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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A consagração a Maria e a Comunhão


Conheça o modo próprio do consagrado a Virgem Maria viver esta devoção na santa comunhão.


São Luís Maria Grignion de Montfort, ensina como os consagrados a Nossa Senhora devem participar da comunhão eucarística, no final do seu extraordinário livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Apesar deste ser o último tema do Livro, não é o menos importante. Ao contrário, o grande Santo nos fala da comunhão separadamente das práticas interiores e exteriores justamente por causa da sua importância na santa escravidão a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria. Podemos dizer que esta última parte do Tratado é um coroamento da devoção que São Luís Maria nos ensinou. Não poderia ser diferente, pois participar bem da Santa Missa, principalmente da comunhão, recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo devotamente, em estado de graça e com um coração bem disposto, faz toda a diferença para o crescimento na vida espiritual.

A participação no sacrifício eucarístico de Jesus Cristo é a fonte e o centro de toda a vida cristã. Mais ainda, a Eucaristia é o ápice, o ponto mais alto, do mistério de nossa comunhão com Cristo e, n’Ele, com o Pai e com o Espírito Santo. Sendo assim, para participar bem do momento mais sublime e elevado de nossa fé, que é a Eucaristia, uma boa preparação é necessária. São Luís Maria sabia muito bem disso, tanto que, como grande pedagogo que é, de forma extraordinária, nos ensina não somente a nos preparar bem para receber a comunhão, mas também a comungar devotamente e a viver bem o momento de ação de graças.


A devoção a Virgem Maria antes da comunhão


A preparação para a comunhão começa antes mesmo da celebração da Santa Missa, ou da Palavra com comunhão, com o jejum eucarístico de pelo menos de uma hora antes – que tem como finalidade não somente de abster-nos de comida e de bebida, mas principalmente de despertar em nós “fome” e “sede” de Deus – e a busca do silêncio e do recolhimento interior. Além disso, as práticas seguintes, ensinadas por São Luís Maria para antes da comunhão, podem ser feitas durante a celebração, mas é muito salutar se forem vividas antes, ainda que num breve momento de meditação e oração. De qualquer forma, nesta preparação para a comunhão, devemos:

1º – Humilhar-nos profundamente diante de Deus;

2º – Renunciar ao nosso fundo mau, todo corrompido, e às nossas más disposições, embora o nosso amor próprio as faça parecer boas;

3º – Renovar a nossa consagração dizendo: “’Todo Vosso sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!‘ (Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt!)”;

4º – Suplicar a Virgem Maria que nos empreste o seu Coração de Mãe, para nele receber seu Filho com as disposições dela. Pois, a glória de seu Filho exige que não seja recebido num coração tão manchado e tão inconstante como o nosso. Se recebermos o Senhor em nosso coração, este não demorará em fazer-nos perdê-Lo, ou em privar-nos da Sua glória. Mas, se Nossa Senhora quiser vir habitar em nosso coração para receber seu Filho, poderá fazê-lo pelo domínio que tem sobre os corações. Dessa forma, seu Filho será bem recebido, sem mancha nem perigo de ser ultrajado ou perdido. Então, digamos confiantemente a Mãe de Deus que tudo o que lhe oferecemos dos nossos bens é bem pouca coisa para honrá-la. Por isso, desejamos dar-lhe, pela santa comunhão, o mesmo presente que o Pai Eterno lhe deu: seu Filho Jesus Cristo. Deste modo, a Virgem Maria será mais honrada do que se lhe oferecêssemos todos os bens do mundo. Podemos dizer a Virgem de Nazaré que seu Filho Jesus a ama muito particularmente, e que ainda quer ter nela as suas alegrias e o seu repouso, mesmo que agora seja em nossa alma, mais suja e pobre que o estábulo, onde Jesus não pôs dificuldades em vir, porque ela lá estava. Enfim, peçamos a Nossa Senhora o seu Coração, com estas ternas palavras: “Tomo-Vos como toda a minha riqueza. Dai-me o Vosso Coração, ó Maria!”.


Cardeal Joseph Ratzinger e Papa São João Paulo II


A devoção a Santíssima Virgem durante a comunhão


Segundo a devoção ensinada por São Luís Maria, quando se aproximar o momento sublime de receber Jesus Cristo, depois do “Pai-Nosso”, diremos três vezes: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!”, cada uma delas por uma pessoa da Santíssima Trindade:

1ª – A primeira vez será para dizer ao Pai Eterno que não somos dignos de receber seu Filho Unigênito, por causa dos nossos maus pensamentos e ingratidões para com um Pai tão bom. Mas eis que Maria, a Serva do Senhor, está conosco, representa-nos e dá-nos confiança e esperança singulares junto da Divina Majestade;

2ª – A segunda vez, diremos ao Filho que não somos dignos de recebê-Lo por causa das nossas inúteis e más palavras, por causa da nossa infidelidade ao Seu serviço. Suplicaremos a Jesus que tenha piedade de nós, porque O introduziremos na casa da sua própria Mãe e nossa. Diremos que não O deixaremos partir sem que venha morar na casa de Maria: “Detive-o e não o deixarei até o introduzir na casa de minha Mãe e no quarto daquela que me gerou”. Pediremos a Cristo que se levante e venha descansar no lugar do seu repouso, na arca da sua santificação: “Levantai-Vos, Senhor, entrai no Vosso repouso, tu e a arca da tua santidade”. Não colocaremos nenhuma confiança nos nossos méritos, em nossas forças e na nossa preparação, como Esaú, mas nas mãos de Maria, nossa querida Mãe, como o jovem Jacó se colocou aos cuidados de Rebeca. Embora pecador e Esaú que somos, ousamos aproximar-nos da santidade do Filho de Deus apoiados e revestidos dos méritos e virtudes de sua Santa Mãe;

3ª – Na terceira vez, diremos ao Espírito Santo que não somos dignos de receber a obra-prima da sua caridade, por causa da tibieza e iniquidade das nossas ações e das nossas resistências às suas inspirações, mas que toda a nossa confiança está em Maria, sua Fiel Esposa. Com São Bernardo, exclamaremos: “Ela é a minha grande confiança, é toda a razão da minha esperança!” Neste momento, podemos pedir ao Espírito de Deus que venha mais uma vez a Virgem Maria, sua esposa inseparável; que seu seio é tão puro e seu Coração tão abrasado como sempre; e que sem que Ele desça à nossa alma, Jesus e Maria nela não poderão ser bem acolhidos, nem bem formados.



A devoção a Nossa Senhora depois da comunhão

Depois da santa comunhão, interiormente recolhidos, com os olhos fechados, introduziremos espiritualmente Jesus Cristo no Coração de Maria. Nós O daremos “à sua Mãe, que O receberá amorosamente, O instalará honorificamente, O adorará profundamente, O amará perfeitamente, O abraçará com amor e Lhe tributará, em espírito e verdade, várias homenagens que nos são desconhecidas, a nós, envoltos nessas densas trevas”. Ou então, permaneceremos profundamente humilhados em nosso coração, na presença de Jesus fazendo sua morada em Maria. Ou ficaremos como um escravo à porta do palácio do Rei, onde Ele está a falar com a Rainha e, enquanto Eles falam, sem precisar de nós, iremos em espírito ao Céu e pela Terra inteira para pedir a todas as criaturas que agradeçam, adorem e amem Jesus em Maria, por nós. “Vinde, adoremos, vinde!”. Ou então, nós mesmos pediremos a Jesus, em união com Maria, a vinda do seu Reino sobre a Terra, por intermédio de sua Santa Mãe. Ou pediremos a Sabedoria Divina, ou o Amor Divino, ou o perdão dos nossos pecados, ou qualquer outra graça, mas sempre por Maria e em Maria. Então diremos, considerando-nos com desconfiança: Senhor, não olheis para os nossos pecados, mas que os Vossos olhos só vejam em nós as virtudes e os méritos de Maria. E, recordando-nos dos nossos pecados, acrescentaremos: “Foi o inimigo que fez isto!”. Pois, nós mesmos somos o maior inimigo com quem temos que lutar; fomos nós que cometemos estes pecados. Ou então: Livrai-nos, Senhor, do homem perverso e mentiroso, que somos nós mesmos. Podemos dizer ainda: meu Jesus, é necessário que vós cresçais na minha alma e que nós diminuamos. Ó Maria, é necessário que cresçais em nós, e que sejamos menores do que nunca! “Crescei e multiplicai-vos”: ó Jesus e Maria, crescei em nós, e multiplicai-Vos fora de nós nos outros.


