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sábado, 13 de agosto de 2016

DIA 13 - JESUS NÃO NOS ABANDONA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Os meus olhos e o meu coração estarão aí todos os dias" (1Rs 9,3). Esta magnífica promessa Jesus a realizou no Santíssimo Sacramento do Altar, onde quis ficar presente de dia e de noite. Meu Divino Salvador, bastaria sem dúvida que ficásseis neste Sacramento só durante o dia, quando encontrais, para Vos fazerem companhia, adoradores de Vossa Divina presença. Por que quisestes ficar também de noite, quando as Igrejas se fecham, e os homens se recolhem às suas casas, deixando-Vos absolutamente só? Eu Vos compreendo; o amor Vos tornou nosso prisioneiro; o amor ardente que nos tendes de tal modo Vos prendeu à terra que não permite que nos abandoneis nem de dia nem de noite. Salvador amabilíssimo, esta fineza do Vosso amor deveria obrigar todos os homens a permanecerem na Vossa presença, diate do sacrário, e a não saírem daí senão à força. E, afastando-se, deveriam deixar aos pés do Altar os seus corações e os seus afetos para com esse Deus feito homem, que fica sozinho e encerrado num tabernáculo, todos os olhos para ver e prover as nossas necessidades, e todo coração para nos amar, esperando ansiosamente o dia seguinte para receber as visitas de suas almas muito amadas.

Meu Jesus, eu quero contentar-Vos: consagro-Vos, pois, toda a minha vontade e todos os meus afetos. Majestade infinita de um Deus, ficastes neste Divino Sacramento não só para estardes perto de nós, mas principalmente para Vos comunicardes às almas que amais. Mas, Senhor, quem ousará aproximar-se para se alimentar da Vossa Carne? Por outro lado, quem poderá afastar-se de Vós? Justamente para Vos unirdes conosco, e possuirdes os nossos corações, é que estais oculto na hóstia consagrada. Sim, ardeis em desejo de ser recebido por nós e o Vosso prazer é estar unido conosco. Vinde, pois, meu Jesus, vinde; desejo receber-Vos no meu peito para que sejais o Deus do meu coração e da minha vontade. Meu querido Redentor, pelo Vosso amor dou tudo quanto possuo: satisfações, prazeres, vontade própria, tudo Vos dou... Amor, ó Deus de amor, reinai sobre mim, triunfai de mim; destruí e sacrificai em meu ser tudo o que for meu e não Vosso. Não consitais, meu Amor, que a minha alma, cheia da majestade de um Deus, depois de Vos haver recebido na Sagrada Comunhão, venha a aferrar-se ainda às criaturas. Amo-Vos, meu Deus, amo-Vos, e só a Vós quero amar.

- Atraí-me, Senhor, pelos meigos laços do Vosso amor.


TESOURO DE GRAÇAS

São Bernardo exorta-nos a procurar a graça e a procurá-la por intermédio de Maria. "Ela é, diz São Pedro Damião, o tesouro das graças divinas." Maria pode e quer enriquecer-nos; por isso nos convida e chama, dizendo: "Se alguém é pequeno (e pobre), venha a mim" (Pt 9,4). Senhora amabilíssima, Senhora sublimíssima, Senhora graciosíssima, volvei Vosso olhar para um pobre pecador que a Vós se recomenda e em Vós põe a sua confiança.

- Sob a Vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIA 12 - DEUS É AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA




"Deus é amor, e aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele" (1Jo 4,16). Quem ama a Jesus está com Jesus e Jesus está com ele. "Se alguém me ama, meu Pai o amará, e viremos a ele, e nele faremos nossa morada" (Jo 14,23).

Quando São Filipe Neri recebeu o santo viático, ao ver entrar o Santíssimo Sacramento, exclamou: "Eis aí o meu amor, eis aí o meu amor!" Diga, pois, cada um de nós na presença de Jesus Sacramentado: Eis aqui o Meu Amor, eis o objeto do meu amor nesta vida e por toda a eternidade.

Meu Senhor e Meu Deus, dissestes no Evangelho que quem Vos ama será amado por Vós e vireis habitar nele para não mais Vos separardes. Senhor, eu Vos amo mais do que todos os bens, amai-me Vós também, pois prefiro o Vosso amor a todos os reinos do mundo. Vinde, pois, e de tal modo fixai a Vossa morada na pobre casa da minha alma, que não mais Vos separeis de mim ou, para melhor dizer, que eu não Vos expulse do meu coração; porquanto, Vós não Vos retirais senão quando expulso. E, como Vos expulsei no passado, assim poderia expulsar-Vos de novo. Não permitais que se dê no mundo esta nova perfídia, esta horrenda ingratidão, que eu, particularmente favorecido por Vós, depois de tantas graças, tenha ainda a infelicidade de Vos expelir da minha alma. E contudo pode isso acontecer; por isso, ó Meu Deus, desejo morrer - se for do Vosso agrado - a fim de que, morrendo unido conVosco, tenha a ventura de viver unido conVosco para sempre. Sim, Meu Jesus, assim o espero. Eu Vos abraço e aperto ao meu pobre coração. Fazei que sempre Vos ame e sempre seja de Vós amado. Sim, amabilíssimo Redentor meu, sempre Vos hei de amar, e Vós sempre a mim. Espero que sempre nos amaremos, Deus de minha alma, agora e por toda a eternidade. Assim seja.

- Meu Jesus, quero amar-Vos sempre, e ser amado de Vós.


MÃE DA PERSEVERANÇA

"Aquele que se dedica ao Meu serviço - diz Maria - terá a persevença" (Eclo 24,31). E os que trabalham por Meu fazer conhecer e amar aos outros, serão predestinados. Tomai, pois, a resolução de falar, todas as vezes que puderdes, seja em público, seja em particular, das glórias de Maria e da devoção que lhe é devida.

- Permiti, Virgem Santa, que eu publique os Vossos louvores.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DIA 11 - JESUS, O BOM PASTOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


Por Santo Afonso Maria de Ligório


"Procuremos não nos afastar - diz Santa Teresa - nem perder de vista o Nosso Amado Pastor Jesus Cristo. As ovelhas que se conservam junto do seu pastor são sempre as mais acariciadas e favorecidas, porque sempre lhes dá algum bocadinho escolhido do Ele próprio come. E se acontecer que o pastor adormeça, a ovelhinha não se afasta de junto dele até que desperte ou ela mesma o acorde; e então recebe dele novos favores e carícias." Meu Redentor Sacramentado, eis-me aqui junto de Vós; só uma dádiva espero de Vós, a saber: o fervor e a perseverança no Vosso Amor.

Ó santa fé, graças vos dou por me ensinardes e dardes a certeza que no sacramento do altar, nesse pão celeste, não há mais pão, pois nele está o meu Senhor Jesus Cristo e aí está todo por meu amor. Meu Senhor e Meu tudo, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Embora oculto aos olhos mortais, reconheço-Vos, com a luz da santa fé, na Hóstia Consagrada, pelo soberano do Céu e da terra e Salvador do mundo. Meu bom Jesus, como sois a minha esperança, a minha salvação, a minha força e a minha consolação, assim quero que sejais também todo o meu amor e objeto único de todos os meus pensamentos, desejos e afetos. Mais prazer encontro ao considerar a infinita felicidade de que gozais e gozareis eternamente, do que se possuísse todos os bens possíveis nesta e na outra vida.

A minha maior felicidade, meu amado Redentor, é sabeis que sois plenamente feliz e que a Vossa felicidade é infinita. Reinai, pois, Senhor, reinai Vós só na minha alma; eu Vo-la dou toda, tomai posse dela para sempre. A minha vontade, os meus sentidos e todas as minhas potências sejam escravas do Vosso amor, e não sirvam neste mundo senão para Vos dar gosto e glória. Assim foi a Vossa vida, Mãe do Meu Jesus, que fostes a primeira a amá-Lo neste mundo. Maria Santíssima, assisti-me e obtende-me a graça de viver daqui por diante como Vós vivestes, sempre feliz, pertencendo inteiramente a Deus.

