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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Últimas palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus



Últimas palavras de nossa querida
Santa Teresinha do Menino Jesus
(relato de Irmã Inês de Jesus)

30 de setembro de 1897


Quinta-feira, dia de sua preciosa morte.


De manhã, eu a vigiei durante a Missa. Não me dizia uma palavra. Estava esgotada, ofegante; eu a adivinhava que seus sofrimentos eram inexprimíveis. Em dado momento, juntou as mãos e olhando a estátua da Santa Virgem:

Oh! Rezei a Ela com um fervor! Mas é agonia pura, sem nenhuma mistura de consolação.

Disse-lhe algumas palavras de compaixão e afeto; acrescentei que ela me havia edificado muito, durante essa doença.

E vocês, as consolações que me deram! Ah! são muito grandes!

Pode-se dizer, sem exagero, que ela passou o dia todo sem um instante de repouso, em verdadeiros tormentos. Parecia estar no limite de suas forças, e no entanto, para nossa grande surpresa, podia mexer-se e sentar-se na cama.

... Vejam, dizia ela, como tenho força hoje! Não, não vou morrer! Ainda vou viver durante meses e, quem sabe, anos!

E se o bom Deus assim o quisesse, disse nossa Mãe, você aceitaria?
Começou a responder, angustiada:
Assim deveria...

Mas, imediatamente se corrigindo, disse com uma entonação de sublime resignação, caindo sobre os travesseiros:

Aceito!

Pude recolher estas exclamações, mas é impossível reproduzir a entonação:

Não creio mais na morte para mim... Só acredito no sofrimento... Bem, tanto melhor!
Ó meu Deus!...
Eu O amo, o bom Deus!

Ó minha boa Santa Virgem, vinde em meu socorro!
Se isto é agonia, o que é, então, a morte?!...
Ah! meu bom Deus!... Sim, Ele é muito bom, eu O acho muito bom...

Olhando para a Santa Virgem:

Oh! Sabeis que estou sufocada!

Para mim:

Se você soubesse o que é ficar sufocada!

O bom Deus vai ajudá-la, minha pobrezinha, e isto vai acabar logo.

Sim, mas quando?
... Meu Deus, tende piedade de vossa pobre filhinha! Tende piedade!

A nossa Mãe:

Ó minha Mãe, garanto-lhe que o cálice está cheio até a borda!...
... Mas o bom Deus não vai me abandonar, é claro...
... Ele nunca me abandonou.

... Sim, meu Deus, tudo o que quiserdes, mas tende piedade de mim!
... Meu Deus! meu Deus! Vós que sois tão bom!!!
... Oh! sim, Vós sois bom! eu sei...

Após as Vésperas, nossa Mãe colocou-lhe, sobre os joelhos, uma imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Olhou-a um instante e disse, quando nossa Mãe lhe tinha assegurado que ela logo acariciaria a Santa Virgem como o Menino Jesus na imagem:

Ó minha Mãe, apresente-me logo à Santa Virgem, pois sou um nenê que não agüenta mais! Prepare-me para morrer bem.

Nossa Mãe respondeu-lhe que, tendo sempre compreendido e praticado a humildade, estava completamente preparada. Refletiu um instante e pronunciou humildemente estas palavras:

Sim, parece-me que procurei sempre só a verdade; sim, compreendi a humildade do coração...

Repetiu ainda:

Tudo o que escrevi sobre meus desejos de sofrimentos. Oh! é bem verdade, assim mesmo! ... e não me arrependo de ter-me entregado ao Amor.

Com insistência:

Oh! não, não me arrependo, ao contrário!

Um pouco mais tarde:

Jamais poderia acreditar que fosse possível sofrer tanto! Jamais! Jamais! só posso explicar iso pelos desejos ardentes que tive de salvar almas.

Por volta das 5 horas, eu estava sozinha perto dela. Seu rosto se transformou de repente e compreendi que essa era sua última agonia. Quando a Comunidade entrou na enfermaria, ela recebeu todas as irmãs com um doce sorriso. Segurava seu Crucifixo e olhava-o constantemente.

