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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Aparição de Jesus ressuscitado a sua Mãe Maria Santíssima

Por Santo Afonso Maria de Ligório

Secundum multitudinem dolorum meorum in corde meo, consolationes tuae laetificaverunt animam meam — «Segundo as muitas dores que provou o meu coração, as tuas consolações alegraram a minha alma» (Sl 93, 19).


Sumário. Era de justiça que Maria Santíssima, que mais do que qualquer outro tomou parte na Paixão de Jesus Cristo, fosse também a primeira a gozar da alegria de sua ressurreição. Imaginemos vê-la no momento em que lhe aparece o divino Redentor glorificado, acompanhado de grande multidão de Santos, entre os quais se achavam São José, São Joaquim e Santa Ana. Oh! que ternos abraços! que doces colóquios! Alegremo-nos com nossa querida Mãe e digamos-lhe: Regina coeli, laetare, allelluia — «Rainha dos céus, alegrai-vos, aleluia!»


I. Entre as muitas coisas que Jesus Cristo fez, e os Evangelistas passaram em silêncio, deve, com certeza, ser contada a sua aparição a Maria Santíssima logo em seguida à sua ressurreição. Nem necessidade havia de referi-la, porquanto é evidente que o Senhor, que mandou honrar os pais, foi o primeiro a dar o exemplo, honrando sua Mãe com sua presença visível. Demais, era de inteira justiça que o divino Redentor glorificado fosse, antes de mais ninguém, visitar à Santíssima Virgem; afim de que, antes dos outros e mais do que estes, participasse da alegria da ressurreição quem mais do que os outros participara da paixão.

Um dia e duas noites a divina Mãe ficou entregue è dor pela morte do Filho, mas firme e imóvel na fé da ressurreição; e quando começou a alvorecer o terceiro dia, posta em altíssima contemplação começou com ardentes suspiros a suplicar ao Filho que abreviasse a sua vinda. Enquanto está assim absorta em seus veementíssimos desejos, eis que seu divino Filho se lhe manifesta em toda a sua glória e claridade; fortalecendo-lhe a vista, tanto a do corpo como a da alma, para que fosse capaz de ver e de gozar a divindade. Oh! com tão bela aparição como não devia sentir-se satisfeita e contente! Quão ternamente não deviam abraçar-se Filho e Mãe! quão doces e sublimes não deviam ser os colóquios que trocavam!

Avizinhemo-nos, em espírito, de Nossa Senhora, que é também nossa Mãe, e roguemos-lhe que nos permita beijar as chagas glorificadas de Jesus Cristo. — Colhamos deste mistério, como são bem recompensados por Deus aqueles que acompanham Jesus até o Calvário, quer dizer, que lhe são fieis nas tribulações. Cada um pode fazer suas as palavras da Bem-Aventurada Virgem: Secundum multitudinem dolorum meorum, consolationes tuae laetificaverunt animam meam — «Segundo as minhas muitas dores, as tuas consolações alegraram a minha alma».

II. Em companhia de Jesus, seu Filho, a divina Mãe viu um grande número de Santos, entre os quais o seu Esposo São José, e os seus santos pais, Joaquim e Ana. — Alegraram-se todos com ela, reconhecendo-a por verdadeira Mãe de Deus e agradecendo-lhe os trabalhos e dores sofridas pela Redenção de todos. — Oh! que satisfação não devia sentir a Virgem, vendo o fruto da Paixão do Filho em tantas almas resgatadas do limbo. Enquanto ela se regozija com Jesus Cristo por tão grande conquista, os anjos ali presentes, ledos e jubilosos, solenizam o dia cantando com melodia celeste: Regina coeli, laetare, allelluia — «Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia». Unamo-nos aos coros dos anjos, unamo-nos com todos os fieis da Igreja, para nos congratularmos com a divina Mãe, e cantemos também: Regina coeli, laetare, allelluia.

«Rainha do céu, alegrai-vos; porque o que merecestes trazer em vosso puríssimo seio, ressuscitou como disse. Alegrai-vos, mas ao mesmo tempo, rogai por nós, para que sejamos dignos de ir cantar um dia no reino da glória o eterno allelluia.

«É o que Vos peço também, ó Eterno Pai. Sim, meu Deus, Vós que Vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição de vosso Filho e Senhor nosso Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, que pela Virgem Maria, sua Mãe, alcancemos os prazeres da vida eterna. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo.»[1]

[1] Antífona do tempo pascal.


LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.17-19.




Fonte: Blog Mulher Católica

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Homilia do Papa São João Paulo II no 150 ° aniversário da definição dogmática da Imaculada Conceição



CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA PARA RECORDAR 
O 150° ANIVERSÁRIO DA DEFINIÇÃO DOGMÁTICA 
DA IMACULADA CONCEIÇÃO 
DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2004



1. "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo" (Lc 1, 28).


É com estas palavras do Arcângelo Gabriel que nos dirigimos à Virgem Maria várias vezes por dia. Repetimo-las hoje com alegria fervorosa, na solenidade da Imaculada Conceição, recordando o dia 8 de Dezembro de 1854, quando o Beato Pio IX proclamou este admirável dogma da fé católica, precisamente nesta Basílica do Vaticano.

Saúdo cordialmente quantos se encontram hoje aqui reunidos, em particular os representantes das Sociedades Mariológicas Nacionais, que participaram no Congresso Mariológico Mariano Internacional, organizado pela Pontifícia Academia Mariana.

Além disso, saúdo todos vós aqui presentes, caríssimos Irmãos e Irmãs, que viestes para prestar uma homenagem filial à Virgem Imaculada. Saúdo de maneira especial o Senhor Cardeal Camillo Ruini, a quem renovo os meus bons votos mais cordiais pelo seu jubileu sacerdotal, expressando-lhe toda a minha gratidão pelo serviço que, com dedicação generosa, prestou e continua a prestar à Igreja como meu Vigário-Geral para a Diocese de Roma e como Presidente da Conferência Episcopal Italiana.

2. Como é grandioso o mistério da Imaculada Conceição, que a Liturgia hodierna nos apresenta!

Mistério que não cessa de atrair a contemplação dos fiéis inspira a reflexão dos teólogos. O tema do Congresso agora recordado "Maria de Nazaré acolhe o Filho de Deus na história" favoreceu um aprofundamento da doutrina da concepção imaculada de Maria como pressuposto para o acolhimento no seio virginal do Verbo de Deus encarnado, Salvador do género humano.

"Cheia de graça", "kexaritwmenh": é com este apelativo que, segundo o grego original do Evangelho de Lucas, o Anjo se dirige a Maria. Este é o nome com que Deus, através do seu mensageiro, desejou qualificar a Virgem. Foi desta maneira que Ele a considerou e viu desde sempre, ab aeterno.

3. No hino da Carta aos Efésios, que acaba de ser proclamado, o Apóstolo louva a Deus Pai, porque "nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo" (1, 3). Com que especialíssima bênção Deus se dirigiu a Maria, desde o princípio dos tempos!

Verdadeiramente bem-aventurada é Maria, entre todas as mulheres (cf. Lc 1,42)!

O Pai escolheu-a em Cristo, antes da criação do mundo, para que fosse santa e imaculada na sua presença, no amor, predestinando-a como primícias para a adopção filial por obra de Jesus Cristo (cf. Ef 1, 4-5).

4. A predestinação de Maria, como a de cada um de nós, é relativa à predestinação do Filho. Cristo é aquela "estirpe" que teria "esmagado a cabeça" da antiga serpente, segundo o livro do Génesis (cf. Gn 3, 15); é o Cordeiro "sem mancha" (cf. Êx 12, 5; 1Pd 1, 19), imolado para redimir a humanidade do pecado.

Na perspectiva da morte salvífica dele, Maria, sua Mãe, foi preservada do pecado original e de todos os outros pecados. A vitória do novo Adão contém inclusive a da nova Eva, mãe dos redimidos. Deste modo, a Imaculada constitui um sinal de esperança para todos os seres vivos, que derrotaram Satanás por meio do sangue do Cordeiro (cf. Ap 12,11).

5. No dia de hoje, contemplamos a humilde jovem de Nazaré, santa e imaculada na presença do Deus da caridade (cf. Ef 1, 4), aquela "caridade" que, na sua fonte originária, é o próprio Deus, uno e trino.

A Imaculada Conceição da Mãe do Redentor é uma obra sublime da Santíssima Trindade! Na Bula Ineffabilis Deus, Pio IX recorda que o Todo-Poderoso estabeleceu "com um só e único decreto a origem de Maria e a encarnação da Sabedoria divina" (Pii IX Pontificis Maximi Acta, Pars prima, pág. 559).

O "sim" da Virgem ao anúncio do Anjo insere-se na realidade concreta da nossa condição terrestre, em humilde obséquio à vontade divina, de salvar a humanidade não da história, mas sim na história. Efectivamente, preservada imune de toda a mancha de pecado original, a "nova Eva" beneficiou de maneira singular da obra de Cristo como perfeitíssimo Mediador e Salvador. A primeira a ser redimida pelo seu Filho, partícipe na plenitude da sua santidade, Ela já é aquilo que toda a Igreja deseja e espera ser. É o ícone escatológico da Igreja.