- Meu Jesus, seja eu todo Vosso e Vós todo meu.

NOSSO MODELO

"Ditoso o homem que vela cada dia à entrada de minha casa, e se conserva à minha porta" (Pr 8,34). Felizes aqueles que, imitando o exemplo dos pobres às portas dos ricos, não cessam de pedir a esmola de alguma graça às portas da misericórdia de Maria. E mais feliz ainda é aquele que procura imitar as virtudes que descobre em Maria, especialmente a Sua pureza e a sua humildade.

- Maria, minha esperança, socorrei-me.


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

DIA 10 - JESUS, ÚNICO BEM - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA


 Por Santo Afonso Maria de Ligório


"Insensatos do mundo - diz Santo Agostinho - infelizes, aonde ides para contentar o vosso coração? Vinde a Jesus, pois só Ele vos dará o contentamento que buscais." Minha alma, não sejas tu também tão insensata, busca somente a Deus. "Procura esse único verdadeiro bem, no qual se encontram todos os bens" (Santo Agostinho). E se o queres encontrar depressa, aí está Ele junto de ti: dize-Lhe o que desejas, pois, para te ouvir e consolar é que Ele está presente no tabernáculo.

Santa Teresa dizia: "A ninguém é permitido falar pessoalmente com o rei; o muito que alguém pode esperar é falar-lhe por meio de uma terceira pessoa. Mas, para VOs falar, Rei da glória, não se requer terceira pessoa; aí no Santíssimo Sacramento sempre Vos achais pronto a dar audiência a todos. Todo aquele que Vos procura, aí Vos encotra e Vos fala com toda a singeleza. De mais a mais, se alguém consegue falar com o rei, para isso não é necessário esperar? Os reis dão audiência poucas vezes ao ano; mas Vós neste sacramento dais audiência poucas vezes ao ano; mas Vós neste sacramento dais audiência dia e noite, sempre que desejamos".

Sacramento de amor, quer Vos deis na sagrada comunhão, quer fiqueis sobre os altares, sabeis ganhar tantos coraçōes com os amorosos atrativos do Vosso amor. Ardendo de amor por Vós e maravilhados da Vossa grande bondade, se sentem felizes no Vosso amor e não pensam senão em Vós: apoderai-Vos também do meu pobre coração, que tanto deseja amar-Vos e ser sempre escravo do Vosso amor. De hoje em diante coloco nas mãos de Vossa bondade todas as minhas esperanças, todos os meus afetos, meu corpo e minha alma, tudo enfim, Aceitai-me, Senhor, e disponde de mim como Vos aprouver. Não quero mais queixar-me das Vossas santas disposiçōes, pois sei que, procedendo todas do Vosso amoroso coração, serão disposiçōes amorosas e para meu bem. Basta que Vós as queirais, para eu também as querer no tempo e na eternidade. Fazei de mim o que quiserdes. Uno-me sem reserva à Vossa vontade, que é toda Santa, toda boa, toda bela, toda perfeita, toda amável.

Vontade de Meu Deus, quanto me sois cara! Convosco unido quero viver e morrer: O Vosso agrado seja o meu agrado, os Vossos desejos seja os meus desejos! Meu Deus, Meu Deus, ajudai-me: fazei que de agora em diante eu viva só para Vós, para querer só o  que Vós quereis, para amar somente a Vossa amável vontade. Oxalá morra eu por Vós, que por mim Vos dignastes morrer e tornar-Vos meu alimento. Detesto os dias em que fiz a minha vontade com tanto desgosto para Vós. AMo-Vos, ó vontade de Deus, amo-Vos quanto amo a Deus, pois sois uma só coisa com Deus; amo-Vos, portanto, de todo o meu coraçāo, e dou-me todo a Vós.

- Vontade de Deus, Vós sois o meu Amor.


GRANDE RAINHA

A nossa grande Rainha diz: COmigo estão as riquezas... para enriquecer os que me amam" (Pr 8,18). Amemos, pois, a Maria, se queremos ser ricos de graças. O abade de Celes diz que Maria é a "tesoureira das graças". Feliz daquele que recorre a Maria com amor e confiança! Minha Mãe, minha esperança, podeis fazer-me santo; de Vós espero esta graça.

- Mãe amabilíssima, rogai por mim.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dia 7 - CONOSCO ATÉ O FIM - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos" (Mt 28,20). Este nosso amoroso Pastor, tendo dado a vida por nós, suas ovelhas, mesmo morrendo não quis separar-se de nós. Eis-me aqui, diz Ele, eis-me aqui, queridas ovelhas, sempre convosco; por vós é que fiquei neste sacramento. Aqui me encontrareis, sempre que o quiserdes, para vos ajudar e consolar com a minha presença. Não vos abandonarei até ao fim do mundo, enquanto estiverdes sobre a terra. "O celeste Esposo - dizia São Pedro de Alcântara - queria, durante sua prolongada ausência, deixar à alma, sua esposa, uma companhia a fim de que ela não fcasse só: por isso deixou este sacramento, onde reside em pessoal, pois, era essa a melhor companhia que lhe podia deixar."

Senhor cheio de bondade, amável Salvador meu, estou visitando-Vos agora neste altar; mas com que amor não me retribuís esta visita quando pela Santa Comunhão, vindes à minha alma. Então não só me estais presente, mas até Vos tornais meu alimento, unindo-Vos e dando-Vos todo a mim; assim que eu posso dizer em verdade: Meu Jesus, agora sois todo meu! Já que Vos dais todo a mim é justo que eu me dê todo a Vós; e, no entanto, eu sou um vermezinho e Vós sois Deus!...

Deus de amor, amor de minha alma, quando me verei todo vosso de verdade e não só de palavra? Em Vós está, Senhor, o aumentar em mim a confiança de, pelos merecimentos do Vosso Sangue, alcançar a graça de ser todo Vosso, dever-me, antes de morrer, todo Vosso e não mais de mim mesmo.

Jesus, Vós ouvis as súplicas de todos os homens; ouvi hoje a prece de uma alma que Vos quer amar verdadeiramente. Quero amar-Vos com todas as minhas forças e obedecer-Vos em tudo, sem interesse, sem consolações, sem recompensa. Quero servir-Vos só por amor, só para Vos dar gosto, só para comprazer o Vosso coração, que tão apaixonadamente me ama. A minha recompensa será amar-Vos. Filho amado do Pai Eterno, apoderai-Vos da minha liberdade, da minha vontade, de tudo o que é meu, da minha própria pessoa e dai-Vos a mim. Eu Vos amo, eu Vos busco, por Vós suspiro e só a Vos quero, sim, só a Vós.

-Meu Jesus, fazei que eu seja todo Vosso.


MARIA, NOSSA ESPERANÇA

Senhora muito amável, toda a Igreja Vos chama e saúda: esperança nossa. Portanto, Vós, que sois a esperança de todos, sede também a minha esperança. São Bernardo Vos chamava "o fundamento de sua esperança". Por isso quero dizer-Vos também eu: Maria, minha Mãe, Vós salvais até os desesperados; em Vós ponho toda a minha esperan;a.

- Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim.

Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

domingo, 7 de agosto de 2016

Dia 6 - Nosso Tesouro - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Lc 12, 34). Diz Jesus Cristo que onde alguém julga possuir o seu tesouro, aí se acha também o seu afeto. Eis a razão por que os santos, que não consideram nem amam outro tesouro fora de Jesus Cristo, depositam no Santíssimo Sacramento o seu coração e todo o seu amor. Meu amável Jesus sacramentado, vós que, por meu amor, ficais dia e noite encerrado nesse tabernáculo, apoderai-vos do meu coração, eu vo-lo rogo, para que não pense senão em vós, não ame, não busque, não espere senão em vós. Fazei-o pelos merecimentos da vossa Paixão; é por eles que eu peço e espero esta graça! Meu salvador sacramentado, amante divino da minha alma, quanto são amáveis as ternas invenções do vosso amor para vos fazerdes amar das almas! Verbo eterno, não vos bastou tomar a nossa natureza e morrer por nós na crus, quisestes ainda dar-nos este sacramento para serdes nosso companheiro, nosso alimento e penhor da glória celeste.

