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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho (14/11) por Santa Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein)


Muitas vezes, tive a impressão de ficar sem forças. 
Mais vezes ainda, desesperei de ver a luz. 
Mas, quando o meu coração estava tomado pela dor, 
eis que uma estrela se elevou diante de mim. 
Ela conduziu-me e eu segui-a, 
primeiro com passo hesitante, depois com confiança. [...] 

Aquilo que tinha de esconder no mais fundo do meu coração, 
posso agora proclamá-lo alto e em bom som: 
«creio e confesso a minha fé». [...] 
Senhor, será possível que renasça 
quem já viveu metade da sua vida (Jo 3,4)? 
Tu o disseste e isso verificou-se comigo. 
O fardo de uma longa vida de faltas e sofrimentos 
caiu de cima dos meus ombros. [...] 

Ah! nenhum coração humano pode compreender 
o que Tu reservas aos que Te amam (1Cor 2,9). 
Agora que Te agarrei, nunca mais Te hei-de largar (Ct 3,4). 
Seja qual for o caminho que tome a minha vida, 
Tu estás comigo (Sl 22). 
Nada poderá separar-me do teu amor (Rom 8,39).

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (19/08) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz



(Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
«A História e o Espírito do Carmelo»

«Feliz o homem, que se compraz na Lei do Senhor e nela medita dia e noite» (Sl 1,1-2) O que significa a Lei do Senhor? O Salmo 118 está todo ele repleto do desejo de conhecer a Lei do Senhor e de se deixar guiar por ela ao longo da vida. Pode ser que o salmista tenha pensado na Lei da Antiga Aliança. O seu conhecimento exigia efetivamente um estudo sobre a longevidade da vida e a sua concretização um esforço de vontade também ao longo da vida. Mas o Senhor libertou-nos do jugo da Lei. Podemos considerar como Lei da Nova Aliança o grande preceito do amor que encerra a Lei e os Profetas, tal como foi dito; de facto, o perfeito amor a Deus e ao próximo seria certamente um objeto digno de ser meditado a vida inteira.

Mas, mais ainda, entendemos pela Lei da Nova Aliança o próprio Senhor Jesus, uma vez que a sua vida constitui para nós o modelo da vida que temos de viver. Deste modo, cumprimos a nossa regra quando mantemos incessantemente diante dos olhos a imagem do Senhor Jesus, para sermos configuradas com ela; o Evangelho é o livro que nunca acabaremos de estudar. Mas não encontramos o Salvador apenas nos relatos dos testemunhos da sua vida. Ele está presente no Santíssimo Sacramento, e as horas de adoração diante do supremo Bem, a escuta atenta da voz do Deus da Eucaristia são, a um tempo, «meditação da Lei do Senhor» e «velada de oração». No entanto, atingimos o mais alto grau quando «a Lei habita no nosso coração» (Sl 39,11). 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Santa Edith Stein sobre a Santa Missa



"Morrer com Cristo na cruz para com ele ressurgir é uma verdade que se verifica - para cada fiel e, principalmente, para cada sacerdote - na realidade do santo sacrifício da Missa. De acordo com a Fé, o sacrifício da Missa é a renovação do sacrifício da cruz. Quem o celebra ou dele participa com fé viva alcançará os mesmos efeitos que se produziram no Calvário."


Edith Stein, A Ciência da Cruz.

O mundo está em chamas - Santa Teresa Benedita da Cruz

“O mundo está em chamas”, diz Santa Teresa Benedita da Cruz, “o incêndio poderia pegar também em nossa casa, mas, acima de todas as chamas, ergue-se a Cruz que não pode ser queimada”.
Dos Escritos Espirituais de Santa Teresa Benedita da Cruz, virgem e mártir:
"Saudamo-te, Cruz santa, nossa única esperança!", assim a Igreja nos faz dizer no tempo da paixão, dedicado à contemplação dos amargos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O mundo está em chamas: a luta entre Cristo e o anticristo encarniçou-se abertamente, por isso, se te decides por Cristo, pode te ser pedido também o sacrifício da vida.

Contempla o Senhor que pende do lenho diante de ti porque foi obediente até a morte de Cruz. Ele veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai. Se queres ser a esposa do Crucificado deves renunciar totalmente à tua vontade e não ter outra aspiração senão a cumprir a vontade de Deus.

