segunda-feira, 22 de abril de 2013
Imitação de Cristo III - Cap 3 - Como as palavras de Deus devem ser ouvidas com humildade e como muitos não as ponderam
1 - JESUS: Ouve, filho, as minhas palavras, palavras suavíssimas que excedem toda a ciência dos filósofos e sábios deste mundo. As minhas palavras são espírito e vida (Jo 6,64), e não se devem interpretar humanamente. Não devem ser abusadas para vã complacência, mas devem ser ouvidas em silêncio e recebidas com máxima humildade e grande afeto.
2 - A ALMA: E disse eu: Bem-aventurado o homem a quem instruís, Senhor, e lhe ensinais a vossa lei, para suavizar-lhe os dias maus e dar-lhe consolo neste mundo (Sl 93, 12.13).
3 - JESUS: Eu, diz o Senhor, desde o princípio ensinei aos profetas e ainda agora não cesso de falar a todos; mas muitos são insensíveis e surdos à minha voz. A muitos agrada mais a voz do mundo que a de Deus; mais facilmente seguem os apetites da carne que o preceito divino. O mundo promete apenas coisas temporais e mesquinhas e é servido com grande ardor; eu prometo bens sublimes e eternos, e só encontro frieza nos corações dos mortais. Quem há que me sirva e obedeça em tudo com tanto empenho como se serve ao mundo e aos seus senhores? Envergonha-te, Sidon, diz o mar (Is 23,
4)- E se queres saber por que, ouve o motivo: Por um pequeno salário se empreendem grandes viagens, e pela vida eterna muitos nem dão um passo sequer. Busca-se o lucro vil; por um vintém, às vezes, há torpes brigas; por uma ninharia e promessa mesquinha não se teme a fadiga, nem de dia, nem de noite.
4 - Mas que vergonha! Pelo bem imutável, pelo prêmio inestimável, para honra suprema e pela glória sem fim, o menor esforço nos cansa. Envergonha-te, pois, servo preguiçoso e murmurador, por serem os mundanos mais solícitos para a perdição que tu para a salvação. Procuram eles com mais gosto a vaidade que tu a verdade. Entretanto, não raro, sua esperança os engana; mas minha promessa a ninguém falta, nem despede com as mãos vazias ao que em mim confia. Darei o que prometi, cumprirei o que disse, contanto que se persevere fiel no meu amor até ao fim. Eu sou quem 2. remunera todos os bons e sujeita a provas duras todos os devotos.
5 - Grava minhas palavras em teu coração e medita-as atentamente, porque te serão muito necessárias na hora da tentação. Coisas que agora não entendes quando lês, entenderás quando eu te visitar. De dois modos costumo visitar meus eleitos: pela tentação e pela consolação. E duas lições lhes dou cada dia: numa repreendo-lhes os vícios e noutra exorto-os ao progresso na virtude. Quem ouve a minha palavra e a despreza, por ela será julgado no último dia.
Tomás de Kempis, Imitação de Cristo
Comentário ao Evangelho do dia (22/04) feito por Beato John Henry Newman
(1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «O Pastor das nossas almas», PPS, t. 8, n° 16
«Vai à frente delas, e as ovelhas seguem-No»
«Contemplando a multidão, [Jesus] encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor» (Mt 9,36). [...] As ovelhas estavam dispersas porque não havia pastor. [...] Assim era no mundo inteiro quando Cristo veio na Sua misericórdia infinita «para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11,52). E se, por um momento, foram de novo deixadas sem guia, quando na Sua luta o bom pastor deu a vida pelas Suas ovelhas – segundo a profecia: «Fere o pastor, para que Se dispersem as ovelhas» (Zc 13,7) –, logo, porém, ressuscitou de entre os mortos para viver para sempre, segundo uma outra profecia: «Aquele que dispersou Israel vai reuni-lo e guardá-lo como o pastor ao seu rebanho» (Jr 31, 10).
