICA "AD DIEM ILLUM"

Papa São Pio X



Aos nossos Veneráveis Irmãos os Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e demais Ordinários em paz e comunhão com a Sé Apostólica: Sobre o Cinqüentenário da Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

Veneráveis Irmãos, Saúde e Benção Apostólica

1. O curso do tempo nos levará, dentro em poucos meses, a esse dia de inigualável alegria no qual, circundado duma coroa magnífica de cardeais e bispos, há cinqüenta anos, Nosso Predecessor Pio IX, pontífice de santa memória, por virtude da autoridade do magistério infalível declarou e proclamou ser de revelação divina que Maria foi totalmente isenta da mácula original, desde o primeiro instante de sua conceição. E não há quem ignore que todos os fiéis do universo acolheram esta proclamação com tal disposição de ânimo, com arroubos tais de júbilo e entusiasmo que jamais houve, na memória de todos os tempos, manifestação de piedade tão grandiosa e tão unânime, quer para com a augusta Mãe de Deus, quer para com o Vigário de Jesus Cristo — Hoje, Veneráveis Irmãos, muito embora à distância de meio século, não podemos nós esperar que a lembrança reavivada da Virgem Imaculada desperte em nossas almas como que um eco dessas santas alegrias e renove as demonstrações grandiosas de fé e de amor à augusta Mãe de Deus que se manifestaram nesse passado já longínquo? Um sentimento, que sempre nutrimos em Nosso coração, de piedade para com a Bem-aventurada Virgem e de profunda gratidão por seus benefícios, no-lo faz desejar ardentemente. O que, entretanto, Nos dá segurança disto é o zelo dos católicos, sempre alerta e pronto a dar novas provas de honra e de amor à Virgem excelsa. Não queremos, contudo, dissimular algo que em Nós aviva grandemente este desejo: é que se Nos afigura, segundo um pressentimento secreto de Nosso coração, que podemos esperar, em um futuro pouco distante, a realização das grandes esperanças, por certo não temerárias, que a definição solene do dogma da Imaculada Conceição de Maria despertou em Nosso predecessor Pio IX e em todo o Episcopado católico.

Benefícios dispensados por Maria à Igreja


2. Na verdade, não são poucos os que lastimam não ver realizadas essas esperanças até os nossos dias, fazendo suas essas palavras de Jeremias (8, 15): "Esperávamos a paz, e este bem não chegou; o remédio, e eis o terror!" Mas, não se devera acoimar de pouca fé homens que descuram assim de penetrar ou de considerar as obras de Deus sob o seu verdadeiro prisma? Com efeito, quem há que possa enumerar, quem há que possa computar os tesouros escondidos de graças que Deus, no decurso desse tempo, derramou em sua Igreja às preces de Maria? E, se quisermos preterir isto, que dizer do Concílio do Vaticano, de tão admirável oportunidade? que dizer da definição da infalibilidade do Pontífice, formulada tão cabalmente em oposição aos erros que em breve iriam surgir? que dizer, enfim, desse impulso de piedade, algo novo e deveras inaudito, que faz acorrerem, já desde longa data, os fiéis de todas as raças e de todos os continentes aos pés do Vigário de Cristo, para lhe render preito e veneração? E não é um admirável efeito da divina Providência o terem podido os Nossos dois predecessores, Pio IX e Leão XIII, governar santamente a Igreja, em tempos tão revoltos e em condições de duração quais não tinham sido concedidas a nenhum outro pontificado? Deve-se acrescentar que, mal Pio IX declarou de fé católica a Conceição Imaculada de Maria, na cidade de Lourdes começaram a se fazer manifestações portentosas da Virgem. Isto foi a origem, como se sabe, desses templos erguidos à honra da Imaculada Mãe de Deus, obra de grande magnificência e de trabalho ingente, onde, por intercessão da Virgem, prodígios diários subministram esplêndidos argumentos para a confusão da incredulidade dos tempos modernos. — Tantos e tão insignes benefícios concedidos por Deus, às piedosas solicitações de Maria, no espaço de cinqüenta anos que estão para terminar, não nos devem fazer acalentar a esperança "da salvação para um tempo menos distante que houvéramos crido"? Pois é como que uma lei de Providência Divina — como a experiência no-lo ensina — que das extremidades do mal à libertação não media demasiado espaço de tempo. "Este seu tempo está próximo a vir, e os seus dias não se prolongarão; porque o Senhor terá compaixão de Jacó, e reservará ainda para si alguns escolhidos de Israel" (Is. 14, 1). É, pois, com confiança ilimitada que nós esperamos poder exclamar, dentro em pouco: O Senhor despedaçou o bastão dos ímpios e a vara dos dominadores. Toda a terra está em descanso e em paz, ela se encheu de prazer e recozigo (Is; 14, 5 e 7).

Maria, o caminho mais seguro e mais fácil para Cristo

3. Mas, se o cinqüentenário do ato pontifical que declarou sem mácula a Conceição de Maria deve estimular no seio do povo cristão vivos entusiasmos, a razão disso está na necessidade que expusemos em Nossa carta encíclica precedente (DP 87), qual é a restaurar tudo em Cristo. Pois, quem é que não tenha por certo que não há caminho mais seguro e mais fácil que Maria por onde os homens possam chegar a Jesus Cristo, e alcançar, por intermédio de Cristo, essa adoção perfeita de filhos que os faz santos e imaculados na presença de Deus? Por certo, se realmente foi dito à Virgem: "Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que pelo Senhor te foram ditas" (Lc 1, 45), isto é, que conceberia e daria à luz o Filho de Deus; se, por conseguinte, ela acolheu em seu seio aquele que por natureza é a Verdade, de forma que, engendrado numa nova ordem e por um novo testemunho..., invisível em si, se fizesse visível em nossa carne (S. Leo M., Serm. 2 de Nativitate Domini, c. 2); visto que o Filho de Deus é o autor e consumador de nossa fé, é de estrita necessidade que Maria seja participante dos divinos mistérios e de algum modo sua guardiã e que também sobre ela, como o mais nobre alicerce, após Jesus Cristo, repouse a fé de todos os séculos.

O Filho sempre associado com a Mãe


4. E como poderia ser de outra forma? Não nos poderia ter Deus concedido outro meio, que não Maria, o reparador da humanidade e o fundador da fé? Mas como aprouve à eterna Providência que o Homem-Deus nos fosse dado pela Virgem e visto que esta, tendo-o concebido por virtude do divino Espírito, na realidade o carregou em seu seio, que nos resta ainda, senão receber Jesus das mãos de Maria? Por isso, sempre que nas Sagradas Escrituras se "fala da graça que nos aguarda", sempre também, ou as mais das vezes, o Salvador dos homens aparece acompanhado da sua santa Mãe. O Cordeiro dominador da terra há de vir, mas da pedra do deserto; a flor brotará, mas da raiz de Jessé. Em vendo, no futuro, Maria esmagar a cabeça da serpente, Adão estancou as lágrimas que a maldição arrancava de seu coração. Maria ocupa a mente de Noé na arca libertadora; de Abraão, impedido de imolar seu filho; de Jacó, contemplando a escada por onde subiam e desciam os anjos; de Moisés, admirando a sarça que ardia sem se consumir; de David, cantando e dançando, ao conduzir a arca de Deus; de Elias, lobrigando a nuvenzinha erguer-se do mar. E, sem Nos alongarmos demais, em Maria temos, depois de Cristo, o fim da lei, a verdade das imagens e dos oráculos.