Apareceis no meio de nós ora como menino num presépio, ora como pobre operário numa oficina; aqui como criminosos num patíbulo, ali como pão sobre um altar. Dizei-me, Jesus: que mais podereis inventar para que vos amem? Deus infinitamente amável, quando começarei em verdade a corresponder a tantas finezas de amor? Senhor, não quero mais viver senão para vos amar a vós somente. E de que me serve a vida, se não a emprego toda em vos amar e agradar, a vós, meu amado Redentor, que destes toda a vossa vida por mim? E que amarei eu, se não vos amo, a vós que sois todo belo, todo amante, todo amável? Que a minha alam, pois, só viva para vos amar; que o meu coração se derreta à lembrança do vosso amor; e só de ouvir as palavras – presépio, cruz, sacramento – se inflame todo no desejo de fazer grandes coisas por vós, Jesus, que tanto fizestes e padecestes por mim!

- Permiti, Senhor, que antes de morrer, eu faça alguma coisa por vós.


Mãe de Misericórdia

“Eu sou como a oliveira nos campos” (Eclo 24, 19). Eu sou, diz Maria, essa bela oliveira da qual corre continuamente o óleo da misericórdia. E estou nos campos, a fim de que todos me vejam e a mim recorram.

Digamo-lhe, pois, com Santo Agostinho: “Lembrai-vos, midericordiosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que haja sido abandonado por vós algum daqueles que imploraram o vosso socorro”. Não permitais, pois, seja eu tão infeliz que, recorrendo a vós, seja por vós abandonado.

- Ó Maria, concedei-me a graça de recorrer sempre a vós.




Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, por Santo Afonso Maria de Ligório.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Segue-Me (Mt 8, 22) – Meditação Eucarística


Por Beato Manel González García.

Estamos em nosso Sacrário; tu, meu sacerdote, de joelhos diante do Altar, Eu de meu modesto trono do cibório.

Ouviste e entendeste o “se conhecesses…!” de meu convite ao Sacrário, e, em vez de imitar à Samaritana nas perguntas de curiosidade e de dúvida com que me responde, decidiste aceitar e vir.

Não é isso que me queres dizer posto aí de joelhos?

Sim, o olhar fixo com que olhas para a porta de meu Tabernáculo, como esperando ver-me sair por ela para te falar e andar, caminhar contigo, está me recordando a atitude firme de outro sacerdote meu: de Pedro, quando me dizia à vista de muitos que iam embora: A quem iremos, senão a Vós?

Esta é a tua palavra, não é verdade?

Mas devo te advertir que nos séculos que levo vivendo entre os homens, ouvi muitos dizerem estas palavras, e, não obstante, vejo tão poucos me seguirem.

E não creias que mentem, mas se enganam…

Sabes em que?

Em vez de seguir-me a mim, que sou o Jesus verdadeiro, seguem a um outro Jesus.

As duas classes de seguidores de Jesus.

Não te estranhes nem te escandalizes: Jesus verdadeiro só há um, o primogênito do Pai Celestial e Filho da Virgem Imaculada; mas Jesus falsificados, apócrifos, fantásticos, há muitos, muitos, tantos como imaginações e egoísmos, sensualidades e hipocrisias, empenhados em que não haja Jesus, ou que e ele exista a seu gosto e capricho.

Conheço mais falsificações de mim (que realidade)!

E evidentemente, como sempre é mais cômodo seguir ao falsificado que ao verdadeiro, tenho que passar pela dor de me ver suplantado, em minhas igrejas, em meus Sacrários!

Coitadinhos! E os vejo rezando e alguns até comungando, e logo depois no colóquio que em seu interior fazem com seu Jesus, e na atitude e nos trajes com que se apresentam, percebo que não é comigo que falam, mas com um jesus (assim com letra minúscula) não bom, mas bonachão, não suave, mas adocicado, não compassivo, mas tolerante, não sábio, mas de modestos alcances, não ciente de tudo, mas míope e afeiçoado a fazer vista grossa, não diligente, mas sonolente, … um jesus, evidentemente, sem nada de coroa de espinhos, nem cruz, nem sangue, nem pobreza, nem austeridades de Calvário, mas antes, com esplendores de glória, brancuras de neve, olhares apaixonados, colo terno, peitos macios, ternura de palavras, derretimentos de afetos, de sonhos, e de ilusão. Quanta coisa e sob tanta variedade de formas!

E não penses, meu sacerdote, que são somente pessoas mundanas e sem teologia as que assim me suplantam, que aqui na intimidade da conversa, eu te direi – e quanta pena isso me causa – que ouço a alguns amigos pregando a um jesus que não sou eu, aconselhando conforme uma moral cristã que não é minha, prometendo prêmios e recompensas a obras e pessoas totalmente incomunicadas comigo…

Como tudo isso é duro, não?

Mas tão certo como duro.

Não vês as obras de muitos que me tem na boca, que andam junto a mim e que até comem por servir-me?

Em suas maneiras de falar e de pensar dos demais, de querer aos irmãos, de tratar os inimigos, de vestir, de sofrer, de se alegrar, de viver, em uma palavra, encontras acaso um traço que seja, do Jesus Sacrário: calado, paciente, pobre, abnegado, incansável, humilde, generoso e amante até o fim?

Não? E contudo falam de Jesus, chamam-se cristãos, isto é, seguidores de Jesus?

Já sabes a qual jesus seguem.

Eles são dos falsificadores

Tu, segue-me a Mim.

A Mim!

O filho de Maria Imaculada, o aprendiz da oficina de Nazaré, o Mestre da Cruz de madeira, o Crucificado do Calvário e do Altar, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo…


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Catequese sobre a Presença Real – São João Vianney



Nosso Senhor está ali escondido, esperando que o visitemos e que lhe dirijamos nossos pedidos. Vede quão bom ele é! Ele se conforma à nossa fraqueza. No Céu, onde nós seremos gloriosos e triunfantes, nós o veremos em toda a sua glória. Se ele tivesse se apresentado a nós nessa glória, não ousaríamos nos aproximar dele; mas ele se esconde (…). Ele está lá no Sacramento de seu amor, suspirando e intercedendo incessantemente diante do Pai pelos pecadores. A que ultrajes ele não se expõe para ficar no meio de nós?

Ele está ali para nos consolar; logo, devemos visitá-lo com frequência. Quão agradável a ele são meros quinze minutos que alguém tira de suas ocupações, de coisas inúteis, para vir e rezar, para o visitar, para o consolar de todos os ultrajes que ele recebe! (…)

Que alegria não sentimos na presença de Deus, quando nos encontramos a sós a seus pés, diante do santo tabernáculo? (…) Ah! Se tivéssemos olhos de anjos com os quais víssemos nosso Senhor Jesus Cristo, que está presente neste altar, e que está a nos olhar, como o amaríamos! Nunca mais quereríamos nos separar dele. Quereríamos permanecer para sempre a seus pés; seria uma antecipação do Céu: todo o resto ficaria sem gosto para nós. (…) Somos pobres cegos; temos um nevoeiro diante de nossos olhos. Somente a fé pode dissipar este nevoeiro. (…)

Nosso Senhor está lá como uma Vítima; e uma oração que é muito agradável a Deus é pedir à Virgem Santíssima que ofereça ao Eterno Pai seu Divino Filho, todo ensanguentado, espezinhado, pela conversão dos pecadores; é a melhor oração que podemos fazer, visto que, de fato, todas as orações são feitas em nome e através dos méritos de Jesus Cristo. Devemos também agradecer a Deus por todas as indulgências que nos purificam… mas não damos atenção a elas. (…)

Quando estamos diante do Santíssimo Sacramento, ao invés de procurarmos algo, fechemos os olhos e a boca; abramos o coração: nosso bom Deus abrirá o dele; iremos a ele, ele virá a nós, um para pedir, o outro para receber; será como a respiração de um para o outro. Que doçura não encontramos esquecendo de nós mesmos a fim de procurar a Deus? Os santos se perdiam a si mesmos para não verem nada além de Deus, e trabalharem por ele somente; eles esqueceram todas as coisas criadas a fim de encontrar a ele somente. Este é o caminho para se alcançar o Céu.