O segredo de Maria na comunhão eucarística


Assim, o Espírito Santo nos inspirará uma infinidade de pensamentos, se formos interiores, mortificados e fiéis a esta grande e sublime devoção ensinada por São Luís Maria. Não tenhamos medo de clamar a presença de Nossa Senhora antes de receber Jesus Cristo na comunhão. Recordemos que, quanto mais deixarmos agir Maria na nossa comunhão, mais Jesus será glorificado. Além disso, tanto mais deixaremos agir Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente nos humilharmos e os escutarmos em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir. “Pois o justo vive, em tudo, da Fé, e particularmente na Sagrada Comunhão, que é um ato de fé: ‘O meu justo viverá da Fé!’”. Neste ato de fé, está o segredo para viver bem a comunhão e deixar que Jesus e Maria realizem a obra da Santíssima Trindade em nós. Na comunhão, não devemos buscar visões, consolações ou sensações, senão permaneceremos no exterior e praticamente impediremos a ação de Deus. Pois, é em nosso interior, no mais profundo de nossas almas, que Jesus e Maria realizam as maiores maravilhas da graça. Que Nossa Senhora nos ajude a acolher Jesus Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne, em nosso interior, no mais íntimo do nosso coração. Ó Virgem Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!


Natalino Ueda - Blog Todo de Maria 

Links relacionados:








Referências:


1 Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 11.


2 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 22.


3 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Código de Direito Canônico, Cânon 919 — § 1. Quem vai receber a santíssima Eucaristia, abstenha-se, pelo espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão, de qualquer comida ou bebida, exceto água ou remédios.


4 TVD 266.


5 Cf. Lc 2, 7.


6 TVD 266.


7 Idem, 267.


8 Cf. Sl 4, 10.


9 Ct 3, 4.


10 Sl 131, 8.


11 Cf. Gn 27, 1-29.


12 TVD 269.


13 Idem, 270.


14 Sl 94, 6.


15 Mt 13, 28.


16 Cf. Sl 42, 1.


17 Cf. Jo 3, 30.


18 Gn 1, 28.


19 TVD 273. Cf. Hb 10, 38.


20 Cf. Jo 1, 14.


21 Cf. Lc 2, 19.51;

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

É uma entrega na totalidade - São Luís Maria Grignion de Montfort


                
 
                Consiste em consagrar-se inteiramente, na qualidade de escravo, a Maria e, por Ela, a Jesus Cristo. Trata-se, pois, dum compomisso a fazer todas as ações com Maria, em Maria, por meio de Maria e para Maria.
                Vou explicar o que isso significa.

                Escolherás uma data importante para essa entrega, para te consagrares e entregares em sacrifício, voluntariamente e por amor – não por constrangimento – inteiramente e sem qualquer reserva, no corpo e na alma, consagrando os teus bens exteriores de fortuna, tais como, a casa, a família e os rendimentos; e ainda os próprios bens interiores da alma, como sejam: os próprios méritos, as graças, virtudes e satisfações.
                Aqui convém sublinhar que, com esta devoção, faz-se entrega a Jesus, por meio de Maria, de tudo quanto uma alma tem de mais precioso e que nenhum Instituto Religioso pede para se sacrificar, como seja o direito da pessoa de dispor de si e do mérito das próprias orações, esmolas, mortificações e satisfações. Entrega-se inteiramente tudo; põe-se tudo à disposição da Santíssima Virgem para que o aplique segundo a sua vontade e para a maior glória de Deus que só Ela conhece com perfeição.
                Deixa-se à disposição da Santíssima Virgem odo o mérito satisfatório e impetratório das boas obras. Por isso, depois de se Lhe te feito uma al oferta, mesmo sem ser acompanhada por qualquer voto, não mais se fica dono e senhor do que quer se faça, e a Santíssima Virgem fica com o pleno direito e aplicar esse mérito que a favor duma alma do purgatório que necessite ser  aliviada ou libertada, quer em benefício dum pobre pecador a necessitar de conversão.
                Por esta devoção colocam-se as mãos da Senhora os próprios méritos. Porém, isso é para que Ela os guarde, os multiplique, e os embeleze, já que os méritos em ordem à graça santificante e à glória não poderão ser cedidos a outras pessoas.                             

                Dão-se-Lhe, no entanto, todas orações e as boas obras pessoais, uma vez que têm um valor impetratório e satisfatório, para que Ela as distribua e aplique a quem quiser.
                Se, porventura, depois duma tal consagração à Senhora, se quisesse aliviar uma alma do Purgatório, rezar pela conversão dum pecado em concreto, ajudar algum dos nossos amigos mediante a própria oração, a penitência, a esmola e ouros sacrifícios, pois poderá fazer-se desde que se Lhe peça com humildade e que, de antemão, se aceite a Sua vontade, mesmo sem a conhecer. Fique-se, porém, com a certeza de que o mérito das próprias ações – já que administrado pela mesma mão de que Deus se serve para distribuir os seus dos e graças -, só poderá ser aplicado para a maior glória de Deus.
 

O Segredo de Maria - São Luís Maria Gigion de Montfort

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O imenso valor da Ave Maria, a saudação angélica

 


Almas predestinadas, escravas de Jesus em Maria, aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis.


A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é, como dizem os santos, o inimigo do demônio, pondo-o logo em fuga, e o martelo que o esmaga; a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de santos ilustres.


Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu: "Qui seminat in benedictionibus, de benedicionibus et metet" (2 Cor 9,6).


 S. Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
 
Fonte: Blog GRAA

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A meditação da prepração para a Consagração à Nossa Senhora

Consagração a Nossa Senhora
Segundo o método de São Luís de Montfort


1. Esquema geral da meditação

a) Por-se na presença de Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo contemplado juntamente com Nossa Senhora (durante o tempo da incarnação, no presépio, em Nazaré, no Templo, na via-crúcis, no Calvário, etc.);
b) Suplicar a Nosso Senhor, através de Maria Santíssima, a graça própria do período: desprezo do mundo, conhecimento próprio, de Nossa Senhora ou de Nosso Senhor;
c) Oferecer por essa intenção uma das orações determinadas por São Luís de Montfort;
d) Meditar (ato da inteligênciaè o que eu devo saber?) sobre as verdades propostas [escolhendo entre os textos dispostos no cronograma; pode ser muito útil escolher os textos com antecedência, normalmente no dia anterior, preparando a meditação].
e) Que deve conduzir à produção e explicitação de afetos (atos da vontadeè o que eu devo querer);
f) Formular resoluções práticas, precisas (determinadas na matéria, no tempo, no espaço, nas circunstâncias, etc.) e em pequeno número, oferecendo-as a Nosso Senhor pelas mãos de Maria e suplicando força para cumpri-las;
g) Oferecer nesta intenção alguma(s) outra(s) das orações determinadas por São Luís (os exercícios remanescentes podem ser feitos em outro momento do dia).

