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quarta-feira, 2 de março de 2016

Graus de Perfeição - São João da Cruz



1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.
12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procure sempre confessar-se com profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.
15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.
16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.
17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplático dos homens.

S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais

Créditos: GRAA

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Da necessidade de se desapegar de toda criatura para atingir a união divina - São João da Cruz

Para atingir este estado sublime de união com Deus, é indispensável à alma atravessar a noite escura da mortificação dos apetites, e da renúncia a todos os prazeres deste mundo. As afeições às criaturas são diante de Deus como profundas trevas, de tal modo que a alma, quando aí fica mergulhada, torna-se incapaz de ser iluminada e revestida da pura e singela claridade divina. A luz é incompatível com as trevas, como no-lo afirma São João ao dizer que as trevas não puderam compreender a luz. (Jo 1,5)


A razão está em que dois contrários, segundo o ensinamento da filosofia, não podem subsistir ao mesmo tempo num só sujeito. Ora, as trevas, que consistem no apego às criaturas, e a luz, que é Deus, são opostas e dessemelhantes. É o pensamento de S. Paulo escrevendo aos coríntios: “Que pode haver de comum entre a luz e as trevas?” (2Cor 6,14). Portanto, se a alma não rejeita todas as afeições às criaturas, não está apta a receber a luz da união divina.


Para dar mais evidência a esta doutrina, observemos que o afeto e o apego da alma à criatura a tornam semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e a semelhança, porque é próprio do amor fazer o que ama semelhante ao amado. Davi, falando dos que colocavam o amor nos ídolos, disse: “sejam semelhantes a eles os que os fazem; e todos os que confiam neles” (Sl 113,8). Assim, o que ama a criatura desce ao mesmo nível que ela, e desce, de algum modo, ainda mais baixo, porque o amor não somente iguala, mas ainda submete o amante ao objeto do seu amor. Deste modo, quando a alma ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele.


A baixeza da criatura é infinitamente mais afastada da soberania do Criador do que as trevas o são da luz. Todas as coisas da terra e do céu, comparadas com Deus, nada são, como disse Jeremias: “Olhei para a terra, e eis que estava vazia, e era nada; e para os céus, e não havia neles luz” (Jr 4,23). Dizendo ter visto a terra vazia, dá a entender todas as criaturas e a própria terra serem nada. Acrescentando: “contemplei o céu e não vi luz – quer significar que todos os astros do céu comparados com Deus são puras trevas. Daí se conclui que todas as criaturas nada são, e as inclinações que nos fazem pender para elas, menos que nada, pois são um entrava para a alma e a privam da mercê da transformação em Deus; assim como as trevas, igualmente, por serem a privação, são nada e menos que nada. Quem está nas trevas não compreende a luz; da mesma forma, a alma colocando sua afeição na criatura não compreenderá as coisas divinas; porque até que se purifique completamente não poderá possuir Deus neste mundo pela pura transformação do amor, nem no outro pela clara visão.


S. João da Cruz, Obras Completas, Subida do Monte Carmelo, Livro I, Cap. III, pp. 147-148

Créditos: O Segredo do Rosário

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Poesia sobre a Encarnação do Verbo - São João da Cruz

 
 
Já que o tempo era chegado em que fazer-se devia
o resgate da esposa que em duro jugo servia,
debaixo daquela lei que Moisés dado lhe havia,
o Pai com amor terno desta menria dizia:
- Já vês, Filho, que tua esposa à tua imagem feito havia,
e no que a ti se parece contigo coincidia;
mas é diferente na carne, que em teu simples ser não havia
pois nos amores perfeitos esta lei se requeria,
que se torne semelhante o amante a quem queria
porque a maior semelhança mais deleite caberia;
o qual, por certo, em tua esposa grandemente cresceria
se te visse semelhante na carne que possuía.


Minha vontade é a tua - o Filho lhe respondia -
e a glória que eu tenho é tua vontade ser minha;
e a mim me agrada, Pai, o que tua Alteza dizia,
porque por esta maneira tua bondade se veria;
ver-se-á teu gran poder, justiça e sabedoria;
irei a dizê-lo ao mundo e notícia lhe daria
de tua beleza e doçura, de tua soberania.