6. Por isso a Imaculada, que assinala "o início da Igreja, esposa de Cristo sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza" (Prefácio), precede sempre o Povo de Deus na peregrinação da fé rumo ao Reino dos céus (cf. Lumen gentium, 58; Carta EncíclicaRedemptoris Mater, 2). 
Na concepção imaculada de Maria, a Igreja vê projectar-se, antecipada no seu membro mais nobre, a graça salvadora da Páscoa.

No acontecimento da Encarnação, encontra indissoluvelmente unidos o Filho e a Mãe: "Aquele que é o seu Senhor e a sua Cabeça e Aquela que, ao pronunciar o primeiro "fiat" (faça-se) da Nova Aliança, prefigura a condição da mesma Igreja, de esposa e de mãe" (Redemptoris Mater, 1).

7. A ti, Virgem Imaculada, por Deus predestinada acima de todas as criaturas como advogada de graça e modelo de santidade para o seu povo, renovo no dia de hoje a confiança de toda a Igreja.

Sê Tu quem orienta os seus filhos na peregrinação da fé, tornando-os cada vez mais obedientes e fiéis à Palavra de Deus.

Sê Tu quem acompanha cada cristão ao longo do caminho da conversão e da santidade, na luta contra o pecado e na busca da verdadeira beleza, que é sempre um sinal e um reflexo da Beleza divina.

Sê Tu, ainda, quem obtem a paz e a salvação para todos os povos. O Pai eterno, que te quis como Mãe imaculada do Redentor, renove também no nosso tempo, por teu intermédio, os prodígios do seu amor misericordioso.

Amém!

© Copyright 2004 - Libreria Editrice Vaticana



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Medalha Milagrosa - Padre Paulo Ricardo


No dia 27 de novembro se comemora o aniversário da revelação da Medalha de Nossa Senhora das Graças a Santa Catarina Labouré (1806-1876). Foi a primeira grande aparição da Virgem Santíssima depois da Revolução Francesa. Conheça a história desta aparição, a mensagem da Virgem Santíssima e o significado da Medalha.

Fonte: Site Padre Paulo Ricardo

Dia de Nossa Senhora das Graças - Tota Pulchra es, Maria



Tota pulchra es, Maria,
et macula originalis non est in te. 
Vestimentum tuum candidum quasi nix, et facies tua sicut sol. 
Tota pulchra es, Maria, 
et macula originalis non est in te. 
Tu gloria Jerusalem, tu laetitia Israel, tu honorificentia populi nostri. 
Tota pulchra es, Maria.


São João Crisóstomo - Dar o primeiro passo para a reconciliação com o irmão



Eis o que te proclamo, o que te asseguro, o que te digo com voz tonitruante: Que quem tem inimigos não se aproxime da Mesa Sagrada nem receba o Corpo do Senhor! Que os que se aproximam não tenham inimigos! Tens algum inimigo? Não te aproximes! Se quiseres fazê-lo, vai primeiro reconciliar-te e depois receberás o sacramento.

Não sou eu que falo assim, é o Senhor quem o diz, Ele que foi crucificado por nós; Ele, para te reconciliar com seu Pai, não recusou ser imolado nem derramar o seu sangue; e tu, para te reconciliares com o teu irmão, nem queres dizer uma palavra e tomar a iniciativa de ir procurá-lo? Escuta o que diz o Senhor a propósito dos que fazem como tu: «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti…» Ele não diz: «Espera que ele venha procurar-te ou que ele receba a visita de um dos teus amigos na qualidade de reconciliador», nem diz: «Envia-lhe alguém», mas: «Corre tu pessoalmente, vai ter com ele!» «Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão.»

Incrível! Então se Deus não Se dá por desonrado de ver deixado de parte um dom que Lhe era destinado, havias tu de te considerar desonrado por dares o primeiro passo para te reconciliar com o teu irmão? Que desculpa tem semelhante conduta? Quando vês um dos teus membros cortado, não tentas por todos os meios juntá-lo ao resto do teu corpo? Faz também assim com os teus irmãos: logo que vejas que eles estão separados da tua amizade, vai depressa buscá-los, não esperes que eles sejam os primeiros a apresentar-se: apressa-te tu a tentar a reconciliação.

São João Crisóstomo in Homilias ao povo de Antioquia, XX, 5 e 6

Créditos: Senza Pagare

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Padre Pio e o Anjo da Guarda





Querida filha de Jesus: Que o seu coração sempre seja o templo da Santíssima Trindade, que Jesus aumente em sua alma o ardor do seu amor e que Ele sempre lhe sorria como a todas as almas a quem Ele ama. Que Maria Santíssima lhe sorria durante todos os acontecimentos da sua vida, e abundantemente substitua a mãe terrena que lhe falta. 

Que seu bom anjo da guarda vele sempre sobre você, que possa ser seu guia no áspero caminho da vida. Que sempre a mantenha na graça de Jesus e a sustente com suas mãos para que você não tropece em nenhuma pedra. Que a proteja sob suas asas de todas as armadilhas do mundo, do demônio e da carne. 

Você tem uma grande devoção a esse anjo bom, Anita. Que consolador é saber que perto de nós há um espírito que, do berço ao túmulo, não nos abandona em nenhum instante, nem sequer quando nos atrevemos a pecar!

E este espírito celestial nos guia e protege como um amigo, um irmão. É muito consolador saber que esse anjo ora sem cessar por nós, oferece a Deus todas as nossas boas ações, nossos pensamentos, nossos desejos, se são puros. 

Pelo amor de Deus, não se esqueça desse companheiro invisível, sempre presente, sempre disposto a nos escutar e pronto para nos consolar. Ó deliciosa intimidade! Ó deliciosa companhia! Se pudéssemos pelo menos compreender isso…! 

Mantenha-o sempre presente no olho da sua mente. Lembre-se com frequência da presença desse anjo, agradeça-lhe, ore a ele, mantenha sempre sua boa companhia. Abra-se a ele e confie seu sofrimento a ele. Tome cuidado para não ofender a pureza do seu olhar. Saiba disso e mantenha-o bem impresso em sua mente. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirija-se a ele em momentos de suprema angústia e você experimentará sua ajuda benéfica. 

Nunca diga que você está sozinha na batalha contra os seus inimigos. Nunca diga que você não tem ninguém a quem abrir-se e em quem confiar. Isso seria um grande equívoco diante desse mensageiro celestial. 

No que diz respeito às locuções interiores, não se preocupe, tenha calma. O que se deve evitar é que o seu coração se uma a estas locuções. Não dê muita importância a elas, demonstre que você é indiferente. Não despreze seu amor nem o tempo para essas coisas. Sempre responda a estas vozes: “Jesus, se és Tu quem está me falando, permite-me ver os fatos e as consequências das tuas palavras, ou seja, a virtude santa em mim.” 

Humilhe-se diante do Senhor e confie nele, gaste suas energias pela graça divina, na prática das virtudes, e depois deixe que a graça aja em você como Deus quiser. É a virtude que santifica a alma, e não os fenômenos sobrenaturais. E não se confunda tentando entender que locuções vêm de Deus. Se Deus é seu autor, um dos principais sinais é que, no instante em que você ouve essas vozes, elas enchem sua alma de medo e confusão, mas logo depois a deixam com uma paz divina. Pelo contrário, quando o autor das locuções interiores é o diabo, elas começam com uma falsa segurança, seguida de agitação e um mal-estar indescritível.

Não duvido em absoluto de que Deus seja o autor das locuções, mas é preciso ser cautelosos, porque muitas vezes o inimigo mistura uma grande quantidade do seu próprio trabalho através delas. Mas isso não deve assustá-la; a isso foram submetidos os maiores santos e as almas mais ilustradas, e que foram acolhidas pelo Senhor. 


 Fonte: Aleteia

O Coração de Jesus, Amigo das almas castas - Por Santo Afonso Maria de Ligório

Por Santo Afonso Maria de Ligório

Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt — «Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus» (Mt 5, 8)



Sumário. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e às almas puras: elas lhe são tão caras como os anjos. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Esta virtude é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens, que mereceu a São José a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus. Se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus, e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade.

I. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e almas puras; elas lhe são tão caras como os anjos. Tais são os atrativos da virtude da castidade; também, diz Santo Ambrósio, aquele que a guarda, é um anjo, aquele que a perde, é um demônio. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Eu prometi a Jesus Cristo, diz São Paulo, apresentar-lhe as vossas almas como esposas castas (2 Cor 11, 2). Escrito está que o Esposo divino se nutre entre os lírios — Qui pascitur inter lilia (Cant 2, 16). Estes lírios são as almas que se conservam puras para agradar a Deus. Um intérprete nota sobre esta passagem, que, como o demônio se sustenta das manchas da impudicícia, assim o Coração de Jesus se nutre dos lírios da castidade.

