quinta-feira, 17 de abril de 2025

Como os Anjos oram por nós durante a Santa Missa




É certo que os Anjos estão presentes à Santa Missa. A Igreja o afirma. Já o Profeta Real canta:

"Ordenou a seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos. (Sl 90 (91), 11)” 

Segue-se disto que os Anjos nos acompanham os passos. Quando, porém, nos dirigimos para o altar do Senhor, é, com mais alegria, com maior satisfação, que desempenham o seu ofício, afugentando os maus espíritos que querem perturbar-nos a devoção, impondo silêncio ao seu cochichar dissipado que chamamos de distrações. Há, pelo menos, o mesmo número de Anjos presentes à Santa Missa que de pessoas, visto que cada assistente tem seu Anjo da Guarda, que lhe ajuda a orar e adorar a Jesus Cristo sobre o altar. Pede, pois, ao teu que ouça a Santa Missa por ti e contigo e sua oração inflamada suprirá as misérias da tua. 

Além dos Anjos da Guarda, príncipes da milícia celeste estão igualmente presentes no altar, porque o Rei dos Anjos, descendo do céu, em pessoa, convém que seus ministros rodeiem e lhe prestem homenagens. 

Assistindo à Santa Missa, podemos, pois, dizer a Deus com o Rei Davi: 

“Adorar-vos-ei, no vosso santo tabernáculo, cantarei vossos louvores, na presença dos espíritos celestes e bendirei vosso santo nome. (Sl 137 (138), 1-2).” 

Estás, portanto, ajoelhado no meio destes espíritos puros que ouvem a Santa Missa contigo e oram, ardentemente, por tua salvação. 

Diz São João Crisóstomo: 

“Lembra-te, ó homem, junto de quem te achas, durante este misterioso Sacrifício. Estás entre Querubins e Serafins, entre as Potências Celestiais. Comporta-te, pois, de modo a não entristecê-los com a tua impiedade, pelo contrário, regozija-os com o teu fervor.”


Quando o sacerdote celebra o sublime e temível Sacrifício, os Anjos assistem-no, e, em coro, elevam a voz para cantar a glória d’Aquele que se imola sobre o altar. Neste momento, não oram somente os homens, mas os próprios Anjos dobram de joelhos ante Deus e intercedem por nós; e esta oração dos Anjos é mais poderosa do que a nossa. É o tempo propício, pois, o Santo Sacrifício está ao dispor destas potências celestes. Entretanto, unidos os nossos rogos aos dos Anjos, os nossos pedidos atravessam as nuvens e são mais facilmente ouvidos do que se tivéssemos orado em casa, sozinhos. 

Os Anjos não somente estão presentes à Santa Missa, como também oferecem ao Altíssimo o Santo Sacrifício e as nossas orações. São João viu-os nesta sublime função e no-lo refere assim: 

“Veio então o Anjo e se pôs ante o altar, trazendo um turíbulo de ouro; e lhe foram dados muitos perfumes, a fim de que fizesse a oferta das orações de todos os Santos sobre o altar de outro, que está diante do trono de Deus. E a fumaça dos perfumes, emanados das orações dos santos, subiu da mão do Anjo até a presença de Deus. (Ap 8, 3-4)” 

Assim os Anjos apressam-se em recolher tuas orações durante a Santa Missa, para levá-las ao céu e espalhá-las, como perfume, em presença de Deus. E, se estas orações são unidas às de Jesus Cristo e dos Anjos, seu perfume é infinitamente agradável à Divina Majestade e tem uma eficácia muito maior, que todas as orações feitas fora da Santa Missa. Novo motivo, pois, para assistires, todos os dias, ao Santo Sacrifício, onde tão poderosos Anjos te esperam e transmitem-te os votos a Deus, vivificando-os com os seus santos ardores.” 

(A Santa Missa para Leigos: Uma Explicação do Santo Sacrifício da Missa, por Frei Martinho de Cochem)

terça-feira, 15 de abril de 2025

A Santa Missa é a maior alegria dos Santos

Devemos ainda expor de que vantagem a Santa Missa é para os outros Santos. Devemos homenagem aos Santos. Eles são amigos de Deus que os honra; seguem Cristo vestidos de branco, porque disso são dignos (Ap 3, 5); e é deles que Nosso Senhor diz: “Quem vos glorifica, a mim glorifica.”

Durante a vida fugiram das honras, desprezaram-se a si próprios, sofreram com paciências as injúrias, os insultos, as perseguições dos maus. Por essa razão Deus manifesta-lhes a inocência e a virtude e quer que sejam reverenciados por toda a cristandade.

