quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Santo Agostinho e a Preparação para o Natal




Jazia no presépio Aquele que contém o mundo; era uma criança que não sabia falar, aquele que era a Palavra. Aquele que não cabe nos céus, era levado no seio de uma mulher. Esta regia nosso Rei; era portadora daquele em quem somos; amamentava aquele que é nosso Pão. A Verdade que está no seio do Pai, nasce da terra, para que estivesse também no seio da mãe. A Verdade na qual está contido o mundo, nasceu da terra, para que fosse carregada pelas mãos de uma mulher. A Verdade com a qual é alimentada incorruptivelmente a beatitude dos anjos, nasceu da terra, para que fosse amamentada por seios de carne.

Aquele que no seio do Pai precedeu todos os espaços dos séculos, é o mesmo que nascendo de uma mãe entra hoje no correr dos anos. É feito homem o autor do homem, para ser alimentado no peito o que governa os astros; para que o Pão tivesse fome, para que a Fonte tivesse sede, para que a Luz dormisse, para que o Caminho se cansasse ao caminhar…



Santo Agostinho, Sermões 185 e 191
Créditos: Movimentos e Novas Comunidades

Comentário ao Evangelho do dia (06/12) feito por Beata Teresa de Calcutá

Fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade - (1910-1997)
«Um caminho simples»

                                             «Escutai o que vos digo»
Todos nós devemos consagrar tempo ao silêncio e à contemplação, especialmente se vivemos em grandes cidades como Londres e Nova Iorque, onde só há agitação. Foi por isso que eu decidi abrir a nossa primeira casa de irmãs contemplativas, cuja vocação é rezar durante a maior parte do dia, em Nova Iorque e não nos Himalaias, porque senti que são as cidades que mais precisam de silêncio e de contemplação.

Começo sempre a minha oração pelo silêncio, porque é no silêncio do coração que Deus fala. Deus é o amigo do silêncio: devemos escutar Deus, porque não são as nossas palavras que contam, mas o que Ele nos diz e o que Ele diz através de nós. A oração alimenta a alma: o que o sangue é para o corpo, é a oração para a alma. Ela aproxima-nos de Deus; dá-nos um coração purificado e limpo. Um coração puro pode ver a Deus (Mt 5,8), falar com Ele e ver o Seu amor na pessoa de cada um dos nossos irmãos. Se o vosso coração é puro, sois transparentes diante de Deus, não dissimulais nada, e Ele pode retirar do vosso coração o que quiser.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Santa Teresinha fala de seus escrúpulos



No retiro para a Segunda Comunhão é que fui assaltada pela terrível doença de escrúpulos... É preciso passar por tal martírio, para o compreender. Ser-me-ia impossível dizer quanto não sofri em ano e meio... Todos os meus pensamentos e as minhas mais comezinhas atividades se tornavam para mim motivo de perturbação. Só tinha sossego, quando os contava à Maria, e isto me era muito penoso, por sentir a obrigação de lhe dizer todas as idéias extravagantes que me vinham à mente a respeito dela própria. Alijado meu fardo, desfrutava um instante de paz, mas a paz desvanecia-se como um relâmpago, e logo começava novamente meu martírio. De quanta paciência não precisava minha querida Maria, para me ouvir, sem dar mostras de nenhum aborrecimento!...

Mal chegava eu da Abadia, punha-se ela a arrumar-me os cabelos para o dia seguinte (pois, querendo agradar ao Papai, a rainhazinha andava todos os dias com os cabelos em cachinhos, para grande admiração das colegas, mormente das professoras que não tinham diante de si crianças tão bem cuidadas pelos pais). E durante a arrumação não parava de chorar, contando todos os meus escrúpulos.


Sta Teresinha de Lisieux, História de Uma Alma.
Créditos: Amor e Pobreza

Ó Verbo Divino, Águia adorada...




"Ó Verbo Divino, és tu a Águia adorada, a quem amo, és tu que me atrais! És tu que, lançando-te na terra do exílio, quiseste sofrer e morrer, a fim de atrair as almas ao centro do eterno foco da Bem-aventurada Trindade. És tu, que te remontas à Luz inacessível, que doravante será tua estância. És tu, ainda que, permaneces neste vale de lágrimas, e te escondes na aparência de uma hóstia branca... Águia Eternal, queres nutrir-me com tua divina substância, a mim, pobre criaturinha, que ao nada retornaria, se teu divino olhar me não outorgasse a vida a cada instante"


Sta Teresinha de Lisieux, Carta à Ir. Maria do Sagrado Coração

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (04/12) feito por Santo Afonso-Maria de Ligório

Bispo, doutor da Igreja
Terceira meditação para a novena de Natal

                                  «Muitos profetas e reis quiseram ver o que vedes»

Tenhamos em conta que, depois de tantos séculos, tantos suspiros e orações, o Messias que nem os patriarcas nem os profetas viram, o «Desejado das nações» (Ag 2,7 Vulg.), o Desejo das colinas eternas, o nosso Salvador, veio por fim: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado» (Is 9,5). O Filho de Deus fez-Se pequenino para nos dar a Sua grandeza; deu-Se a nós, para que nos demos a Ele; veio testemunhar-nos o Seu amor, para que correspondamos com o nosso. Acolhamo-Lo com afecto, amemo-Lo, recorramos a Ele em todas as nossas necessidades. [...]


