sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Santo Afonso de Ligório: Glórias de Maria - aqueduto de graças




Segundo São Bernardo, Deus encheu Maria com todas as graças para que por seu intermédio recebam os homens todos os bens que lhes são concedidos. Faz aqui o Santo uma profunda reflexão, acrescentando: Antes do nascimento da Santíssima Virgem, não existia para todos essa torrente de graças, porque não havia ainda esse desejado aqueduto: Maria foi dada ao mundo – continua ele – a fim de que por seu intermédio, como por um canal, até nós corresse sem cessar a torrente das graças divinas.
Que lhe arrebentassem os aquedutos, foi a ordem dada por Holofernes para tomar a cidade de Betúlia (Jt 7, 6). Assim o demônio também envida todos os esforços para acabar com a devoção à Mãe de Deus nas almas. Pois, cortado esse canal de graças, mui fácil se lhe torna a conquista. Consideremos, portanto, continua São Bernardo, com que afeto e devoção quer o Senhor que honremos esta nossa Rainha. Consideremos o quanto deseja que a ela sempre recorramos e em sua proteção confiemos. Pois em suas mãos depositou a plenitude de todos os bens, para nos tornar cientes de que toda esperança, toda graça, toda salvação, a nós chegam pelas mãos dela. A mesma coisa declara Santo Antônio. Todas as misericórdias dispensadas aos homens lhes têm vindo por meio de Maria.
É por isso Maria comparada à lua. Colocada entre o sol e a terra, a lua dá a esta o que recebe daquele, diz São Boaventura; do mesmo modo recebe Maria os influxos da graça para no-los transmitir aqui na terra.
Pelo mesmo motivo chama-lhe a Igreja “porta do Céu”. Como todo indulto do rei passa pela porta de seu palácio, observa São Bernardo, assim também graça nenhuma desce do céu à terra sem passar pelas mãos de Maria. Ajunta São Boaventura que Maria é chamada porta do céu porque ninguém pode entrar no céu, senão pela porta que é Maria.
Nesse sentimento confirma-nos São Jerônimo no sermão da Assunção, que vem inserido nas suas obras. Nele lemos que em Jesus Cristo reside a plenitude da graça, como na cabeça, de onde se transfunde para nós, que somos seus membros, o vivificador espírito dos auxílios divinos necessários à nossa salvação. Em Maria reside a mesma plenitude como no pescoço, pelo qual passa esse espírito para comunicar-se ao resto do corpo. Com cores mais vivas dá São Bernardo o mesmo pensamento: Por meio de Maria transmitem-se aos fiéis, que são o corpo místico de Jesus Cristo, todas as graças da vida espiritual emanadas de Jesus Cristo, que lhes é cabeça. E com as seguintes palavras procura confirmar isto: Tendo-se Deus dignado habitar no ventre desta Virgem Santíssima, adquiriu ela uma certa jurisdição sobre todas as graças: porque, saindo Jesus Cristo do seu ventre sacrossanto, dele saíram juntamente como de um oceano celeste todos os rios das divinas dádivas. Escrevendo com maior clareza ainda, diz o Santo: A partir do momento que esta Virgem Mãe concebeu em seu ventre o Divino Verbo, adquiriu, por assim dizer, um direito especial sobre os dons que nos provêm do Espírito Santo, de tal modo que criatura alguma recebe graças de Deus, senão por mãos de Maria.
(…)
Lê-se no profeta Isaías (11, 1) que da raiz de Jessé sairia uma haste, isto é, Maria, e dela, uma flor, isto é, o Verbo Encarnado. Sobre essa passagem tece Conrado de Saxônia este belo comentário: “Todo aquele que desejar obter a graça do Espírito Santo, busque a flor em sua haste, isto é, Jesus em Maria. Pois pela haste encontraremos a flor e pela flor chegaremos a Deus. – Se queres possuir a flor, procura com orações inclinar a teu favor a vara da flor e alcançá-la-ás. De outro lado, nota-te as palavras do seráfico São Boaventura, comentando o trecho “Eles encontraram a criança com Maria, sua Mãe”. Ninguém, diz ele, achará jamais a Jesus senão com Maria e por meio de Maria. E conclui que em vão procura Jesus quem não procura achá-lo com sua Mãe. Dizia por isso São Ildefonso: Quero ser servo do Filho; mas como ninguém pode servir ao Filho sem servir também a Mãe, esforço-me, por conseguinte, em servir a Maria.
[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 1, cap. 5, I, Refutação e demonstração; pp. 135-139, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]
[Santo Afonso de Ligório, Glórias de Maria, p. 1, cap. 5, I, Refutação e demonstração; pp. 135-139, Editora Santuário, 20ª edição, Aparecida, 1989]