A história de Mardoqueu, que nos refere a Sagrada Escritura, é disso um exemplo. O piedoso servo de Deus viu-se cruelmente perseguido pelo orgulhoso Amã. Deus, porém, desfez as intenções perversas do favorito do Rei Assuero e glorificou a Mardoqueu diante de todo o povo. Quando o rei perguntou a Amã: Que se deve fazer para honrar aquele que o Rei deseja cumular de honra? Este, pensando que se tratava de sua pessoa, respondeu: É preciso que traga vestidos reais; que, montado no mesmo cavalo que o rei costuma montar, tenha, na cabeça, um diadema real; que o primeiro príncipe da corte lhe conduza o cavalo e, percorrendo as praças e as ruas da cidade, exclame: 

É assim que será honrado aquele a quem o rei deseja honrar. 

O rei lhe respondeu:  Depressa, toma um vestido e uma montada e trata, como disseste, ao judeu Mardoqueu que está à porta do palácio, e cuida em não omitir coisa alguma de quanto acabas de dizer (Es 6). 

Se um rei pagão remunerou assim o serviço de um homem, que glória não reservará Deus aos seus servos fiéis?! De que magnificência não os cercará no dia de sua feliz entrada no céu e quando a Igreja celebra a sua festa na terra! 

Sob inspiração do Espírito Santo, a Igreja exprime a admiração por seus filhos vitoriosos com os ofícios próprios do breviário, com cânticos, prédicas, procissões, peregrinações, mas, principalmente, pelo Sacrifício da Missa. Assim será honrado a quem o Rei dos Céus quiser honrar. 

Na verdade, a honra mais excelente é prestada aos Santos pelo Santo Sacrifício do Altar, se mandamos celebrá-lo ou, se o assistimos, com a intenção de aumentar-lhes a honra acidental. 

Para honrar um príncipe dá-se, às vezes, uma representação teatral, e, se bem que, na peça não se faça menção dele, o príncipe nisto experimenta prazer. Da mesma maneira, apesar de, na Santa Missa, representar-se só a vida e paixão do Divino Salvador, os Santos sentem grande alegria e delícias singulares, quando este espetáculo se realiza em sua honra, e todo o céu se regozija. 

Quando o sacerdote pronuncia o nome dos Santos, o coração se lhes enternece, porque, observa São João Crisóstomo, tendo o rei alcançado a vitória, o povo, querendo lhe exaltar os feitos, nomeará também os companheiros de armas do herói que, valentemente, destroçou o inimigo. Da mesma forma, é uma grande honra para os Santos serem nomeados, em presença de seu Divino Mestre, do qual se celebram, como em triunfo, a paixão e a morte, ouvindo louvar as vitórias alcançadas sobre o inimigo infernal.” 

(A Santa Missa para Leigos: Uma Explicação do Santo Sacrifício da Missa, Frei Martinho de Cochem)


A Santa Missa é a maior alegria da Mãe de Deus





A Mãe de Deus e todos os Santos gozam de uma felicidade dupla: da bem-aventurança essencial e da bem-aventurança acidental. A primeira consiste na vista e na posse de Deus, conforme o grau de glória, na qual foram confirmados, no momento de sua entrada no céu. Esta bem-aventurança essencial não pode aumentar nem diminuir. A bem-aventurança acidental consiste nas honras particulares que Deus, os outros Santos e os homens rendem aos felizes habitantes do céu. Podemos acreditar, por exemplo, que, quando celebramos sua festa aqui na terra, eles recebem no céu honras particulares e que todas as nossas orações e boas obras feitas em sua honra lhes sejam apresentadas por nossos Anjos como um ramalhete de perfume delicioso. 

As revelações de Santa Gertrudes confirmam esta crença, e o Evangelho a indica, claramente, por estas palavras de Nosso Senhor: 

“Assim vos digo que haverá mais júbilo entre os Anjos de Deus por um pecador que faz penitência. (Lc 15, 10)” 

Esta alegria se renova pelo Bom Pastor, pelos Anjos e pelos Santos a cada volta de uma ovelha desgarrada, porém, cessa logo que o pecador deixa de novo o aprisco por uma recaída no pecado. 

Este curto esclarecimento fará compreender em que sentido a Santa Missa é a maior alegria de Maria Santíssima: é a maior alegria acidental e ultrapassa todas as outras felicidades desta ordem.

Se, em honra da Rainha do Céu, recitasses o terço, o ofício, as ladainhas, ou entoasses cânticos, enquanto um outro assistisse, piedosamente, à Santa Missa, este último cumpriria um ato de religião muito superior e, de mais, causaria um prazer infinitamente maior à Santíssima Virgem. 

