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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho do dia (12/04) por Santo Agostinho

(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermões sobre o evangelho de João, n.° 27, § 10


Deus tira do mal o bem e da injustiça a justiça


«Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo» (Jo 6,70). O Senhor devia dizer: «Escolhi onze de vós»; terá ele escolhido um demónio, haveria um demónio entre os eleitos? [...] Diremos nós que, ao escolher Judas, o Salvador quis cumprir, através dele e contra sua vontade, sem que ele soubesse, uma obra tão grande e tão boa? Isto é próprio de Deus [...]: fazer que as más obras dos maus sirvam o bem [...]. O mau faz que todas as boas obras de Deus sirvam o mal; o homem de bem, ao contrário, faz que as más ações dos maus sirvam o bem. Haverá alguém tão bom quanto o Deus único? O próprio Senhor diz: «Ninguém é bom senão um só: Deus» (Mc 10,18) [...] 

Haverá quem seja pior do que Judas? De entre os discípulos do Mestre, de entre os Doze, foi ele o escolhido para guardar a bolsa e prover aos pobres (Jo 13,29). Mas depois de tal dom, é ele quem recebe dinheiro para entregar Aquele que é a Vida (Mt 26,15); perseguiu como inimigo Aquele a quem tinha seguido como discípulo [...]. Mas o Senhor fez que tão grande crime servisse o bem. Aceitou ser traído para nos resgatar: eis como o crime de Judas se transmuta em bem. 

Quantos mártires terá Satanás perseguido? Mas, se não o tivesse feito, não celebraríamos hoje o seu triunfo [...]. O mau não pode contrariar a bondade de Deus. Ainda que Satanás seja um artesão do mal, o supremo Artesão não permitiria a existência do mal se não soubesse servir-Se dele para que tudo concorra para o bem.

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 11 de abril de 2017

Terça Feira Santa - Cristo preparando-se para lavar os pés dos discípulos



Levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e pegando duma toalha, cingiu-se com ela (Jo 13, 4).

1. Cristo, em seu serviço humilde, mostra que é Ele mesmo verdadeiramente um servo, mantendo-se fiel à sua palavra: O Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão (Mt 20, 28).

Três coisas se buscam num bom servo ou ministro:

(i) Que ele seja cuidadoso ao ter diante de si os numerosos detalhes nos quais seu serviço pode facilmente falhar. Ora, para um servo, sentar ou deitar durante seu serviço é tornar impossível essa supervisão necessária. Daí é que os servos ficam de pé. Portanto, diz o Evangelho sobre Nosso Senhor: levantou-se da mesa. Nosso Senhor pergunta-nos Ele mesmo: Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? (Lc 22, 27).

(ii) Que Ele demonstre destreza em fazer na hora certa todas as coisas que o seu ofício particular exige. Ora, roupas elaboradas são um obstáculo para isso. Portanto, Nosso Senhor depôs as Suas vestes. E isto foi prefigurado no Antigo Testamento, quando Abraão escolheu entre seus servos os melhor equipados (Gn 14, 14).

(iii) Que ele seja diligente, tendo logo à mão todas as coisas que precisa. São Lucas diz de Marta que ela estava toda preocupada na lida da casa (10, 40). É por isso que Nosso Senhor, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Assim Ele estava não apenas pronto para lavar os pés, mas também para secá-los. Então Ele (que saíra de Deus e para Deus voltava - Jo 13, 3), enquanto lava os pés deles, esmaga para sempre a nossa inflada e humana vaidade.

2. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar (Jo 13, 5)

É-nos dado para consideração este serviço de Cristo; e de três maneiras sua humildade nos vale de exemplo.

(i) Pelo tipo de serviço que era feito, pois que era o mais baixo serviço de todos. O Senhor de toda a majestade, curvando-se para lavar os pés de seus escravos!

(ii) Pela quantidade de serviços prestados, porque, como nos é dito, Ele colocou água na bacia, lavou os pés deles, e os secou, e assim por diante.

(iii) Pelo método como o serviço foi feito, pois Ele não o fez através de outros, nem sequer com outros O ajudando. Ele fez o serviço sozinho. Quanto mais fores elevado, mais te humilharás em tudo (Eclo 3, 20).  