Extraído de de The Blessed Curé of Ars in his catechetical instructions, Chapter 11 – Catechism on the Real Presence.

Fonte: ARS/ Site da Administração Apostólica São João Maria Vianney

Catequese sobre a Sagrada Comunhão – São João Vianney

Para sustentar a alma na peregrinação da vida, Deus olhou para toda a criação e não encontrou nada que fosse digno disso. Ele então se voltou para si mesmo, e decidiu dar-se a si mesmo. Ó minh’alma, como tu és grande, visto que nada além de Deus te pode satisfazer!

O alimento da alma é o Corpo e o Sangue de Deus! Ó, alimento admirável! Se considerássemos isso, faria com que nos perdêssemos por toda a eternidade neste abismo de amor!

Quão felizes são as almas puras que tem a alegria de se unirem a Nosso Senhor pela Comunhão! Elas brilharão como belos diamantes no Céu, pois Deus será visto nelas.

Nosso Senhor disse “o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará”. Nós nunca pensaríamos em pedir a Deus seu próprio Filho. Mas Deus fez o que o homem não poderia ter imaginado. O que o homem não pôde expressar, nem conceber, e o que ele não se atreveria a desejar, Deus em seu amor disse, concebeu e executou. Ousaríamos pedir a Deus que entregasse seu Filho à morte por nós, e que desse sua Carne para comer e seu Sangue para beber? (…)

Sem a Sagrada Eucaristia não haveria felicidade neste mundo; a vida seria insuportável. Quando recebemos a Sagrada Comunhão, recebemos nossa alegria e felicidade. O bom Deus, desejando dar-se a nós no Sacramento do seu amor, deu-nos um vasto e grande desejo, que só ele pode satisfazer.

Na presença deste belo Sacramento, somos como uma pessoa morrendo de sede à margem de um rio – bastar-lhe-ia curvar a cabeça; como uma pessoa pobre, próxima a um grande tesouro – bastar-lhe-ia estender a mão. Aquele que comunga perde-se em Deus como uma gota d’água no oceano. Eles não podem mais se separar.

No Dia do Julgamento nós veremos a Carne de Nosso Senhor brilhar através dos corpos glorificados daqueles que o receberam dignamente na terra, como vemos ouro brilhar no cobre, ou prata no chumbo. Se nos perguntassem logo após comungarmos “O que estás levando para casa?” Deveríamos responder: “Estou levando o Céu”. Um santo disse que somos portadores de Cristo. E é uma grande verdade; mas não temos fé suficiente. Nós não compreendemos nossa dignidade. Quando deixamos o Sagrado Banquete, somos tão felizes quanto os Sábios, se tivessem podido levar o Menino Jesus. (…)

Se guardasses bem Nosso Senhor e de modo recolhido, após a Comunhão, sentirias longamente aquele fogo devorador que inspiraria teu coração com a inclinação para o bem e a repugnância ao mal. Quando temos o bom Deus no nosso coração, há de ser algo muito abrasador. O coração dos discípulos de Emaús ardia dentro deles simplesmente por ouvirem a sua voz.

Trechos de The Blessed Curé of Ars in his catechetical instructions, Chapter 12 – Catechism on the Communion.

Fonte: ARS/ Site da Administração Apostólica São João Maria Vianney

terça-feira, 21 de abril de 2015

Comentário ao Evangelho (21/04) por Balduíno de Ford


Balduíno de Ford (?-c. 1190), abade cisterciense, depois bispo
O sacramento do altar III, 2; PL 204, 768-769

«É o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu»


Deus, cuja natureza é bondade e cuja substância é amor, em quem toda a vida é benevolência, querendo mostrar-nos a doçura da sua natureza e a ternura que tem pelos seus filhos, enviou ao mundo o seu Filho, o Pão dos Anjos (Sl 78,25), «pelo amor imenso com que nos amou» (Ef 2,4). Pois «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16).

Tal é o maná verdadeiro que o Senhor fez chover para que o comêssemos […], o que Deus, na sua bondade, preparou para os seus pobres (cf Sl 68,9ss). Pois Cristo, que veio para todos os homens e desceu até ao nível de cada um, tudo atrai a Si pela sua indizível bondade; a ninguém rejeita e admite todos os homens à penitência, tendo para todos os que O recebem um sabor delicioso. Só Ele basta para cumular todos os desejos […] e adapta-Se de modo diferente a uns e outros, segundo as tendências, os desejos e os apetites de cada um. […]

Cada um experimenta nele um sabor diferente. […] Pois Ele não tem o mesmo sabor para o penitente e o principiante, para aquele que caminha e para aquele que está a chegar à meta. Ele não tem o mesmo gosto na vida activa e na vida contemplativa, para aquele que se serve do mundo e para aquele que não o faz, para o celibatário e para o homem casado, para o que jejua e faz distinção dos dias e para aquele que os considera a todos iguais (cf Rom 14,5). […] Este maná tem um doce sabor, porque liberta das preocupações, cura as doenças, adoça as provações, secunda os esforços e reafirma a esperança. […] Aqueles que o provaram continuam com fome (cf Ecl 24,29); os que têm fome serão saciados.

Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O culto Eucarístico - São Pedro Julião Eymard


São Pedro Julião Eymard

O fim da Sociedade é ainda render a Jesus no Santíssimo Sacramento o culto de honra maior, mais santo e mais litúrgico possível.

Culto maior, pelo serviço solene de Exposição onde Jesus é honrado como o Rei imortal dos séculos, a quem toda honra e glória são devidas.

Ante esse sol de amor tudo se eclipsa. Ante o Rei, o ministro não recebe distinções. Ante o Mestre insigne, o servo desaparece.

Tudo quanto há de precioso, de belo, de nobre, deve honrar o Trono divino de Jesus, Senhor único de tudo. E, viesse a Sociedade a possuir todos os diamantes, todo o ouro, todas as coroas do mundo, só deveria ver nisto tudo o privilégio de poder tudo consagrar à glória do Mestre, já que tudo Lhe pertence.

Culto mais santo

O corpo também deve adorar o Deus da Eucaristia e Lhe render suas homenagens exteriores.

Homenagens de respeito, tendo-se modesta e convenientemente em Sua divina Presença, evitando tudo aquilo que não se permitiria em presença dum personagem ilustre, dum soberano.

Homenagens de piedade, cumprindo com grande espírito de fé e de amor as cerimônias externas, genuflexões, prostrações, reverências prescritas, porque constituem os atos exteriores de adoração do coração e a profissão pública de Fé.

Homenagens públicas de virtudes. Honrando por toda a parte o Mestre, quer em público, quer em particular, quer nas ruas, quer nos templos; adorando-O, prostrado, quando Ele passa levado em Viático, ou quando reina no Trono. E por toda a parte o Rei e Deus do nosso coração, da nossa vida.

Culto mais litúrgico

A Igreja, sempre inspirada pelo Espírito Santo, regrou o culto devido ao Seu divino Esposo, Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento, e que por si, constitui o culto de verdade e de santidade agradável a Deus.

A Igreja, ciosa da honra e da glória do seu Rei, regulou os mínimos pormenores do Seu culto, porque tudo é grande, tudo é divino em se tratando do Seu serviço.

O dever maior, quer da Sociedade, quer da totalidade dos seus membros, é, portanto, estudar as rubricas, os cerimoniais da Igreja e, seguindo-os com exata fidelidade, fazer com que os fiéis, por sua vez, os observem e amem. Honrando desta forma a divina Eucaristia, honro-O a em união com a Santa Igreja, em união com os Seus santos. Rendo-Lhe, então, com a Igreja, uma só e mesma homenagem, presto-Lhe um só e mesmo culto enquanto os Seus méritos suprem minha indignidade, e a Ssua perfeição, minha fraqueza. Meu culto então torna-se verdadeiramente católico.