Durante mais de duas horas, um terrível estertor dilacerou-lhe o peito. Seu rosto estava congestionado, as mãos violáceas; tinha os pés gelados, e o corpo tremia. Enormes gotas de suor abundante se formavam em sua testa e escorriam sobre as faces. A falta de ar ia aumentando sempre e, às vezes, para respirar, ela soltava gritinhos involuntários.

Durante esse período tão angustiante para nós, ouvia-se pela janela - e eu sofria muito com isso - todo um gorjeio de pintarroxos e outros passarinhos, mas tão forte, tão próximo e tão demorado! Rezava ao bom Deus para fazê-los calar, porém esse concerto me apunhalava o coração e eu temia que cansasse nossa pobre Teresinha.

Num dado momento, parecia ter a boca de tal modo ressecada, que Irmã Genoveva, pensando em aliviá-la colocou-lhe sobre os lábios um pedacinho de gelo. Aceitou-o, dirigindo-lhe um sorriso que jamais esquecerei. Era como se fosse um supremo adeus.

Às 6 horas, quando soou o Angelus, olhou demoradamente a imagem da Santa Virgem. Enfim, às 7 horas e alguns minutos, depois que nossa Mãe havia dispensado a comunidade, ela suspirou:

Minha Mãe! Não é ainda a agonia?... Não vou morrer?...

É minha pobrezinha, é a agonia, mas talvez o bom Deus queira prolongá-la por mais algumas horas.
Com coragem, retomou:

Pois bem!... Vamos!... Vamos!...
Oh! não gostaria de sofrer por menos tempo...

E olhando o Crucifixo:

Oh! eu O amo!...
Meu Deus... eu Vos amo!...

... Repentinamente, após ter pronunciado estas palavras caiu docemente para trás, com a cabeça inclinada para a direita. Nossa Mãe mandou, bem rápido, tocar o sino da enfermaria, para chamar a Comunidade.

"Abram todas as portas", dizia ela, ao mesmo tempo. Estas palavras tinham algo de solene, e me fizeram pensar que, no Céu, o bom Deus as dizia também a Seus anjos.

As irmãs tiveram tempo para se ajoelhar em volta da cama e testemunharam o êxtase da santinha moribunda. Seu rosto havia recuperado a tez de lírio que tinha quando gozava plena saúde; seus olhos, brilhantes de paz e alegria, estavam fixos no alto. Fazia alguns lindos movimentos com a cabeça, como se Alguém a tivesse, divinamente, ferido com uma flecha de amor, e em seguida a tivesse retirado para feri-la mais uma vez...

Ir. Maria da Eucaristia aproximou-se com um castiçal, para ver mais de perto seu olhar sublime. À luz desse castiçal, não apareceu nenhum movimento de suas pálpebras. Este êxtase durou aproximadamente o tempo de um Credo, e ela deu o último suspiro.

Após sua morte, conservou um sorriso celeste. Sua beleza era encantadora. Segurava seu Crucifixo com tanta força, que foi preciso arrancá-lo de suas mãos, para sepultá-la. Ir. Maria do Sagrado Coração e eu nos encarregamos desse serviço, juntamente com Ir. Aimée de Jesus; observamos então, que ela não parecia ter mais de 12 ou 13 anos.

Seus membros permaneceram flexíveis até o sepultamento, segunda-feira, 4 de outubro de 1897.


Irmã Inês de Jesus


(Relato retirado do livro: Obras completas de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face)