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino

Comentário ao Evangelho do dia (11/04) feito por São Leão Magno



(?-c. 461), papa, doutor da Igreja 
Sermão 3 sobre a Paixão, 4-5


«Eram os nossos sofrimentos que Ele levava sobre si» (Is 53,4)


O Senhor revestiu-Se de uma grande fraqueza, para cobrir a nossa inconstância com a firmeza da sua força. Ele veio do Céu a este mundo como um mercador rico e generoso e, através de uma troca admirável, concluiu um negócio: tomando o que era nosso, concedeu-nos o que era seu; pelo que fazia a nossa vergonha, deu a sua honra, pelas dores a cura, pela morte a vida. [...] 

O santo apóstolo Pedro foi o primeiro a fazer a experiência de quanto essa humildade foi proveitosa para todos os crentes. Abalado pela tempestade violenta da sua perturbação, voltou a si por uma mudança brusca, e recuperou a sua força: encontrara remédio no exemplo do Senhor. [...] O servo, com efeito, não podia ser maior que o seu senhor, nem o discípulo que o seu mestre (Mt 10,24); e ele não teria podido vencer o tremor da fragilidade humana se o vencedor da morte não tivesse tremido primeiro. O Senhor olhou, portanto, para Pedro (Lc 22,61); no meio das calúnias dos sacerdotes, das mentiras das testemunhas, das injúrias dos que Lhe batiam e escarneciam dele, encontrou o seu discípulo, abalado por esses olhos que haviam visto antecipadamente a sua perturbação. A Verdade penetrou-o com o seu olhar, chegando aonde o seu coração precisava de ser curado. Foi como se a voz do Senhor se tivesse feito ouvir para lhe dizer: «Aonde vais, Pedro, porque foges? Vem a Mim, confia em Mim e segue-Me. Este é o tempo da minha Paixão, a hora do teu suplício ainda não chegou. Porque temes agora? Também tu o ultrapassarás. Não te deixes desconcertar pela fraqueza que assumi. Por causa do que tomei de ti é que tremi, mas tu não tenhas medo por causa do que vês em Mim».

Fonte: Evangelho Quotidiano

Segunda Feira Santa - É necessária uma purificação perfeita - Por Santo Tomás de Aquino



1. Se eu não tos lavar, não terás parte comigo (Jo 13, 8). Ninguém pode compartilhar a herança da eternidade, ser co-herdeiro com Cristo, a não ser aquele que está espiritualmente limpo, pois assim está dito no Apocalipse: Nela não entrará nada de profano (Ap 21, 27); e nos Salmos nós lemos: Senhor, quem há de morar em Vosso tabernáculo? (Sl 14, 1). Quem deverá subir a montanha do Senhor, ou quem deve permanecer em Seu lugar santo? O que tem as mãos limpas e o coração puro (Sl 23, 3-4).

É, portanto, como se Nosso Senhor dissesse: Se eu não tos lavar, não estarás limpo, e se não estiveres limpo, não terás parte comigo.

2. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça (Jo 13, 9). Pedro, totalmente perturbado, se oferece todo para ser lavado, tão confuso está entre o amor e o temor. Lemos, de fato, no livro chamado The Journeying of Clement [A jornada de Clemente], que Pedro costumava submeter-se tanto à presença física de Nosso Senhor, a qual ele havia amado devotissimamente, que sempre que, depois da Ascenção de Nosso Senhor, a memória dessa tão amada presença e santíssima companhia lhe sobrevinha, ele costumava derreter-se em lágrimas, tanto que suas bochechas pareciam já desgastadas por elas.

Podemos considerar o corpo do homem em três partes - a cabeça, que é a mais elevada, os pés, que são a parte mais baixa, e as mãos, que ficam entre as outras duas. No homem interior, isto é, na alma, há também três partes. Correspondente à cabeça há a razão superior, a potência pela qual a alma opera as boas ações. Aos pés correspondem os sentidos e os desejos e sensações que surgem deles. Ora, Nosso Senhor sabia que seus discípulos estavam limpos no tocante à cabeça, pois Ele sabia que estava unidos a Deus pela fé e pela caridade. Ele sabia que suas mãos também estavam limpas, pois Ele conhecia suas boas obras. Porém, quanto aos seus pés, Ele sabia que os discípulos ainda estavam de algum modo emaranhados naquelas inclinações às coisas terrenas que derivam da vida dos sentidos.

Pedro, alarmado pelo aviso de Nosso Senhor, não apenas consentiu que seus pés fossem lavados, mas implorou que suas mãos e cabeça fossem lavadas também.

