sexta-feira, 15 de julho de 2016

Comentário do Evangelho do dia (15/07) feito por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Confissões

«O Filho do Homem é senhor do sábado.»

Senhor Deus, Tu que nos cumulaste de tudo, dá-nos a paz (Is 26,12), a paz do repouso, a paz do sábado, do sábado que não tem ocaso. Porque esta bela ordem das coisas que criaste, e que são «muito boas» (Gn 1,31), passará quando tiver chegado ao termo do seu destino. Sim, elas tiveram a sua manhã e terão a sua tarde. Mas o sétimo dia não tem tarde, não tem ocaso, porque Tu o santificaste a fim de que ele dure para sempre. No termo das tuas obras «muito boas», que contudo fizeste em repouso, Tu repousaste ao sétimo dia, a fim de nos fazeres compreender que, no termo das nossas obras, que são muito boas porque foste Tu que no-las deste (Is 26,12), também nós repousaremos em Ti, no sábado da vida eterna. Então repousarás em nós como agora ages em nós; desse modo, o repouso que experimentaremos será o teu, tal como as obras que fazemos são as tuas. 

Tu, Senhor, trabalhas constantemente e estás constantemente em repouso. […] Quanto a nós, chega um momento em que somos levados a fazer o bem, depois de o nosso coração o ter concebido pelo teu Espírito, enquanto anteriormente éramos levados a fazer o mal, quando Te abandonávamos. Tu, único Deus bom, nunca deixaste de fazer o bem. Algumas das nossas obras são boas – pela tua graça, é certo –, mas não são eternas; depois de as fazermos, esperamos repousar na tua inefável santificação. Mas Tu, bem que não precisa de nenhum outro bem, Tu estás constantemente em repouso, porque Tu próprio és o teu repouso. 

Quem, de entre os homens, poderá dar a conhecer tudo isto ao homem? Que anjo o dará a conhecer aos anjos? Que anjo ao homem? É a Ti que devemos pedir esse conhecimento, em Ti que devemos procurá-lo, à tua porta que devemos bater. E dessa maneira sim, dessa maneira recebê-lo-emos, dessa maneira encontrá-lo-emos, dessa maneira abrir-se-á a tua porta (Mt 7,8).

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 14 de julho de 2016

É preciso esperar ir para o Céu - Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales.

        
         Se estes bens são verdadeiros, notai se não valem um milhão de vezes mais, tanto para o corpo como para a alma, e então com que fim, vós ó mundanos, vos afastais da celeste habitação? Porque vós não aproximais desta soberana felicidade? Ah! não valeria mais aspirar a este dia delicioso, dirigir os vossos passos para o caminho da virtude, ir para o descanso o infinito, caminhar para esta abençoada terra que vos esta prometida, do que jazer na imundice dos pecados e viver nas trevas obscuras da sociedade dos maus!
           Todos vos convidam para o paraíso; o vosso anjo impele-vos com todo o seu poder, oferecendo-vos da parte de Deus mil graças e auxílios; Jesus Cristo, do alto do céu, contempla-vos amorosamente, e convidá-vos com doçura para o trono da glória que vos prepara na abundância de sua bondade; a Santíssima Virgem chama-vos aí maternalmente; os santos, com um milhão de almas santas, exortam-vos a isso afetuosamente e certificam-vos que o caminho da virtude não é tão penoso como o mundo pinta. Não aceitareis os favores que vos oferece o céu? Não auxiliareis vós esses atrativos e inspirações que sentis?
           
          Oh! como deveríamos muitas vezes, pelo menos nas festas, dirigir o nosso espírito para a Jerusalém celeste, essa gloriosa cidade de Deus, onde ouviríamos retinir de toda a parte os louvores pelas vozes duma variedade infinita de santos; e perguntando-lhes como aí chegaram, saberíamos que os Apóstolos chegaram lá, principalmente pelo amor, e os mártires pela constância, e os doutores pela meditação, os confessores pela mortificação, as virgens pela pureza do corpo e coração, e todos geralmente pela humildade.
           