Como o diz Ele mesmo na parábola que nos propõe, «chama as Suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair [...], vai à frente delas, e as ovelhas seguem-No, porque reconhecem a Sua voz». Assim, no dia da ressurreição, como Maria estivesse a chorar, chamou-a pelo nome (Jo 20, 16), e ela voltou-se e reconheceu pela voz Aquele que não havia reconhecido pela vista. De igual modo, disse a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me?», e acrescentou: «Segue-Me!» (Jo 21,15.19). Do mesmo modo, disseram Ele e o Seu anjo às mulheres: «Ele [...] vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis.»; «Ide anunciar aos Meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão» (Mt 28,7.10). Desde então o bom pastor, que tomou o lugar das Suas ovelhas e que morreu para que elas pudessem viver para sempre, precede-as, e elas «seguem o Cordeiro para toda a parte» (Ap 14, 4).
Créditos: Evangelho Quotidiano
domingo, 21 de abril de 2013
Comentário ao Evangelho do dia (21/04) feito por São Gregório Magno
Homilias sobre o evangelho, nº 14 (trad. Breviário)
«Dou-lhes a vida eterna»
O Senhor diz: «As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as e elas seguem-Me; e dou-lhes a vida eterna.» Delas tinha dito um pouco antes: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem» (Jo 19, 9). Entrará efectivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno.
As Suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.
Procuremos pois, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do céu. A alegria festiva dos bem-aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa inspiração pelas coisas do céu. Amar assim já é caminhar. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem até ao fim.
Créditos: Evangelho Quotidiano
Propósito como sacerdote escrito por São João Bosco por ocasião de sua ordenação
1 - Jamais darei um passeio sem necessidade.
2 - Ocuparei escrupulosamente o tempo.
3 - Sempre que se tratar da salvação das almas, encontrar-me-ão pronto a sofrer, a agir, a humilhar-me.
4 - A caridade e a doçura de São Francisco de Sales iluminem todas as minhas ações.
5 - Mostrar-me-ei sempre contente com o alimento que me derem, a não ser que seja realmente prejudicial à saúde.
6- Tomarei vinho sempre "batizado" e só como remédio, isto é, nos dias e na medidae que minha saúde exigir.
7 - Como o trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos de minha salvação, darei ao sono apenas cinco horas por noite. Durante o dia, e especialmente depois da refeição não repousarei nunca a não ser em caso de doença.
8 - Consagrarei todos os dias alguns momentos à meditação e à leitura espiritual. Durante o dia farei uma breve visita ou pelo menos uma oração ao Santíssimo Sacramento. Minha preparação para a Missa durará um quarto de hora. O mesmo se diga da ação de graças.
9 - Fora do Tribunal da Penitência e salvo rarissímas exceções necessárias, nunca me deterei a conversar com mulheres."
Retirado do livro Dom Bosco de A. Auffray SDB
Fonte: Blog Santa Igreja (Missa Gregoriana - CE). Com adaptações.
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Ó Virgem Maria, dá-me um coração bom - Santa Edith Stein
Ó doce mãe Maria, dá-me um coração
Cheio de vitalidade, aberto como o coração de teu filho,
E transparente como as águas de uma fonte clara.
Dá-me um coração nobre e corajoso, que não se aborrece,
Nem sequer liga para as chateações sofridas;
Um coração despreocupado que se doa alegremente;
Um coração que conhece as fraquezas,
E por isso as sente e as experimenta interiormente;
Um coração profundo e agradecido,
Que não faz descaso das coisas pequenas.
Dá-me um coração suave e humilde,
Que ama sem reivindicar amor em troca,
Que, cheio de alegria, libera espaço
Noutro coração para teu filho;
Um coração nobre e vigoroso,
Que não se abate nas decepções;
Que não se dispersa e não se zanga;
Que não se paralisa com as provações;
Que na falta de atenção não perde a sintonia,
Que na indiferença não se desencoraja.
Dá-me, porém, um coração,
Impulsionado pelo amor que tens por Jesus,
Pelo desejo da maior honra e glória de Jesus
E nisso não se detenha,
Até alcançar o céu. Amém.
Edith Stein
Padre Pio de Pietrelcina - Relatos em Suas Cartas sobre a oração.
'' A oração é o pão e a vida da alma; é o ar do coração, não quero ser mais que isto, um frade que ora ''.
