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sábado, 18 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (17/03) por São Bernardo


Comentário do dia 
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermão 30 sobre o Cântico dos Cânticos

O mistério da vinha de Deus

Irmãos, se na vinha do Senhor vemos a Igreja, não é pequena prerrogativa ter a Igreja alargado os seus limites a toda a Terra. [...] 

Refiro-me à multidão dos primeiros crentes, de quem foi dito que tinham «um só coração e uma só alma» (At 4,32). [...] Porque a perseguição não a arrancou tão brutalmente do solo, que ela não tenha podido voltar a ser plantada noutros locais e alugada a outros vinhateiros que, chegada a estação própria, a fizeram dar frutos. Ela não pereceu, mudou de solo. Melhor, ganhou em força e em difusão, como vinha bendita pelo Senhor. Levantai, portanto, irmãos, os vossos olhos e vereis que «as montanhas cobriram-se com a sua sombra, e os seus ramos ultrapassaram os altos cedros. As suas ramagens estenderam-se até ao mar e os seus rebentos até ao rio» (Sl 79,11-12). 

Isto não surpreende: ela é o edifício de Deus, o seu terreno de cultivo (1Cor 3,9). É Ele que a torna fecunda, que a faz propagar-se, que a poda e a limpa, de modo a que ela produza mais fruto. Ele não deixará ao abandono a cepa que a sua mão direita plantou (Sl 79,15); não abandonará a vinha cujos ramos são os Apóstolos, cuja cepa é Jesus Cristo e de que Ele, o Pai, é o agricultor (Jo 15,1-5). Plantada na fé, ela mergulha as suas raízes na caridade; lavrada pela obediência, fertilizada pelas lágrimas do arrependimento, irrigada pela palavra dos pregadores, dela transborda um vinho que inspira a alegria e não a má conduta, um vinho cheio de doçura, que alegra verdadeiramente o coração do homem (Sl 103,15). [...] Filha de Sião, consola-te a contemplar este grande mistério: não chores! Abre o teu coração para acolheres todas as nações da terra!

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 9 de agosto de 2016

"Só pode examinar quem tenha um critério..." - SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ (EDITH STEIN)




""Examinai tudo e ficai com o bom" (I Ts, 5,21). Mas só pode examinar quem tenha um critério. Nós temos esse critério em nossa Fé e na rica herança de nossos grandes pensadores católicos: nossos Padres e Doutores da Igreja. Quem tenha feito totalmente sua a imagem do mundo e a concepção do mundo de nossa dogmática e de nossa filosofia clássica, poderá abordar sem perigo os resultados e os métodos da investigação dos pensadores modernos e aprender deles. Sem essa preparação, seu estudo não poderia ser considerado como isento de perigos." (Edith Stein)

Fonte: Adversus Haereses/ Blog GRAA

terça-feira, 26 de julho de 2016

Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica - Comentário do Evangelho do dia (26/07) feito por Catecismo da Igreja Católica

Catecismo da Igreja Católica 
§§ 823-827



A Igreja é santa aos olhos da fé, indefetivelmente santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado «o único Santo», com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como sua esposa, entregou-Se por ela para a santificar, uniu-a a Si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus. A Igreja é, pois, o povo santo de Deus, e os seus membros são chamados «santos» (1Cor 6, 1). [...] A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele. Por Ele e nele torna-se também santificante. [...] É nela que nós adquirimos a santidade pela graça de Deus. [...] 

Nos seus membros, a santidade perfeita é ainda algo a adquirir. [...] «Enquanto Cristo, santo e inocente, sem mancha, não conheceu o pecado, mas veio somente expiar os pecados do povo, a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação» (Lumen Gentium, 42). Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. 

A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação. A Igreja é santa, não obstante compreender no seu seio pecadores, porque não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem no pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por estas faltas, tendo o poder de curar delas os seus filhos, pelo sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Felicidade de quem nasceu depois da Redenção e na Igreja Católica - Santo Afonso Maria de Ligório

Por Santo Afonso Maria de Ligório

Ubi venit plenitudo temporis, misit Deus Filium suum, ut eos, qui sub lege erant, redimeret — “Quando chegou a plenitude do tempo, enviou Deus a seu Filho, para que remisse aqueles que estavam debaixo da lei” (Gal. 4, 4).

I. Que graças devemos dar a Deus por nos haver feito nascer depois de já realizada a grande obra da Redenção humana! É isso o que quer dizer a palavra plenitudo temporis — “plenitude do tempo” — , tempo venturoso pela plenitude da graça que Jesus Cristo nos mereceu pela sua vinda. Infelizes de nós, se, réus de tantos pecados como somos, tivéssemos vivido nesta terra antes da vinda de Jesus Cristo!