          Deus não nos teria dado uma alma capaz de pensar e desejar esta santa eternidade se não quisera dar-lhe os meios de poder alcançar. Assim pois, enchamos o nosso coração duma doce confiança e depois digamos: nós faremos bastante, não nós, mas a graça de Deus conosco. Quanto maior e mais forte em nós o desejo, tanto mais prazer e contentamento nos trará a sua posse e gozo.
          
         Viva Deus! tenho firme confiança no íntimo do coração, que viveremos eternamente com Deus e nos reuniremos um dia no céu: é preciso coragem; iremos bem depressa para lá. E que faria Nosso Senhor da sua vida eterna se a não concedesse às pobres e mesquinhas criaturas, como nós, que não queremos esperar senão na sua soberana bondade? Oh! Meu Deus! quanta consolação eu sinto na certeza de que o meu coração há de abismar-se eternamente no amor do coração de Jesus! Leve-nos a Providência para onde lhe aprouver; pouco importa. Havemos de chegar a esse porto.

Fonte: http://www.saopiov.org/2014/09/pensamentos-consoladores-de-sao.html

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Comentário do Evangelho do dia (13/07) feito por Beata Elisabeth da Santíssima Trindade




«Eu Te bendigo»


Fomos predestinados por um decreto daquele que opera todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, a fim de sermos o «louvor da sua glória» (Ef 1,6.12.14). É São Paulo quem assim fala, instruído pelo próprio Deus. Como haveremos de realizar esse grande sonho do coração do nosso Deus, esse querer imutável da nossa alma? Como haveremos, numa palavra, de responder à nossa vocação e de nos tornarmos perfeitos «louvores da glória» da Santíssima Trindade? 

No céu, cada alma é um louvor de glória ao Pai, ao Verbo, ao Espírito Santo, porque cada alma está fixada no puro amor e já não vive da sua própria vida, mas da vida de Deus. Então conhece-O, diz São Paulo, «como é conhecida por Ele» (1Cor 13,12); por outras palavras, o seu entendimento é o entendimento de Deus, a sua vontade é a vontade de Deus, o seu amor é o próprio amor de Deus. É, na realidade, o Espírito de amor e de força que transforma a alma porque, tendo Ele sido dado para preencher o que lhe faltava, como diz ainda São Paulo, opera nela essa gloriosa transformação (cf Rom 8,26). 

Um louvor de glória é uma alma que habita em Deus, que O ama com um amor puro e desinteressado, sem se buscar na doçura desse amor; é uma alma que O ama acima de todos os seus dons e mesmo que nada tivesse recebido dele. [...] Um louvor de glória é um ser em constante ação de graças. Cada um dos seus atos, dos seus movimentos, cada um dos seus pensamentos, das suas aspirações, ao mesmo tempo que o enraíza mais profundamente no amor, é como um eco do «sanctus» eterno.

«Le Ciel dans la foi»
Fonte: Evangelho Quotidiano

Novenário e Festa de Nossa Senhora do Carmo





Dom Fernando Arêas Rifan*


Sábado próximo celebraremos a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo, devoção antiquíssima e muito difundida pelo uso do Escapulário em sua honra.

Quase na divisa com o Líbano, o monte Carmelo, com 600 metros de altitude, situa-se na terra de Israel. “Carmo”, em hebraico, significa “vinha” e “El” significa “Senhor”, donde Carmelo significa a vinha do Senhor. Ali se refugiou o profeta Elias, que lá realizou grandes prodígios, e depois o seu sucessor, Eliseu. Eles reuniram no monte Carmelo os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado.

Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo.

No século XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa e começaram a perseguir os cristãos, entre eles os eremitas do Monte Carmelo, muitos dos quais fugiram para a Europa. No ano 1241, o Barão de Grey da Inglaterra retornava das Cruzadas com os exércitos cristãos, convocados para defender e proteger contra os muçulmanos os peregrinos dos Lugares Santos, e trouxe consigo um grupo de religiosos do Monte Carmelo, doando-lhes uma casa no povoado de Aylesford. Juntou-se a eles um eremita chamado Simão Stock, inglês de família ilustre do condado de Kent. De tal modo se distinguiu na vida religiosa, que os Carmelitas o elegeram como Superior Geral da Ordem, que já se espalhara pela Europa.