Irei buscar minha esposa e sobre mim tomaria
suas fadigas e dores em que tanto padecia;
e para que tenha vida, eu por ela morreria,
e tirando-a das profundas, a ti a devolveria.


Então chamou-se um arcanjo que S. Gabriel se dizia,
enviou-o a uma donzela que se chamava Maria,
de cujo consentimento o mistério dependia;
na qual a santa Trindade de carne ao Verbo vestia;
e embora dos três a obra somente num se fazia;
ficou o Verbo encarnado nas entranhas de Maria.
E o que então só tinha Pai, já Mãe também teria,
embora não como outra que de varão concebia,
porque das entranhas dela sua carne recebia;
pelo qual Filho de Deus e do Homem se dizia.


Quando foi chegado o tempo em que de nascer havia,
assim como o desposado, do seu tálamo saía
abraçado a sua esposa, que em seus braços a trazia;
ao qual a bendita Mãe em um presépio poria
entre pobres animais que então por ali havia.
Os homens davam cantares, os anjos a melodia,
festejando o desposório que entre aqueles dois havia.
Deus, porém, no presépio ali chorava e gemia;
eram jóias que a esposa ao desposório trazia;
e a Mãe se assombrava da troca que ali se via:
o pranto do homem em Deus, e no homem a alegria;
coisas que num e no outro tão diferente ser soía.


S. João da Cruz, Romantes Trinitários e Cristológicos, Toledo, Cárcere - 1578.
Créditos: GRAA

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A Doutrina da Cruz segundo São João da Cruz e Santa Edith Stein



"Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida. Poucos são os que o encontram. Devemos observar bem a ênfase dada à partícula 'quão', pois é como se dissesse 'na verdade é muito estreita, mais do que podeis imaginar...' Essa via ao alto monte da perfeição, exige viajantes que não levem fardos que os façam pender para baixo... Já que se tem o propósito de somente buscar e alcançar a Deus, somente a ele se há de buscar e alcançar de fato! Instruindo-nos e incitando-nos nesse caminho, Jesus Cristo proferiu essa doutrina tão admirável e, receio dizer, tanto menos praticada pelas amas (que se sentem atraídas à vida espiritual) quanto mais necessária!

'Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, irá salvá-la'.

Oh! Quem poderia aqui agora dar a entender, praticar e saborear este conselho!... aniquilação de toda a suavidade em Deus... aridez... tédio... sofrimentos... eis a pura cruz espiritual e a nudez do espírito pobre, segundo Jesus. O verdadeiro espírito antes procura em Deus a amargura que as delícias, prefere o sofrimento ao consolo, a privação ao gozo, a aridez e as aflições às doces comunicações celestes, sabendo que isto é seguir a Cristo e renunciar-se. Agir de outro modo é buscar-se a si mesmo em Deus, o que é muito contrário ao amor. Buscar a Deus nele mesmo... é inclinar-se a escolher, por amor a Cristo, tudo quanto há de mais áspero, seja de Deus, seja do mundo". A renúncia, segundo a vontade divina, consiste em "morrer para sua natureza... aniquilando-a... em tudo quanto a vontade julga ser valioso na ordem temporal, natural e espiritual... Quem assim tomar a cruz sobre si experimentará o jugo suave e o fardo leve, encontrando em todas as coisas grande alívio e suavidade... Quando a alma ficar desfeita em nada - isto é, a suprema humildade - estará realizada a união espiritual entre a alma e Deus... união que consiste numa viva morte de cruz, sensitiva e espiritual, interior e exterior".