5. Na verdade, que seja por Maria, e sobretudo por ela, que encontramos o caminho para o conhecimento do Cristo, ninguém poderá duvidar, se considerarmos, entre outras coisas, que no mundo somente ela teve com ele, sob o mesmo teto e numa familiaridade íntima de 30 anos, essas relações estreitas que são próprias da mãe e filho. Os admiráveis mistérios do nascimento e da infância de Jesus, máxime os que respeitam à sua Encarnação, princípio e fundamento de nossa fé, a quem poderiam ter sido desvendados mais amplamente que à sua Mãe? Ela guardava e considerava em seu coração os acontecimentos que vira em Belém e presenciara no templo de Jerusalém; mas, participante de seus conselhos e dos desígnios secretos de sua vontade, viveu, deve-se dizer, a vida mesma de seu Filho. Sim, jamais alguém no mundo conheceu, como ela, Jesus em seu íntimo; não há mestre melhor, nem guia mais seguro para fazer conhecer a Jesus Cristo.

6. Segue-se, como conseqüência, que jamais alguém será mais poderoso que a Virgem para unir os homens a Cristo, como já o temos insinuado. Se, com efeito, segundo a doutrina do Mestre divino, "a vida eterna consiste em que eles te conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que tu enviaste" (Jo 17, 3); como por Maria chegamos ao conhecimento de Jesus Cristo, por ela também nos é mais fácil adquirir a vida, da qual Ele é o princípio e a fonte.

Maria, Mãe do Corpo Místico de Cristo

7. E agora, por pouco que consideremos quantos e quão prementes motivos levam esta Mãe Santíssima a nos dar profusamente da abundância de seus tesouros, que de incrementos não tomará nossa esperança? Não é Maria a Mãe de Deus? Portanto é Mãe nossa também. Pois deve-se estabelecer o princípio de que Jesus, Verbo feito carne, é ao mesmo tempo o Salvador do gênero humano. Em conseqüência, como Deus Homem Ele tem um corpo qual os outros homens; como Redentor de nosso gênero, um corpo espiritual ou, como sói dizer-se, místico, que outra coisa não é que a comunidade dos cristãos unidos a Ele pela fé. Embora muitos, somos um só corpo em Cristo (Rom 12, 5). A Virgem, pois, não concebeu o Filho de Deus só para que, dela recebendo a natureza humana, se tornasse homem; mas a fim de que Ele se tornasse mediante esta natureza dela recebida, o Salvador dos homens. O que explica as palavras dos anjos aos pastores: "Hoje nasceu-vos o Salvador, que é o Cristo Senhor" (Lc 2, 11). Por isso, no seio virginal de Maria, onde Jesus assumiu a carne mortal, lá mesmo Ele se agregou um corpo espiritual formado de todos os que deviam crer n’Ele. E pode-se dizer que Maria, levando Jesus em suas entranhas, levava também todos aqueles cuja vida o Salvador trazia. Todos, portanto, que, unidos a Cristo, somos, consoante as palavras do Apóstolo, "membros do seu corpo, de sua carne e de seus ossos" (Ef 5, 30), devemos crer-nos nascidos do seio da Virgem, donde um dia saímos qual um corpo unido à sua cabeça. É por isso que somos chamados, num sentido espiritual e místico, filhos de Maria, e ela é, por sua vez, nossa Mãe comum. Mãe espiritual, contudo verdadeira mãe dos membros de Jesus Cristo, quais somos nós (S. Aug., L. de S. Virginitate, c. 6). Se, pois, a bem-aventurada Virgem é ao mesmo tempo Mãe de Deus e dos homens, quem pode duvidar de que ela se desvele com todas as forças junto de seu Filho, cabeça do corpo da Igreja (Cor 1, 18), a fim de que Ele derrame sobre nós, seus membros, os dons de sua graça, notadamente aquele que nos leva a conhece-lo e nos faz viver por Ele (1 Jo, 4, 9)?

Maria, a Co-redentora dos homens

8. Mas não foi apenas para seu próprio louvor que a Virgem ministrou a matéria de sua carne ao Filho unigênito de Deus, que haveria de nascer com membros humanos (S. Beda Ven. lib. IV in Luc. XI), e que ela preparou, desta forma, uma vítima para a salvação dos homens; sua missão foi também velar por esta vítima, nutri-la e apresenta-la ao altar, no tempo estabelecido. Por isto, entre Maria e Jesus reinou perpétua sociedade de vida e sofrimentos, que nos permite aplicar a ambos estas palavras do Profeta: A minha vida vai se consumindo com a dor e os meus anos com os gemidos (Sl 30, 11). E quando chegou a hora derradeira de Jesus, vemos a Virgem "aos pés da cruz", horrorizada certamente ante a visão do espetáculo, "mas feliz porque seu Filho se oferecia como vítima pela salvação dos homens e, ademais, de tal modo partícipe de suas dores que teria preferido padecer os tormentos que cruciavam o seu Filho, tal lhe fosse dado fazer" (S. Bonav., 1 Sent., d. 48, ad Litt., dub. 4). — Em conseqüência dessa comunhão de sentimentos e de dores entre Maria e Jesus, a Virgem fez jus ao mérito de se tornar legitimamente a reparadora da humanidade decaída (Eadmeri Mon., De Excellentia Virginis Mariæ,c. IX) e, portanto, dispensadora de todos os tesouros que Jesus nos adquiriu por sua morte e por seu sangue.

Maria, a Medianeira poderosíssima

9. Não se pode dizer, sem dúvida, que a dispensação destes tesouros não seja de alçada própria e particular de Jesus Cristo, porque fruto exclusivo de sua morte e por Ele mesmo, em virtude de sua natureza, o mediador entre Deus e os homens. Contudo, em vista dessa comunhão de dores e de angústia, já mencionada, entre a Mãe e o Filho, foi concedido à Virgem o ser, junto do Filho unigênito, a medianeira poderosíssima e advogada de todo o mundo (Pio IX, Bula Ineffabilis). O manancial, pois, é Jesus Cristo: E todos nós recebemos de sua plenitude (Jo 1, 16), do qual todo o corpo coligado e unido por todas as juntas que mutuamente se auxiliam, segundo a operação da medida de cada membro, efetua o aumento do corpo de si mesmo em caridade (Ef. 4, 16). Como nota com acerto S. Bernardo, Maria é, na verdade, o aqueduto (Serm. De Temp., in Nativ. B. V., De Aquæductu, n. 4); ou então, essa parte média que tem por missão unir o corpo à cabeça e transmitir àquele os influxos e eficácias desta, o que vale dizer: o pescoço. Sim, diz S. Bernadino de Sena, ela é o pescoço de nossa Cabeça, pelo qual comunica todos os dons espirituais a seu corpo místico (S. Bern. Sen., Quadrag. de Evangelio æterno serm. X, a. III, c. 3). Torna-se, por conseguinte, evidente que não atribuímos à Mãe de Deus uma virtude geradora da graça, virtude esta que é só de Deus. Contudo, porque Maria excede a todos em santidade e em união com Cristo, e por ter sido associada por Ele à obra redentora, ela nos merece de congruo, segundo a expressão dos teólogos, o que Jesus Cristo nos mereceu de condigno, sendo ela ministra suprema da dispensação das graças. Ele (Jesus) está sentado à direita da Majestade nas alturas (Heb 1, 3). Ela, Maria, está à direita de seu Filho: O refúgio mais seguro, o mais valioso amparo de quantos se acham em perigo; nada, pois, temos a temer sob sua conduta, seus auspícios, seu patrocínio, sua égide (Pio IX, Bula Ineffabilis).

