sábado, 20 de abril de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (20/04) feito por Concílio Vaticano II

 
«Tu tens palavras de vida eterna!»

 
As Sagradas Escrituras contêm a palavra de Deus e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus; por isso, o estudo destes sagrados livros deve ser como que a alma da sagrada teologia. Também o ministério da palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã [...] com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura.


O sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (São Jerónimo). Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvavelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos» (Santo Ambrósio). [...]


Deste modo, pois, que com a leitura e o estudo dos livros sagrados «a palavra de Deus se difunda e resplandeça (2Tess 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens. Assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual se fizermos crescer a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre» (Is 40,8; cf  lPed 1,23-25). 

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (18/04) feito por Beata Teresa de Calcutá



(1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Carta a um sacerdote, 17/02/1978, in «Vem, sê a minha luz»




 
«Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá.»




«Tive fome, estava nu, não tinha casa. Foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40). O Pão de vida e o faminto, mas um único amor: Jesus somente. A Sua humildade é tão maravilhosa. Compreendo a Sua majestade, a Sua grandeza, porque Ele é Deus – mas a Sua humildade ultrapassa a minha compreensão, porque Ele faz-Se Pão da Vida a fim de que até uma criança pequena como eu possa comê-Lo e viver.


Há uns dias, quando dava a sagrada comunhão às nossas irmãs na casa-mãe, apercebi-me de repente de que tinha Deus entre os dedos. A grandeza da humildade de Deus. É bem verdade que «não há maior amor», não há amor maior que o amor de Cristo (Jo 15, 13). Calculo que tenha muitas vezes esta impressão de que, à sua palavra, entre as suas mãos, o pão se transforma no corpo de Jesus e o vinho se transforma no sangue de Jesus. Que grande deve ser o seu amor a Cristo! Não há amor maior que o amor do sacerdote a Cristo, «seu Senhor e seu Deus» (Jo 20, 28).

Créditos: Evangelho Quotidiano

As Revelações Celestiais de Santa Brígida da Suécia, Livro 1, Capítulo V



Capítulo 5: Amorosas palavras de Cristo à sua esposa com a preciosa imagem de uma nobre fortaleza que simboliza a Igreja Militante, e sobre como a Igreja de Deus será agora reconstruída pelas orações da gloriosa Virgem e dos Santos.

Eu sou o Criador de todas as coisas. Sou o Rei da gloria e o Senhor dos anjos. Construí para Mim uma nobre fortaleza e tenho colocado nela os meus eleitos. Meus inimigos têm corrompido seus fundamentos e tem dominado meus amigos - tanto que fazem sair a medula dos ossos de seus pés amarrados a colunas. Suas bocas são apedrejadas e são torturados pela fome e a sede. Assim, os inimigos perseguem o seu Senhor. Meus amigos estão agora gemendo e suplicando ajuda; a justiça pede vingança, mas a misericórdia invoca o perdão.

Então, Deus disse à Corte Celestial ali presente: ”O que pensais dessas pessoas que têm assaltado minha fortaleza?”. Eles, a uma voz responderam: “Senhor, toda a justiça está em Ti e em Ti vemos todas as coisas. A Ti foi dado todo juízo, Filho de Deus, que existes sem princípio nem fim, Tu és seu Juiz. E Ele disse: ”Como todos sabeis e vedes em Mim, pelo bem da Minha Esposa, decidam qual é a sentença justa”. Eles disseram: ”Isto é justiça: Que aqueles que derrubaram os muros sejam castigados como ladrões; que aqueles que persistem no mal, sejam castigados como invasores, que os cativos sejam libertados e os famintos saciados”.

Então Maria, a Mãe de Deus que a princípio havia permanecido em silencio, disse: “Meu Senhor e Filho querido, tu estiveste em meu ventre como verdadeiro Deus e homem. Tu te dignaste a santificar-me a mim que era um vaso de argila. Eu te suplico, tem misericórdia deles uma vez mais!” O Senhor respondeu a sua Mãe: ”Bendita seja a palavra de tua boca! Como um suave perfume sobe até Deus. Tu és a glória e a Rainha dos anjos e de todos os santos, porque Deus foi consolado por ti e a todos os santos deleitas. E porque tua vontade tem sido a Minha desde o começo de tua juventude, uma vez mais cumprirei o teu desejo”. Então Ele disse à Corte Celestial: ”Porque haveis lutado valentemente, pelo bem da vossa caridade, terei piedade por ora".