Senhor, ele disse, não somente os pés, mas também as mãos e cabeça. Como se dissesse: "Eu não sei se minhas mãos e cabeça precisam ser lavadas. De nada me acusa a consciência, mas nem por isso sou justificado (1Cor 4, 4). Portanto, estou pronto para que não apenas meus pés sejam lavados, isto é, aquelas inclinações que advêm da vida de meus sentidos, mas também minhas mãos, isto é, minhas obras, e minha cabeça também, isto é, minha razão superior". 

3. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; Está inteiramente puro. Ora, vós estais puros (Jo 13, 10). Orígenes, em comentário a esse texto, diz que os Apóstolos estavam puros, mas precisavam ser ainda mais puros. Pois a razão deve sempre querer como prêmio as melhores coisas, deve sempre se condicionar a alcançar os píncaros da virtude, deve aspirar resplandecer com o brilho da própria justiça. Aquele que é santo, que santifique-se ainda mais (Ap 2, 11). 

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Comentário do Evangelho do dia (10/04) por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilia 15 sobre a Carta aos Romanos; PG 60, 543-548

«Pobres, sempre os tereis convosco»

O Pai não poupou o seu próprio Filho (Rom 8,32); e tu não dás sequer um bocado de pão Àquele que foi entregue e imolado por ti. Por ti, o Pai não O poupou; e tu passas com desprezo ao lado de Cristo que tem fome, enquanto vives dos benefícios que Ele te conquistou. [...] Ele foi entregue por ti, imolado por ti, vive em necessidade por ti e quer que a tua generosidade seja vantajosa para ti; mesmo assim, tu não dás. Haverá pedras tão duras como o vosso coração quando tantas razões o interpelam? Não bastou a Cristo sofrer a morte e a cruz; Ele quis ainda tornar-Se pobre, mendigo e nu, ser metido na prisão (Mt 25,36), a fim de que ao menos isso te tocasse: «Se nada me dás pelas minhas dores», diz-nos, «tem piedade de Mim por causa da minha pobreza. Se não queres ter piedade de Mim por casa da minha pobreza, que seja a minha doença a vergar-te, que sejam as minhas correntes a enternecer-te. E, se isso não te toca, consente ao menos por causa da pequenez do pedido. Não te peço coisas difíceis; peço-te pão, um teto e umas palavras de amizade. [...] Estive preso por ti e continuo a estar, a fim de que, comovido com as minhas cadeias do passado ou com as do presente, tu queiras ser misericordioso para comigo. Passei fome por ti, e continuo a passar. Tive sede quando estava suspenso da cruz e continuo a ter sede pelos pobres, a fim de te atrair a Mim dessa maneira, e te salvar». [...] 

Com efeito, Ele diz: «Quem recebe um destes pequeninos, a Mim recebe (Mc 9,37) [...] Podia coroar-te sem isso, mas quero tornar-Me teu devedor, a fim de que uses a coroa com segurança. É por isso que, podendo alimentar-Me a Mim próprio, ando a mendigar dum lado para o outro, Me coloco à tua porta e te estendo a mão. É por ti que quero ser alimentado, porque te amo ardentemente. A minha felicidade consiste em estar sentado à tua mesa.»

Fonte: Evangelho Quotidiano

A Paixão de Cristo nos serve de exemplo - Por Santo Tomás de Aquino



A Paixão de Cristo é suficiente para nos formar quanto a todas as virtudes. Quem quer que busque viver perfeitamente, basta para tanto que despreze o que Cristo desprezou na cruz e deseje o que lá Ele desejou. Não há virtude da qual Cristo, do alto da cruz, não nos dê um exemplo.

Se buscamos um exemplo de caridade: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13), o que Cristo fez na cruz. E já que foi por nós que Ele entregou sua vida, não deveria pesar-nos suportar por Ele quaisquer males que porventura nos ocorram. Mas que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que Ele me tem dado? (Sl 115,3 [12].

Se buscamos um exemplo de paciência, na cruz encontramos o melhor de todos. A paciência verdadeira se mostra de duas maneiras. Ou quando alguém sofre grandes males pacientemente, ou quando sofre males que poderia evitar, mas não evita. Ora, Cristo na cruz sofrera grandes males. Ó vós todos, que passos pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta (Lm 1, 12). E os sofreu pacientemente, pois Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje (1Pe 2, 23), mas como um cordeiro que se conduz ao matadouro, Ele estava como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador (Is 53, 7).

Estava também em seu poder evitar o sofrimento, e Ele não o fez. Crês tu que não posso invocar meu Pai e Ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos (Mt 26, 53). A paciência de Cristo na cruz, portanto, foi a maior paciência jamais demonstrada. Corramos com paciência ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, Ele suportou a cruz, e está sentado à direita do trono de Deus (Hb 12, 1-2).