À tua frente o Redentor pende da Cruz despojado e nu, porque escolheu a pobreza. Quem quer segui-lo deve renunciar a toda posse terrena. Estás diante do Senhor que pende da Cruz com o coração despedaçado; Ele derramou o sangue de seu Coração para conquistar o teu coração. Para poder segui-lo em santa castidade, o teu coração deve ser livre de toda aspiração terrena; Jesus Crucificado deve ser o objeto de todo o teu anseio, de todo o teu desejo, de todo o teu pensamento.

O mundo está em chamas: o incêndio poderia pegar também em nossa casa, mas, acima de todas as chamas, ergue-se a Cruz que não pode ser queimada. A Cruz é o caminho que conduz da terra ao céu. Quem a abraça com fé, amor e esperança é levado para o alto, até o seio da Trindade.

O mundo está em chamas: desejas extingui-las? Contempla a Cruz – do Coração aberto jorra o sangue do Redentor, sangue capaz de extinguir também as chamas do inferno. Através da fiel observância dos votos, torna o teu coração livre e aberto; então, poderão ser despejadas neles as ondas do amor divino; sim, a ponto de fazê-lo transbordar e torná-lo fecundo até os confins da terra.

Através do poder da Cruz, podes estar presente em todos os lugares da dor, em toda parte para onde te levar a tua compassiva caridade, aquela caridade que haures do Coração divino e que te torna capaz de espargir, por toda parte, o seu preciosíssimo sangue para aliviar, salvar, redimir.

Os olhos do Crucificado fixam-te a interrogar-te, a interpelar-te. Queres estreitar novamente com toda seriedade a aliança com Ele? Qual será a tua resposta? "Senhor, aonde irei? Só tu tens palavras de vida".

Ave Crux, spes unica! Edith Stein, Vita, Dottrina, Testi inediti, Roma, pp. 127-130.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/o-mundo-esta-em-chamas?utm_content=bufferae1d7&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Festa de Santa Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein) - Comentário do Evangelho do dia (09/08) feito por São João Paulo II

(1920-2005), papa 
Homilia de canonização de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), 11/10/98


«Aí vem o esposo; ide ao seu encontro.»


Diletos irmãos e irmãs! Porque era judia, Edith Stein foi deportada, juntamente com sua irmã Rosa e muitos outros judeus dos Países Baixos, para o campo de concentração de Auschwitz, onde com eles encontrou a morte nas câmaras de gás. Hoje recordamo-los com profundo respeito. Poucos dias antes da sua deportação, a quem lhe oferecia uma possibilidade de salvar a vida, a religiosa respondera: «Não o façais! Porque haveria eu de ser excluída? É justo que não retire vantagens do meu batismo. Se não posso compartilhar a sorte dos meus irmãos e das minhas irmãs, num certo sentido a minha vida será destruída.» 

Doravante, ao celebrarmos a memória da nova santa, não poderemos deixar de recordar todos os anos também a Shoah, aquele atroz plano de eliminação de um povo que custou a vida a milhões de irmãos e irmãs judeus. O Senhor faça brilhar o seu rosto sobre eles, concedendo-lhes a paz (cf Nm 6,25 ss). Por amor de Deus e do homem, lanço de novo um premente brado: nunca mais se repita semelhante iniciativa criminosa com nenhum grupo étnico, povo ou raça, em qualquer recanto da Terra! É um brado que dirijo a todos os homens e mulheres de boa vontade; a todos aqueles que creem no Deus eterno e justo; a todos aqueles que se sentem unidos a Cristo, Verbo de Deus encarnado. Todos temos a obrigação de ser solidários: é a dignidade humana que está em jogo. Só existe uma família humana.

Fonte: Evangelho Quotidiano

"Só pode examinar quem tenha um critério..." - SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ (EDITH STEIN)




""Examinai tudo e ficai com o bom" (I Ts, 5,21). Mas só pode examinar quem tenha um critério. Nós temos esse critério em nossa Fé e na rica herança de nossos grandes pensadores católicos: nossos Padres e Doutores da Igreja. Quem tenha feito totalmente sua a imagem do mundo e a concepção do mundo de nossa dogmática e de nossa filosofia clássica, poderá abordar sem perigo os resultados e os métodos da investigação dos pensadores modernos e aprender deles. Sem essa preparação, seu estudo não poderia ser considerado como isento de perigos." (Edith Stein)

Fonte: Adversus Haereses/ Blog GRAA

sábado, 4 de janeiro de 2014

Comentário do dia (03/01) por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