Vede, re-edificarei meu muro pelos vossos rogos. Salvarei e curarei os oprimidos pela força e os honrarei cem vezes pelo abuso que sofreram. Se os que fazem violência pedem misericórdia, terão paz e misericórdia. Aqueles que a desprezam, sentirão Minha justiça”. Então Ele disse à sua esposa:” Esposa minha, te escolhi e te revesti com Meu Espírito. Tu escutas Minhas palavras e as dos meus santos. Embora os santos vejam da mesma forma todas as coisas em mim, já que são espíritos, Eu agora vou também mostrar-te o que todas essas coisas significam. Afinal, tu que ainda estás no corpo, não me podes ver da mesma forma que eles, que são meus espíritos. Agora te mostrarei o que significam estas coisas.

A fortaleza da qual tenho te falado é a Santa Igreja, que construí com meu próprio sangue e o dos santos. Eu mesmo a cimentei com minha caridade e depois coloquei nela meus eleitos e amigos. Seu fundamento é a fé, ou seja, a crença em que Sou um Juiz justo e misericordioso. Este fundamento tem sido agora deturpado porque todos crêem e pregam que sou misericordioso, mas quase ninguém crê que Eu seja um Juiz justo. Consideram-me um juiz iníquo. De fato, um juiz seria iníquo, se, à margem da misericórdia, deixasse os maus sem castigo de forma que pudessem continuar oprimindo os justos.

Eu, porém sou um Juiz justo e misericordioso e não deixarei que o mínimo pecado fique sem castigo nem que o menor bem fique sem recompensa. Pelos buracos perfurados no muro, entram na Santa Igreja pessoas que pecam sem medo, que negam que Eu seja justo e atormentam meus amigos como se os cravassem em estacas. A estes meus amigos não se dá alegria nem consolo. Pelo contrário, são castigados e injuriados como se fossem demônios. Quando dizem a verdade sobre mim, são silenciados e acusados de mentir. Eles anseiam com paixão ouvir ou falar a verdade, mas não há ninguém que os escute nem quem lhes diga a verdade.

Além disso, Eu, Deus Criador, estou sendo blasfemado. As pessoas dizem: ”Não sabemos se Deus existe. E, se existe, não nos importa.” Jogam no chão minha bandeira e a pisoteiam dizendo: “Porque sofreu? Em que nos beneficia? Se cumpre nossos desejos estaremos satisfeitos, que mantenha Ele seu reino em seu Céu! “Quando quero entrar neles, dizem: ”Antes morrermos que submeter nossa vontade!” Dá-te conta, esposa minha, que tipo de gente é! Eu os criei e posso destruí-los com uma palavra! Que soberbos são para comigo! Graças aos rogos de minha Mãe e de todos os santos, permaneço misericordioso e tão paciente que estou desejando enviar-lhes palavras da minha boca e oferecer-lhes misericórdia. Se a quiserem aceitar, terei compaixão.

Do contrário, conhecerão minha justiça e, como ladrões, serão publicamente envergonhados diante dos anjos e dos homens e condenados por cada um deles. Como os criminosos são colocados nas forcas e devorados pelos corvos, assim eles serão devorados pelos demônios, mas não serão consumidos. Como as pessoas amarradas em cepos não podem descansar, eles padecerão dor e amargura em todas as partes.

Um rio de fogo entrará por suas bocas, mas seus estômagos não serão saciados e sua sede e suplício se reavivarão a cada dia. Porém, meus amigos estarão a salvo, e serão consolados pelas palavras que saem de minha boca.

Eles verão minha justiça junto de minha misericórdia. Revesti-los-ei com as armas do meu amor, que os tornarão tão fortes que os adversários da fé escorrerão diante deles como o barro; quando virem minha justiça, cairão em vergonha perpétua por haverem abusado de minha paciência.

As Revelações Celestiais de Santa Brígida da Suécia

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Imitação de Cristo III - Cap 2 - Que a verdade fala dentro de nós, sem estrépito de palavras



1 - A ALMA FIEL: Falai, Senhor, que o vosso servo escuta: Vosso servo sou eu, daí-me inteligência para que conheça os vossos ensinamentos. Inclinai meu coração às palavras de vossa boca; nele penetre, qual orvalho, vosso discurso (1Rs 3,10; Sl 118.36.125; Dt 32,2). Diziam, outrora, os filhos de Israel a Moisés: Fala-nos tu e te ouviremos; não nos fale o Senhor, para que não morramos (Êx 20,19). Não assim, Senhor, não assim, vos rogo eu; antes, como o profeta Samuel, humilde e ansioso, vos suplico: Falai, Senhor, que o vosso servo escuta. Não fale Moisés, nem algum dos profetas, mas falai-me de vós, Senhor, Deus, que inspirastes e iluminastes todos os profetas, porque vós podeis, sem eles, me ensinar perfeitamente, ao passo que eles, sem vós, de nada me serviriam.