Fonte: A Grande Guerra

segunda-feira, 25 de julho de 2016

AS APARIÇÕES DE FÁTIMA E O ESCAPULÁRIO



I - Recordando a última aparição - 13-10-1917


Em 13 de outubro de 1917, as crianças estavam circundadas por uma multidão de 70.000 pessoas, sob uma chuva torrencial; Lúcia disse novamente à Senhora: "O que queres de mim?". Respondeu: "Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas". Depois Lúcia lhe disse: "Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir. Se curava uns doentes e se convertia uns pecadores...". - "Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados". E tomando um aspecto mais triste: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido". "Quereis alguma outra coisa de mim?". - "Não quero mais nada". Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las refletir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol. Lúcia nesse momento exclamou: "Olhem para o sol!". Então aconteceu o sinal prometido, o sol extraordinariamente brilhante, mas não a ponto de cegar. O sol começou a girar sobre si mesmo, projetando em todas as direções feixes de luz de todas as cores que refletiam-se e coloravam as nuvens, o céu, as árvores, a multidão. Parou por certo tempo e depois recomeçou, como antes, girando sobre si mesmo. De repente parecia que se destacava do céu para precipitar-se sobre a multidão que assistia aterrorizada, caia de joelhos e invocava misericórdia. No entanto as crianças viram ao lado do sol Nossa Senhora vestida de branco com o manto azul e São José com o Menino que abençoava o mundo. Depois desta visão, viram O Senhor que abençoava o mundo, com Nossa Senhora das Dores a seu lado. Desaparecida esta visão, viram Nossa Senhora do Carmo. Terminado o milagre as pessoas se deram conta de terem tido suas roupas completamente secadas.


II - O poder do EscapulárioNossa Senhora do Carmo


O Monte Carmelo, na Palestina, é o lugar sagrado do Antigo e Novo Testamento. É o Monte em que o Profeta Elias evidencia a existência e a presença do Deus verdadeiro, vendo os 450 sacerdotes pagãos do Baal e os 400 profetas dos bosques, fazendo descer do céu o fogo devorador que lhes extinguiu a vida. (III Livro dos Reis, XVIII, 19 seg.). É ainda o Profeta Elias que implora do Senhor chuva benfazeja, depois de uma seca de três anos e três meses (III Livro dos Reis, XVIII, 45).

"Flos Carmeli" - Oração - Cântico que São Simão Stock dirigia a Santíssima Virgem Maria


Flor do Carmelo,
vinha florígera,
celeste velo,
Virgem frutífera,
és singular.

Doce e bendita,
ó Mãe puríssima,
aos carmelitas,
sê tu propícia,
Estrela do mar.

Raiz de Jessé,
de brotos floridos,
queiras, feliz,
ao céu dos séculos
nos elevar.

Entre os abrolhos,
viçoso lírio,
guarda de escolhos
o frágil ânimo,
Mãe tutelar.

Forte armadura
ante o adversário,
na guerra dura
o escapulário
vem nos guardar.

Nas incertezas,
conselho sábio,
nas asperezas,
consolo sólido
queiras nos dar.

Mãe de doçura
do Carmo régio,
sê a ventura
que o povo em júbilo
vem te aclamar.

Do paraíso
és chave, és pórtico;
prudente guia,
a nós, de glória,
vem coroar. Amém!


Fonte: Frei Patrício Sciadini, OCD, Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Novenário e Festa de Nossa Senhora do Carmo





Dom Fernando Arêas Rifan*


Sábado próximo celebraremos a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo, devoção antiquíssima e muito difundida pelo uso do Escapulário em sua honra.

Quase na divisa com o Líbano, o monte Carmelo, com 600 metros de altitude, situa-se na terra de Israel. “Carmo”, em hebraico, significa “vinha” e “El” significa “Senhor”, donde Carmelo significa a vinha do Senhor. Ali se refugiou o profeta Elias, que lá realizou grandes prodígios, e depois o seu sucessor, Eliseu. Eles reuniram no monte Carmelo os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado.

Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo.

No século XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa e começaram a perseguir os cristãos, entre eles os eremitas do Monte Carmelo, muitos dos quais fugiram para a Europa. No ano 1241, o Barão de Grey da Inglaterra retornava das Cruzadas com os exércitos cristãos, convocados para defender e proteger contra os muçulmanos os peregrinos dos Lugares Santos, e trouxe consigo um grupo de religiosos do Monte Carmelo, doando-lhes uma casa no povoado de Aylesford. Juntou-se a eles um eremita chamado Simão Stock, inglês de família ilustre do condado de Kent. De tal modo se distinguiu na vida religiosa, que os Carmelitas o elegeram como Superior Geral da Ordem, que já se espalhara pela Europa.

