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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dia 18 - Conosco por amor - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Um dia, no vale de Josafat, Jesus se assentará num trono de majestade; mas agora, no Santíssimo Sacramento, está assentado num trono de amor. Se, para testemunhar o Seu amor a um pobre pastor, o rei viesse habitar na aldeia onde ele mora, quão grande não seria a ingratidão desse pastor, se não fosse muitas vezes visitar o seu rei, sabendo que este desejava vivamente vê-lo, e que, só para ter mais frequente ocasião disso, é que veio estabalecer-se junto dele.

Meu Jesus, - agora O compreendo - é por meu amor que viestes residir no Sacramento do Altar. Desejaria, portanto, se me fosse possível, estar dia e noite em VOssa presença. Se os anjos Vos cercam continuamente, maravilhados do amor que nos tendes, é justo que, vendo-VOs por meu amor neste altar, Vos proporcione ao menos o prazer duma visita e exalte o amor e a bondade que tendes para comigo. "Na presença dos anjos cantarei os Vossos louvores, no Vosso Santo templo Vos adorarei, e, em reconhecimento da Vossa misericória e benefícios, glorificarei o Vosso nome" (Sl 137, 1-2).

Deus sacramentado, pão dos anjos e alimento divino, eu Vos amo; mas, nem Vós nem eu ficamos satisfeitos com esse amor. AMo-Vos, sim, mas amo-VOs muito pouco. Fazei Vós mesmo, Jesus, que eu conheça a beleza e a bondade imensa que amo; fazei que o meu coração expulse todos os afetos terrenos e deixe todo o lugar só para o Vosso divino amor. Para ganhardes o meu coração e vos unirdes todo a mim, desceis cada dia dos céus aos nossos altares; é, pois, justo que eu também não pense senão em Vos amar, em VOs adorar, em Vos agradar. AMo-VOs de toda a minha alma, amo-VOs com todas as minhas forças. Se quereis recompensar-me por ese amor, dai-me ainda mais amor, mais ardor, para que eu cresça sem cessar no Vosso amor e no desejo de Vos agradar.

- Jesus, meu amor, dai-me mais amor.

 REFÚGIO DOS PECADORES

Como os pobres enfermos, que, por causa de suas misérias, vivem abandonados de todos e só encontram abrigo nos hospitais públicos: assim os pecadores mais miseráveis, embora repelidos por todos, encontram acolhimento na misericórdia de Maria. Deus colocou-a neste mundo para ser o refúgio e o hospital público dos pecadores, conforme exprime São Basílio. Esta é, também, a razão por que Santo Efrém a chama "abrigo dos pecadores". Assim, minha Rainha, se a Vós recorro, não podeis repelir-me por causa dos meus peados; e quanto mais miserável sou, tanto mais razão tenho de ser acolhido sob a Vossa proteção, porque Deus Vos criou para serdes o refúgio dos mais miseráveis. A Vós, portanto, recorro, ó Maria, colocando-me debaixo do manto da Vossa proteção. Sois o refúgio e a esperança da minha salvação. Se me rejeitásseis, para quem me voltaria?

- Maria, refúgio meu, salvai-me.

Fonte: Livros Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

sábado, 20 de agosto de 2016

DIA 17 - PRESENÇA AMIGA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA




Por Santo Afonso Maria de Ligório

O maior prazes das almas amantes é estarem com as pessoas a quem amam. Se, pois, amamos muito a Jesus Cristo, aqui estamos na Sua presença. Jesus no Seu Sacramento nos vē e nos escuta; não temos então nada a dizer-Lhe? Consolemo-nos com a sua companhia; regozijemo-nos com a Sua Glória e com o amor que Lhe consagram tantas almas fervorosas. Desejemos que todos os homens amem a Jesus Sacramentado e Lhe consagrem os seus coraçōes; consagremo-Lhe, ao menos nós, todos os nossos afetos; seja Ele todo o nosso amor e o único objeto dos nossos desejos.

O Padre Salésio, da Companhia de Jesus, só ao falar no Santíssimo Sacramento, sentia-se muito consolado. Também não se saciava de O visitar: se o chamavam à portaria, se voltava ao quarto, se andava pela casa, aproveitava sempre essas ocasiões para repetir suas visitas ao Seu Amado Senhor. Assim, observou-se que quase não passava uma hora no dia sem que O visitasse. Por fim, teve a felicidade de ser morto pelos hereges, quando defendia a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Tivesse eu também a felicidade de morrer por uma causa tão bela, defendendo a verdade deste Sacramento, que nos faz compreender tão bem, amável Jesus, a ternura do Vosso amor para conosco! Senhor, a tantos milagres que operais neste Sacramento acrescentai mais este: atraí-me todo a Vós. Desejais que eu VOs pertença inteiramente, e muito o mereceis; dai-me, pois, a força de Vos amar de todo o meu coração. Os bens deste mundo dai-os a quem vos aprouver; quanto a mim, renuncio-os por completo. Não desejo e não quero senão o Vosso amor; este é o único bem que procuro e procurarei sempre. AMo-Vos, Meu Jesus; fazei que eu sempre Vos ame, e nada mais Vos peço.

- Meu Jesus, quando Vos amarei verdadeiramente?


MÃE AMÁVEL

Minha doce Rainha, quanto me agrada o belo título de Mãe amável, com que VOs invocam os Vossos piedosos servos. Sim, como sois amável, ó Senhora Minha! "A Vossa beleza arrebatou o próprio Senhor" (Sl 44,12). São Boaventura diz que o Vosso nome é por si só tão amável aos que Vos amam, que, pronunciando-o ou ouvindo anunciá-lo, logo se sentem inflamar e crescer no desejo de Vos amar. É justo, portanto, Minha Mãe querida, que eu Vos ame; mas não me contento ső com o amar-Vos; desejo, agora na terra e depois no céu, ser o que Vos ame mais depois de Deus.

Se este meu desejo é muito ousado, a causa única disto é a Vossa amabilidade e o amor especial que me tendes testemunhado. Se fôsseis menos amável, menor seria o meu desejo de amar-Vos. Aceitai, pois, Senhora, este meu desejo; e como prova de que o haveis aceitado, obtende-me de Deus este amor que Vos peço, e que tão agradável é ao Senhor.

- Mãe amabilíssima, eu Vos amo muito.


Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramento e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

terça-feira, 16 de agosto de 2016

DIA 16 - JESUS, NOSSA VIDA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Se os homens recorressem sempre ao Santíssimo Sacramento, quando procuram remédio para seus males, certamente não seriam tão miseráveis como são. Jeremias suspirava, dizendo: "Porventura não há bálsamo em Galaad? Ou não se encontra ali médico algum?" (Jr 8,22).

Galaad, montanha da Arábia, rica em unguentos aromáticos, é, no dizer de São Beda Venrável, uma figura de Jesus Cristo, que nos preparou neste Sacramento todos os remédios para os nossos males. Por que então - parece dizer o Redentor - por que então vos queixais dos vossos males , filhos de Adão, sendo que tendes neste sacramento o médico e o remédio para todo mal? "Vinde todos a Mim... e eu vos alentarei" (Mt 11,28). Quero, pois, dizer-Vos com as irmãs de Lázaro: "Senhor, eis que está enfermo aquele que amais" (Jo 11,3).

Senhor, eu sou esse miserável a quem Vós amais; os pecados abriram chagas em minha alma; venho, pois, a Vós, meu médico Divino, a fim de que me cureis; se o quiserdes, podeis curar-me; sim, "curai a minha alma, porque contra Vós pequei" (Sl 40,5).

