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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Santa Teresa dos Andes, Diário 57.




Tu que me criaste, salva-me.

Já que sou indigna de pronunciar o teu dulcíssimo nome,

atrevo-me, prostrada, a implorar a Tua misericórdia.

Sim, sou ingrata, reconheço-o.

Mas, não és Tu porventura o Bom Pastor?

Não foste Tu que saíste em busca da Samaritana

para lhe dar a vida eterna?

Não foste Tu que defendeste a mulher adúltera

e que enxugaste as lágrimas da Maria pecadora?

É verdade que elas souberam corresponder

à ternura do Teu olhar.

Elas recolheram as Tuas palavras de vida.

E eu, quantas vezes não fui trespassada pelo Teu amor?

Quantas vezes não senti palpitar

o Teu Coração dentro do meu

escutando a Tua melodiosa voz?

E, no entanto, ainda não Te amo. Perdoa-me!


Créditos: Orar com os Místicos do Carmelo.

               
 


Dos escritos espirituais de Santa Teresa dos Andes...


“Só Jesus é belo, só Ele pode alegrar-me. Chamo-o; choro por Ele, procuro-o dentro de minha alma. Desejo que Jesus me triture interiormente para que eu me torne uma hóstia pura onde Ele possa repousar. Quero ser sedenta de amor para que outras almas possuam este amor. Que eu morra às criaturas e a mim mesma para que Ele viva em mim.
Há algo de bom, de belo, de verdadeiro que possamos pensar e que não exista em Jesus? Sabedoria, para a qual não há segredo algum. Poder, para o qual nada é impossível. Justiça, que o fez encarnar-se para satisfazer pelo pecado. Providência, que sempre vela e sustenta. Misericórdia, que não cessa nunca de perdoar. Bondade, que esquece as ofensas das suas criaturas. Amor, que reúne todas as ternuras da mãe, do irmão, do esposo e que, fazendo-o sair do abismo da sua grandeza, o prende estreitamente às suas criaturas. Beleza, que extasia... O que podes pensar que não se encontre neste Homem-Deus?
Temes, talvez que o abismo da grandeza de Deus e o teu nada não se possam unir? Há nele o amor. Esta paixão fê-lo encarnar-se para que, vendo um Homem-Deus, não temesses aproximar-te dele. Esta paixão fê-lo converter-se em pão a fim de poder assimilar e fazer desaparecer o nosso nada no seu Ser infinito. Esta paixão fê-lo dar a vida, morrendo sobre a Cruz.
Temes aproximar-te dele? Olha-O cercado das crianças. Ele as acaricia, aperta-as em seu coração. Olha-O no meio do seu rebanho fiel, trazendo sobre os ombros a ovelha infiel. Olha-O junto ao túmulo de Lázaro. E ouve o que diz à Madalena: ”Foi-lhe perdoado muito, porque muito amou”. O que descobres nestes trechos do Evangelho senão um coração bom, doce, terno, compassivo, enfim, o Coração de um Deus?
Ele é a minha riqueza infinita, a minha beatitude, o meu Céu”. 

Creditos: Carmelo de Santos.

sábado, 13 de abril de 2013

Santa Teresa de Jesus dos Andes - Aniversário de 15 anos, diário




                                                                                                  13 de Julho [1915].


''Hoje completo 15 anos. 15 anos! A idade em que todos queriam estar: os meninos para ser considerados mais velhos; e os anciãos e os que passaram desta idade, que têm vinte e 25, por querer voltar a esta idade, por ser a mais feliz.

Porém, eu penso: quinze anos, por quinze anos Deus tem me conservado a vida. Ele a deu a mim em 1900. Preferiu-me entre milhares de seres para me criar. Em 1914, o ano que passou, estive doente, à morte, e me deu a vida outra vez. Que fiz eu de minha parte por esse favor tão grande e para que Deus me tenha dado a vida duas vezes?

O porvir não se me revelou; porém, Jesus me puxou a cortina e divisei as formosas praias do Carmelo.