O que torna ainda a Santa Missa muito cara à Mãe de Deus, é o zelo que tem pela glória de Deus, que a Divina Majestade faz consistir, sobretudo, na salvação das almas. Pelo Santo Sacrifício do Altar, prestamos à Augusta Trindade a única homenagem digna d’Ela e lhe oferecemos, ao mesmo tempo, o preço da redenção do gênero humano. Ainda uma vez, que prazer agradável, suave, perfeito para Maria Santíssima ver-nos cercar o altar, onde seu amado Filho é adorado, onde choramos os nossos pecados, onde contemplamos a Dolorosa Paixão e onde o Precioso Sangue é derramado sobre nossas almas! 

Daí compreenderás facilmente com que benevolência a Santa Virgem acolhe a prece dos cristãos devotos do Santo Sacrifício da Missa. Refere Barônio: 

“Em 989, Roberto, Rei da França, sitiava o castelo de São Germano. Os moradores defenderam-se, heroicamente, e muito sofreu o exército do rei. No sexto dia, Roberto exasperado ordenou o assalto; era para tudo temer. Os sitiados amedrontados dirigiram-se ao Bem-Aventurado Gilberto, monge beneditino. Este os exortou a confiar em Maria Santíssima e celebrou a Santa Missa em honra da Mãe de Deus, em seu altar, com piedosa assistência dos guerreiros do castelo. Ora, enquanto todos estavam em oração, um nevoeiro espesso envolveu a fortaleza e seus arredores. O ataque tornou-se impossível, ao passo que, do alto das torres, a guarnição, perfeitamente livre, seguia todos os movimentos dos assaltantes e lhes infligia perdas consideráveis. 

Roberto, vendo suas tropas muito enfraquecidas, levantou o sítio, e retirou-se apressadamente.” 

Sem dúvida, Maria nem sempre responde com milagres estrondosos aos nossos clamores de angústia, porém, nunca a invocamos em vão; e como ela está, por sua dignidade de Mãe de Deus, incomparavelmente mais próxima da Santíssima Trindade do que os outros Santos, sua intercessão é também mais poderosa do que a deles.” 

(A Santa Missa para Leigos: Uma Explicação do Santo Sacrifício da Missa, por Frei Martinho de Cochem)

segunda-feira, 14 de abril de 2025

A importância da Santa Missa...




Jesus Cristo reservou a Santa Missa somente para si, porque só Ele, Verbo Eterno, pode oferecê-la de maneira soberanamente agradável à Santíssima Trindade! Segue-se daí que toda Missa é de um valor infinito, pois é celebrada pelo próprio Jesus Cristo com uma devoção, um respeito, um amor acima do entendimento dos Anjos e dos homens. 

Jesus Cristo mesmo revelou esta verdade a Santa Matilde, disse: 

“Só eu compreendo perfeitamente de que forma me imolo, todos os dias, sobre o altar pela salvação dos fiéis; os querubins e os serafins, nenhuma potestade celeste, saberiam compreendê-la inteiramente.”

Ó meu Jesus! Que impenetrável mistério e que felicidade para nós pobres pecadores, sermos admitidos à Santa Missa, onde efetuais essa salutar oblação! 

Caro leitor, considera bem estas palavras e quanto te é vantajoso assistir à Santa Missa, Nosso Senhor se oferece nela por ti; faz-se o mediador entre tua culpabilidade e a justiça divina, e retém o castigo que merecem cada dia os teus pecados. Ó, se abrisse bem os olhos a esta verdade, como amarias a Santa Missa; como suspirarias pela felicidade de assisti-la; como a ouvirias devotamente; como te lastimarias por faltar a uma só! Para poupar um tal prejuízo à tua alma, suportarias, de boa vontade, qualquer dano temporal. 

Os primeiros cristãos nos deixaram o exemplo disto; preferiam perder a vida a deixar de assistir à Santa Missa.” 

(“A Santa Missa para Leigos: Uma Explicação do Santo Sacrifício da Missa” por Frei Martinho de Cochem)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

«De onde Lhe vem tudo isto? [...] Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria?» (Comentário por São Boaventura)



    O Senhor Jesus, regressando do Templo e de Jerusalém a Nazaré com seus pais, viveu com eles até aos trinta anos «e era-lhes submisso» (Lc 2,51). As Escrituras não nos dizem o que Ele fez durante todo este tempo, o que é bastante surpreendente. [...] Mas, se olharmos com atenção, veremos claramente que, não fazendo nada, fazia maravilhas. Com efeito, todos os seus gestos revelam o seu mistério. E, assim como agia com poder, também Se calou com poder, permanecendo recolhido na obscuridade com poder. O Mestre soberano, que veio ensinar-nos os caminhos da vida, começa desde a sua juventude a fazer obras poderosas, mas de uma forma surpreendente, incógnita e inconcebível, parecendo aos olhos dos homens inútil, ignorante e a viver no opróbrio. [...]