Bom Jesus, pelos amáveis laços do Vosso amor, atraí-me todo a Vós. Prefiro viver unido a Vós a ser senhor de toda a terra. Nada desejo neste mundo senão amar-Vos. Pouco é o que Vos posso dar; mas, se pudesse ter todos os reinos do mundo, não os quisera senão para renunciá-os todos por Vosso amor. Por Vosso amor renuncio, pois, a tudo que possuo: a todos os meus parentes, a todas as comodidades, a todos os prazeres e até mesmo às consolações espirituais; numa palavra, sacrifico-Vos a minha liberdade, a minha vontade. Quero dar-Vos todos os meus afetos. Amo-Vos, bondade infinita, amo-Vos mais que a mim mesmo e espero amar-Vos eternamente.

- Meus Jesus, entrego-me a Vós, recebei-me.


MÃE ACOLHEDORA

Senhora minha, dissestes a Santa Brígida: "Por mais culpado que seja um homem, se ele vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a recebê-lo. Não considero o número de seus pecados, mas as disposições de seu coração; pois não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou Mãe de misericórdia" Visto que podeis e quereis curar-me, ó Maria, eu a Vós recorro, dizendo: curai todas as chagas da minha alma. Basta que digais uma só palavra a Vosso Divino Filho, e eu serei curado.

- Maria, tende compaixão de mim!



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 15 - FOGO DE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Eu vim trazer fogo à terra - diz o Senhor - e que desejo senão que ele se acenda?" (Lc 12,49). Dizia o venerável Pe. Francisco Olímpio, teatino, que não há na terra coisa que mais vivamente acenda o fogo do amor divino no coração dos homens do que o Santíssimo Sacramento do altar. É o que o Senhor fez conhecer a Santa Catarina de Sena, quando se deixou ver no Santíssimo Sacramento sob a forma de uma fornalha do amor, da qual saíam torrentes de chamas divinas, que se espalhavam por toda a terra. Em vista disso a Santa, maravilhada, não sabia explicar como pudessem os homens viver sem se consumirem nas chamas do amor Divino. Meu Jesus, abrasai-me de amor por Vós; fazei que eu não pense senão em Vós, não suspire senão por Vós, não deseje e não procure senão a Vós. Como eu seria feliz, se este fogo sagrado me possuísse por completo, e, ao se consumirem os meus anos, ele consumisse felizmente em mim todos os afetos terrenos.

Verbo Divino, Meu Jesus, vejo-Vos sobre o altar, imolado, aniquilado e destruído por meu amor; é, pois, muito justo que, como Vos tornais vítima de amor por mim, assim eu me consagre e sacrifique todo a Vós. Sim, Meu Deus e Meu Soberano Senhor, sacrifico-Vos hoje toda a minha alma, todo o meu ser, toda a minha vida. Este meu pobre sacrifício eu o associo, Pai eterno, ao Sacrifício infinito que Jesus Cristo, Vosso Filho e meu Salvador, vos fez de si mesmo outrora na cruz, e que renova ainda, cada dia, tantas vezes, sobre os Altares. Aceita-o, pois, pelos merecimentos de Jesus, e concedei-me a graça de o renovar todos os dias da minha vida, e de morrer sacrificando-me todo em honra Vossa. Desejo a graça, a tantos mártires concedida, de morrer por Vosso amor. Mas, se não sou digno de tamanho favor, ao menos concedei-me, Senhor, o de Vos sacrificar de boa vontade a minha vida, aceitando desde já a morte que vos aprouver enviar-me. Senhor, eis a graça que desejo: morrer para Vos honrar e ser-Vos agradável. E, por isso, desde já Vos sacrifico a minha vida e Vos ofereço a minha morte, de qualquer forma e em qualquer tempo que ela venha.

- Meu Jesus, quero morrer para Vos ser agradável.



ESPERANÇA NOSSA

Senhora minha, permiti que, com São Bernardo, eu Vos chame ainda "o fundamento de minha esperança"; e deixai-mo dizer, com São João Damasceno, que "em Vós depositei toda a minha esperança". Vós haveis, pois, de alcançar-me o perdão de meus pecados, a perseverança até à morte e a graça de ser livre do purgatório. Aqueles que se salvam, todos Vos devem a salvação; Vós, pois, Maria, é que me haveis de salvar. Tende, portanto, vontade de salvar-me e serei salvo. Ora, Vós salvais todos os que Vos invocam. Pois bem, eu Vos invoco, dizendo:

- "Salvação dos que Vos invocam, salvai-me" (São Boaventura).



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 14 - AMOR PEDE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Amável Jesus, eu Vos ouço dizer daí desse tabernáculo onde residis: "Este é o lugar do Meu repouso sempiterno; nele quero habitar, porque para isto o escolhi" (Sl 131,15). Se, pois, quisestes escolher a Vossa morada entre nós sobre os altares no Santíssimo Sacramento, e o amor que nos tendes Vos faz achar aqui o Vosso repouso, justo é que os nossos corações aqui habitem sempre conVosco pelo amor, e aqui achem o Seu repouso e toda a Sua felicidade. Felizes de vós, almas amentes, que não encontrais neste mundo consolação mais doce do que a de estar aos pés de Jesus sacramentado!

Que feliz seria também eu, Senhor, se daqui em diante não encontrasse maior prazer do que o de estar sempre diante de Vós ou ao menos pensando sempre em Vós que, nesse Santíssimo Sacramento, estais pensando continuamente em mim e na minha felicidade!

Senhor, por que tenho eu perdido tantos anos, nos quais não Vos tenha amado? Anos infelizes, eu Vos detesto; e a Vós bendigo, ó paciência infinita do Meu Deus, que tantos anos me tendes suportado. Apesar de tão ingrato, Vós me esperais ainda: por que, Meu Deus, por quê? A fim de que, um dia, vencido pelas Vossa misericórdias e pelo Vosso amor, eu me dê inteiramente a Vós. Senhor, não quero mais ser ingrato para conVosco. É justo que Vos consagre o tempo, que ainda me resta de vida, quer pouco quer muito. Espero, Meu Jesus, que me auxiliareis a ser todo Vosso; pois, se tanto me favorecestes, quando eu Vos fugia e desprezava o Vosso amor, como não devo esperar que me favoreçais agora que Vos procuro  e Vos desejo amar, Deus digno de um amor infinito? Amo-Vos de todo o meu coração, amo-Vos sobre todas as coisas, amo-Vos mais que a mim mesmo, mais do que a minha própria vida. Arrependo-me de Vos haver ofendido, bondade infinita. Perdoai-me, e, com o perdão, concedei-me a graça de Vos amar muito nesta vida até à morte e, na outra, por toda a eternidade.

Pelo Vosso poder. Deus todo-poderoso, mostrai ao mundo este prodígio: uma alma tão ingrata como a minha, convertida numa das mais fervorosas no Vosso amor. Fazei-o pelos Vossos méritos, Meu Jesus. Isto é o que proponho fazer durante toda a minha vida; Vós quo me inspirais este desejo, dai-me forças para o pôr em prática.

- Graças Vos dou, Meu Jesus, por me haverdes esperado até esta hora.

Na foto, São João Bosco diante de 
uma imagem da Santíssima Virgem


NOSSA CONFIANÇA

"Ninguém - diz São Germano, dirigindo-se a Maria - ninguém se salva senão por Vós, ninguém se livra dos males senão por Vós, ninguém recebe um favor Divino senão por Vós." Assim, pois, minha Senhora e minha esperança, se não me ajudardes, estou perdido, e não poderei ir bendizer-Vos no paraíso. Mas, Senhora Minha, todos os Santos dizem que não abandonais a quem a Vós recorre. Só se perde aquele que a Vós não se recomenda. A Vós, pois, recorro miserável como sou e em Vós ponho todas as minhas esperanças.