 Se procuramos um exemplo de humildade, miremos o crucificado. Pois é Deus quem escolheu ser julgado e morto pela vontade de Pôncio Pilatos. Tua causa foi julgada como a dos perversos (Jó 36, 17). De fato, como a dos perversos, pois: Condenemono-lo a uma morte infame (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelos escravos, e Aquele que dá vida aos anjos quis morrer pelo homem.

Se procuramos um exemplo de obediência, sigamos aquele que se fez obediente até a morte (Fp 2, 8), pois assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos (Rm 5, 19).

Se procuramos um exemplo de desprezo das coisas deste mundo, sigamos Aquele que é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, no qual estão todos os tesouros da sabedoria. Contemplemos na cruz aquele que está suspenso desnudo, zombado, cuspido, surrado, coroado com espinhos, saciado pelo fel e o vinagre, morto. Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica (Sl 21, 19).

Erro é ansiar por honrarias, pois que Ele foi exposto à desgraça e à humilhação. Erro é buscar títulos e condecorações, pois trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão  uma vara. Dobrando os joelhos diante d'Ele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! (Mt 27, 29).

Erro é apegar-se a prazeres e confortos, pois puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber (Sl 68, 22).

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino

domingo, 9 de abril de 2017


DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

Comentário do dia 
Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense 
Sermão sobre os Ramos

«Bendito o que vem em nome do Senhor»

É sob dois aspetos bem diferentes que a festa de hoje apresenta aos filhos dos homens Aquele que a nossa alma deseja (Is 26,9), «o mais belo dos filhos dos homens» (Sl 44,3). E Ele atrai o nosso olhar sob esses dois aspetos; amamo-Lo sob um e sob o outro, porque num e noutro Ele é o Salvador dos homens. [...] 

Se considerarmos ao mesmo tempo a procissão de hoje e a Paixão, vemos Jesus, por um lado sublime e glorioso, por outro humilhado e doloroso. Porque na procissão Ele recebe honras reais, e na Paixão vemo-Lo castigado como um malfeitor. Aqui cercam-No a glória e a honra; além «não tem aparência nem beleza» (Is 53,2). Aqui temos a alegria dos homens e o orgulho do povo; além temos «a vergonha dos homens e o desprezo do povo» (Sl 21,7). Aqui aclamam-No dizendo: «Hossana ao Filho de David. Bendito seja o Rei de Israel que vem!» Além vociferam que merece a morte e escarnecem dele porque Se fez Rei de Israel. Aqui correm para Ele com palmas; além flagelam-Lhe o rosto com as mesmas palmas e batem-Lhe na cabeça com uma cana. Aqui cumulam-No de elogios; além afogam-No em injúrias. Aqui disputam-se para Lhe juncar o caminho com as vestes dos outros; além despojam-No das suas próprias vestes. Aqui recebem-No em Jerusalém como Rei justo e como Salvador; além é expulso de Jerusalém como um criminoso e um impostor. Aqui montam-No sobre um burro, rodeado de homenagens; além é pendurado da cruz, rasgado pelos chicotes, trespassado de chagas e abandonado pelos seus. [...] 

Senhor Jesus, quer o teu rosto apareça glorioso quer humilhado, sempre nele vemos brilhar a sabedoria. Do teu rosto irradia o fulgor da luz eterna (Sb 7,26). Que brilhe sempre sobre nós, Senhor, a luz do teu rosto (Sl 4,7), nas tristezas como nas alegrias. [...] Tu és a alegria e a salvação de todos, quer Te vejam montado no burro, quer suspenso do madeiro da cruz.

Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 8 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (08/04) por São Cirilo de Alexandria



Comentário do dia 
São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja 
Comentário sobre a Carta aos Romanos, 15, 7

«Para congregar na unidade todos os filhos de Deus que estavam dispersos»

Está escrito: «Nós, que somos muitos, constituímos um só corpo em Cristo» (Rom 12,5), porque Cristo nos congrega na unidade, pelos laços do amor: «Ele que, de dois povos, fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, anulando pela sua carne a Lei, os preceitos e as prescrições» (Ef 2,14-15). Temos, pois, de ter os mesmos sentimentos recíprocos: «Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele» (1Cor 12,26). Por isso, prossegue São Paulo, «acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para glória de Deus» (Rom 15,7). Acolhamo-nos uns aos outros, se queremos ter os mesmos sentimentos, «suportando-nos uns aos outros com caridade, solícitos em conservar a unidade de espírito, mediante o vínculo da paz» (Ef 4,2-3) Foi assim que Deus nos acolheu em Cristo, que disse: «Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único» (Jo 3,16). Com efeito, o Filho foi dado em resgate pela vida de todos nós, e nós fomos libertados da morte, resgatados da morte e do pecado. 

