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domingo, 31 de maio de 2015

Comentário ao Evangelho (31/05, Solenidade da Santíssima Trindade) feito por Santo Antônio de Lisboa



Comentário do dia
Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos


«Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da natureza» (Prefácio)

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são de uma só substância e de uma inseparável igualdade. A unidade está na essência, a pluralidade nas pessoas. O Senhor indica abertamente a unidade da essência divina e a trindade das pessoas quando diz: «Baptizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.» Não diz «nos nomes», mas «em nome», mostrando assim a unidade da essência. Em seguida, porém, emprega três nomes, para mostrar que há três pessoas.

Nesta Trindade se encontra a origem suprema , a beleza perfeita, a alegria bem-aventurada de todas as coisas. A origem suprema, afirma Santo Agostinho no seu livro sobre a verdadeira religião, é Deus Pai, de quem provêm todas as coisas, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeita é o Filho, a verdade do Pai, que em nada se distingue dele, que veneramos com o Pai e no Pai, que é o modelo de todas as coisas, porque tudo foi feito por Ele e tudo se refere a Ele. A alegria bem-aventurada, a soberana bondade, é o Espírito Santo, que é o dom do Pai e do Filho; e devemos crer e manter que este dom é exactamente como o Pai e o Filho.

Ao contemplar a criação, concluímos pela Trindade de uma só substância. Apreendemos um só Deus: Pai, de quem somos, Filho, por quem somos, Espírito Santo, em quem somos. Príncipe, a quem recorremos; modelo, que seguimos; graça, que nos reconcilia.

Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 10 de março de 2014

São Pedro de Alcântara - Avisos para o Exercício da Meditação



São Pedro de Alcântara
AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO
 

1. Introdução

Tudo o que até aqui dissemos serviu para oferecer matéria de consideração para os que aprendem a meditar, o que é uma das principais partes deste tema. De fato, poucas pessoas possuem suficiente material para reflexão na meditação e, deste modo, por falta dele, não são poucos os que não conseguem dar-se a esta prática.

Agora, porém, resta declarar abreviadamente a maneira e a forma pelas quais pode-se meditar. E. mesmo que nesta matéria o principal Mestre seja o Espírito Santo, todavia a experiência nos mostrou que são necessários alguns avisos, porque o caminho para ir a Deus é árduo e necessita de guia, sem o que muitos andam muito tempo perdidos e desencaminhados.

2. Primeiro Aviso

Seja, pois, este o primeiro aviso: que quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito, porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim, será isto que se deve considerar como sendo o melhor. Porém isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de sua oração sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo em nossas mãos.

 3. Segundo Aviso

Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento, e procure deixar este negócio mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento.

Porque sem dúvida não acertam este caminho aqueles que de tal maneira se põe na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração. Estes tais deveriam considerar que no exercício da oração mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, neste negócio, aproxime-se o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber, e não dos que oram e pensam em Deus para chorar.

4. Terceiro Aviso

O aviso anterior nos ensina como devemos sossegar o entendimento e entregar todo este negócio à vontade; mas o presente põe também sua taxa e medida à própria vontade, para que não seja excessiva nem veemente em seu exercício, para o qual deve-se saber que a devoção que pretendemos alcanças não é coisa que se há de alcançar à força de braços, como alguns pensam, os quais, com demasiado afinco e tristezas forçadas e como que por encantamentos procuram alcançar lágrimas e compaixão quando pensam na Paixão do Salvador, porque isto costuma mais secar o coração e torná-lo mais inábil para a visitação do Senhor, conforme ensina Cassiano. E ademais estas coisas costumam causar dano à saúde corporal, e às vezes deixam a alma tão atemorizada com o sensabor que ali alcançou, que teme retomar outra vez ao exercício como a algo que experimentou ter-lhe dado muita pena. Contente-se, pois, o homem com fazer de boa vontade o que é de sua parte, que é encontrar-se presente ao que o Senhor padeceu, admirando com olhar simples e sossegado e com um coração terno e compassivo e aparelhado para qualquer sentimento que o Senhor lhe quiser conceder pelo que Ele padeceu, mais disposto para receber o efeito que sua misericórdia lhe conceder do que para expressá-lo à força de braços. E, feito isso, não se aflija pelo restante, quando não lhe for dado.

 5. Quarto Aviso

De tudo quanto foi dito podemos concluir qual é o modo da atenção que devemos ter na oração, porque aqui principalmente convém ter o coração não caído nem frouxo, mas vivo, atento e erguido para o alto. Mas assim como é necessário estar aqui com esta atenção regrada e moderada, para que não seja danosa à saúde nem impeça a devoção, porque há alguns que fatigam a cabeça com a demasiada força que empregam para estarem atentos ao que pensam, conforme já dissemos, assim também há outros que, para fugirem deste inconveniente, estão ali muito frouxos e remissos e muito fáceis de serem levados por todos os ventos. Para fugir destes extremos convém conduzir um meio termo que nem com a demasiada atenção fatiguemos a cabeça, nem com o muito descuido e frouxidão fiquemos vagando com o pensamento por onde ele bem entenda. De modo que, assim como costumamos dizer ao homem que caminha sobre uma besta maliciosa que mantenha as rédeas firmes, isto é, nem muito apertada nem muito frouxa, para que nem volte para trás, nem caminhe com perigo, assim devemos procurar que nossa atenção siga com moderação e não forçada, com cuidado mas não com fadiga e aflição.