S. João da Cruz, Subida ao Monte Carmelo, Livro II.


Para tanto não há outro caminho, pois, segundo o plano divino da salvação, Cristo houve por "remir a alma e desposá-la consigo, servindo-se dos próprios meios que haviam causado a ruína e a corrupção da natureza humana; pois, assim como por meio da árvore proibida no paraíso, foi essa natureza estragada e perdida por Adão, assim na árvore da cruz foi remida e reparada." (S. João da Cruz, Cântico Espiritual, Explicação da Canção XXIII) Se quiser partilhar com ele da vida, com ele deverá passar pela morte de cruz, e deverá como Cristo crucificar a sua própria natureza por uma vida de mortificação e renúncia, entregando-se à crucifixão pelos sofrimentos e pela morte, conforme Deus determinar e permitir. Quanto mais perfeita for a crucifixão ativa e passiva, tanto mais íntima será a união com o crucificado, e tanto maior será a participação na vida divina."


Edith Stein, A Ciência da Cruz, Cap. I.


Créditos: GRAA/ O Segredo do Rosário

sexta-feira, 15 de março de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (15/03) feito por São João da Cruz



(1542-1591), Carmelita descalço, doutor da Igreja
Cântico espiritual, estrofe 1 (Obras Completas, Ed. Carmelo, 2005)


                  «Procuravam, então, prendê-Lo, mas ninguém Lhe deitou a mão»


Aonde Te escondeste,
Amado, e me deixaste num gemido?
Qual veado fugiste
Havendo-me ferido.
Atrás de Ti clamei, tinhas partido!


É como se dissesse: «Ó Verbo, meu Esposo, mostra-me o lugar onde estás escondido!» Deste modo, está a pedir que lhe mostre a sua essência divina, porque o lugar onde o Filho de Deus está escondido é, como diz São João, o seio do Pai (Jo 1,18), que é a essência divina, a qual permanece longe dos olhos mortais e escondida a todo o entendimento humano. Por isso, Isaías, falando de Deus, disse. «Na verdade, Vós sois um Deus escondido» (Is 45,15).


Advirta-se, portanto, que, por maiores comunicações, presenças, notícias sublimes e elevadas de Deus que uma alma possa ter nesta vida, isso não é essencialmente Deus nem tem a ver com Ele; na verdade, está ainda escondido à alma. É por isso que, além de todas essas grandezas, convém sempre à alma tê-lO por escondido e buscá-lO como escondido dizendo: «Aonde Te escondeste?» De facto, nem a comunicação elevada nem a presença sensível são uma demonstração clara da presença graciosa de Deus; nem tampouco a secura e carência de tudo isso na alma demonstra a Sua ausência. Daí que o profeta Job tenha dito: «Passa diante de mim e eu não O vejo, afasta-Se de mim e não me apercebo (Jb 9,11).


Desta maneira dá-se a entender que se a alma sentir uma grande comunicação, ou sentimento ou notícia espiritual, nem por isso se há-de convencer de que aquilo que sente consiste em possuir ou ver nítida e essencialmente a Deus, ou que seja possuir mais a Deus ou estar mais em Deus, por muito forte que seja. De igual modo, não deve pensar que, se todas essas comunicações sensíveis e espirituais lhe vierem a faltar, ficando às escuras, em aridez e abandono, Deus lhe falta. [...] Portanto, neste verso, a intenção principal da alma não consiste em pedir apenas a devoção afectiva e sensível, onde não é certo nem claro possuir-se o Esposo, mas, sobretudo, pedir a presença e a visão clara da Sua essência, da qual quer ter a certeza e a consolação na outra vida.


Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 8 de março de 2013

Há algum perigo em procurar obter Dons Extraordinários?

“Os Dons Extraordinários não de­vem ser temerariamen­te pedidos, nem deles devem presunçosa­mente ser esperados fru­tos de obras apostólicas”
(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33)


♣ Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Gru­pos Pentecostais e Carismá­ticos; sem levar em conta a ação imprudente e gene­ralizada de doutrinas opostas à Doutri­na Católica, os perigos que daí podem re­sultar, e, a legalização disseminada e incentiva­da dos vários vícios do espírito.


♣ A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamen­te aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clare­za e objetivi­dade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicio­nal exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).





A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:

► “... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses fa­vores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspi­reis a is­so.


Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e re­verenciado, não con­vém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, por­que é falta de humil­dadedesejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se compor­ta...E julgo que eles (os favores sobrenatu­rais) nunca ocorrerão, uma vez que o Se­nhor, antes de conceder essas Gra­ças, dá um grande conhecimento próprio. E como en­tenderá sin­ceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não es­tar no Inferno?


Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o ha­ver. O Demô­nio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embus­tes. Em terceiro, porque a própria imagina­ção, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.


Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje es­colher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Se­nhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fa­zer a Sua Vontade. E, em quinto,julgais que são poucos os sofri­mentos padecid­os por aqueles a quem o Se­nhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se se­ríeis pes­soas para pa­decê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ga­nhar, perder­eis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos fi­lhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).


Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não de­sejar se­não o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos er­rar, se com determinação da vonta­de, agirmos sempre as­sim”(S. Te­resa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).


► E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: “... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso – , para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar da­qui e levantar o espí­rito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são da­dos, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desam­parada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humilda­de, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Vir­tude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de so­berba querer­mos ir além dis­so, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso sig­nifica logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).


► “Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por ven­cido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imita­vam as virtudes. As virtu­des, mas não os êxta­ses: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obedi­ência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bon­dade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávi­la, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).





O Doutor Místico admiravelmente ensina:

► “Alguns espirituais julgam-se seguros, tendo por boa a curiosidade que às vezes mos­tram, procurando conhecer o futuro por via sobrenatural: pen­sam ser justo e agradável a Deus usar deste meio, porque algumas vezes o Se­nhor se dig­na responder-lhes. Embora seja ver­dade que Deus assim faça, longe de gostar desse modo de agir, mui­to se aborre­ce, e se tem por grande­mente ofendido. A ra­zão disso é: a ne­nhuma criatura é lícito sair dos limites naturais prescritos por Deus e or­denado para seu governo. Ora, Deus sub­meteu o homem às Leis Natu­rais e Racionais: pretender infringi-las, queren­do che­gar ao conheci­mento por meio sobrenatural, é sair desses limites: não é permiti­do fazê-lo sem a Deus desgostar, pois as coisas ilícitas ofen­dem-No. Esta verdade era bem conhe­cida ao rei Acab, quando, ordenando-lhe Deus pelo Profeta Isaías que pedisse um Si­nal do Céu, não o quis pedir, dizendo: ‘Não pedirei e não tentarei o Se­nhor’(Is. 7, 12). Porque tentar a Deus é querer comunicar-se com Ele por vias extra­ordinárias, como são as (vias) sobrenaturais...


Querer conhecer coisas sobrenaturalmente é pior ainda do que dese­jar gostos espirituais pelo sentido, não sei como a alma com essa pre­tensão poderá deixar de pe­car, ao menos venial­mente, por melhores que se­jam seus fins e por mais perfeição que tenha.O mesmo digo de quem a man­dasse, ou consentisse em usar daquele meio sobrenatu­ral (esta via é muito usada e inci­tada a ser usada). Não há motivo algum para recorrer a tais meios extraordi­nários: temos a nossa Razão Natural, a Lei e a Doutrina Evangélica, pelas quais mui suficientemente nos podemos reger; não existe difi­culdade ou ne­cessidade que não se possa resolver ou remediar por esses meios comuns, mais agradá­veis a Deus e proveitoso às almas.Tão grande é a importância de nos servirmos da Razão e Doutrina Evangélica, que, mesmo no caso de receber­mos algo por via sobrenatural – só devemos ad­miti-lo quando é conforme a Razão e aos Ensi­namentos do Evangelho. Ainda assim, é preciso recebê-lo, não por ser reve­lação, mas por ser segundo a Razão, deixando de lado todo o seu aspecto sobre­natural; mais ainda: convém considerar e examinar aquela razão com atenção maior do que se não houvesse revelação particu­lar, pois muitas ve­zes o Demônio diz coisas verdadeiras e futuras, muito ra­zoáveis, para enga­nar as almas.