Comentário do dia
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
As Bodas do Cordeiro, 14/09/1940


«O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo»

No Apocalipse, o apóstolo São João escreveu: «Eis o que eu vi: em frente do trono […] havia um Cordeiro, que se mantinha de pé e que estava como que imolado» (Ap 5,6). Enquanto contemplava esta visão, uma lembrança se mantinha bem viva nele: a do dia inesquecível em que, na margem do Jordão, João Baptista tinha designado Jesus como «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo». […]

Mas porque tinha o Senhor escolhido o cordeiro como seu símbolo por excelência? Porque Se mostrava ainda sob esse aspecto no trono eterno da glória? Porque era inocente como um cordeiro e humilde como um cordeiro e porque tinha vindo para ser levado ao matadouro como um cordeiro (Is 53,7). Também isto tinha o Apóstolo São João contemplado quando o Senhor deixara que Lhe atassem as mãos no Jardim das Oliveiras e Se deixara pregar na cruz no Golgotha. No Golgotha, fora consumado o verdadeiro sacrifício da reconciliação. Os sacrifícios antigos tinham perdido a sua força e, tal como o antigo sacerdócio, acabaram logo que o Templo foi destruído. Tudo isto tinha sido vivenciado por São João. Esta foi a razão pela qual ele não estranhou ver o Cordeiro no trono. […]

Como o Cordeiro devia ser morto para ser elevado ao trono da glória, também para todos os que são escolhidos para «o banquete das bodas do Cordeiro» (Ap 19,9) o caminho para a glória passa pelo sofrimento e pela cruz. Os que querem unir-se ao Cordeiro devem deixar-se pregar com Ele na cruz. Todos os que são marcados com o sangue do Cordeiro (cf Ex 12,7) – todos os baptizados – são chamados a isso; mas nem todos entendem a chamada e nem todos O seguem. 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Oração de Santa Edith Stein: "Ser como se não fosse"



"Minha mãe, hoje já foi como um dia de despedida. Nos próximos dois dias devo estar ocupada com preparativos exteriores, e não poderei mais ficar completamente em silêncio junto a ti e contigo junto ao Senhor. Por isso, peço novamente a ti com todo o coração para que me ajudes a dispor-me para a hora do matrimônio. Sobretudo com um arrependimento ardoroso, para queimar em mim tudo que impeça minha união com o Senhor. Faze que, como tu, eu seja como se não fosse, que eu não tenha mais vida senão a vida de Jesus, que se esqueça de mim e saiba apenas dele. Sei que isso que falei e escrevi sobre a verdade me compromete com bastante rigor. Recorda-me sempre disso se por acaso eu escorregar e decair do verdadeiro ser para algo de aparente."


Sta Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein)
Créditos: GRAA

A ousadia do Sina da Cruz - Santa Edith Stein



"Quando fazemos o sinal da cruz, dizemos: "em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo". Significa que aquilo que fazemos acontece como incumbência e na força da Santíssima Trindade. De onde temos o direito a essa linguagem ousada inédita? Da força da sagrada Cruz. Possuímos o direito de falar assim porque fomos remidos pela santa Cruz, ela foi escolhida pela Santíssima Trindade desde a eternidade como instrumento da redenção, e no madeiro amplamente visível da ignomínia foi fixado o peso do pecado da humanidade. Fazendo o sinal da cruz em nome da Trindade, prestamos honra à justiça divina e com ela proferimos o juízo de morte sobre nossa natureza pecadora (Hb 3,6). Nós somos a morada de Deus."


Santa Edith Stein, Teu coração deseja mais.
Créditos: Blog GRAA

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Santa Edith Stein sobre a Virgem Santíssima






"Cada mulher seja uma cópia da Mãe de Deus, seja uma esposa de Cristo, seja uma apóstola do Coração Divino. Todas, então, corresponderão plenamente à sua vocação feminina, independentemente das circunstâncias e das atividades exteriores nas quais realizam as tarefas desenvolvidas”.












”Se Maria é o protótipo da genuína feminilidade, a imitação de Maria deve ser o fim da formação da jovem”.











”A Virgem que guardava no seu coração cada palavra que Deus lhe dirigia, é o modelo das almas atentas nas quais é revivida a oração de Jesus Sumo Sacerdote”.













"A virtude do Espírito Santo cobriu a Virgem Maria enquanto esta, sozinha, rezava e realizou a Encarnação do Redentor”.