Antes da vinda do Messias, ah! Em que lamentável condição se achavam os homens! O verdadeiro Deus era apenas conhecido na Judéia; em todas as outras partes do mundo reinava a idolatria, de modo que os nossos antepassados adoravam a pedra, a madeira e os demônios.

Adoravam um sem-número de falsos deuses. Somente o verdadeiro Deus não era amado, nem mesmo conhecido. Ainda em nossos tempos, quantos países não há onde é reduzido o número de católicos e todos os demais são pagãos ou hereges, dos quais a maior parte com certeza se condenarão! Quanto mais nós devemos ser agradecidos a Deus, porque não somente nos fez nascer depois da vinda de Jesus Cristo, mas além disso em um país católico!

Senhor meu, graças Vos dou. Ai de mim, se, depois de cometer tantos pecados, vivesse no meio dos infiéis ou dos hereges! Reconheço, ó meu Deus, que me quereis salvo, e eu desgraçado tantas vezes quis perder-me perdendo a vossa graça. Redentor meu, tende piedade de minha alma que tanto Vos custou!

II. Misit Deus Filium suum, ut eos, qui sub lege erant, redimeret (1) — “Deus enviou seu Filho, para que remisse aqueles que estavam debaixo da lei”. Peca o escravo, e pecando entrega-se ao poder do demônio; e eis que vem seu Senhor mesmo para o resgatar com a sua morte! Ó amor imenso, ó amor infinito de Deus para com o homem!

Portanto, ó meu Redentor, se Vós não me tivésseis remido com a vossa morte, o que seria de mim? De mim, digo, que pelos meus pecados tantas vezes tenho merecido o inferno. Se Vós, ó Jesus meu, não tivésseis morrido por mim, já Vos teria perdido para sempre, nem haveria mais para mim esperança alguma de recuperar a vossa graça, nem de ver um dia no paraíso o vosso belo rosto. Meu caro Salvador, graças Vos dou, e espero ir ao céu para Vos agradecer eternamente. Pesa-me acima de todos os males, de Vos ter desprezado em outro tempo. Para o futuro proponho antes sofrer toda a pena, qualquer morte, do que ofender-Vos. Mas como em tempos passados Vos tenho traído, posso tornar a trair-Vos para o futuro. Ó meu Jesus, não queirais permití-lo. Ne permittas me separari a te (2) — “Não permitais que eu me aparte de Vós”. Amo-Vos, Bondade infinita, e quero amar-Vos sempre nesta vida e durante toda a eternidade. — Ó minha Rainha e Advogada, Maria, guardai-me sempre debaixo de vosso manto e livrai-me do pecado. (III 319.)
----------
1. Gal. 4, 4.
2. Or. “Anima Christi”.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 94 - 96.)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (18/09) feito pelo Beato João Paulo II



(1920-2005), papa
Encíclica «Dives in Misericordia» § 13 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)



Na Igreja, Cristo chama-nos à conversão


A Igreja vive vida autêntica quando professa e proclama a misericórdia, o mais admirável atributo do Criador e do Redentor, e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador, das quais é depositária e dispensadora. Neste contexto, assumem grande significado a meditação constante na Palavra de Deus, e sobretudo a participação consciente e reflectida na Eucaristia e no sacramento da Penitência ou Reconciliação.


A Eucaristia aproxima-nos sempre do amor que é mais forte do que a morte (Ct 8,6). Com efeito, «todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice», não só anunciamos a morte do Redentor, mas proclamamos também a sua ressurreição, «enquanto esperamos a sua vinda gloriosa» (Missal Romano; cf 1Cor 11,26). A própria liturgia eucarística, celebrada em memória daquele que, na sua missão messiânica, nos revelou o Pai por meio da Palavra e da Cruz, atesta o inexaurível amor em virtude do qual Ele deseja sempre unir-Se e como que tornar-Se uma só coisa connosco, indo ao encontro de todos os corações humanos.


O sacramento da Penitência ou Reconciliação aplana o caminho a cada um dos homens (cf Lc 3,3; Is 40,3), mesmo quando sobrecarregados por faltas graves. Neste sacramento todos os homens podem experimentar de modo singular a misericórdia, isto é, o amor que é mais forte do que o pecado.


Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Francisco é sucessor de São Pedro, não de Judas

Um "teólogo da corte" declarou nos últimos dias que Francisco seria "o Papa da ruptura". Nunca ele esteve tão enganado.