Fonte: Rainha dos Apóstolos

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Na festa de São Maximiliano Maria Kolbe: “Só vós destruístes todas as heresias no mundo inteiro”.

 

Ó Imaculada,
Rainha do Céu e da Terra,
Refúgio dos pecadores e Nossa Mãe amantíssima,
a quem Deus quis confiar toda a Ordem da misericórdia!
Eu (nome), indigno pecador, me prostro aos vossos pés, suplicando-vos com insistência: Dignai-vos aceitar-me por completo, como coisa e propriedade vossa;
Fazei o que quiserdes de mim,
De todas as faculdades da minha alma e do meu corpo,
De toda a minha vida, da minha morte, da minha eternidade.
Disponde de mim totalmente como vos agradar,
para que se cumpra o que está dito de vós:
“Ela esmagará a cabeça da serpente”, e também:
“Só vós destruístes todas as heresias no mundo inteiro”.
Que em vossas mãos Imaculadas e misericordiosíssimas
Eu seja um instrumento que vos serve a introduzir
e a aumentar o mais possível de vossa glória em tantas almas desgarradas e tíbias.
Assim se estenderá cada vez mais o Reino Bendito do Santíssimo Coração de Jesus.
Pois onde entrais, conseguis a graça da conversão e santificação,
Já que é do Sacratíssimo Coração de Jesus que todas as graças chegam para nós por vossas mãos.
V. Dai-me a graça de vos louvar ó Virgem Santíssima.
R.Dai-me força contra vossos inimigos.
Consagração composta por São Maximiliano Maria Kolbe.