Quantas vezes não tenho pedido a Deus que me leve deste mundo, e Ele quase cedeu a minhas súplicas e me mandou doenças das quais acreditavam que não me salvaria. Porém, Jesus ensinou-me que não devo pedir isto e me pôs como término de minha viagem mais nove anos no bendito porto do Carmelo.

15 anos para uma menina é a idade mais perigosa, é a entrada no mar tempestuoso do mundo. Mas eu, que tenho quinze anos, Jesus tomou o comando de minha barquinha e a retirou do encontro das outras barcas. Manteve-me solitária com Ele. Por isso, meu coração, conhecendo este Capitão, mordeu o anzol do amor, e aqui me tem cativa nele. Oh! Quanto amo esta prisão e este Rei Poderoso que me tem cativa, este Capitão que em meio às vagas do oceano não permitiu que naufragasse.

Jesus me alimenta cotidianamente com sua Carne adorável e, junto com esse manjar, escuto uma voz doce e suave como os ecos harmoniosos dos anjos do céu. Essa é a voz que me guia, que solta as velas do barco de minha alma para que não sucumba, e para que não afunde. Sempre sinto essa voz querida, que é a de meu Amado, a voz de Jesus no fundo de minha alma; em minhas aflições, em minhas tentações, Ele é meu Consolador, Ele é meu Capitão.

Conduz-me sempre, Jesus meu, pelo caminho da Cruz. E levantará vôo minha alma, até onde se encontra o ar que vivifica e a quietude.''


(Diário §10, tradução © Edições Loyola)


Creditos: http://www.teresadelosandes.org/portugais/br_ecrits.htm

Santa Teresa de Jesus dos Andes - Oração à Virgem Maria, diário




''Em fevereiro de 1917, Juanita fez com sua mãe uma peregrinação ao santuário da gruta de Lourdes em Santiago. Depois, ela escreveu no seu Diário a oração seguinte à Virgem Maria.''

''Antes de ontem e ontem fomos a Lourdes. Lourdes! Esta única palavra faz vibrar as cordas mais sensíveis do cristão, do católico. Lourdes! Quem não se sente comovido ao pronunciá-la! Significa um Céu no desterro. Traz envolto em seu manto de mistério toda a grandeza de que é capaz o coração católico.
Seu nom faz remover as lembranças passadas e comove as sensações íntimas de nossa alma. Ela encerra alegría, paz sobre-humana, onde o peregrino, fatigado do caminho pesaroso da vida, pode descansar, pode, sem preocupação, deixar sua bagagem, que são as misérias humanas, e abrir seu peito para receber a água do consolo, do alívio. É onde as lágrimas do pobre se confundem com as do rico, onde somente encontra uma Mãe que os olha e lhes sorri. E esse olhar e esse sorriso celestiais fazem brotar do peito de ambos soluços que o coração, de felicidade, não pode evitar que escapem e que o fazem esperar, amar o eterno e o divino.

Sim. Tu és, Mãe, a celestial Madonna que nos guia. Tu deixaste cair de tuas mãos maternais raios de céu. Não acreditei que existisse a felicidade na terra; porém, ontem, meu coração sedento dela a encontrou. Minha alma, extasiada a teus pés virginais, te escutava. Eras tu que falavas e tua linguagem de Mãe era tão terna. Era de céu, quase divino.

Quem não se anima ao ver-te tão pura, tão terna, tão compassiva, a revelar seus íntimos tormentos? Quem não te pede que sejas estrela nesse tormentoso mar? Quem que não chora em teus braços sem que no mesmo instante receba teus beijos imaculados de amor e de consolo? Se é pecador, tuas carícias o enternecem. Se é teu fiel devoto, somente tua presença acende a chama viva do amor divino. Se é pobre, Tu com tua mão poderosa o socorres e lhe mostras a pátria verdadeira. Se é rico, o sustentas com teu alento contra os perigos de sua vida agitadíssima. Se é aflito, Tu, com teus olhares lacrimosos, lhe mostra a Cruz e, nela, teu divino Filho. E quem não encontra o bálsamo de seus sofrimentos ao considerar os tormentos de Jesus e de Maria? O doente, por fim, acha em teu seio maternal a água da saúde que deixas brotar com teu sorriso encantador, que o faz sorrir de amor e de felicidade. Sim, Maria, é a Mãe do universo inteiro. Teu coração está cheio de  doçura. A teus pés se prostram com a mesma confiança o sacerdote e a virgem, para achar entre teus braços o Amor de tuas entranhas. O rico e o pobre, para encontrar em teu coração seu céu. O aflito e o venturoso, para encontrar em tuas mãos doces carícias. E por fim o pecador, como eu, encontra em Ti a Mãe protetora que sob os pés imaculados tem esmagada a cabeça do dragão: enquanto em teus olhos descobre a misericórdia, o perdão e o farol luminoso para não cair nas águas lamacentas do pecado.''