Ao final de sua homilia na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, o Papa Francisco citou uma frase de Bento XVI. Não foi a primeira e nem será a última vez que um Pontífice fará referência a seus predecessores. Afinal, ao mesmo tempo em que é visível no Papa o poder de São Pedro, dado pelo próprio Cristo (cf. Mt 16, 19), deve ficar nítida também a dimensão do serviço. O Papa não é o autor da verdade, mas seu servidor fiel; é sucessor de São Pedro e, por isto, tem consciência do imenso número de homens que o antecederam, ajudando a conservar e zelar pelo patrimônio imemorial que é a nossa fé.

Os meios de comunicação foram tomados por um grande "entusiasmo" com a visita de Francisco. Não é para menos. Sua Santidade conquistou com muita facilidade o coração dos brasileiros, com seu sorriso e simpatia cativantes.

No entanto, o que se percebe, muitas vezes, nos comentários de jornalistas e analistas religiosos, é aquele entusiasmo enganoso, que vislumbra uma Igreja que ande de mãos dadas com o aborto, com o "casamento" homossexual, com a eutanásia e um monte de outros temas da agenda progressista.

Infelizmente, o cenário é também consequência da falta de compromisso de muitos de nossos supostos católicos. Certamente você já ouviu palavras do tipo: "Eu sou católico, mas...". Em seguida, prepare-se para ouvir qualquer tipo de barbaridade. É-se católico, ma non troppo. A pessoa se diz cristã e em comunhão com a Igreja, mas se recusa a aceitar sua doutrina moral, coloca em xeque os ensinamentos dos legítimos pastores em comunhão com o Papa, pisoteia o Catecismo e cai na ilusão de um catolicismo self-service – segundo este, seria possível escolher, na doutrina de Cristo, aquilo que lhe agrada e aquilo que lhe incomoda.

Em discurso aos jovens argentinos hoje, o Papa Francisco recordou que a fé "no se licua". O dicionário não ajuda a explicar metáforas, mas "licuar" significa bater no liquidificador, desintegrar algo que é sólido em líquido. É o que se faz quando se tenta transformar a fé em uma substância palatável ou meramente agradável aos ouvidos. Contra esta tentativa de se reduzir a verdadeira fé a uma fábula, o Papa Paulo VI dizia: "Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas". Aquilo que o Espírito Santo ditou para a Igreja há dois mil anos também vale para hoje, também se encaixa em nosso tempo! A verdade de Cristo não muda, permanece sempre una. E indivisível.

Não é a primeira vez que Francisco declara a importância de se conservar a integridade da fé da Igreja. Certa vez, durante um diálogo, transcrito e publicado antes de ser eleito Papa, Bergoglio foi taxativo:


"Para mim também a essência do que se conserva está no testemunho dos pais. Em nosso caso, o dos apóstolos. Nos séculos III e IV formularam-se teologicamente as verdades de fé reveladas e transmitidas, que são inegociáveis, a herança. (...) Certas coisas são opináveis, mas – repito – a herança não se negocia. O conteúdo de uma fé religiosa é passível de ser aprofundado pelo pensamento humano, mas, quando esse aprofundamento colide com a herança, é heresia." [01]

Um "teólogo da corte" declarou nos últimos dias que este seria "o Papa da ruptura"
. Nunca ele esteve tão enganado. Francisco pode ter um estilo bem diferente e um comportamento bem peculiar, mas ao essencial – é ele mesmo quem o diz – não dá para renunciar. Afinal, Francisco é sucessor de São Pedro, e não de Judas.


Por: Equipe Christo Nihil Praeponere


Referências
FRANCISCO, Papa. Sobre o céu e a terra. 1. ed. São Paulo: Paralela, 2013.
http://www1.folha.uol.com.br/dw/1314660-este-e-o-papa-da-ruptura...


Fonte: Site Padre Paulo Ricardo

terça-feira, 9 de julho de 2013

Comentário do Evangelho do dia (09/07) feito por Beato John Henry Newman



(1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «Invisible Presence of Christ», «Sermons on Subjects of the Day», n°21



«Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor»



Olhai em volta, meus irmãos […]: porque há tantas mudanças e lutas, tantos partidos e seitas, tantos credos? Porque os homens estão insatisfeitos e inquietos. E porque estão eles inquietos, cada um com o seu salmo, a sua doutrina, a sua língua, a sua revelação, a sua interpretação? Estão inquietos porque não encontraram […]; tudo isso ainda não os levou à presença de Cristo que é «alegria e delícias eternas» (cf Sl 16,11).