Santa Teresinha - Carta 191 a sua irmã Leôncia


Carta que  Santa Teresinha escreveu a sua irmã Leônia. Leônia é a úncia das irmãs Martin que não possui vocação Carmelita e sim Visitandina, segundo o espírito de São Francisco Sales e Santa Joana de Chantal. Leônia possui uma vida religiosa um tanto tumultuada. Entra na Ordem das Clarissas e ingressa por 2 vezes na Ordem Visitandina sem sucesso. Segundo uma profecia de sua Santa Irmã Teresinha, entra pela 3ª vez na Visitação de Caen de forma definitiva e  se destacará especialmente por sua humildade. A Santa havia profetizado que entraria na Visitação após sua morte e tomaria o seu nome e o de São Francisco Sales, o que aconteceu efetivamente após sua morte. Leônia entrou para a Visitação sob o Nome de Irmã Francisca Teresa.
Carta 191
J.M.J.T
Jesus +
 12 de julho de 1896
 Para Leônia.
Minha querida Leoniazinha,
Teria respondido à tua linda carta se ela me tivesse sido entregue a tempo. Mas nós somos cinco e tu sabes que sou a menor… Portanto, sou destinada a ver as cartas só muito tempo depois das outras ou então nem chegar a vê-las… Só vi tua carta sexta-feira, por isso, querida irmãzinha, não estou atrasada por culpa minha…
         Se soubesses como estou feliz por ver-te em tão boas disposições…
        Não estranho que o pensamento da morte te seja agradável, pois não estás apegada a nada na terra. Asseguro-te que Deus é muito melhor do que imaginas. Contenta-se com um olhar, um suspiro de amor… Quanto a mim, acho a perfeição fácil de praticar, porque entendi que é só pegar Jesus pelo Coração…Veja uma criancinha que acaba de aborrecer a sua mãe, zangando-se ou desobedecendo-lhe; se ela se esconder num canto com ar amuado e gritar por medo do castigo, certamente, a mãe não lhe perdoará a falta; mas se lhe estende os seus bracinhos  sorrindo e dizendo: “dê-me um beijo, não o farei mais”, poderá a mamãe não  apertá-la ao seu coração com ternura e esquecer e esquecer as faltas infantis?… Todavia ela bem sabe que seu querido filho recairá na próxima ocasião, mas isso não importa, se ele a prende de novo pelo coração, jamais será castigado…
         No tempo da lei do temor, antes da vinda de Nosso Senhor, o profeta Isaías já dizia, falando em nome do Rei dos Céus: “Pode, acaso, uma mãe esquecer o próprio filhinho, não se enternecerá pelo fruto das suas entranhas? Pois bem; ainda que uma mãe esquecesse o seu filho, eu, porém, jamais vos esqueceria”. Que linda promessa! Ah!  Nós que vivemos na lei do Amor, como não nos aproveitar dos amorosos convites que nosso Esposo nos faz… Como temermos Aquele que se deixa prender por um cabelo que esvoaça no nosso pescoço?…
        Saibamos então manter prisioneiro esse Deus que se faz mendigo do nosso amor. Ao nos dizer que é um cabelo que pode operar este prodígio, Ele nos mostra que as mínimas ações, feitas por amor, encantam seu coração…
         Ah! Se fosse preciso cumprir grandes coisas, como seríamos dignas de lástima!…Mas como somos felizes, pois Jesus deixa-se prender pelas mais pequeninas…
         Não te faltam pequenos sacrifícios, minha cara Leônia, tua vida está repleta deles… Alegro-me por te ver diante de tal tesouro e, sobretudo, sabendo que sabes aproveitar-te deles, não só para ti, mas também para as almas… É tão bom ajudar Jesus com nossos pequenos sacrifícios, ajudá-Lo a salvar as almas que Ele resgatou com Seu Sangue e que só aguardam o nosso auxílio para não caírem no abismo…
         Parece-me que se nossos sacrifícios são cabelos que cativam Jesus, as nossas alegrias também o são, para isso basta não se concentrar numa felicidade egoísta, mas oferecer a nosso Esposo as pequenas alegrias que Ele semeia no caminho da vida a fim de encantar nossas almas e elevá-las até Ele…
         Pensei em escrever para minha tia hoje, mas não tenho tempo. Fica para o próximo domingo. Peço-te para lhe dizeres quanto a amo, e ao meu querido tio.
         Penso muito em Joana e Francis. Tu me perguntas a respeito da minha saúde. Pois bem! Querida irmãzinha, não tusso mais. Estás contente?… Isso não impedirá Deus de vir me buscar quando bem entender; como me esforço muito para ser uma criancinha, não tenho muitos preparativos para fazer. Jesus  será obrigado a custear as despesas da viagem e o ingresso no Céu…
        Adeus, querida  irmãzinha, amo-te, creio, sempre mais…
 Tua irmãzinha,
Teresa do Menino Jesus.
Rel.Carm.Ind.*
______
  * Rel.Carm.Ing.: Significa: Religiosa Carmelita Indigna..
Fonte: Fabiana Dantas

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Santa Clara de Assis - Carta II a Inês de Praga


Ainda no clima do dia de Santa Clara, que celebramos no último sábado.

Carta II
A Segunda Carta de Santa Clara a Inês de Praga
Clara, serva inútil e indigna das pobres damas, saúda dona Inês, filha do Rei dos reis, serva do Senhor dos senhores, esposa digníssima de Jesus Cristo e por isso rainha nobilíssima, augurando que viva sempre na mais alta pobreza.

Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito, pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, 4 para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito, mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito.

É essa perfeição que vai uni-la ao próprio Rei no tálamo celeste, onde se assenta glorioso sobre um trono estrelado. 6 Desprezando o fausto de um reino da terra, dando pouco valor à proposta de um casamento imperial, 7 você se fez seguidora da santíssima pobreza em espírito de grande humildade e do mais ardente amor, juntando-se aos passos daquele com quem mereceu unir-se em matrimônio.

