Mostrando postagens com marcador Castidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Castidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Servo de Deus José Frassinetti - Carta sobre o Celibato

Resultado de imagem para Giuseppe Frassinetti


Carta sobre
O CELIBATO
escrita por
José Frassinetti
1804 - 1868

Prior de Santa Sabina em Gênova

Irmão e Colaborador de Santa Paula Frassinetti
na fundação do Instituto de Santa Dorotéia

Sacerdote, segundo breve
de Pio IX de 1863,
"Spectatae Doctrinae et Virtutis"


PRÓLOGO

A experiência nos mostra que, geralmente falando, somente prestam à Igreja grande bem aqueles que professam a perfeita castidade: os sacerdotes e as religiosas, as jovens que ingressam nas Sagradas Congregações, os santos leigos que se põem ao trabalho da promoção das boas obras.

De maneira que farão bem os confessores que são imbuídos pelo zelo da religião em usar de sua diligência para ensinar aos jovens de ambos os sexos que cultivam a piedade e levam com docilidade uma vida fiel aos mandamentos divinos quão grande bem é a perfeita castidade. Exortem-nos à observância da castidade perfeita, se a tanto os virem inclinados, pois alcançarão mais facilmente a perfeição cristã e servirão com maior fruto ao bem da religião.

Isto porém os confessores não conseguirão realizar a não ser que, depostos por completo todos os preconceitos que o vulgo tem contra esta virtude, contemplarem o zelo que os Santos Padres da Igreja usaram para promoverem a perfeita castidade, a tal ponto que praticamente todos escreveram livros a este respeito; e, ademais, a não ser que também estes mesmos confessores busquem eles próprios esta virtude com grande amor, e se esforcem por levar uma vida inteiramente angélica.

A carne gera a carne; o espírito, espírito; os anjos não se procriam senão a partir dos anjos.

Ora, por ser isto coisa de imensa importância para a glória de Deus e para a santificação das almas; e porque também por parte de alguns confessores existem preconceitos danosíssimos nesta matéria, quero reproduzir aqui uma carta que publiquei em outra ocasião sobre o celibato. 


CARTA SOBRE O CELIBATO


Meu prezado amigo,admiro-me ter ouvido de tua própria pessoa que te consideras apóstolo da mais bela, da mais esplêndida entre as virtudes cristãs, que é a santa virgindade, e, em geral, a perfeita castidade, embora dizes também ter boas razões para dizer que talvez seria melhor deixar que cada um a abrace ou não, como mais lhe agradar, especialmente nos tempos de hoje pouco propícios, ou melhor, inimigos de tudo quanto é bom e de todo objetivo sagrado.

Quero confessar-te a verdade, e dizer-te que estou bastante surpreso, porque esta tua duplicidade, e ainda mais, toda a argumentação que usas para justificá-la mais parecem em dissonância com o teu costumeiro bom senso.


Mas é, por outro lado, este bom senso que me dá a esperança de, com apenas esta pequena carta, poder endireitar certas idéias que, perdoa-me, estão um tanto quanto tortas.

Que a virgindade e o celibato são virtudes muito louváveis e que devem ser preferidas ao matrimônio, tu o sabes, é uma verdade da qual nenhum católico pode duvidar, tendo definido o Concílio de Trento:
"Se alguém disser que o estado conjugal
deve antepor-se ao estado de virgindade
ou de celibato,
ou não ser coisa melhor e mais feliz 
permanecer na virgindade ou no celibato
que unir-se em matrimônio, 
seja excomungado".


Devemos, portanto, como católicos, concordar todos em reconhecer este dogma de fé, e crer nele como em todos os outros que nos ensina a Igreja.

Semelhantemente, não há dúvidas quanto ao fato de que a perfeita castidade é um conselho evangélico colocado em prática por uma infinidade de santos que pelas suas virtudes heróicas mereceram as honras dos altares;enquanto que não saberíamos dizer, tirando o caso dos mártires, quais fossem os santos canonizados que não cultivaram esta virtude no estado virginal ou de viúvos.

A este respeito e a respeito de todas as outras coisas que poderiam ser ditas em louvor da perfeita castidade não é necessário que nos detenhamos, pois nisto estamos em perfeito acordo. A questão está em ver se é oportuno aconselhar aos outros, especialmente à juventude, o estado de continência. Tu achas que é melhor deixar que cada um siga a própria inclinação, e isto por diversas razões que julgas boas. Ora, haverei de comentar estas razões mais tarde; vejas agora se eu sei provar- te, como se diria, a priori, que te colocas mal.

Se este conselho não deve ser dado, por que é dado pelo Santo Evangelho? E por que São Paulo o dava assim tão geralmente que, se a coisa fosse possível, teria desejado que este conselho fosse aceito por todos os cristãos:
"Quero, de fato",


diz São Paulo,
"que todos vós sejais como eu" ?

I Cor. 7, 7


"Todos vós", "todos vós", gostaria que fôsseis continentes, como eu o sou, "todos vós", cristãos de Corinto: e estes, ademais, não se diferenciavam dos cristãos de todo o mundo.

E por que promovia a prática da perfeita castidade com tanto ardor a ponto de ser esta, senão a causa, pelo menos a concausa de seu martírio, como se lê na história da Igreja?

E por que os sucessores imediatos dos Santos Apóstolos, e depois, todos os Padres e Doutores da Igreja foram tão fervorosos pregadores deste assunto e todos os principais dentre eles escreveram livros inteiros para exortar os fiéis a abraçarem tão exímia virtude? Vejas São Cipriano, São Gregório Nazianzeno, Santo Atanásio, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho; poderias desejar mais ardentes e mais valorosos exortadores para inflamar o povo cristão ao amor desta virtude? E no entanto viviam em tempos em que se poderiam ser ditas supérfluas tais exortações porque, como podes ver na história, esta virtude era para os fiéis um verdadeiro entusiasmo. De fato, quando lês que apenas na Oxorinca, cidade não das maiores do Egito, havia vinte mil virgens e dez mil monges, pode-se conjecturar que número haveria em todo o mundo cristão de cultores da vida casta. Não obstante isso os Santos Padres não julgavam coisa inoportuna que com as suas pregações e com os seus livros aumentassem mais ainda aquele ardor sagrado que hoje em dia nos parece já excessivo por si mesmo.

Ora, portanto, acreditava o divino autor do Envangelho, acreditava São Paulo, os homens apostólicos acreditavam, os padres e os doutores da Igreja acreditavam que a perfeita castidade fosse algo para ser aconselhado assim calorosamente; e tu, entretanto, meu prezado amigo, julgas em tua perícia que mais se deve crer que a melhor coisa é não dar palavra a respeito, nem dar este santo conselho a ninguém?

Paraste para refletir sobre a guerra que a esta virtude fazem as pessoas do mundo? Não há mal que dela não digam, e que, além disso, publiquem por escrito. E poderá ser jamais um bem que, enquanto a virtude mais bela e mais esplêndida é assim tão geralmente e impunemente caluniada, e enquanto se fomenta contra a mesma a aversão e o desprezo, aqueles que a conhecem e lhe conhecem os seus predicados divinos e a injustiça das imputações que lhe são feitas fiquem em silêncio, nem sequer uma voz se levante em sua defesa e cada um se guarda de comentar-lhe o esplendor e o mérito e de aconselhar a sua prática à juventude? Parece-te isto uma boa prudência? Ou podes ainda duvidar do teu engano?

Vamos agora comentar as razões que consideras boas, as quais, entretanto, por estarem em oposição a uma verdade manifesta, não podem ser elas mesmas senão más, isto é, sofísticas e falsas.

Tu sublinhas com muita ênfase a dificuldade de conservar perseverantemente esta virtude. Parece que se deveria dizer que és do número daqueles que julgam a continência uma virtude reservada a poucas almas privilegiadas, fora das quais nenhuma pessoa pode aspirar a ela sem culpa de presunção, e sem manifesto perigo de ruína.