10. Estabelecidos estes princípios, e para tornarmos ao Nosso propósito, quem não reconhecerá termos afirmado com justa razão ser Maria, companheira inseparável de Jesus desde a casa de Nazaré até ao Calvário, conhecedora mais que ninguém dos segredos do seu coração, dispensadora, como de direito materno, dos tesouros de seus méritos, tornando-se, por todos esses motivos, um auxílio certíssimo e muito eficaz para se chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo? Ah! Esses homens que, seduzidos pelos artifícios do demônio ou enganados por falsas doutrinas, julgam poder prescindir do auxílio da Virgem, nos fornecem disto em sua prova assaz peremptória. Pobres infelizes, desconhecem Maria, sob pretexto de tributar honra a Cristo! Como se pudéssemos achar o menino de outro modo que não pela Mãe!

A nossa devoção a Maria Santíssima deve ser sincera


11. Sendo assim, Veneráveis Irmãos, este é o fim que devem visar sobretudo todas as solenidades que se estão preparando por toda parte em honra à Santa e Imaculada Conceição de Maria. Em verdade, nenhuma homenagem lhe é mais grata, nenhuma mais doce que o conhecermos e amarmos verdadeiramente Jesus Cristo. Encham, portanto, as multidões os templos, celebrem-se festividades pomposas, reine júbilo público: fatores estes eminentemente próprios para reacender a fé. Mas, se a isso não se ajuntarem os sentimentos do coração, outra coisa não teremos que puro formalismo, simples aparências de piedade. À vista deste espetáculo, nos lançará em rosto esta justa recriminação: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mt 15, 8).

A nossa devoção a Maria Santíssima deve ser eficaz

12. Enfim, para que o culto da Mãe de Deus seja de bom quilate deve ele promanar do coração; os atos exteriores não têm, aqui, nenhuma utilidade nem valor algum, se isolados dos atos da alma. Ora, esses atos têm um só escopo: que observemos plenamente o que o Filho divino de Maria nos ordena. Pois, se o amor verdadeiro é aquele que tem a virtude de unir as vontades, é de suma necessidade que possuamos com Maria esta mesma vontade de servir a Jesus Cristo Senhor Nosso. A recomendação que esta Virgem prudentíssima fez aos serventes de Caná, no-la dirige a nós: Fazei tudo o que Ele vos mandar (Jo 2, 5). Com efeito, eis a palavra de Cristo: Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos (Mt 19, 17). — Por isso, convençam-se todos que, se sua piedade para com a bem-aventurada Virgem não os preserva de pecar ou não lhes inspira o propósito de emendar uma vida culpável, essa piedade é falsa e mentirosa, porquanto desprovida de seu efeito próprio e de seu fruto natural.

13. E, se alguém desejar uma confirmação destes fatos, ser-lhes-á fácil busca-la no dogma mesmo da Conceição Imaculada de Maria. — Pois, abstraindo da Tradição, fonte de verdade tanto quanto a Sagrada Escritura, como é que esta convicção da Conceição Imaculada da Virgem foi, em todos os tempos, tão conforme ao senso católico, que pode ser tida como incorporada e inata à alma dos fiéis? Horroriza-nos dizer desta mulher — é a sublime resposta de Dionísio Cartusiano — que, devendo um dia esmagar a cabeça da serpente, tenha sido esmagada por ela e que, sendo Mãe de Deus, haja sido filha do demônio (III Sent., d. 1). Não, a inteligência do povo cristão não podia conceber que a carne de Cristo, santa, imaculada e inocente, tivesse seu princípio nas entranhas de Maria, duma carne que um dia tivesse contraído qualquer mácula, por um instante que fosse. E qual a razão disto, senão que uma oposição infinita separa Deus do pecado? Eis aqui, na verdade, a origem desta convicção comum a todos os cristãos: Jesus Cristo, mesmo antes que, revestido da natureza humana, lavasse nossos pecados com seu sangue, teve de conceder a Maria a graça e o privilégio especial de ser preservada e isenta, desde o primeiro instante de sua conceição, de todo o contágio da mancha original. Se Deus, pois, tanto detesta o pecado, que quis fosse a futura Mãe de Seu Filho isenta não só desses labéus que se contraem pela vontade, mas, por um privilégio especial, antevendo os méritos de Jesus Cristo, também desse outro, que assinala todos os filhos de Adão, como triste sinete de sua funesta herança, quem pode duvidar seja obrigação, de todos quantos desejam conquistar, por suas homenagens, o coração de Maria, corrigir os hábitos viciosos e depravados e vencer as paixões que os incitem ao mal?

14. Todos quantos querem, além disto — e quem não deve querer? — que sua devoção para com a Virgem seja digna dela e perfeita, deve ir mais avante, isto é, tender, com todas as suas forças, à imitação de seus exemplos. — Com efeito, é uma lei divina que alcançam a beatitude eterna somente os que reproduziram em si, por uma fiel imitação, a forma da paciência e da santidade de Cristo: "Porque os que conheceu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos". (Rom 8, 29). Mas geralmente tal é nossa enfermidade, que a sublimidade deste protótipo facilmente nos desencoraja. Além disso, foi uma atenção toda providencial de Deus propor-nos outro modelo tão próximo de Jesus Cristo, quanto é permitido à natureza humana e mesmo assim maravilhosamente adaptado à nossa fraqueza. Tal outro só pode ser a Mãe de Deus. Tal foi Maria, diz-nos S. Ambrósio, que sua vida só serve de lição a todos; donde ele tira a ilação mui acertada: Por isso tende presente, como pintadas em uma imagem, a virgindade e a vida da bem-aventurada Virgem, que reflete, qual espelho, o brilho da pureza e a própria forma da virtude (De Virginib., lib. II, c. II).

Devemos imitar todas as virtudes, especialmente a fé, a esperança e a caridade

15. Ora, se convém a filhos desta Mãe Santíssima não deixar de imitar nenhuma destas virtudes, desejamos, porém, que os fiéis se apliquem com preferência às principais, que são como que os nervos e as juntas da vida cristã, queremos dizer: a fé, a esperança e a caridade para com Deus e o próximo. Virtudes estas que assinalam a vida de Maria, em todas as suas circunstâncias, com um caráter fulgurante, mas que alcançaram o mais elevado grau de esplendor quando ela assistia seu Filho agonizante. — Jesus está cravado na cruz e por entre impropérios se lhe lança em rosto o ter-se feito Filho de Deus (Jo 19, 7); Maria, porém, lhe reconhece e adora a divindade, com uma constância inabalável. Morto, sepulta-O, mas não duvida um instante sequer de sua ressurreição. Quanto à virtude da caridade, que a inflama de amor a Deus, torna-a partícipe dos tormentos de Jesus Cristo, consociando-a à Paixão de seu Filho; com Ele, além disto, e como que empolgada pelo sentimento de sua própria dor, implora perdão para os carrascos, embora o ódio que os invade lance este grito: "que o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt 27, 25).