- "Maria é toda a minha confiança, e todo o fundamento da minha esperança" (São Bernardo).


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

sábado, 13 de agosto de 2016

DIA 13 - JESUS NÃO NOS ABANDONA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Os meus olhos e o meu coração estarão aí todos os dias" (1Rs 9,3). Esta magnífica promessa Jesus a realizou no Santíssimo Sacramento do Altar, onde quis ficar presente de dia e de noite. Meu Divino Salvador, bastaria sem dúvida que ficásseis neste Sacramento só durante o dia, quando encontrais, para Vos fazerem companhia, adoradores de Vossa Divina presença. Por que quisestes ficar também de noite, quando as Igrejas se fecham, e os homens se recolhem às suas casas, deixando-Vos absolutamente só? Eu Vos compreendo; o amor Vos tornou nosso prisioneiro; o amor ardente que nos tendes de tal modo Vos prendeu à terra que não permite que nos abandoneis nem de dia nem de noite. Salvador amabilíssimo, esta fineza do Vosso amor deveria obrigar todos os homens a permanecerem na Vossa presença, diate do sacrário, e a não saírem daí senão à força. E, afastando-se, deveriam deixar aos pés do Altar os seus corações e os seus afetos para com esse Deus feito homem, que fica sozinho e encerrado num tabernáculo, todos os olhos para ver e prover as nossas necessidades, e todo coração para nos amar, esperando ansiosamente o dia seguinte para receber as visitas de suas almas muito amadas.

Meu Jesus, eu quero contentar-Vos: consagro-Vos, pois, toda a minha vontade e todos os meus afetos. Majestade infinita de um Deus, ficastes neste Divino Sacramento não só para estardes perto de nós, mas principalmente para Vos comunicardes às almas que amais. Mas, Senhor, quem ousará aproximar-se para se alimentar da Vossa Carne? Por outro lado, quem poderá afastar-se de Vós? Justamente para Vos unirdes conosco, e possuirdes os nossos corações, é que estais oculto na hóstia consagrada. Sim, ardeis em desejo de ser recebido por nós e o Vosso prazer é estar unido conosco. Vinde, pois, meu Jesus, vinde; desejo receber-Vos no meu peito para que sejais o Deus do meu coração e da minha vontade. Meu querido Redentor, pelo Vosso amor dou tudo quanto possuo: satisfações, prazeres, vontade própria, tudo Vos dou... Amor, ó Deus de amor, reinai sobre mim, triunfai de mim; destruí e sacrificai em meu ser tudo o que for meu e não Vosso. Não consitais, meu Amor, que a minha alma, cheia da majestade de um Deus, depois de Vos haver recebido na Sagrada Comunhão, venha a aferrar-se ainda às criaturas. Amo-Vos, meu Deus, amo-Vos, e só a Vós quero amar.

- Atraí-me, Senhor, pelos meigos laços do Vosso amor.


TESOURO DE GRAÇAS

São Bernardo exorta-nos a procurar a graça e a procurá-la por intermédio de Maria. "Ela é, diz São Pedro Damião, o tesouro das graças divinas." Maria pode e quer enriquecer-nos; por isso nos convida e chama, dizendo: "Se alguém é pequeno (e pobre), venha a mim" (Pt 9,4). Senhora amabilíssima, Senhora sublimíssima, Senhora graciosíssima, volvei Vosso olhar para um pobre pecador que a Vós se recomenda e em Vós põe a sua confiança.

- Sob a Vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 12 - DEUS É AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA




"Deus é amor, e aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele" (1Jo 4,16). Quem ama a Jesus está com Jesus e Jesus está com ele. "Se alguém me ama, meu Pai o amará, e viremos a ele, e nele faremos nossa morada" (Jo 14,23).

Quando São Filipe Neri recebeu o santo viático, ao ver entrar o Santíssimo Sacramento, exclamou: "Eis aí o meu amor, eis aí o meu amor!" Diga, pois, cada um de nós na presença de Jesus Sacramentado: Eis aqui o Meu Amor, eis o objeto do meu amor nesta vida e por toda a eternidade.

Meu Senhor e Meu Deus, dissestes no Evangelho que quem Vos ama será amado por Vós e vireis habitar nele para não mais Vos separardes. Senhor, eu Vos amo mais do que todos os bens, amai-me Vós também, pois prefiro o Vosso amor a todos os reinos do mundo. Vinde, pois, e de tal modo fixai a Vossa morada na pobre casa da minha alma, que não mais Vos separeis de mim ou, para melhor dizer, que eu não Vos expulse do meu coração; porquanto, Vós não Vos retirais senão quando expulso. E, como Vos expulsei no passado, assim poderia expulsar-Vos de novo. Não permitais que se dê no mundo esta nova perfídia, esta horrenda ingratidão, que eu, particularmente favorecido por Vós, depois de tantas graças, tenha ainda a infelicidade de Vos expelir da minha alma. E contudo pode isso acontecer; por isso, ó Meu Deus, desejo morrer - se for do Vosso agrado - a fim de que, morrendo unido conVosco, tenha a ventura de viver unido conVosco para sempre. Sim, Meu Jesus, assim o espero. Eu Vos abraço e aperto ao meu pobre coração. Fazei que sempre Vos ame e sempre seja de Vós amado. Sim, amabilíssimo Redentor meu, sempre Vos hei de amar, e Vós sempre a mim. Espero que sempre nos amaremos, Deus de minha alma, agora e por toda a eternidade. Assim seja.

- Meu Jesus, quero amar-Vos sempre, e ser amado de Vós.


MÃE DA PERSEVERANÇA

"Aquele que se dedica ao Meu serviço - diz Maria - terá a persevença" (Eclo 24,31). E os que trabalham por Meu fazer conhecer e amar aos outros, serão predestinados. Tomai, pois, a resolução de falar, todas as vezes que puderdes, seja em público, seja em particular, das glórias de Maria e da devoção que lhe é devida.

- Permiti, Virgem Santa, que eu publique os Vossos louvores.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DIA 11 - JESUS, O BOM PASTOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório


"Procuremos não nos afastar - diz Santa Teresa - nem perder de vista o Nosso Amado Pastor Jesus Cristo. As ovelhas que se conservam junto do seu pastor são sempre as mais acariciadas e favorecidas, porque sempre lhes dá algum bocadinho escolhido do Ele próprio come. E se acontecer que o pastor adormeça, a ovelhinha não se afasta de junto dele até que desperte ou ela mesma o acorde; e então recebe dele novos favores e carícias." Meu Redentor Sacramentado, eis-me aqui junto de Vós; só uma dádiva espero de Vós, a saber: o fervor e a perseverança no Vosso Amor.

Ó santa fé, graças vos dou por me ensinardes e dardes a certeza que no sacramento do altar, nesse pão celeste, não há mais pão, pois nele está o meu Senhor Jesus Cristo e aí está todo por meu amor. Meu Senhor e Meu tudo, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Embora oculto aos olhos mortais, reconheço-Vos, com a luz da santa fé, na Hóstia Consagrada, pelo soberano do Céu e da terra e Salvador do mundo. Meu bom Jesus, como sois a minha esperança, a minha salvação, a minha força e a minha consolação, assim quero que sejais também todo o meu amor e objeto único de todos os meus pensamentos, desejos e afetos. Mais prazer encontro ao considerar a infinita felicidade de que gozais e gozareis eternamente, do que se possuísse todos os bens possíveis nesta e na outra vida.