Mas eu sei que você é rica de virtudes e vou ser breve para não a sobrecarregar de palavras supérfluas, 9 mesmo que não lhe pareça demasiado nada que lhe possa dar alguma consolação. Mas, como uma só coisa é necessária, é só isso que eu confirmo, exortando-a por amor daquele a quem você se entregou como oferenda santa e agradável. Lembre-se da sua decisão como uma segunda Raquel:

Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. Não confie em ninguém, não consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho, para não cumprir seus votos ao Altíssimo na perfeição em que o Espírito do Senhor a chamou.

Nisso, para ir com mais segurança pelo caminho dos mandamentos do Senhor, siga o conselho de nosso venerável pai, o nosso Frei Elias, ministro geral. Prefira-o aos conselhos dos outros e tenha-o como o mais precioso dom.

Se alguém lhe disser outra coisa, ou sugerir algo diferente, que impeça a sua perfeição ou parecer contrário ao chamado de Deus, mesmo que mereça sua veneração, não siga o seu conselho. Abrace o Cristo pobre como uma virgem pobre.

Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo. 20 Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz.

Se você sofrer com ele, com ele vai reinar; se chorar com ele, com ele vai se alegrar; se morrer com ele na cruz da tribulação vai ter com ele mansão celeste nos esplendores dos santos. 22 E seu nome, glorioso entre os homens, será inscrito no livro da vida.

Assim, em vez dos bens terrenos e transitórios, você vai ter parte na glória do reino celeste eternamente, para sempre, vai ter bens eternos em vez dos perecedouros, e viverá pelos séculos dos séculos.

Adeus, irmã querida, senhora minha pelo Senhor que é seu esposo. 25 Em suas piedosas preces, procure lembrar-se de mim e de minhas Irmãs, que nos alegramos com os bens que o Senhor realiza em você por sua graça. 26 Recomende-nos também, e muito, às suas Irmãs.

Fonte; Volta para Casa
Intratext

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: Informações Preliminares



INÍCIO DA SANTA ESCRAVIDÃO POR AMOR


A Santa Escravidão a Jesus por Maria é uma prática de devoção antiguíssima, remontando aos primeiros séculos da Igreja. Com o passar dos séculos, experimentou uma admirável evolução, no sentido que cada vez melhor se compreendeu o que esta prática significava no contexto da fé.


Passando pela escola francesa do século XVII do cardeal de Bérulle, Boudon, Olier, Condrem, São João Eudes, etc. Foi em São Luís Grignion de Montfort que a doutrina e a prática da Santa Escravidão encontrou sua expressão mais perfeita, sendo também, por meio deste grande apóstolo de Maria, que esta prática devocional tornou-se popular. A doutrina e espiritualidade da Santa Escravidão de Amor foram imortalizadas por São Luís Grignion, no célebre escrito:

“O Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”.

Tal livro demonstra com muita sabedoria, clareza e unção:
1- Quem é a Santíssima Virgem;
2- Qual é o seu papel na vida da Igreja e de cada pessoa em particular
3- Com efeito o livro mostra a missão materna que Deus confiou a Santíssima Virgem;
4- Mostra as razões e a maneira como Deus sujeitou a ela todos os corações;
5- Bem como, o papel da Santíssima Virgem no estabelecimento do reinado de Cristo e sua união íntima com o segundo advento de seu filho.

O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem foi escrito por São Luís Grignion de Montfort em 1712, e devido à grande força que esse escrito tem para levar as pessoas à verdadeira santidade foi fortemente combatido pelo inimigo infernal. O demônio quis verdadeiramente destruí-lo, mas Deus não permitiu, contudo, o inimigo escondeu este tratado durante cento e trinta anos. Tudo isso foi admiravelmente predito e escrito por São Luís, no próprio Tratado da Verdadeira Devoção onde narra: “Vejo animais frementes que se precipitam furiosos para destruir com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para compô-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar escondido no silêncio de um baú a fim de que não apareça”(T.V.D. 112).