”Maria nos gerou segundo a vida da graça, dando-se totalmente, de corpo e alma, para ser a Mãe de Deus”.





"A virtude do Espírito Santo cobriu a Virgem Maria enquanto esta, sozinha, rezava e realizou a Encarnação do Redentor”.











”Que possamos voltar o olhar à Mãe de Deus, Maria, nas bodas de Caná. O seu olhar silencioso e perscrutador observa tudo e repara onde falta alguma coisa. E antes que alguém perceba e ocorra algum embaraço, ela já prestou a sua ajuda. Encontra meios e modos, dá as indicações necessárias, e isso tudo em silêncio, sem deixar perceber nada”.



”Maria, hoje permaneci contigo sob a cruz e jamais sentira tão claramente que foi sob a cruz que te tornaste nossa Mãe. Como a fidelidade de uma mãe da terra não escutaria solícita a última vontade do filho?”.

”Maria, tu nos conheces a todos: nossas feridas, nossas chagas, tu conheces também o esplendor celeste que o amor de teu Filho quer difundir sobre nós na claridade eterna. Assim, guia solÍcita nossos passos”. 


Santa Teresa Benedita da Cruz

(Edith Stein)



Créditos: Católicos Tradicionais

sábado, 22 de junho de 2013

Comentário do Evangelho do dia (23/06) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



(Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
«O amor à cruz», meditação de 24/11/1934


«Tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me»


O peso da cruz que Cristo carregou não é senão a decadência humana, com o seu cortejo dos pecados e sofrimentos que atingem a humanidade. O sentido do caminho da cruz é libertar o mundo desse fardo. […] Sendo a nossa felicidade a união com Cristo e sendo a progressão em direcção a essa união a nossa bênção nesta terra, o amor à cruz não entra de modo nenhum em contradição com a alegria de ser filho de Deus. Ajudar a levar a cruz de Cristo dá uma alegria pura e profunda. Aqueles a quem é dada essa possibilidade e essa força — os construtores do Reino de Deus — são os mais autênticos filhos de Deus. A predilecção pelo caminho da cruz também não significa ter pena por ver passada a Sexta-feira Santa e concluída a obra de redenção; pois só os seres que foram salvos, os filhos da graça, podem carregar a cruz de Cristo. Só a sua união ao divino Chefe confere ao sofrimento humano uma força penitencial. […]


Manter-se de pé e avançar pelos sendeiros rudes e lamacentos desta terra, permanecendo com Cristo à direita do Pai; rir e chorar com os filhos do mundo e cantar sem cessar os louvores do Senhor com o coro dos anjos, tal é a vida dum cristão até que nasça a manhã da eternidade.


Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 7 de maio de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (07/05) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



(1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia Pentecostes 1937


«É melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós»

Quem és Tu, doce luz que me preenche
E que ilumina a treva do meu coração? [...]
Serás o Mestre da obra,
O construtor da catedral eterna
Que se eleva desde a terra até ao céu?
Tu dás vida às colunas que se erguem,
Altas e aprumadas, sólidas e imutáveis (Ap 3,12);
Que, marcadas pelo selo do nome divino e eterno,
Se lançam em direcção à luz e suportam a cúpula
Que remata e coroa a santa catedral,
Obra Tua que abarca o universo inteiro:
Santo Espírito, mão de Deus criadora! [...]


Serás o suave cântico de amor
E o respeito sagrado que ecoa sem fim
À roda do trono da Trindade santa (Ap 4,8),
Sinfonia em que ressoa
A nota pura emitida por cada criatura?
O som harmonioso,
O acorde unânime dos membros e da Cabeça (Col 2,19),
Em que cada um, na plenitude da alegria,
Descobre o sentido misterioso do seu ser
E o deixa jorrar, num grito de júbilo
Libertado,
Ao participar na Tua própria manifestação:
Santo Espírito, regozijo eterno!

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (06/05) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


(1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poema «Sete Raios de uma Novena de Pentecostes», estrofes 1, 3-4 (Pentecostes de 1937/1942)



«O Espírito da Verdade [...] que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai»

Doce luz, quem serás tu? [...]

O raio refulgente como o relâmpago
Do alto trono do Juiz eterno,
Penetrando como um ladrão na noite da alma (Lc 12,39)
Desdenhosa de si própria?
Tão misericordioso quanto implacável
Perscrutas as suas recônditas profundezas
Assim a assustando com o que ela vislumbra,
E por isso refugiada em sagrado temor
Diante do início omnisciente vindo do Alto
Que no Alto nos traz ancorados
Pela Tua acção recriadora,
Espírito Santo, raio imparável!