Mas eu devo observar ser isto uma fina arte do demônio, da qual, cada vez que lhe convém, o mundo se serve. Não sabendo nem sequer o demônio como esconder os predicados sobrehumanos da santa castidade, faz parecê-la aos homens uma virtude tão alta e que tanto excede as forças da fraqueza humana que a ela não podem aspirar senão os incautos e os presunçosos; e também o mundo, seu inimigo jurado, com a mesma boa fé do demônio, à sua semelhança, se mostra às vezes admirado com a sublimidade desta virtude, desde que, todavia, fiquem os homens dissuadidos de abraçá-la. Nada importa ao demônio e nada importa ao mundo que os cristãos tenham em abstrato grande estima da continência, como o tinham os gentios que diziam maravilhas das Vestais, assim como dos cristãos, desde que esta virtude fosse proibida na prática, como de fato era proibida por lei no mundo antigo.

E é verdadeiramente uma surpresa ver homens inteligentes, como tu também és, com a alma tão presa a este preconceito como a uma dificuldade quase insuperável, que falam da vida cristã como de um dom de Deus que devesse ser comparado em pé de igualdade, ou pouco menos, com o dom de falar em línguas desconhecidas e de dar vista aos cegos de nascença.

Vejamos se nos entendemos, meu prezado amigo: se a ti parece dificílima a prática da castidade perfeita para a fraqueza humana abandonada a si mesma, estamos de perfeito acordo, e se tu dizes ser dificílima, eu acrescento que é impossível. Mas aqui não estamos falando do poder que tenha a fraqueza humana deixada a si própria; estamos falando do poder que tem sobre ela a graça onipotente de Deus. Ora, vejas que coisa totalmente diferente: tu aceitarias se eu te dissesse que a graça onipotente de Deus torna fácil à fraqueza humana aquilo que sem ela seria dificílimo e impossível? Pois bem, não apenas eu, mas tu também comigo, junto com todos os demais católicos, dizemos que uma vida perfeitamente casta não pode senão ruir sem a ajuda daquela graça, que Deus dá abundantemente a quem a pede, e vive com as cautelas necessárias para conservá-la.

Superada a dificuldade da fraqueza humana, eu te rogo que observes se são poucos e raros no mundo aqueles que de fato são obrigados a viver em perfeita continência. Tu talvez dirás que esta é uma virtude livre, que ninguém é obrigado a praticá- la, exceto aqueles que, por terem feito um voto especial de castidade, ou por uma lei eclesiástica, à qual se submeteram voluntariamente, tenham renunciado ao estado de matrimônio; e, enquanto permaneceres no domínio do abstrato, dizes otimamente. Mas se desces ao terreno da realidade dizes muito mal. Duvidas? Então, anuncia a todos os jovens que completarem seus quatorze anos, e a todas as jovens que completarem os doze, que todos eles estão livres para se casarem. Não os farias rir? Os jovens deverão esperar, geralmente falando, os vinte e cinco anos, muitos os trinta e mesmo mais; as jovens os dezoito, os vinte, etc.. E anuncia também que estão livres para se casarem todas as centenas de milhares que estão no serviço militar, todos os deformes e enfermos, todos os desempregados incapazes de ganhar um pedaço de pão para matarem a fome, todas as moças deformadas, doentes, sem nenhuma habilidade útil, sem um tostão de dote. Diga a todos estes que estão livres para se casarem. Muitos irão rir como os jovens, e não poucos se mostrarão como que ofendidos por um insulto ou desprezo. No campo da abstração são todas pessoas que podem se casar; mas no terreno da realidade são todas pessoas que devem observar continência perfeita, e nada menos que sob pena de pecado mortal; porque não tendo eles possibilidade ou ocasião de matrimônio, devem permanecer no estado de celibato e violando a castidade mesmo que apenas com o pensamento cometeriam uma culpa grave, como nos ensina a moral cristã mais elementar.

Terias curiosidade de saber quantas sejam na Província de Gênova aqueles que em abstrato podem se casar, mas que na realidade devem permanecer no celibato? Eis a estatística de 31 de dezembro de 1857. A população total é de 313.402 indivíduos. Entre estes os cônjuges são 103.962; os solteiros e as viúvas 210.610, isto é, mais de dois terços. É verdade que destes devem ser descontados aqueles que estão abaixo da idade da puberdade; mas entende-se que o número das crianças abaixo da puberdade não chega a um terço da população total. E mesmo que chegasse, mais da metade dos habilitados ao matrimônio ficariam de fato obrigados à continência. E é notável também que muitos dos casados se somem a este número, isto é, todos aqueles que por necessidade de família, por enfermidade, por maus tratos ou desordens do outro cônjuge, vivem separados, e destes não tenho medo de errar se afirmo que hoje em dia são muitos. Depois, não é de se supor que as estatísticas das outras províncias, reinos ou impérios difiram sensivelmente da estatística da Província de Gênova.

Ora, bem, uma virtude para a qual na realidade está obrigada uma tão grande parte da população, poderá ser dita virtude tão difícil e quase impossível de se guardar senão por poucos privilegiados que tenham obtido de Deus algum dom extraordinário? Como teria então Deus provido a todos os outros pobrezinhos que de fato devem também viver em continência e sob pena de uma pequena bagatela que é um pecado mortal, a qual merece por justiça nada menos do que um inferno eterno?

A suposição de que a castidade perfeita seja assim tão difícil de se guardar, e que seja um dom extraordinário de Deus, não te parece um gravíssimo preconceito, sumamente injurioso à providência divina?

Ora, não duvido que o teu bom senso começará agora aos poucos a perceber que a castidade perfeita é virtude que se possa abraçar por quem quer que o queira, suposta a graça divina, a qual por sua vez pode ser obtida por quem quer que a peça, e suposta a prática dos meios necessários para tanto, como é a custódia dos sentimentos, a fuga das diversões perigosas, do ócio, etc., e que por isso mesmo trata-se de uma virtude que pode ser aconselhada a quem quer que seja capaz de ter a boa vontade para tanto, assim como, desde que alguém possa retribuir com benefícios os males recebidos, a qualquer pessoa pode-se aconselhar que faça esta retribuição.

Mas tu me dirás ainda que talvez eu não poderei bem aquelas palavras do Evangelho:
"Não todos entendem esta palavra".


Se tu duvidasses ainda que eu não as tivesse ponderado bem, eu te devolveria a acusação tirando-lhe, porém, o talvez. Certamente é verdade que "nem todos entendem esta palavra", isto é, que não são todos que abraçam a vida casta. E isto é verdade não só porque o disse Cristo, mas porque é um fato que nos é ensinado pela contínua experiência. Resta porém que se veja se "nem todos entendem" porque "não o podem entender", o que é o mesmo que perguntar se todos não abraçam a vida casta porque "não podem" ou porque "não querem". Tu, arbitrariamente, quiseste subentender o "não podem", e é por isso que aquele texto do Evangelho te pareceu um gravíssimo argumento; eu, porém, subentendo o "não querem", juntamente com Cornelio a Lapide, o qual traz uma fila de referências tiradas dos Santos Padres para mostrar que todos assim o subentenderam. E, entendido o texto evangélico neste sentido, o teu argumento não vale mais nada. Voltando à comparação acima citada, nem todos retribuem com benefícios os males recebidos. Mas por que? Talvez porque não poderiam? Não, certamente, mas sim porque não o querem.