Jesus veio sob a forma de uma criança, para nos mostrar o Seu grande desejo de nos cumular de todos os Seus bens. Ora «n'Ele estão escondidos todos os tesouros» (Col 2,3); Seu Pai celeste «tudo colocou nas Suas mãos» (cf Jo 3,35; 13,3). Queremos a luz? Ele veio iluminar-nos. Queremos mais força, para resistir aos nossos inimigos? Ele veio fortificar-nos. Queremos o perdão e a salvação? Ele veio perdoar-nos e salvar-nos. Queremos, enfim, o dom supremo, o dom do amor divino? Ele veio incendiar os nossos corações. Foi sobretudo para isso que Ele Se tornou menino: quis mostrar-Se-nos num estado de tal pobreza e humildade para [...] banir todo o medo e melhor ganhar o nosso afecto. [...] Todas as crianças suscitam o afecto de quem olhe para elas; quem, pois, não amaria com extrema ternura um Deus que contempla como menino, alimentado com um pouco de leite, tremendo de frio, pobre, desprezado, desamparado, a chorar e a gemer numa manjedoura, deitado sobre a palha? Este espectáculo levou São Francisco a exclamar: «Amemos o Menino de Belém!» Vinde, almas cristãs, vinde amar um Deus feito criança, tornado pobre por vós, um Deus todo amor, descido do céu para Se nos dar inteiramente.

Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (03/11) feito por Santo Ambrósio

Bispo de Milão, Doutor da Igreja - (c. 340-397)
Sobre a virgindade, §§ 72-74, 78

                                                        Ele vem a tua casa
Ouviste a voz do Verbo, a Palavra de Deus. [...] Levanta-te e prepara o fundo da tua alma pela oração. Vai de baixo para cima, esforça-te por abrir a porta do teu coração. Quando ergueres as mãos para Cristo, as tuas acções exalarão o perfume da fé. [...]

Eis como Cristo te desejou, eis como te escolheu. Se te abrires para Ele, Ele entrará; não deixará de o fazer pois prometeu-o. Abraça então Aquele que procuraste (Ct 3,4); aproxima-te d'Ele e receberás a Sua luz (Sl 33,6); demora-O, pede-Lhe que não Se vá embora tão depressa, suplica-Lhe que não Se afaste. Com efeito, a palavra de Deus corre rapidamente (Sir 43,5), não se deixa prender pela frouxidão, a preguiça não a detém. Que a tua alma, à Sua chamada, vá ao Seu encontro e persevere no caminho traçado pela Sua palavra celeste, pois Ele passa rapidamente. [...]

No caso de Ele Se ter ido embora muito depressa, não penses que Lhe desagradaste por tê-Lo chamado e Lhe teres implorado, abrindo-te a Ele: Ele permite muitas vezes que sejamos postos à prova. Quando as multidões Lhe pediam para não Se ir embora, que diz Ele nos Evangelhos? «Tenho também de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus às outras cidades, pois para isso é que fui enviado» (Lc 4,43). Portanto, mesmo que Ele pareça ter partido, continua a procurar (cf Ct 5,6). [...] Quem procura Cristo desta maneira, quem assim implora, não é abandonado por Ele; mais, Ele vem visitá-lo com frequência, pois está connosco até ao fim do mundo (Mt 28,20).

Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 1 de dezembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (01/12) feito por Santa Teresinha do Menino Jesus

Carmelita, Doutora da Igreja - (1873-1897)
Acto de oblação ao Amor misericordioso

«A fim de aparecerdes firmes diante
do Filho do Homem»

Ó meu Deus, bem-aventurada Trindade, desejo amar-Vos e fazer amar¬-Vos, trabalhar para a glorificação da Santa Igreja, a salvar almas. [...] Desejo cumprir na perfeição a Vossa vontade e chegar ao degrau de glória que me preparastes no Vosso Reino; numa palavra, desejo ser santa, mas sinto a minha impotência e peço-Vos, ó meu Deus, que sejais Vós mesmo a minha santidade. Dado que me amastes a ponto de me dardes, para meu salvador e Esposo, o Vosso Filho único, serão pois meus os infinitos tesouros dos Seus méritos: ofereço-Vo-los com alegria, suplicando-Vos que me olheis apenas através da face de Jesus e no Seu coração ardente de amor. [...]

Agradeço-Vos, meu Deus, por todas as graças que me concedestes, em particular por me terdes feito passar pelo crisol do sofrimento. Será com alegria que Vos contemplarei no último dia, levando o ceptro da cruz. Porque Vos dignastes dar-me em partilha esta cruz tão preciosa, espero juntar-me a Vós no céu e ver brilhar no meu corpo glorificado os estigmas sagrados da Vossa Paixão. [...]

Depois do exílio da terra, espero fruir-Vos na pátria. Mas não quero amontoar méritos para o céu, quero apenas trabalhar para o Vosso amor, com o único objectivo de Vos agradar, de consolar o Vosso coração sagrado e de salvar as almas que Vos amarão eternamente. No ocaso desta vida, aparecerei frente a Vós de mãos vazias, porque não Vos peço, Senhor, que conteis as minhas obras. Todos os nossos actos de justiça terão máculas a Vossos olhos. Quero portanto revestir-me da Vossa própria justiça e receber do Vosso amor a posse eterna de Vós mesmo. Não quero trono nem coroa que não sejam Vós, ó meu Bem-Amado! A Vossos olhos o tempo nada é, um só dia é como mil anos (Sl 89,4), podeis portanto num breve instante preparar-me para aparecer diante de Vós. 

Créditos: Evangelho Quotidiano
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