''Minha Mãe, sim. Em Lourdes encontrava-se o céu; estava Deus no altar rodeado de anjos, e Tu, da concavidade da rocha, lhe apresentavas os clamores da multidão ajoelhada perante o altar. E lhe pedias que ouvisse as súplicas do pobre desterrado neste vale de lágrimas, enquanto, junto com os cânticos, te ofereciam um coração cheio de amor e gratidão.''

(Diário, §19, tradução © Edições Loyola)


Créditos: http://www.teresadelosandes.org/portugais/br_ecrits.htm
















sexta-feira, 12 de abril de 2013

Santa Teresa de Jesus dos Andes - Diário, a primeira comunhão





''Juanita fez a sua primeira comunhão em Santiago o 11 de setembro de 1910. Este acontecimento influenciou profundamente a sua vida espiritual. Foi a partir desta data que ela começou a ouvir a voz de Jesus no seu coração. Ela comungará o mais freqüentemente possível, experimentando quanto a eucaristia a ajadava par ser melhor.''

''O dia de minha Primeira Comunhão foi um dia sem nuvens para mim.

Fiz confissão geral. Lembro-me: depois que saí colocaram-me um véu branco. À tarde pedi perdão. Ah! Lembro-me da impressão de meu paizinho. Fui pedir-lhe perdão e me beijou. Então me ajoelhei e, chorando, lhe disse que me perdoasse todas as penas que lhe havia dado com minha conduta. E meu paizinho verteu lágrimas, levantou-me e me beijava, dizendo que não tinha por que lhe pedir perdão, porque nunca o havia desgostado, e que estava muito contente vendo-mi tão boa. Ah! Sim, paizinho, porque vós éreis demasiado indulgente e bondoso para comigo. Pedi perdão a mamãe, que chorava. A todos meus irmãos e, por último, a minha mãezinha e aos outros empregados. Todos me respondiam comovidos. Eu, como estava de retiro, estava à parte, assim não comia à mesa.
O 11 de setembro de 1910, ano do centenário de minha Pátria, ano de felicidade e da lembrança mais pura que terei em toda minha vida.
Esse formoso dia para mim foi um dia formoso também para a natureza. O sol lançava seus raios que enchiam minha alma de felicidade e de ação de graças ao Criador.

Acordei cedo. Mamãe me vestiu e me pôs o vestido. Penteou-me. Ela me fez tudo, porém eu não pensava em nada. Estava indiferente a tudo, menos minha alma a Deus. Quando chegamos, ficamos repetindo o rosário de Primeira Comunhão. Em vez de Ave Maria, se repetia: "Vinde, Jesus meu, vinde. Oh, meu Salvador, vinde Vós mesmo preparar meu coração."

Chegou por fim o momento. Fizemos nostra entrada na capela de dois en dois. Você, minha Madre, ia à frente, et Monsenhor Jara - que nos daria a Sagrada Comunhão - atrás. Todas entramos com os olhos baixos, sem ver ninguém, e nos ajoelhamos nos genuflexórios cobertos de gaze branca, com uma açucena e uma vela ao lado.