2. Doze dias preliminares: Desapego do mundo

a) Texto introdutório do tema


(Estes textos podem servir de fio geral para as meditações, ou ser lido a cada dia, como uma espécie de leitura espiritual).

Carta circular aos amigos da cruz (I, B).

“Não estareis vós, sem perceber, no caminho largo do mundo, que é o caminho da perdição?”.
Vós sabeis, mesmo, que há uma via que parece reta e segura ao homem e que conduz à morte?
Vós distinguis, de fato, entre a voz de Deus e da graça e a do mundo e da natureza?
Vós escutais realmente a voz de Deus, nosso bom Pai, que, depois de ter dado sua tríplice maldição a todos os que seguem a concupiscência do mundo: “vae, vae, vae habitantibus in terra”, vos grita amorosamente, estendendo-vos os braços: “Separamini, popule meus: separai-vos, meu povo escolhido, caros amigos da cruz de meu filho; separai-vos dos mundanos malditos por minha Majestade, excomungados por meu filho e condenados por meu Santo Espírito”.
Tomai cuidado de não vos sentar em sua cátedra empestada (cf. Sl. 1, 1 ss.); não permaneçais nas suas assembléias, nem mesmo pareis nos seus caminhos.
Fugi do meio da grande e infame Babilônia; não escuteis mais que a voz, não sigais senão as pegadas de meu filho bem-amado, que vos dei para ser vosso caminho, vossa verdade, vossa vida e vosso modelo, “ipsum audite”.
Ouvireis vós esse amável Jesus que vos clama, carregando sua cruz: “Venite post me, vinde após mim; aquele que me segue não anda em trevas; confidite, ego vici mundum, tende confiança, eu venci o mundo?”.
Eis (...) os dois partidos que se defrontam todos os dias: o de Jesus Cristo e o do mundo.
O de nosso amável Salvador está à direita, subindo, num caminho estreito e apertado, mais do que nunca, devido à corrupção do mundo.
Esse bom Mestre vai à frente, caminhando com os pés descalços, a cabeça coroada de espinhos, o corpo todo ensangüentado e carregando uma pesada cruz; Ele não tem mais que um punhado de seguidores, mas dos mais valentes, porque sua voz – tão suave – não se escuta no meio do tumulto do mundo ou não se tem coragem de segui-Lo em sua pobreza, em suas dores, suas humilhações e suas outras cruzes, que é preciso necessariamente carregar, no seu serviço, todos os dias da vida.
À esquerda está o partido do mundo ou do demônio, o qual é o mais numeroso, o mais magnífico e o mais brilhante, pelo menos em aparência. Todas as pessoas importantes correm para ele, e todos se acotovelam, embora os caminhos sejam largos e mais alargados do que nunca pela multidão que passa por eles, como em torrentes; eles são forrados de flores, cercadas de prazeres e de jogos, cobertos de ouro e de prata.

b) Cronograma

Dia
Semana
Tema da meditação
Outros exercícios

16
Sex
DESAPEGO
DO MUNDO
1. Fugir do pecado
Mt, 5, 23; Mt 11, 12.
· Veni Creator
· Ave Maris Stella

17
Sab
2. Cumprir os mandamentos
Lc, 9, 23; Jo 14, 15-24; Mt 7, 21.

18
Dom
3. Temor de Deus
Mt 25, 13; Lc 12, 4-5; Mt 7, 13-14; Mt 18, 9.

19
Seg
4. Fidelidade
Mt 6, 24; Lc 9, 62; Lc 16, 10; Mt 7, 24.

20
Ter
5. Importância da oração
Mc, 11, 24-25; Lc, 11; Lc 18, 1; Mt 26, 41; Mt 6, 5.

21
Qua
6. Conhecimento da Verdade
Lc 5, 8-17.

22
Qui
7. Humildade e mansidão
Mt 20, 26-27; Mt 5, 44; Mt 20, 16; Mt 5, 39-40; Lc 14, 11; Mt 18, 3; Mt 11, 29.

23
Sex
8. Paciência e caridade para com o próximo
Mt 9 e 7, 1-2; Mt 18, 10; At 20, 35; Mt 5, 23-24.

24
Sab
9. Mortificação, Penitência e Sofrimento
Lc, 9, 23; Mt, 6, 16; Lc, 15, 7.

25
Dom
10.Perseguição e incompreensão
Mt 6, 5-10; Lc 6, 22-23; Jo 15, 18-19.

26
Seg
11. Desapego de tudo
Mt 6, 19-20; Mc 10, 23; Lc 10, 18-25; Lc 6, 24; Lc 14, 26; Mt 19, 29; Mt 19, 21.

27
Ter
12. Confiança na Providência
Mt 22, 11-28, Jo 6, 51-52, Lc 21, 17-18; Lc 10 e 12, 7; Jo 3, 17; Lc 12, 22-30.


3. Primeira semana: Conhecimento próprio

a) Texto introdutório do tema


(Estes textos podem servir de fio geral para as meditações, ou ser lido a cada dia, como uma espécie de leitura espiritual).

São Luís de Montfort - TVD 228
Durante a primeira semana eles empregarão todas as suas orações e ações de piedade para pedir o conhecimento de si mesmos e a contrição de seus pecados; e eles farão tudo em espírito de humildade.

São Luís de Montfort - TVD 78
Para esvaziar-nos de nós mesmos é preciso, primeiramente, conhecer bem, pela luz do Espírito Santo.
a) Nosso fundo mau;
b) Nossa incapacidade para todo o bem útil para a salvação;
c) Nossa fraqueza em todas as coisas;
d) Nossa inconstância em todo tempo;
e) Nossa indignidade de toda graça e
f) Nossa iniquidade em todo lugar.
O pecado de nosso primeiro pai nos estragou, amargou, inchou e corrompeu quase inteiramente, como o fermento amarga, incha e corrompe a massa onde é posto.
Os pecados atuais que nós cometemos, sejam mortais, sejam veniais, ainda que perdoados, aumentaram nossa concupiscência, nossa fraqueza, nossa inconstância e nossa corrupção e deixaram maus restos em nossas almas.
(...) Nós somos naturalmente mais orgulhosos que os pavões, mais agarrados à terra que os sapos, mais sujos que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais gulosos que os porcos, mais iracundos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que juncos e mais inconstantes que os cata-ventos.


b) Santo Inácio de Loyola - Exercícios espirituais


Segundo exercício – Meditação dos pecados

(...) Trarei à memória todos os pecados da vida, considerando ano por ano, ou período por período. (((Para isso será útil recordar três coisas: 1º) ver o lugar e a casa onde vivi; 2º) as relações que tive com outras pessoas; 3º) a profissão que exerci.
(...) Ponderarei os pecados, considerando a fealdade e malícia que cada pecado mortal cometido tem em si, ainda que não fosse proibido.
((...) Olharei bem quem sou eu, diminuindo-me por meio de comparações: 1º) Quem sou em comparação com todos os homens? (2º) Quem são os homens em comparação com todos os anjos e santos do paraíso? (3º) Que são todas as criaturas em comparação com Deus? E eu só, que posso ser? (4º) Considerarei toda a minha corrupção e miséria do meu corpo. (5º) Ver-me-ei como uma chaga e tumor de onde saíram tantos pecados e tantas maldades e veneno tão hediondo.
(...) Considerarei quem é Deus contra quem pequei, segundo os seus atributos, comparando-os com os seus contrários em mim: a sua Sabedoria e a minha ignorância; a sua Onipotência, a minha fraqueza; a sua Justiça, a minha iniquidade; a sua Bondade, a minha maldade.
(...) Terminarei com um colóquio de sua misericórdia, ponderando vem e dando graças a Deus Nosso Senhor, porque me deu vida até agora, e proporei emenda para o futuro com a sua graça.

c) Cronograma

O propósito destas meditações é que conheçamos nossas más tendências não apenas de modo geral, como comuns a todos os homens, mas de modo particular, naquilo que em que elas têm de próprio em nós, para que conhecendo melhor, as odiemos e combatamos melhor, mas, sobretudo, para vejamos como somos impotentes por nós mesmos para vencê-las.
Analisando com cuidado o conjunto de nossos pecados, podemos descobrir também a paixão dominante, ou seja, o vício principal e mais profundo que determina a maior de nossos pecados particulares.
Como, no entanto, o homem só se move em vista de um bem, determinando essa tendência mais profunda da alma, podemos procurar ver como essa “sede”, que ilusoriamente procura satisfazer com as criaturas pode ser plenamente satisfeita em Deus, único bem a que devemos buscar.
Nem para vencer esse mal, nem para buscar com segurança e constância esse bem, temos luz na inteligência nem força na vontade, sem a graça de Deus, que se obtém segura e facilmente por meio de Maria.