São Paulo esclarece as perspetivas deste plano de salvação quando afirma que «Cristo Se fez servidor dos circuncisos, a fim de mostrar a veracidade de Deus» (Rom 15,8). Porque Deus tinha prometido aos patriarcas, pais dos judeus, que abençoaria a sua descendência, que seria tão numerosa como as estrelas do céu. Foi por isso que o Verbo, que é Deus, Se manifestou na carne e Se fez homem. Ele mantém na existência toda a criação e assegura o bem de tudo quanto existe, pois é Deus. Mas veio a este mundo e encarnou, «não para ser servido, mas», como Ele próprio afirmou, «para servir e dar a vida em resgate pela multidão» (Mc 10,45).

Fonte: Evangelho Quotidiamo

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (07/04) por Melitão de Sardes


Comentário do dia 
Melitão de Sardes (?-c. 195), bispo 
Homilia pascal, 57-67

O mistério da Páscoa do Senhor

O mistério da Páscoa realizou-se no corpo do Senhor. Mas Ele já tinha anunciado os seus sofrimentos pelos patriarcas, pelos profetas e por todo o seu povo; tinha-os confirmado por meio de um selo, visível na Lei e nos profetas. Esse futuro inaudito e grandioso foi preparado desde longa data; pré-figurado desde há muito, o mistério do Senhor tornou-se visível hoje, porque antigo e novo é o mistério do Senhor. […] 

Queres, pois, ver o mistério do Senhor? Contempla Abel, como Ele assassinado, Isaac, como Ele preso, José, como Ele vendido, Moisés, como Ele exposto, David, como Ele acossado, os profetas, como Ele maltratados em nome de Cristo. Contempla, por fim, a ovelha imolada na terra do Egito, que atingiu o Egito e salvou Israel pelo seu sangue. 

Também pela voz dos profetas foi anunciado o mistério do Senhor. Moisés disse ao povo: «A tua vida estará como em suspenso diante de ti. Tremerás de noite e de dia não acreditarás no teu próprio viver» (Dt 28,66). E David: «Porque se amotinam as nações, porquê este burburinho insano dos povos? Sublevam-se os reis da terra, os príncipes conspiram entre si contra o Senhor e contra o seu ungido» (Sl 2,1-2). E Jeremias: «E eu, como manso cordeiro, conduzido ao matadouro, ignorava as maquinações tramadas contra mim, dizendo: […] "Arranquemo-la da terra dos vivos, que o seu nome caia no esquecimento"» (Jer 11,19). E Isaías: «Foi maltratado e resignou-se, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador. Sem defesa, sem justiça o levaram, quem meditou no seu destino?» (Is 53,7-8) 

Muitos outros acontecimentos foram anunciados por numerosos profetas acerca do mistério da Páscoa, que é Cristo. […] Foi Ele quem nos livrou da servidão do mundo, como da terra do Egito, e nos arrancou à escravidão do demónio, como à mão do Faraó.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (06/04) por Santo Ambrósio


Comentário do dia 
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja 
Abraão, Livro I, 19-20

«Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia»

Consideremos a recompensa que Abraão pede ao Senhor. Não Lhe pede riquezas, como um avaro, nem vida longa, como quem teme a morte, nem poder, mas um digno herdeiro do seu trabalho. «Que me dareis, Senhor Deus, vou-me sem filhos» (Gn 15,2). […] Agar deu à luz um filho, Ismael, mas Deus diz-lhe: «Não é ele que será o teu herdeiro, mas aquele que sairá das tuas entranhas» (Gn 15,4). De quem fala Ele? Não se trata de Ismael, mas de Santo Isaac. […] Em Isaac, filho legítimo, podemos ver o verdadeiro Filho legítimo, o Senhor Jesus Cristo, que, no começo do evangelho de São Mateus, é chamado filho de Abraão (Mt 1,1). Ele mostrou ser um verdadeiro filho de Abraão, fazendo resplandecer a descendência do seu antepassado; foi graças a Ele que Abraão, olhando para o céu, viu brilhar a sua posteridade como as estrelas (Gn 15,5). O apóstolo Paulo afirma: «Uma estrela difere da outra em resplendor. Assim também é a ressurreição dos mortos» (1Cor 15,41-42). Ao associar à sua ressurreição os homens que a morte mantinha na terra, Cristo fê-los participar no reino dos céus. 