O dogma da Imaculada Conceição é a condenação do Naturalismo

16. Mas, para que não se afigure termo-Nos afastado do mistério da Conceição Imaculada da Virgem, móvel desta Nossa carta apostólica, que de auxílios eficazes não se nos deparam aí, em sua própria fonte, para conservar estas mesmas virtudes e traduzi-las na prática, como convém! — Na verdade, donde partem os inimigos da religião para espalhar tantos e tão graves erros que solapam a fé de um número tão elevado? Começam por negar o primeiro pecado do homem e sua subseqüente decadência. Portanto, afirmam: o pecado original e todos os males que dele decorem são meras fábulas: as origens viciadas da humanidade, inquinando, por seu turno, todo o gênero humano; em conseqüência, o mal que se introduziu entre os homens, trazendo consigo a necessidade de um redentor. Uma vez rejeitados estes fatos, facilmente se compreende que não há mais lugar nem para Cristo, nem para a Igreja, nem para a graça e nem para o quer que transcenda a natureza. Em uma palavra, solapa o divino edifício da fé em seus fundamentos. — Ora creiam os povos e professem que a Virgem Maria foi preservada de toda mancha de pecado desde o primeiro instante de sua conceição: desde logo torna-se-lhes mister admitir o pecado original, a redenção da humanidade por Jesus Cristo, o Evangelho e a Igreja, enfim a lei do sofrimento. Em virtude disto, todo racionalismo e materialismo que campeia pelo mundo é arrancado e destruído em suas raízes, cabendo à sabedoria cristã a glória de ter guardado e defendido a verdade. — Além disto, é vezo perverso e comum a todos os inimigos da fé, sobretudo em nossa época, repudiar e proclamar que se devem repudiar todo respeito e toda obediência à autoridade da Igreja, mesmo de todo poder humano, na crença de que logo lhes será mais fácil banir a fé dos corações. Aqui está a origem do anarquismo, a mais nociva e perniciosa doutrina que possa existir, tanto na ordem natural quanto sobrenatural. Ora, tal peste, fatal tanto à sociedade como ao nome cristão, baqueia ante o dogma da Imaculada Conceição de Maria, pela obrigação que lhe impõe de atribuir à Igreja um poder em face do qual tem que se curvar não só a vontade, mas também a inteligência. Pois é em virtude de uma tal submissão que o povo cristão canta este louvor da Virgem: Toda bela és, Maria, e não há em ti a mancha original (Grad. Miss. in festo Imm. Concept.). — Daí se justifica uma vez mais o que a Igreja afirma da Virgem, dizendo que "só ela extirpou todas as heresias do mundo inteiro".

A Esperança

17. Se a fé, pois, segundo as palavras do Apóstolo, outra coisa não é senão o fundamento das coisas esperadas (Heb. 11, 1), convir-se-á sem dificuldade em que da mesma forma como a Imaculada Conceição da Virgem Maria confirma nossa fé, reanima-nos também a esperança. Tanto mais que, se a Virgem este isenta do pecado original, foi porque devia ser a Mãe de Cristo. Ela foi, pois, a Mãe de Cristo a fim de que nossas almas pudessem renascer para a esperança dos bens terrenos.

A Caridade

18. E agora, para não falar aqui da caridade de Deus, quem não encontraria na contemplação da Virgem Imaculada um incitamento a guardar religiosamente aquele preceito que Jesus Cristo fez seu por excelência, a saber: que nos amemos mutuamente como Ele nos amou? — E apareceu no céu um grande sinal — é nestes termos que o apóstolo S. João nos pinta uma visão divina — uma mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça (Apoc. 12, 1). Ora, ninguém ignora que essa mulher prefigura a Virgem Maria, que, sem violentar sua integridade, engendrou nossa Cabeça. E o Apóstolo continua: E, estando grávida, clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz (Apo. 12, 2). Por conseguinte, S. João vislumbra a Santíssima Mãe de Deus no seio da eterna beatitude e não obstante sofrendo as dores de um misterioso parto. Qual era, porém, este parto? Por certo o nosso, pois que, retidos ainda neste degredo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e a felicidade eterna. As dores do parto nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá do céu, por suas preces incessantes, a fim de levar o número dos eleitos à sua plenitude.

19. É Nosso desejo que todos os fiéis se esforcem por adquirir esta virtude da caridade, valendo-se sobretudo para tal fim das festas que vão celebrar em honra da Conceição Imaculada de Maria. Com que furor, com que assanhamento se ataca, em nossos dias, Jesus Cristo e a religião por Ele fundada! Que perigo, pois, atual e ameaçador, de muitos se deixarem levar pelas correntes invasoras do erro e perderem a fé! Logo, quem pensar estar de pé, veja que não caia! (I Cor 10, 12). Que todos, portanto, com o patrocínio de Maria, dirijam a Deus humildes e ferventes preces, a fim de que Ele reconduza ao caminho da verdade os que tiveram a desdita de se transviarem das suas veredas. Sabemos por experiência jamais ter sido vã a prece que brotasse da caridade e que se apoiasse na intercessão de Maria. Não resta dúvida, os ataques desferidos contra a Igreja jamais se darão tréguas, pois é necessário que haja heresias, para que os aprovados entre vós sejam manifestos (I Cor 11, 19). Mas a Virgem não deixará, por sua vez, de nos dar alento em nossas provações, por mais duras que forem, e de levar avante a luta que começou desde sua conceição, de maneira que diariamente podemos repetir estas palavras: Hoje ela esmagou a cabeça da antiga serpente (Off. Imm. Conc. in II Vesp., ad Magnificat).

Conclusão

Ao terminar, Veneráveis Irmãos, esta Nossa carta, queremos testemunhar de novo a grande esperança que aninhamos em Nosso coração, de que muitos, desgraçadamente separados de Jesus Cristo, retornarão a Ele, mediante as graças extraordinárias deste jubileu, por Nós concedido sob os auspícios da Virgem Imaculada, e que no povo cristão reflorirá o amor às virtudes e o ardor à piedade. Há cinqüenta anos, quando Nosso Predecessor Pio IX declarou de fé católica a Conceição Imaculada da Bem-aventurada Mãe de Jesus Cristo, viu-se, como relembramos, uma abundância inacreditável de graças a se esparzirem sobre a terra e um incremento de esperança a levantar por toda parte um progresso notável na religião antiga dos povos. Que há, pois, que nos impeça de esperar algo ainda melhor para o porvir? Atravessamos, certamente, uma época funesta, e assiste-Nos o direito de lançar esta queixa do Profeta: Não há verdade, não há misericórdia, nem há conhecimento de Deus nesta terra. A maldição, e a mentira, e o homicídio, e o adultério inundaram tudo (Os 4, 12). Entretanto, do meio desta como que aluvião de males, as vistas contemplam, qual arco-íris celeste, a Virgem clementíssima, árbitro de paz entre Deus e os homens. Porei o meu arco nas nuvens, e ele será o sinal de aliança entre mim e a terra (Gn 9, 13). Desencadeie-se embora a tempestade, e uma noite trevosa amortalhe o céu: ninguém vacile, pois com a vista de Maria se aplacará Deus e dará o perdão. E o arco estará nas nuvens, e eu me lembrarei da aliança eterna (Gn 9, 16). "E não voltarão as águas do dilúvio a exterminar toda a carne" (Gn 9, 15). Ninguém duvida que, se pomos Nossa confiança, como convém, em Maria, máxime quando celebrarmos com piedade mais ardente sua Imaculada Conceição, ninguém duvida, dizemos Nós, que sentimos ser sempre ela essa Virgem potentíssima a "esmagar com seu pé virginal a cabeça da serpente" (Off. Imm. Conc. B. M. V.).

Como penhor dessas graças, Veneráveis Irmãos, concedemo-vos no Senhor, com toda a efusão de Nosso coração, a vós e a vossos fiéis a Benção Apostólica.

Dado em Roma, junto de S. Pedro, aos dois de fevereiro de 1904, primeiro ano de Nosso Pontificado.



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Suplemento B



CONSAGRAÇÃO A JESUS CRISTO, A SABEDORIA
ENCARNADA, PELAS MÃOS DE MARIA
SABEDORIA ETERNA E ENCARNADA!



Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Filho Unigênito
do Pai Eterno e da sempre Virgem Maria.
Adoro-Vos profundamente, no seio e nos esplendores
do Vosso Pai, durante toda a eternidade, e no seio virginal de
Maria, Vossa Mãe digníssima , no tempo da Vossa Encarnação.
Dou-Vos graças por Vos terdes aniquilado a Vós mesmo,
tomando a forma de escravo, para livrar-me da cruel escravidão
do demônio. Eu Vos louvo e glorifico por Vos terdes
querido submeter em tudo a Maria, Vossa Mãe Santíssima, a
fim de, por Ela, tornar-me Vosso fiel escravo.
Entretanto, ai de mim, criatura ingrata e infiel! Não
guardei os votos e promessas que tão solenemente Vos fiz no
meu Batismo. Não cumpri as minhas obrigações; não mereço
ser chamado Vosso filho, nem Vosso escravo; e, como nada
há em mim que não mereça a Vossa repulsa e a Vossa cólera,
não ouso aproximar-me por mim mesmo da Vossa Santíssima
- 186
e Augustíssima Majestade.
Recorro, pois, à intercessão e à misericórdia de Vossa
Mãe Santíssima, que me destes por medianeira junto de Vós.
É por intermédio d'Ela que espero obter de Vós a contrição e
o perdão dos meus pecados, a aquisição e conservação da
Sabedoria.
Ave, pois, ó Maria Imaculada, Tabernáculo Vivo da
Divindade, onde a Eterna Sabedoria escondida quer ser adorada
pelos anjos e pelos homens.
Ave, ó Rainha do Céu e da Terra, a cujo Império é submetido
tudo o que há abaixo de Deus.
Ave, ó Seguro Refúgio dos pecadores, cuja misericórdia
a ninguém despreza. Atendei ao desejo que tenho da Divina
Sabedoria, e recebei, para isso, os votos e ofertas apresentados
pela minha baixeza.
Eu, N... , infiel pecador, renovo e ratifico hoje, nas
Vossas mãos, as promessas do meu Batismo: renuncio para
sempre a Satanás, às suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente
a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, para o seguir,
levando a minha Cruz, todos os dias da minha vida. E
para lhe ser mais fiel do que até agora tenho sido, escolho-
Vos hoje, ó Maria, na presença de toda a Corte Celeste, por
minha Mãe e Senhora. Entrego-Vos e consagro-Vos, na qualidade
de escravo, o meu corpo e a minha alma, os meus bens
interiores e exteriores, e o próprio valor das minhas boas obras
passadas, presentes e futuras, deixando-Vos pleno e inteiro direito
de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção
alguma, segundo o Vosso agrado e para maior glória de
Deus, no tempo e na eternidade.
Recebei, ó Benigníssima Virgem, esta pequenina oferta
da minha escravidão, em união e em honra à submissão
que a Sabedoria Eterna quis ter à Vossa Maternidade; em ho
menagem ao poder que ambos tendes sobre este vermezinho
e miserável pecador; em ação de graças pelos privilégios com
que largamente Vos favoreceu a Trindade Santíssima.
Protesto que quero, de hoje em diante e firmemente,
como Vosso verdadeiro escravo, buscar a Vossa honra e obedecer-
Vos em todas as coisas.
Ó Mãe Admirável, apresentai-me ao Vosso amado Filho
na condição de escravo perpétuo, a fim de que, tendo-me
resgatado por Vós, por Vós também me receba propiciamente.
Ó Mãe de Misericórdia, concedei-me a graça de obter
a Verdadeira Sabedoria de Deus, e de colocar-me, para isso,
entre o número daqueles que amais, ensinais, guiais, sustentais
e protegeis como filhos e escravos Vossos.
Ó Virgem Fiel, tornai-me em tudo um tão perfeito discípulo,
imitador e escravo da Sabedoria Encarnada, Jesus Cristo,
Vosso Filho, que eu chegue um dia, por Vossa intercessão
e a Vosso exemplo, à plenitude da sua idade na Terra e da sua
glória no Céu. Amém. Assim seja.


São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Suplemento A



MODO DE PRATICAR ESTA DEVOÇÃO NA
SAGRADA COMUNHÃO



Antes da Comunhão


266. 1º. Humilhar-te-ás profundamente diante de Deus;

2º. Renunciarás ao teu fundo todo corrompido e às tuas
disposições, embora o teu amor próprio as faça parecer boas;

3º. Renovarás a tua consagração dizendo: “Todo Vosso
sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!” (Tuus totus
ego sum, et omnia mea tua sunt!);

terça-feira, 7 de maio de 2013

Maria...a Medianeira Universal



“Nossa Senhora é a Sede da Sabedoria, porque ela foi a criatura que mais conhecia e amava a Deus”. O Evangelho nos diz: Ela observou todas as coisas e as guardava em seu coração. Nossa Senhora é a Sede da Sabedoria, porque Ela é a Medianeira Universal que Deus estabeleceu entre Ele e os homens, a fim de ser conhecido e amado.


O segredo admirável a possuir Sabedoria Divina: "Maria" - "Onde quer que Ela esteja é chamada de a Sabedoria Eterna". Uma vez que possuímos Maria, possuiremos, em pouco tempo, a Sabedoria Divina por sua intercessão. De todos os meios para possuir Jesus Cristo, Maria é o mais seguro, mais fácil, o caminho mais curto e mais santo e a melhor maneira de pertencer inteiramente a Maria é, por assim dizer, para receber Maria em nossa casa, consagrando-nos sem reservas a Ela como seus servos e escravos.


São Luís Maria Grignion de Montfort

Créditos: Alexandriacatólica

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Oitavo



PRÁTICAS PARTICULARES DESTA DEVOÇÃO

Artigo Primeiro

Práticas exteriores
226. Embora o essencial desta Devoção consista no interior,
não deixa de compreender várias práticas exteriores, que
não se devem negligenciar. “É preciso fazer estas coisas, mas
sem omitir aquelas” (Mt 23, 23). A razão disto esclarece-se,
quer porque as práticas exteriores bem feitas ajudam as interiores,
quer porque lembram ao homem, que sempre se guia
pelos sentidos, o que está fazendo ou o que deve fazer. Também
podem edificar os que as vêem, o que não sucede com as
puramente interiores. Portanto, que nenhum mundano critique,
nem aqui meta o nariz, para dizer que a Verdadeira Devoção
reside no coração, que é preciso evitar as exterioridades,
que pode haver nisso vaidade, que é preciso ocultar a devoção,
etc. Respondo-lhes com o meu Mestre: “Que os homens
vejam as vossas obras boas, e glorifiquem o vosso Pai que
está nos céus” (Mt 5, 16). Não que se devem fazer as ações e
devoções exteriores, como diz São Gregório, para agradar aos
homens e tirar daí algum motivo de louvor, pois isso seria
vaidade. Mas por vezes fazem-se diante dos homens com o
fim de agradar a Deus e de, por este meio, o fazer glorificar,
sem a preocupação do desprezo ou louvor dos homens. Mencionarei
apenas, em resumo, algumas práticas exteriores, a
que chamo exteriores não porque sejam feitas sem o interior,
mas porque têm qualquer coisa de exterior, que as distingue
das que são puramente interiores.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Sétimo



MARAVILHOSOS EFEITOS DESTA
DEVOÇÃO EM UMA ALMA QUE LHE É FIEL


Meu querido irmão, convence-te de que, se fores fiel
às práticas interiores e exteriores desta Devoção, que te indicarei
adiante, participarás dos frutos maravilhosos que ela
produz na alma fiel. Ei-los:

Artigo Primeiro

Conhecimento e desprezo de si mesmo

213. Conhecerás, pela luz que o Espírito Santo te dará por
intermédio de Maria, sua querida esposa, o teu fundo mau, a tua
corrupção e incapacidade para todo bem. E em conseqüência
desse conhecimento, desprezar-te-ás e sentirás horror ao pensar
em ti. Considerar-te-ás como um caracol, que tudo estraga com
a sua baba, ou como um sapo, que tudo envenena com a sua
peçonha, ou como uma serpente maliciosa, que só procura enganar.
Finalmente, a humilde Maria te comunicará a sua profunda
humildade e fará com que te desprezes a ti mesmo, mas não
aos outros, e gostes de ser desprezado (Imitação de Cristo, L. I,
cap. 2).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Sexto