Mas particularmente convém avisar que no princípio da meditação não fatiguemos a atenção com demasiada atenção, porque quando isto se faz, mais adiante costumam faltar as forças, como faltam ao caminhante quando no princípio da jornada se entrega a uma demasiada pressa para caminhar.

 6. Quinto Aviso

Mas entre todos estes avisos o principal é que não desanime aquele que ora, nem desista de seu exercício quando não sente imediatamente aquela suavidade da devoção que ele deseja. É necessário que com longanimidade e perseverança esperar a vinda do Senhor, porque à glória de Sua Majestade e à baixeza de nossa condição e à grandeza do negócio que tratamos pertence que estejamos muitas vezes esperando e aguardando às portas de seu palácio sagrado.

Pois quando desta maneira tenhas aguardado um pouco de tempo, se o Senhor vier, dá-lhe graças por sua vinda e, se te parecer que não vem, humilha-te diante dEle, e conhece que não mereces o que não te deram, e contenta-te com ter feito ali o sacrifício de ti mesmo e negado a tua própria vontade e crucificado o teu apetite e lutado com o demônio e contigo mesmo, e feito pelo menos o que era de tua parte. E se não adoraste o Senhor com a adoração sensível que desejavas, basta que o tenhas adorado em espírito e em verdade, como Ele quer ser adorado (Jo. 4, 23). E creia-me, com certeza, que este é o caso mais perigoso desta navegação e o lugar onde se provam os verdadeiros devotos, e que se dele te saires bem, em tudo o demais seguirás prosperamente.

Finalmente, se mesmo assim te perecesse que fosse tempo perdido perseverar na oração e fatigar a cabeça sem proveito, neste caso não teria por inconveniente que, depois de ter feito o que está em ti, tomasses algum livro devoto e trocasses então a oração pela lição, contanto que a leitura não fosse corrida nem apressada mas pausada e com muito sentimento quanto ao que estivesses lendo, misturando muitas vezes em seus lugares a oração com a leitura, o qual é coisa muito proveitosa e muito fácil de fazer para todo gênero de pessoas, mesmo que sejam muito rudes e principalmente neste caminho.

7. Sexto Aviso

Não é documento diverso do anterior, nem menos necessário avisar que o servo de Deus não se contente com qualquer gostozinho que encontre em sua oração (como fazem alguns que derramando uma lagrimazinha ou sentindo alguma ternura de coração, pensam que já cumpriram com o seu exercício). Isto não basta para o que aqui pretendemos. Porque assim como um pequeno filete de água não basta para que a terra frutifique, que não faz mais do que tirar a poeira e molhar a terra por fora, mas é necessária tanta água que desça até o íntimo da terra e a deixe encharcada de água para que possa frutificar, assim também aqui é necessária a abundância deste rio e desta água celestial para que possa dar fruto de boas obras. É por isto que com muita razão se aconselha que tomemos para este santo exercício o maior espaço de tempo que pudermos. E melhor seria um tempo longo do que dois tempos curtos, porque se o espaço é breve, todo ele será gasto em sossegar a imaginação e aquietar o coração, e depois de já quieto nos levantaremos do exercício quando o teríamos de começar.

E descendo a maiores detalhes no que diz respeito a delimitar este tempo, parece-me que tudo o que for menos de uma hora e meia ou duas horas é um tempo muito curto para a oração, porque muitas vezes se passa mais do que meia hora em moderar o caminho e acalmar a imaginação e todo o restante do tempo é necessário para gozar do fruto da oração. É verdade que quando este exercício é feito depois de alguns outros santos exercícios, como depois do ofício das matinas ou depois de ter assistido ou celebrado missa ou depois de alguma leitura devota ou oração vocal, o coração se encontra mais disposto para este negócio e, assim como ocorre com a lenha seca, mais rapidamente se acende este fogo celestial. Também o tempo da madrugada costuma ser mais curto porque é o mais aparelhado que existe de todos quantos há para este ofício. Mas o que for pobre de tempo por causa de suas muitas ocupações, não deixe de oferecer seu quinhãozinho com a pobre viúva do Templo (Lc. 21, 2), porque se isto não ocorre por sua negligência, Aquele que provê a todas as suas criaturas conforme a sua necessidade e natureza, prove-lo-á também segundo a sua.

8. Sétimo Aviso

Conforme a este documento se dá outro semelhante a ele, e é que quando a alma for visitada na oração, ou fora dela, com alguma visita particular do Senhor, que não a deixe passar em vão, mas que se aproveite daquela ocasião que se lhe oferece, porque é certo que com este vento navegarão homem mais em uma hora que sem Ele durante muitos dias. Assim se diz que o fazia São Francisco, de quem escreve São Boaventura em sua vida que era tão especial o cuidado que tinha nisto que se ao andar pelo caminho nosso Senhor o visitava com algum favor especial, fazia ir adiante todos os companheiros e permanecia quieto até acabar de ruminar e digerir aquele bocado que lhe vinha do céu. Os que assim não o fazem costumam comumente ser castigados com esta pena, a de que não encontram a Deus quando o buscarem, porque quando Ele os buscava não os encontrou.