Esta virtude, alcançada em grau supremo, é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens. Esta união de amor foi tal, que seu coração não formava senão um com o coração de Jesus. Esta Virgem incomparável pareceu tão bela aos olhos do Senhor, que ele ficou arrebatado pela sua beleza, e por isso lhe chama a sua única pomba, a sua única perfeita (Cant 6, 8). Quanto mais um coração é puro, diz Alberto Magno, tanto mais se enche de amor divino. Daí vem que o amor sagrado feriu e transpassou de tal modo o coração de Maria, que não ficou parte alguma dele que não fosse abrasada.

A grande pureza de São José é que lhe mereceu a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus; sua pureza mereceu-lhe a felicidade de viver na intimidade do Filho de Deus. Ah! que afetos deviam penetrar o coração de José, quando levava nos seus braços este amável Menino e lhe fazia ou recebia ternas carícias, e ouvia sair da sua boca as palavras de vida eterna, que, como outros tantos dardos inflamados, abrasavam a sua bela alma! É assim que Deus recompensou a virtude da castidade.

II. Meu irmão, se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade, sabendo que todas as riquezas da terra não são nada em comparação de uma alma casta (Eclo 26, 20). Por ser maior o valor desta virtude, mais terrível é a guerra que a carne faz ao homem para lhe arrebatar este tesouro. Para conservá-la, pois, é necessário empregar toda vigilância possível.

É necessário fugir das ocasiões. Quasi a facie colubri, fuge peccata (Eclo 21, 2) — «Foge do pecado», diz o Espírito Santo «como se foge de uma serpente». Importa ainda, se queres ser casto, fugir da ociosidade. «O trabalho», diz Santo Isidoro, «amortece o fogo da concupiscência». Pratica também a humildade e mortificação. A castidade conserva-se no meio das mortificações, mas, como diz São Bernardo, pela humildade é que se obtém. O mais necessário, porém, é a oração. É pela oração que os santos venceram todas as tentações de que foram acometidos.

Terno Redentor meu, eu Vos agradeço me terdes dado tantos meios para vencer as tentações que me assaltam cada dia. Vejo que quereis a minha felicidade eterna: eu também a quero, principalmente para agradar ao vosso Coração que deseja tanto a minha salvação. Meu Deus, não quero mais resistir ao amor que me tendes. Eu Vos amo, ó bondade suprema, eu Vos amo, Bem infinito: pelos merecimentos do vosso Coração não permitais que eu seja ingrato aos vossos benefícios. Esclarecei-me, fortificai-me, abrasai-me no vosso amor. — Ó Maria, tesoureira do Coração de Jesus, proclamai-me vosso servo; é o título que ambiciono, e rogai a Jesus por mim. Depois dos seus merecimentos, são as vossas orações que devem me salvar.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.400-403.

Fonte: Blog Mulher Católica

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Marta e Maria vistas por Santa Teresinha do Menino Jesus



Uma alma abrasada de amor não pode ficar inativa. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir. 

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores gênios? 

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

in Manuscrito autobiográfico C, 36 r° - v°

Créditos: Senza Pagare

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O mais célebre louvor mariano da Antiguidade, feito por São Cirilo de Alexandria



S. Cirilo de Alexandria, por ocasião do final do Concílio de Éfeso, no ano 431 (no qual se proclamou a maternidade divina de Maria), deixou-nos o mais célebre louvor mariano da Antiguidade:

Nós Vos saudamos, ó Maria, Mãe de Deus,
venerável tesouro de toda a terra,
lâmpada inextinguível, coroa da virgindade,
ceptro da verdadeira doutrina, templo indestrutível,
morada d’Aquele que nenhum lugar pode conter,
Mãe e Virgem, por meio da qual nos santos Evangelhos
é chamado bendito O que vem em nome do Senhor.

Nós vos saudamos, ó Maria, que trouxestes
no Vosso seio virginal Aquele que é imenso e infinito.

Por Vós, a Santa Trindade é glorificada e adorada.
Por Vós, a Cruz preciosa é adorada no mundo inteiro.
Por Vós, o Céu exulta.

Por Vós, se alegram os anjos e os Arcanjos.
Por Vós, o diabo tentador foi precipitado no inferno.
Por Vós, a criatura do género humano, sujeito à insensatez da idolatria,
chega ao conhecimento da verdade.

Por Vós, o santo baptismo purifica os que crêem.
Por Vós, nos vem o óleo da alegria.
Por Vós, os povos são conduzidos à penitência.

Créditos: Aleteia
Fonte: Senza Pagare

A conversão de São Bernardo







Para fugir do pecado da impureza, São Bernardo de Claraval se lançou sem hesitar em um lago gelado. A atitude do santo deixa evidente a natureza da batalha que trava todo aquele que se faz eunuco “por causa do Reino dos céus”.

Tendo recebido desde cedo uma sólida formação religiosa, Bernardo foi aluno notável em sua mocidade. Quando recebia alguma lição que contrariasse os mistérios da fé e a doutrina cristã, "recorria à oração e à meditação das Sagradas Escrituras para neutralizar o veneno inalado nas aulas" [1]. (Nenhum conselho pode ser tão útil para os nossos dias.) Mais tarde, o mesmo Bernardo será visto debatendo e debelando os erros dos professores de sua antiga escola.

Depois da morte de sua piedosa mãe, no entanto, o jovem rapaz foi atingido por uma tristeza acabrunhante. O luto se tinha apoderado totalmente de sua alma e ele não achava consolação em nada do que fazia, nem mesmo na oração, à qual já estava tão habituado, apesar da breve idade. Era final de agosto de 1110 e Bernardo contava cerca de 20 anos.

Instado por sua irmã Umbelina a distrair-se e passar tempo com os jovens que frequentavam o castelo, Bernardo começou a acercar-se de más companhias e brincar à beira do precipício dos maus costumes (cf. 1 Cor 15, 33). Como mais tarde escreveu ele ao Papa Eugênio III:
"No princípio, algumas coisas podem parecer insuportáveis, mas com o passar do tempo, se te acostumas a elas, não as julgarás tão pesadas; pouco depois, já te serão suportáveis; em seguida, não as notarás e, no fim, terminarão deleitáveis.Assim, paulatinamente, se chega à dureza do coração e, dela, à aversão." [2]

Para acordar Bernardo e impedir que a sua alma se perdesse, Deus permitiu que lhe sobreviessem fortes tentações, das quais a última, relativa ao pecado da impureza, fê-lo mudar totalmente de vida:
"Esquecido de sua vigilância habitual, permitiu que os seus olhos pousassem por um momento em um objetivo perigoso. Pela primeira vez, experimentou a rebelião da carne. Alarmado, então, perante o espectro do mal e pleno de remorsos pela sua falta, implorou imediatamente o auxílio do céu e, afastando-se do local, foi mergulhar em um pequeno lago e ali se manteve, meio morto de frio, até que a perturbação interna desapareceu totalmente. Das palavras de seus primeiros biógrafos conclui-se que decidiu naquele momento permanecer perpetuamente casto." [3]

Esse episódio da vida de São Bernardo deve servir de inspiração a todos os cristãos na luta pela castidade, principalmente no mundo de hoje, tão avesso a essa virtude.

O fato de que o santo se tenha lançado em um lago gelado para não pecar contra a castidade mostra a natureza da batalha que aqui se trava. Como diz Nosso Senhor no Evangelho (Mt 19, 12), "existem eunucos que nasceram assim do ventre materno" e "outros foram feitos eunucos por mão humana", isto é, alguns foram privados do sexo por natureza e outros por necessidade. Há, porém – e só assim se pode falar propriamente de "virtude" –, aqueles que se tornaram "eunucos por causa do Reino dos céus". Embora aqui Cristo esteja se referindo especificamente ao celibato, a sua consideração é válida para todos os cristãos, chamados que são a viver a santa pureza: porque o "ser eunuco" só é louvável e recompensado por Deus na medida em que é escolhido livremente pelo homem [4].

Os santos não eram "eunucos físicos", sem sensibilidade e sem paixões humanas, mas "homens de carne e osso", como quaisquer outros. A sua diferença é que, auxiliados pela graça divina, eles se fizeram "eunucos espirituais". Mas, isso (atenção!) por causa do Reino dos céus – e só por causa desse Reino (presente em suas almas pela graça santificante), eles estavam dispostos a tudo: a revolver-se na neve, como fez São Francisco de Assis; a jogar-se em um arbusto de espinhos, como fez São Bento; a mergulhar em um lago gelado, como São Bernardo [5]; ou mesmo a morrer, como fizeram tantos mártires ao longo da história da Igreja.

Pela vida dos santos, é possível concluir que a castidade não é um mero jogo de cálculos humanos: fosse assim, todas essas mortificações – recomendadas pelo próprio Evangelho (cf. Mt 5, 29-30) – não teriam sentido algum. Por que privar-se de algo prazeroso e, ao mesmo tempo, fazer arder o corpo no frio ou mesmo perder a própria vida? Por que tanto "radicalismo" com essa história de "castidade"? Porque, ontem, assim como hoje, os seguidores de Cristo não se fizeram eunucos "por mãos humanas": eles viveram (e vivem) a pureza por causa do Céu – e só a vida eterna pode explicar a sua abnegação e os seus sacrifícios, em que pese todo o desprezo do mundo.