CAPÍTULO SEXTO

FIGURA BÍBLICA DESTA PERFEITA DEVOÇÃO:


REBECA E JACÓ
183. De todas as verdades que acabo de escrever, em relação

à Santíssima Virgem e a Seus filhos e servos, dá-nos o

Espírito Santo, na Sagrada Escritura, uma imagem admirável:

a história de Jacó, que recebeu a benção de seu pai Isaac,

devido aos cuidados e diligências de sua mãe Rebeca. Ei-la,

como a narra o Espírito Santo (Gn 27). Depois acrescentarei a

sua explicação.

sábado, 20 de abril de 2013

A Eficácia da Ave Maria e do Terço - São Luís Maria de Montfort


E eles (S. Domingos, S. João Capistrano e Alano de la Roche) compuseram livros inteiros sobre as maravilhas e eficácia da Ave Maria para a conversão das almas. Altamente publicaram e pregaram que a salvação do mundo começou pela Ave Maria e a salvação de cada um em particular está ligada a essa prece; que foi essa prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida e que é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto da vida, Jesus Cristo; que a Ave Maria é um orvalho celeste que umedece a terra, isto é, a alma, para fazer brotar o fruto no tempo adequado, e que uma alma que não for orvalhada por esta prece ou orvalho celeste não dará fruto algum, nem dará senão espinhos e não estará longe de ser amaldiçoada (Heb 6,8).


No livro "De dignitate Rosarii", do bem aventurado Alano de la Roche lê-se o seguinte que a Santíssima Virgem o revelou: "Saibas, meu filho, e comunica-o a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é a aversão, a tibieza, e negligência em rezar a Saudação Angélica, que foi a reparação em todo mundo. Eis aí palavras consoladoras e terríveis que se custaria a crer, nse não no-las garantissem esse santo homem e antes dele S. Domngos, como, depois dele, muitos personagens fidedignos, com e experiência de muitos séculos.


Pois sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e o Terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o Terço. Trariam antes uma serpente sobre o peito que o Rosário. Os orgulhosos também, embora católicos, mas tendo a mesma inclinação que seu pai Lúcifer, desprezam ou mostram uma indiferença completa pela Ave-Maria, considerando o Terço uma devoção efeminada, suficiente para os ignorantes e analfabetos. Ao contrário tem-se visto e a experiência o prova que aqueles e aquelas que possuem outros e grandes indícios de predestinação, amam , apreciam e recitam com prazer a Ave-Maria. E quanto mais são de Deus, tanto mais amam esta oração. É o que a Santíssima Virgem diz também ao bem-aventurado Alano, em seguida às palavras que citei.


Não sei como isso acontece nem porque,entretanto é verdade e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave Maria ou o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros.



 Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - S. Luís de Montfort - pags 235-237



Créditos: Católicos Ribeirão/ O Segredo do Rosário

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tratado da Verdadeira à Santíssima Virgem - Capítulo Quinto



MOTIVOS QUE NOS DEVEM
FAZER ABRAÇAR ESTA DEVOÇÃO


Artigo Primeiro

Esta Devoção nos consagra inteiramente ao Serviço de Deus
135. Primeiro motivo, que nos mostra a excelência desta
consagração de si mesmo a Jesus Cristo pelas mãos de Maria.
Na Terra não se pode conceber ofício mais elevado que
o serviço de Deus, e o menor dos servos de Deus é mais rico,
mais poderoso e mais nobre que todos os reis e imperadores
do mundo, se estes não servem a Deus. Então, quais não serão
as riquezas, o poder e a dignidade do fiel e perfeito servo
de Deus, que se dedique inteiramente ao seu serviço, sem reservas,
tanto quanto possível! Tal é o fiel e amoroso escravo
de Jesus por Maria, que entregou-se todo ao serviço deste Rei
dos reis pelas mãos da sua Santa Mãe, e nada reservou para
si: todo o ouro da Terra e as belezas do Céu são insuficientes
para o pagar.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Quarto



NATUREZA DA PERFEITA
DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA


120. Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes
a Jesus Cristo, em nos unirmos e consagrarmos a Ele. Por
isso, a mais perfeita de todas as devoções é, indubitavelmente,
aquela que nos conforma, nos une e nos consagra mais perfeitamente
a Jesus Cristo. Ora, de todas as criaturas, Maria é a
mais conforme a Ele. Por conseguinte, a Devoção que, dentre
todas as demais, melhor consagra e assemelha uma alma a
Nosso Senhor é a Devoção à Santíssima Virgem, sua Santa
Mãe. E quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto
mais o será a Jesus Cristo. É por isso que a perfeita consagração
a Jesus Cristo não é mais que uma perfeita e inteira consagração
da alma à Santíssima Virgem. E nisto consiste a
Devoção que ensino ou, por outras palavras, consiste numa
perfeita renovação dos votos e promessas do Santo Batismo.
Artigo Primeiro

terça-feira, 19 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Terceiro



ESCOLHA DA VERDADEIRA
DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA


90. Postas estas cinco verdades, impõe-se, mais do que
nunca, fazer uma boa escolha da Verdadeira Devoção à
Santíssima Virgem, porque há cada vez mais falsas devoções
a Nossa Senhora, e é fácil tomá-las por verdadeiras. O demônio,
como falso moedeiro e enganador fino e experimentado,
já enganou e levou à condenação tantas almas, por meio duma
falsa devoção a Nossa Senhora, que todos os dias se serve da
sua experiência diabólica para perder muitas outras. Deleitaas
e adormece-as no pecado sob pretexto de algumas orações
mal rezadas e dumas quantas práticas exteriores que lhes inspira.
Assim como um falso moedeiro não falsifica ordinariamente
senão ouro e prata, e muito raramente outros metais,
por estes não lhe valerem tal trabalho, também o espírito maligno
não falsifica tanto as outras devoções, como as que se
referem a Jesus e a Maria: a devoção à Sagrada Comunhão e
a Nossa Senhora. Estas são, entre as demais devoções, o que
são o ouro e a prata entre os metais.
91. Em razão disso é muito importante conhecer:
Primeiro as falsas devoções à Santíssima Virgem para
as evitar, e a verdadeira, para abraçá-la.
Depois, importa distinguir entre tantas práticas diferentes
desta última, qual a mais perfeita, a mais agradável à
Santíssima Virgem Maria, aquela que dá mais glória a Deus e
que é mais santificante para nós, para a Ela nos apegarmos.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Segundo



VERDADES FUNDAMENTAIS
DA DEVOÇÃO À VIRGEM MARIA



60. Até aqui dissemos alguma coisa sobre a necessidade
que temos da Devoção à Santíssima Virgem. Faz-se necessário
dizer agora em que consiste esta mesma Devoção. É o que
farei, com a ajuda de Deus, depois de propor algumas verdades
fundamentais, donde se deduzirá a grande e sólida Devoção que
quero descobrir.

sábado, 16 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Primeiro

CAPÍTULO PRIMEIRO
NECESSIDADE DA VERDADEIRA DEVOÇÃO A MARIA
14. Com toda a Igreja confesso que Maria, não sendo mais
que uma simples criatura saída das mãos do Altíssimo, é me-
nor que um átomo, ou antes, não é nada em comparação com
a sua majestade infinita, visto que só Deus é “Aquele que é”
(Ex 3,14). Por conseguinte, este grande Senhor, sempre inde-
pendente e bastando-se a si mesmo, não teve nem tem abso-
luta necessidade da Santíssima Virgem para o cumprimento
dos Seus desígnios e
para a manifestação da sua glória. Basta-
lhe querer para tudo fazer.
15.No entanto, supostas as coisas como são, tendo Deus
querido começar e acabar as suas maiores obras pela Virgem
Santíssima depois de a formar, digo que é de crer que não
mudará de procedimento em todos os séculos (Rm 11, 29).
Ele é Deus e não muda nem nos Seus sentimentos nem na sua
conduta.
 Artigo Primeiro
PRINCÍPIOS
PRIMEIRO PRINCÍPIO

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Introdução



INTRODUÇÃO


Maria no Desígnio de Deus

1. Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo.