 9. Oitavo Aviso

O último e mais principal aviso seja que procuremos neste santo exercício juntar em uma só coisa a meditação com a contemplação, fazendo da primeira a escada para subir até a segunda, para o que deve-se saber que o ofício da meditação consiste em considerar com estudo e atenção as coisas divinas discorrendo de umas para as outras para mover nosso coração a algum efeito e sentimento das mesmas, que é como quem fere uma pedra para arrancar dela alguma centelha. Mas a contemplação consiste em já ter arrancado esta centelha, quero dizer, já ter encontrado este efeito e sentimento que se buscava, e estar em repouso e silêncio em seu gozo, não com muitos discursos e especulações do entendimento, e sim com uma simples vista da verdade, por causa do que diz um santo doutor que a meditação discursa com trabalho e com fruto, mas a contemplação o faz sem trabalho e com fruto; a primeira busca, enquanto que a segunda encontra; a primeira rumina a comida, enquanto que a segunda a degusta; a primeira discorre e tece considerações, enquanto que a segunda se contenta com uma simples vista das coisas, porque já possui o amor e o gosto das mesmas; finalmente, a primeiro é como um meio, enquanto que a segundo é como um fim; a primeira é como caminho e movimento, enquanto que a segunda é como o término deste caminho e movimento.

Daqui se conclui uma coisa muito comum, que é ensinada por todos os mestres da vida espiritual, ainda que pouco entendida por parte dos que a lêem, a saber, que assim como ao se alcançar um fim cessam os meios, assim como chegando ao porto cessa a navegação, assim também quando o homem, mediante o trabalho da meditação, chegar ao repouso e ao gosto da contemplação, deve então cessar daquela piedosa e trabalhosa investigação. E contente com uma simples vista e memória de Deus, como se o tivesse presente, tomar posse daquele afeto que se lhe é dado, seja ora de amor, ora de admiração ou de alegria ou coisa semelhante. A razão pela qual isto se aconselha está em que, como o fim de todo este negócio consiste mais no amor e nos afetos da vontade do que na especulação do entendimento, quando a vontade já está presa e tomada deste afeto, devemos dispensar todos os discursos e especulações do entendimento, na medida em que nos seja possível, para que nossa alma com todas as suas forças se empregue nisto sem derramar-se pelos atos de outra potência. E por isso aconselha um doutor que assim que o homem sentir-se inflamado do amor de Deus, deve logo deixar todos estes discursos e pensamentos, por mais altos que possam parecer, não porque sejam maus, mas porque neste caso se tornam impedimentos de outro bem maior, o que não é outra coisa mais do que cessar o movimento quando se chega ao seu término e deixar a meditação por amor da contemplação. Pode-se assinalar que isto pode ser feito no fim de todo o exercício, depois de se pedir o amor de Deus, de que antes já havíamos tratado, pelos seguintes dois motivos. Primeiro, porque pressupõe-se que neste momento o trabalho já feito no exercício terá dado à luz a algum efeito e sentimento de Deus, e, como diz o Sábio, mais vale o fim da oração do que o seu princípio (Eccles. 7,7). Segundo, porque depois do trabalho da meditação e da oração é razoável que o homem dê um pouco de folga ao entendimento e o deixe descansar nos braços da contemplação. Neste tempo, portanto, abandone o homem todas as imaginações que se lhe oferecerem, cale o entendimento, aquiete a memória e fixe-a em Nosso Senhor, considerando que está diante de sua presença e não especulando em particularidades das coisas divinas. Contente-se com o conhecimento que ele possui de Deus pela fé e aplique a sua vontade e amor, pois somente este o abraça e nele está o fruto de toda a meditação, pois o entendimento quase nada alcança do que se pode conhecer de Deus ao passo que a vontade pode amá-Lo muito. Encerre-se dentro de si mesmo no centro de sua alma onde está a imagem de Deus, e ali esteja atento a Ele, como quem escuta ao que fala a partir de alguma elevada torrem ou como quem o tivesse dentro de seu coração, e como se em toda a criação não houvesse mais nada senão somente ela ou somente ele. E mesmo de si mesma e do que faz deveria esquecer-se, porque, como dizia um daqueles Padres, a perfeita oração é aquela onde o que está orando não se recorda que está orando. E não somente no fim do exercício, como também no meio e em qualquer outra parte em que nos tomar este sonho espiritual, quando o entendimento está como que adormecido da vontade, devemos fazer esta pausa, gozar deste benefício e retornar ao nosso trabalho ao acabar de digerir e degustar aquele bocado. É assim que faz o jardineiro quando rega a sua terra a qual, depois de tê-la enchido de água, suspendo o jorro da corrente e deixa empapar e difundir-se pelas entranhas da terra seca o que esta recebeu e, uma vez feito isto, volta a soltar o jorro da fonte, para que receba mais e mais e fique melhor regada. Mas o que então a alma sente, o que goza da luz, da fartura, da caridade e da paz que recebe, não se pode explicar com palavras, pois aqui está a paz que excede todo o sentido e a felicidade que nesta vida se pode alcançar.

Há alguns tão tomados pelo amor de Deus que tão logo tenham começado a pensar nEle a memória de seu doce nome lhes derrete as entranhas. Estes têm tão pouca necessidade de discursos e considerações para amá-Lo como a mãe ou a esposa para regalar-se com a memória de seu filho ou esposo quando lhe falam dele. Há outros também que não somente no exercício da oração, como também fora dele, andam tão abosortos e tão empapados de Deus, que de todas as coisas e de si mesmos se esquecem por causa dEle pois, se isto o pode muitas vezes o amor furioso de um perdido, quanto mais não o poderá o amor daquela infinita beleza, se não é menos poderosa a graça do que a natureza e do que a culpa? Pois quando a alma o sentir, em qualquer parte da oração em que o sinta, de nenhuma maneira o deve menosprezar, mesmo que todo o tempo do exercício se gastar nisso, sem rezar ou meditar nas outras coisas que lhe estavam determinadas, a não ser que estas lhes fossem obrigatórias, porque assim como diz Santo Agostinho que deve-se deixar a oração vocal quando esta em alguma circunstância fosse impedimento da devoção, assim também deve-se deixar a meditação quando fosse impedimento da contemplação.