No dia 16 de julho de 1251, no seu convento de Cambridge, na Inglaterra, rezava o santo para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem do Carmo, por ela tão amada, mas então muito perseguida. A Virgem Santíssima ouviu essas preces fervorosas de São Simão Stock, dando-lhe, como prova do seu carinho e de seu amor por aquela Ordem, o Escapulário marrom, como veste de proteção, fazendo-lhe a célebre e consoladora promessa:

“Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo aquele que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção”.

O Papa Pio XII, em carta a todos os carmelitas (11/2/1950), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem “devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”. Mas faz uma advertência sobre sua eficácia, para que não seja usado como superstição: “O sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus; mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Blog Flos Carmeli

domingo, 26 de julho de 2015

O que é a caridade - Santa Teresinha do Menino Jesus



O que é a caridade (Santa Teresinha do Menino Jesus)
Este ano, minha querida Madre, Deus concedeu-me a graça de compreender o que é a caridade. Dantes compreendia-o, é verdade, mas de uma maneira imperfeita. Não tinha aprofundado estas palavras de Jesus: «O segundo mandamento é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Aplicava-me, sobretudo a amar a Deus, e foi amando-O que compreendi que o meu amor não se devia traduzir só em palavras, porque: «Não são aqueles que dizem: Senhor, Senhor, que entrarão no reino dos Céus, mas aqueles que fazem a vontade de Deus». Jesus deu a conhecer esta vontade diversas vezes; deveria dizer, quase em cada página do Evangelho. Mas na última Ceia, quando sabe que o coração dos seus discípulos se abrasa num amor mais ardente para com Ele, que acaba de Se lhes dar no inefável mistério da Eucaristia, este benigno Salvador, quer dar-lhes um mandamento novo. Diz-lhes com uma ternura inexprimível: «Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros, e que assim como Eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros. O sinal pelo qual todos conhecerão que sois meus discípulos, é amar-vos mutuamente».

Como amou Jesus os seus discípulos, e porque os amou? Ah! não eram as qualidades naturais deles que O podiam atrair; havia entre eles e Ele uma distância infinita: Ele era a Ciência, a Sabedoria eterna; eles eram pobres pescadores, ignorantes e cheios de pensamentos terrestres. Apesar disso, Jesus chama-lhes seus amigos, seus irmãos. Quer vê-los reinar com Ele no reino de seu Pai, e para lhes abrir esse reino quer morrer numa cruz, pois disse: «Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama».

Caríssima Madre, ao meditar estas palavras de Jesus, compreendi quanto era imperfeito o meu amor para com as minhas Irmãs; vi que não as amava como Deus as ama. Ah! compreendo agora que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos atos de virtude que se lhes vir praticar; mas compreendi, sobretudo, que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração: «Ninguém, disse Jesus, acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas coloca-a sobre o candelabro para alumiar todos os que estão em casa». Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão em casa, sem excetuar ninguém.

Quando o Senhor ordenara ao seu povo que amasse o seu próximo como a si mesmo, não tinha ainda vindo à terra. Por isso, sabendo em que grau se ama a própria pessoa, não podia pedir às suas criaturas um amor maior para com o próximo. Mas quando Jesus deu aos Apóstolos um mandamento novo, o seu mandamento, como diz mais adiante, não fala já de amar o próximo como a si mesmo, mas de o amar como Ele, Jesus, o amou, como o amará até à consumação dos séculos…

Ah, Senhor! eu sei que não mandais nada que seja impossível, conheceis melhor do que eu a minha fraqueza, a minha imperfeição, sabeis bem que nunca poderia amar as minhas Irmãs como Vós as amais, se Vós mesmo, ó meu Jesus, não as amásseis também em mim. Foi porque me queríeis conceder esta graça que ditastes um mandamento novo. - Oh! como gosto dele, já que me dá a certeza de que a vossa vontade é amardes em mim todos aqueles a quem me mandais amar! …