Depois do episódio acima referido, como se sabe, Bernardo consagrou-se por inteiro a Deus e entrou na vida religiosa como monge cisterciense. Em 20 de agosto de 1153, partiu deste mundo, deixando na terra a sua notável fama de santidade, além de obras de incalculável valor espiritual.

No dia em que a Igreja celebra a memória deste grande doutor da Igreja, peçamos a sua intercessão. Que ele nos ajude a viver inteiramente para Deus, independentemente do estado de vida em que o Senhor nos colocou: na vida leiga ou consagrada, na vida sacerdotal ou matrimonial, todos são convocados à castidade, à entrega total do próprio ser e à santidade – porque, afinal, todos são chamados para amar.

São Bernardo de Claraval,
rogai por nós!

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

A conversão de São Bernardo, II, 9.
Da Consideração (trad. Ricardo da Costa), I, 2 (PL 182, 730).
A conversão de São Bernardo, III, 6.
Cf. Santo Hilário apud Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Matthaeum, XIX, 3.
Cf. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 143.

Fonte: Site Padre Paulo Ricardo

sábado, 15 de agosto de 2015

Comentário ao Evangelho (15 de Agosto - Assunção de Nossa Senhora) feito por São João Damasceno



Comentário do dia 
São João Damasceno (c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja 
Segunda homilia sobre a Dormição

A arca da Nova Aliança entra no Templo celeste (1Rs 8; Ap 11,19)

Hoje, a arca santa e viva do Deus vivo, aquela cujo seio tinha trazido o seu próprio Criador, repousa no templo do Senhor, que não foi construído pela mão do homem. David, seu antepassado e parente de Deus, dança de alegria (2Sam 7,14); os anjos dançam em coro, os arcanjos aplaudem e as potestades dos céus cantam a sua glória. [...]

Como poderia aquela que para todos fez brotar a verdadeira vida cair em poder da morte? Na verdade, como filha do velho Adão, Ela submeteu-se à sentença que foi declarada contra ele, porque nem o seu Filho, que é a Vida verdadeira, dela quis excluir-Se; mas, como Mãe do Deus vivo, é justo que seja elevada até Ele. [...]

A arca da Nova Aliança entra no templo celeste (1Rs 8; Ap 11,19). Como poderia aquela que recebeu em si a própria Vida, sem princípio nem fim, deixar de permanecer viva por toda a eternidade? Os primeiros pais da nossa raça mortal, embriagados com o vinho da desobediência [...], com o espírito pesado por causa da intemperança do pecado, adormeceram no sono da morte; o Senhor expulsou-os e exilou-os do paraíso do Éden. Mas como poderia o paraíso deixar de receber, deixar de abrir alegremente as suas portas àquela que não cometeu pecado e que deu à luz o Filho da obediência a Deus e ao Pai? [...] Uma vez que Cristo, que é a Vida e a Verdade, disse: «Onde Eu estiver, aí estará também o meu servo» (Jo 12,26), como era possível que, por maioria de razão, sua Mãe não partilhasse a sua morada? [...] 

Portanto, «que os céus rejubilem», que todos os anjos a aclamem. «Que a terra exulte» (Sl 95, 11), que os homens estremeçam de alegria. Que nos ares ressoem cantos de júbilo; que a noite afaste as sua trevas e o seu manto de luto. [...] Porque a cidade viva do Senhor, Deus dos exércitos, foi exaltada. Ao santuário de Sião os reis trazem presentes inestimáveis (Sl 67,30); e aqueles que Cristo estabeleceu como príncipes de toda a terra, os apóstolos, escoltam a Mãe de Deus, a sempre virgem, até à Jerusalém do céu, que é livre e nossa mãe (Gal 4,26).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Comentário ao Evangelho (14/08) pelo Papa São João Paulo II


Comentário do dia 
São João Paulo II (1920-2005), papa 
Angelus, 6 de Fevereiro de 1994

«O Criador, desde o princípio, fê-los homem e mulher»

Tal como tinha planeado desde o princípio, Deus criou o homem e a mulher à sua imagem. A Escritura diz: «Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (Gn 1,27). É pois importante esta grande verdade do livro do Gênesis: a imagem de Si mesmo que Deus pôs no homem e na mulher passa também através da complementaridade dos sexos. O homem e a mulher, unidos em matrimônio, refletem a imagem de Deus e são, de algum modo, a revelação do seu amor. Não só do amor que Deus nutre pelo ser humano, mas também da misteriosa comunhão que caracteriza a vida íntima das três Pessoas divinas. 

Imagem de Deus pode considerar-se, também, a própria geração, que faz de cada família um santuário da vida. O apóstolo Paulo diz-nos que toda a paternidade e maternidade recebem o nome de Deus (Ef 3,15). É Ele a fonte última da vida. Por isso, pode-se afirmar que a genealogia de cada pessoa tem as suas raízes no eterno. Ao gerar um filho, os pais são colaboradores de Deus. Missão verdadeiramente sublime! Não nos surpreendamos, consequentemente, de que Jesus tenha querido elevar o casamento à dignidade de sacramento, e de que São Paulo se lhe refira como um «grande mistério», pondo-o em relação com a união de Cristo com a Igreja (Ef 5,32).

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (13/08) por Santo Agostinho de Hipona


Comentário do dia 
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
1º sermão

«Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos» (Mt 5,12)

Todo o homem é devedor de Deus e tem o seu irmão como seu devedor. Haverá alguém que não deva nada a Deus, senão Aquele em quem não se pode encontrar pecado? E quem é o homem que não tem um irmão como seu devedor, senão aquele a quem ninguém ofendeu? Parece-te possível que haja um único homem a quem não se possa contabilizar qualquer falta para com um irmão?

Portanto, todo o homem é devedor de alguém e tem os seus devedores. Por isso Deus, que é justo, deu-te uma regra para seguires com o teu devedor, e Ele próprio aplicará esta regra para com o seu. Existem, com efeito, duas obras de misericórdia que nos podem libertar; o próprio Senhor as formulou de uma forma breve no seu Evangelho: «Perdoai e ser-vos-á perdoado», «Dai e dar-se-vos-á» (Lc 6,37ss). A primeira tem a ver com o perdão, a segunda com a caridade.

Tu desejas obter o perdão dos teus pecados e também tens pecados a perdoar a alguém. O mesmo se passa com a caridade: o mendigo pede-te esmola e tu és o mendigo de Deus, porque todos somos, quando pedimos, mendigos de Deus. Todos nos prostramos diante da porta do nosso Pai, da sua enorme riqueza. E suplicamos-Lhe gemendo, desejosos de receber dele alguma coisa: ora essa coisa é o próprio Deus. Que te pede o mendigo? Pão. E tu, que pedes a Deus? Nada menos que o próprio Cristo, que disse: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu» (Jo 6,51). Quereis ser perdoados? «Perdoai e sereis perdoados.» Quereis receber? «Dai e dar-se-vos-á.»

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Comentário do Evangelho (07/08) por São Pio de Pietrelcilna (Padre Pio)



São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
FSP, 119; Ep 3,441; CE, 21; Ep 3,413


«Tome a sua cruz e siga-Me»

Durante a tua vida, Cristo não te pede que carregues com Ele todo o peso da sua cruz, que é uma cruz pesada, mas apenas uma pequena parte dele, aceitando os teus sofrimentos. Nada tens a temer. Pelo contrário, considera-te muito feliz por teres sido julgado digno de participar nos sofrimentos do Homem-Deus. Não penses que Deus te abandonou ou que está a castigar-te; pelo contrário, Ele está a dar-te uma prova do seu amor, do seu grande amor. Deves agradecer-Lho e resignar-te a beber o cálice do Getsemani.

Por vezes, o Senhor faz-te sentir o peso da cruz. Esse peso parece-te insuportável e, contudo, tu carrega-lo porque o Senhor, que é cheio de amor e de misericórdia, te estende a sua mão e te dá as forças de que precisas para tal. Perante a falta de piedade dos homens, o Senhor tem necessidade de pessoas que sofram com Ele. É por isso que me conduz às vias dolorosas de que me falas na tua carta. Mas que Ele seja bendito para sempre, porque o seu amor leva a doçura para o meio da amargura, e transforma os sofrimentos passageiros desta vida em méritos para a eternidade.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Comentário ao Evangelho (29/07) pelo Beato John Henry Newman


Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «The tears of Christ at the grave of Lazarus»

Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor.»

Cristo veio ressuscitar Lázaro, mas o impacto desse milagre tornou-se a causa imediata da sua prisão e crucifixão (cf Jo 11,46ss). [...] Ele bem sentia que Lázaro voltava à vida pelo preço do seu próprio sacrifício; sentia-Se descer ao túmulo de onde tinha de tirar o amigo; sentia que Lázaro tinha de viver e que Ele próprio tinha de morrer. As aparências inverter-se-iam: haveria um festim em casa de Marta (cf Jo 12,1ss), mas a última Páscoa de tristeza caber-Lhe-ia a Ele. E Jesus conhecia e aceitava totalmente essa inversão: Ele tinha vindo do seio de seu Pai para resgatar com o seu sangue todos os pecados dos homens e assim fazer sair do túmulo todos os crentes, como fez com seu amigo Lázaro ─ fazê-los voltar à vida, não durante algum tempo, mas para sempre. [...]