    Ele apreciava esta maneira de viver, para ser julgado por todos como um ser pequeno e insignificante como fora anunciado pelo profeta, que dissera em seu nome: «Sou um verme e não um homem» (Sl 22,7). Era isso que Ele fazia, não fazendo nada: tornar-Se desprezível [...]; parece-te pouca coisa? Não era Ele que tinha necessidade disso, evidentemente, somos nós, pois não conheço coisa mais difícil nem mais grandiosa. Parece-me que chegaram ao mais alto grau aqueles que, de todo o seu coração e sem fingimento, se possuem o suficiente para não quererem de outrem senão o desprezo, não contar para coisa alguma e viver em abaixamento extremo. É uma vitória maior que a tomada de uma cidade.


Fonte: Evangelho Quotidiano


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Lei dolorosa, lei de vida! - Beato Maria Eugênio do Menino Jesus

Beato Maria-Eugênio do Menino Jesus - Instituto Hesed
Beato Maria Eugénio do Menino Jesus (1894-1967)

carmelita, fundador de Notre Dame de Vie

  

 Nosso Senhor diz-nos: «Se não fizerdes penitência, perecereis todos» (Lc 13,3) - lei verdadeiramente austera. Jesus especifica a qualidade do esforço que exige: «O Reino de Deus sofre violência e só os violentos o arrebatam» (Mt 11, 12). Todos os discípulos de Cristo devem, portanto, ser pessoas violentas, porque o preceito formal do Mestre não pode ser cumprido sem fazermos violência a nós próprios: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16,24). 

Por isso, não há outro caminho de subida para Deus senão o caminho do Calvário, tão amargo e sangrento como a subida do Carmelo. Aos discípulos de Emaús, ainda escandalizados com o drama do Calvário, Jesus pergunta: «Não era necessário que o Filho do Homem sofresse antes de entrar na glória?» (Lc 24,26), proclamando a lei que impôs a Si próprio e que também eles terão de suportar, pois «o discípulo não está acima do Mestre. Se o mundo Me odiou, também vos odiará a vós; se Me perseguiu, também vos perseguirá a vós. [...] Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos» (Mt 10,24.16; cf Jo 15,18.20) Esta lei dolorosa é uma lei de vida [...]. 

Queremos esquecer que Cristo Jesus não anunciou outra vitória senão a da cruz do Calvário, outra vingança sobre os seus inimigos senão a do dia em que virá sobre as nuvens do céu com a sua cruz para julgar os vivos e os mortos. Nesse dia, só triunfarão com Ele os que tiverem passado pela grande tribulação e tiverem sido purificados com o sangue do Cordeiro (cf Ap 7,14).

 



Ascese Teresiana
Fonte: Evangelho Quotidiano

 

sexta-feira, 17 de março de 2023

As armas do cristão contra o demónio - Por São João Maria Vianney




Um cristão que usa santamente a oração e os sacramentos é tão temível para o demónio como um dragão montado num corcel, de olhos chispantes, armado com a sua couraça, o sabre e as pistolas, diante de um inimigo desarmado: a sua simples presença obriga-o a fazer meia volta e fugir. Mas, se desmontar do cavalo e abandonar as armas, imediatamente o inimigo o derruba, o esmaga aos pés e o domina. [...] Um cristão que reza e que frequenta os sacramentos com as necessárias disposições é mais temível para o demónio que este dragão de que vos falei [...]. 

Porquê? Porque os sacramentos nos dão tanta força para perseverarmos na graça de Deus que nunca se viu um santo afastar-se dos sacramentos e perseverar na amizade com Deus; e a razão é que foi nos sacramentos que encontraram todas as forças para não se deixarem vencer pelo demónio. Quando rezamos, Deus dá-nos amigos, enviando-nos, ora um santo, ora um anjo, para nos consolar [...] e fazendo-nos sentir a sua graça com mais abundância, para nos fortalecer e nos encorajar. Nos sacramentos, porém, não é um santo nem um anjo, é Ele próprio que vem aniquilar o nosso inimigo com os seus raios. Ao vê-lo no nosso coração, o demónio precipita-se desesperadamente nos abismos; é precisamente por isso que o demónio faz tudo quanto pode para nos afastar deles e nos levar a profaná-los. Sim, meus irmãos, quando uma pessoa frequenta os sacramentos, o demónio perde por completo o seu poder.

 

Sermão para o 2.º Domingo depois da Páscoa
Fonte: Evangelho Quotidiano

 

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