Ou serás a plenitude do Espírito e do poder
Que permite ao Cordeiro abrir os selos
Do eterno decreto de Deus? (Ap 5,7ss)
Às Tuas ordens os mensageiros do Julgamento
Cavalgam pelo mundo inteiro
Separando ao fio da espada o Reino da Luz
Do reino das trevas (Ap 6,2ss)
Os Céus serão novos e nova a Terra (Ap 21,1; Is 65,17)
E tudo encontrará o seu devido lugar
Pelo Teu sopro ligeiro,
Espírito Santo, vitorioso poder!


Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Santa Edith Stein - Uma questão de consciência intelectual



Às vezes, acontece de eu ter uma horinha de tempo (mas nem todo dia) e depois também a necessidade de fazer alguma coisa que não esteja ligada com a escola. A esses espaços de tempo, que não entram em consideração para o trabalho pessoal, no ano passado, empreguei para traduzir um livro do Cardeal Newman - The Idea of a University (para a Editora Theatine em Munique, de cuja fundação e direção faz parte também Gogo Hildebrand), e agora me pedem um segundo volume. Traduzir representa para mim uma pura alegria. Além do que, é muito bom entrar em contato direto com Newman, coisa que a tradução proporciona. Toda sua vida foi uma busca da verdade religiosa, conduzindo-o para a Igreja Católica com uma necessidade incontornável. Atualmente encontro-me naquele ponto em que responder às suas cartas parece-me um grande empreendimento.


Quando li as últimas linhas, perguntei-me: como é possível que um homem com formação científica, que reivindica a objetividade rigorosa e que, sem investigação profunda, não ousaria proferir um juízo sobre a mínima questão filosófica - que este desfaça-se de problemas dos mais importantes com uma frase no estilo de um jornaleco local. Refiro-me ao "aparato dogmático pensado para a dominação das massas": por favor, não tome isso como acusação a você. Seu comportamento é o típico de um intelectual, na medida em que não teve educação eclesial, e até poucos anos eu também era assim. No entanto, em nome de nossa antiga amizade, permita-me reformular o problema geral para uma questão de consciência intelectual: (com o ensino de religião nas aulas) quanto tempo você gastou com o estudo do dogma católico, de sua fundamentação teológica? E você já se perguntou alguma vez como explicar que homens como Agostinho, Anselmo de Cantuária, Boaventura, Tomás de Aquino - deixando de lado os muitos milhares, cujos nomes são desconhecidos para os que estão distantes, mas que sem sombras de dúvida não eram ou são menos inteligentes do que nós, pessoinhas ilustradas - que esses homens, no dogma desprezado, viram o que de mais supremo pode ser acessível ao espírito humano, e a única coisa que vale a pena o sacrifício de uma vida por ele? Com que direito você pode identificar os grandes mestres e os grandes santos da Igreja como cabeças-ocas ou como espertalhões impostores?


Seguramente, só pode-se proferir tal suspeita monstruosa, como está contida naquelas palavras, depois de um exame mais acurado de todos os fatos que entram em consideração. Você não gostaria - se não por você, pelo menos por mim - uma vez que seja defrontar-se e responder a essas questões totalmente livre de conceitos prévios? Apenas responder a si mesmo - a mim você não precisa responder se não quiser.


Santa Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz), Carta a Roman Ingarden, de 19/06/24.
Créditos: GRAA

terça-feira, 23 de abril de 2013

Gratidão pelo dom da Fé - Santa Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein)



"Mesmo que as pessoas não me tivessem feito o bem, isso não poderia, jamais, confundir-me na Igreja. Não entrei nela para ter vantagens, ou porque pessoas tenham me atraído para lá, mas porque sua doutrina e a fé nos seus sacramentos mostraram-se irrefutáveis. E em onze anos experimentei suas bênçãos de modo tão fecundo, que nada jamais me poderá separar dela. E se não houvesse nenhum outro ser humano neste mundo que desse testemunho com sua vida do que pode fazer uma pessoa de fé viva, eu me sentiria comprometida a fazê-lo. Todavia, há um número suficiente de outras pessoas, e eu não deixo de nutrir a esperança de que um dia você irá encontrar-se com um deles."