A minha maior felicidade, meu amado Redentor, é sabeis que sois plenamente feliz e que a Vossa felicidade é infinita. Reinai, pois, Senhor, reinai Vós só na minha alma; eu Vo-la dou toda, tomai posse dela para sempre. A minha vontade, os meus sentidos e todas as minhas potências sejam escravas do Vosso amor, e não sirvam neste mundo senão para Vos dar gosto e glória. Assim foi a Vossa vida, Mãe do Meu Jesus, que fostes a primeira a amá-Lo neste mundo. Maria Santíssima, assisti-me e obtende-me a graça de viver daqui por diante como Vós vivestes, sempre feliz, pertencendo inteiramente a Deus.

- Meu Jesus, seja eu todo Vosso e Vós todo meu.

NOSSO MODELO

"Ditoso o homem que vela cada dia à entrada de minha casa, e se conserva à minha porta" (Pr 8,34). Felizes aqueles que, imitando o exemplo dos pobres às portas dos ricos, não cessam de pedir a esmola de alguma graça às portas da misericórdia de Maria. E mais feliz ainda é aquele que procura imitar as virtudes que descobre em Maria, especialmente a Sua pureza e a sua humildade.

- Maria, minha esperança, socorrei-me.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

terça-feira, 9 de agosto de 2016

DIA 9 - FONTE DE GRAÇA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

São João diz que viu o Senhor vestido de uma comprida túnica e cingido com um cinto de ouro (Ap 1,13). Assim é que Jesus se nos apresenta no Sacramento do altar, querendo com isto significar a multidão e o valor das graças que, na sua misericórdia, deseja conceder-nos. Semelhante à mãe, que corre aonde está  filhinho para nutri-lo com seu leite, Jesus nos diz: "Como filhos muito amados eu Vos apertarei contra o peito" (Is 66,12).

O Venerável Padre Álvarez viu Jesus no Santíssimo Sacramento com as mãos cheias de graças, procurando a quem distribuí-las. Quando Santa Catarina de Sena se aproximava da sagrada mesa, fazia-o - dizem - com a terna avidez de uma criancinha que busca o seu alimento.

Filho unigênito e muito amado do Pai Eterno, conheço que sois o mais digno objeto do nosso amor. Por isso desejo amar-Vos quanto mereceis; ao menos tanto quanto uma alma pode desejar amar-Vos. Compreendo muito bem que, tendo sido assaz traidor e rebelde ao Vosso amor, não mereço amar-Vos nem estar perto de Vós como estou nesta Igreja; contudo, sei que quereis o meu amor e ouço a Vossa voz que me diz: "Meu filho, dá-me o teu coração" (Pr 23,26). "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração" (Dt 6,5). Reconheço que, se me conservastes a vida e, não me precipitastes no inferno, foi para que eu me convertesse inteiramente ao Vosso amor, já que ainda quereis ser amado por mim, eis-me aqui, meu Deus, a Vós me entrego, a Vós me dou. Amo-Vos, Deus todo bondade, todo amor, e escolho-Vos para único rei e senhor do meu pobre coração. Vós o quereis, eu Vo-lo dou: é frio, é machado, mas, se o aceitais,Vós o transformareis. Transformai-me, Senhor, transformai-me; não ouso viver mais, como no passado, tão ingrato e tão pouco amante da Vossa infinita bondade que tanto me ama e merece um amor infinito. Fazei que daqui em diante eu repare a falta de amor com que Vos tratei no passado.

- Meu Deus, Meu Deus, eu quero amar-Vos; sim, eu quero amar-Vos.



CONSOLO DOS AFLITOS

Em tudo semelhante a Seu Filho Jesus, Maria, a Mãe de misericórdia, sente viva alegria quando pode socorrer e consolar os miseráveis. Tamanho é o desejo que tem esta boa Mãe de fazer bem a todos, que São Bernardinho de Bústis diz "Maior é o desejo que ela tem de fazer-nos bem e conceder-nos graça que o que nós temos de recebê-la".

- Salve, Maria, esperança nossa!


Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora de Fátima, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 8 - JESUS ACOLHEDOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA




Por Santo Afonso Maria de Ligório

A toda alma que O visita no Santíssimo Sacramento, Jesus dirige as palavras que dissera outrora à esposa nos Cânticos: "Levanta-te, apressa-te, minha amada, minha toda formosa, e vem" (Ct 2,10).

Alma, que Me visitas, levanta-te, sai de tuas misérias, pois Eu aqui estou para enriquecer-te de mim, apressa-te, achega-te a mim, não temas a minha majestade que se humilhou neste sacramento para tirar-me o temor e inspirar-te confiança. Amiga minha;sim, alma querida, não és mais minha inimiga, mas sim minha amiga, uma vez que Me amas e eu te amo também. Minha toda formosa: a Minha graça é que te fez tão bela. E vem: achega-te, pois, a mim, lança-te nos Meus braços, e pede-Me com grande confiança tudo o que quiseres.

Dizia Santa Teresa que, se este grande Rei da glória se ocultou sob as espécies de pão e velou Sua majestade neste sacramento, foi para infundir-nos coragem de achegar-nos com mais confiança ao Seu Divino Coração. Aproximemo-nos, pois, de Jesus com muita confiança e amor; vamos nos unir a Ele e pedir-Lhe graças.

Qual não deve ser a minha alegria, Verbo eterno feito homem e sacramentado por meu amor, ao saber que estou diante de Vós que sois o meu Deus, a majestade e bondade infinita, que tanto amais a minha alma!

Almas que amais a Deus, onde quer que estejais, no céu ou na terra, amai-O também por mim. Maria, minha Mãe, ajudai-me a amá-lo. E Vós, amadíssimo Senhor, tornai-Vos o único objeto de todo o meu amor. Apoderai-Vos da minha vontade e possuí-me por completo. Consagro-Vos o meu espírito a fim de que pense sempre na Vossa bondade; consagro-Vos o meu corpo, para que me ajude a Vos agradar; consagro-Vos a minha alma para que seja toda Vossa. Eu quisera, amado de minha alma, que todos os homens conhecessem a ternura do amor que lhes tendes, a fim de que só vivessem para Vos honrar e comprazer como o desejais e mereceis. Que ao menos eu viva sempre encantado com a Vossa beleza infinita! Daqui por diante quero fazer quanto possa para Vos agradar. Proponho deixar tudo o que conheça não ser do Vosso agrado, custe o que custar, embora tivesse de perder tudo, até a própria vida. Feliz de mim, ainda que perca tudo, contato que Vos possua, meu Deus, meu tesouro, meu amor, meu tudo!

- Jesus, meu amor, tomai-me, possuí-me todo.




MARIA, NOSSA MÃE

"Se alguém é pequeno venha a mim" (Pr 9,4). Maria convida todas as criancinhas que têm necessidade de mãe, a recorrerem a Ela como à mais amorosa que é de todas as mãe. "O amor de todas as mãe - diz o piedoso Nieremberg - é uma sombra em comparação do amor que Maria tem a cada um de nós." Minha Mãe, Mãe de minha alma, que me amais e desejais a minha salvação mais que todos depois de Deus, mostrai que sois minha Mãe.

- Minha Mãe, fazer que eu me lembre sempre de Vós.

Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DIA 5 - JESUS CONOSCO - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA

São Pedro Julião Eymard com o Santíssimo


Por Santo Afonso Maria de Ligório

"O pássaro - diz o salmista - acha para si uma casa, e a andorinha um ninho onde agasalhe seus filhinhos" (Sl 83,4). Mas vós, meu Rei e meu Deus, fizestes para Vós um abrigo e escolhestes uma habitação aqui na terra, a fim de serdes acessível a todos e morardes no meio de nós. Senhor, deve-se dizer que amais muito apaixonadamente os homens, pois já não sabeis o que mais fazer para que Vos amem. Mas, amabilíssimo Jesus, dai-nos também a graça de Vos amar apaixonadamente, porquanto não é justo que amemos com frieza a um Deus que nos ama com ternura. Atraí-nos com os encantos do Vosso amor; dai-nos a conhecer os belos motivos que tendes de ser amado.

Majestade e bondade infinita, Vós amais tanto os homens, e tanto tendes feito para ser amado por eles: como se explica, pois, que dentre eles tão poucos Vos amem? Eu não quero mais para o futuro ser do número desses infelizes e ingratos; estou resolvido a amar-Vos quanto puder e a não amar senão a Vós. Tanto o mereceis e com tanta ternura mo ordenais; quero contentar-Vos. Fazei, Deus de minha alma, que Vos satisfaça plenamente. Pelos méritos da Vossa Paixão, Vo-lo peço e espero. Os bens da terra, dai-os a quem os deseja: eu só desejo e busco o grande tesouro do Vosso amor. Amo-Vos, meu Jesus; amo-Vos, bondade infinita. Vós sois toda a minha riqueza, toda a minha consolação, todo o meu amor.

- Meu Jesus, destes-Vos todo a mim; eu também me dou todo a Vós.


SENHORA DOS CORAÇÕES

Senhora minha, São Bernardo Vos chama "roubadora dos corações". Diz que arrebatais os corações pela Vossa beleza e bondade; arrebatai, eu Vo-lo rogo, arrebatai também o meu coração e a minha vontade. Eu Vo-la dou toda inteira, oferecei-a a Deus, unida à Vossa.

- Mãe amável, rogai por mim.



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

DIA 4 - JESUS É AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"A Sua conversação nada tem de amargo e a sua intimidade não traz aborrecimento" (Sb 8,16). No mundo, os amigos encontram tanto prazer em estar juntos que perdem nisso dias inteiros. Na companhia de Jesus Sacramentado só acha tédio quem não o ama. Os Santos encontravam junto dele o seu paraíso. Santa Teresa apareceu, depois de sua morte, a uma de suas religiosas, e disse-lhe: "Os que estão no céu e os que vivem na terra devem ser iguais em pureza e amor: uns gozando e outros sofrendo; e o que nós fazemos no céu diante da essência divina, deveis vós fazê-lo na terra perante o Santíssimo Sacramento". O Santíssimo Sacramento é, pois o nosso paraíso na terra.

Cordeiro sem mancha, imolado por nós na cruz, lembrai-Vos que sou uma das almas que remistes com tantas dores e com a própria morte. Fazei que sejais todo  meu e eu nunca mais Vos perca, já que Vos destes todo a mim e Vos dais ainda cada dia, sacrificando-Vos por meu amor sobre os altares. Peço-Vos a graça de ser também eu todo Vosso. Sim, dou-me todo a Vós, para que façais de mim o que Vos aprouver. Dou-Vos a minha vontade: prendei-a com as suaves cadeias do Vosso amor, a fim de que seja para sempre escrava da Vossa santíssima vontade. Não quero mais viver para satisfazer os meus desejos. mas somente para contentar a Vossa vontade. Destruí em mim tudo o que Vos desagrada; dai-me a graça de só pensar em Vos agradar, e de só querer o que Vós quereis. Amo-Vos, meu querido Salvador, de todo o meu coração; amo-Vos porque quereis ser amado por mim; amo-Vos porque sois infinitamente digno do meu amor. Sinto não poder amar-Vos quanto o mereceis. Pudesse eu morrer por Vosso amor" Aceitai, Senhor, este meu desejo e dai-me o Vosso amor. Amém.

Assim seja.

- Vontade do meu Deus, eu me ofereço todo a Vós.




MÃE AMOROSA

"Eu sou - diz Maria - a Mãe do belo Amor" (Eclo 24,24).

Isto é, desse amor que torna formosas as nossas almas. Santa Maria Madalensa de Pazzi teve uma visão em que lhe parecia ver Maria Santíssima ocupada em distribuir um doce licor, que outra coisa não era senão o amor divino. Este dom só por Maria nos é dispensado; peçamo-lo, pois, a Maria.

- Minha Mãe, minha esperança, fazei-me todo de Jesus.




Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 3 - JESUS É ALEGRIA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório

"As minhas delícias são estar com os filhos dos homens" (Pr 8,31). Eis que o nosso Jesus, não contente de morrer por nosso amor, quis ainda, após a sua morte, ficar conosco no Santíssimo Sacramento, afirmando que nisto encontra as suas delícias. "Homens - exclama Santa Teresa - como podeis ofender a um Deus que em vós põe as suas delícias?" Jesus acha as suas delícias em estar conosco e nós não acharemos as nossas em estar com Ele? Nós especialmente que temos a honra de morar no Seu palácio? Quão honrados não se julgam os vassalos a quem o rei hospeda em seu palácio! Ora, o palácio do rei é esta casa em que habitamos com Jesus Cristo. Saibamos, pois, agradecer-lhe e aproveitar-nos de sua presença.

Aqui estou, meu Senhor e meu Deus, perante este altar, onde Vos conservais dia e noite por meu amor. Sois a fonte de todos os bens, o médico para todos os males, o tesouro de todos os pobres: aos Vossos pés está hoje um pecador, de todos o mais pobre e enfermo, que implora a Vossa piedade; tende compaixão de mim. Vendo-Vos neste sacramento, descido do céu só para me fazer bem, não quero desanimar à vista da minha miséria. Eu Vos louvo, agradeço e amo; e se desejais que Vos peça uma esmola, eis a minha súplica; peço-Vos a graça de não mais Vos ofender e de amar-Vos com todas as minhas forças. Senhor, eu Vos amo de toda a minha alma; amo-Vos com todos os meus afetos: fazei que eu diga isto com verdade e o repita sempre nesta vida e por toda a eternidade.

Maria Santíssima, meus Santos padroeiros, e Vós, bem-aventurados todos do paraíso, ajudai-me a amar o meu Deus amabilíssimo.

- Jesus, bom pastor e verdadeiro pão de vida, compadecei-Vos de nós. Sede Vós mesmo o nosso sustento e defesa, e guia-nos para a morada da felicidade, para a terra dos vivos.



PENHOR DA SALVAÇÃO

"Os Seus vínculos são cadeias de salvação" (Eclo 6,31).

Diz o piedoso Pelbarto que a devoção a Maria é uma cadeia de predestinação. Peçamos, pois a Nossa Senhora que nos prenda cada vez mas com as cadeias de amor à confiança na Sua proteção.

- Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.







Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

DIA 2 - PÃO DA VIDA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



 Por Santo Afonso Maria de Ligório

Diz o piedoso Padre Nieremberg que o pão é um alimento que se consome quando se come, e se conserva quando se guarda: razão por que Jesus Cristo quis ficar na terra, oculto sob a espécie de pão, podendo assim unir-se, pela sagrada comunhão, à alma e, além disso, ser conservado no tabernáculo, para ficar presente no meio de nós, e recordar-nos por esta forma o amor que nos consagra.

São Paulo diz que Jesus Cristo se aniquilou a si mesmo, tomando a forma de servo (FL 2,7). Mas nós, que devemos dizer, vendo-o tomar a forma de pão? "Nenhuma língua, diz São Pedro de Alcântara, seria capaz de exprimir a grandeza do amor de Jesus por uma alma em estado de graça. Esta foi a razão pela qual, ao aproximar-se a hora de partir deste mundo, este esposo dulcíssimo, temendo que a sua ausência o fizesse esquecido, deixou em lembrança à alma, sua esposa, este augusto sacramento em que ele mesmo reside. E, assim, não quis que houvesse entre ambos, para conservar sempre viva a sua memória, outra garantia senão Ele mesmo."

