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sexta-feira, 19 de julho de 2013
Comentário do Evangelho do dia (17/07) feito por Guilherme de Saint-Thierry
(c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
Espelho da fé, 6; PL 180, 384; SC 301 (trad. Breviário)
«... e as revelaste aos pequeninos»
Tu, alma fiel, quando à tua fé se apresentam mistérios demasiado profundos e a tua natureza estremece, diz sem medo, não com espírito de contradição, mas com desejo de ser ilustrado: Como pode ser isto? (Lc 1,34) Converta-se a tua pergunta em oração, em amor, em piedade, em desejo humilde; não seja perscrutar o que tem de mais alto a majestade de Deus, mas procurar a salvação nos meios salutares que Deus nos oferece. […]
Ninguém conhece o que há em Deus, a não ser o Espírito de Deus (1Cor 2,11). Corre, pois, a participar do Espírito Santo. Ele torna-Se presente logo que é invocado; mais ainda, não poderia ser invocado se não estivesse já presente. E, quando é invocado, vem e traz consigo a abundância da bênção de Deus. É essa a corrente impetuosa do rio que alegra a cidade de Deus (Sl 45,5). E, quando Ele vier, se te encontrar humilde e tranquilo e cheio de respeito pelas palavras de Deus, repousará sobre ti (Lc 1,35); revelar-te-á o que Deus Pai oculta aos sábios e prudentes deste mundo. Então começará a brilhar aos teus olhos aquilo que a Sabedoria (1Cor 1,24) pôde ensinar na terra aos seus discípulo, mas que eles não puderam compreender enquanto não veio o Espírito de verdade, que lhes havia de ensinar a verdade plena (Jo 16,12-13).
Créditos: Evangelho Quotidiano
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Comentário do Evangelho do dia (07/06) feito por Guilherme de Saint-Thierry
(c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
Orações meditativas, nº 8,6; SC 324
«Põe-na alegremente aos ombros»
Por causa das minhas mãos, Senhor, que fizeram o que não deviam, as tuas mãos foram trespassadas por cravos e os teus pés pelos meus pés. Pelo desregrar da minha vista, os teus olhos adormeceram na morte, e os teus ouvidos pelo meu ouvido. A lança do soldado abriu o teu lado (Jo 19,34) para que, pela tua chaga, escorram todas as impurezas do meu coração há tanto tempo inflamado e corroído pela doença. Finalmente, Tu morreste para que eu viva; foste enterrado para eu poder ressuscitar. Tal é o beijo da tua doçura, dado à tua esposa; tal é o abraço do teu amor. [...] A esse beijo, recebeu-o o ladrão na cruz, depois da sua confissão (Lc 23,42); recebeu-o Pedro quando o seu Senhor olhou para ele enquanto ele o negava, e saiu a chorar (Lc 22,61-62). Muitos dos que Te crucificaram, convertidos a Ti depois da tua Paixão, fizeram aliança contigo (Act 2,41) nesse beijo [...]; quando beijaste os publicanos e os pecadores, tornaste-Te seu amigo e conviveste com eles (Mt 9,10). [...]
Senhor para onde levas Tu os que beijas e abraças, senão para o teu próprio coração? O teu coração, Jesus, é esse doce manancial da Tua divindade que está no teu íntimo, o vaso de ouro da alma, que ultrapassa todo o conhecimento (He 9,4). Bem-aventurados todos aqueles a quem o teu abraço atrai! Bem-aventurados aqueles que, fugindo para as profundezas, foram escondidos por Ti no segredo do teu coração, aqueles que levas aos ombros, ao abrigo dos males desta vida (Sl 31,21). Bem-aventurados aqueles que não têm outra esperança se não o calor e a protecção das tuas asas (Sl 90,4).
A força dos teus ombros protege aqueles que escondes no fundo do teu coração (Lc 13,34), onde podem dormir tranquilamente. Uma doce espera os aguarda nesse abrigo de uma consciência santa, e da expectativa da recompensa que prometeste. A sua fraqueza não os faz desfalecer, nem nenhuma inquietude os faz murmurar (Sl 68,13).
Créditos: Evangelho Quotidiano
sábado, 5 de janeiro de 2013
Comentário ao Evangelho do dia (05/01) feito por Guilherme de Saint-Thierry
Monge beneditino, depois cisterciense
Orações meditativas, VI, 5-7; SC 324
Se basta que dois ou três estejam reunidos em Teu nome neste mundo para Tu estares no meio deles (Mt 18,20) [...], que dizer desse local onde reuniste todos os santos que selaram a Tua aliança com um sacrifício e que se tornaram como os céus que proclamam a Tua justiça? (Sl 49,5-6).
O Teu discípulo bem-amado não foi o único a encontrar o caminho que vai dar aos céus; não foi só a ele que foi mostrada uma porta aberta no céu (Ap 4,1). Com efeito, Tu próprio declaraste a todos; «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo» (Jo 10,9). Tu és a porta e, conforme acrescentas a seguir, ela abre-se a todos os que querem entrar.
Mas de que nos serve ter uma porta aberta no céu, a nós que estamos na terra, se não tivermos forma de a ela ascender? Responde-nos São Paulo: «que quer dizer este “subiu”, senão que também desceu às regiões inferiores da terra?» (Ef 4,9) E quem foi que subiu e desceu? Foi o Amor. Com efeito, Senhor, é o amor do nosso coração que ascende até Ti, porque foi o Teu amor que desceu até nós. Porque nos amaste, desceste até nós; amando-Te, nós podemos ascender até Ti. A Ti que disseste «Eu sou a porta», peço-Te que Te abras diante de nós! Veremos então com maior clareza de que morada és a porta, e quando e a quem a abres.
Créditos: Evangelho Quotidiano
Orações meditativas, VI, 5-7; SC 324
«Vereis o Céu aberto»
Se basta que dois ou três estejam reunidos em Teu nome neste mundo para Tu estares no meio deles (Mt 18,20) [...], que dizer desse local onde reuniste todos os santos que selaram a Tua aliança com um sacrifício e que se tornaram como os céus que proclamam a Tua justiça? (Sl 49,5-6).
O Teu discípulo bem-amado não foi o único a encontrar o caminho que vai dar aos céus; não foi só a ele que foi mostrada uma porta aberta no céu (Ap 4,1). Com efeito, Tu próprio declaraste a todos; «Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo» (Jo 10,9). Tu és a porta e, conforme acrescentas a seguir, ela abre-se a todos os que querem entrar.
Mas de que nos serve ter uma porta aberta no céu, a nós que estamos na terra, se não tivermos forma de a ela ascender? Responde-nos São Paulo: «que quer dizer este “subiu”, senão que também desceu às regiões inferiores da terra?» (Ef 4,9) E quem foi que subiu e desceu? Foi o Amor. Com efeito, Senhor, é o amor do nosso coração que ascende até Ti, porque foi o Teu amor que desceu até nós. Porque nos amaste, desceste até nós; amando-Te, nós podemos ascender até Ti. A Ti que disseste «Eu sou a porta», peço-Te que Te abras diante de nós! Veremos então com maior clareza de que morada és a porta, e quando e a quem a abres.
Créditos: Evangelho Quotidiano
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