Edith Stein, Carta a Werner Gordon, de 04/08/1933


Créditos: GRAA

domingo, 21 de abril de 2013

Ó Virgem Maria, dá-me um coração bom - Santa Edith Stein


Ó doce mãe Maria, dá-me um coração 
Cheio de vitalidade, aberto como o coração de teu filho, 
E transparente como as águas de uma fonte clara. 
Dá-me um coração nobre e corajoso, que não se aborrece, 
Nem sequer liga para as chateações sofridas; 
Um coração despreocupado que se doa alegremente; 
Um coração que conhece as fraquezas, 
E por isso as sente e as experimenta interiormente; 
Um coração profundo e agradecido, 
Que não faz descaso das coisas pequenas. 
Dá-me um coração suave e humilde, 
Que ama sem reivindicar amor em troca, 
Que, cheio de alegria, libera espaço 
Noutro coração para teu filho; 
Um coração nobre e vigoroso, 
Que não se abate nas decepções; 
Que não se dispersa e não se zanga; 
Que não se paralisa com as provações; 
Que na falta de atenção não perde a sintonia, 
Que na indiferença não se desencoraja. 
Dá-me, porém, um coração, 
Impulsionado pelo amor que tens por Jesus, 
Pelo desejo da maior honra e glória de Jesus 
E nisso não se detenha, 
Até alcançar o céu. Amém.
Edith Stein

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O sofrimento expiatório, a união com Cristo e a alegria dessa união - Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



Edith Stein


Toda soma de falhas humanas, desde a queda originária até o dia do juízo final, deve ser extirpada pela proporção correspondente de atos de expiação.


A via crucis é essa expiação. As três quedas sob o peso da cruz correspondem à tripla queda da humanidade: o primeiro pecado original, a rejeição do redentor por seu povo eleito, a decadência daqueles que trazem o nome de cristãos. O Salvador não está sozinho na via crucis e ao seu redor não há apenas inimigos, que o oprimem, mas também pessoas que lhe dão apoio: como protótipo originário dos seguidores da cruz, em todos os tempos, a Mãe de Deus; como tipologia daqueles que aceitam em si o sofrimento que lhes é imposto e experimentam sua bênção na medida em que o carregam, temos Simão Cirineu; como representante dos que amam, que são impingidos a servir o Senhor, temos Verônica. Cada um que, no correr dos tempos, carrega com paciência um destino pesado, pensando no Salvador sofredor, ou que assume sobre si voluntariamente ações de expiação, extinguiu com isso algo do violento peso da culpa que pesa sobre a humanidade e ajudou o Senhor a carregar seu peso; mais que isso: Cristo, o cabeça, faz expiações nos membros de seu corpo místico que se colocam à disposição dele de corpo e alma para sua obra de redenção. Podemos admitir que a visão dos fiéis que o seguiram em seu caminho de sofrimento confortou o Salvador na noite em que passou no Monte das Oliveiras, e a força desses que carregam a cruz veio em seu auxílio em todas as quedas.

Os justos da Velha Aliança são os que o acompanham no trecho de caminho entre a primeira e a segunda queda. Os discípulos e as discípulas que se juntaram a Ele durante sua vida terrena são os que auxiliaram no segundo trecho do caminho. Os que amam a cruz que Ele convocou e convoca novamente na história turbulenta da Igreja militante são os companheiros da aliança no fim dos tempos.


Também nós somos convocados para isso. Não se trata, portanto, de uma recordação piedosa das dores do Senhor, quando alguém deseja sofrer, mas voluntariamente a expiação é aquilo que liga verdadeira e realmente, de maneira profunda, com o Senhor. Surge por um lado da ligação já existente com Cristo, isso porque o homem natural foge do sofrimento.


Desejar sofrimentos é algo que só pode alguém a quem se lhe abriu o olhar do espírito para os nexos sobrenaturais do acontecer do mundo; mas isso só é possível acontecer em pessoas onde vive o Espírito de Cristo, que, como membros, recebem do cabeça sua vida - sua força, seu Espírito e sua orientação.