A filiação de Abraão apenas se propagou pela herança da fé, que nos prepara para o céu, nos aproxima dos anjos, nos eleva até às estrelas. Disse Deus: «"Será assim a tua descendência." Abraão confiou no Senhor» (Gn 15,5-6). Ele acreditou que, pela sua encarnação, Cristo seria seu herdeiro. Para to fazer compreender, o Senhor afirmou: «Abraão exultou por ver o meu dia.» Deus considerou-o justo porque ele não pediu explicações, antes acreditou sem a menor hesitação. É bom que a fé se sobreponha às explicações, pois de outro modo parecia que estávamos a exigi-las ao Senhor nosso Deus, como quem as exige a um homem. Que inconveniência, acreditar nos homens quando eles dão testemunho de outro, e não acreditar em Deus, quando fala de Si! Imitemos, pois, Abraão, para herdarmos o mundo pela justificação da fé, que o tornou a ele herdeiro da terra.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (05/04) por Filoxeno de Mabug


Comentário do dia 
Filoxeno de Mabug (?-c. 523), bispo da Síria 
Homilia n.º 4, Sobre a simplicidade

«Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão».

Logo que foi chamado, Abraão partiu, seguindo a Deus. Não se erigiu em juiz da palavra que lhe era dirigida. Não se deixou deter pelas suas ligações familiares, nem pelo seu amor ao país e aos amigos, nem por qualquer outro laço humano. A partir do momento em que ouviu a palavra e soube que se tratava de Deus, ouviu-a com simplicidade, tomando-a como verdadeira pela fé. Desprezando tudo o resto, pôs-se a caminho com a inocência da natureza, que não procura enganar nem fazer o mal. Correu para a palavra de Deus como uma criança corre para seu pai. […] 

Deus tinha-lhe dito: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar» (Gn 12,1). Foi para fazer triunfar a fé de Abraão e tornar resplandecente a sua simplicidade, que Deus não lhe revelou o país para onde o chamava; parecia conduzi-lo para Canaã, mas a promessa falava-lhe de outro país, o da vida que está nos céus. Como atesta S. Paulo: «Esperava a cidade assentada sobre sólidos fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus» (Heb 11,10). […] Melhor ainda, a fim de nos mostrar claramente que esta promessa não dizia respeito a uma pátria terrena, depois de ter levado Abraão a sair da sua terra, Ur dos Caldeus, Deus não o conduziu imediatamente ao país de Canaã, tendo começado por retê-lo em Harrane e não lhe revelando imediatamente o nome do país para onde o conduzia; deste modo, Abraão não sairia da Caldeia atraído apenas pela recompensa prometida. 

Considera, pois, ó discípulo, esta saída de Abraão, e que a tua se assemelhe à dele! Não tardes em responder ao apelo vivo de Cristo que te chama. No passado, Ele dirigiu-Se apenas a Abraão; hoje, através do seu Evangelho, chama todos quantos querem ser chamados, convidando-os a segui-Lo, porque o seu chamamento dirige-se a todos os homens. […] No passado, escolheu apenas Abraão; hoje, pede a todos que imitem Abraão.

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 4 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (04/04) por Santo Agostinho



Comentário do dia 
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermão sobre o evangelho de João, n.º 12

«Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’».

Cristo tomou a morte e pregou-a na cruz, e os homens mortais foram libertados da morte. O Senhor recorda o que aconteceu no passado de forma simbólica: «Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna» (Jo 3,14-15). Mistério profundo! [...] Com efeito, o Senhor ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze, a elevasse sobre um poste no meio do deserto, e comunicasse ao povo de Israel que, se alguém fosse mordido por uma serpente, olhasse para a serpente elevada no alto do poste. Os israelitas olhavam para ela e ficavam curados (Nm 21,6-9). 