... Acrescento apenas ser perigosíssimo – muito mais do que sa­beria explicar – querer al­guém tratar com Deus por vias sobrenaturais; não deixa­rá de errar muito, achando-se extrema­mente confundido todo aquele que se afeiçoar a tais meios. Aliás, a própria experiência obriga-lo-á a reco­nhecer esta verdade. Além da dificuldade para não cair em erro, nessas pala­vras e visões de Deus, há, ordinariamente, entre as verdades, muitas do Demônio. Costuma o espírito maligno disfarçar-se sob o mesmo aspecto em que Deus se manifesta à alma, misturando coisas muito ve­rossímeis às co­municadas pelo Senhor. Deste modo, vai o Inimigo se metendo qual lobo en­tre o reba­nho, disfarça­do em pele de ovelha, e dificilmente se deixa perce­ber. Como diz palavras muito verda­deiras, conforme a razão e certas, quan­do se reali­zam, nelas é fácil enganar-se a alma, atri­buindo-as a Deus, somen­te por­que os fatos demonstraram a sua veracidade...


... É este o motivo de Deus se desgostar contra os que as admi­tem, porque para estes é Temeridade, Presunção e Curiosidade, expor-se ao peri­go que daí resulta. É dei­xar crescer o Or­gulho, raiz e fundamento da Vangló­ria, Desprezo das coisas Divinas, e Princípio de numerosos males em que caíram muitas almas. Excitam a tal ponto a Indig­nação do Senhor essas al­mas, que Ele propositadamente as deixa cair em erro e ceguei­ra e na obscur­idade do espírito: abandonam, assim, os caminhos ordinários da vida es­piritual, para satisfazerem suas Vaidades e Fantasias, segundo Isaías diz: ‘O Senhor di­fundiu entre eles um espírito de vertigem’(19, 14), isto é, espíri­to de revolta e confusão, ou para falar claramente: espírito que entende tudo ao revés. Vai ali o Pro­feta declarando as palavras bem ao nosso propósito, refe­rindo-se aos que procuram conhecer os Misté­rios do futuro por via so­brenatural. Deus, disse ele, lhes envia um espírito de vertigem, não porque queira efetivamente lançá-los no erro, mas porque eles quiseram intrometer-se em coisas acima de seu alcance. Por este motivo é que o Senhor, desgos­tado, dei­xou-os errar, não lhes dan­do luz nesses caminhos impenetráveis, onde não deviam en­trar. E assim, diz Isaías, Deus enviou-lhes aquele espíri­to pri­vadamente, isto é, daquele dano tornou-se Deus a causa privativa, que con­siste em tirar, tão deveras, sua Luz e Graça que necessariamente as al­mas venham a cair no erro.


O Senhor, deste modo, concede ao Demônio permissão para en­ganar e cegar grande nú­mero de pessoas merecedoras desse castigo por seus pe­cados e atrevimen­tos.Fortalecido por esse poder, o Inimigo leva a me­lhor: es­sas almas assim o aceitam como bom espírito e dão crença às su­gestões dele com tanta convicção que, ao ser-lhes apresen­tada mais tarde a Verdade, já não é possí­vel desiludi-las, pois, já as dominou, por per­missão Divina, aque­le espírito de entender tudo ao re­vés. Assim aconteceu aos profetas do rei Acab. Deus abandonou-os ao espírito de mentira, dando li­cença ao Demônio para enganá-los, dizendo: ‘Tu o enganarás, e prevalecerás: vai e faze-o as­sim’(I Rs. 22, 22). Efetivamente, foi tão poderosa a ação diabólica sobre o rei e os profetas que recusaram dar crédito à predição de Miquéias, anunciando-lhes a verdade muito ao contrário do que os outros a haviam profetizado.Deus deixou-os cair na cegueira por causa da presunção e do apetite com que deseja­ram receber uma resposta em harmonia com as suas incli­nações; só isto era disposição e meio certíssimo para precipitá-los proposita­damente na cegueira e na ilusão...”(S. João da Cruz, “Subida do Monte Carme­lo”, Liv. II, Cap. XXI; cfr. Capítulos XXII, XXXVII, 6-7, XXIX, XXX, 6-7; Liv. III, Cap. IX, 4 – Cap. X, 3).