Por outro lado, as ações de expiação ligam ao Cristo de maneira mais íntima, assim como toda e qualquer comunidade vai tornando-se sempre mais íntima com o trabalho conjunto em uma obra, e como os membros de um corpo em sua confluência orgânica vão se tornando cada vez mais fortemente uma unidade. E uma vez que o ser um com o Cristo representa nossa bem-aventurança e o avanço do tornar-se um com Ele, vai constituindo nossa ventura sobre a terra, por isso a via crucis de modo algum está em contraposição com a feliz filiação divina. Ajudar a carregar a cruz de Cristo traz uma pura e intensa alegria, e aqueles que têm o direito e o podem fazer, os edificadores no Reino de Deus, são os mais autênticos filhos de Deus. E assim, a predileção pela via crucis de modo algum significa esquecer que a Sexta-feira da Paixão já se passou e que a obra da redenção está completa. Só os redimidos, só os filhos da graça que podem carregar a cruz de Cristo. É só a partir da unificação com a cabeça divina que o sofrimento humano recebe força expiatória. Sofrer e ser feliz no sofrimento, estar de pé sobre a terra, caminhar por entre os caminhos sujos e tortuosos desse mundo, no entanto reinar junto com Cristo à direita do Pai, rir e chorar junto com os filhos desse mundo e cantar louvores a Deus sem parar, junto com os coros dos anjos, isso é a vida do cristão até que irrompa a manhã da eternidade.


Sta Teresa Benedita da Cruz, Teu coração deseja mais.

Fonte: Blog GRAA

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Doutrina da Cruz segundo São João da Cruz e Santa Edith Stein



"Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. Poucos são os que o encontram. Devemos observar bem a ênfase dada à partícula 'quão', pois é como se dissesse 'na verdade é muito estreita, mais do que podeis imaginar...' Essa via ao alto monte da perfeição, exige viajantes que não levem fardos que os façam pender para baixo... Já que se tem o propósito de somente buscar e alcançar a Deus, somente a ele se há de buscar e alcançar de fato! Instruindo-nos e incitando-nos nesse caminho, Jesus Cristo proferiu essa doutrina tão admirável e, receio dizer, tanto menos praticada pelas amas (que se sentem atraídas à vida espiritual) quanto mais necessária!

'Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, irá salvá-la'.

Oh! Quem poderia aqui agora dar a entender, praticar e saborear este conselho!... aniquilação de toda a suavidade em Deus... aridez... tédio... sofrimentos... eis a pura cruz espiritual e a nudez do espírito pobre, segundo Jesus. O verdadeiro espírito antes procura em Deus a amargura que as delícias, prefere o sofrimento ao consolo, a privação ao gozo, a aridez e as aflições às doces comunicações celestes, sabendo que isto é seguir a Cristo e renunciar-se. Agir de outro modo é buscar-se a si mesmo em Deus, o que é muito contrário ao amor. Buscar a Deus nele mesmo... é inclinar-se a escolher, por amor a Cristo, tudo quanto há de mais áspero, seja de Deus, seja do mundo". A renúncia, segundo a vontade divina, consiste em "morrer para sua natureza... aniquilando-a... em tudo quanto a vontade julga ser valioso na ordem temporal, natural e espiritual... Quem assim tomar a cruz sobre si experimentará o jugo suave e o fardo leve, encontrando em todas as coisas grande alívio e suavidade... Quando a alma ficar desfeita em nada - isto é, a suprema humildade - estará realizada a união espiritual entre a alma e Deus... união que consiste numa viva morte de cruz, sensitiva e espiritual, interior e exterior".


S. João da Cruz, Subida ao Monte Carmelo, Livro II.


Para tanto não há outro caminho, pois, segundo o plano divino da salvação, Cristo houve por "remir a alma e desposá-la consigo, servindo-se dos próprios meios que haviam causado a ruína e a corrupção da natureza humana; pois, assim como por meio da árvore proibida no paraíso, foi essa natureza estragada e perdida por Adão, assim na árvore da cruz foi remida e reparada." (S. João da Cruz, Cântico Espiritual, Explicação da Canção XXIII) Se quiser partilhar com ele da vida, com ele deverá passar pela morte de cruz, e deverá como Cristo crucificar a sua própria natureza por uma vida de mortificação e renúncia, entregando-se à crucifixão pelos sofrimentos e pela morte, conforme Deus determinar e permitir. Quanto mais perfeita for a crucifixão ativa e passiva, tanto mais íntima será a união com o crucificado, e tanto maior será a participação na vida divina."


Edith Stein, A Ciência da Cruz, Cap. I.