Servirá ainda para expiar as irreverências e culpas sem número que cometi nos santos lugares. Servirá para reparar as profanações, os sacrilégios incessantemente cometidos contra este Sacramento por tantos ímpios e maus cristãos.

Será um protesto contra a incredulidade, uma profissão pública de nossa Fé e vocação pela maior glória de Jesus. Hóstia de amor e de louvor.

(A Divina Eucaristia, volume III)

Fonte: Apostolado Beata Imelda & Eucaristia

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A Eucaristia, necessidade do nosso coração

 
 
São Pedro Julião Eymard

"Porque está Jesus Cristo na Eucaristia? Tal pergunta, se pode ter muitas respostas, tem no entanto uma que a todas resume: Jesus Cristo está na Eucaristia porque nos ama e quer que nós o amemos. O Amor, eis a razão de ser da instituição da Eucaristia.

Sem ela, o Amor de Jesus Cristo seria apenas um Amor de Morte, passado, esquecido dentro em breve – e isso sem culpa de nossa parte. Só a Eucaristia satisfaz plenamente as leis e as exigências do amor. Jesus Cristo, dando-nos nela provas de Amor infinito, tem direito de ser nela amado.

Ora, o amor natural, tal qual Deus pôs nos corações, requer três coisas. A presença ou sociedade de vida, a comunhão de bens, a união perfeita.

I

A ausência é a aflição, o tormento da amizade. O afastamento diminui e, ao ser prolongado, dissipa a mais forte amizade. Estivesse Nosso Senhor ausente, afastado, o amor que lhe temos passaria, em virtude do efeito dissolvente dessa mesma ausência. É da essência, da natureza do amor humano reclamar, para viver, a presença do objeto amado.

Olhai para os pobres Apóstolos, enquanto Nosso Senhor jaz no túmulo, para os discípulos de Emaús, que confessam terem quase perdido a fé. Não gozam mais da presença do divino Mestre.
Ah! Não nos tivesse Nosso Senhor deixado outro legado de seu Amor senão Belém e o Calvário e quão depressa o teríamos esquecido! Que indiferença! O amor quer ver, ouvir, conversar, apalpar.

Nada substitui o ente querido, nem lembrança, nem dons, nem retratos; nada disso tem vida. E quão bem sabia Nosso Senhor que nada poderia tomar seu lugar, pois carecemos dele mesmo. Não nos basta então sua palavra? Não, já não vibra, já não ouvimos as tocantes expressões dos lábios do Salvador. E seu Evangelho? É um testamento. E o Sacramentos, não dão ele Vida? Só o autor da Vida poderia entretê-la em nós. E a Cruz? Ah! Sem Jesus quão triste é! E a esperança? Sem Jesus é uma agonia. Os protestantes têm tudo isso e quão frio e quão glacial é o protestantismo!

Poderá então Jesus reduzir-nos a um estado tão triste, qual o de viver e combater sozinhos? Ah! Sem Jesus, presente entre nós, seríamos por demais desgraçados. Exilados, sós no mundo, obrigados a privar-nos dos bens, das consolações terrestres, enquanto aos mundanos é dado satisfazerem todos os seus desejos, a vida se tornaria insuportável.

Mas com a Eucaristia! Com Jesus em nosso meio, quantas vezes sob o mesmo teto, dia e noite, a todos acessível, a todos esperando na sua morada sempre aberta; admitindo as crianças, chamando-as com acentuada predileção, a vida torna-se menos amarga. É o pai amoroso, rodeado dos filhos. É a vida de sociedade com Jesus.

E que sociedade, quanto nos engrandece e nos eleva! E quão fáceis são as relações de sociedade, de recurso ao Céu, a Jesus Cristo em pessoa! Convivência suave, simples, familiar e íntima, assim Ele a quis.

II

O amor quer comunhão de bens, quer tudo possuir em comum. Quer partilhar da felicidade e da infelicidade. É-lhe natural, instintivo dar, dar com alegria, com júbilo. E com que profusão, que prodigalidade concedera Jesus Cristo, no Santíssimo Sacramento, seus merecimentos, suas graças, sua própria glória! Que desvelo em dar, sem jamais recusar!

Dá-se a si mesmo, a todos e a todo momento, espalhando pelo mundo as Hóstias consagradas para que todos os seus filhos as recebam. No deserto, dos cinco pães multiplicados, sobraram doze cestas cheias, e todos deles participaram.

Jesus-Eucaristia quereria envolver o mundo na sua nuvem sacramental, fecundar os povos com essa água vivificante, que, depois de ter desalterado e reconfortado o último de seus eleitos, se perderá no oceano eterno. Ah! Jesus-Hóstia é nosso, todo nosso!

III

O amor tende essencialmente à união entre os amantes, à fusão de dois seres num só ser, de dois corações num só coração, de dois espíritos num só espírito, de duas almas numa só alma (...)

Jesus submete-se a essa lei de amor por Ele mesmo estabelecida. Depois de ter compartilhado do nosso estado e de nossa vida, dá-se-nos ele na comunhão, incorporando-nos a Ele.

União, cada vez mais perfeita e mais íntima, das almas, segundo a maior ou menor vivacidade dos desejos. "In me manet, et ego in eo". Permanecemos nele e Ele em nós. Fazemos um só com Ele, até consumir-se no Céu, na união eterna e gloriosa, a união inefável, começada na terra pela graça e aperfeiçoada pela Eucaristia.

O amor vive, pois, com Jesus presente no Santíssimo Sacramento do altar, compartilha de todos os bens de Jesus, une-se a Jesus e assim satisfazem-se as exigências de nosso coração, que mais não pode pedir".


FONTE: São Pio V
Créditos: O Segredo do Rosário

segunda-feira, 31 de março de 2014

São Tomás de Aquino - Os efeitos da Eucaristia



S. Tomás de Aquino

OS EFEITOS DA EUCARISTIA

- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -

01.
No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares, assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma. Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de espelhos.

02.
O efeito deste Sacramento deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que nele está contido, que é o Cristo.

Ele, vindo ao mundo em forma visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:

"A graça e a verdade, porém,
vieram por meio de Jesus Cristo".

Assim, da mesma forma, vindo Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda outra passagem do mesmo Evangelho:

"Quem me come,
viverá por mim",

03.
O efeito deste Sacramento deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este Sacramento também realiza no homem.

04.
O efeito deste Sacramento também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. E é por isto que se diz:

"Este é o pão da vida eterna,
pelo qual se sustenta
a substância de nossa alma".

De onde que o próprio Senhor diz, no Evangelho de São João:

"Minha carne é verdadeiramente comida,
e meu sangue é verdadeiramente bebida".

05.
Finalmente, o efeito do Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:

"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue
em coisas tais que são reduzidas à unidade
a partir de muitas outras,
porque o pão é um,
embora conste de muitos grãos,
e o vinho é feito
a partir de muitas uvas".

E por isso ele também escreveu em outro lugar:

"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade,
ó vínculo da caridade!".

06.
E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.

07.
Mas, conforme diz São Gregório na homilia de Pentecostes,

"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas,
se de fato existe".

Por isto, por meio deste Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:

"O amor de Cristo
nos impele".

Daqui é que provém que pela virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o Cântico dos Cânticos:

"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".

08.
Este Sacramento também tem virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado

"como remédio
da enfermidade de cada dia".

09.
Ademais, a coisa deste Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.

10.
O Sacramento da Eucaristia pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na medida em que é tomado.

11.
Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento, instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de acordo como o modo de sua devoção e fervor.

12.
Mas, na medida em que é Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que ofereceu apenas duas moedas, que

"ofereceu mais do que todos".

Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.