O que representam as serpentes que mordem? Representam os pecados que provêm da mortalidade da carne. E o que é a serpente que foi elevada? É a morte do Senhor na cruz. Com efeito, como a morte veio pela serpente (Gn 3), foi simbolizada pela efígie de uma serpente. A mordedura da serpente produz a morte; a morte do Senhor dá a vida. O que significa isto? Que, para que a morte deixe de ter poder, temos de olhar para a morte. Mas para a morte de quem? Para a morte da Vida - se se pode falar da morte da Vida; e, como se pode, a expressão é maravilhosa. Hesitarei em referir o que o Senhor Se dignou fazer por mim? Pois Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo foi crucificado. Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo morreu. Na morte de Cristo, a morte encontrou a morte. [...]; a plenitude da vida engoliu a morte, a morte foi aniquilada no corpo de Cristo. É isto que diremos à ressurreição quando cantarmos triunfantes: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1Cor 15,55).

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (03/04) por Santo Agostinho


Comentário do dia 
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Tratado sobre S. João

Justiça e misericórdia

Os fariseus disseram uns aos outros a propósito de Jesus: «Ele tem fama de ser verdadeiro, e respira ternura; é no campo da justiça que temos de O atacar. Vamos trazer-Lhe uma mulher apanhada em flagrante delito de adultério e recordar-Lhe o que a Lei ordena sobre essa matéria». 

Que responde o Senhor Jesus? Que responde a Verdade? Que responde a Sabedoria? Que responde a própria Justiça assim posta em causa? Jesus não diz: «Que ela não seja lapidada», porque não quer opor-Se à Lei. Contudo, também não diz: «Que seja lapidada», porque não veio para perder o que tinha encontrado, mas para procurar o que estava perdido. Que responde então? Vede como Ele estava cheio ao mesmo tempo de justiça, de ternura e de verdade: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Resposta de sabedoria, que os faz entrar em si mesmos! As suas manobras eram exteriores, mas não olhavam para o fundo do seu próprio coração. Viam a adúltera, mas não se observavam a si mesmos. [...] 

Esta é a voz da justiça: que a culpada seja punida, mas não por culpados; que a Lei seja executada, mas não por quem viola a Lei. [...] Feridos por esta justiça como pelo ferro de uma lança, eles entraram em si mesmos e, descobrindo-se pecadores, «foram saindo um após outro».

Fonte: Evangelho Quotidiano

domingo, 2 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho (02/04) feito por São João Damasceno


Comentário do dia 
São João Damasceno (c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja 
Matinas do sábado de Lázaro

«E Jesus chorou. Diziam então os judeus: "Vede como era seu amigo"».

Porque eras Deus verdadeiro, Tu conhecias, Senhor, o sono de Lázaro e preveniste os teus discípulos. [...] Mas na tua carne - Tu que não tens limites - vens até Betânia. Como verdadeiro homem, choras sobre Lázaro; como verdadeiro Deus, ressuscitas pela tua vontade aquele que estava morto há quatro dias. [...] Tem piedade de mim, Senhor; muitas são as minhas transgressões. Traz-me de volta, eu Te suplico, do abismo dos males em que me encontro. Foi por Ti que eu gritei; escuta-me, Deus da minha salvação. 

Chorando sobre o teu amigo, na tua compaixão puseste fim às lágrimas de Marta; pela tua Paixão voluntária, secaste todas as lágrimas do rosto do teu povo (Is 25,8). «Bendito sejas, Deus de nossos pais!» (Esd 7,27). Guardião da vida, chamaste um morto como se ele dormisse. Com uma palavra, rasgaste o ventre dos infernos e ressuscitaste aquele que começou a cantar: «Bendito sejas, Deus dos nossos pais!» A mim, estrangulado pelas amarras dos meus pecados, ergue-me também e eu cantarei: «Bendito sejas, Deus dos nossos pais!» [...] 

Em reconhecimento, Maria traz-Te, Senhor, um vaso de mirra que estaria preparado para seu irmão (Jo 12,3) e canta-Te por todos os séculos. Como mortal, invocas o Pai; como Deus, despertas Lázaro. Por isso nós Te cantamos, ó Cristo, pelos séculos dos séculos. [...] Tu despertas Lázaro, morto há quatro dias; fá-lo erguer-se do túmulo, designando-o assim como testemunha verídica da tua ressurreição ao terceiro dia. Tu andas, falas, choras, meu Salvador, mostrando a tua natureza humana; mas, ao despertares Lázaro, revelas a tua natureza divina. De maneira indizível, Senhor, meu Salvador, de acordo com as tuas duas naturezas e de forma soberana, Tu operaste a minha salvação.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (01/04) por São Teófilo de Antioquia


Comentário do dia 
São Teófilo de Antioquia (?-c. 186), bispo 
A Autólico,1, 2.7 (trad. breviário)

«Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus».