De onde que também deve-se muito notar que assim como nos convém deixar a meditação pelo afeto para subir do menos ao mais, assim também, pelo contrário, às vezes convirá deixar o afeto pela meditação, quando o afeto fosse tão veemente que se temesse perigo para a saúde perseverando nela, como muitas vezes acontece aos que, sem este aviso, se entregam a estes exercícios e os tomam sem discrição, atraídos pela força da divina suavidade. E em um caso como este, diz um doutor, é bom remédio entregar-se a algum afeto de compaixão, meditando um pouco na Paixão de Cristo, ou nos pecados e nas misérias do mundo, para aliviar e desafogar o coração.


Fonte: Cristianismo.org.br

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O amor não é amado! - São Francisco de Assis



 O camponês perguntou: Que aconteceu,
irmão, por que estás chorando?
O Irmão respondeu:
Meu irmão,
o meu Senhor está na Cruz
e me perguntas por que choras?

Quisera ser neste momento
o maior oceano da terra,
para ter tudo isso de lágrimas.

Quisera que se abrissem
ao mesmo tempo todas
as comportas do mundo
e se soltassem
as cataratas
e os dilúvios
para me emprestarem
mais lágrimas.

Mas ainda que juntemos
todos os rios e mares,
não haverá lágrimas
suficientes para chorar
a dor e o amor
de meu Senhor crucificado.

Quisera ter as asas invencíveis
de uma águia para atravessar
as cordilheiras e gritar
sobre as cidades:

O Amor não é amado!
O Amor não é amado!

Como é que os homens podem amar
uns aos outros se não amam o Amor?


São Francisco de Assis

Fonte: Confraria de Nossa Senhora do Carmo

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Francisco de Assis Carta aos Governantes dos Povos



São Francisco de Assis
Carta aos Governantes dos Povos



1. A todos os podestás, cônsules, juízes e regentes no mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo no Senhor, deseja saúde e paz.

2. Considerai e vede que “se aproxima o dia da morte” (Gn 47,29).

3. Peço-vos, pois, com todo o respeito de que sou capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste século, não esqueçais o Senhor nem vos afastes dos seus mandamentos. Pois todos aqueles que o deixam cair no esquecimento e “se afastam dos seus mandamentos” são amaldiçoados (SI 118,21) e serão pôr Ele “entregues ao esquecimento” (Ez 33,13).

4. E quando chegar o dia da morte, “tudo o que entediam possuir ser-lhe-á tirado” (Lc 8,18).

5. E quanto mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores “tormentos padecerão no inferno” (Sb 6,7).

6. Pôr isso aconselha-vos encarecidamente meus senhores, que deixeis de lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o santíssimo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pôr ocasião de sua santa memória.

7. Diante do povo que vos foi confiado, prestai ao Senhor este testemunho público de veneração, todas as tardes mandai proclamar por pregoeiro, ou anunciai pôr algum sinal, que todo povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus Todo Poderoso.

8. E se não o fizerdes, sabei que havei de dar conta perante vosso Senhor Jesus Cristo no dia do juízo (cfr. Mt 12,36).

9. Os que guardarem consigo este escrito e o observarem, saibam que são abençoados pelo Senhor Deus.

Fonte: Deus Lo Vult

A perfeita alegria, por São Francisco de Assis

Vindo uma vez São Francisco da cidade de Perusia para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão em tempo de inverno, e como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, chamou Frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim: "Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria".

E andando um pouco mais, chama pela segunda vez: "`Santo irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, e mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria". E andando um pouco, São Francisco gritou com força: "Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as escrituras e se soubesse profetizar e revelar não só as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria".

Andando um pouco além, São Francisco chama ainda com força: "Õ irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria".

E caminhando um pouco, São Francisco chamou em alta voz: "Ô irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis à fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria".

E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse: "Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria". E São Francisco assim lhe respondeu: "Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento' e o porteiro chegar irritado e disser: 'Quem são vocês?'; e nós dissermos: "'Somos dois dos vossos irmãos', e ele disser: 'Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui'; e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fez falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: 'Fora daqui, ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama'; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria. E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: 'Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem': e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.

Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: 'Que tens tu que não hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares como se o tivesses de ti?' Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o Apóstolo: "Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual sejam dadas honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém."


-- Dos Fioretti de São Francisco
 
Fonte: Tesouros da Igreja Católica

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Padre Pio e "La Madonna"

Assistam a esse vídeo do Padre Paulo Ricardo, que trata da relação filial profundíssima e terníssima que o Padre Pio, que hoje comemoramos, tinha com Nossa Mãe, Maria Santíssima, e o quanto a Consagração Total a Ela foi importante para a sua santificação.

http://padrepauloricardo.org/episodios/padre-pio-e-la-madonna

Viva Cristo Rei!
Salve Maria Imaculada!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

São Francisco de Assis e o fundamento evangélico para invadir as terras dos muçulmanos

São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.
Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.

Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil
em 1219, perto de Damieta, Egito.


“O sultão lhe apresentou outra questão:

− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.