Se tivessem sido alimentados pelo pão da vida (Jo 6,35) e provado do favo de mel, os seus olhos ter-se-iam tornado limpos, como os de Jónatas (1Sam 14,27), e teriam reconhecido o Salvador dos homens. Mas, não se tendo apercebido destas coisas invisíveis, têm de continuar a procurar e estão à mercê de rumores longínquos. […]


Triste espectáculo: o povo de Cristo errando pelas colinas «como ovelhas sem pastor». Em vez de procurarem nos lugares que Ele sempre frequentou e na morada que Ele estabeleceu, avêm-se com projetos humanos, seguem guias estranhos e deixam-se cativar por opiniões novas, tornando-se joguetes do acaso e do humor do momento, e vítimas da sua própria vontade. Estão cheios de ansiedade, de perplexidade, de inveja e de preocupações, e são agitados e «levados por qualquer vento da doutrina, pela malícia dos homens e a sua astúcia, a extraviarem-se no erro» (Ef 4,14). Tudo isso porque não procuram «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos» (Ef 4,5-6) para nele encontrarem «descanso para o espírito» (Mt 11,29).


Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 2 de março de 2013

Santo Agostinho: "Fora da Igreja é possível tudo, exceto a salvação"


“Fora da Igreja é possível tudo, exceto a salvação. É possível ter honras, é possível ter sacramentos, é possível cantar aleluias, é possível responder amém, é possível possuir o Evangelho, é possível ter fé no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é possível pregar; mas em nenhum lugar senão na Igreja Católica, é possível encontrar a salvação”. 


Santo Agostinho

Créditos: Católicos Tradicionais

sábado, 26 de janeiro de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (26/01) feito por Catecismo da Igreja Católica



Timóteo e Tito, sucessores dos apóstolos

Toda a Igreja é apostólica, na medida em que, através dos sucessores de Pedro e dos apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com a sua origem. Toda a Igreja é apostólica, na medida em que é «enviada» a todo o mundo. Todos os membros da Igreja, embora de modos diversos, participam deste envio. «A vocação cristã é também, por natureza, vocação para o apostolado». E chamamos «apostolado» a «toda a actividade do Corpo Místico» tendente a «alargar o Reino de Cristo à terra inteira» (Vaticano II).

«Sendo Cristo, enviado do Pai, a fonte e a origem de todo o apostolado da Igreja», é evidente que a fecundidade do apostolado, tanto dos ministros ordenados como dos leigos, depende da sua união vital com Cristo. Segundo as vocações, as exigências dos tempos e os vários dons do Espírito Santo, o apostolado toma as formas mais diversas. Mas é sempre a caridade, haurida principalmente na Eucaristia, «que é como que a alma de todo o apostolado» (Vaticano II). A Igreja é una, santa, católica e apostólica na sua identidade profunda e última, porque é nela que existe desde já, e será consumado no fim dos tempos, «o Reino dos céus», «o Reino de Deus», que veio até nós na Pessoa de Cristo e que cresce misteriosamente no coração dos que n'Ele estão incorporados, até à sua plena manifestação escatológica. Então, todos os homens por Ele resgatados e n' Ele tornados «santos e imaculados na presença de Deus no amor» (Ef 1,4), serão reunidos como o único povo de Deus, «a Esposa do Cordeiro», «a Cidade santa descida do céu, de junto de Deus, trazendo em si a glória do mesmo Deus»; e «a muralha da cidade assenta sobre doze alicerces, cada um dos quais tem o nome de um dos Doze apóstolos do Cordeiro» (Ap 21,14)

Créditos; Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal- (Parte III) : O Corpo Místico de Cristo