Assim, este livro escrito em 1712, desapareceu sendo reencontrado apenas em 1842 em um baú de livros velhos. Publicado em 1843 tornou-se leitura obrigatória de toda alma piedosa que buscasse a santidade. De fato, São Luís predisse o desaparecimento do livro, também, como o seu reaparecimento e o seu sucesso (c.f. T.V.D. 112), de modo que, depois que foi publicado o tratado, a Santa Escravidão tornou-se a via espiritual de muitos santos, que se fizeram escravos de Maria Santíssima, e na escola de seu Imaculado Coração aprenderam a amar a Deus e fazer sua santa vontade. Santos como: São João Maria Vianney, São João Bosco, São Domingos Sávio, Santa Terezinha, Santa Gema Galgani, São Pio X, São Pio de Pietrelcina e tantos outros santos e santas do nosso tempo, viram, na total consagração a Santíssima Virgem uma Devoção Perfeita, aquela devoção querida por Jesus ao fazer de cada um de nós filhos de sua Mãe Santíssima.

Um dos maiores apóstolos desta consagração foi nosso querido Papa João Paulo II, que se fez escravo por amor quando ainda era seminarista. E de tal forma esta total consagração ordenou sua vida e missão que adquiriu como seu lema pessoal o “Totus Tuus Mariae”. João Paulo II foi um testemunho vivo da eficácia desta consagração na vida de uma pessoa.

1- O que é a Santa Escravidão de amor?

A total consagração à Nossa Senhora, ou a santa escravidão de amor é a entrega de tudo que somos e possuímos à Santíssima Virgem para que através dela possamos mais perfeitamente pertencer a Deus.

A finalidade desta total entrega a Nossa Senhora é nos unir a Jesus Cristo e nos fazer crescer em sua graça. Nos entregamos totalmente a Nossa Senhora para que ela nos ensine a cumprir em nossa vida a Santíssima vontade de Deus. São Luís Maria de Montfort chama a Santa Escravidão de Amor de “A Verdadeira Devoção”, simplesmente porque ela nos mostra quem é Nossa Senhora, qual seu lugar no plano de salvação e sua missão na vida da Igreja e de cada um de nós.

A doutrina da Santa escravidão nos faz ver e compreender que Jesus nos deu Maria como verdadeira mãe, mestra e educadora, e ao mesmo tempo nos convida e nos faz lançar aos cuidados desta boníssima Senhora atendendo ao mandato de Jesus que olhando para nós nos diz: “Eis aí tua mãe”. Assim pela total consagração de nós mesmos à Santíssima Virgem estamos dizendo nosso sim a Jesus que no-la deu por mãe, a fim de que Ela nos ensine a fazer tudo que Ele mandou.

Do ponto de vista pastoral a necessidade e eficácia da total consagração a Nossa Senhora são sempre atuais, uma vez que esta consagração e devoção não são mais que a perfeita renovação das promessas do nosso santo batismo. De fato os concílios assim como muitos Papas falaram sobre a necessidade de se recordar os cristãos os votos de seu batismo e de seu estado de pertença a Deus, assim pela Total Consagração, nós agora por nós mesmos, renovamos nossas promessas batismais, recuperando a consciência de nosso estado de pertença a Deus. Tudo isso através de Maria, como quer Jesus, para que Ela nos ensine a sermos fiéis a nossa adesão a Cristo bem como da renúncia de todo mal.


2- O que acontece conosco, quando nos consagramos como Maria, Escravos por Amor?

Nós confirmamos a soberania de Deus e da Santíssima Virgem em nossas vidas, entregando TUDO que somos e temos a Jesus pelas mãos de Maria. Aqui, TUDO quer dizer TUDO. Nosso corpo com todos os nossos bens materiais e nossa alma com todas as nossas riquezas espirituais, nossos pensamentos, nossos desejos e quereres. Assim, mesmo os méritos de nossas orações, sacrifícios e boas obras passam a pertencer a Maria Santíssima para que Ela possa usá-los como lhe aprouver. Pela Santa Escravidão de Amor passamos a não possuir mais nada. Tudo passa ser de Maria, para que deste modo tudo possa ser de Deus.