28
Qua
CONHECIMENTO PRÓPRIO
Pecados: 1ª Infância
· Jaculatórias: “Domine, ut videam”, “Noverim me”.

· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Ladainha de Nossa Senhora

29
Qui
Pecados: Infância

30
Sex
Pecados: Adolescência

31
Sab
Pecados: Idade adulta

01
Dom
Paixão dominante

02
Seg
Transposição da paixão dominante para o amor a Deus


4. Segunda semana: Conhecimento de Nossa Senhora


a) Textos introdutórios do tema

São Luís de Montfort - TVD 258
(...) Como uma alma é feliz quando (...) está inteiramente possuída e governada pelo espírito de Maria, que é um espírito.
Doce e forte
Zeloso e prudente
Humilde e corajoso
Puro e fecundo

Maria Fons

Olhando todos os adjetivos que São Luís dá, facilmente se chega à idéia de curso de água, de regato, de fonte, porque:

Ø A água que corre é suave (nunca fere, sempre é agradável).
Ø Mas forte, e é difícil resistir ao seu ímpeto e não ser arrastado; não há praticamente obstáculo que o ímpeto das águas não possa vencer, de imediato ou com o tempo;
Ø É humilde porque sempre procura o mais baixo,
Ø Mas é corajosa, porque se lança sem medo ao desconhecido, vai sempre além, sem se deter e não descansa enquanto não encontra o Mar, mesmo se, às vezes, é preciso lançar-se em abismos, fazendo uma linda cachoeira (a cachoeira é o heroísmo do rio);
Ø A água é também zelosa, porque procura diligentemente a passagem, porque “molha” tudo o que toca, porque sempre se difunde (no sentido próprio de difusão, vai pegando por “osmose”; assim como o fogo que pega em tudo o que toca, a água também; é verdade que algumas coisas são impermeáveis, molham por fora, mas não molham por dentro, como outras são incombustíveis, mas a água sempre tenta... e sempre faz algum efeito);
Ø E a água é também prudente: sempre procura o caminho fácil, o mais adequado, só vai pelo difícil quando não há jeito; sempre exerce a prudência, que é buscar o meio adequado para chegar ao seu fim.
Ø A água é também pura, não apenas é pura em si mesma (sem cor, sem gosto, sem cheiro, sem sabor è nada para os sentidos) como também purifica tudo, lava tudo, faz tudo ficar puro;
Ø E como é fecunda. Toda semente nasce, cresce e frutifica por causa da água; ela é o elemento fecundante e fecundo por excelência;

Não é sem razão, portanto, que Nossa Senhora é chamada de fonte: “Maria fons”.

b) Textos próprios para as meditações

1) Doçura

“Vita, dulcedo et spes nostra, salve...”.

São Luís de Montfort - TVD 85
(...) ele é boa, ela é terna; não há nela nada de austero nem de rebarbativo, nada de sublime demais ou brilhante demais; vendo-a, vemos nossa pura natureza. Ela não é o sol que, pela vivacidade de seus raios, poderia cegar-nos por causa de nossa fraqueza, mas ela é bela e doce como a lua, que recebe sua luz do sol e a tempera pra torná-la conforme a nossa debilidade.

Santo Afonso de Ligório – Glórias de Maria – O dulcis
Mas eu não falo aqui dessa doçura sensível, porque essa não se concede comumente a todos. Falo dessa salutar doçura de conforto, de amor, de alegria, de confiança e de fortaleza que esse nome de Maria ordinariamente dá àqueles que o pronunciam com devoção.
[...] Abrasado em amor, assim falava ternamente S. Bernardo a sua bondosa Mãe: Ó excelsa, ó bondosa e veneranda Maria, como é o vosso nome tão cheio de doçura e de amabilidade. Ninguém o pode proferir sem que se veja abrasado de amor para com Deus e para convosco.

2) Força

“Turris Davidica, Turris eburnea...”.

P. Justin de Mieckow – As litanias da Santíssima Virgem – Torre de Davi
Uma torre é um edifício elevado, dominando todos as construções ao redor e construída solidamente, na qual, à aproximação do inimigo, os habitantes do campo e das cidades se refugiam, normalmente. [...] assim a Bem-aventurada Virgem Maria é uma torre na Igreja, porque ela domina todos os que nasceram antes dela, aqueles que nasceram na santidade e foram criados na justiça. Todos os culpados, todos os tristes, todos os afligidos se refugiam nela, e por sua proteção são livres de toda espécie de inimigos.
A bem-aventurada Virgem é chamada torre por causa de sua elevação e por causa de sua força.
A elevação de Maria consiste em quatro virtudes:
· Na contemplação das coisas eternas,
· No acúmulo de méritos,
· Na força da qualidade interiores e
· No desprezo das coisas terrestres.
[...] A bem-aventurada Virgem é comparada a uma torre por causa de sua solidez. As torres são edifícios sólidos, destinados à defesa de um campo, de uma região, de uma praça, de uma cidade, nas quais, quando de um cerco, de um perigo, os soldados e todo o povo se refugiam para aí ficar em segurança. De lá eles montam guarda e vigiam para todos os lados para impedir que o inimigo entre no campo ou na cidade.
Que torre mais forte, mas sólida, mais bela que a santíssima Virgem? Deus a fortificou de tal modo pela graça que nunca ele a se afastou dele, nem por falavas, nem por ações, nem por pensamentos. Oh, que torre fortíssima foi essa alma abençoada que o demônio não pode forçar por nenhuma fraude, nenhuma sugestão. Ele não pode nunca ocupar uma só ameia dessa torre inexpugnável (...). É uma torre sólida, fundada sobre a pedra firme de que fala São Paulo: “A pedra, era Jesus Cristo...”.
É uma torre imóvel, já que “Deus no meio dela não será movido”.
A bem-aventurada Virgem uma torre forte porque, tomando nossa defesa contra os inimigos inferiores, ela desarma suas armadilhas, descobre seus estratagemas, enfraquece o seu poder, quebra a sua força, os põe em fuga e impede-os de nos suplantar e nos vencer.
[...] Numa torre, os soldados montam guarda e velam de todos os lados a fim de que o inimigo não se apodere da cidade ou da fortaleza. Velam na bem-aventurada Virgem, como numa torre muito alta, os que estudam sua vida por uma freqüente meditação e seguem seus exemplos com uma piedade assídua. Munidos assim, eles evitam todas as armadilhas, todos os estratagemas do inimigo e defendem energicamente a cidade de suas almas contra o ataque do inimigo.

3) Zelo

“E naqueles dias, levantando-se, Maria foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel...”.