A ti porém parece uma imprudência aconselhar a todos a castidade perfeita, e o pareceria também a mim se se tratasse de aconselhá-la a todos em particular, isto é, a cada indivíduo de um ou de outro sexo indistintamente, como me parece uma imprudência aconselhar a qualquer um a quem se fizesse uma maldade que imediatamente devolvesse o mal recebido com um benefício. Este conselho eu o daria apenas a quem visse bem animado por sentimentos de uma viva caridade; e exortaria a todos os outros a afastarem-se do ódio, e a benfazer ao inimigo desde que ele se encontrasse num estado de verdadeira necessidade de benefício e em uma situação tal em que fazê-lo se tivesse tornado uma exigência estrita da caridade. Da mesma maneira, eu aconselharia a castidade perfeita apenas a aqueles que soubesse possuírem boas disposições; e a todos os outros diria simplesmente que se abstivessem do pecado, nem oporia uma palavra contra se visse que quisessem tomar o estado de matrimônio. Eis, portanto, a quem gostaria de aconselhá-lo, a todos aqueles jovens de um ou de outro sexo que demonstrassem uma índole santa, regrada, que dessem boas esperanças de conseguir conservá-la. Além do mais, aconselhando-a, gostaria que se fizessem para tanto orações particulares para obter a luz de Deus sobre o que seria melhor para eles, e não gostaria nunca que fizessem voto, sequer temporário, sem a aprovação de seus diretores espirituais. Parece-te que assim fazendo eu pecaria por imprudência?

Mas os tempos, tu dizes, os tempos são adversos. Não vês, dizes, coisa que nunca se viu em todos os séculos, que em diversos lugares a lei está abolindo a profissão religiosa?

Lembra-te, porém, dos primeiros séculos da Igreja. Estavam então em vigor leis que condenavam o celibato diretamente em si mesmo, e os costumes dos gentios não podiam ser melhores do que aqueles dos nossos cristão degenerados. Pelo que é claro que naquela época estava-se pior, e que os tempos deviam ser adversos ainda mais do que hoje o são. Isto não obstante, como foi observado, primeiro os Apóstolos, depois os seus discípulos, e finalmente os primeiros Padres promoviam com imenso zelo a perfeita continência. Isto quer dizer, portanto, que aqueles santos homens não ficavam com medo dos tempos adversos.

Mas esta observação aos tempos que fizeste de passagem é justamente a oportunidade que eu esperava para poder terminar de te deixar persuadido que também tu tens que tomar ao peito os interesses da mais bela entre as virtudes, de te tornares um ardoroso promotor da mesma, quase um apóstolo. Aos tempos, aos tempos, tu me dizes. Vamos dar ainda uma olhada nos tempos.

Os tempos precisam que se ordene um maior número de sacerdotes, dos quais em todo lugar se percebe a deficiência, já que por culpa dos tempos é muito maior o número daqueles que anualmente morrem do que o número dos que anualmente são ordenados. E os tempos precisam de um número maior de sacerdotes, para que os povos sejam melhor cultivados com a pregação e com a administração dos Sacramentos; e têm também uma particular necessidade de que se multipliquem os missionários apostólicos nos países infiéis, onde pelas comunicações tão facilitadas seria agora tão mais fácil do que antes estender a luz do Santo Evangelho.

Os tempos têm necessidade de um grande número de irmãs de caridade, do Sagrado Coração, de São José, etc., etc., as quais hão de cultivar inumeráveis escolas, educandários, hospitais, e também prisões e patíbulos; e que, além do mais, devem prestar ajuda aos missionários que se afadigam na conversão dos gentios em todas as partes do mundo.

Os tempos necessitam de cristãos e cristãs fervorosos, que formem e mantenham em todo lugar boas associações, as quais se possam opor às más que em todo o lugar se estabeleceram e mais do que nunca prosperarem; que promovam em todo lugar as obras de religião, de caridade, onde quer que hostilizadas pelo espírito incrédulo e subversivo do século.

Colocarias em dúvida que os tempos tenham todas estas necessidades? Mostrarias que não conheces em nada os tempos, merecerias de ser chamado de homem de séculos passados, e contado entre os mortos. Ora, bem, para todas estas necessidades não se requerem homens e mulheres todos prontos e dispostos a viverem em celibato?

Para os sacerdotes seculares e regulares, para as freiras dos múltiplos institutos religiosos tu não terás dificuldades; mas talvez tu as tenhas para os seculares, parecendo-te que também os casados possam fazer todo o bem que é feito pelos que vivem no celibato. Entretanto, se tu o perguntasses a São Paulo, ele te responderia que não; porque os casados
"têm o coração dividido"


entre o espírito e a carne. Ademais, mesmo deixando de parte no momento a sua autoridade, observa que coisa nos ensina a grande mestra que é a experiência. Os jovens casados, falo em geral, não me referindo às raras exceções, procuram colher o quanto podem as flores da idade; os casados maduros, consolidar os interesses materiais da família; os velhos não querem depor este hábito, e depois de terem gasto a vida a serviço das paixões e do mundo, têm agora pouca inclinação e vigor para zelar com muita eficácia pelos interesses da religião e da verdadeira caridade cristã. Repito que não tenho a intenção de não citar, nem portanto de não reconhecer, as raras exceções. Tal é o que nos ensina uma experiência diária, invariável.

Se tu, portanto, não fechas os olhos para não ver quanto nos continua ensinando esta mestra, deves reconhecer que, geralmente falando, são os celibatários que levam uma vida santa aqueles que se preocupam em formar e manter aqui e ali as boas associações, e em promover as boas obras, gastando nelas os seus estudos, tempo e dinheiro.

Isto é também um fato. E se quiseres fazer um pouco de filosofia sobre o "coração dividido" de que fala São Paulo, entenderás que a coisa não poderia ser diferente.

E agora não te parece que andarias verdadeiramente errado se quisesses permanecer nas tuas dúvidas? Mas, e a perseguição que moveria o mundo aos promotores da continência, não deve também ser computada no cálculo? Eu imaginaria que estas palavras te teriam saído da pena para o papel em um momento de distração. O que terias tu a temer do mundo? Alguns risos, censuras, desaprovações, piadas e nada mais. Ou ficarias com medo? Julgar-te-ia mal quem te supusesse dotado de uma alma tão pequena. E ademais, se não quiseres ter nenhuma contradição, ou perseguição, como quiseres chamá-la, cuida-te de não realizar jamais sequer uma sombra de bem, porque de outra forma, mesmo evitando todos os demais bens, não evitarias aquela perseguição, porque a quem quer que faça o bem o demônio procura.

Vamos portanto colocar um fim às dúvidas e às objeções. Ouve, em vez disso, como eu suponho que deva ser promovida a bela virtude nos nossos dias.

Em primeiro lugar os pregadores devem mostrá-la ao povo em seu valor e seu mérito, para que não permaneça virtude quase inculta e ignorada pela pia juventude de ambos os sexos. Diria-se que certos pregadores trocam a virtude pelo vício, observando para ela as palavras de São Paulo de que "nem se nomeie entre vós", que o Apóstolo havia, no entanto, reservado para o outro. Nunca, de fato, nunca uma palavra sobre a virgindade, sobre o celibato. Assim não costumavam fazer os primeiros pregadores da Igreja, e Santo Afonso de Ligório queria que cada missão se concluísse com um discurso às jovens sobre a virgindade. Examina, a este respeito, a "Selva de Matérias para Pregação".

Em segundo lugar deveria-se promover a comunhão freqüente, ou melhor, a diária. Porque, além de se saber pela fé que ela é o
"trigo dos eleitos, 
e o vinho do qual
germinam as virgens",


é demonstrado por uma constante experiência que os jovens de um e de outro sexo, quando se dão a freqüentar muito a Santa Comunhão, encontram,-se, sem saber eles o porquê, alheios a toda a intenção de matrimônio. O meio mais eficaz para buscar na Santa Igreja virgens em grande número seria certamente promover na juventude a freqüência à mesa eucarística.

A esta freqüência vai infalivelmente unida uma marcada devoção a Maria Santíssima, que como rainha das virgens quer ordinariamente tais os melhores de seus devotos.