Créditos: GRAA/ O Segredo do Rosário

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Parte 3.3





3.3 - SEJA FEITA A TUA VONTADE
Com isto estamos tocando no terceiro sinal
da filiação divina: Ser um com Deus, foi o primeiro. Que
todos sejam um em Deus, foi o segundo. O terceiro:
Nisto reconheço que vós me amais, se observardes os
meus mandamentos”.
Ser filho de Deus significa: andar apoiado na
mão de Deus, na vontade de Deus; não fazer a vontade
própria, colocar todo cuidado e toda a esperança
nas mãos de Deus, não se preocupar consigo e com seu
futuro. Nisto consiste a liberdade e a alegria dos filhos
de Deus. Tão poucos as possuem, mesmo entre os
realmente piedosos, mesmo entre os heroicamente dispostos
ao sacrifício. Sempre andam encurvados sob o
peso dos cuidados e obrigações.
Todos conhecem a parábola dos pássaros do
céu e dos lírios do campo. Mas quando encontram uma
pessoa que não tem herança, nem pensão e nem seguro
e, mesmo assim, vive tranqüilo quanto ao seu futuro,
aí meneiam a cabeça como se fosse algo incomum.
Contudo, quem esperar do Pai do céu, que
cuide a toda hora de seu dinheiro e da condição de
vida que ele gostaria de ter, por certo, vai se enganar.
A confiança em Deus vai se firmar inabalavelmente,
quando incluir a disposição de aceitar tudo das mãos
do Pai. Pois, somente Ele sabe o que é bom para nós.
E, se a necessidade e a privação forem mais convenientes
do que uma renda folgada e segura, ou insucesso e
humilhação, melhor do que honra e reputação, então
se deve estar preparado para isso. Se assim fizermos,
podemos viver despreocupados com o futuro e com o O “seja feita a vossa vontade”, em toda a sua amplitude, deve ser o fio condutor da vida cristã. Ele
deve nortear o correr do dia, da manhã até a noite, o
correr do ano e de toda a vida. Será a única preocupação
do cristão. Todos os outros cuidados, o Senhor assume.
Mas, esta única preocupação pertence a nós, enquanto
vivermos. Objetivamente, não somos definitivamente
firmes para permanecermos sempre nos caminhos
de Deus. Assim como os primeiros pais perderam
a filiação divina pelo distanciamento de Deus,
assim cada um de nós está sempre entre o nada e a
plenitude da vida divina. Mais cedo ou mais tarde isto
se torna também uma experiência subjetiva. No começo
da vida espiritual, quando começamos a nos entregar
à direção de Deus, é que sentimos bem forte e
firme a mão que nos conduz; de forma clara aparece
para nós, o que devemos fazer ou deixar de fazer. Mas
isto não é sempre assim. Quem pertence a Cristo,
deve viver a vida de Cristo. Deve-se amadurecer até à
idade adulta de Cristo, ele deve iniciar a via-sacra para
o Getsêmane e o Gólgota. E todos os sofrimentos que
vêm de fora, são nada comparados com a noite escura
da alma, quando a luz divina cessa de clarear e a voz
do Senhor se cala. Deus está presente, porém, escondido
e silencioso. Por que acontece isto? São os mistérios
de Deus, dos quais falamos, ele não se deixa penetrar
completamente. Só podemos vislumbrar algumas
facetas desse mistério e, por isso, Deus se fez homem;
para voltar e fazer-nos participar da sua vida. Esse é o
começo e a meta final. Mas, no meio se encontra ainda
outra coisa. Cristo é Deus e homem e, quem quer partilhar
a sua vida, deve fazer parte de sua vida divina e
humana. A natureza humana que Ele aceitou, deu-lhe
a possibilidade de sofrer e morrer; a natureza divina,
que Ele possui desde toda a eternidade, deu à sua paixão e morte um valor infinito e uma força redentora.
A paixão e morte de Cristo continuam no seu corpo
místico e em todos os seus membros. Todo homem
tem que sofrer e morrer. Porém, se ele for membro
vivo no corpo de Cristo, então, o seu sofrimento e sua
morte adquirem pela divindade de seu corpo, força
salvadora. Esta é a causa objetiva por que todos os santos
desejam sofrer. Não se trata de um prazer doentio
de sofrer. Aos olhos da razão natural, isto pode parecer
perversidade. À luz do mistério da redenção, contudo,
isto se revela de maneira sublime. E assim a pessoa -
ligada - a Cristo, mesmo na noite escura do distanciamento
subjetivo de Deus e abandono, persistirá; talvez
a divina providência permita o tormento, para libertar
a pessoa objetivamente aprisionada. Por isto:
“Seja feita a Vossa vontade”, mesmo quando na noite
mais escura.

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Editora da Universidaade do Sagrado Coração
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