“Respondeu o bem-aventurado Francisco:

− “Me parece que vós não tendes lido todo o Evangelho. Em outra parte, de fato, está dito: Se teu olho te escandaliza, arranca-o e joga-o longe de ti (Mt. 5,25).

“Com isto quis nos ensinar que também no caso de um homem que fosse nosso amigo ou parente, que nos amássemos como a pupila do olho, nós devemos estar dispostos a separa-lo, e afastá-lo de nós, até arrancá-lo de nós, se tenta nos afastar da fé e do amor de nosso Deus.

“Exatamente por isto o cristãos agem de acordo com a Justiça quando invadem vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais contra o Nome de Cristo e vos empenhais em afastar de Sua religião todos os homens que podeis.

“Se, pelo contrário, vós quiserdes conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo eles vos amariam como a si próprios”.

“Todos os presentes ficaram tomados de admiração pela resposta dele”.
(Fonte: “Fonti Francescane”, Seção terceira – Outros testemunhos franciscanos, número 2691).

Fonte: As Cruzadas

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Santa Rosa de Viterbo, Virgem

Hoje eu gostaria de apresentar-vos uma santa de minha predileção. A leitura da história dessa menina, cuja festa popular (e não a litúrgica) comemoramos ontem, me marcou profundamente, de modo que ela foi uma das grandes inspirações no meu princípio de caminho de conversão, bem como no meu apostolado e no combate ás heresias.

Outro fato de sua vida, que não é relatado nesse pequeno texto, é a ressurreição de uma tia sua, devido à uma oração da menina, quando tinha apenas 6 anos.

Gloriosa Santa Rosa de Viterbo, rogai por nós, pela juventude católica e pelos apologistas católicos!
***
     Rosa nasceu em uma família humilde de Viterbo. João e Catarina, seus pais, eram agricultores em Santa Maria in Poggio.

Santa Rosa viveu na primeira metade do século XIII, em uma época de grandes confrontos. De um lado surgia São Francisco de Assis, o irmão menor de todos, do outro, o imperador Frederico II, o grande estadista, que governava com mão de ferro. Em um extremo, o poder Espiritual, a Igreja, e de outro o mundo, o Imperador.

Não se sabe muito bem o ano em que Rosa nasceu. Alguns biógrafos mencionam 1234 ou 1235. Mais provável é que tenha nascido em 1236, pois morreu em 1253 com 18 anos incompletos.

Seus pais trabalhavam em um mosteiro de Clarissas, próximo de sua casa, o São Damião, primeiro convento das Clarissas, onde viveu Santa Clara. Desde cedo Rosa recebeu influência da espiritualidade franciscana em sua vida. Seus biógrafos afirmam que desde tenra idade ela já manifestava experiências místicas. Viveu asceticamente e se impunha severas penitências. À medida que ela crescia, aumentavam as suas orações. Muitas vezes passava longas horas da noite em contemplação. Durante o dia procurava os lugares onde poderia ficar em silêncio e entregar-se a oração.

No dia 23 de julho de 1247, foi atacada por uma forte febre. De repente, ajoelhou-se em sua cama e balbuciou o nome de Maria, ficou ali por um longo tempo. Então levantou-se e sorriu: estava sem febre. Contou então que a Virgem lhe apareceu e lhe confiara uma missão: visitar as igrejas de São João Batista, Santa Maria do Outeiro e São Francisco. E que depois da Missa fosse pedir sua admissão na Ordem da Penitência de São Francisco, hoje chamada de Ordem Franciscana Secular.
Naquele a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caira nas mãos do imperador Frederico II. A cidade estava nas mãos dos hereges que negavam a autoridade do Papa e o poder do sacerdote de perdoar os pecados e consagrar.

Em oração, Rosa teve uma visão do crucificado e seu coração ardeu em chamas. Ela não se conteve: saiu pelas ruas para pregar com um crucifixo nas mãos. A notícia correu por toda cidade, muitos se sentiram estimulados na fé e vários hereges se converteram; ela confundia até os mais preparados.
Devido a sua pregação diária, Rosa representava uma ameaça para as autoridades da cidade. Então, em 1250, o prefeito assinou uma ordem condenando Rosa ao exílio, afirmando que ela incitava a revolta entre o povo. Rosa e seus pais foram morar em Soriano del Cimino onde sua fama já havia chegado. Nessa cidade Rosa se tornou uma verdadeira apostola, nas praças pregava o Evangelho a todos.

Na noite de 4 para 5 de dezembro, Rosa recebeu a visita de um anjo, que lhe revelou que o imperador morreria dentro de poucos dias. No dia 13 de dezembro o imperador Frederico II faleceu.
Com a morte de Frederico II, o poder dos hereges enfraqueceu e Rosa pode retornar a Viterbo, no início de 1252. Toda região vivia em paz. Rosa humildemente pode compreender que Deus a fizera "instrumento de sua paz".

No dia 6 de março de 1252, "sem agonia", Deus a chamou. Foi sepultada sem caixão, na terra nua, perto da Igreja de Santa Maria in Poggio.

No dia 25 de novembro de 1252, o Papa Inocêncio IV, por sua Bula Sic in Sanctis, mandou instaurar oficialmente o processo de canonização de Rosa, nunca terminado.

No dia 4 de setembro de 1257, o Papa Alexandre IV mandou exumar o corpo de Rosa e, para a surpresa de todos, o corpo foi encontrado intacto, quase como se ela estivesse viva. Rosa foi então transladada para o mosteiro das Clarissas, a partir de então chamado Mosteiro de Santa Rosa.