Santo Afonso de Ligório – As virtudes de Maria
O amor a Deus e ao próximo nos é imposto pelo mesmo preceito. A razão e, diz Santo Tomás, que quem ama a Deus ama a tudo que por Deus é amado. Santa Catarina de Gênova dia a Deus certo dia: Senhor, quereis que ame o meu próximo, e não posso amar senão a Vós. Deus lhe respondeu: Quem me ama, ama tudo quanto me é caro.
Ora, como nunca houve nem haverá jamais criatura mais abrasada que Maria, no amor a Deus, também não houve nem haverá jamais criatura mais devotada que Ela a seu próximo.
Cornélio a Lapide, explicando um texto dos Cânticos, diz que o Verbo encarnado no seio de Maria encheu de caridade a sua Mãe, para que Ela auxiliasse a quem se Lhe dirigisse.
Maria estava tão cheia de caridade quando vivia na terra, que socorria todos quantos necessitavam de seu auxílio, mesmo sem Lho pedirem/ citemos como prova as bodas de Caná, onde pediu ao filho o milagre do vinho, expondo-lhe a situação aflitiva da família. Oh! Qual não era a sua solicitude quando se tratava de socorrer o próximo, por exemplo, quando foi à casa de Isabel para desempenhar um encargo de caridade.
Não nos podia dar melhor prova dessa grande caridade do que oferecendo seu Filho à morte por nossa salvação.
E essa caridade de Maria para conosco, dis São Boaventura, não diminuiu no céu; pelo contrário, aumentou muito.

4) Prudência

“Virgo Prudentissima...”.

“Maria, no entanto, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração”.

“Como se fará isso?”.

São Bernardo, Sermão sobre o “Missus est”, 9.
“Ela, ao ouvir isso, turbou-se [Maria] e pensava que saudação seria aquela”. [...].Turbou-se, mas não se perturbou. Turbei-me, diz o profeta, e não falei, mas meditei os dias antigos e tive em minha mente os anos eternos. Assim também Maria turbou-se e não falou, mas pensava que saudação seria aquela.
O ter-se turbado, foi pudor virginal; o não se ter perturbado, foi fortaleza; o haver calado e pensado foi prudência. Pensava que saudação seria aquela.
Sabia essa Virgem prudente que muitas vezes Satanás se disfarça em anjo de luz; e, sendo humilde e modesta, não esperava tal coisa de um anjo santo; por isso pensava entre si que saudação seria aquela.

5) Humildade

“Eis aqui a escrava do Senhor”

São João Eudes – O Magnificat

Quia respexit humilitatem ancillae suae
Lançou os olhos sobre a humildade da sua serva: qual é essa humildade de que fala a Bem-aventurada Virgem? A esse respeito não são unânimes os pensamentos dos santos Doutores. Dizem alguns que, entre todas as virtudes, a humildade é a única que não se contempla e não se conhece a si mesma; pois o que se julga humilde é soberbo. Razão pela qual, ao dizer a Bem-aventurada Virgem que Deus olhou a sua humildade, não se refere à virtude da humildade, mas à sua baixeza e abjeção.
“Há duas espécies de humildade, diz São Bernardo. A primeira é a filha de verdade, é fria e sem calor. A segunda é filha da caridade, e nos abrasa. A primeira consiste no conhecimento, e a segunda na afeição. Pela primeira, conhecemos que nada somos, e esse conhecimento, tomamo-lo de nós mesmo e de nossa própria miséria e enfermidade. Pela segunda, calcamos aos pés a glória do mundo, e aprendemo-la dAquele que se aniquilou a Si mesmo, e que fugiu quando O procuraram para elevá-lO à glória de realeza; e que, em vez de fugir, ofereceu-Se voluntariamente quando O procuram para crucificá-lO e mergulhá-lO em um abismo de opróbrios e ignomínias”.
Se perguntardes porque Deus considerou antes a humildade da Santíssima Virgem que a sua pureza e suas outras virtudes, se todas nEla se achavam em grau elevadíssimo, responder-vos-á S. Alberto Magno, com Santo Agostinho, que considerou antes a sua humildade, porque Lhe era mais agradável que sua pureza.
“A virgindade é muito louvável, diz São Bernardo, mas a humildade é necessária. Aquela é de conselho, esta de mandamento. Podeis ser salvo sem a virgindade, mas sem a humildade não há salvação. Sem a humildade de Maria, ouso dizer que não teria sido agradável a Deus a sua virgindade. Se Maria não fosse humilde, o Espírito Santo não teria decido a Ela; e se não houvesse descido a Ela, Ela não seria Mãe de Deus. Ela agradou a Deus pela virgindade, mas concebeu o Filho de deus pela humildade. Donde é necessário concluir que foi a humildade que tornou sua virgindade agradável à divina Majestade”.

6) Coragem

“Regina martirum...”.

P. Justin de Mieckow – As litanias da Santíssima Virgem – Rainha dos Mártires
Há dois tipos de coragem. A primeira consiste em desprezar, por amor de Deus, as coisas que contrariam o corpo. A segunda em empreender com uma grande coragem as coisas mais difíceis, segundo a definição de Santo Ambrósio. A Santa Virgem, aos pés da cruz não desprezou todas as dores e não se imolou a si mesma ao Pai ao mesmo tempo que seu Filho? Não cooperou ela com a nossa redenção? Quem a viu abatida pela adversidade? Quem a viu alquebrada pelas dores? Quem a viu alegrar-se desmesuradamente pela prosperidade?
A coragem da Virgem brilhou com o mais alto brilho: vendo seu Filho único, não um filho qualquer, mas Deus e homem ao mesmo tempo, suspenso na cruz pelos pecados do mundo inteiro, ele suportou essa dor essa dor tão viva com tanta força de alma que não fez nada de contrário a sua dignidade ou a sua razão, nada que não indicasse a maior moderação ou a maior constância. Assim, nunca ele sofreu qualquer desfalecimento (...).
Salomão nos Provérbios procurava com cuidado uma mulher magnânima, invencível, heróica, pois as mulheres são, por natureza, fracas e covardes. “Quem encontrará, diz ele, uma mulher forte?” Maria foi essa mulher verdadeiramente magnânima e forte que, vendo seu Filho único Tão caro e inocente, amarrado diante dela, flagelado, suspenso na cruz, maltratado, vendo-os os maus porem sua carne em pedaços, não se deixou de nenhum modo perturbar pela adversidade, ansiedade, cor nem foi agitada por nenhum movimento de impaciência. “Maria, diz o santo evangelista, Mão de Jesus, se mantinha de pé junto da cruz de seu filho”.
[...] Quem exprimirá dignamente essa força de alma da Virgem? Quem não ficará estupefacto vendo tanta coragem? A experiência mostra que homens ilustres, ainda que dotados de uma grande força de alma, como César, Pompeu, Heitor, Aquiles, fraquejaram às vezes na adversidade. Não foi assim com a Virgem. Ela permaneceu inabalável no meio das tropas cruéis dos algozes, no meio dos soldados romanos e dos inimigos judeus; seu sexo, seu pudor virginal, nada a reteve em casa; a coorte de soldados não a amedrontou; a amargura da dor não a fez desmaiar; o horrível espetáculo de seu filho na cruz não a perturbou; tantas injúrias feitas a seu filho crucificado não a apavoraram e não a fizeram fugir. “Ela se manteve de pé junto à cruz de Jesus”. Oh, que coragem notável da virgem! Oh, magnanimidade mais do que heróica.