Em terceiro lugar deveria-se difundir aquelas obras que dão uma justa idéia da bela virtude, encorajam a praticá-la, e ensinam o modo de custodiá-la com cautela. Entre estas obras deveria ter lugar o discurso que Santo Afonso de Ligório coloca como exemplo no livro acima citado. Talvez ele parecerá um pouco rígido a alguns delicados, mas fará um melhor efeito. Nas obras de Santo Afonso não há nada que seja "digno de censura", conforme declaração oficial da Igreja. Não censuremos, pois, nem sequer esta. Obras deste teor deveriam ser impressas em edições bem econômicas que pudessem com facilidade ser dadas de presente.

Em quarto lugar deveriam ser promovidas as pias uniões dos filhos e filhas de S. Maria Imaculada já instituídas em vários lugares, nas quais não se inscrevem senão os jovens e as jovens que se propõem viver em virgindade, e têm uma regra muito apropriada para conseguir no século a perfeição cristã, e para ajudar no bem e na santificação do próximo.

Em quinto lugar seria coisa muito útil juntar três ou quatro pessoas de um e de outro sexo, separadamente, os quais se empenhassem em erigir estas pias uniões onde não existissem, de conservá-las onde existem, e de estendê-las a outros lugares, e, além disto, conseguir algum subsídio para a impressão e difusão das obras acima indicadas.

Finalmente, porque todo bem há de ser esperado de Deus, deveria animar-se as almas santas para que fizessem para este fim orações particulares, e pedissem particularmente à Santíssima Virgem que olhe benignamente e abençoe todas as tentativas que se fizerem para por em maior honra, e fazer que venha abraçada e conservada por parte de muitas almas a mais bela das virtudes, que uma santa chamou em êxtase de o Paraíso na Terra.

Confio que, dissipadas aquelas sombras de dificuldades que havia em tua mente, queiras fazer-te tu também promotor e como que apóstolo desta virtude. 


José Frassinetti

Créditos: Cristianismo.org.br

quinta-feira, 14 de julho de 2016

É preciso esperar ir para o Céu - Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

        
         Se estes bens são verdadeiros, notai se não valem um milhão de vezes mais, tanto para o corpo como para a alma, e então com que fim, vós ó mundanos, vos afastais da celeste habitação? Porque vós não aproximais desta soberana felicidade? Ah! não valeria mais aspirar a este dia delicioso, dirigir os vossos passos para o caminho da virtude, ir para o descanso o infinito, caminhar para esta abençoada terra que vos esta prometida, do que jazer na imundice dos pecados e viver nas trevas obscuras da sociedade dos maus!
           Todos vos convidam para o paraíso; o vosso anjo impele-vos com todo o seu poder, oferecendo-vos da parte de Deus mil graças e auxílios; Jesus Cristo, do alto do céu, contempla-vos amorosamente, e convidá-vos com doçura para o trono da glória que vos prepara na abundância de sua bondade; a Santíssima Virgem chama-vos aí maternalmente; os santos, com um milhão de almas santas, exortam-vos a isso afetuosamente e certificam-vos que o caminho da virtude não é tão penoso como o mundo pinta. Não aceitareis os favores que vos oferece o céu? Não auxiliareis vós esses atrativos e inspirações que sentis?
           
          Oh! como deveríamos muitas vezes, pelo menos nas festas, dirigir o nosso espírito para a Jerusalém celeste, essa gloriosa cidade de Deus, onde ouviríamos retinir de toda a parte os louvores pelas vozes duma variedade infinita de santos; e perguntando-lhes como aí chegaram, saberíamos que os Apóstolos chegaram lá, principalmente pelo amor, e os mártires pela constância, e os doutores pela meditação, os confessores pela mortificação, as virgens pela pureza do corpo e coração, e todos geralmente pela humildade.
           
          Deus não nos teria dado uma alma capaz de pensar e desejar esta santa eternidade se não quisera dar-lhe os meios de poder alcançar. Assim pois, enchamos o nosso coração duma doce confiança e depois digamos: nós faremos bastante, não nós, mas a graça de Deus conosco. Quanto maior e mais forte em nós o desejo, tanto mais prazer e contentamento nos trará a sua posse e gozo.
          
         Viva Deus! tenho firme confiança no íntimo do coração, que viveremos eternamente com Deus e nos reuniremos um dia no céu: é preciso coragem; iremos bem depressa para lá. E que faria Nosso Senhor da sua vida eterna se a não concedesse às pobres e mesquinhas criaturas, como nós, que não queremos esperar senão na sua soberana bondade? Oh! Meu Deus! quanta consolação eu sinto na certeza de que o meu coração há de abismar-se eternamente no amor do coração de Jesus! Leve-nos a Providência para onde lhe aprouver; pouco importa. Havemos de chegar a esse porto.

Fonte: http://www.saopiov.org/2014/09/pensamentos-consoladores-de-sao.html

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Coração de Jesus, Amigo das almas castas - Por Santo Afonso Maria de Ligório

Por Santo Afonso Maria de Ligório

Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt — «Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus» (Mt 5, 8)



Sumário. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e às almas puras: elas lhe são tão caras como os anjos. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Esta virtude é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens, que mereceu a São José a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus. Se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus, e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade.

I. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e almas puras; elas lhe são tão caras como os anjos. Tais são os atrativos da virtude da castidade; também, diz Santo Ambrósio, aquele que a guarda, é um anjo, aquele que a perde, é um demônio. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Eu prometi a Jesus Cristo, diz São Paulo, apresentar-lhe as vossas almas como esposas castas (2 Cor 11, 2). Escrito está que o Esposo divino se nutre entre os lírios — Qui pascitur inter lilia (Cant 2, 16). Estes lírios são as almas que se conservam puras para agradar a Deus. Um intérprete nota sobre esta passagem, que, como o demônio se sustenta das manchas da impudicícia, assim o Coração de Jesus se nutre dos lírios da castidade.

Esta virtude, alcançada em grau supremo, é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens. Esta união de amor foi tal, que seu coração não formava senão um com o coração de Jesus. Esta Virgem incomparável pareceu tão bela aos olhos do Senhor, que ele ficou arrebatado pela sua beleza, e por isso lhe chama a sua única pomba, a sua única perfeita (Cant 6, 8). Quanto mais um coração é puro, diz Alberto Magno, tanto mais se enche de amor divino. Daí vem que o amor sagrado feriu e transpassou de tal modo o coração de Maria, que não ficou parte alguma dele que não fosse abrasada.

A grande pureza de São José é que lhe mereceu a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus; sua pureza mereceu-lhe a felicidade de viver na intimidade do Filho de Deus. Ah! que afetos deviam penetrar o coração de José, quando levava nos seus braços este amável Menino e lhe fazia ou recebia ternas carícias, e ouvia sair da sua boca as palavras de vida eterna, que, como outros tantos dardos inflamados, abrasavam a sua bela alma! É assim que Deus recompensou a virtude da castidade.

II. Meu irmão, se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade, sabendo que todas as riquezas da terra não são nada em comparação de uma alma casta (Eclo 26, 20). Por ser maior o valor desta virtude, mais terrível é a guerra que a carne faz ao homem para lhe arrebatar este tesouro. Para conservá-la, pois, é necessário empregar toda vigilância possível.

É necessário fugir das ocasiões. Quasi a facie colubri, fuge peccata (Eclo 21, 2) — «Foge do pecado», diz o Espírito Santo «como se foge de uma serpente». Importa ainda, se queres ser casto, fugir da ociosidade. «O trabalho», diz Santo Isidoro, «amortece o fogo da concupiscência». Pratica também a humildade e mortificação. A castidade conserva-se no meio das mortificações, mas, como diz São Bernardo, pela humildade é que se obtém. O mais necessário, porém, é a oração. É pela oração que os santos venceram todas as tentações de que foram acometidos.