Face à amplitude do que pretendia fazer nesse acto de misericórdia único, Jesus disse a Marta: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá;
e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá.» Façamos nossas estas palavras de consolo, quer perante à nossa própria morte, quer perante a morte dos nossos amigos: onde houver fé em Cristo, aí estará Ele em pessoa. «Acreditas nisto?», perguntou Ele a Marta. Quando um coração pode responder como Marta: «Acredito, Senhor», Cristo torna-Se misericordiosamente presente nele. Ainda que invisível, Ele está lá, junto de um leito de morte ou de um túmulo, sejamos nós que agonizamos ou sejam os nossos entes queridos. Que o seu nome seja bendito! Nada nos pode tirar essa consolação. Pela sua graça, temos tanta certeza de que Ele está lá com todo o seu amor como se O víssemos. Depois da nossa experiência do que aconteceu a Lázaro, não duvidaremos um instante sequer de que Ele está cheio de atenções para connosco e de que está ao nosso lado.

Créditos: Evangelho Quotidiano

domingo, 26 de julho de 2015

O que é a caridade - Santa Teresinha do Menino Jesus



O que é a caridade (Santa Teresinha do Menino Jesus)
Este ano, minha querida Madre, Deus concedeu-me a graça de compreender o que é a caridade. Dantes compreendia-o, é verdade, mas de uma maneira imperfeita. Não tinha aprofundado estas palavras de Jesus: «O segundo mandamento é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Aplicava-me, sobretudo a amar a Deus, e foi amando-O que compreendi que o meu amor não se devia traduzir só em palavras, porque: «Não são aqueles que dizem: Senhor, Senhor, que entrarão no reino dos Céus, mas aqueles que fazem a vontade de Deus». Jesus deu a conhecer esta vontade diversas vezes; deveria dizer, quase em cada página do Evangelho. Mas na última Ceia, quando sabe que o coração dos seus discípulos se abrasa num amor mais ardente para com Ele, que acaba de Se lhes dar no inefável mistério da Eucaristia, este benigno Salvador, quer dar-lhes um mandamento novo. Diz-lhes com uma ternura inexprimível: «Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros, e que assim como Eu vos amei, vós também vos ameis uns aos outros. O sinal pelo qual todos conhecerão que sois meus discípulos, é amar-vos mutuamente».

Como amou Jesus os seus discípulos, e porque os amou? Ah! não eram as qualidades naturais deles que O podiam atrair; havia entre eles e Ele uma distância infinita: Ele era a Ciência, a Sabedoria eterna; eles eram pobres pescadores, ignorantes e cheios de pensamentos terrestres. Apesar disso, Jesus chama-lhes seus amigos, seus irmãos. Quer vê-los reinar com Ele no reino de seu Pai, e para lhes abrir esse reino quer morrer numa cruz, pois disse: «Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama».

Caríssima Madre, ao meditar estas palavras de Jesus, compreendi quanto era imperfeito o meu amor para com as minhas Irmãs; vi que não as amava como Deus as ama. Ah! compreendo agora que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos atos de virtude que se lhes vir praticar; mas compreendi, sobretudo, que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração: «Ninguém, disse Jesus, acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas coloca-a sobre o candelabro para alumiar todos os que estão em casa». Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão em casa, sem excetuar ninguém.

Quando o Senhor ordenara ao seu povo que amasse o seu próximo como a si mesmo, não tinha ainda vindo à terra. Por isso, sabendo em que grau se ama a própria pessoa, não podia pedir às suas criaturas um amor maior para com o próximo. Mas quando Jesus deu aos Apóstolos um mandamento novo, o seu mandamento, como diz mais adiante, não fala já de amar o próximo como a si mesmo, mas de o amar como Ele, Jesus, o amou, como o amará até à consumação dos séculos…

Ah, Senhor! eu sei que não mandais nada que seja impossível, conheceis melhor do que eu a minha fraqueza, a minha imperfeição, sabeis bem que nunca poderia amar as minhas Irmãs como Vós as amais, se Vós mesmo, ó meu Jesus, não as amásseis também em mim. Foi porque me queríeis conceder esta graça que ditastes um mandamento novo. - Oh! como gosto dele, já que me dá a certeza de que a vossa vontade é amardes em mim todos aqueles a quem me mandais amar! …

Sim, eu sinto que quando sou caridosa, é só Jesus que age em mim; quanto mais estiver unida a Ele, tanto mais amo também as minhas Irmãs. Quando quero fazer crescer em mim este amor, sobretudo quando o demónio procura pôr-me diante dos olhos da alma os defeitos de tal ou tal Irmã que me é menos simpática, apresso-me a procurar as suas virtudes, os seus bons desejos, digo para comigo que se a vi cair uma vez, pode muito bem ter alcançado um grande número de vitórias que esconde por humildade, e que mesmo o que me parece uma falta, pode muito bem ser, por causa da intenção, um ato de virtude. Não me custa persuadir-me disso, pois um dia fiz uma pequena experiência que me provou que nunca se deve julgar. – Foi durante um recreio; a porteira tocou duas vezes, era preciso ir abrir o portão dos operários para meterem dentro árvores destinadas ao presépio. O recreio não estava animado, pois vós não estáveis lá, minha querida Madre; portanto, pensei que, se me mandassem servir de terceira, ficaria muito contente. Precisamente a Madre Sub-prioresa disse-me que fosse eu, ou então a Irmã que estava ao meu lado. Comecei logo a tirar avental, mas bastante devagar, para que a minha companheira tirasse o dela antes de mim, pois pensava ser-lhe agradável, deixando-a fazer de terceira. A Irmã que substituía a ecónoma olhava para nós a rir, e, vendo que eu tinha sido a última a levantar-me, disse-me: Ah! bem me parecia que não éreis vós que ganharíeis uma pérola para a vossa coroa, com todos esses vagares…

Com toda a certeza, toda a Comunidade pensou que eu agira naturalmente, e não conseguiria dizer o bem que uma coisa tão pequena fez à minha alma, e me tornou indulgente para com as fraquezas das outras. Isso impede-me também de ter vaidade quando sou julgada favoravelmente, pois digo assim para comigo: «Já que tomam os meus pequenos atos de virtude por imperfeições, podem também enganar-se tomando por virtude aquilo que é somente imperfeição». Então digo com S. Paulo: «Pouco me importa ser julgada por um tribunal humano. Nem me julgo a mim mesma, quem me julga é o Senhor». E assim, para que este julgamento me seja favorável, ou antes, para não ser sequer julgada, quero ter sempre pensamentos caridosos, pois Jesus disse: «Não julgueis, e não sereis julgados».

Minha Madre, ao lerdes o que acabo de escrever, poderíeis pensar que a prática da caridade não me é difícil. É verdade. De há alguns meses para cá já não tenho que combater para praticar esta bela virtude; não quero dizer com isto que nunca me aconteça cometer faltas, ah! sou demasiado imperfeita para tal, mas não me custa muito levantar-me quando caí, pois houve um certo combate em que consegui a vitória; por isso, a milícia celeste vem agora em meu socorro, pois não pode consentir em ver-me vencida, depois de ter saído vencedora na gloriosa guerra que vou tentar descrever.

Há na Comunidade uma Irmã que tem o condão de me desagradar em todas as coisas: as suas maneiras, as suas palavras, o seu caráter, pareciam-me muito desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa, que deve ser muito agradável a Deus; por isso, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, disse comigo que a caridade não devia consistir nos sentimentos, mas nas obras. Então apliquei-me a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa que mais amo. Cada vez que a encontrava, rezava por ela a Deus, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e os seus méritos. Estava certa de que isso agradava a Jesus, pois não há artista que não goste de receber louvores pelas suas obras, e Jesus, o Artista das almas, fica contente quando não nos detemos no exterior, mas, penetrando até ao santuário íntimo que escolheu para sua morada, lhe admiramos a beleza. Não me contentava com rezar muito pela Irmã que me proporcionava tantos combates; procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis e, quando tinha a tentação de lhe responder de uma maneira desagradável, contentava-me com dar-lhe o meu sorriso, e procurava desviar a conversa, pois a Imitação de Cristo diz: Vale mais deixar cada um com a sua opinião do que deter-se a discutir.

Muitas vezes também, quando não estava no recreio (quero dizer, durante as horas de trabalho), tendo alguns contactos de ofício com esta Irmã, quando os meus combates eram muito violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava absolutamente o que eu sentia por ela, nunca suspeitou dos motivos da minha conduta, e continua persuadida de que o seu caráter me é agradável. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras, com um ar muito contente: «Poderíeis dizer-me, minha Irmã Teresa do Menino Jesus, o que tanto vos atrai em mim, cada vez que olhais para mim vejo-vos sorrir?» Ah! o que me atraía era Jesus escondido no fundo da sua alma … Jesus, que torna doce o que há de mais amargo. Respondi-lhe que sorria porque ficava contente de a ver (claro que não acrescentei que era sob o ponto de vista espiritual).