O Fundador dos Sacramentinos assim ensina:

► “Ah! Não sejamos do número dessas pobres almas! Não despre­zemos os favo­res sensí­veis de Deus, mas não os procuremos tão pouco. Deve­mos nos afeiçoar somen­te a Jesus, e não às suas consolações, às suas Gra­ças: elas passam, só Ele permanece! Deus as concede às almas fracas, a fim de animá-las, atraí-las, como faz uma mãe que dá aos fi­lhos doçuras e carícias.


Houve Santos que tiveram êxtases, mas quanto sofreram, quanto foram provados! Essas Graças supõem a santidade, não a fazem. Deus lhas concedia de tempos em tem­pos; eram a re­compensa de seus sofrimentos e Deus agia assim para estimulá-los a sofrer mais ainda por seu amor. Santa Teresa temia de tal forma essas Graças que, ao sentir-se levantada da terra, precipita­va-se contra o solo”(S. Pedro Julião Eymard; “A Santíssima Eu­caristia”, Vol. V, fevereiro: Festa da Puri­ficação de Ma­ria).





O Fundador dos Monfortinos assim exorta:

► “Você deve ser bem cuidadoso em não fazer coisa alguma fora do normal; não procu­re, nem mesmo deseje conhecer coisas extraordinárias, vi­sões, re­velações ou Gra­ças miraculosas, que Deus Todo-Poderoso comunicava às vezes a alguns Santos... ‘Só a Fé é suficiente’: só a Fé basta para nós, agora que os Santos Evangelhos e todas as Devo­ções e as práticas Piedosas es­tão firmemen­te esta­belecidas”(S. Luís Mª Grignion de Montfort, “O Se­gredo Admi­rável do Rosário”, 47ª Rosa). E em outro lugar disse:


► “... Não vos peço visões ou revelações, ou gozos, ou prazeres, nem mesmo espi­rituais. É privilégio Vosso...”(“Tratado da Verdadeira Devo­ção à Santíssima Virgem”, Apên­dice: Oração a Ma­ria, para seus fiéis escravos). Ainda em outro lugar:


► “Por isso, enquanto que seus irmãos e irmãs trabalham muitas vezes para o exteri­or com mais entusiasmo, habilidade e sucesso, recebendo os louvo­res e aprovações do mun­do, eles sabem, pela luz do Espírito Santo, que há muito mais glória, bem e prazer em perma­necer oculto no reconheci­mento com Jesus Cristo, seu Modelo, numa submissão inteira e per­feita a sua Mãe,do que em rea­lizar, por si próprio, maravilhas naturais e da Graça no mundo, como tantos Esaús e Réprobos... Quanto mais, portanto, ganhardes a benevolência desta Princesa e Virgem fiel, tanto mais profunda Fé tereis em toda a vossa conduta: uma Fé pura, que vos levará à despreocupação por tudo que é sensível e ex­traordinário...”(“Tra­tado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, NN. 196, 214).





A Maior Santa dos Tempos Modernos assim nos ensina:

► “Um dia, no Céu, teremos prazer em falar de nossas gloriosas prova­ções. Mas, não nos senti­mos, desde já, felizes de tê-las sofrido? ... Sim, os três anos de martírio de papai se me apresentam como os mais amáveis, os mais fru­tuosos de nossa vida. Não os daria em troca de todos os êxtases e revelações dos San­tos... Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir Milagre”(S. Teresi­nha do Menino Jesus, “História de uma Alma”, Manus­crito “A”, Cap. VII; Cap. III). E, em outro lugar diz:


► “... Não creias que esteja a nadar em consolações. Oh! Não! Minha con­solação é não ter nenhuma na terra”(“Manuscrito “B”, Cap. IX).