A Humildade de Maria

2. Durante a vida, Maria permaneceu muito oculta. É por isso que o Espírito Santo e a Igreja lhe chamam Alma Mater, Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que não teve na Terra atrativo mais poderoso nem mais contínuo que o de se esconder de si mesma e de toda criatura, para que só Deus a conhecesse.


3. A fim de atender aos pedidos que Ela lhe fez para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, aprouve a Deus ocultá-la na sua conceição e nascimento, na sua vida, mistérios, ressurreição e assunção, aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios pais não a conheciam, e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: “Quem é esta?” (Ct 8, 5), porque o Altíssimo lha escondia ou, se alguma coisa lhes revelava a seu respeito, infinitamente mais lhes ocultava.


4. Deus Pai consentiu em que Ela não fizesse milagres em vida, pelo menos manifestos, embora lhe tivesse dado poder para isso. Deus Filho permitiu que quase não falasse, embora tendo-lhe comunicado a sua sabedoria. Deus Espírito Santo deixou que os Seus Apóstolos e Evangelistas falassem muito pouco sobre Ela, apenas o necessário para dar a conhecer Jesus Cristo, apesar de Ela ser a sua esposa fiel.


Maria, a obra prima de Deus

5. Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja posse e conhecimento Ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho o qual quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade. Para este fim tratava-a pelo nome de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estranha, embora no seu Coração a estimasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.
Maria é a fonte selada e a esposa do Espírito Santo, onde só Ele tem entrada. Maria é o Santuário e o Repouso da Santíssima Trindade, onde Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar a sua morada acima dos querubins e serafins. Neste santuário
nenhuma criatura, por mais pura que seja, pode entrar, a não ser por grande privilégio.


6. Digo com os santos: a divina Maria é o Paraíso Terrestre do novo Adão, onde Ele encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência do Altíssimo, onde Ele escondeu,
como em seu Seio, o seu Filho Único e n'Ele tudo o que há de mais excelente e precioso. Que grandes e misteriosas coisas fez o Deus onipotente nesta admirável criatura, segundo Ela própria é forçada a dizer, a despeito da sua profunda humildade: “O poderoso fez em mim grandes coisas!” (Lc 1, 49). O mundo não conhece estas maravilhas, porque é incapaz e indigno disso.


7. Os santos disseram coisas admiráveis desta Santa Cidade de Deus. E, segundo o seu próprio testemunho, nunca foram tão eloqüentes nem tão felizes como quando d'Ela falavam. E depois disto exclamam que a sublimidade dos Seus méritos, que chegam até o trono da Divindade, não se pode
perceber; que a extensão da sua caridade, maior que a Terra, não se pode medir; que a grandeza do seu poder, que até sobre o Deus se estende, não se pode compreender e, finalmente, que a profundeza da sua humildade e de todas as suas virtudes e graças é um abismo insondável. Ó sublimidade incomensurável! Ó abismo impenetrável!


8. Todos os dias, de um extremo a outro da Terra, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo proclama e publica a admirável Virgem Maria. Os nove coros dos anjos,
os homens de ambos os sexos, idades, condições ou religiões, os bons e os maus, e até os mesmos demônios, são forçados a chamá-la bem-aventurada. Quer queiram, quer não, a isso os obriga a força da verdade. Como diz São Boaventura, todos os anjos lhe cantam no Céu incessantemente: “Santa,
Santa, Santa Maria, Mãe de Deus e Virgem!” E, todos os dias, lhe oferecem milhões de vezes a saudação angélica: “Ave, Maria...”, prostrando-se na sua presença e pedindo-lhe a mercê
de os honrar com algumas das suas ordens. O próprio São Miguel - disse Santo Agostinho -, embora seja o príncipe de toda a corte celeste, é o mais diligente em lhe prestar toda espécie de homenagens e em fazer com que lhas tributem. Constantemente aguarda a honra de por Ela ser mandado em
auxílio a alguns dos Seus servos.


9. Toda a Terra está cheia da sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam por Patrona e Protetora em muitos reinos, províncias, dioceses e cidades. Quantas catedrais consagradas a Deus sob a sua invocação! Não há igreja sem um altar em sua honra, região ou cantão sem alguma de
suas miraculosas imagens, ante as quais toda espécie de males são curados e se alcança toda espécie de bens. Quantas confrarias e congregações em sua honra! Quantos institutos religiosos colocados sob o seu nome e proteção! Quantos confrades e irmãs daquelas confrarias, quantos religiosos e
religiosas de todos estes institutos publicam os Seus louvores e anunciam as suas misericórdias! Não há criancinha que, balbuciando a Ave, Maria, a não louve. Não há pecador, por mais empedernido, que não tenha, ao menos, uma centelha de confiança n'Ela. E não há, até, demônio algum no inferno que, temendo-a, a não respeite.


10. Depois disto, forçoso é dizer com os santos: “De Maria numquam satis!” Isto é, Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço.


11. Por isso, devemos dizer com o Espírito Santo: “Toda a glória da Filha do Rei lhe vem do interior” (Sl 44, 14). É como se toda a glória exterior que o Céu e a Terra lhe tributam
à porfia não fosse nada em comparação com a que recebe interiormente do Criador! As pequenas criaturas desconhecem essa glória por não poderem penetrar no mais íntimo segredo
do Rei.


12. Depois de tudo isto, temos de exclamar com o Apóstolo: “Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem compreendeu...” (1 Cor 2, 9) as belezas, as grandezas e a excelência de Maria, o mais sublime milagre da graça, da natureza e da glória. Se quereis compreender a Mãe, diz um santo, procurai compreender o Filho. Ela é a digna Mãe de Deus: “Que toda a língua aqui emudeça!”


13. Foi o meu coração que ditou o que acabo de escrever com particular alegria, a fim de mostrar como Maria Santíssima tem sido insuficientemente conhecida até agora e como é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Se é certo que o conhecimento e o Reino
de Jesus Cristo se estabelecerão no mundo, não será mais que uma conseqüência necessária do conhecimento e do Reino da Santíssima Virgem Maria. Ela deu Jesus Cristo ao mundo a
primeira vez, e há de fazê-lo resplandecer também segunda vez.


São Luís Maria Grigniou de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

terça-feira, 12 de março de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Prefácio do Padre Faber


Caríssimos, Viva Cristo Rei! Salve Maria Imaculada!
Publicaremos, a partir de hoje, a versão completa do livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, para que vocês possam ter acesso a esse importantíssimo e famoso livro que possibilita um verdadeiro conhecimento e amor à Santíssima Virgem e uma perfeita devoção, de grande utilidade para a salvação das almas. Dividiremos o livro em partes, para um melhor acompanhamento. Começaremos com o prefácio, escrito pelo Padre F.W.Faber.
Boa leitura!