Minha caríssima Madre, já vo-lo disse, o meu último recurso para não ser vencida nos combates é a deserção. Já durante o noviciado o empregava, e sempre me deu bom resultado. Vou contar-vos um exemplo, minha Madre, que creio que vos fará sorrir. Durante uma das vossas bronquites, vim uma manhã, muito de mansinho, pôr na vossa cela as chaves da grade da comunhão, pois era sacristão Na verdade, não estava aborrecida por ter essa ocasião de vos ver, estava até muito contente, mas esforçava-me por não o dar a entender. Uma Irmã, animada dum santo zelo, e que no entanto me amava muito, vendo-me entrar na vossa cela, minha Madre, pensou que eu vos ia acordar. Quis tirar-me as chaves, mas eu era astuta demais para lhas dar e ceder os meus direitos. Disse-lhe o mais delicadamente possível que desejava tanto como ela não vos acordar, e que me pertencia a mim entregar as chaves… Compreendo agora que teria sido muito mais perfeito ceder a essa Irmã, nova, é verdade, mas enfim, mais antiga do que eu. Não o compreendia então, por isso, querendo a todo o custo entrar atrás dela, apesar de ela empurrar a porta para não me deixar passar, não tardou que a desgraça que ambas temíamos acontecesse: o barulho que fazíamos fez-vos acordar… Então, minha Madre, tudo recaiu sobre mim: a pobre Irmã, a quem eu resistira, pôs-se a declamar todo um discurso, cujo conteúdo era o seguinte: «Foi a Irmã Teresa do Menino Jesus que fez barulho… Meu Deus, como ela é insuportável…» etc. Eu, que sentia exatamente o contrário, tinha bastante vontade de me defender; felizmente, ocorreu-me uma ideia luminosa: disse comigo que com certeza, se me começasse a justificar, não conseguiria conservar a paz na minha alma; sentia também que não tinha virtude bastante para me deixar acusar sem dizer nada; a minha única tábua de salvação era, portanto, a fuga. Dito e feito. Saí pela calada, deixando a Irmã continuar o seu discurso, que se parecia com as imprecações de Camilo contra Roma. O meu coração batia com tanta força que me foi impossível ir longe, e sentei-me na escada para gozar em paz os frutos da minha vitória. Não havia nisso valentia, não achais, minha querida Madre? Mas apesar disso, creio que vale mais não se expor ao combate quando a derrota é certa. Ai de mim!quando me recordo do tempo do meu noviciado, vejo bem quanto era imperfeita… Sofria por tão pouco, que agora rio-me disso. Ah! como o Senhor é bom por ter feito crescer a minha alma, por lhe ter dado asas … Todos os laços dos caçadores não seriam capazes de me assustar, porque: «É em vão que se arma o laço diante dos olhos daqueles que têm asas» (Prov.). Mais tarde, sem dúvida, o tempo em que estou vai-me parecer ainda cheio de imperfeições, mas agora já não me admiro nada, não tenho desgosto por ver que sou a própria fraqueza, pelo contrário, é nela que me glorio, e conto descobrir em mim todos os dias novas imperfeições. Lembrando-me de que a Caridade cobre a multidão dos pecados, bebo nessa mina abundante que Jesus abriu na minha frente. No Evangelho, o Senhor explica em que consiste o seu mandamento novo. Diz em S. Mateus: «Ouvistes que foi dito: amareis o vosso amigo e odiareis o vosso inimigo. Mas eu digo-vos: amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem». Sem dúvida, no Carmelo não se encontram inimigos, mas enfim, há simpatias, sente-se atração por uma Irmã, ao passo que outra nos faria dar uma grande volta para evitar encontrá-la; assim, mesmo sem o saber, ela torna-se objeto de perseguição. Pois bem! Jesus diz-me que esta Irmã, é preciso amá-la, que é preciso rezar por ela, mesmo que o seu comportamento me levasse a pensar que ela não me ama; «Se amais aqueles que vos amam, que reconhecimento haveis de ter? Pois também os pecadores amam aqueles que os amam» (S. Lucas, VI). E não basta amar, é preciso prová-lo. Fica-se naturalmente contente por dar um presente a um amigo; gosta-se sobretudo de fazer surpresas, mas isso de modo algum é caridade, pois os pecadores também o fazem. Eis o que Jesus me ensina ainda: «Dai a todo aquele que vos pede; e se tomarem o que vos pertence, não o reclameis». Dar a todas as que pedem é menos agradável que oferecer por si mesma, pelo impulso do seu coração; ainda quando pedem com delicadeza, não custa dar, mas, se por infelicidade, não empregam palavras bastante delicadas, logo a alma se revolta, se não estiver fortalecida na caridade. Arranja mil razões para recusar o que se lhe pede, e só depois de ter convencido a que pede da sua indelicadeza, é que, por fim, lhe dá por favor o que reclama, ou lhe presta um pequeno serviço que teria levado vinte vezes menos tempo a realizar do que foi preciso para fazer valer direitos imaginários. Se é difícil dar a todo aquele que pede, ainda o é mais deixar tomar o que nos pertence sem o reclamar. Oh, minha Madre! digo que é difícil, deveria dizer antes que isso parece difícil, pois o jugo do Senhor é suave e leve; quando se aceita sente-se logo a sua suavidade, e exclama-se com o salmista: «Corri pelo caminho dos vossos mandamentos, desde que dilatastes o meu coração». Só a caridade me pode dilatar o coração. Ó Jesus! desde que esta ditosa chama o consome, corro com alegria pelo caminho do vosso mandamento novo… Quero correr por ele até ao dia bem-aventurado em que, juntando-me ao cortejo virginal, poderei seguir-Vos nos espaços infinitos, cantando o vosso cântico novo, que deve ser o do Amor.

Santa Teresa do Menino Jesus, Obras Completas, Edições Carmelo, 1996, pp. 256-263

Fonte: O Camponês

Santa Maria Madalena. Das Homilias sobre os evangelhos, de São Gregório Magno, papa



Das Homilias sobre os evangelhos, de São Gregório Magno, papa
(Hom.25,1-2.4-5:PL 76,1189-1193)(Séc.VI)

Sentia o desejo ardente de encontrar a Cristo,
que julgava ter sido roubado

Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera. Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando (Jo 20,11).

Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora. Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia a ardente saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por iso, só ela o viu então, porque só ela o ficou procurando. Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).

Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar. Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos. Quem experimentou este amor ardente, pôde alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: Estou ferida de amor (Ct 5,8). E ainda: Minha alma desfalece (cf.Ct 5,6).

Mulher, por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por ele.

Então Jesus disse: Maria (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido, chama-a pelo próprio nome. Foi como se lhe dissesse abertamente: Reconhece aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti. Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: Rabuni, que quer dizer Mestre (Jo 20,16). Era ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era ele que a impelia interiormente a procurá-lo.

Fonte: O Camponês

sábado, 25 de julho de 2015

Amor à Virgem, Amor ao Cristo


Com um só decreto Deus Todo-Poderoso estabeleceu a Encarnação do Verbo e a existência de Maria Santíssima; por conseguinte, tudo o que se refere à Virgem Maria é profundamente cristocêntrico, e tudo o que se refere a Cristo Jesus, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, é intrinsecamente mariano! Que Mistério grandioso, comovente e maravilhoso! Quanto mais amamos e adoramos a Beatíssima Trindade, por meio da Pessoa Maravilhosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais profunda e reverente é a nossa veneração à Soberana Virgem, Sua Mãe Imaculada. Da mesma forma, quanto mais honrarmos e amamos à Santíssima Virgem Nossa Senhora, mais estaremos honrando ao Cristo Senhor.

Que esta reflexão sirva para que cresçamos em devoção e Amor à Virgem Mãe, Suserana Nossa, e para que procuremos uma identificação, cada dia maior, com a Consagração Total a Ela - que muitos de nós já fizemos ou estamos prestes a fazer.

Christian dos Santos Claudino

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Oração pelos sacerdotes (Indulgenciada por S. Pio X em 03/03/1905)


Oração pelos sacerdotes (Indulgenciada por S. Pio X em 03/03/1905)

Ó Jesus, Pontífice Eterno, Divino Sacrificador, Vós que, no Vosso incomparável amor, deixastes sair do Vosso Sagrado Coração o sacerdócio cristão, dignai-Vos derramar, nos Vossos sacerdotes, as ondas vivificantes do Amor infinito.

Vivei neles, transformai-os em Vós, tornai-os, pela Vossa graça, instrumentos de Vossas Misericórdias.

Atuai neles e por eles, e fazei que, revestidos inteiramente de Vós pela fiel imitação de Vossas adoráveis virtudes, operem, em Vosso nome e pela força de Vosso espírito, as obras que Vós mesmo realizastes para a salvação do mundo.