Meu Jesus, já que estais encerrado nesse tabernáculo para dar ouvidos às súplicas dos miseráveis que vêm perdir-Vos audiência, escutai hoje a oração que Vos dirige um pecador dentre todos o mais ingrato.

Aos Vossos pés venho prostrar-me, arrependido e confuso, pois conheço o mal que fiz ofendendo-Vos. Meu Deus, oxalá nunca Vos tivesse eu ofendido! E agora sabeis o que desejo? Tendo conhecido a Vossa amabilidade infinita, inflamai-me de amor para convosco; eu sinto um grande desejo  de Vos amar e agradar; mas, se não me auxiliais, nada poderei fazer. Dai, pois, Senhor, dai a conhecer a todo o paraíso o Vosso grande poder e a Vossa imensa bondade; fazei que, de escravo rebelde, eu me torne um servo todo abrasado de amor para covosco. Iso Vós o podeis e quereis fazer.

Supri tudo o que me falta, a fim de que chegue a amar-Vos muito, a amar-Vos pelo menos tanto, quanto Vos tenho ofendido. Jesus, eu Vos amo sobre todas as coisas; amo-Vos mais que a minha própria vida, meu Deus, meu amor, meu tudo.

- Meu Deus e meu tudo.

TRONO DA GRAÇA

Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de obtermos misericórdia em tempo oportuno (Hb 4,16). DIz Santo Antonino que este trono é Maria, pela qual Deus nos dispensa todas as graças.

Rainha amabilíssima, já que tendes tão grande desejo de socorrer os pecadores, aqui está um grande pecador que a Vós recorre: socorrei-me poderosamente, socorrei-me sem demora.

- "Único refúgio dos pecadores, tende piedade de mim" (Santo Agostinho).


Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 1 - VAMOS À FONTE - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório

Jesus Sacramentado, eis a fonte de todos os bens. Ele diz: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba" (Jo 7,37).

Com que abundância os santos sempre têm bebido as águas da graça nesta fonte do Santíssimo Sacramento, onde Jesus nos reparte todos os méritos de sua Paixão, conforme predisse o profeta. "Ireis, cheios de alegria, tomar as águas das fontes do Salvador" (Is 12,3).

À condessa de Féria, ilustre penitente do bem-aventurado João de Ávila, que se fez religiosa de Santa Clara e que, por causa de suas contínuas e prolongadas visitas a Jesus sacramentado, perguntaram uma vez o que fazia durante as longas horas que passava aos pés do altar. Respondeu ela: "Diante do tabernáculo ficaria eu por toda a eternidade. Pois não está ali a essência divina que há de ser o sustento dos bem-aventurados? Meu Deus! Que se faz diante do Santíssimo Sacramento? Pois o que se há de fazer? Ama-se, louva-se, agradece-se, pede-se. Que faz um pobre diante de um rico? Que faz um enfermo diante do médico? Um sequioso diante de uma fonte cristalina? Um faminto assentado a uma mesa lauta?"

Meu Jesus, vida, esperança, tesouro e único amor de minha alma, quanto vos custou a permanência conosco neste sacramento! Para ficardes sobre os nossos altares preciso vos foi morrer na cruz. E depois, neste sacramento, quantas injúrias sofreis para estardes presente no meio de nós! Mas, venceu o vosso amor, venceu o desejo que tendes de ser amado por nós.

Vinde, pois, Senhor, vinde, encerrai-vos no meu coração e trancai-lhe a porta para sempre, a fim de que nenhuma criatura entre nele para compartilhar o amor que vos devo e quero dar-vos sem reserva.

Vós só, meu amado Redentor, reinai sobre mim e possuí-me; e, se alguma vez não obedecer perfeitamente, castigai-me com rigor para que no futuro seja mais atento em vos agradar e fazer a vossa vontade.

Fazei que eu não deseje nem busque outro prazer mais que o de vos ser agradável, visitar-vos muitas vezes nos altares, entreter-me convosco e receber-vos na Santa Comunhão. Outros bens procure quem os quiser; eu, porém, só amo e só desejo o tesouro do vosso amor: isto só, e nada mais vos quero pedir aos pés do altar.

Fazei que me esqueça de mim mesmo para me lembrar somente da vossa bondade. Bem-aventurados serafins, não tenho inveja da vossa glória, mas do amor que consagrais ao vosso Deus que é também o meu; ensinai-me o que devo fazer para o amor e ser-lhe agradável.

- Meu Jesus, só a Vós quero amar, só a Vós quero agradar.


CHEIA DE GRAÇA

Outra fonte de graças, extremamente preciosa para nós é Maria, nossa Mãe, fonte tão rica de bens que não há no mundo um só homem que deles não participe. "Todos nós recebemos da sua plenitude", diz São Bernardo. Maria recebeu de Deus toda a abundância da graça, segundo a saudação do Anjo: Eu vos saúdo, cheia de graça. Entretanto, esta abundância de graças, ela recebeu não só para si, mas também para nós. "Maria, diz São Pedro Crisólogo, recebeu esse imenso tesouro de graças, para repartir dele com todos os seus devotos servos."

- Maria, causa da nossa alegria, rogai por nós!


Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O modo de receber o Santíssimo Sacramento da Eucaristia




Com diferentes finalidades podemos aproximar-nos desse sacramento. Para obtê-las, devemos dar certos passos em três momentos: antes, durante e depois da comunhão.
            Antes da comunhão, seja qual for a finalidade com que a recebes, deves purificar-te e lavar-te com o sacramento da penitência, caso tenhas cometido pecado mortal. Depois, é necessário que te entregues de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças a Jesus Cristo, já que Ele, no sacramento, nos dá Seu Corpo e Sangue, junto com a Sua alma, divindade e méritos. Então, tendo em conta que o que oferecemos é bem pouco, devemos desejar possuir tudo o que Lhe ofereceram todas as criaturas do céu e da terra, para podermos oferecer-Lhe.
            O desejo do Senhor, de que Lhe reservemos um espaço em nosso coração, para que Ele possa unir-se a nós e ajudar-nos a vencer nossos inimigos, é tão grande que não há entendimento humano capaz de compreendê-lo. Desde a véspera, ao menos, deves começar a preparar o coração, meditando nesse desejo.
            Para poder começar a compreendê-lo, deves gravar na mente duas coisas:
            A primeira é a inefável alegria que Deus, infinitamente bom, encontra em unir-se conosco, a ponto de dizer que a nossa companhia são as suas delícias (Prov 8,31).
            A segunda  é o ódio infinito que Ele tem ao pecado, por ser impedimento e obstáculo para a união que tanto deseja ter conosco, e também porque, sendo Ele pura luz e beleza infinita, não pode deixar de odiar o pecado, que não é mais que treva e mancha intolerável nas nossas almas.
            Dessa forma, conhecendo ao menos em parte o desejo que Deus tem de se apossar do teu coração, para lançar fora os teus e Seus inimigos, anima-te também do desejo de O receber com essa mesma finalidade. E, para melhor te preparares, redobra os atos de virtude com os quais buscas vencer tuas paixões, nas horas que antecedem a Sagrada Comunhão.
            Um pouco antes de receber a comunhão, deves relembrar brevemente as tuas faltas desde a comunhão interior, e então, aproximando o teu abismo de ingratidão do abismo de bondade do Senhor, chega-te a Ele com confiança e abre-lhe a porta do teu coração, para que Ele tome posse de ti. Ao mesmo tempo, fecha resolutamente a porta a todas as coisas do mundo, a tudo o que não seja Deus.
            Depois de receberes a comunhão, encerra-te no íntimo do teu coração, adora o teu Senhor com profunda e humilde reverência, e então dialoga mentalmente com Ele da seguinte forma: “Vês, meu único Bem, com quanta facilidade Te ofendo e como essa paixão é maior do que eu, e que sozinha não consigo vencê-la. Mas esse combate é sobretudo Teu, e, embora eu tenha de lutar, só de Ti espero a vitória”.
            Oferece ao Pai eterno, em ação de graças pela vitória que esperas alcançar sobre ti mesma, o Seu próprio Filho, que Ele já te deu, e tens dentro de ti. E, enquanto lutas generosamente contra as tuas paixões, espera com fé a vitória de Deus, pois, ainda que tarde, ela não falhará, se fizerdes tudo o que estives ao teu alcance.
 