PREFÁCIO DO PADRE F. W. FABER

Foi em 1846 ou 1847, em São Wilfrido, que estudei pela primeira vez a vida e o espírito do venerável Grignion de Montfort. Hoje, mais de quinze anos depois, posso dizer que aqueles que o tomam por mestre, dificilmente acharão um santo ou um escritor ascético que mais lhes cative a inteligência por sua graça e seu espírito. Não o podemos ainda chamar santo; porém o processo de sua beatificação está tão propiciamente adiantado que não devemos ter muito que esperar para vê-lo colocado em nossos altares.

Poucos homens, no século XVIII, trazem em si mais fortemente gravados os sinais do homem da Providência, do que esse novo Elias, missionário do Espírito Santo e de Maria Santíssima. Toda a sua vida foi uma tal manifestação da santa loucura da cruz, que os seus biógrafos são concordes em classificá-lo com São Simeão Salus e São Filipe Néri. Clemente XI fê-lo missionário apostólico em França, para que ele empregasse a vida em combater o jansenismo, tão cheio de perigo para a salvação das almas. Será difícil achar, depois das epístolas dos apóstolos, palavras tão ardentes como as doze páginas da sua "Prece" pelos missionários de sua Companhia.1 Recomendo-a a os que encontram dificuldade em conservar, no meio de numerosas provações, o fogo primitivo do amor pela salvação das almas. Grignion de Montfort era ao mesmo tempo perseguido e venerado em toda parte. A soma de seus trabalhos é, como a de Santo Antônio de Pádua, verdadeiramente incrível e inexplicável. Escreveu alguns trabalhos espirituais, que embora conhecidos há pouco tempo, já têm exercido influência notável na Igreja, e estão chamados a influência muito maior no futuro. Suas prédicas, seus escritos, sua conversação eram impregnados de profecias e de visões antecipadas das últimas eras da Igreja.

Novo São Vicente Ferrer, adianta-se, como se estivesse nos dias precursores do juízo final, e proclama-se portador, da parte de Deus, de uma mensagem utêntica: mais honra, conhecimento mais vasto, amor mais ardente a Maria Santíssima, e anuncia a união íntima que ela terá com o segundo advento de seu Filho.

Fundou duas Congregações religiosas, uma de homens, outra de mulheres, ambas muito prósperas. E, entretanto, morreu com 43 anos, em 1716, tendo apenas dezesseis anos de sacerdócio.
A 12 de maio de 1853, foi promulgado, em Roma, o decreto que declara os seus escritos isentos de todo erro que pudesse servir de obstáculo à sua canonização. Neste trabalho sobre a verdadeira devoção à Santíssima Virgem, escreveu ele estas palavras proféticas: "Vejo claramente no futuro animais frementes que se precipitam com furor para estraçalhar com os dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem se serviu o Espírito Santo para escrevê-lo; ou para sepultá-lo, ao menos, no silêncio de um armário, a fim de que não veja a luz". Apesar disso, prediz, ao mesmo tempo, a aparição e o sucesso do livro. Cumpriu-se tudo à risca. O autor morrera em 1716, e só em 1832 foi descoberto, como por acaso, este tratado, por um dos sacerdotes da sua Congregação, em Saint-Laurent-sur-Sèvre. O superior de então pôde atestar que o manuscrito era do venerável fundador e o autógrafo foi enviado a Roma, a fim de ser examinado no processo de canonização. Com certeza, os que vão ler este livro já amam a Deus e desejariam amá-lo ainda mais; todos desejam alguma coisa para a sua glória: a propagação de uma boa obra, a vinda de melhores tempos, o sucesso de uma devoção; um empregou durante anos todos os esforços para vencer um defeito particular e não o conseguiu; outro tem pedido com lágrimas a conversão de seus pais e amigos, e está admirado de que, apesar de suas lágrimas, tão poucos dentre eles se tenham convertido à fé; este se entristece por não ter bastante devoção; aquele se aflige, por ter que carregar uma cruz que lhe parece muito pesada para a sua fraqueza, enquanto outro encontra no seio da família perturbações e infelicidades domésticas que lhe parecem incompatíveis com a obra de sua salvação; e para todas essas tristezas a oração parece trazer tão pouco alivio! Qual é, pois, o remédio que lhes falta? Qual o remédio indicado pelo próprio Deus? É, segundo as revelações dos santos, uma dilatação imensa da devoção à Santíssima Virgem; mas, reflitamos bem, o imenso não admite restrições nem limites.
Aqui, na Inglaterra, Nossa Senhora não é bastante pregada e conhecida. A devoção que lhe consagram é fraca, escassa, mesquinha, transviada pelos escárnios da heresia. Dominada pelo respeito humano e pela prudência carnal, desejaria fazer da verdadeira Maria uma Maria tão pequena que os protestantes se pudessem sentir à vontade junto dela. Sua ignorância da teologia tira a Maria toda a vida e dignidade; ela não é, como deve ser; o caráter saliente da nossa religião; não tem fé em si mesma. E é por esta razão que Jesus não é amado, que os hereges não são convertidos, que a Igreja não é exaltada; almas que poderiam ser santas, desfalecem e degeneram; os sacramentos não são
freqüentados como o deveriam ser; as almas não são evangelizadas com o entusiasmo do zelo apostólico; Jesus não é conhecido, porque Maria é deixada no esquecimento; perecem milhares de almas, porque Maria delas está distante. É esta sombra indigna e miserável, à qual ousamos dar o nome de devoção à Santíssima Virgem, que é a causa de todas estas misérias, de todos estes males, de todas estas omissões, de toda esta tibieza. Entretanto, segundo as revelações dos santos, quer Deus expressamente uma devoção mais vasta, mais extensa, mais sólida, uma devoção muito diferente da atual, para com sua Mãe santíssima. Sou de opinião que não há obra mais excelente, mais eficaz para se conseguir este fim, do que a simples propagação desta devoção particular do venerável Grignion de Montfort. Basta apenas que uma, pessoa experimente para si esta devoção; em breve, a surpresa que lhe causarão as graças que ela traz consigo, assim como as transformações que produzirá em sua alma, convencê-la-ão de sua eficácia, quase incrível aliás, como meio para conseguir a salvação das almas e a vinda do reino de Jesus Cristo! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, não haveria frieza para Jesus! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, quão mais admirável seria nossa fé, como seriam diferentes as nossas comunhões! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, quanto mais felizes, mais santos, menos mundanos seríamos, como nos tornaríamos imagens vivas de Nosso Senhor e Salvador, seu diletíssimo e diviníssimo Filho!

Eu mesmo traduzi o tratado todo, o que me deu muito trabalho; e fui escrupulosamente fiel. Tomo ao mesmo tempo a liberdade de avisar o leitor de que com uma só leitura do livro não o poderá compreender a fundo. Acha-se neste livro, se assim ouso dizer, o sentimento de um não sei quê de inspirado e sobrenatural, que vai sempre em aumento, à medida que nos aprofundamos em seu estudo. Além disto, não se pode deixar de experimentar, depois
de lê-lo repetidas vezes, que nele a novidade parece nunca envelhecer, a plenitude nunca diminuir, o fresco perfume e o fogo sensível da unção nunca se dissipar ou enfraquecer.
Digne-se o Espírito Santo, o divino Zelador de Jesus e de Maria, conceder uma nova benção a esta obra na Inglaterra; queira ele consolar-nos dentro em breve com a canonização desse novo apóstolo e ardente missionário de sua Esposa diletíssima e imaculada, e mais ainda pelo pronto despontar dessa gloriosa era da Igreja que deve ser a gloriosa era de Maria.
F.W.FABER
Sacerdote do Oratório
No dia da apresentação de Nossa Senhora. 1862.

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
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