Divino Redentor das almas, vede como é grande a multidão dos que dormem ainda nas trevas do erro; contai o número dessas ovelhas infiéis que ladeiam os precipícios; considerai a multidão dos pobres, dos famintos, dos ignorantes e dos fracos que gemem ao abandono.

Voltai para nós por intermédio dos Vossos sacerdotes. Revivei neles; atuai por eles, e passai de novo através do mundo, ensinando, perdoando, consolando, sacrificando, e reatando os laços sagrados do amor entre o Coração de Deus e o coração humano.

Amém.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere
Referência
Do livro «O Sagrado Coração e o Sacerdócio», de Madre Luísa Margarida Claret de La Touche. Fonte: presbiteros.com.br

domingo, 31 de maio de 2015

Comentário ao Evangelho (31/05, Solenidade da Santíssima Trindade) feito por Santo Antônio de Lisboa



Comentário do dia
Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos


«Um só Deus, um só Senhor, na trindade das pessoas e na unidade da natureza» (Prefácio)

O Pai, o Filho e o Espírito Santo são de uma só substância e de uma inseparável igualdade. A unidade está na essência, a pluralidade nas pessoas. O Senhor indica abertamente a unidade da essência divina e a trindade das pessoas quando diz: «Baptizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.» Não diz «nos nomes», mas «em nome», mostrando assim a unidade da essência. Em seguida, porém, emprega três nomes, para mostrar que há três pessoas.

Nesta Trindade se encontra a origem suprema , a beleza perfeita, a alegria bem-aventurada de todas as coisas. A origem suprema, afirma Santo Agostinho no seu livro sobre a verdadeira religião, é Deus Pai, de quem provêm todas as coisas, de quem procedem o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeita é o Filho, a verdade do Pai, que em nada se distingue dele, que veneramos com o Pai e no Pai, que é o modelo de todas as coisas, porque tudo foi feito por Ele e tudo se refere a Ele. A alegria bem-aventurada, a soberana bondade, é o Espírito Santo, que é o dom do Pai e do Filho; e devemos crer e manter que este dom é exactamente como o Pai e o Filho.

Ao contemplar a criação, concluímos pela Trindade de uma só substância. Apreendemos um só Deus: Pai, de quem somos, Filho, por quem somos, Espírito Santo, em quem somos. Príncipe, a quem recorremos; modelo, que seguimos; graça, que nos reconcilia.

Créditos: Evangelho Quotidiano

São Luís Maria de Montfort ensina como rezar o Santo Rosário


O Santo Rosário, na forma como é rezado presentemente, foi inspirado à Igreja, e dado pela Santíssima Virgem a São Domingos, no ano de 1214, para converter os albigenses e os pecadores, conforme relatou o Beato Alano de la Roche.

São Domingos, inspirado pelo Espírito Santo, instruído pela Santíssima Virgem e por sua própria experiência, pregou o Rosário todo o resto de sua vida.

Desde o estabelecimento do Rosário por São Domingos, até 1460, quando o Beato Alano o restabeleceu por ordem do Céu, ele foi chamado de Saltério de Jesus e da Virgem, porque contém 150 Ave-Marias — o mesmo número dos Salmos de Davi.

AS ORAÇÕES VOCAIS DO ROSÁRIO

1. Credo, ou Símbolo dos Apóstolos, é rezado na Cruz do Rosário.
Contém ele um resumo das verdades cristãs e é uma oração de grande mérito, porque a fé é o fundamento e o princípio de todas as virtudes cristãs e de todas as orações que agradam a Deus. “Creio em Deus” contém os atos das três virtudes teologais, a fé, a esperança e a caridade, e têm uma eficácia maravilhosa para santificar a alma e aterrorizar o demônio.

2. O Pai Nosso, ou Oração Dominical (de Dominus, Senhor), tira sua primeira excelência de seu Autor, Jesus Cristo, o próprio Rei dos Anjos e dos homens.

“Era necessário, diz São Cipriano, que Aquele que nos veio dar a vida da graça como Salvador, nos ensinasse como Mestre a maneira de rezar”.

O Pai-Nosso contém todos os deveres que nós temos em relação a Deus; contém ademais os atos de todas as virtudes e os pedidos para todas as nossas necessidades espirituais e corporais.

Ele é o resumo do Evangelho, como diz Tertuliano. Ele ultrapassa, diz Tomás de Kempis, todos os desejos dos Santos; compreendia todas as doces sentenças dos salmos e dos cânticos; pede tudo o que nos é necessário; louva a Deus de modo excelente; e eleva a alma da terra ao céu, unindo-a estreitamente a Deus.

Devemos recitar a Oração Dominial na certeza de que o Pai Eterno a atenderá, pois é a oração de seu Filho, que Ele sempre atende.

Santo Agostinho assegura que o Pai-Nosso bem rezado apaga os pecados veniais.

Dizendo: “Pai nosso, que estais no Céu”, formulamos atos de fé, de adoração e de humildade. Desejando que seu Nome seja santificado e glorificado, manifestamos zelo por sua glória.
Pedindo-Lhe que venha a nós o seu Reino, fazemos um ato de esperança. Desejando que sua vontade seja feita na terra como no céu, fazemos um ato de perfeita obediência.
Pedindo-Lhe o pão nosso de cada dia, praticamos a pobreza de espírito e o desapego dos bens terrenos.
Pedindo que nos perdoe as nossas ofensas, realizamos um ato de arrependimento; e perdoando aqueles que nos ofendem, exercitamos a misericórdia na sua mais alta perfeição.
Pedindo seu socorro para não cairmos em tentação, fazemos atos de humildade, de prudência e de fortaleza. Esperando que Ele nos livre do mal, praticamos a paciência.
Enfim, pedindo todas essas coisas, não somente para nós, mas também para o nosso próximo e para todos os membros da Igreja, cumprimos o dever de verdadeiros filhos de Deus, pois O imitamos na sua caridade, que abarca todos os homens, e cumprimos o mandamento do amor ao próximo.

c) A Ave Maria. A Ave Maria, também conhecida como “Saudação Angélica”, é tão sublime e elevada, que o Beato Alano de la Roche julgou que nenhuma criatura pode compreendê-la e que somente Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, pode explicá-la.

Ela tira principalmente sua excelência da Santíssima Virgem à qual foi dirigida; da finalidade da Encarnação do Verbo para a qual foi trazida do céu; e do Arcanjo São Gabriel, que a pronunciou pela primeira vez. A Saudação Angélica resume toda a teologia cristã sobre Maria Santíssima.

A Santíssima Trindade revelou a primeira parte da Ave Maria; Santa Isabel, iluminada pelo Espírito Santo, acrescentou a segunda; e a Igreja, no I Concílio de Éfeso (ano 430), pôs a conclusão, após ter definido que Nossa Senhora é verdadeiramente Mãe de Deus. Esse Concílio ordenou que Ela fosse invocada com as seguintes palavras: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

Deus Pai é glorificado quando honramos a mais perfeita de suas criaturas. Deus Filho é glorificado porque louvamos sua puríssima Mãe. O Espírito Santo é glorificado porque admiramos as graças com as quais Ele cumulou sua Esposa.

Assim como a Virgem, em seu belo cântico Magnificat, remeteu a Deus os louvores e as bençãos que Lhe dirigiu Santa Isabel, assim também Ela remete prontamente a Deus os elogios e as bençãos que Lhe damos pela Saudação Angélica.

No momento em que Santa Isabel ouviu a saudação que lhe deu a Mãe de Deus, ela foi comulada pelo Espírito Santo, e a criança que levava no seio estremeceu de alegria.

Maria é a nossa Mãe e nossa amiga. Ela é a Imperatriz do universo, e nos ama mais do que todas as mães e rainhas juntas amaram um homem mortal. Pois, diz Santo Agostinho, a caridade da Virgem Maria excede todo o amor natural de todos os homens e de todos os Anjos.

Tenhamos sempre a Ave Maria no coração e nos lábios para honrar a Santíssima Trindade, para honrar a Jesus Cristo, nosso Salvador, e sua santa Mãe.

Ademais, no fim de cada dezena acrescentemos:
“Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém”.

A ORAÇÃO MENTAL (meditação) — OS QUINZE MISTÉRIOS DO ROSÁRIO
Mistério é uma coisa sagrada e difícil de compreender. As obras de Jesus Cristo são todas sagradas e divinas, porque Ele é Deus e Homem ao mesmo tempo. As da Santíssima Virgem são santíssimas, porque Ela é a mais perfeita de todas as puras criaturas.
Chamam-se mistérios as obras de Jesus Cristo e de sua santa Mãe, porque são repletas de maravilhas, perfeições e instruções profundas e sublimes, que o Espírito Santo revela aos humildes e às almas simples que Os honram.

São Domingos dividiu a vida de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem em quinze mistérios que nos representam suas virtudes e suas principais ações, como quinze quadros, cujas cenas devem nos servir de regra e de exemplo para conduzirmos nossa vida.

Nossa Senhora ensinou a São Domingos esse excelente método de oração e lhe ordenou que o pregasse, a fim de reacender a piedade dos cristãos e de fazer reviver em seus corações o amor de Jesus Cristo.