13.
A Eucaristia também preserva o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado, porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual. É assim que diz o Salmo 103:

"O pão confirma
o coração do homem".

 14.
A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros também defendendo-o contra as impugnações exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.

15.
Ainda que este Sacramento não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui, porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões,

"O aumento da caridade
é a diminuição da cobiça".

Diretamente, porém, a Eucaristia confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.

16.
Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui razão de sacramento.

17.
Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem, de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício, porque é oferecido por todos os que o recebem.

18.
Mas também é de proveito para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:

"Lembrai-vos, Senhor,
dos vossos servos e servas,
pelos quais nós Vos oferecemos,
e eles Vos oferecem também,
este Sacrifício de louvor,
por si e por todos os seus,
pela redenção de suas almas,
pela esperança de sua salvação
e sua segurança".

19.
O próprio Senhor, ademais, expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a recebem, quando disse, na última Ceia:

"Este cálice é o meu sangue,
que por vós",

isto é, os que o recebem,

"e por muitos"

outros,

"será derramado
para o perdão dos pecados".

20.
Pode-se, porém, argumentar que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.

Responde-se a isto dizendo que assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de acordo com o modo de sua devoção.

21.
Mas, assim como deve-se dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais, assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento. Pois diz São João Damasceno:

"O fogo do seu desejo que há em nós,
acendendo-se mediante
aquele fogo que há no carvão",

isto é, neste Sacramento,

"queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações
para que ardamos e nos deifiquemos
pela participação do fogo divino".

Mas o fogo do nosso desejo ou do nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade. Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.

22.
Os pecados veniais podem ser considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados. De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.

Segundo o primeiro modo, os pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.

Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato, foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.

23.
Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato. E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o ato.

24.
Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo, porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma deleitação atual.

25.
Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.

26.
Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os pecadores que recebem este Sacramento.

27.
O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.

Esta semelhança compete a todos os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os pecados são mais graves.

Mas sob um aspecto especial os pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que é requerido neste Sacramento.

28.
Que ninguém, pois, se aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.

Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras.


Fonte: Cristianismo.org.br

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Céu da Eucaristia - São Pedro Julião Eymard

Subindo ao Céu no dia da Ascensão, Jesus Cristo vai tomar posse de Sua glória e preparar-nos um lugar. Com Jesus Cristo, a humanidade remida entra no céu: sabemos que este não mais nos está fechado, e vivemos na expectativa do dia em que as suas portas se abrirão diante de nós. Essa esperança nos ampara e nos dá coragem. A rigor, poderia bastar para levarmos uma vida cristã e, para não perder tal esperança, sofreríamos todas as tristezas da vida. Entretanto, Nosso Senhor, para conservar em nós e tornar mais eficaz a esperança do Céu, para fazer com que esperemos pacientemente o céu da glória e conduzir-nos a ele, criou o belo céu da Eucaristia. Pois a Eucaristia é um belo céu, o céu antecipado. Não é Jesus glorioso, vindo do Céu à terra, e trazendo o Céu consigo? O Céu não está em toda parte onde se encontra Nosso Senhor? Seu estado, embora velado a nossos sentidos, ali está glorioso, triunfante, bem-aventurado: nada mais tem das misérias da vida e, quando comungamos, recebemos o Céu, pois recebemos Jesus, Que constitui toda a felicidade e toda a glória do paraíso. Que glória para um súdito receber o seu rei! Nós também, glorifiquemo-nos: recebemos o Rei do Céu! Jesus vem a nós para que não esqueçamos a nossa verdadeira pátria, ou então para que, nela pensando, não morramos de desejo e tédio. Ele vem e permanece corporalmente em nossos corações enquanto dura o Sacramento; depois, destruídas as espécies, sobe de novo ao Céu, mas permanece em nós por Sua graça e por Sua presença de amor. Por que não permanece muito tempo? Porque a condição de Sua presença corporal é a integridade das santas espécies.
Jesus, vindo a nós, traz os frutos e as flores do paraíso. Quais são? Não sei; não se os vê, mas sente-se-lhes o perfume. Ele nos traz os méritos glorificados, Sua espada vitoriosa de Satanás; traz-nos as Suas armas para que as utilizemos; Seus méritos, para que lhes acrescentemos os nossos, fazendo com que frutifiquem. A Eucaristia é a escada, não de Jacó, mas de Jesus, Que por nós sobe ao Céu e dele desce continuamente. Ele Se acha num movimento incessante para nós.
Mas vejamos quais são os bens celestes que Jesus especialmente nos traz, quando O recebemos.
Primeiro, a glória. É verdade que a glória dos santos e bem-aventurados é uma flor que só desabrocha ao sol do paraíso e sob o olhar de Deus; essa glória refulgente, não a podemos ter sobre a terra; adorar-nos-iam! Mas recebemos o seu germe oculto, que a contém interia, como a semente encerra a espiga. A Eucaristia deposita em nós o fermento da ressurreição, em consideração a uma glória especial e mais brilhante, e, semeada na carne corruptível, refulgirá em nosso corpo ressuscitado e imortal.
Em seguida, a felicidade. Nossa alma, entrando no Céu, vê-se na posse da felicidade de Deus, sem receio de perdê-la ou de vê-la diminuída. Mas, na Comunhão, não recebeis algumas parcelas dessa verdadeira felicidade? Não nos é dada inteira, para que não deixemos de pensar no Céu; mas de que paz, de que suave alegria não sois inundados após a Comunhão! Quanto mais desapegada a alma das afeições terrestres, mais goza dessa felicidade, e há almas tão felizes após a Comunhão que os seus próprios corpos se ressentem.
Enfim, os bem-aventurados participam do poder de Deus. Ora, aquele que comunga com um grande desejo de unir-se a Jesus, não experimenta mais que um soberano desprezo por tudo quanto não é digno de suas afeições. Domina tudo quanto é terrestre: é o verdadeiro poder. É então que a Comunhão faz subir a alma para Deus. Define-se a oração: uma ascensão de nossa alma para Deus. Mas que é a prece comparada à Comunhão? Como essa ascensão de pensamentos, de desejos, acha-se distante da ascensão sacramental em que Jesus nos eleva com Ele até o seio de Deus!
A águia, para habituar seus filhotes a voar nas mais altas regiões, apresenta-lhes o alimento, mantendo-se muito acima deles e, subindo cada vez mais à medida que se aproximam, faz com que subam insensivelmente até os astros.
Assim Jesus, Águia divina, vem a nós, traz-nos o alimento de que necessitamos, depois sobe e convida-nos a segui-lo. Cumula-nos de doçuras, para nos fazer desejar a felicidade do Céu; familiariza-nos com o pensamento do Céu.
Não reparais que, ao possuir Jesus no coração, desejais o paraíso e desprezais todo o resto? Desejaríeis morrer imediatamente a fim de estar mais depressa unido a Deus para sempre. Quem comunga raras vezes, não pode desejar ardentemente a Deus, e tem medo da morte. No fundo, este pensamento não é mau; mas se pudéssemos ter a certeza de ir imediatamente ao Céu, ah! não quereríeis permanecer um quarto de hora mais sobre a terra! Em um quarto de hora no Céu, testemunhareis a Deus mais amor e mais o glorificareis que durante a mais longa vida.
Assim, pois, a Comunhão nos prepara para o Céu. Que graça morrer após ter recebido o santo Viático! Sei que a contrição perfeita nos justifica e nos dá direito ao Céu; mas como deve ser bem melhor ir em companhia de Jesus, e ser julgado por Seu amor, unido ainda, por assim dizer, a Seu Sacramento de amor! Assim, a Igreja quer que seus sacerdotes administrem o santo Viático, até no último momento, ao penitente disposto, ainda que já houvesse perdido o uso dos sentidos; tanta questão faz essa boa Mãe de que os seus filhos partam bem providos para essa terrível viagem!
Peçamos muitas vezes a graça de receber o santo Viático antes de morrer: será o penhor de nossa eterna felicidade; e assegura São Crisóstomo, no livro do Sacerdócio, que os anjos esperam, à saída do corpo, as almas dos que acabam de comungar, em atenção ao divino Sacramento, eles as rodeiam e acompanham como satélites até o trono de Deus.