Sim, eu sinto que quando sou caridosa, é só Jesus que age em mim; quanto mais estiver unida a Ele, tanto mais amo também as minhas Irmãs. Quando quero fazer crescer em mim este amor, sobretudo quando o demónio procura pôr-me diante dos olhos da alma os defeitos de tal ou tal Irmã que me é menos simpática, apresso-me a procurar as suas virtudes, os seus bons desejos, digo para comigo que se a vi cair uma vez, pode muito bem ter alcançado um grande número de vitórias que esconde por humildade, e que mesmo o que me parece uma falta, pode muito bem ser, por causa da intenção, um ato de virtude. Não me custa persuadir-me disso, pois um dia fiz uma pequena experiência que me provou que nunca se deve julgar. – Foi durante um recreio; a porteira tocou duas vezes, era preciso ir abrir o portão dos operários para meterem dentro árvores destinadas ao presépio. O recreio não estava animado, pois vós não estáveis lá, minha querida Madre; portanto, pensei que, se me mandassem servir de terceira, ficaria muito contente. Precisamente a Madre Sub-prioresa disse-me que fosse eu, ou então a Irmã que estava ao meu lado. Comecei logo a tirar avental, mas bastante devagar, para que a minha companheira tirasse o dela antes de mim, pois pensava ser-lhe agradável, deixando-a fazer de terceira. A Irmã que substituía a ecónoma olhava para nós a rir, e, vendo que eu tinha sido a última a levantar-me, disse-me: Ah! bem me parecia que não éreis vós que ganharíeis uma pérola para a vossa coroa, com todos esses vagares…

Com toda a certeza, toda a Comunidade pensou que eu agira naturalmente, e não conseguiria dizer o bem que uma coisa tão pequena fez à minha alma, e me tornou indulgente para com as fraquezas das outras. Isso impede-me também de ter vaidade quando sou julgada favoravelmente, pois digo assim para comigo: «Já que tomam os meus pequenos atos de virtude por imperfeições, podem também enganar-se tomando por virtude aquilo que é somente imperfeição». Então digo com S. Paulo: «Pouco me importa ser julgada por um tribunal humano. Nem me julgo a mim mesma, quem me julga é o Senhor». E assim, para que este julgamento me seja favorável, ou antes, para não ser sequer julgada, quero ter sempre pensamentos caridosos, pois Jesus disse: «Não julgueis, e não sereis julgados».

Minha Madre, ao lerdes o que acabo de escrever, poderíeis pensar que a prática da caridade não me é difícil. É verdade. De há alguns meses para cá já não tenho que combater para praticar esta bela virtude; não quero dizer com isto que nunca me aconteça cometer faltas, ah! sou demasiado imperfeita para tal, mas não me custa muito levantar-me quando caí, pois houve um certo combate em que consegui a vitória; por isso, a milícia celeste vem agora em meu socorro, pois não pode consentir em ver-me vencida, depois de ter saído vencedora na gloriosa guerra que vou tentar descrever.

Há na Comunidade uma Irmã que tem o condão de me desagradar em todas as coisas: as suas maneiras, as suas palavras, o seu caráter, pareciam-me muito desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa, que deve ser muito agradável a Deus; por isso, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, disse comigo que a caridade não devia consistir nos sentimentos, mas nas obras. Então apliquei-me a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa que mais amo. Cada vez que a encontrava, rezava por ela a Deus, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e os seus méritos. Estava certa de que isso agradava a Jesus, pois não há artista que não goste de receber louvores pelas suas obras, e Jesus, o Artista das almas, fica contente quando não nos detemos no exterior, mas, penetrando até ao santuário íntimo que escolheu para sua morada, lhe admiramos a beleza. Não me contentava com rezar muito pela Irmã que me proporcionava tantos combates; procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis e, quando tinha a tentação de lhe responder de uma maneira desagradável, contentava-me com dar-lhe o meu sorriso, e procurava desviar a conversa, pois a Imitação de Cristo diz: Vale mais deixar cada um com a sua opinião do que deter-se a discutir.