São Bernardo, 2º Sermão sobre Nossa Senhora, 5 ss.
E quem [a não ser Maria], buscava Salomão quando dizia: “A mulher forte, quem a encontrará?” Ele bem conhecia, aquele homem sábio, a fraqueza desse sexo, seu corpo frágil, seu espírito inconstante.
Contudo, ele tinha lido que Deus prometera que aquele que vencera pela mulher seria, por sua vez, vencido pela mulher, e ele via que isso era uma coisa muito conveniente. Assim, repleto de uma veemente admiração, ele exclamava; “A mulher forte, quem a encontrará?”, o que queria dizer: se da mão de uma mulher depende a salvação de todos nós, a restauração da inocência e a vitória sobre o inimigo, é preciso, absolutamente, prevê-la forte, a que será capaz de uma tão grande obra.
Mas “essa mulher forte, quem a encontrará?” E, para mostrar bem que não procurava sem esperança, acrescenta como profeta: “Seu preço nos vem de longe, das extremidades da terra”, o que quer dizer?
O valor dessa mulher não é qualquer coisa de vil, de insignificante ou de medíocre, ele não vem da terra, mas do céu, nem sequer do céu próximo da terra, mas “seu ponto de partida é o mais alto dos céus”.

7) Pureza

“Virgo virginum, Mater castissima”.

São Bernardo, Sermão sobre o “Missus est”, 7.
(...) Oh virgem prudente! Oh virgem devota! Quem te ensinou que agradava a Deus a virgindade?
Que lei, que rito, que página do Velho Testamento manda, ou aconselha, ou exorta, a viver na carne castamente e a viver vida de anjo na terra?
E onde tinhas lido, Virgem devota, que a sabedoria da carne é morte (NT) e não queirais contentar vossa sensualidade, satisfazendo a seus apetites?
E onde tinhas lido das virgens que cantam um novo cântico que ninguém mais pode cantar, e que seguem o cordeiro onde quer que ele vá (Apocalipse)?
E onde tinhas lido que são louvados os que se fizeram continentes por amor do reino de Deus? (Evangelho)
E onde tinhas lido “embora vivamos na carne nossa conduta não é carnal (São Paulo)? O que casa sua filha faz bem, mas o que não casa faz melhor (São Paulo)? Onde tinhas ouvido? Quisera que todos vós permanecêsseis como eu; é bom para o homem, se assim permanece como eu lhe aconselho (São Paulo)? Quanto às virgens, não recebi preceito do Senhor, mas dou conselho (São Paulo)”.
Mas tu, Maria, não digo preceito, mas nem conselho, nem exemplo tinhas, mas a moção interior de Deus te ensinava tudo, e seu Verbo vivo e eficaz, fazendo-se primeiro teu mestre que teu filho, instruiu tua mente antes de vestir tua carne. Fazes voto, pois, de apresentar-te a Cristo virgem, sem saber que está reservado para ti o ser mãe. Escolhes ser desprezada em Israel e incorrer na maldição da esterilidade, para agradar àquele Senhor a cujos olhos fazes o mais perfeito, e olha como a maldição se transforma em bênção e a esterilidade é premiada com a fecundidade.

8) Fecundidade

“Mater Christi...”.

São Bernardo, 1º Sermão sobre Nossa Senhora, 7 ss.
Há, porém, alguma coisa de ainda maior a admirar em Maria: a fecundidade junta à virgindade. Nunca se ouvir dizer que alguma mulher fosse ao mesmo tempo mãe e virgem.
Mas se tu prestas atenção à de quem ela é mãe, até onde ira tua admiração por sua excelência extraordinária? Não é de constatar que tu não podes admirar suficientemente?
A teu julgamento, ou antes, ao julgamento da Verdade, aquela que teve Deus por filho não deverá ser “exaltada mais alto que todos os coros de anjos?“.
Deus, o Senhor dos anjos, não ousou Maria chamá-lo seu filho quando disse “Meu filho por que nos fizeste isso?”.
Qual dos anjos o teria ousado? Basta-lhes, e eles consideram como grande, sendo espíritos por natureza, servirem e serem chamados, por graça, de mensageiros, segundo o testemunho de Davi: “ele fez dos espíritos seus mensageiros”.
Maria, por seu lado, que sabe que é sua mãe, dá com confiança esse nome de filho à Majestade que os anjos servem com respeito. E deus não desdenha ser chamado daquilo que se dignou ser. Um pouco além, com efeito, o evangelista ajunta: “E ele lhes era submisso”. Quem, e a quem? Deus a homens. Sim, Deus a quem os anjos estão submetidos, a quem obedecem aos Principados e as Potestades, Deus era submisso a Maria. E não apenas a Maria, mas também a José por causa de Maria. Admira uma e outra coisa, e escolhe a que é mais admirável: ou o dulcíssimo abaixamento do filho, ou a sobreeminente dignidade da mãe. Dos dois lados, é estupefaciente, dos dois lados maravilhoso: que Deus obedeça a uma mulher, eis uma humildade sem exemplo; que uma mulher comande a Deus, eis uma sublimidade sem igual. Canta-se, em honra das virgens, que ela “seguem o Cordeiro onde quer que Ele vá”. De que glória se julgará digna, então, aquela que caminha diante dEle?

Santo Agostinho – Comentário ao Salmo 84

A verdade nasceu da terra
“A verdade nasceu da terra e a Justiça inclinou-se do céu” (Sl 84, 12).
Cristo nasceu da mulher. “A verdade nasceu da terra”. O Filho de Deus procedeu da carne.
E o que é a Verdade? - O Filho de Deus!
E o que é a terra? - A carne!
Procura de onde nasceu Cristo e verás que a Verdade nasceu da terra. Mas a verdade que nasceu da terra existia antes da terra e por ela forma feitos o céu e a terra.
Mas para que a Justiça olhasse do céu, isto é, para que os homens se justificassem pela graça divina, a Verdade nasceu da Virgem Maria. Tudo a fim que pudesse oferecer o sacrifício em favor daqueles que haviam de ser justificados: o sacrifício da paixão, o sacrifício da cruz.

c) Cronograma

03
Ter
CONHECIMENTO DE N. SRA.
Doce e forte
· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Um rosário ou, pelo menos, um terço.

04
Qua
Zeloso e prudente

05
Qui
Humilde

06
Sex
Corajoso

07
Sab
Puro

08
Dom
Fecundo


5. Terceira semana: Conhecimento de Nosso Senhor

a) Texto introdutório do tema


São Luís de Montfort, ASE 154.
Ente todas as razões que nos podem excitar a amar Jesus Cristo, a Sabedoria incarnada, a mais poderosa, em minha opinião, é a [quantidade de] dores que ele quis sofre para nos testemunhar seu amor.
“Há, diz São Bernardo, um motivo que ultrapassa a todos, que me toca mais sensivelmente e me incita a mar Jesus Cristo: é, oh bom Jesus, o cálice de amargura que bebestes por nós, e a obra da nossa redenção, que vos torna amável a nossos corações, pois esse soberano benefício e esse testemunho incomparável de vosso amor adquire facilmente o nosso: ele nos atrai mais docemente, ele nos pede mais justamente, ele nos incita mais fortemente e ele nos toca mais poderosamente: Hoc est quod nostram devotionem et blandius allicit et justius exigit, et arctius stringet et afficit vehementius”.E a razão que ele dá em poucas palavras: “porque este caro Salvador trabalhou muito e muito sofreu para conseguir resgatar-nos. Oh! quantas penas e angústias ele suportou!”.
Mas o que nos fará ver claramente esse amor infinito da Sabedoria por nós, são as circunstâncias que se encontram em seu sofrimento...