''Minha maneira habitual de orar é esta. Nem bem inicio a oração, sinto de repente que a alma começa a recolher-se numa paz e numa tranqüilidade impossíveis de exprimir com palavras. Os sentidos ficam suspensos, com exceção do ouvido, que algumas vezes não fica suspenso; geralmente, porém, esse sentido não me causa aborrecimento, e devo confessar que, ainda que se fizesse um enorme rumor à minha volta, nem por isso conseguiriam me incomodar nem um pouquinho. Por aí o senhor compreenderá que são poucas as vezes em que consigo meditar com o intelecto".
A mim parece que o tempo passa rapidamente e nunca é suficiente para orar. Tenho muito gosto pelas boas leituras; porém, leio bem pouco, não só por estar impossibilitado pelas enfermidades, como porque, abrindo o livro, depois de uma breve leitura, fico profundamente recolhido, de modo que a leitura se torna uma oração".
"Não me cansarei de orar a Jesus. É verdade que as minhas orações são, antes, dignas de castigo que de prêmio, porque desgostei demais a Jesus com meus inumeráveis pecados; mas por fim terá piedade de mim".
'' Veja que fenômeno curioso vem ocorrendo comigo, de certo tempo para cá e, aliás, não é pouca a preocupação que me causa. Na oração, acontece de me esquecer de rezar por quem me pede orações (não por todos, porém) ou por quem eu teria intenção de orar. Esforço-me, antes de começar a rezar,
para recomendar, por exemplo, esta ou aquela pessoa; mas assim que entro em oração, meu Deus, faz-se em minha mente um vazio perfeito e não resta mais nenhum vestígio do que, no entanto, me era tão caro. Outras vezes, ao contrário, estando em oração, sinto-me levado a rezar por quem nunca tive a intenção de rezar e, o que é mais maravilhoso, às vezes por quem jamais conheci, nem vi, nem ouvi e nem recomendou a minhas orações, ainda que fosse por meio de outros. E, cedo ou tarde, o Senhor sempre atende a essas orações".
Creditos: Sociedade das ciências antigas - Vida e obra do Padre Pio.
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sábado, 20 de abril de 2013
A Eficácia da Ave Maria e do Terço - São Luís Maria de Montfort
E eles (S. Domingos, S. João Capistrano e Alano de la Roche) compuseram livros inteiros sobre as maravilhas e eficácia da Ave Maria para a conversão das almas. Altamente publicaram e pregaram que a salvação do mundo começou pela Ave Maria e a salvação de cada um em particular está ligada a essa prece; que foi essa prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida e que é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto da vida, Jesus Cristo; que a Ave Maria é um orvalho celeste que umedece a terra, isto é, a alma, para fazer brotar o fruto no tempo adequado, e que uma alma que não for orvalhada por esta prece ou orvalho celeste não dará fruto algum, nem dará senão espinhos e não estará longe de ser amaldiçoada (Heb 6,8).
No livro "De dignitate Rosarii", do bem aventurado Alano de la Roche lê-se o seguinte que a Santíssima Virgem o revelou: "Saibas, meu filho, e comunica-o a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é a aversão, a tibieza, e negligência em rezar a Saudação Angélica, que foi a reparação em todo mundo. Eis aí palavras consoladoras e terríveis que se custaria a crer, nse não no-las garantissem esse santo homem e antes dele S. Domngos, como, depois dele, muitos personagens fidedignos, com e experiência de muitos séculos.
Pois sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e o Terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o Terço. Trariam antes uma serpente sobre o peito que o Rosário. Os orgulhosos também, embora católicos, mas tendo a mesma inclinação que seu pai Lúcifer, desprezam ou mostram uma indiferença completa pela Ave-Maria, considerando o Terço uma devoção efeminada, suficiente para os ignorantes e analfabetos. Ao contrário tem-se visto e a experiência o prova que aqueles e aquelas que possuem outros e grandes indícios de predestinação, amam , apreciam e recitam com prazer a Ave-Maria. E quanto mais são de Deus, tanto mais amam esta oração. É o que a Santíssima Virgem diz também ao bem-aventurado Alano, em seguida às palavras que citei.
Não sei como isso acontece nem porque,entretanto é verdade e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave Maria ou o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros.
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - S. Luís de Montfort - pags 235-237
Créditos: Católicos Ribeirão/ O Segredo do Rosário
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