► “Falando alguém a Santa Teresinha, quase nas vésperas de sua morte, sobre as Consola­ções Espirituais e Revelações, perguntou-lhe se essas Graças não a seduziam, respondeu a Santa: ‘Oh! Não, absolutamente; não de­sejo ver a Deus nesta vida, e, contudo, amo-O tan­to!’(“Novíssima Verba”, 14 de setem­bro). ‘A minha pequenina via é de não desejar ver coisa alguma; sa­beis muito bem que eu cantei: Que não desejei aqui na terra ver a Ti, ó Je­sus, lembra-Te’(Poesia: “Lembra-Te)...


Disseram à nossa Santinha, que os Anjos a viriam assistir à hora da mor­te, acompanhan­do a Nosso Senhor, e que ela os contemplaria resplandecen­tes de luz e de beleza, disse ela:‘Todas essas representações, não me fazem bem algum. Só a Verdade me alimenta. É por isso que nunca dese­jei vi­sões. Não podemos ver na terra o Céu, nem os Anjos tais como são. Prefiro espe­rar a Visão Eterna’(“Novíssima Verba”, 5 de agosto)”(R. Pe. As­cânio Bran­dão, “A Via da Infância Espiritual na Escola de Santa Teresinha”).





O Doutor Infalível (segundo o Beato Pio IX), admoesta nestes termos:

► “Viram-se em nossa época várias pessoas que acreditavam elas mesmas, e cada um com elas, que fossem muito freqüentemente arrebatadas di­vinamente em êxtase; e, toda­via, afinal se desco­bria que aquilo eram apenas ilusões e divertimentos dia­bólicos. Um certo Padre do tempo de S. Agostinho entrava em êxtase sempre que queria, cantando ou fa­zendo cantar certas árias lú­gubres e la­mentosas (cantos fúnebres), e isso só para contentar a curiosi­dade dos que dese­javam ver esse espetá­culo. Mas o que é admirável, é que o êxtase dele ia tão lon­ge, que ele nem sequer sentia quando lhe apli­cavam fogo, a não ser depois que voltava a si; e, não obstante, se alguém falava um pouco forte e em voz clara, ele o ouvia como de lon­ge, e não tinha nenhuma respiração... É por isso que não nos deve­mos admirar se, para ar­remedar, para enganar as al­mas, para es­candalizar os fracos e se ‘trans­formar em Anjo de luz’(II Cor. 11, 14), o espí­rito ma­ligno opera arroubos em algumas (al­mas) pouco soli­damente instruí­das na Verdadeira Piedade. A fim, pois, de que se pos­sam dis­cernir os êxta­ses Divinos dos humanos e diabólicos, os Servos de Deus deixa­ram vários docu­mentos”(S. Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. VII, Cap. VI).




São Pio de Pietrelcina

“Os inimigos do sobrenatural e do maravilhoso, que são uma legião, devem certamente encolher os ombros e irão considerar este incidente como pura fantasia. Eu próprio hesitaria em repeti-lo, se o jo­vem frade não tivesse afirmado a sua autenticidade numa carta dirigida a uma religiosa em 1918:


'Que Jesus habite sempre no nosso coração, nos livre de todo o mal e nos conceda uma comple­ta vitória sobre o nosso inimigo comum.


O desejo de me ver e de me falar de tantas coisas do Senhor é louvável: não receie com isso ofender a vontade de Deus. No entanto, devo preveni-la para não ceder ao desejo de me voltar a ver mesmo de uma forma milagrosa, porque isso seria muito perigoso. Quando semelhante desejo nascer na sua alma, expulse-o imediatamente. O Diabo, minha irmã, é um grande professor de ini­quidade. Ele sabe bem como há de fazer e pode enganá-la com qualquer ilusão. É realmente incrí­vel, mas esse miserável renegado sabe mesmo disfarçar-se de capuchinho e sabe muito bem manter o seu papel. Acredite na palavra de alguém que sabe isso por experiência. Isso bastará para a esclarecer, porque receio já ter falado demais sobre este assunto'”(Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., “Frei Pio, Testemunha privilegiada de Cristo”, pp. 22-23, edição brasileira, 1995).




Outros Testemunhos:

► “Orações e Graças extraordinárias seriam seriamente suspei­tas numa alma que fugisse do sacrifício e da abnegação. Seria uma víti­ma de ilusões digna de lástima.