2 - Podem muito bem proferir palavras, mas não conseguem dar o espírito; falam com muita elegância, mas, se vós vos calais, não inflamam o coração. Ensinam a letra; vós, porém, explicais o sentido. Propõem os mistérios, mas vós descobris a significação das figuras. Proclamam os mandamentos, mas vós ajudais a cumpri-los. Mostram o caminho, mas vós dais força para segui-lo. Eles regam a superfície, mas vós dais a fecundidade. Eles clamam com palavras, mas vós dais a inteligência ao ouvido.

3 - Não me fale, pois, Moisés, mas vós, Senhor meu Deus, Verdade eterna, para que não morra sem ter alcançado fruto algum, se só for admoestado por fora e não abrasado interiormente; e não seja minha condenação a palavra ouvida e não praticada, conhecida e não amada, criada e não observada. - Falai, pois, Senhor, que o vosso servo escuta; porque possuís palavras de vida eterna (1 Rs 3,10; Jo 6,69). Falai-me para consolação de minha alma e emenda de minha vida, também para louvor, glória e perpétua honra vossa.



Tomás de Kempis, Imitação de Cristo

As Revelações Celestiais de Santa Brígida da Suécia - Livro 1, Capítulo IV



Capítulo 4: Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo à sua esposa nas quais lhe diz que não se preocupe nem pense que o que se revela a ela proceda de um espírito maligno, e sobre como distinguir um Espírito bom de um mau.


Eu sou teu Criador e Redentor. Porque tens temido minhas palavras? Porque te tens perguntado se procedem de um espírito bom ou de um mau? Diga-me, tens encontrado algo em minhas palavras que não te tenha ditado tua própria consciência? Ordenei-te algo contrario a razão? A isto a esposa respondeu: ”Não, ao contrario, tuas palavras são verdadeiras e eu estava errada.” O Espírito, seu Esposo, acrescentou: ”Eu te ordenei três coisas. Nelas poderias reconhecer o bom espírito. Ordenei-te que honrasses o teu Deus que te criou e te tem dado tudo o que tens. Ordenei-te que te mantivesses na verdadeira fé, ou seja, que cresses que nada se criou nem se pode criar sem Deus. Também te ordenei que mantivesses uma razoável temperança em todas as coisas, pois o mundo foi feito para uso do homem, afim de que as pessoas o aproveitem para suas necessidades.

Da mesma forma, também podes reconhecer o espírito imundo por três coisas contrarias a estas: Ele tenta para que te elogies a ti mesma e te orgulhes do que te foi dado; Ele tenta para que atraiçoes tua própria fé; também te tenta a impureza em todo o corpo e em todas as coisas, e faz com que teu coração arda por isso.

Às vezes também engana as pessoas sob a forma de bem. Por isso te tenho ordenado que sempre examines tua consciência e que a exponhas a prudentes diretores espirituais. Por isso não duvides de que o bom espírito de Deus esteja contigo quando não desejas outra coisa a não ser a Deus e Dele te inflames toda. Só Eu posso criar esse fervor e assim, é impossível ao demônio aproximar-se de ti. Também não é possível para ele aproximar-se das pessoas, a menos que Eu o permita, seja pelos pecados humanos ou por algum de meus desígnios ocultos, porque ele é minha criatura como todas as demais, e foi criado bom por mim, embora tenha se pervertido por sua própria maldade. Portanto, Eu sou Senhor sobre ele.

Por esta razão me acusam falsamente aqueles que dizem que as pessoas que me rendem grande devoção estão loucas ou possuídas. Fazem-me parecer como um homem que exponha a sua casta e fiel mulher a um adúltero. Isso é o que Eu seria se deixasse que alguém que me amasse plena e retamente fosse possuído por um demônio. Mas como Eu sou fiel, nenhum demônio poderá nunca controlar a alma de nenhum dos meus devotos servidores. Embora meus amigos, às vezes pareçam estar quase fora de sua razão, não é porque sofram devido ao demônio, nem porque me sirvam com fervorosa devoção. Mas se deve a algum defeito do cérebro ou a alguma outra causa oculta que serve para humilhá-los. Às vezes, também pode ocorrer que o demônio receba de Mim um poder sobre os corpos das pessoas boas, para um maior beneficio delas, ou que obscureça suas consciências. Entretanto, nunca poderá conseguir o controle das almas que têm fé e se deleitam em Mim.

As Revelações Celestiais de Santa Brígida da Suécia

Comentário ao Evangelho do dia (19/04) feito por São Tomás de Aquino



(1225-1274), Teólogo dominicano, Doutor da Igreja
Hino eucarístico «Adoro te devote»

«A Minha carne é uma verdadeira comida e o
meu sangue uma verdadeira bebida»
Adoro-Te com amor, Deus escondido,
Que sob estas espécies és presente.
Dou-Te o meu coração inteiramente,
Em Tua contemplação desfalecido.