Muitas vezes também, quando não estava no recreio (quero dizer, durante as horas de trabalho), tendo alguns contactos de ofício com esta Irmã, quando os meus combates eram muito violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava absolutamente o que eu sentia por ela, nunca suspeitou dos motivos da minha conduta, e continua persuadida de que o seu caráter me é agradável. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras, com um ar muito contente: «Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai em mim, cada vez que olhais para mim vejo-vos sorrir?» Ah! o que me atraía era Jesus escondido no fundo da sua alma … Jesus, que torna doce o que há de mais amargo. Respondi-lhe que sorria porque ficava contente de a ver (claro que não acrescentei que era sob o ponto de vista espiritual).

Minha caríssima Madre, já vo-lo disse, o meu último recurso para não ser vencida nos combates é a deserção. Já durante o noviciado o empregava, e sempre me deu bom resultado. Vou contar-vos um exemplo, minha Madre, que creio que vos fará sorrir. Durante uma das vossas bronquites, vim uma manhã, muito de mansinho, pôr na vossa cela as chaves da grade da comunhão, pois era sacristão Na verdade, não estava aborrecida por ter essa ocasião de vos ver, estava até muito contente, mas esforçava-me por não o dar a entender. Uma Irmã, animada dum santo zelo, e que no entanto me amava muito, vendo-me entrar na vossa cela, minha Madre, pensou que eu vos ia acordar. Quis tirar-me as chaves, mas eu era astuta demais para lhas dar e ceder os meus direitos. Disse-lhe o mais delicadamente possível que desejava tanto como ela não vos acordar, e que me pertencia a mim entregar as chaves… Compreendo agora que teria sido muito mais perfeito ceder a essa Irmã, nova, é verdade, mas enfim, mais antiga do que eu. Não o compreendia então, por isso, querendo a todo o custo entrar atrás dela, apesar de ela empurrar a porta para não me deixar passar, não tardou que a desgraça que ambas temíamos acontecesse: o barulho que fazíamos fez-vos acordar… Então, minha Madre, tudo recaiu sobre mim: a pobre Irmã, a quem eu resistira, pôs-se a declamar todo um discurso, cujo conteúdo era o seguinte: «Foi a Irmã Teresa do Menino Jesus que fez barulho… Meu Deus, como ela é insuportável…» etc. Eu, que sentia exatamente o contrário, tinha bastante vontade de me defender; felizmente, ocorreu-me uma ideia luminosa: disse comigo que com certeza, se me começasse a justificar, não conseguiria conservar a paz na minha alma; sentia também que não tinha virtude bastante para me deixar acusar sem dizer nada; a minha única tábua de salvação era, portanto, a fuga. Dito e feito. Saí pela calada, deixando a Irmã continuar o seu discurso, que se parecia com as imprecações de Camilo contra Roma. O meu coração batia com tanta força que me foi impossível ir longe, e sentei-me na escada para gozar em paz os frutos da minha vitória. Não havia nisso valentia, não achais, minha querida Madre? Mas apesar disso, creio que vale mais não se expor ao combate quando a derrota é certa. Ai de mim!quando me recordo do tempo do meu noviciado, vejo bem quanto era imperfeita… Sofria por tão pouco, que agora rio-me disso. Ah! como o Senhor é bom por ter feito crescer a minha alma, por lhe ter dado asas … Todos os laços dos caçadores não seriam capazes de me assustar, porque: «É em vão que se arma o laço diante dos olhos daqueles que têm asas» (Prov.). Mais tarde, sem dúvida, o tempo em que estou vai-me parecer ainda cheio de imperfeições, mas agora já não me admiro nada, não tenho desgosto por ver que sou a própria fraqueza, pelo contrário, é nela que me glorio, e conto descobrir em mim todos os dias novas imperfeições. Lembrando-me de que a Caridade cobre a multidão dos pecados, bebo nessa mina abundante que Jesus abriu na minha frente. No Evangelho, o Senhor explica em que consiste o seu mandamento novo. Diz em S. Mateus: «Ouvistes que foi dito: amareis o vosso amigo e odiareis o vosso inimigo. Mas eu digo-vos: amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem». Sem dúvida, no Carmelo não se encontram inimigos, mas enfim, há simpatias, sente-se atração por uma Irmã, ao passo que outra nos faria dar uma grande volta para evitar encontrá-la; assim, mesmo sem o saber, ela torna-se objeto de perseguição. Pois bem! Jesus diz-me que esta Irmã, é preciso amá-la, que é preciso rezar por ela, mesmo que o seu comportamento me levasse a pensar que ela não me ama; «Se amais aqueles que vos amam, que reconhecimento haveis de ter? Pois também os pecadores amam aqueles que os amam» (S. Lucas, VI). E não basta amar, é preciso prová-lo. Fica-se naturalmente contente por dar um presente a um amigo; gosta-se sobretudo de fazer surpresas, mas isso de modo algum é caridade, pois os pecadores também o fazem. Eis o que Jesus me ensina ainda: «Dai a todo aquele que vos pede; e se tomarem o que vos pertence, não o reclameis». Dar a todas as que pedem é menos agradável que oferecer por si mesma, pelo impulso do seu coração; ainda quando pedem com delicadeza, não custa dar, mas, se por infelicidade, não empregam palavras bastante delicadas, logo a alma se revolta, se não estiver fortalecida na caridade. Arranja mil razões para recusar o que se lhe pede, e só depois de ter convencido a que pede da sua indelicadeza, é que, por fim, lhe dá por favor o que reclama, ou lhe presta um pequeno serviço que teria levado vinte vezes menos tempo a realizar do que foi preciso para fazer valer direitos imaginários. Se é difícil dar a todo aquele que pede, ainda o é mais deixar tomar o que nos pertence sem o reclamar. Oh, minha Madre! digo que é difícil, deveria dizer antes que isso parece difícil, pois o jugo do Senhor é suave e leve; quando se aceita sente-se logo a sua suavidade, e exclama-se com o salmista: «Corri pelo caminho dos vossos mandamentos, desde que dilatastes o meu coração». Só a caridade me pode dilatar o coração. Ó Jesus! desde que esta ditosa chama o consome, corro com alegria pelo caminho do vosso mandamento novo… Quero correr por ele até ao dia bem-aventurado em que, juntando-me ao cortejo virginal, poderei seguir-Vos nos espaços infinitos, cantando o vosso cântico novo, que deve ser o do Amor.