O Papa Calixto III mandou retomar os trabalhos do processo de canonização. Em 1457 o processo ficou pronto, mas Calixto III morreu sem que chegasse a promulgar o decreto de canonização. Curiosamente a canonização de Rosa nunca foi oficializada, mas também nunca foi negada pelos Papas e pela Igreja. Tanto que o seu nome já era mencionado na edição de 1583 do Martirológio Romano. Pouco a pouco foram sendo dedicadas a ela igrejas, capelas e escolas por toda a Itália e até na América Latina.

Em setembro de 1922, o Papa Bento XV declarou Santa Rosa de Viterbo padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica. No Brasil, Santa Rosa de Viterbo foi escolhida como a padroeira da juventude franciscana secular.

Santa Rosa é festejada dia 6 de março, mas as festas mais notáveis em sua honra acontecem em setembro. Em Viterbo, cidade da qual é padroeira, Santa Rosa é festejada no dia 4 de setembro.
Todos os anos, no dia 4 de setembro, seu corpo, incorrupto e flexível, é levado em procissão, desde o santuário dedicado a ela, pelas ruas de Viterbo pelos chamados Facchini di Santa Rosa, num espetáculo monumental. Uma torre de madeira e tecido renovada a cada ano, com uma estampa da Santa, é levada aos ombros por 62 homens.

A mensagem de Santa Rosa de Viterbo continua atual, plenamente válida e urgente: conversão, fidelidade ao Evangelho, à Santa Igreja e ao Papado.


Fonte: Heroínas da Cristandade

sábado, 29 de junho de 2013

Carta de São Francisco de Assis aos fiéis (Penitência!) Parte I

(PRIMEIRA REDAÇÃO)
(Exortação aos irmãos e às irmãs sobre a penitência)
Em nome do Senhor!

[Cap. I]: Dos que fazem penitência
1 Todos os que amam o Senhor com todo o coração, com toda a alma e a men-te, com toda a força (cfr. Mc 22,39) e amam seus próximos como a si mesmos (cfr. Mt 22,39),
2 e odeiam seus corpos com os vícios e pecados,
3 e recebem o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo,
4 e fazem frutos dignos de penitência:
5 Oh! como são bem-aventurados e benditos, eles e elas, enquanto fazem essas coisas e nelas perseveram,  6 porque des-cansará sobre eles o espírito do Senhor (cfr. Is 11, 2) e neles fará sua casa e morada (cfr. Jo 14, 23),
7 e são filhos do Pai celeste (cfr. Mt 5,45), cujas obras fazem, e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. Mt. 12, 50).
8 Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a nosso Senhor Jesus Cristo.
9 Somos seus irmãos quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus (Mt 12, 50).
10 Mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo (Cfr. 1Cor 6, 20), pelo amor divino e a cons-ciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo (cfr. Mt 5, 16).
11 Oh! como é glorioso, santo e grande ter nos céus um Pai!
12 Oh! como é santo ter tal esposo: paráclito, belo e admirável!
13 Oh! como é santo e dileto ter tal irmão e filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e sobre todas as coisas desejável: Nosso Senhor Jesus Cristo! que deu a vida por suas ovelhas (cfr. Jo 10,15) e orou ao Pai dizendo:
14 Pai santo, guarda-os em teu nome (Jo 17, 11), os que me deste no mundo; eram teus e mos deste (Jo 17,6).
15 E as palavras que me deste, lhas dei; e eles as receberam e creram, de verdade, que saí de ti e conheceram que me enviaste (Jo 17,8).
16 Rogo por eles e não pelo mundo (cfr. Jo 17, 9).
17 Bendize-os e santifica-os (Jo 17, 17), e por eles santifico a mim mesmo (Jo 17,19).
18 Não rogo só por eles, mas por aqueles que hão de crer em mim por sua palavra (Jo 17, 20), para que sejam santificados em um (Cfr. Jn 17, 23), como também nós (Jo 17, 11).
19 E quero, Pai, que onde eu estou também eles estejam comigo, para que vejam minha claridade (Jo 17,24) em teu reino (Mt 20,21). Amém.

Fonte: Senzala da Imaculada

sábado, 22 de junho de 2013

Comentário do Evangelho do dia (20/06) feito por São Francisco de Assis



(1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Paráfrase ao Pai Nosso


«Eu sou o pão da vida» (Jo 6,35)
 

«O pão nosso de cada dia nos dai hoje»,
teu dilecto Filho, nosso Senhor Jesus Cristo,
para que melhor possamos lembrar,
compreender e venerar
o amor que teve por nós,
e tudo o por nós disse, fez e sofreu.


«Perdoai as nossas ofensas»
por tua inexprimível misericórdia,
por virtude da Paixão do teu bem-amado Filho,
pelos méritos e intercessão da Virgem Maria
E de todos os teus santos.


«Como nós perdoamos a quem nos tem ofendido»
e o que não conseguimos perdoar plenamente
faz, Senhor, que plenamente perdoemos;
e que por amor a Ti amemos de verdade os inimigos,
que junto a Ti consigamos interceder com sinceridade por eles;
que a ninguém paguemos o mal com o mal,
mas que procuremos a todos fazer o bem, em Ti.


«E não nos deixeis cair em tentação»,
seja ela visível ou oculta,
súbita, lancinante e contínua.