(Lorenzo Scupoli - O Combate Espiritual)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O culto Eucarístico - São Pedro Julião Eymard


São Pedro Julião Eymard

O fim da Sociedade é ainda render a Jesus no Santíssimo Sacramento o culto de honra maior, mais santo e mais litúrgico possível.

Culto maior, pelo serviço solene de Exposição onde Jesus é honrado como o Rei imortal dos séculos, a quem toda honra e glória são devidas.

Ante esse sol de amor tudo se eclipsa. Ante o Rei, o ministro não recebe distinções. Ante o Mestre insigne, o servo desaparece.

Tudo quanto há de precioso, de belo, de nobre, deve honrar o Trono divino de Jesus, Senhor único de tudo. E, viesse a Sociedade a possuir todos os diamantes, todo o ouro, todas as coroas do mundo, só deveria ver nisto tudo o privilégio de poder tudo consagrar à glória do Mestre, já que tudo Lhe pertence.

Culto mais santo

O corpo também deve adorar o Deus da Eucaristia e Lhe render suas homenagens exteriores.

Homenagens de respeito, tendo-se modesta e convenientemente em Sua divina Presença, evitando tudo aquilo que não se permitiria em presença dum personagem ilustre, dum soberano.

Homenagens de piedade, cumprindo com grande espírito de fé e de amor as cerimônias externas, genuflexões, prostrações, reverências prescritas, porque constituem os atos exteriores de adoração do coração e a profissão pública de Fé.

Homenagens públicas de virtudes. Honrando por toda a parte o Mestre, quer em público, quer em particular, quer nas ruas, quer nos templos; adorando-O, prostrado, quando Ele passa levado em Viático, ou quando reina no Trono. E por toda a parte o Rei e Deus do nosso coração, da nossa vida.

Culto mais litúrgico

A Igreja, sempre inspirada pelo Espírito Santo, regrou o culto devido ao Seu divino Esposo, Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento, e que por si, constitui o culto de verdade e de santidade agradável a Deus.

A Igreja, ciosa da honra e da glória do seu Rei, regulou os mínimos pormenores do Seu culto, porque tudo é grande, tudo é divino em se tratando do Seu serviço.

O dever maior, quer da Sociedade, quer da totalidade dos seus membros, é, portanto, estudar as rubricas, os cerimoniais da Igreja e, seguindo-os com exata fidelidade, fazer com que os fiéis, por sua vez, os observem e amem. Honrando desta forma a divina Eucaristia, honro-O a em união com a Santa Igreja, em união com os Seus santos. Rendo-Lhe, então, com a Igreja, uma só e mesma homenagem, presto-Lhe um só e mesmo culto enquanto os Seus méritos suprem minha indignidade, e a Ssua perfeição, minha fraqueza. Meu culto então torna-se verdadeiramente católico.

Servirá ainda para expiar as irreverências e culpas sem número que cometi nos santos lugares. Servirá para reparar as profanações, os sacrilégios incessantemente cometidos contra este Sacramento por tantos ímpios e maus cristãos.

Será um protesto contra a incredulidade, uma profissão pública de nossa Fé e vocação pela maior glória de Jesus. Hóstia de amor e de louvor.

(A Divina Eucaristia, volume III)

Fonte: Apostolado Beata Imelda & Eucaristia

quarta-feira, 14 de maio de 2014

“Senhor, com o teu auxílio, lutarei” - São Josemaria Escrivá




O cântico humilde e gozoso de Maria, no Magnificat , lembra-nos a infinita generosidade do Senhor para com os que se fazem como crianças, para com os que se abaixam e sinceramente se sabem nada. (Forja, 608)

Não nos esqueçamos de que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa teimosia. Se no livro dos Provérbios se comenta que o justo cai sete vezes por dia (Cfr. Prv 24, 16), tu e eu – pobres criaturas – não devemos admirar-nos nem desanimar com as nossas misérias pessoais, com os nossos tropeços, porque continuaremos avante se procurarmos a fortaleza nAquele que nos prometeu: Vinde a mim todos os que andais fatigados com trabalhos e cargas, e eu vos aliviarei (Mt 11, 28). Obrigado, Senhor, quia tu es, Deus, fortitudo mea (Sl 42, 2), porque foste sempre Tu, e só Tu, meu Deus, a minha fortaleza, o meu refúgio e o meu apoio.

Se desejas verdadeiramente progredir na vida interior, sê humilde. Recorre com constância, confiadamente, à ajuda do Senhor e de sua Mãe bendita, que é também tua Mãe. Com serenidade, tranquilo, por muito que doa a ferida ainda não cicatrizada do teu último resvalo, abraça de novo a cruz e diz: Senhor, com o teu auxílio, lutarei para não me deter, responderei fielmente aos teus apelos, sem temor às encostas empinadas, nem à aparente monotonia do trabalho habitual, nem aos cardos e aos seixos do caminho. Sei que sou assistido pela tua misericórdia e que, no fim, acharei a felicidade eterna, a alegria e o amor pelos séculos infinitos. (Amigos de Deus, 131)
 
 
Fonte: Página Mensagens de São Josemaria Escrivá

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A Eucaristia, necessidade do nosso coração

 
 
São Pedro Julião Eymard

"Porque está Jesus Cristo na Eucaristia? Tal pergunta, se pode ter muitas respostas, tem no entanto uma que a todas resume: Jesus Cristo está na Eucaristia porque nos ama e quer que nós o amemos. O Amor, eis a razão de ser da instituição da Eucaristia.

Sem ela, o Amor de Jesus Cristo seria apenas um Amor de Morte, passado, esquecido dentro em breve – e isso sem culpa de nossa parte. Só a Eucaristia satisfaz plenamente as leis e as exigências do amor. Jesus Cristo, dando-nos nela provas de Amor infinito, tem direito de ser nela amado.

Ora, o amor natural, tal qual Deus pôs nos corações, requer três coisas. A presença ou sociedade de vida, a comunhão de bens, a união perfeita.

I

A ausência é a aflição, o tormento da amizade. O afastamento diminui e, ao ser prolongado, dissipa a mais forte amizade. Estivesse Nosso Senhor ausente, afastado, o amor que lhe temos passaria, em virtude do efeito dissolvente dessa mesma ausência. É da essência, da natureza do amor humano reclamar, para viver, a presença do objeto amado.

Olhai para os pobres Apóstolos, enquanto Nosso Senhor jaz no túmulo, para os discípulos de Emaús, que confessam terem quase perdido a fé. Não gozam mais da presença do divino Mestre.
Ah! Não nos tivesse Nosso Senhor deixado outro legado de seu Amor senão Belém e o Calvário e quão depressa o teríamos esquecido! Que indiferença! O amor quer ver, ouvir, conversar, apalpar.