Santa Teresa do Menino Jesus, Obras Completas, Edições Carmelo, 1996, pp. 256-263

Fonte: O Camponês

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A árvore da vida - Beata Miriam (ou Maria) de Jesus Crucificado



A árvore da vida

Salve, salve, Árvore da Vida

Que o fruto da vida nos dais!

No meio desta terra,

Meu coração geme e suspira.

Quem me dera ter asas?

Voaria para junto do Amado.

Salve, salve, Árvore da Vida

Que o fruto da vida nos dais!

Em vossas folhas vejo escrito:

Nada temais!

O vosso verdor nos diz:

Esperai!

Os ramos dizem: caridade,

A sombra diz: humildade.

Salve, salve, Árvore da Vida.

Que o fruto da vida contém!

No meio desta terra,

Meu coração geme e suspira.

Quem me dera ter asas!

Para junto do Amado voaria.

Salve, salve, Árvore Bendita

Que os frutos da vida carregam.

À vossa sombra suspiro,

A vossos pés quero morrer.

Enaltecendo Maria

Aos pés de Maria,

A Mãe querida,

A vida encontrei.

Vós todos que sofreis, vinde a Maria,

A seus pés

A vida encontrei.

Tu que penas neste Mosteiro,

Maria conta teus passos e trabalho.

Diz a ti mesmo:

Aos pés de Maria

A vida encontrei.

Tu que moras neste Mosteiro,

Liberte das coisas terrestres,

A tua vida e salvação

Estão aos pés de Maria.

Moro nas entranhas de minha Mãe

E ali encontro meu Bem-Amado.

Seria uma orfãzinha?

No seio de Maria

A vida encontrei.

Não me chame de órfã

Maria é minha Mãe

E o meu pai é Deus.

A serpente, o dragão

Tentava-me morder

E me tirar a vida,

Mas aos pés de Maria

A vida encontrei.

Maria me chamou

E neste Mosteiro

Sempre ficarei:

Aos pés de Maria

A vida encontrei.