Quando fazemos esta consagração e a vivemos com fidelidade obtemos um aumento admirável em nosso “Capital de Graças”, e por isso nos santificamos mais rapidamente e de maneira mais perfeita e segura. Com efeito, Maria Santíssima é um caminho fácil, curto, seguro e perfeito para nos unirmos a Jesus e crescermos em sua graça.

3- Quem pode fazer esta total consagração, e como fazê-la?

Todos os que querem viver o seu batismo podem e devem fazer esta consagração, ou seja, todos os que querem ser santos, que acreditam em Jesus Cristo e em toda sua doutrina, tal qual, nos transmite a Santa Igreja. Quem faz restrições a doutrina de Jesus Cristo ensinada pela Santa Igreja, ou quem não pode (ou não quer) viver em comunhão eucarística não pode fazer esta consagração.

4 – Como fazer esta consagração?

Para se fazer esta consagração é necessário primeiro conhecê-la; lendo e estudando o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, escrito por São Luís de Montfort, e outros livros que falem sobre a Santa Escravidão, como “O Livro de Ouro ao Alcance de todos” ouvindo palestras e participando de encontros e retiros sobre o tema.

Assim, após se ter consciência do que é esta Consagração e de como deve vivê-la pode se marcar uma data e fazer os exercícios preparatórios que durarão um mês. Estes exercícios são meditações diárias que podem ser encontradas no livro “Consagração a Nossa Senhora” .


Fonte: No Coração da Igreja

domingo, 12 de agosto de 2012

Santa Clara de Assis - Carta 1 a Inês de Praga




A Primeira Carta de Santa Clara a Inês de Praga
À venerável e santa virgem, dona Inês, filha do excelentíssimo e ilustríssimo rei da Boêmia, Clara, indigna fâmula de Jesus Cristo e serva inútil das senhoras enclausuradas do mosteiro de São Damião, sua serva sempre submissa, recomenda-se inteiramente e deseja, com especial reverência, que obtenha a glória da felicidade eterna.

Sabedora da boa fama de vosso santo comportamento e vida, que não só chegou até mim, mas foi esplendidamente divulgada em quase toda a terra, muito me alegro e exulto no Senhor. Disso posso exultar tanto eu mesma como todos os que prestam serviço a Jesus Cristo ou desejam faze-lo.

Porque, embora pudésseis gozar, mais do que outros, das pompas e honras deste mundo, desposando legitimamente, com a maior glória, o ilustre imperador, como teria sido conveniente à vossa excelência e à dele, 6 rejeitastes tudo isso e preferistes a santíssima pobreza e as privações corporais, com toda a alma e com todo o afeto do coração, tomando um esposo da mais nobre estirpe, o Senhor Jesus Cristo, que guardará vossa virgindade sempre imaculada e intacta.

Amando-o, sois casta; tocando-o, tornar-vos-eis mais limpa; acolhendo-o, sois virgem.Seu poder é mais forte, sua generosidade mais elevada, seu aspecto é mais belo, o amor mais suave, e toda a graça mais elegante.

Já estais tomada pelos abraços daquele que ornou vosso peito com pedras preciosas e colocou em vossas orelhas pérolas inestimáveis. Ele vos envolveu de gemas primaveris e coruscantes e vos deu uma coroa de ouro marcada com o sinal da santidade.

Portanto, irmã caríssima, ou melhor, senhora muito digna de veneração, porque sois esposa, mãe e irmã do meu Senhor Jesus Cristo, destacada pelo esplendor do estandarte da inviolável virgindade e da santíssima pobreza, ficai firme no santo serviço do pobre Crucificado, ao qual vos dedicastes com amor ardente. Ele suportou por todos nós a paixão da cruz e nos arrancou do poder do príncipe das trevas, que nos acorrentava pela transgressão de nosso primeiro antepassado, e nos reconciliou com Deus Pai.

Ó bem-aventurada pobreza, que àqueles que a amam e abraçam concede as riquezas eternas

Ó santa pobreza, aos que a têm e desejam Deus prometeu o reino dos céus, e são concedidas sem dúvida alguma a glória eterna e a vida feliz!