«Mas livrai-nos do mal»,
passado, presente e futuro. Amen!


 Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 15 de junho de 2013

Ensinamentos de Santo Antônio, doutor da Igreja



Palavra de Deus: “São os pobres, os simples, os humildes, que tem sede da palavra da Vida e da água da Sabedoria. Porém os mundanos, que se embriagam com o cálice dourado dos vícios, os sabichões, os conselheiros dos poderosos – acreditem-me, se puderem! – não aceitam que se lhes anuncie a Mensagem divina. Escutar de boa vontade a palavra de Deus é um grande sinal de predestinação. Da mesma forma com que o exilado procura e escuta com satisfação notícias provenientes da sua terra, também se pode dizer que já tem o coração voltado para o céu o cristão que escuta com interesse quem fala da pátria celeste”.


Oração: “A oração é uma demonstração de afeto para com Deus, uma conversa afetuosa e familiar com Ele, um descanso da mente iluminada lá do alto e que procura aproveitá-lo o máximo possível. A oração é também solicitar os bens temporais necessários para a vida presente; aqueles, porém, que os pedem ao Senhor com verdadeiro espírito cristão sempre subordinam sua vontade à dele, ainda que seja somente a necessidade que os leva a rezar: só o Pai celeste é que sabe quais coisas nos são realmente necessárias no âmbito temporal. Finalmente, a oração é também ação de graças, reconhecendo os benefícios recebidos e oferecendo a Deus, em troca, todas as nossas obras, para que nossa oração seja contínua.


Conversão: “Como deve ser a contrição pelo pecado? Escuta o salmista: ‘Sacrifício para Deus é um espírito contrito. Um coração contrito e esmagado Tu não o desprezas’. Com estas palavras estão sendo indicadas a conpunção de espírito pelos pecados cometidos, a reconciliação do pecador, a contrição universal por todos os pecados e a contínua humilhação do pecador sinceramente arrependido. O espírito do penitente, quando estraçalhado e coberto de feridas, é um holocausto aceito por Deus. Deus faz novamente as pazes com o pecador, e o pecador com Deus.”


A Graça: “Pela Graça, é o próprio Espírito Santo que, como esposo, se une à alma purificada por um amor penitente. É uma divina união, da qual nasce o cristão, herdeiro da vida eterna…Podemos, assim, dizer ao Filho de Deus: “Somos osso de Teus ossos e carne de Tua carne!’ Senhor Jesus, tem compaixão da nossa fraqueza, perdão pelos nossos pecados! Tem compaixão de nós, teus membros ó Senhor! Estende-nos tua mão fraterna, para que cada dia da nossa vida aqui na terra seja um passo adiante em nossa peregrinacão rumo `a casa do céu. Dá-nos tuas graças a nós, pecadores, para que nos aproximemos de Ti, para Te escutarmos sempre! Digna-Te acolher-nos junto a Ti e ser nosso divino alimento no grande Banquete da vida eterna! “


: “A fé é a virtude principal, e quem não crê é semelhante àqueles hebreus que no deserto se rebelaram contra Moisés: sem a guia de Moisés, isto é, sem a fé, não se entra no Reino de Deus; a fé é a vida da alma. Cristão é aquele que, com a alma iluminada pela fé, percebe claramente os mistérios de Deus, professando-os publicamente com os lábios. Fé verdadeira é a que se faz acompanhar pela caridade. Para o cristão, crer em Deus não significa acreditar que Ele é verdadeiro e fiel; significa sim acreditar amando, acreditar abandonando-se a Deus, unindo-se a Ele e tornando-se um só com Ele.”


(Orações em honra a Santo Antônio – Paulus – São Paulo – 1994 – Tradução: Georges Maissiat – p.9 a 29).

Fonte:  Veritatis Splendor

domingo, 21 de abril de 2013

Padre Pio de Pietrelcina - Relatos em Suas Cartas sobre a oração.

 



            '' A oração é o pão e a vida da alma; é o ar do coração, não quero ser mais que isto, um frade que ora ''.

''Minha maneira habitual de orar é esta. Nem bem inicio a oração, sinto de repente que a alma começa a recolher-se numa paz e numa tranqüilidade impossíveis de exprimir com palavras. Os sentidos ficam suspensos, com exceção do ouvido, que algumas vezes não fica suspenso; geralmente, porém, esse sentido não me causa aborrecimento, e devo confessar que, ainda que se fizesse um enorme rumor à minha volta, nem por isso conseguiriam me incomodar nem um pouquinho. Por aí o senhor compreenderá que são poucas as vezes em que consigo meditar com o intelecto".

A mim parece que o tempo passa rapidamente e nunca é suficiente para orar. Tenho muito gosto pelas boas leituras; porém, leio bem pouco, não só por estar impossibilitado pelas enfermidades, como porque, abrindo o livro, depois de uma breve leitura, fico profundamente recolhido, de modo que a leitura se torna uma oração".

"Não me cansarei de orar a Jesus. É verdade que as minhas orações são, antes, dignas de castigo que de prêmio, porque desgostei demais a Jesus com meus inumeráveis pecados; mas por fim terá piedade de mim".