A vista, o tacto, o gosto nada sabem,
Só no que o ouvido sabe se há-de crer.
Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer:
Nada mais verdadeiro pode ser
Do que a própria Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta a divindade,
Aqui também o está a humanidade.
E contudo, eu creio e o confesso
Que ambas aqui estão na realidade,
E o que pedia o bom ladrão eu peço.

Não vejo as chagas, como Tomé,
Mas confesso-Te meu Deus e meu Senhor.
Faz-me ter cada vez em Ti mais fé,
Uma esperança maior e mais amor.

Ó memorial da morte do Senhor!
Ó vivo pão que ao homem dás a vida!
Que a minha alma sempre de Ti viva!
Que sempre lhe seja doce o Teu sabor!

Créditos: Evangelho Quotidiano

O sofrimento expiatório, a união com Cristo e a alegria dessa união - Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)



Edith Stein


Toda soma de falhas humanas, desde a queda originária até o dia do juízo final, deve ser extirpada pela proporção correspondente de atos de expiação.


A via crucis é essa expiação. As três quedas sob o peso da cruz correspondem à tripla queda da humanidade: o primeiro pecado original, a rejeição do redentor por seu povo eleito, a decadência daqueles que trazem o nome de cristãos. O Salvador não está sozinho na via crucis e ao seu redor não há apenas inimigos, que o oprimem, mas também pessoas que lhe dão apoio: como protótipo originário dos seguidores da cruz, em todos os tempos, a Mãe de Deus; como tipologia daqueles que aceitam em si o sofrimento que lhes é imposto e experimentam sua bênção na medida em que o carregam, temos Simão Cirineu; como representante dos que amam, que são impingidos a servir o Senhor, temos Verônica. Cada um que, no correr dos tempos, carrega com paciência um destino pesado, pensando no Salvador sofredor, ou que assume sobre si voluntariamente ações de expiação, extinguiu com isso algo do violento peso da culpa que pesa sobre a humanidade e ajudou o Senhor a carregar seu peso; mais que isso: Cristo, o cabeça, faz expiações nos membros de seu corpo místico que se colocam à disposição dele de corpo e alma para sua obra de redenção. Podemos admitir que a visão dos fiéis que o seguiram em seu caminho de sofrimento confortou o Salvador na noite em que passou no Monte das Oliveiras, e a força desses que carregam a cruz veio em seu auxílio em todas as quedas.

Os justos da Velha Aliança são os que o acompanham no trecho de caminho entre a primeira e a segunda queda. Os discípulos e as discípulas que se juntaram a Ele durante sua vida terrena são os que auxiliaram no segundo trecho do caminho. Os que amam a cruz que Ele convocou e convoca novamente na história turbulenta da Igreja militante são os companheiros da aliança no fim dos tempos.


Também nós somos convocados para isso. Não se trata, portanto, de uma recordação piedosa das dores do Senhor, quando alguém deseja sofrer, mas voluntariamente a expiação é aquilo que liga verdadeira e realmente, de maneira profunda, com o Senhor. Surge por um lado da ligação já existente com Cristo, isso porque o homem natural foge do sofrimento.


Desejar sofrimentos é algo que só pode alguém a quem se lhe abriu o olhar do espírito para os nexos sobrenaturais do acontecer do mundo; mas isso só é possível acontecer em pessoas onde vive o Espírito de Cristo, que, como membros, recebem do cabeça sua vida - sua força, seu Espírito e sua orientação.


Por outro lado, as ações de expiação ligam ao Cristo de maneira mais íntima, assim como toda e qualquer comunidade vai tornando-se sempre mais íntima com o trabalho conjunto em uma obra, e como os membros de um corpo em sua confluência orgânica vão se tornando cada vez mais fortemente uma unidade. E uma vez que o ser um com o Cristo representa nossa bem-aventurança e o avanço do tornar-se um com Ele, vai constituindo nossa ventura sobre a terra, por isso a via crucis de modo algum está em contraposição com a feliz filiação divina. Ajudar a carregar a cruz de Cristo traz uma pura e intensa alegria, e aqueles que têm o direito e o podem fazer, os edificadores no Reino de Deus, são os mais autênticos filhos de Deus. E assim, a predileção pela via crucis de modo algum significa esquecer que a Sexta-feira da Paixão já se passou e que a obra da redenção está completa. Só os redimidos, só os filhos da graça que podem carregar a cruz de Cristo. É só a partir da unificação com a cabeça divina que o sofrimento humano recebe força expiatória. Sofrer e ser feliz no sofrimento, estar de pé sobre a terra, caminhar por entre os caminhos sujos e tortuosos desse mundo, no entanto reinar junto com Cristo à direita do Pai, rir e chorar junto com os filhos desse mundo e cantar louvores a Deus sem parar, junto com os coros dos anjos, isso é a vida do cristão até que irrompa a manhã da eternidade.


Sta Teresa Benedita da Cruz, Teu coração deseja mais.

Fonte: Blog GRAA
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