Terno Redentor meu, eu Vos agradeço me terdes dado tantos meios para vencer as tentações que me assaltam cada dia. Vejo que quereis a minha felicidade eterna: eu também a quero, principalmente para agradar ao vosso Coração que deseja tanto a minha salvação. Meu Deus, não quero mais resistir ao amor que me tendes. Eu Vos amo, ó bondade suprema, eu Vos amo, Bem infinito: pelos merecimentos do vosso Coração não permitais que eu seja ingrato aos vossos benefícios. Esclarecei-me, fortificai-me, abrasai-me no vosso amor. — Ó Maria, tesoureira do Coração de Jesus, proclamai-me vosso servo; é o título que ambiciono, e rogai a Jesus por mim. Depois dos seus merecimentos, são as vossas orações que devem me salvar.

—————
LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.400-403.

Fonte: Blog Mulher Católica

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A conversão de São Bernardo







Para fugir do pecado da impureza, São Bernardo de Claraval se lançou sem hesitar em um lago gelado. A atitude do santo deixa evidente a natureza da batalha que trava todo aquele que se faz eunuco “por causa do Reino dos céus”.

Tendo recebido desde cedo uma sólida formação religiosa, Bernardo foi aluno notável em sua mocidade. Quando recebia alguma lição que contrariasse os mistérios da fé e a doutrina cristã, "recorria à oração e à meditação das Sagradas Escrituras para neutralizar o veneno inalado nas aulas" [1]. (Nenhum conselho pode ser tão útil para os nossos dias.) Mais tarde, o mesmo Bernardo será visto debatendo e debelando os erros dos professores de sua antiga escola.

Depois da morte de sua piedosa mãe, no entanto, o jovem rapaz foi atingido por uma tristeza acabrunhante. O luto se tinha apoderado totalmente de sua alma e ele não achava consolação em nada do que fazia, nem mesmo na oração, à qual já estava tão habituado, apesar da breve idade. Era final de agosto de 1110 e Bernardo contava cerca de 20 anos.

Instado por sua irmã Umbelina a distrair-se e passar tempo com os jovens que frequentavam o castelo, Bernardo começou a acercar-se de más companhias e brincar à beira do precipício dos maus costumes (cf. 1 Cor 15, 33). Como mais tarde escreveu ele ao Papa Eugênio III:
"No princípio, algumas coisas podem parecer insuportáveis, mas com o passar do tempo, se te acostumas a elas, não as julgarás tão pesadas; pouco depois, já te serão suportáveis; em seguida, não as notarás e, no fim, terminarão deleitáveis.Assim, paulatinamente, se chega à dureza do coração e, dela, à aversão." [2]

Para acordar Bernardo e impedir que a sua alma se perdesse, Deus permitiu que lhe sobreviessem fortes tentações, das quais a última, relativa ao pecado da impureza, fê-lo mudar totalmente de vida:
"Esquecido de sua vigilância habitual, permitiu que os seus olhos pousassem por um momento em um objetivo perigoso. Pela primeira vez, experimentou a rebelião da carne. Alarmado, então, perante o espectro do mal e pleno de remorsos pela sua falta, implorou imediatamente o auxílio do céu e, afastando-se do local, foi mergulhar em um pequeno lago e ali se manteve, meio morto de frio, até que a perturbação interna desapareceu totalmente. Das palavras de seus primeiros biógrafos conclui-se que decidiu naquele momento permanecer perpetuamente casto." [3]

Esse episódio da vida de São Bernardo deve servir de inspiração a todos os cristãos na luta pela castidade, principalmente no mundo de hoje, tão avesso a essa virtude.

O fato de que o santo se tenha lançado em um lago gelado para não pecar contra a castidade mostra a natureza da batalha que aqui se trava. Como diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 19, 12), "existem eunucos que nasceram assim do ventre materno" e "outros foram feitos eunucos por mão humana", isto é, alguns foram privados do sexo por natureza e outros por necessidade. Há, porém – e só assim se pode falar propriamente de "virtude" –, aqueles que se tornaram "eunucos por causa do Reino dos céus". Embora aqui Cristo esteja se referindo especificamente ao celibato, a sua consideração é válida para todos os cristãos, chamados que são a viver a santa pureza: porque o "ser eunuco" só é louvável e recompensado por Deus na medida em que é escolhido livremente pelo homem [4].

Os santos não eram "eunucos físicos", sem sensibilidade e sem paixões humanas, mas "homens de carne e osso", como quaisquer outros. A sua diferença é que, auxiliados pela graça divina, eles se fizeram "eunucos espirituais". Mas, isso (atenção!) por causa do Reino dos céus – e só por causa desse Reino (presente em suas almas pela graça santificante), eles estavam dispostos a tudo: a revolver-se na neve, como fez São Francisco de Assis; a jogar-se em um arbusto de espinhos, como fez São Bento; a mergulhar em um lago gelado, como São Bernardo [5]; ou mesmo a morrer, como fizeram tantos mártires ao longo da história da Igreja.

Pela vida dos santos, é possível concluir que a castidade não é um mero jogo de cálculos humanos: fosse assim, todas essas mortificações – recomendadas pelo próprio Evangelho (cf. Mt 5, 29-30) – não teriam sentido algum. Por que privar-se de algo prazeroso e, ao mesmo tempo, fazer arder o corpo no frio ou mesmo perder a própria vida? Por que tanto "radicalismo" com essa história de "castidade"? Porque, ontem, assim como hoje, os seguidores de Cristo não se fizeram eunucos "por mãos humanas": eles viveram (e vivem) a pureza por causa do Céu – e só a vida eterna pode explicar a sua abnegação e os seus sacrifícios, em que pese todo o desprezo do mundo.

Depois do episódio acima referido, como se sabe, Bernardo consagrou-se por inteiro a Deus e entrou na vida religiosa como monge cisterciense. Em 20 de agosto de 1153, partiu deste mundo, deixando na terra a sua notável fama de santidade, além de obras de incalculável valor espiritual.

No dia em que a Igreja celebra a memória deste grande doutor da Igreja, peçamos a sua intercessão. Que ele nos ajude a viver inteiramente para Deus, independentemente do estado de vida em que o Senhor nos colocou: na vida leiga ou consagrada, na vida sacerdotal ou matrimonial, todos são convocados à castidade, à entrega total do próprio ser e à santidade – porque, afinal, todos são chamados para amar.

São Bernardo de Claraval,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

A conversão de São Bernardo, II, 9.
Da Consideração (trad. Ricardo da Costa), I, 2 (PL 182, 730).
A conversão de São Bernardo, III, 6.
Cf. Santo Hilário apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Matthaeum, XIX, 3.
Cf. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 143.

Fonte: Site Padre Paulo Ricardo

domingo, 18 de janeiro de 2015

São Domingos Sávio: um adolescente santo


Estava Domingos voltando da escola, numa tarde abrasadora de verão, em companhia de um rapaz de nome João Zucca. O dia estava tão quente que dificultava até a respiração.

Ao passarem por uma ponte, pararam e sentaram-se pondo os pés dentro das águas do rio Ruenta. Zucca atirava palhas dentro do rio e, com muita atenção, ficava observando-as flutuar na correnteza e desaparecer sob a ponte. Mais abaixo, viu um grupo de meninos brincando às margens do rio, entrando na água e saindo. A correnteza era rápida e perigosa, mas refrescante.

— Ooba! – exclamou Zucca. — Não há outra coisa a fazer num dia como este! Vamos nadar um pouco! – deixou-se escorregar pela rampa gramada e, um instante após, mergulhou na água, embora fosse o local bastante perigoso.

Domingos acompanhou-o.

De volta a casa, Domingos permanecia silencioso.

— Alguma coisa errada, Domingos? – perguntou-lhe Zucca, porque normalmente Domingos era um colega muito alegre.

— Estava pensando se era conveniente a gente ir nada naquele lugar.

— Não é direito nadar? Como assim?

— Bem, o modo de falar dos rapazes e os gestos que faziam com o corpo não me pareciam corretos.

— Ora, Domingos! Eles não tencionavam mal algum.