Fonte: Blog São Pio V

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Santo Afonso Maria de Ligório - Festa de São João Evangelista

Festa de São João Evangelista.
Santo Afonso Maria de Ligório

Discipulus ille quem diligebat Iesus — “O discípulo a quem Jesus amava” (Io. 21, 7).

Sumário. Consideremos as provas de predileção especial que Jesus deu a seu discípulo João. Chamou-o um dos primeiros, ao apostolado; fê-lo seu confidente, na última ceia permitiu-lhe que reclinasse a cabeça sobre o seu peito; finalmente, no Calvário fê-lo herdeiro do que tinha de mais caro, dando-lhe como mãe a Maria. Nós também temos recebido de Deus muitas provas de pedileçâo; mas que diferença entre a nossa correspondência e a de São João!

I. Considera as provas de predilecção que Jesus deu a São João. Chamou-o um dos primeiros, ao apostolado; e ainda que fosse o mais jovem de todos, Jesus lhe comunicou os arcanos mais recônditos do seu coração, fê-lo seu confidente, de sorte que o Príncipe dos Apóstolos, não se animando a interrogar o Senhor na última ceia, rogou a João que o fizesse. Junto com São Tiago, seu irmão, e São Pedro, Jesus o fez testemunha do milagre da ressurreição da filha de Jairo, da sua gloriosa Transfiguração no Tabor e de sua agonia no horto. Também na última ceia, quando Jesus quis fazer os supremos esforços de seu amor, e deu a todos, pela instituição da santíssima Eucaristia, um penhor especial do seu afeto, deu todavia um penhor especialíssimo para o seu amado João. Fê-lo sentar-se a seu lado e permittiu-lhe reclinasse a cabeça sobre o seu peito. Desse contato, diz Santo Agostinho, João tirou os sublimes conhecimentos de mistérios incompreensiveis, que depois registrou no seu Evangelho e que lhe alcançaram o nome de teólogo divino por excelência, e de águia entre os evangelistas.

Mas a mostra mais patente de afeto deu Jesus Cristo a este seu Benjamin no Monte Calvário, quando, prestes a expirar, lhe deu Maria por mãe, instituiu-o herdeiro do que havia mais caro, e declarou-o primogênito entre os filhos adotivos da Mãe de Deus. — Detém-te aqui para te alegrar com o Santo; escolhe-o para teu protetor especial, e dá graças a Jesus Cristo por lhe haver concedido tantos favores singulares. Mas ao mesmo tempo dá-lhe graças pelos mesmos benefícios que te fez, chamando-te ao seu seguimento, vindo dentro de teu peito na santa Comunhão e dando-te Maria Santíssima por teu refúgio, tua advogada e tua mãe.


II. Se São João foi tão amado de Jesus Cristo, é forçoso dizermos que São João amou também muito a Jesus, porque Jesus assegura-nos que ama os que o amam — ego diligentes me diligo (1). Com efeito, toda a vida do Apóstolo foi um modelo luminoso de amor. Apenas chamado na margem do lago Genezaré, deixou as redes, seu pai e sua mãe e foi em seguimento do Redentor. Chegando a saber que a pureza virginal faz as delicias de Jesus, que é amigo das virgens e se apascenta entre as açucenas (2), resolveu guardá-la sempre em sua pessoa. — Durante a vida do divino Redentor, o amor fez com que São João continuamente contemplasse as amabilidades infinitas de Jesus, e se esmerasse em agradar-Lhe mais e mais, por meio de atos internos e externos das virtudes mais sublimes. — No tempo da Paixão o amor o fez avantajar-se aos outros apóstolos, impeliu-o a seguir o Senhor até ao Calvário, e a deixar-se ficar intrépido ao pé da Cruz, a fim de lhe trazer, se não defesa, ao menos alívio.

Finalmente, depois da Ascensão de Jesus, o amor estimulou São João a pregar a fé não só na Judéia e na Samaria, mas também em várias partes da Ásia. E como se não lhe bastasse a pregação de viva voz, quis ainda escrever o seu Evangelho, as suas Epistolas e o livro do Apocalipse, livros estes que respiram caridade e amor em todas as páginas. Ademais, quis expôr-se generosamente ao martírio, ainda que o Senhor o livrasse, guardando-o para coisas maiores. Pôde São João responder melhor à predileção da parte de Jesus Cristo?... Que confusão para ti! Depois de teres recebido tantas mostras de afeto especial do Senhor, em vez de amá-Lo, respondeste-Lhe com ingratidões e pecados. Roga a Deus, que te perdoe pela intercessão do santo Apóstolo.

“Ó Senhor, ilustrai benignamente a vossa Igreja para que, instruída com as doutrinas do Bem-aventurado João, vosso Apóstolo e Evangelista, alcance os dons sempiternos.” (3) Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo e de Maria Santíssima.
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1. Prov. 8, 17.
2. Cant. 2, 16.
3. Or. festi.


(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 86 - 89.)



Fonte: Blog São Pio V

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (18/09) feito pelo Beato João Paulo II



(1920-2005), papa
Encíclica «Dives in Misericordia» § 13 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)



Na Igreja, Cristo chama-nos à conversão


A Igreja vive vida autêntica quando professa e proclama a misericórdia, o mais admirável atributo do Criador e do Redentor, e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador, das quais é depositária e dispensadora. Neste contexto, assumem grande significado a meditação constante na Palavra de Deus, e sobretudo a participação consciente e reflectida na Eucaristia e no sacramento da Penitência ou Reconciliação.


A Eucaristia aproxima-nos sempre do amor que é mais forte do que a morte (Ct 8,6). Com efeito, «todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice», não só anunciamos a morte do Redentor, mas proclamamos também a sua ressurreição, «enquanto esperamos a sua vinda gloriosa» (Missal Romano; cf 1Cor 11,26). A própria liturgia eucarística, celebrada em memória daquele que, na sua missão messiânica, nos revelou o Pai por meio da Palavra e da Cruz, atesta o inexaurível amor em virtude do qual Ele deseja sempre unir-Se e como que tornar-Se uma só coisa connosco, indo ao encontro de todos os corações humanos.


O sacramento da Penitência ou Reconciliação aplana o caminho a cada um dos homens (cf Lc 3,3; Is 40,3), mesmo quando sobrecarregados por faltas graves. Neste sacramento todos os homens podem experimentar de modo singular a misericórdia, isto é, o amor que é mais forte do que o pecado.


Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 9 de julho de 2013

Comentário do Evangelho do dia (09/07) feito por Beato John Henry Newman



(1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «Invisible Presence of Christ», «Sermons on Subjects of the Day», n°21



«Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor»



Olhai em volta, meus irmãos […]: porque há tantas mudanças e lutas, tantos partidos e seitas, tantos credos? Porque os homens estão insatisfeitos e inquietos. E porque estão eles inquietos, cada um com o seu salmo, a sua doutrina, a sua língua, a sua revelação, a sua interpretação? Estão inquietos porque não encontraram […]; tudo isso ainda não os levou à presença de Cristo que é «alegria e delícias eternas» (cf Sl 16,11).


Se tivessem sido alimentados pelo pão da vida (Jo 6,35) e provado do favo de mel, os seus olhos ter-se-iam tornado limpos, como os de Jónatas (1Sam 14,27), e teriam reconhecido o Salvador dos homens. Mas, não se tendo apercebido destas coisas invisíveis, têm de continuar a procurar e estão à mercê de rumores longínquos. […]


Triste espectáculo: o povo de Cristo errando pelas colinas «como ovelhas sem pastor». Em vez de procurarem nos lugares que Ele sempre frequentou e na morada que Ele estabeleceu, avêm-se com projetos humanos, seguem guias estranhos e deixam-se cativar por opiniões novas, tornando-se joguetes do acaso e do humor do momento, e vítimas da sua própria vontade. Estão cheios de ansiedade, de perplexidade, de inveja e de preocupações, e são agitados e «levados por qualquer vento da doutrina, pela malícia dos homens e a sua astúcia, a extraviarem-se no erro» (Ef 4,14). Tudo isso porque não procuram «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos» (Ef 4,5-6) para nele encontrarem «descanso para o espírito» (Mt 11,29).


Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 15 de junho de 2013

Santa Gemma Galgani e sua devoção pela Sagrada Eucaristia



Sta. Gemma tinha uma imensa devoção à Sagrada Eucaristia; ela uma vez escreveu ao seu Diretor Espiritual:

« Se o Senhor pudesse ver, provar, e se dar conta das boas dádivas que Jesus me dá. Digo, Pai, que não há um minuto em que eu não sinta a Sua doce presença ; Ele Se revela cada vez mais amoroso.

Hoje na Comunhão, Ele estava quase brincalhão ; Ele disse : « Vê, Gemma, tenho no Meu Coração uma filhinha que eu amo muito, e por quem Eu sou muito amado, (ela) está sempre me pedindo amor e pureza, e Eu que sou o próprio Amor e a própria Pureza, derramei sobre ela tanto desses tesouros quanto é possível a uma criatura humana possuir.

Sempre preservei a pureza do coração dessa criança como o coração de alguém escolhido pelo próprio Divino Esposo, e eu a preservei como um lírio imaculado do paraíso em Meu puro amor.



Créditos: Apostolado Beata Imelda & Eucaristia /Católicos Tradicionais

Santa Comunhão - Santo Afonso Maria de Ligório

"O sacramento da Eucaristia é o sacramento do amor, nós temos a vida verdadeira,
uma vida abençoada e verdadeira felicidade".
Padre Pio



Santo Afonso Maria de Ligório
Práticas do amor a Jesus Cristo




"Quantas pessoas deixam de procurar a comunhão para não se sentirem obrigadas a viver com maior recolhimento e maior desapego das coisas desta terra. Esse é o motivo verdadeiro porque muitos não comungam com maior freqüência. Sabem que a comunhão diária não pode estar junto com o desejo de aparecer, com a vaidade no vestir, com o apego aos prazeres da gula, as comodidades, as conversas maldosas. Sabem que deveria haver mais oração, praticar mais mortificações internas e externas, maior recolhimento. É por isso que se envergonham de aproximar mais vezes da comunhão. Sem dúvida, tais pessoas fazem bem em deixar a comunhão freqüente enquanto se acham neste estado lastimoso de tibieza. Mas deve sair dessa situação de tibieza quem se sente chamado a uma vida mais perfeita e não quer pôr em perigo a própria salvação eterna.

É também muito bom para se manter com fervor espiritual, fazer frequentemente a 'comunhão espiritual', louvado pelo Concílio de Trento, que exorta os fiéis a praticá-la. Ela consiste num fervoroso desejo de receber a Jesus Cristo na Eucaristia. Por isso os santos a faziam várias vezes ao dia. O modo de fazê-la é este: "Meu Jesus, creio que estais no Sacramento da Eucaristia. Amo-vos e desejo vos receber; vinde à minha alma. Uno-me a Vós e Vos peço que não permitais que nunca me separe de Vós". Ou então, simplesmente: "Meu Jesus, vinde a mim, eu quero Vos receber para que vivamos intimamente unidos e não Vos separeis de mim". Este tipo de comunhão espiritual pode ser feito várias vezes ao dia, quando se reza, ou se faz uma visita ao Santíssimo Sacramento ou também na missa quando não se pode comungar. A Bem-aventurada Águeda da Cruz costumava dizer: "Se não me tivessem ensinado este modo de comungar muitas vezes ao dia, não sei como poderia viver".

domingo, 9 de junho de 2013

A Missa Sacrílega - Por Santo Afonso de Ligório (A Selva) I - Pureza exigida no padre para celebrar dignamente




Santo Afonso Maria de Ligório

(27/09/1696 - 02/08/1787)
Bispo de Santa Àgata
Confessor
Doutor Zelosíssimo da Igreja
Fundador dos Missionários Redentoristas


A Selva



PRIMEIRA PARTE - MATERIAIS PARA OS SERMÕES


A missa sacrílega


I - Pureza exigida no padre para celebrar dignamente


Lê-se no Concílio de Trento: Devemos reconhecer que entre todas as obras, ao alcance dos fiéis, nenhuma há mais santa que este mistério terrível 465.Nem o próprio Deus pode fazer que haja no mundo uma ação maior e mais santa que a celebração duma missa. Ó, quanto mais excelente que todos os sacrifícios antigos o sacrifício dos nossos altares, em que a vítima oferecida não é já um touro ou um cordeiro, mas o próprio Filho de Deus!Para a vítima, o judeu tinha um boi, escreve S. Pedro de Cluny; o cristão tem Jesus Cristo; tanto este último sacrifício excede o primeiro, como Jesus Cristo excede a um boi466. Depois ajunta que uma vítima servil era a única que convinha a servos, ao passo que aos amigos e aos filhos estava reservado o próprio Jesus Cristo, como vítima que nos libertou do pecado e da morte eterna. Tem pois razão S. Lourenço Justiniano em dizer que não há oferenda nem maior em si mesma, nem mais útil aos homens, nem mais agradável a Deus, que a que se faz no sacrifício da missa467.

Assim, S. João Crisóstomo assegura que, durante a celebração da missa, está o altar cercado de anjos, reunidos para honrarem a Jesus Cristo, que é a Vítima oferecida neste augusto sacrifício468. Que fiel poderá duvidar, pergunta por sua vez S. Gregório, que no momento do sacrifício o Céu se não abra à voz do padre e numerosos coros de anjos não estejam presentes a este mistério em que Jesus Cristo se imola?469 E Sto. Agostinho acrescenta que os anjos se conchegam a rodear o sacerdote como servos, para o ajudarem nas suas funções 470.

Falando deste grande sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, o Concílio de Trento nos ensina que é o próprio Salvador que aí se oferece a seu Pai, mas pelas mãos do sacerdote, que escolheu para seu ministro, encarregado de o representar ao altar471. E S. Cipriano tinha dito antes: O padre ao altar ocupa o lugar de Jesus Cristo472. É por isso que, ao consagrar, o padre se exprime assim: Isto é o meu corpo; este é o cálice do meu sangue.E o próprio Jesus Cristo disse a seus discípulos: Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim desprezas 473.

Ora, mesmo aos antigos Levitas exigia o Senhor que fossem puros, só porque tinham por dever transportar os vasos sagrados: Purificai-vos, vós que levais os vasos do Senhor474. Sobre o que Pedro de Blois faz esta reflexão: Quanto mais puros devem ser os que trazem Jesus Cristo nas suas mãos e nos seus corações?475 E com quanta mais razão exigirá o Senhor a pureza dos padres da Lei nova, encarregados de representar ao altar a pessoa de Jesus Cristo, para oferecerem ao Padre eterno o seu próprio Filho! Tem pois justo motivo o Concílio de Trento, para querer que os padres celebrem este augusto sacrifício com a máxima pureza de consciência possível 476.
E é o que significa, nota o abade Rupert, a brancura da alba, de que a Igreja quer que o sacerdote se revista e cubra da cabeça aos pés, quando celebrar os divinos mistérios477. É muito justo que o sacerdote honre a Deus com a inocência da sua vida, visto que Deus tanto o há honrado, elevando-o acima de todos os outros homens, e fazendo-o ministro seu, neste mistério sublime, como dizia S. Francisco de Assis478. Mas como deve o padre honrar a Deus? Será porventura trajando ricos vestidos, anafando a cabeleira com arte, ostentando punhos elegantes? Não, responde S. Bernardo, é por uma vida irrepreensível, pelo estudo das ciências sagradas, e pelos trabalhos que empreender para glória de Deus 479.


Fonte: O Segredo do Rosário
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