(No cronograma parecem enumeradas as circunstâncias que São Luís menciona em seu texto. Para as meditações podem se usar os textos dos próprios Evangelhos e também as profecias referentes à paixão – fáceis de encontrar na Liturgia da Semana Santa, no Missal.).

b) Cronograma

09
Seg
CONHECIMENTO DE N.SR.
A excelência daquele que sofre
· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Ladainha do Santo Nome de Jesus

10
Ter
A qualidade das pessoas por quem ele sofre (os homens, eu).

11
Qua
Quantidade e qualidade dos sofrimentos (no corpo, na alma – solidão, traição, desonra, piedade, etc - de amigos, de inimigos, de gente baixa, de autoridades, de sua Mãe – por vê-la sofrer – de Seu Pai).

12
Qui

13
Sex

14
Sab
Amor aos homens manifestado durante o sofrimento

15
Dom
Dia da Consagração



No dia da Consagração a Nossa Senhora é fortemente recomendável que se esteja em estado de graça e, sendo possível, que se comungue, recitando a consagração durante a ação de graças. São Luís sugere também que se ofereça a Nossa Senhora um presente.

08 de Novembro: início dos 30 dias de preparação para a Consagração Total!



"Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará." (Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917).

Seguindo os passos do Beato João Paulo II, chegamos agora ao auge da nossa 4ª Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria. Milhares de pessoas espalhadas em grupos por todo o Brasil prepararam-se para fazer ou renovar a sua Consagração Total a Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de nossa Mãe Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, Solenidade da Imaculada Conceição!

Vivemos um Momento Mariano na Igreja, pois no dia 13 de Outubro de 2013, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria. Agora, cabe a cada um de nós precisa tomar posse, pessoalmente, dessa Consagração, e consagrar-se à Virgem Maria. É isso que queremos fazer em 08 de Dezembro.

A Consagração ou Renovação da Consagração deve ser feita, de preferência, na Santa Missa, ou ainda de maneira privada.

Para que não reste nenhuma dúvida, por favor, leiam o texto abaixo.
Quem pode se consagrar em nossa campanha?

Todos que se prepararam em grupo ou individualmente para fazer a Consagração Total à Maria Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, ou ainda em datas próximas (consideramos aproximadamente 15 dias, para antes ou para depois).

De forma geral, recomendamos não se consagrar e nem mesmo iniciar os 30 dias de preparação SEM A LEITURA COMPLETA do Tratado. Devido à importância e abrangência da Consagração não é possível realizá-la sem conhece-la bem. Além disso, a Consagração é feita uma vez na vida, portanto, é importante conhecê-la bem.

Esclarecemos também que a Consagração pode ser realizada em outro momento, após a leitura do livro. Ela pode ser feita em grupo ou individualmente, em data escolhida livremente.

Para quem ainda não tem o "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem", ele poderá ser adquirido através dos links abaixo, em nosso material de apoio.
Quem pode renovar a Consagração na nossa campanha?

Todos que já fizeram a Consagração Total pelo método de São Luis Maria Montfort, em absolutamente qualquer da data que tenha feito (a Consagração pode ser renovada, individualmente, todos os dias, inclusive).

Portanto, poderão renovar todos os que se consagraram no dia 08 de Dezembro de algum ano, como também os que se consagraram em qualquer data. A data da Renovação NÃO depende necessariamente da data da Consagração.

Recomendamos que aqueles que renovarem a Consagração façam também os 30 dias de orações preparatórias (embora não seja imprescindível, e quem por alguma razão não o fizer, poderá renovar tranquilamente).
Orações preparatórias

Aqueles que irão se consagrar ou tão somente renovar a consagração na Solenidade da Imaculada Conceição, devem iniciar os 30 dias de orações preparatórias no dia 08 DE DE NOVEMBRO.

As orações próprias estão indicadas no "Tratado" (n. 227-233), podendo também serem encontradas abaixo, em nosso material de apoio.
Falhei durante os 30 dias: o que fazer?

Recomendamos que, mesmo que haja alguma falha durante as orações preparatórias, que isso não seja motivo de desistência. Permaneça fiel e consagre-se.

O demônio odeia esta consagração total e poderá se utilizar de algum escrúpulo por não ter cumprido cem por cento os atos de preparação para, assim, incitar à desistência.

Além disso, a consagração é um ato interior, que não depende necessariamente dos atos exteriores de preparação.

No caso de uma queda em pecado mortal, que haja, evidentemente, arrependimento e se busque a Confissão o mais rápido possível, mas que isso também não seja motivo de desistência.
No dia da Consagração (08 De Dezembro), o que se faz?

- deve-se oferecer algum tributo a Nosso Senhor e a Santíssima Virgem, em penitência das nossas infidelidades e em sinal de dependência Deles. Poderá ser algum jejum, ou penitência, ou ato de caridade a um necessitado (ver Tratado, n. 232).

- deve-se utilizar um sinal físico da Consagração, a ser levado sempre junto consigo (Tratado n.236-242). São Luis sugere usar "pequenas cadeias de ferro", mas evidentemente que este sinal pode ser substituído com algo mais compatível com o estilo de vida de cada um (como uma Medalha da Santíssima Virgem, um Escapulário, uma pequena corrente, um anel etc).

- para a Consagração, propriamente dita, deve ser escrita e assinada em um papel a fórmula da Consagração (que pode ser encontrada na página 182/183 da edição do Tratado da Arca de Maria, denominada "Consagração de si mesmo a Jesus Cristo, Sabedoria Encarnada, pelas Mãos de Maria" ou abaixo, em nosso Material de Apoio). Aqueles que irão se consagrar durante a Santa Missa, devem ler a fórmula rezando a respectiva oração após a homilia ou Comunhão. Trata-se de um tesouro que deve ser guardado com muito zelo.
Importante: envio dos dados

Aqueles que quiserem participar da nossa Campanha FAZENDO ou RENOVANDO a Consagração, deverão enviar os seus dados, preenchendo o formulário no link abaixo, até o dia 05 de Dezembro de 2013 (os nomes serão oferecidos na Santa Missa):

http://goo.gl/FuWALo

Os dados das crianças deverão ser enviados normalmente, da mesma forma que dos adultos.

Os coordenadores dos diversos grupos de preparação para Consagração deverão estar atentos para enviar os dados dos membros do grupo não tiverem acesso à internet.

Fonte: Padre Paulo Ricardo

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A devoção a Maria protege contra a fúria de Satanás




Oh! Quanto desagrada ao demônio a perseverante devoção de uma alma à Mãe de Deus! Afonso Álvarez, muito devoto de Maria, foi atormentado pelo demônio com violentas tentações impuras, uma vez que estava rezando. Deixa essa tua devoção para com Maria, disse- lhe o inimigo, que eu deixarei de tentar-te. Foi revelado a S. Catarina de Sena, como atesta Luís Blósio, que Deus concedera a Maria, em consideração a seu unigênito, a graça de não cair presa do inferno pecador algum que a ela se recomendar devotamente. O próprio profeta Davi pedia já ao Senhor que o livrasse pelo amor que tinha à honra de Maria: Senhor, eu amei o decoro da vossa casa...; não percais com os ímpios a minha alma (SI 25, 8).


Diz “vossa casa”, porque Maria foi certamente aquela casa que o próprio Deus se preparou na terra para sua habitação, e onde ao fazer-se homem achou seu repouso. Assim está escrito nos Provérbios (9,1): A sabedoria edificou para si uma casa. — Não se perderá certamente, dizia o Pseudo-Inácio, mártir, quem é fiel na devoção a essa Virgem Mãe. E isso confirma S. Boaventura com as palavras: Senhora, os que vos amam gozam grande paz nesta vida, e na outra não verão a morte eterna. Nunca sucedeu, nem sucederá, assegura-nos o piedoso Blósio, que um humilde e diligente servo de Maria se perca eternamente.