Na vida espiritual há enormes obstáculos que só a mortificação re­move. Pois não disse Jesus: ‘Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mes­mo, carre­gue a sua cruz, dia a dia, e siga-Me?’(S. Luc. 9, 23). E a Imitação de Cristo dí-lo claramente: ‘Aproveitarás na medida que te fizeres violência’(I, 25, 11). Sem mortificação e abnegação não há salvação, muito menos santida­de. Mas se Deus destina uma alma a maior perfeição e graças ex­cepcionais, irá conduzi-la pelas veredas ásperas da Cruz até ao ani­quilamento”(R. Pe. Leo Koh­ler, S. J., “Vida do Pe. João Batista Réus da Com­panhia de Jesus”, P. 119, 5ª Edi­ção, 1956).


► "Diz São Paulo, em 2 Tim. 3, 6-9, que as revelações particula­res e as fórmu­las mágicas têm sucesso entre as mulheres, facilmente im­pressionáveis pelo extraordi­nário e sensacional (1 Tim. 4, 7)"(R. Pe. Afon­so Rodrigues, S. J., Th. et Ph. Doc­tor, "Vocabulário das Almas Pequeninas", Apre­sentação, nº 4).


► "Alguns irmãos foram ter com o Abade Antão para contar-lhe visões que ti­nham tido, e dele saber se eram genuínas ou demoníacas. Ora, eles tinham um asno, que morreu pelo caminho. Quando, pois, chegaram à cela do ancião, este, antecipando-os, pergun­tou-lhes: 'Como morreu o vosso burrinho pela estrada?' Interrogaram-no: 'Donde o sabes, Aba­de?' Este lhes respondeu: 'Os Demônios mostraram-mo'. Disseram-lhe então: 'Por isto viemos perguntar-te, a fim de que não nos enganemos: te­mos visões, as quais muitas vezes corres­pondem à realidade'. Ora, o ancião convenceu-os, pelo exemplo do asno, de que eram vi­sões diabólicas"(J. P. Migne, "Patrologia Graeca", T. 65, Colunas 71-440; traduzido do original grego pelo R. Pe. Estêvão T. Bettencourt, O.S.B., sob o título "Apoftegmas − A Sabedoria dos Antigos Monges", Cap. "Letra Alfa", p. 13, Edições "Lumen Christi", Coleção "Fontes da Vida Re­ligiosa" −Vol. 5, 1979).


Conclusão




Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius
(Roma, c.475/480 - Ticino, 524)

“Por isso, disse sabiamente o Filósofo Cristão e Mártir de Cristo, Boécio: ‘Que não de­sejar, nem temer, uma alma, coisa alguma, é desarmar nossos inimigos; e pelo contrá­rio, quem têm cobiça de algum bem e receio do mal oposto, desses desejos e temores forma uma cadeia, com que é pre­so e ar­rastado’(De Conf. Philof. Metr. 3). Importa atender às luzes e moções da Graça; porque é esta a que nos fortalece contra as tentações, e nos descobre a mentira do Demônio, a torpeza do vício e as falácias da natureza, e é o único jugo que pode amansar suavemente a rebeldia do nosso Livre Arbítrio”(Ven. Pe. Manu­el Bernardes, Orator., “Luz e Calor”, I Part., Doutrin. III).

Créditos: Católicos Tradicionais e O Segredo do Rosário

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Impressão de Santa Teresa ao visitar a casinha de São João da Cruz, em Durvelo

"Ao entrar na capela, fiquei admirada ao ver o espírito que o Senhor havia infundido ali. E não só eu, pois dois mercadores, meus amigos, que haviam vindo comigo de Medina, não faziam outra coisa senão chorar! Nunca me esqueço de uma pequena cruz de madeira sobre a pia de água benta: sobre essa cruz estava colada uma imagem de Cristo, feita de papel, que parecia suscitar mais devoção que se fosse feita de material muito bem trabalhado"

Sta Teresa de Jesus, As Fundações.
Créditos: Amor e Pobreza
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