Nada substitui o ente querido, nem lembrança, nem dons, nem retratos; nada disso tem vida. E quão bem sabia Nosso Senhor que nada poderia tomar seu lugar, pois carecemos dele mesmo. Não nos basta então sua palavra? Não, já não vibra, já não ouvimos as tocantes expressões dos lábios do Salvador. E seu Evangelho? É um testamento. E o Sacramentos, não dão ele Vida? Só o autor da Vida poderia entretê-la em nós. E a Cruz? Ah! Sem Jesus quão triste é! E a esperança? Sem Jesus é uma agonia. Os protestantes têm tudo isso e quão frio e quão glacial é o protestantismo!

Poderá então Jesus reduzir-nos a um estado tão triste, qual o de viver e combater sozinhos? Ah! Sem Jesus, presente entre nós, seríamos por demais desgraçados. Exilados, sós no mundo, obrigados a privar-nos dos bens, das consolações terrestres, enquanto aos mundanos é dado satisfazerem todos os seus desejos, a vida se tornaria insuportável.

Mas com a Eucaristia! Com Jesus em nosso meio, quantas vezes sob o mesmo teto, dia e noite, a todos acessível, a todos esperando na sua morada sempre aberta; admitindo as crianças, chamando-as com acentuada predileção, a vida torna-se menos amarga. É o pai amoroso, rodeado dos filhos. É a vida de sociedade com Jesus.

E que sociedade, quanto nos engrandece e nos eleva! E quão fáceis são as relações de sociedade, de recurso ao Céu, a Jesus Cristo em pessoa! Convivência suave, simples, familiar e íntima, assim Ele a quis.

II

O amor quer comunhão de bens, quer tudo possuir em comum. Quer partilhar da felicidade e da infelicidade. É-lhe natural, instintivo dar, dar com alegria, com júbilo. E com que profusão, que prodigalidade concedera Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento, seus merecimentos, suas graças, sua própria glória! Que desvelo em dar, sem jamais recusar!

Dá-se a si mesmo, a todos e a todo momento, espalhando pelo mundo as Hóstias consagradas para que todos os seus filhos as recebam. No deserto, dos cinco pães multiplicados, sobraram doze cestas cheias, e todos deles participaram.

Jesus-Eucaristia quereria envolver o mundo na sua nuvem sacramental, fecundar os povos com essa água vivificante, que, depois de ter desalterado e reconfortado o último de seus eleitos, se perderá no oceano eterno. Ah! Jesus-Hóstia é nosso, todo nosso!

III

O amor tende essencialmente à união entre os amantes, à fusão de dois seres num só ser, de dois corações num só coração, de dois espíritos num só espírito, de duas almas numa só alma (...)

Jesus submete-se a essa lei de amor por Ele mesmo estabelecida. Depois de ter compartilhado do nosso estado e de nossa vida, dá-se-nos ele na comunhão, incorporando-nos a Ele.

União, cada vez mais perfeita e mais íntima, das almas, segundo a maior ou menor vivacidade dos desejos. "In me manet, et ego in eo". Permanecemos nele e Ele em nós. Fazemos um só com Ele, até consumir-se no Céu, na união eterna e gloriosa, a união inefável, começada na terra pela graça e aperfeiçoada pela Eucaristia.

O amor vive, pois, com Jesus presente no Santíssimo Sacramento do altar, compartilha de todos os bens de Jesus, une-se a Jesus e assim satisfazem-se as exigências de nosso coração, que mais não pode pedir".


FONTE: São Pio V
Créditos: O Segredo do Rosário

segunda-feira, 31 de março de 2014

São Tomás de Aquino - Os efeitos da Eucaristia



S. Tomás de Aquino

OS EFEITOS DA EUCARISTIA

- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -

01.
No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos.

02.
O efeito deste Sacramento deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que nele está contido, que é o Cristo.

Ele, vindo ao mundo em forma visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:

"A graça e a verdade, porém,
vieram por meio de Jesus Cristo".

Assim, da mesma forma, vindo Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda outra passagem do mesmo Evangelho:

"Quem me come,
viverá por mim",

03.
O efeito deste Sacramento deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este Sacramento também realiza no homem.

04.
O efeito deste Sacramento também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. E é por isto que se diz:

"Este é o pão da vida eterna,
pelo qual se sustenta
a substância de nossa alma".

De onde que o próprio Senhor diz, no Evangelho de São João:

"Minha carne é verdadeiramente comida,
e meu sangue é verdadeiramente bebida".

05.
Finalmente, o efeito do Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:

"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue
em coisas tais que são reduzidas à unidade
a partir de muitas outras,
porque o pão é um,
embora conste de muitos grãos,
e o vinho é feito
a partir de muitas uvas".

E por isso ele também escreveu em outro lugar:

"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade,
ó vínculo da caridade!".

06.
E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.

07.
Mas, conforme diz São Gregório na homilia de Pentecostes,

"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas,
se de fato existe".

Por isto, por meio deste Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:

"O amor de Cristo
nos impele".

Daqui é que provém que pela virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o Cântico dos Cânticos:

"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".

08.
Este Sacramento também tem virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado

"como remédio
da enfermidade de cada dia".

09.
Ademais, a coisa deste Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.

10.
O Sacramento da Eucaristia pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na medida em que é tomado.

11.
Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento, instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de acordo como o modo de sua devoção e fervor.

12.
Mas, na medida em que é Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que ofereceu apenas duas moedas, que

"ofereceu mais do que todos".

Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.

13.
A Eucaristia também preserva o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado, porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual. É assim que diz o Salmo 103:

"O pão confirma
o coração do homem".

 14.
A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros também defendendo-o contra as impugnações exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.

15.
Ainda que este Sacramento não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui, porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões,

"O aumento da caridade
é a diminuição da cobiça".

Diretamente, porém, a Eucaristia confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.

16.
Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui razão de sacramento.

17.
Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem, de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício, porque é oferecido por todos os que o recebem.

18.
Mas também é de proveito para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:

"Lembrai-vos, Senhor,
dos vossos servos e servas,
pelos quais nós Vos oferecemos,
e eles Vos oferecem também,
este Sacrifício de louvor,
por si e por todos os seus,
pela redenção de suas almas,
pela esperança de sua salvação
e sua segurança".

19.
O próprio Senhor, ademais, expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a recebem, quando disse, na última Ceia:

"Este cálice é o meu sangue,
que por vós",

isto é, os que o recebem,

"e por muitos"

outros,

"será derramado
para o perdão dos pecados".

20.
Pode-se, porém, argumentar que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.

Responde-se a isto dizendo que assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de acordo com o modo de sua devoção.

21.
Mas, assim como deve-se dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais, assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento. Pois diz São João Damasceno:

"O fogo do seu desejo que há em nós,
acendendo-se mediante
aquele fogo que há no carvão",

isto é, neste Sacramento,

"queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações
para que ardamos e nos deifiquemos
pela participação do fogo divino".

Mas o fogo do nosso desejo ou do nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.

22.
Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados. De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.

Segundo o primeiro modo, os pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.

Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato, foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.

23.
Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato. E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o ato.

24.
Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo, porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma deleitação atual.

25.
Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.

26.
Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os pecadores que recebem este Sacramento.

27.
O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.

Esta semelhança compete a todos os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os pecados são mais graves.

Mas sob um aspecto especial os pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que é requerido neste Sacramento.

28.
Que ninguém, pois, se aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.

Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras.


Fonte: Cristianismo.org.br
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