………………………

Fonte: Carmelo São José – Cruz Alta.
Blog Castelo Interior


São Josemaria Escrivá: "Traz sobre o teu peito o santo escapulário"




"Traz sobre o teu peito o santo escapulário"

Traz sobre o teu peito o santo escapulário do Carmo. - Poucas devoções (há muitas e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino! (Caminho, 500)

Quando te perguntaram que imagem de Nossa Senhora te dava mais devoção, e respondeste - como quem já fez bem a experiência - que todas, compreendi que eras um bom filho. Por isso te parecem bons (enamoram-me, disseste) todos os retratos da tua Mãe. (Caminho 501)

Maria, Mestra de oração. - Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. - E como consegue.

- Aprende. (Caminho, 502)

Se queres ser fiel, sê muito mariano.

A nossa Mãe - desde a embaixada do anjo até à sua agonia ao pé da Cruz - não teve outro coração nem outra vida que não a de Jesus.

Recorre a Maria com terna devoção de filho, e Ela te alcançará essa lealdade e abnegação que desejas. (Via Sacra, XIII Estação, n.4)

Fonte: Mensagens de São Josemaria Escrivá

quinta-feira, 7 de março de 2013

A importância do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo


Em várias aparições a Rainha do Céu concedeu duas importantes graças a quem levasse sobre si o seu santo escapulário:

A primeira consiste na perseverança final e a preservação do inferno.

O segundo privilégio, chamado também sabatino, consiste na rápida liberação das penas do purgatório, crendo-se que tem lugar no sábado seguinte ao dia da morte.

Para alcançar este segundo privilégio, além de morrer com o escapulário, é preciso guardar a castidade segundo o próprio estado, rezar o Ofício Parvo da Santíssima Virgem e guardar os jejuns estabelecidos pela Igreja. A condição do Ofício Parvo pode ser trocada por outras obras pias por qualquer sacerdote que tenha os poderes necessários (por exemplo, pela oração diária de uma parte do Terço). É preciso a imposição por um sacerdote autorizado.

Se mais tarde se perde ou se gasta, pode ser substituído por outro, sem necessidade de benzê-lo; valem igualmente as chamadas medalhas-escapulário (desde que tenham sido benzidas), ou seja, as que têm em um dos lados a imagem do Sagrado Coração e no outro uma imagem de qualquer invocação da Virgem Maria.

Com razão, pois, se diz que o escapulário do Carmo é sinal seguro de salvação, expressão que, no entanto, deve ser entendida retamente: de fato não valeria levar o escapulário e entregar-se a uma vida desordenada confiando na promessa que se refere, naturalmente, àqueles que com boa vontade honram a Virgem Maria vestindo o seu distintivo e procurando cumprir com as suas obrigações de católicos.

Pio XII exortou a levar o escapulário do Carmo “como expressão da Consagração ao Coração Imaculado de Maria”.

De fato, as aparições de Fátima revestiram o escapulário do Carmo com uma nova importância: “No dia 13 de setembro de 1917, a Virgem de Fátima tinha anunciado aos três videntes a vinda de Nossa Senhora do Carmo no mês seguinte. No dia 13 de outubro, no momento do encerramento do ciclo das aparições, quando a conversação da Lúcia com Nossa Senhora do Rosário tinha terminado, enquanto a multidão contemplava o grandioso milagre solar, os três pastorzinhos tiveram várias visões. Foi-lhes dado admirar no mesmo Céu três quadros sucessivos, o último dos quais foi o de Nossa Senhora do Monte Carmelo lembrando os mistérios gloriosos do Santo Rosário. Nessa mesma tarde, Lúcia relatará a sua visão ao Cônego Formigão: Ao final, a Virgem se apresentou: “pareceu-me Nossa Senhora do Carmo”.

Se a Virgem sustentava o escapulário em suas mãos, era para animá-los a levá-lo, assim como nas aparições anteriores a presença do Terço tinha manifestado claramente os desejos do seu Coração. O Escapulário e o Terço são inseparáveis.

Créditos: Católicos Tradicionais e O Segredo do Rosário
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