 
3.1 - SER UM COM DEUS
Para onde o Menino-Deus nos conduzirá nesta
terra, isto não sabemos e não deveríamos perguntar
antes do tempo. Só sabemos que para aqueles que
amam o Senhor, todas as coisas servem para o bem. Os
caminhos pelos quais o Senhor nos conduz, levam-nos
para além desta terra.
Ó troca maravilhosa! O criador do gênero humano
encarnando-se, concede-nos a sua divindade. Por
causa desta obra maravilhosa o Redentor veio ao mundo.
Deus se tornou Filho do homem, para que os homens
se tornassem filhos de Deus. Um de nós rompeu
o laço da filiação divina, e um de nós devia reatar o
laço, pagando pelo pecado. Nenhum da antiga e enferma
raça podia fazê-lo. Devia ser um rebento novo, sadio
e nobre. Tornou-se um de nós e, mais do que isto:
unido conosco. O maravilhoso no gênero humano é
que todos somos um. Se fosse diferente, estaríamos
lado a lado, como indivíduos autônomos e separados, e
a queda de um não poderia ter se tornado a queda de
todos. Podia ter sido pago e atribuído a nós o preço da
expiação, mas não teria passado a sua justiça para os
pecadores, e não teria sido possível nenhuma justificação.
Mas Ele veio, para tornar-se conosco um corpo
místico. Ele, nossa cabeça, nós, os seus membros. Po-nhamos nossas mãos nas mãos do Menino-Deus, pronunciando
o nosso “Sim” ao seu “Siga-me”. Então, nos
tornamos Seus, e o caminho está livre, para que a sua
vida divina possa passar para a nossa.
Isto é o começo da vida eterna em nós. Não é
ainda a visão beatífica de Deus na luz da glória, é ainda
escuridão da fé, mas não é mais deste mundo, já é
estar no Reino de Deus. Quando a bem-aventurada
Virgem pronunciou o seu “Fiat”, aí começou o Reino
de Deus na terra e ela se tornou a sua primeira serva.
E todos, que antes e depois do nascimento da criança,
por palavras e obras, se declararam a seu favor: São
José, Santa Isabel com seu filho e todos os que estavam
ao redor do presépio, entraram no Reino de
Deus.
Tornou-se diferente do que se pensou, conforme
os salmos e profetas o reinado do divino rei. Os romanos
continuaram os dominadores da terra, os sumo sacerdotes
e os doutores da lei continuaram a subjugar o
povo pobre.
De forma invisível, cada um, que pertencia ao
Senhor, trazia o Reino de Deus em si. O seu fardo terreno
não lhe foi tirado, e sim outros fardos acrescentados;
mas, o que ele trazia dentro de si, era uma força
animadora, fazendo o fardo suave e a carga leve. Assim
acontece ainda hoje com os filhos de Deus. A vida divina,
acesa em sua alma, é a luz que veio nas trevas, o
milagre da noite santa. Quem traz esta luz dentro de
si, compreende quando se fala dela. Para os outros, porém,
tudo o que se pode dizer a respeito, é um balbuciar
incompreensível. Todo o evangelho de São João é
um canto à luz eterna, que é amor e vida. Deus está
em nós e nós nele, esta é a nossa parte no reino de
Deus, para a qual a Encarnação colocou o alicerce.


3.2 - SER UM EM DEUS
Ser um com Deus: este é o primeiro passo. Mas,
o segundo é a conseqüência do primeiro. Cristo sendo
a cabeça e nós membros do corpo místico, estamos
unidos elo a elo, todos somos um em Deus, uma única
vida divina. Se Deus é Amor e está em nós, então não
pode ser diferente o nosso amor para com os irmãos.
Por isto o amor humano é a medida do nosso amor a
Deus. Mas, é algo mais do que o simples amor humano.
O amor natural se dirige a um outro, ligado pelos
laços do sangue ou por afinidades de caráter ou por interesses
comuns. Os outros são “estranhos”, que “não
nos importam”, talvez até por seu jeito antipático, de
forma que mantemos a devida distância. Para o cristão
não existe “gente estranha”. Próximo é aquele que encontramos
em nosso caminho e que mais necessita de
nós; indiferentemente, se é parente ou não, se a gente
gosta dele ou não, se ele é “moralmente digno” da
nossa ajuda ou não. O amor de Cristo não tem limites,
ele nunca termina, ele não recua diante da feiura ou
sujeira. Ele veio por causa dos pecadores e não por
causa dos justos. E se o amor de Cristo mora em nós,
então, façamos como Ele, indo ao encontro das ovelhas
perdidas.
O amor natural visa a ter a pessoa amada para
si, possuindo-a de forma mais exclusiva. Cristo
veio, para devolver ao Pai a humanidade perdida;
e quem ama com seu amor, este quer os homens
para Deus e não para si. Este é, ao mesmo
tempo, o caminho mais seguro para possuí-las
para sempre; pois, se amamos uma pessoa em
Deus, então somos com ela um em Deus, enquanto que o vício da conquista muitas vezes -
mais cedo ou mais tarde - sempre resulta em
perda.
Há um princípio válido para todas as almas e
para os bens exteriores: quem, ambiciosamente,
se ocupa em ganhar e apropriar, perde; porém,
aquele que tudo oferece a Deus, ganha para
sempre.

 Fonte: Santa Edith Stein, O Místério do Natal, Editora da Universidade doSagrado Coração 

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