Ó piedosa pobreza, que o Senhor Jesus Cristo dignou-se abraçar acima de tudo, ele que regia e rege o céu e a terra, ele que disse e tudo foi feito! Pois disse que as raposas têm tocas e os passarinhos têm ninhos mas o Filho do Homem, Jesus Cristo, não tem onde reclinar a cabeça. Mas, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Portanto, se tão grande e elevado Senhor, vindo a um seio virginal, quis aparecer no mundo desprezado, indigente e pobre, para que os homens, paupérrimos e miseráveis, na extrema indigência do alimento celestial, nele se tornassem ricos possuindo os reinos celestes, 21 vós tendes é que exultar e vos alegrar muito, repleta de imenso gáudio e alegria espiritual, 22 pois tivestes maior prazer no desprezo do século que nas honras, preferistes a pobreza às riquezas temporais e achastes melhor guardar tesouros no céu que na terra, 23 porque lá nem a ferrugem consome nem a traça rói, e os ladrões não saqueiam nem roubam. Vossa recompensa será enorme nos céus, 24 e merecestes ser chamada com quase toda a dignidade de irmã, esposa e mãe do Filho do Pai Altíssimo e da gloriosa Virgem.

Creio firmemente que sabeis que o reino dos céus não é prometido e dado pelo Senhor senão aos pobres, porque, quando se ama uma coisa temporal, perde-se o fruto da caridade. Sabeis que não se pode servir a Deus e às riquezas, porque ou se ama a um e se odeia às outras, ou serve-se a Deus e desprezam-se as riquezas. Sabeis que vestido não pode lutar com nu, pois vai mais depressa ao chão quem tem onde ser agarrado. 28 Sabeis que não dá para ser glorioso no mundo e lá reinar com Cristo, e que é mais fácil o camelo passar pelo buraco da agulha que o rico subir ao reino do céu.

Por isso vos livrastes das vestes, isto é, das riquezas temporais, para não sucumbir de modo algum ao lutador e poder entrar no reino dos céus pelo caminho duro e pela porta estreita.

Que troca maior e mais louvável: deixar as coisas temporais pelas eternas, merecer os bens celestes em vez dos terrestres, e possuir a vida feliz para sempre!

Por isso achei bom suplicar vossa excelência e santidade, na medida do possível, com humildes preces, nas entranhas de Cristo, que vos deixeis fortalecer no seu santo serviço, crescendo de bem para melhor, de virtude em virtude, para que aquele que servis com todo desejo do coração digne-se dar-vos os desejados prêmios.

Quanto me é possível, também vos suplico no Senhor que vos lembreis em vossas santas preces de mim, vossa serva, embora inútil, e das outras Irmãs que vivem comigo no mosteiro e vos apreciam. 34 Que com a ajuda dessas preces possamos merecer a misericórdia de Jesus Cristo, para gozar junto a vós da eterna visão.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Santa Catarina de Siena - Carta 51: Caminho para a humildade