'' Veja que fenômeno curioso vem ocorrendo comigo, de certo tempo para cá e, aliás, não é pouca a preocupação que me causa. Na oração, acontece de me esquecer de rezar por quem me pede orações (não por todos, porém) ou por quem eu teria intenção de orar. Esforço-me, antes de começar a rezar,
para recomendar, por exemplo, esta ou aquela pessoa; mas assim que entro em oração, meu Deus, faz-se em minha mente um vazio perfeito e não resta mais nenhum vestígio do que, no entanto, me era tão caro. Outras vezes, ao contrário, estando em oração, sinto-me levado a rezar por quem nunca tive a intenção de rezar e, o que é mais maravilhoso, às vezes por quem jamais conheci, nem vi, nem ouvi e nem recomendou a minhas orações, ainda que fosse por meio de outros. E, cedo ou tarde, o Senhor sempre atende a essas orações".


Creditos: Sociedade das ciências antigas - Vida e obra do Padre Pio.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Vigília da Natividade


S. Boaventura, Bispo
O que nela foi concebido é do Espírito Santo (Mt 1,20).
Embora não se possa encontrar na natureza exemplo adequado para o que é acima da natureza, contudo vemos de modo diverso originar-se o esplendor da luz, o broto da vide, a flor da haste da árvore.
O raio se origina da luz, que é da mesma natureza, mas não dizemos que a luz sejam raios e vice-versa; assim, é o Filho, do Pai, dado que é substancial ao Pai, mas nem o Filho é o Pai, nem o Pai é o Filho. Por isso é que, relembrando a Igreja essa gloriosa natividade, canta: Ó Oriente, esplendor da luz eterna. (Antífona do Advento).
Nasce o broto na vide por isso que a fecunda e vitaliza, mas não a abre nem a viola, nem lhe altera a integridade. Assim nasce Deus na virgem a ponto de a cumular, fecundar, santificar, mas sem a dilacerar, sem a violar, sem a macular. Por isso, ao comparar o que dela nasceu ao broto, diz o Senhor pelo Profeta: "A Davi suscitarei rebento justo; (Jer 23,5) e, vós, ó céus, lá do alto orvalhai, e chovam as nuvens o justo; abra-se a terra e brote o Salvador. (Is 45,8).

Origina-se a flor do ramo ou da árvore, de modo que nem altera o ramo mas o melhora: nem o dilacera, senão que o adorna. Assim nasceu da Virgem, não abrindo nem alterando, pois essa porta será fechada para sempre, não se abrirá e varão não passará por ela (Ez 44,2), diz Ezequiel, mas fecundando e ornando. Por isso se compara seu nascimento ao desabrochar da flor: Sairá haste da raiz de Jessé e uma flor se desprenderá dela. (Is 11,1).
Assim, pois, o dela nascido, nasceu de Deus Pai, antes de estar no ventre, assim como o esplendor, da luz; nascido do ventre da Virgem Mãe, assim como o broto, da videira; nascido também do ventre, assim como a flor nasce do ramo, da haste ou da árvore.
No primeiro nascimento, nasceu e sempre nasce de seu Pai, segundo a natureza divina; no segundo e no terceiro, nasceu da Virgem Mãe, segundo a natureza humana; no segundo e no terceiro, se nos mostrou na terra para remédio; o primeiro se nos reserva no céu, como prêmio. O segundo nascimento se refere ao dia da presente solenidade, em que lemos acerca de seu nascimento; o terceiro diz respeito ao da solenidade de amanhã, em que cantamos: Nasceu-nos um menino; o primeiro se refere ao dia da eterna solenidade.
S. Boaventura, Vigília da Natividade, Ofício Marial.
 
Fonte: Blog GRAA

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Santa Clara de Assis - Carta II a Inês de Praga


Ainda no clima do dia de Santa Clara, que celebramos no último sábado.

Carta II
A Segunda Carta de Santa Clara a Inês de Praga
Clara, serva inútil e indigna das pobres damas, saúda dona Inês, filha do Rei dos reis, serva do Senhor dos senhores, esposa digníssima de Jesus Cristo e por isso rainha nobilíssima, augurando que viva sempre na mais alta pobreza.

Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito, pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, 4 para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito, mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito.

É essa perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado. 6 Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à proposta de um casamento imperial, 7 você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem mereceu unir-se em matrimônio.

Mas eu sei que você é rica de virtudes e vou ser breve para não a sobrecarregar de palavras supérfluas, 9 mesmo que não lhe pareça demasiado nada que lhe possa dar alguma consolação. Mas, como uma só coisa é necessária, é só isso que eu confirmo, exortando-a por amor daquele a quem você se entregou como oferenda santa e agradável. Lembre-se da sua decisão como uma segunda Raquel:

Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. Não confie em ninguém, não consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho, para não cumprir seus votos ao Altíssimo na perfeição em que o Espírito do Senhor a chamou.

Nisso, para ir com mais segurança pelo caminho dos mandamentos do Senhor, siga o conselho de nosso venerável pai, o nosso Frei Elias, ministro geral. Prefira-o aos conselhos dos outros e tenha-o como o mais precioso dom.

Se alguém lhe disser outra coisa, ou sugerir algo diferente, que impeça a sua perfeição ou parecer contrário ao chamado de Deus, mesmo que mereça sua veneração, não siga o seu conselho. Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre.

Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo. 20 Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz.

Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos. 22 E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida.

Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecedouros, e viverá pelos séculos dos séculos.

Adeus, irmã querida, senhora minha pelo Senhor que é seu esposo. 25 Em suas piedosas preces, procure lembrar-se de mim e de minhas Irmãs, que nos alegramos com os bens que o Senhor realiza em você por sua graça. 26 Recomende-nos também, e muito, às suas Irmãs.

Fonte; Volta para Casa
Intratext
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