No dia 16 de julho de 1251, no seu convento de Cambridge, na Inglaterra, rezava o santo para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem do Carmo, por ela tão amada, mas então muito perseguida. A Virgem Santíssima ouviu essas preces fervorosas de São Simão Stock, dando-lhe, como prova do seu carinho e de seu amor por aquela Ordem, o Escapulário marrom, como veste de proteção, fazendo-lhe a célebre e consoladora promessa:

“Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo aquele que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção”.

O Papa Pio XII, em carta a todos os carmelitas (11/2/1950), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem “devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”. Mas faz uma advertência sobre sua eficácia, para que não seja usado como superstição: “O sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus; mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Fonte: Blog Flos Carmeli

REFLEXÕES SOBRE O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS





Viver no Coração de Jesus, unir-nos a Ele estreitamente é, portanto, convertermo-nos em morada de Deus. Aquele que Me ama será amado pelo meu Pai, anunciou o Senhor. E Cristo e o Pai, no Espírito Santo, vêm à alma e fazem nela a sua morada.

''Quando compreendemos - ainda que seja só um poucochinho - estas verdades fundamentais, a nossa maneira de ser transforma-se. Passamos a ter fome de Deus e fazemos nossas as palavras do Salmo: Meu Deus, eu Te procuro solícito; sedenta de Ti está a minha alma; a minha carne deseja-Te, como terra árida, sem água. E Jesus, que suscitou as nossas ansiedades, vem ao nosso encontro e diz-nos: se alguém tem sede, venha a Mim e beba.E oferece-nos o seu Coração, para encontrarmos nele o nosso repouso e a nossa fortaleza. Se aceitarmos o seu chamamento, veremos como as suas palavras são verdadeiras, e aumentará a nossa fome e a nossa sede, até desejarmos que Deus estabeleça no nosso coração o lugar do seu repouso e não afaste de nós o seu calor e a sua luz.

Ignem veni mittere in terram, et quid volo nisi utaccendatur?, vim trazer fogo à Terra, e que quero eu senão que se acenda?. Já que nos aproximámos um bocadinho do fogo do Amor de Deus, deixemos que o seu impulso mova as nossas vidas, sintamos o entusiasmo de levar o fogo divino de um extremo ao outro do mundo, de o dar a conhecer àqueles que nos rodeiam - para que também eles conheçam a paz de Cristo e, com ela, encontrem a felicidade. Um cristão que viva unido ao Coração de Jesus não pode ter outros objectivos senão estes: a paz na sociedade, a paz na Igreja, a paz na própria alma, a paz de Deus, que se consumará quando vier a nós o seu Reino.

Maria, Regina pacis, Rainha da Paz, porque tiveste fé e acreditaste que se cumpriria o anúncio do Anjo, ajuda-nos a aumentar a Fé, a sermos firmes na Esperança, a aprofundar o Amor. Porque é isso que quer hoje de nós o teu Filho, ao mostrar-nos o seu Sacratíssimo Coração.''


São Josemaria Escrivá
Fonte: http://www.flordocarmelo.org/2016/06/reflexoes-mes-do-sagrado-coracao-de_12.html

sexta-feira, 4 de março de 2016

Poema de Santo Afonso Maria de Ligório



Adeus, criaturas, contente vos deixo,
A vós não pertenço, nem meu quero ser;
Liberto de tudo, Deus, hei de morrer;
Sim, todo sou teu, meu caro Jesus,
Só teu quero ser, ó fonte de luz.

Amável Senhor, de mim toma posse,
Teu bom coração, ardente de amor;
Reina e governa minh’alma, Senhor;
Rebelde te fui, outrora enganado;
De mim toma posse, Jesus, meu amado.

Ó fogo sagrado, que tornas felizes
As almas que acendes com chamas d’amor,
Vem logo a meu peito, e com teu ardor
Abrasa minh’alma no incêndio sagrado
Do teu puro amor, Senhor adorado.
Créditos: Excertos e Fragmentos

quarta-feira, 2 de março de 2016

Graus de Perfeição - São João da Cruz



1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.
2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.
3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.
4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.
5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.
7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.
8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.
9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.
10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.
12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.
13. Procure sempre confessar-se com profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.
14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.
15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.
16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.
17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplático dos homens.

S. João da Cruz, Pequenos Tratados Espirituais

Créditos: GRAA
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