Dias depois, o tempo estava outra vez muito quente e os dois meninos procederam da mesma forma, até certo ponto. Quando deixaram a ponto para entrar na água, Domingos parou.

— O que há, Domingos? Não vai entrar?

— Não. Eu não sou bom nadador e a correnteza é muito forte aqui.

— Não precisa ser bom nadador para dar um mergulho.

— E se eu começasse a me afogar?

— Faça como nós. Não pode falhar.

— Bem. Seja como for, eu não gostei do que os rapazes estavam dizendo e fazendo, outro dia.

— O que dizem ou fazem nada tem a ver com você.

— Vou perguntar em casa se posso nadar com você.

— Não faça isso. Seríamos castigados se soubessem que estamos nadando aqui.

— Se é assim, agora é que não vou mesmo. Quando da primeira vez, Domingos se sentira chocado ao observar como os rapazes agiam enquanto nadavam. Percebeu o perigo que corria em tais circunstâncias e recusou-se definitivamente a ir nadar junto com outros, outra vez. Na biografia de Domingos, Dom Bosco escreveu que ele se recusara a ir nadar com os demais. Essa foi a verdade. Entretanto, após a morte do jovem, quando sua vida foi publicada, Zucca insistiu na presença de outros que Dom Bosco estava errado. Domingos havia nadado. Ele, Zucca, era testemunha. Espalhou-se rapidamente a notícia, chegando aos ouvidos de Dom Bosco. O santo reuniu os fatos e esperou o momento oportuno para revelá-los. A ocasião se apresentou numa noite, após o jantar, quando os meninos se preparavam para deixar o refeitório. [...] O santo passou através das filas silenciosas e pôs-se de pé sobre uma cadeira. Suas feições, habitualmente sorridentes, mostravam-se sérias.

— Alguma coisa está erada! – murmuraram entre si os rapazes.

— Chegou a meus ouvidos que alguém pôs em dúvida o que escrevi sobre Domingos. A parte questionada é a que afirma que Domingos se recusou a ir nadar com os outros meninos. Esta é a pura verdade. Ele se recusou mesmo. Por outro lado, é também verdade que ele foi a primeira vez, influenciado pela mesma pessoa que deu início à campanha de murmurações. Deliberadamente, omiti mencionar o primeiro incidente, porque desejava ocultar, em seu próprio benefício, o nome de tal pessoa. Achei que ele se deveria mostrar grato a mim, por poupá-lo a tal vexame, em público. Então olhou diretamente para Zucca que estava ficando cada vez mais vermelho, à proporção que Dom Bosco ia falando.

— Agora, Zucca, agradeça somente a si próprio, pela vergonha que está passando, e você tem realmente motivo para se sentir envergonhado. Após a saída de Dom Bosco, os meninos não foram capazes de quebrar o silêncio durante alguns minutos. Nunca tinham ouvido Dom Bosco falar com tanta dureza. O santo, normalmente doce e gentil, mostrou sua ira aquela noite, visto tratar-se da defesa da modéstia. Qualquer ataque à moralidade, sutil ou aberto, leve ou sério, era sempre repelido vigorosamente pelo santo. A favor do pobre Zucca, objeto das iras de Dom Bosco, pode-se dizer que mais tarde, o santo declarou que Zucca tinha sido favorecido com grandes graças extraordinárias de Nossa Senhora. Dom Bosco foi muito severo quanto a permitir aos meninos nadarem sem o devido respeito à modéstia cristã. Dois de seus jovens, uma vez, faltaram à aulas para ir nadar no rio Dora, em Turim. Às margens do rio, receberam duas palmadas bem aplicadas por mãos invisíveis. Descobriram quem era o dono daquelas pesadas mãos, quando o santo enviou uma carta de Lanzo, a 48 quilômetros de distância, contando ao superior e aos meninos o que ele tinha feito. Embora divertido, esse incidente é também esclarecedor. Mostra-nos a importância que o santo atribuía à modéstia, como guarda da pureza. Instruído por tal mestre, Domingos não poderia assumir outra atitude diante da pureza, a não ser aquela que lhe foi tão características. A respeito da pureza de Domingo, São Pio X disse uma vez ao Cardeal Salotti, postulador da Causa: “Um jovem que levou para o túmulo sua inocência batismal, que durante os curtos anos de sua existência nunca revelou a presença de nenhuma defeito, é real e verdadeiramente um santo Que mais podemos desejar?”

Fonte: São Domingos Santo, um adolescente santo, por Peter Lappin. p. 95-98. Ed. Salesiana Dom Bosco. 3.ª Edição. São Paulo, 1996

Créditos aos blogs Católicos Tradicionais e O Segredo do Rosário.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Remédios para curar a impureza - Santo Antônio Maria Claret






REMÉDIOS PARA CURAR A IMPUREZA:


1- De manhã e a noite pede a Mãe da Pureza , a santíssima Virgem, esta preciosa jóia , saudando-a para esse fim com 3 Ave Marias.

2- Logo que tiveres algum pensamento impuro, despreza-o imediatamente e dize a Maria: Virgem Santíssima , valei-me, assisti-me.

3- Aparta-te das más companhias, de bailes e galanteios; nem pelas capas hás de tocar em livros ou papéis desonestos, não olhes para pinturas , estampas ou outros objetos provocativos, e , sobre tudo ,guarda-te de fazer acenos ou ações escandalosas .

4- Veste com modéstia, come e bebe com temperança, não profiras palavras indecentes, não escutes nem acompanhes más conversas, e não dês liberdade a teus olhos.

5- Lembra-te que DEUS te vê,e que tem poder para tirar-te a vida aqui mesmo e lançar-te aos infernos, como aconteceu, entre outros a Onão, que morreu no ATO de cometer um pecado desonesto e SE CONDENOU.

6- Frequenta os Santos Sacramentos

Livro: O CAMINHO RETO
(St Antônio M. Claret)


Nossa Senhora tão Santa e tão Pura, ora pro nobis!

Fonte: O Caminho Reto

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Escapulário do Carmo




Quem não o trará consigo como penhor de salvação eterna e proteção nos perigos, se Deus o concedeu ao mundo para honrar Sua Mãe e ajudar a salvar e proteger os seus filhos justos e pecadores?

Foi em 16 de julho de 1251 que Nossa Senhora, aparecendo a S ão Simão Stock, superior geral dos Carmelitas, lho entregou dizendo: "Recebe meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas".

Setenta anos mais tarde, aparece a Vírgem ao Papa João XXII, confirma esta promessa e acrescenta outra, chamada a do privilégio sabatino, em que, mediante determinadas condições, a alma do confrade Carmelita será livre do Purgatório se lá estiver, no sábado a seguir à sua morte. Os Soberanos Pontífices consideram como pertencentes à Ordem do Carmo, todos os que recebem o seu escapulário. Para que todos possam usufruir das graças inerentes ao Escapulário, Sua Santidade, o Papa PIO X, em 16 de Dezembro de 1910, concedeu que o Escapulário, ema vez imposto, pudesse ser substituído por uma medalha que tenha dum lado Nossa Senhora sob qualquer invocação (Carmo, Dores, Conceição, Fátima, etc.) e do outro lado, o Coração de Jesus, e benzida com o simples sinal da cruz, na intenção de substituir este Escapulário.

Em 28 de Janeiro de 1964, o Papa Paulo VI concedeu ainda que todos os Sacerdotes pudessem impor o Escapulário e substitui-lo pela respectiva medalha, pois até aí era um privilégio dos Padres Carmelitas e de outros Sacerdotes que o pedissem à Santa Sé, e nisto se mostra o desejo da Santa Igreja de que todos o tragam.


CONDIÇÕES



· Para a 1* graça (ser livre do fogo do Inferno, a mais importante de todas):
Ter recebido este Escapulário imposto pelo Sacerdote e trazê-lo, ou a medalha que o substitui. Morrer com ele ou com a medalha, o que significa que se saiu deste mundo em estado de graça santificante.