Saudação e objetivo
Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, meu caríssimo filho (1) no doce Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no seu precioso sangue, desejosa de vos ver alicerçado na verdadeira e perfeita humildade.
Iluminação divina e humildade
Quem é humilde também é paciente no suportar dificuldades por amor à verdade, pois a humildade alimenta e sustenta a caridade. Quem possui a chama da caridade nunca é negligente, mas sempre solícito, porque a caridade não é preguiçosa, sempre trabalha. Todavia, sem uma iluminação divina, ninguém possui a caridade e a humildade, que afastam o orgulho. Se o olho tem um objeto que possa ver, mesmo que esteja sadio e haja luz, se ele não estiver aberto, nada verá. O olho da nossa alma é a inteligência, e sua iluminação vem da fé, se tal olho não estiver velado pelo pano do amor-próprio ou egoísmo. Quando o egoísmo é afastado, nossa inteligência torna-se limpa e conhece. Desperta a afeição da alma, que começa a amar seu benfeitor. Impulsionado pelo amor, o pensamento se abre e contempla o objeto, que é Cristo crucificado. A alma compreende, sobretudo no precioso sangue, o abismo do seu infinito amor (2).
A humildade é a cela do auto conhecimento
Onde a inteligência (iluminada pela fé) encontra Cristo crucificado? Na cela do coração, na qual a alma vê a própria miséria, os próprios defeitos, o próprio nada. Mas, ao mesmo tempo, conhece a bondade de Deus. Se a alma ficasse conhecendo somente si mesma, seu conhecimento de Deus não seria verdadeiro; nem a pessoa colheria os frutos que resultam do conhecimento de si. Ela mais perderia do que ganharia, uma vez que retiraria do conhecimento de si apenas tédio e confusão. Cairia na aridez (espiritual). E se continuasse assim, sem a devida cura, terminaria no desespero. De outro lado, se a alma apenas conhecesse a Deus e não a si mesma. Colheria como fruto apodrecido uma grande confusão (intelectual), que alimenta a soberba. Aliás, uma coisa nutre a outra. É preciso, portanto, que o conhecimento iluminado da alma chegue a um grau completo, tanto do conhecimento de Deus como de si mesma.
Desse modo a alma evita a presunção e o desespero, e colhe na cela do coração o fruto da vida, a partir do conhecimento de si e de como o desprezo do pecado e da perversa lei (da sensualidade), sempre disposta a lutar contra o espírito (Rm 7,23). Tal desprezo gera a paciência, que é o cerne da caridade. No conhecimento de Deus (presente) em si, a alma atingi o abismo do amor por Deus e pelo próximo. Na luz da fé compreende que o amor que tem por Deus não pode ser útil ao Criador. Por isso, imediatamente a alma começa a ser útil ao próximo, por amor a Deus. Ama a criatura por compreender que Deus a ama sumamente. É condição do amor que alguém ame tudo o que a pessoa amada ama.
Conselhos materiais de Catarina. Conclusão
Filho caríssimo, com a iluminação divina recebemos a humildade e a caridade. Graças ao esforçado empenho, dado pela chama da caridade, destruiremos toda negligência; ao mesmo tempo, a água da humildade lavará nossa soberba. Ficamos sedentos da glória divina e zelosos pela salvação das almas mediante a cruz do Cordeiro imaculado e humilde. Outro caminho não existe! Foi ao considerar que temos de caminhar por tal caminho da humildade, que eu disse acima estar desejosa de vos ver alicerçado na verdadeira e perfeita humildade. Quero que vivais dessa maneira, sem medo e sem confusão na mente. Mas, sobretudo, quero que recomeceis a viver com fé viva, esperança firme, obediência pronta. Quero que reabasteçais e alimenteis vossa alma. Que ela não resseque pela confusão e cansaço da mente. Pelo contrário, com muito empenho esforçai-vos por despertar do sono da negligencia, imitando as virtudes que vedes nos vossos irmãos e conservando-as em vosso coração. Amai a verdade! Que ela esteja sempre em vossos lábios. Quando ocorrer, difundi-a nos outros, sobretudo entre as pessoas que amais. Mas fazei-o com delicadeza, assumindo os defeitos alheios. Se não fizeste isso no passado, com a necessária cautela corrigi-o no futuro. Quero que não vos aflijais, nem vos preocupeis comigo. Dia após dia, deixemos passar as ondas deste tempestuoso mar, na humildade, caridade fraterna e paciência.
Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.
(1) Félix Massa foi um discípulo muito fiel de Catarina. Acompanhou-a até Avinhão, na França. Catarina ficou sabendo que Ele andava muito abatido pelas críticas que ela estava suportando em seus apostolado. Enviou-lhe então esta carta.
(2) Este parágrafo foi de difícil tradução, porque Catarina compara a inteligência com o olho; a claridade da luz é a fé; objeto da visão é Jesus Cristo; o egoísmo é a venda que impede a visão da fé.
Cartas completas – Editora Paulus – Tradução Frei João Alves Basílio O. P. 


Fonte: Blog Servo dos Servos de Deus

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