Com os olhos do corpo, observamos o que se passa na vida e na terra; discernimos a diferença entre a luz e a escuridão, entre o branco e o preto, entre o feio e o belo [...]; o mesmo acontece com aquilo que o ouvido abarca: sons agudos, graves, agradáveis. Mas também temos ouvidos no coração e olhos na alma, sentidos que podem captar a Deus. Com efeito, Deus deixa-Se percecionar por aqueles que são capazes de O ver, depois de se lhes terem aberto os olhos da alma. 

Todos nós temos olhos físicos, mas alguns têm-nos velados, e não veem a luz do sol. Se os cegos não veem, não é porque a luz do sol não brilhe. É a si próprios, e aos seus olhos, que os cegos devem essa privação. O mesmo se passa contigo: os olhos da tua alma estão velados pelos teus pecados e as tuas más ações [...]; quando tem um pecado na alma, o homem deixa de conseguir ver a Deus. [...] 

Se quiseres, porém, podes curar-te. Confia-te ao médico, e Ele te curará os olhos da alma e do coração. E quem é o médico? É Deus, que cura e vivifica, por meio do seu Verbo e da sua sabedoria. Foi por meio do Verbo e da sabedoria que Deus fez todas as coisas [...]. Se compreenderes este facto, e se viveres uma vida de pureza, piedade e justiça, poderás ver a Deus. Que a fé e o temor de Deus sejam os primeiros a entrar no teu coração, para que possas compreendê-Lo. Quando te tiveres despojado da tua condição mortal e te tiveres revestido de imortalidade (1Cor 15,53), verás a Deus segundo os teus méritos, a esse Deus que te ressuscitará a carne, tornada imortal, tal como te ressuscitará a alma. Nessa altura verás a Deus imortal, desde que tenhas acreditado nele já nesta vida.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (31/03) por Santo Agostinho



Comentário do dia 
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermão sobre São João, n.º 28

«Ainda não chegara a sua hora».

«Estava próxima a festa dos Tabernáculos. Disseram-Lhe, então, os seus irmãos: "Vai para a Judeia, para que os teus discípulos vejam as obras que fazes". […] Jesus disse-lhes: "Para Mim, ainda não chegou o momento oportuno; mas para vós qualquer tempo é bom”» (Jo 7,2-6). […] Jesus responde assim aos que O aconselhavam a procurar a glória: «O tempo da minha glorificação ainda não chegou». Vejamos a profundidade deste pensamento: incitam-no a procurar a glória, mas Ele quer que a humilhação preceda a exaltação; quer que seja a humildade a abrir caminho à glória. Também os discípulos que queriam sentar-se um à sua direita e o outro à sua esquerda (Mc 10,37) procuravam a glória humana: viam apenas o fim do caminho, sem ter em consideração o percurso que os levaria até lá. O Senhor lembrou-lhes então a verdadeira estrada por onde deveriam chegar à pátria. A pátria é elevada, mas o caminho é humilde. A pátria é a vida de Cristo, o caminho a sua morte. A pátria é a morada de Cristo, o caminho a sua Paixão. […] 

Tenhamos, portanto, retidão de coração; o tempo da nossa glória ainda não chegou. Ouçamos o que Ele diz aos que amam o mundo [...]: «Para vós, qualquer tempo é bom, para nós o tempo ainda não chegou». Tenhamos a ousadia de dizê-lo. Nós, que somos o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, nós, que somos seus membros, nós, que temos a alegria de reconhecê-Lo como nosso mestre, repitamos as suas palavras, pois foi por nossa causa que Ele Se dignou dizê-las. Quando os que amam o mundo insultam a nossa fé, digamos-lhes: «Para vós, qualquer tempo é bom, para nós o tempo ainda não chegou». Com efeito, o Apóstolo Paulo disse-nos: «Vós estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus». Quando chegará o nosso tempo? Quando Cristo, nossa vida, Se manifestar, então também nós nos manifestaremos com Ele na glória (Cl 3,3). 

A nossa vida está escondida com Cristo em Deus. No inverno, pode-se dizer: esta árvore está morta - por exemplo uma figueira, uma pereira ou qualquer outra árvore de fruto; pois durante todo o inverno parecem privadas de vida. Mas o verão serve de prova e permite-nos julgar se está viva. O nosso verão é a revelação de Cristo. Deus virá manifestamente, o nosso Deus não Se calará.

Fonte: Evangelho Quotidiano
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