Aproximamo-nos do altar enquanto cantavam esse bonito canto, "Alma feliz" que jamais esquecerei.
Não é possível descrever o que se passou por minha alma com Jesus. Pedi-lhe mil vezes que me levasse, e sentia sua voz querida pela primeira vez. "Ah, Jesus, eu te amo; eu te adoro!". Pedia-lhe por todos. E sentia a Virgem perto de mim. Oh, quanto se abre o coração! E pela primeira vez senti uma paz deliciosa. Depois da ação de graças, fomos ao pátio repartir coisas com os pobres e abraçar [cada uma] a sua família. Meu paizinho me beijava e me levantava em seus braços, feliz.
Esse dia foram muitíssimas meninas para casa. Para não falar nos presentes eu que tinha: a cômoda e minha cama estavam cheias.

Passou esse dia tão feliz que será o único em minha vida.

Mudamo-nos de casa em pouco tempo. Porém Jesus, desde esse primeiro abraço, não me soltou e me tomou para si.
Todos os dia comungava e falava com Jesus longos momentos. Porém, minha devoção especial era a Virgem. Contava-lhe tudo. Desde esse dia a terra para mim não tinha atrativo...''

(Diário §6, tradução © Edições Loyola).


créditos: http://www.teresadelosandes.org/portugais/br_ecrits.htm


Santa Teresa de Jesus dos Andes - Início Do Diário




''O Diário de Juanita foi dedicado à Madre Julia Ríos, religiosa do Sagrado Coração, que foi conselheira espiritual das alunas do colégio do Sagrado Coração em Santiago, onde Juanita estudou durante vários anos.''


''Madre querida: a senhora acredita que vai encontrar-se com uma história interessante. Não quero que se engane. A história que vai ler não é a história de minha vida, mas a vida íntima de uma pobre alma que, sem mérito algum de sua parte, foi querida especialmente por Jesus Cristo, que a cumulou de benefícios e graças.

A história de minha alma se resume em duas palavras: sofrer e amar. Aqui tem minha vida inteira desde que me dei conta de tudo, quer dizer, aos 6 anos ou antes. Eu sofria, porém o bom Jesus me ensinou a sofrer em silêncio e desabafar nele meu pobre coraçãozinho. A senhora compreende, Madre, que o caminho que me mostrou Jesus, desde pequena, foi o que percorreu e o que amou; e, como Ele me queria, procurou para alimentar minha pobre alma o sofrimento.

Minha vida se divide en dois períodos: mais ou menos desde a idade da razão até minha Primeira Comunhão. Jesus me cumulou de favores tanto no primeiro período como no segundo: desde minha Primeira Comunhão até agora. Ou melhor, até a entrada de minha alma no porto do Carmelo.''

(Diário, §1, tradução © Edições Loyola)


Créditos: http://www.teresadelosandes.org/portugais/br_ecrits.htm



Santa Teresa de Jesus dos Andes - Carta sobre sua vocação à sua irmã Rebeca

 





                                                                                                             15 de abril de 1916

Querida Rebeca,


Aproveito um instante do estudo para poder desejar-te mil felicidades no dia de teu aniversário, pois um ano mais de vida há de fazer-te mais séria e formal e também há de ser motivo para refletir sobre a vocação que Deus te confiou.

Acredite-me, Rebeca, que aos 14 e 15 anos alguém compreende sua vocação. Sente-se uma voz e uma luz que lhe mostra a rota de sua vida.

Esse farol brilhou para mim aos 14 anos. Mudei de rumo e me propus o caminho que devia seguir e hoje venho fazer-te confidências dos projetos ideais que forjei.

Até hoje nos iluminou a mesma estrela. Porém, amanhã não estaremos, talvez, juntas sob sua sombra protetora. Essa estrela é o lar, é a família. É preciso separar-nos, e nosso corações, que haviam formado um só, amanhã talvez se separarão. Ontem, me parece que não entenderias minha linguagem; porém hoje tens 14 anos, idade [em] que podes compreender-me. Assim, pois, creio que te inclinarás a mim e me darás razão.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O que os Santos dizem sobre o carnaval - Parte 03 - Santa Teresa dos Andes



“Nestes três dias de carnaval tivemos o Santíssimo exposto desde a uma, mais ou menos, até pouco antes das 6 h. São dias de festa e ao mesmo tempo de tristeza. Podemos fazer tão pouco para reparar tanto pecado…”

(Santa Teresa dos Andes, Carta 162).
Créditos: Repórter de Cristo
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