Oh! quantos permaneceriam obstinados e se condenariam para sempre, se não se houvesse Maria empenhado junto ao Filho para usar de misericórdia em favor deles!Eis como exclama Tomás de Kempis. A muitas pessoas mortas em pecado mortal alcançou de Deus a divina Mãe suspensão da sentença, e vida para fazerem penitência. Assim opinam muitos teólogos e especialmente S. Tomás. Disso referem graves autores muitos exemplos. Entre outros, Flodoardo, que viveu no século IX, fala em sua Crônica de um certo diácono Adelmano de Verdun, que, tido já por morto e prestes a ser sepultado, volveu à vida e disse ter visto o lugar do inferno ao qual já estava condenado. Obtivera-lhe, porém, a Santíssima Virgem, a graça de voltar ao mundo e fazer penitência. Caso idêntico refere Súrio de um cristão romano, por nome André. Tendo morrido na impenitência, alcançara-lhe Maria a graça de voltar ao mundo para ganhar o perdão de seus pecados.


Estes e outros exemplos, entretanto, não devem servir para autorizar a temeridade dos que vivem em pecado, confiados de que Maria os haja de livrar do inferno, ainda que morram impenitentes. Rematada loucura fora, certamente, lançar-se alguém para dentro de um poço, na esperança de ver-se livre da morte, porque Maria em caso semelhante já preservou a outros. Muito maior loucura seria, entretanto, arriscar-se alguém a morrer no pecado, presumindo que a Santíssima Virgem o preservará do inferno.

Sirvam tais exemplos para reanimar a nossa confiança, ao considerarmos que a intercessão de Maria é de tal poder que livra do inferno até aos que morrem em pecado mortal. Quanto maior não será então ele, para impedir que se perca quem nesta vida a ela recorre com intenção de emendar-se e é fiel em a servir! Digamos-lhe, pois, com S. Germano: Ó nossa Mãe, que será de nós que somos pecadores, mas nos queremos emendar e recorremos a vós, que sois a vida dos cristãos? Ouvimos S. Anselmo garantir, ó Senhora, que não se perderá eterna mente todo aquele por quem orais uma só vez. Rogai por nós, então, e seremos salvos do inferno.

Quem ousará dizer-me, escreve Ricardo de S. Vítor, que Deus não me será propício no dia do juízo, se estiverdes ao meu lado, ó Mãe de Misericórdia? — O Beato Henrique Suso protestava que às mãos de Maria havia confiado sua alma. Se o juiz tivesse de condená-lo, queria que passasse a sentença pelas mãos misericordiosas da Virgem porque, como esperava, nesse caso ficaria suspensa a execução. O mesmo digo e espero para mim, ó minha Santíssima Rainha. Por isso quero repetir continuamente com S. Boaventura: Em vós, Senhora, pus toda a minha esperança, por isso seguramente espero não me ver perdido, mas salvo no céu para louvar-vos e amar-vos para sempre.


Santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria
Créditos: O Segredo do Rosário

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Suplemento B



CONSAGRAÇÃO A JESUS CRISTO, A SABEDORIA
ENCARNADA, PELAS MÃOS DE MARIA
SABEDORIA ETERNA E ENCARNADA!



Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Filho Unigênito
do Pai Eterno e da sempre Virgem Maria.
Adoro-Vos profundamente, no seio e nos esplendores
do Vosso Pai, durante toda a eternidade, e no seio virginal de
Maria, Vossa Mãe digníssima , no tempo da Vossa Encarnação.
Dou-Vos graças por Vos terdes aniquilado a Vós mesmo,
tomando a forma de escravo, para livrar-me da cruel escravidão
do demônio. Eu Vos louvo e glorifico por Vos terdes
querido submeter em tudo a Maria, Vossa Mãe Santíssima, a
fim de, por Ela, tornar-me Vosso fiel escravo.
Entretanto, ai de mim, criatura ingrata e infiel! Não
guardei os votos e promessas que tão solenemente Vos fiz no
meu Batismo. Não cumpri as minhas obrigações; não mereço
ser chamado Vosso filho, nem Vosso escravo; e, como nada
há em mim que não mereça a Vossa repulsa e a Vossa cólera,
não ouso aproximar-me por mim mesmo da Vossa Santíssima
- 186
e Augustíssima Majestade.
Recorro, pois, à intercessão e à misericórdia de Vossa
Mãe Santíssima, que me destes por medianeira junto de Vós.
É por intermédio d'Ela que espero obter de Vós a contrição e
o perdão dos meus pecados, a aquisição e conservação da
Sabedoria.
Ave, pois, ó Maria Imaculada, Tabernáculo Vivo da
Divindade, onde a Eterna Sabedoria escondida quer ser adorada
pelos anjos e pelos homens.
Ave, ó Rainha do Céu e da Terra, a cujo Império é submetido
tudo o que há abaixo de Deus.
Ave, ó Seguro Refúgio dos pecadores, cuja misericórdia
a ninguém despreza. Atendei ao desejo que tenho da Divina
Sabedoria, e recebei, para isso, os votos e ofertas apresentados
pela minha baixeza.
Eu, N... , infiel pecador, renovo e ratifico hoje, nas
Vossas mãos, as promessas do meu Batismo: renuncio para
sempre a Satanás, às suas pompas e suas obras, e dou-me inteiramente
a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, para o seguir,
levando a minha Cruz, todos os dias da minha vida. E
para lhe ser mais fiel do que até agora tenho sido, escolho-
Vos hoje, ó Maria, na presença de toda a Corte Celeste, por
minha Mãe e Senhora. Entrego-Vos e consagro-Vos, na qualidade
de escravo, o meu corpo e a minha alma, os meus bens
interiores e exteriores, e o próprio valor das minhas boas obras
passadas, presentes e futuras, deixando-Vos pleno e inteiro direito
de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção
alguma, segundo o Vosso agrado e para maior glória de
Deus, no tempo e na eternidade.
Recebei, ó Benigníssima Virgem, esta pequenina oferta
da minha escravidão, em união e em honra à submissão
que a Sabedoria Eterna quis ter à Vossa Maternidade; em ho
menagem ao poder que ambos tendes sobre este vermezinho
e miserável pecador; em ação de graças pelos privilégios com
que largamente Vos favoreceu a Trindade Santíssima.
Protesto que quero, de hoje em diante e firmemente,
como Vosso verdadeiro escravo, buscar a Vossa honra e obedecer-
Vos em todas as coisas.
Ó Mãe Admirável, apresentai-me ao Vosso amado Filho
na condição de escravo perpétuo, a fim de que, tendo-me
resgatado por Vós, por Vós também me receba propiciamente.
Ó Mãe de Misericórdia, concedei-me a graça de obter
a Verdadeira Sabedoria de Deus, e de colocar-me, para isso,
entre o número daqueles que amais, ensinais, guiais, sustentais
e protegeis como filhos e escravos Vossos.
Ó Virgem Fiel, tornai-me em tudo um tão perfeito discípulo,
imitador e escravo da Sabedoria Encarnada, Jesus Cristo,
Vosso Filho, que eu chegue um dia, por Vossa intercessão
e a Vosso exemplo, à plenitude da sua idade na Terra e da sua
glória no Céu. Amém. Assim seja.


São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Suplemento A



MODO DE PRATICAR ESTA DEVOÇÃO NA
SAGRADA COMUNHÃO



Antes da Comunhão


266. 1º. Humilhar-te-ás profundamente diante de Deus;

2º. Renunciarás ao teu fundo todo corrompido e às tuas
disposições, embora o teu amor próprio as faça parecer boas;

3º. Renovarás a tua consagração dizendo: “Todo Vosso
sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!” (Tuus totus
ego sum, et omnia mea tua sunt!);
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