· Para a 2* graça (isto é, o privilégio sabatino: ser liberto do Purgatório no primeiro sábado, depois da morte, se para lá se foi):

Além das condições para a primeira graça, que é a mais importante, guardar ainda a castidade própria de cada estado, que aliás, já obrigatória para todos por mandamento divino; rezar, sabendo ler, todos os dias, o pequeno Ofício de Nossa Senhora, ou, não sabendo, abster-se de comida de carne nas quartas-feiras e sábados.

Estas obrigações podem ser comutadas (a reza do Ofício e da abstinência de comida de carne) por um Sacerdote, o que impôs o Escapulário ou o Confessor, por outra obra pia, por exemplo: a reza de 7 (sete) Pai-Nossos, 7 Ave Marias e 7 (sete) Glórias, ou pela reza do Terço ou por outra mais fácil.

Quem reza o Terço todos os dias, esse vale sem ser preciso mais nada, podendo aplicá-lo por todas as intenções de costume. O Sacerdote, que reza o Ofício divino, também já cumpre sem ser preciso outra comutação. Aos homens e às crianças, que normalmente rezam menos que as mulheres, pode-se comutar por 3 Aves Marias, rezadas diariamente. Assim aconselha o Santo Padre Cruz, que foi um grande Apóstolo do Eascapulário.


QUEM O PODE RECEBER?


Todos os Católicos que o peçam, o podem receber, imposto por um Sacerdote. Podem-no receber ainda as crianças batizadas, mesmo inconscientes e os doentes destituídos dos sentidos, pois, parte-se do princípio que, se conhecessem o seu valor, o quereriam receber.
É ótimo o costume de o por logo no dia do Batismo.

O Escapulário é de tecido de lã de cor castanha ou preta, mas o mais comum é o de cor castanha. O Escapulário, uma vez benzido, não precisa de nova bênção quando se substitui por outro; a medalha sim, precisa de nova bênção.

O valor do Escapulário está no tecido de lã com a bênção própria e não nas imagens que costuma ter. Pode ser lavado, podem-se mudar os cordões, pode ser revestido de plástico para não sujar, etc. Devemos andar sempre com ele ou com a medalha, e sobretudo, tê-lo à hora da morte. Nunca o deixemos, mesmo ao tomar o banho. Quem o recebeu e deixou de traze-lo consigo, basta que comece de novo a usá-lo, ou à medalha, sem precisar de nova imposição.

Sua Santidade Pio X concedeu que os militares em campanha possam impor a si próprios o Escapulário ou a medalha, uma vez benzidos pelo Sacerdote, e que tendo acabado a sua missão, continuem a usufruir de todas as graças e privilégios a ele inerentes, sem o terem de receber de novo.

Certamente que o Escapulário não dispensa dos Sacramentos, que são os meios instituídos por Nosso Senhor como via normal para nos santificar, nem dispensa das práticas das virtudes. Não coloca no Céu as almas em pecado mortal, mas ajuda a bem receber os Sacramentos e à conversão da alma e a perseverar no bem. Ajuda a sair do estado de pecado mortal, onde houver um mínimo de boa vontade.

O Escapulário do Carmo é um dom misericordioso do Céu, obtido por intercessão da Mãe da Misericórdia, já que os justos e os pecadores custaram o Sangue de Jesus e as Lágrimas e Dores de Maria Santíssima.


ALGUNS EXEMPLOS

 

· Proteção nos perigos - Há alguns anos, 3 (três) mocinhas foram passar uma tarde n a praia da Costa de Caparica ( Portugal) . Era num tempo em que as roupas de banho e as praias não tinham descido à degradação dos tempos atuais. Todas tinham o Escapulário do Carmo e nenhuma sabia nadar. Só uma persistiu em o levar, as outras, por respeito humano, tiraram-no.

Brincavam alegres à beira da água, quando uma onda perdida sobreveio inesperadamente e as levou. O povo acorreu em grande gritaria. Surge outra onda que deposita na praia uma delas, precisamente a que levava o Escapulário e se salvou. As outras duas pereceram. Os seus corpos foram encontrados já em estado de putrefação depois de três dias, junto ao Cabo de Espichel.

· Proteção contra o demônio - Assisti um dia aos exorcismos feitos por um Sacerdote sobre um rapaz possesso do demônio. O diabo foi obrigado a confessar que se aquele rapaz tivesse recebido antes o Escapulário, não poderia ter entrado nele.

· Livra do Inferno - Fui chamado para dar os últimos Sacramentos a um homem que tinha alta patente na Maçonaria. Dissera a um amigo meu: "Quem me dera ver-me livre da Maçonaria".

Rezava todos os dias com os netos. Tinha recebido o Escapulário em pequeno, pois fora aluno dos Padres Jesuítas, que o impunham sempre. Cheguei, dei-lhe os Sacramentos e impus-lhe o Escapulário, pois não o trazia consigo. Começou aos urros como um leão preso na jaula e a cama rangia fortemente. Depois, tudo acalmou. Não duvido moralmente da salvação eterna desta alma.

A um outro doente, com fama de muita virtude e a quem visitei, pus-lhe o Escapulário. Pediu-me logo para se confessar. Tinha passado a vida cometendo sacrilégios, pois tinha vergonha de confessar os seus desmandos sexuais. Morreu santamente, louvando cheio de alegria a Misericórdia Divina.

E tantos e tantos são os prodígios que teria para contar! Ah! Recebamos todos o Escapulário do Carmo, porque ele é dádiva misericordiosa de Maria, obtida do seu Filho Jesus! O Escapulário, o Terço e a Devoção ao Coração Imaculado de Maria fazem parte da Mensagem de Fátima. Tantos Papas e tantos Santos têm falado dele, que será tristeza, para não se dizer loucura, não lhe ter apreço. Leão XIII beijava-o repetidas vezes na agonia. Pio XII trazia-o desde a infância, e queria que todos o soubessem. João XXIII e Paulo VI consideram-no como grande graça concedida ao mundo - P.O.J.R.


IMPOSIÇÃO DO ESCAPULÁRIO POR UM SACERDOTE


- Senhor Jesus Cristo, Salvador dos homens, † abençoai este hábito de Nossa Senhora de Carmo, que, como sinal de Consagração a Maria, vai ser imposto ao vosso servo, para que pela intercessão de Maria Santíssima, possa alcançar maior plenitude de graça.


(Asperge o Escapulário com água benta)


[IMPOSIÇÃO:] - Recebe este santo hábito para que, trazendo-o com devoção, te defenda do mal, e te conduza à vida eterna. - Amém.

(Coloca-o ao pescoço de cada pessoa)

- Participas desde este momento de todos os bens espirituais, de que gozam os religiosos do Carmo, em Nome do Pai † e do Filho e do Espírito Santo.

- Amém.

- O Senhor que se dignou admitir-te entre os confrades do Carmo, † te abençoe; e mediante este sinal de Consagração, te faça forte na luta desta vida, e te conduza à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

- Amém.

(Asperge o Confrade com água benta)

[Com Aprovação Eclesiástica]

sábado, 1 de junho de 2013

A Virgem Mãe e a conversão de Esquil - Santo Afonso




Esquil, jovem fidalgo, foi estudar em Hildesheim por ordem de seu pai. Mas, em vez de estudar, entregou-se a excessos da devassidão. Depois disso, adoeceu seriamente, não lhe restando já esperança alguma de vida. Estando próximo da morte teve a seguinte visão: Viu-se em um quarto cheio de fogo e julgou que se achava num inferno. Pôde, felizmente, sair, por um vão e refugiar-se num grande palácio. Lá encontrou, numa das salas, a Santíssima Virgem, que lhe disse: Temerário, como ousas apresentar-te diante de mim? Já e já retira-te daqui e mete-te no fogo que muito bem mereceste! Nisso começa o jovem a implorar a misericórdia de Maria, e pede a algumas pessoas ali presentes que também o recomendem àa Mãe de Deus. Eles atenderam-no, mas a Santíssima Virgem respondeu-lhes: Este moço levou uma vida muito desregrada e nunca me honrou com uma Ave-Maria sequer. Mas ele corrigir-se-á, amada Rainha, observaram elas. E o jovem ajuntou logo a promessa: Sim, eu o prometo; quero corrigir-me e consagrar-me todo a vosso serviço, Senhora. Na mesma hora, Maria tornou-se meiga e disse-lhe com brandura: Bem, aceito a tua promessa; escaparás da morte e do inferno.


Após estas palavras terminou a visão. Voltando a si, Esquil agradeceu à Mãe de Deus e a todos relatou o ocorrido. Levou daí em diante uma vida santa, dedicou sempre especial devoção à Santíssima Virgem, e tornou-se mais tarde arcebispo de Lund, na Suécia, onde converteu muitos para verdadeira fé. Já velho, renunciou ao arcebispado, entrando para a Ordem dos Cistercienses, e Claraval. Aí morreu na paz do Senhor, após quatro anos de edificante vida. Alguns escritores colocaram-no na lista dos santos daquela Ordem.

Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria

domingo, 21 de abril de 2013

Propósito como sacerdote escrito por São João Bosco por ocasião de sua ordenação

"O padre não vai jamais sozinho para o Céu ou para o Inferno. Se for fiel a sua vocação vai para o Céu com as almas que com seu bom exemplo tiver salvado; se proceder mal e escandalizar os irmãos, irá para o Inferno juntamente com as almas condenadas por causa de seus maus exemplos. Este pensamento me vai ajudar a manter com todo o esforço os seguintes propósitos:

1 - Jamais darei um passeio sem necessidade.

2 - Ocuparei escrupulosamente o tempo.

3 - Sempre que se tratar da salvação das almas, encontrar-me-ão pronto a sofrer, a agir, a humilhar-me.

4 - A caridade e a doçura de São Francisco de Sales iluminem todas as minhas ações.

5 - Mostrar-me-ei sempre contente com o alimento que me derem, a não ser que seja realmente prejudicial à saúde.

6- Tomarei vinho sempre "batizado" e só como remédio, isto é, nos dias e na medidae que minha saúde exigir.

7 - Como o trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos de minha salvação, darei ao sono apenas cinco horas por noite. Durante o dia, e especialmente depois da refeição não repousarei nunca a não ser em caso de doença.

8 - Consagrarei todos os dias alguns momentos à meditação e à leitura espiritual. Durante o dia farei uma breve visita ou pelo menos uma oração ao Santíssimo Sacramento. Minha preparação para a Missa durará um quarto de hora. O mesmo se diga da ação de graças.

9 - Fora do Tribunal da Penitência e salvo rarissímas exceções necessárias, nunca me deterei a conversar com mulheres."

Retirado do livro Dom Bosco de A. Auffray SDB

Fonte: Blog Santa Igreja (Missa Gregoriana - CE). Com adaptações.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Devoção a Maria Santíssima - São João Bosco




Um grande sustentáculo para vós, meus queridos filhos, é a devoção a Maria Santíssima. Ouvi como ela vos convida: Si quis est párvulus, véniat ad me: Quem for pequenino, venha a mim. Se fordes seus devotos, além da abundância das suas bênçãos neste mundo, ela vos garante o paraíso na outra vida. Qui elúcidant me, vitam eternam habébunt. Tende pois a mais íntima convicção de que obtereis todas as graças desta boa mãe, contanto que não peçais coisas que resultem em vosso dano. Deveis pedir-lhe com insistência particularmente três graças, que são necessárias para todos, mais especialmente para vós, meus caros jovens.


A primeira é a de não cometerdes nunca nenhum pecado mortal durante a vossa vida. Sabeis que significa cair em pecado mortal? Quer dizer renunciar a sermos filhos de Deus para tornar-nos escravos de satanás. Quer dizer perder aquela beleza que nos faz iguais aos Anjos aos olhos de Deus, para tornar-nos deformes como demônios na sua presença. Quer dizer perder todos os merecimentos já adquiridos para a vida eterna; quer dizer ficar suspenso por um fio muito fraco por sobre a boca do inferno; quer dizer fazer enorme injúria a uma bondade infinita e é este maior mal que se possa imaginar. Oh! Sim, por quantas graças vos obtenha Maria, seria todas inúteis sem esta graça de não cair nunca em pecado mortal. Esta é graça que haveis de pedir de manhã e á noite e em todas as vossas práticas de piedade.


A segunda graça que deveis pedir a Nossa Senhora é a de poder conservar a preciosa virtude da pureza. O jovem que a conserva tem a maior semelhança com os Anjos do Céu. Pelo que o seu anjo da Guarda o considera como irmão e se alegra sobremaneira pela sua companhia.


Como me está muito a peito que todos os conserveis esta bela virtude, vos indico ainda alguns outros meios para conservá-la do veneno que a poderia contaminar. Antes de tudo evitai a companhia das pessoas de diversos sexos. Entendamo-nos: Quero dizer que os meninos nunca devem contrair familiaridades com meninas; de outra forma esta bela virtude se acharia em grande perigo. A guarda dos sentidos contribui também muitíssimo a conservação desta bela virtude. Evitai portanto todo excesso no comer e no beber; evitai os teatros, os bailes e semelhantes diversões, que são a ruínas dos bons costumes.


Mas guarde particularmente os olhos, que são as janelas pelas quais o pecado entra no nosso coração e por onde o demônio, vêem a tomar posse de nossa alma.nunca vos detenhais a olhar para as coisas contrárias, por pouco que seja, á modéstia. São Luis Gonzaga nem sequer queria que lhe vissem os pés, quando se deitava ou quando se levantava.


Outro menino, sendo interrogado porque fosse tão recatado na vista, respondeu: Tomei a resolução de não fitar nunca o rosto de uma mulher, para reservar os meus olhos para fixar pela primeira, vez se não for indigno, o rosto formosíssimo da Mãe da Pureza, Maria Santíssima.


A terceira graça que deveis implorar solicitamente da Virgem Imaculada é de poder sempre andar afastados da companhia daqueles jovens que tem más conversas, isto é, certas conversas que não se fariam na presença de vossos pais ou de alguma pessoa de respeito. Guardai-vos destes tais, muito embora fossem eles vossos parentes. Posso garantir-vos que ás vezes é mais prejudicial a companhia desses, do que a de um demônio. Felizes vós, meus caros filhos, se fugirdes da companhia dos maus! Então estareis certos de que trilhais o caminho do céu; diversamente, correreis muito grande perigo de perder-vos para sempre. Por isso quando virdes companheiros vossos proferirem blasfêmias, desprezar as práticas religiosas para afastar-vos da igreja ou, pior ainda, dizer palavras contrárias, por pouco que seja, á virtude da modéstia, fugi deles como da peste. Ficai certos de que, quanto mais puros forem os vossos olhares e vossas conversas, tanto mais Maria se comprazerá em vós e maiores graças vos alcançará de seu Filho e Nosso Redentor Jesus Cristo.


São essas três graças mais necessárias na vossa idade; e as alcançareis, com certeza, de Nossa Senhora, se fordes sempre seus devotos sinceros, rezando todos os dias o Santo Rosário ou ao menos três ave Maria e três glórias com a Jaculatória: Querida Mãe Virgem Maria fazei que eu salve a minha alma.


Com essas três graças trilhareis desde agora o caminho que vos há de tornar homens honrados na idade madura. Nessas graças tereis também o penhor certo da felicidade eterna que Maria Santíssima há de alcançar infalivelmente aos seus devotos.


Por São João Bosco
O JOVEM INSTRUÍDO NA PRÁTICA DE SEUS DEVERES RELIGIOSO SARTIGO IV.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...