O Rosário sem a meditação dos mistérios sagrados de nossa salvação não seria senão um corpo sem alma, uma excelente matéria sem a forma que é a meditação.

A primeira parte do Rosário contém cinco mistérios, o primeiro dos quais é a anunciação do Arcanjo São Gabriel à Santíssima Virgem; o segundo, a visitação da Virgem a Santa Isabel; o terceiro, o nascimento de Jesus Cristo; o quarto, a apresentação do Menino Jesus no Templo e a purificação da Virgem; o quinto, o encontro de Jesus no
Templo, entre os doutores. Chamam-se esses mistérios gozosos por causa da alegria que deram a todo o universo.

A segunda parte do Rosário se compõe também de cinco mistérios, que se chamam dolorosos, porque nos representam Jesus Cristo acabrunhado de tristeza, coberto de chagas, sobrecarregado de opróbrios, de dores e de tormentos.
O primeiro desses mistérios é a oração de Jesus e sua agonia no Horto das Oliveiras; o segundo, sua flagelação; o terceiro, sua coroação de espinhos; o quarto, o carregamento da Cruz; e o quinto, sua crucifixão e morte sobre o Calvário.

A terceira parte do Rosário contém cinco outros mistérios, que se chamam gloriosos, porque neles contemplamos a Jesus e Maria no triunfo e na glória.
O primeiro é a ressurreição de Jesus Cristo; o segundo, sua ascensão ao céu; o terceiro, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos; o quarto, a assunção da gloriosa Virgem; e o quinto, sua coroação.

Essas são as quinze flores perfumadas do Rosário místico, sobre as quais as almas piedosas pousam como sábias abelhas, para colher o néctar admirável e dele compor o mel de uma sólida devoção.

Nossa vida é uma guerra e uma tentação contínuas, na qual não temos que combater inimigos de carne e de sangue, mas as próprias potências do inferno.

Armai-vos, pois, com a arma de Deus que é o santo Rosário. Esmagareis assim a cabeça do demônio e permanecereis inabaláveis diante de todas as suas tentações.

Santo Agostinho assegura que não há exercício mais frutuoso e mais útil para a salvação do que pensar frequentemente nos sofrimentos de Nosso Senhor.

Santo Alberto Magno, mestre de Santo Tomás de Aquino, soube por revelação que a simples lembrança ou meditação da paixão de Jesus Cristo é mais meritória ao cristão do que jejuar a pão e água todas as sextas-feiras de um ano inteiro, ou recitar todos os dias os cento e cinquenta Salmos.

Ah! qual não será, em consequência, o mérito do Rosário que rememora toda a vida e paixão de Nosso Senhor?

COMO SE DEVE REZAR O ROSÁRIO
Não é o prolongamento de uma oração que agrada a Deus e lhe conquista o coração, mas o seu fervor. Uma só Ave-Maria bem rezada tem mais mérito do que cento e cinquenta mal rezadas.

Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa que reza o Rosário esteja em estado de graça, ou pelo menos na resolução de sair do seu pecado, porque a Teologia nos ensina que as boas obras e as orações feitas em pecado mortal são obras mortas, que não agradam a Deus nem podem merecer a vida eterna.

Deus ouve antes à voz do coração que à da boca. Rezar a Deus com distrações voluntárias seria uma grande falta de respeito, que tornaria os nossos Rosários infrutíferos.

Para isso, colocai-vos na presença de Deus, pensando que Ele e sua santa Mãe têm os olhos postos sobre vós.

Pensai que vosso Anjo da Guarda está à vossa direita, colhendo as Ave-Marias que rezais, quando elas são bem rezadas, como se fossem rosas, para com elas tecer uma coroa para Jesus e Maria; e que, pelo contrário, o demônio está à vossa esquerda e ronda em torno de vós para devorar vossas Ave-Marias e as anotar no seu livro da morte, se elas são rezadas sem atenção, devoção e modéstia.

Sobretudo, não deixeis de fazer os oferecimentos das dezenas em honra dos mistérios, e de vos representar na imaginação a Nosso Senhor e à sua Santíssima Mãe no mistério que estais honrando.

Se for preciso combater, durante o Rosário, contra as distrações, combatei valentemente de armas na mão, ou seja, prosseguindo o Rosário, ainda que sem nenhum gosto nem consolação sensível.

É um combate terrível, mas é salutar à alma fiel.

“Quem é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes” (Lc 16,10)

Coragem pois, bom e fiel servidor de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, que tomastes a resolução de rezar o Rosário todos os dias! Que a multidão das moscas (chamo assim as distrações que vos fazem guerra enquanto rezais) não vos faça deixar covardemente a companhia de Jesus e de Maria, na qual estais quando dizeis vosso Rosário. A partir daqui indicarei os meios para diminuir as distrações.

Invocai inicialmente o Espírito Santo para bem rezar o vosso Rosário, e colocai-vos em seguida um momento na presença de Deus.

Antes de começar cada dezena, parai um pouco para considerar o mistério que estais celebrando, e pedi sempre, pela intercessão de María Santíssima, uma das virtudes que mais ressaltam naquele mistério ou da qual tendes mais necessidade.

Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a a imitar ou algum pecado a evitar.

É importante rezar o Rosário com atenção e devoção.

Deve-se rezar o Rosário com modéstia, tanto quanto possível de joelhos e com as mãos postas, tendo o Rosário nas mãos.

Pode-se rezá-lo na cama, se está doente; se em viagem, pode-se rezá-lo caminhando.

Pode-se até mesmo rezar o Rosário trabalhando, quando não se pode deixar o trabalho por causa dos deveres profissionais; pois o trabalho manual nem sempre é contrário à oração vocal.

Se não tendes tempo para rezar o terço do Rosário de uma só vez, rezai uma dezena aqui, uma dezena acolá, de tal forma que, apesar das vossas ocupações e negócios, tenhais o Rosário inteiro rezado antes de vos deitardes à noite.

De todas as maneiras de rezar o Rosario, a mais gloriosa a Deus, mais salutar á alma e mais terrível ao demônio, é salmodiá-lo ou rezá-lo publicamente em dois coros.

O Rosário cotidiano tem tantos inimigos, que eu considero um dos mais assinalados favores de Deus a graça de perseverar nele até à morte.

Perseverai nele e terei a coroa admirável que está preparada nos ceus para a vossa fidelidade: “Permanece fiel até à morte e te darei a coroa” (AP 2,10).

***

Fonte: MONTFORT, Luís Maria Grignion de. A eficácia maravilhosa do Santo Rosário. São Paulo: Artpress, 2000
Créditos: O Camponês

domingo, 26 de abril de 2015

Santo Epifanio «Os Últimos Dias da Virgem Maria»




Santo Epifanio

«Os Últimos Dias da Virgem Maria»

«Voltando-se o Senhor, viu o discípulo a quem amava
e lhe disse, a respeito de Maria: 'Eis aí tua Mãe'; 
e então à Mãe: 'Eis aí teu filho'»

(Jo 19,26).

Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiaria a João, ou João a ela? Mas, e também por que não a confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê-lo a João, por causa de sua virgindade. A ele foi que disse: "Eis aí tua mãe".

Não sendo mãe corporal de João, o Senhor queria significar ser ela a mãe ou o princípio da virgindade: dela procedeu a Vida. Nesse intuito dirigiu-se a João, que era estranho, que não era parente, a fim de indicar que sua Mãe devia ser honrada. Dela, na verdade, o Senhor nascera quanto ao corpo; sua encarnação não fora aparente, mas real. E se ela não fosse verdadeiramente sua mãe, aquela de quem recebera a carne, e que o dera à luz, não se preocuparia tanto em recomendá-la como a sempre Virgem. Sendo sua Mãe, não admitia mancha alguma na sua honra e no admirável vaso de seu corpo.

Mas prossegue o Evangelho: "e a partir daquele momento, o discípulo a levou consigo".

Ora, se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não para o alheio.

Temo, porém, que isso de que falamos venha a ser deturpado por alguns, no sentido de que pareça estimulá-los a manter as mulheres que dizem companheiras e diletas - coisa que inventaram com péssima intenção.

Com efeito, ali (no caso de João e da Santíssima Virgem) tudo foi disposto por uma providência especial, que tornava a situação desligada das obrigações comuns que, conforme a lei de Deus, se devem observar. Aliás, depois daquele momento em que João a levou consigo, não permaneceu ela longamente em sua casa.

Se alguém julgar que estamos laborando em erro, pode consultar a Sagrada Escritura, onde não achará a morte de Maria, nem se foi morta ou não, se foi sepultada ou não. E quando João partiu para a Ásia, em parte alguma está dito que tenha levado consigo a santa Virgem: sobre isso a Escritura silencia totalmente, o que penso ocorrer por causa da grandeza transcendente do prodígio, a fim de não induzir maior assombro às mentes.

Temo falar nisso e procuro impor-me silêncio a este respeito. Porque não sei, na verdade, se podem achar indicações, ainda que obscuras, sobre a incerta morte da santíssima e muito bem-aventurada Virgem. Pois de um lado temos a palavra, proferida sobre ela: "uma espada transpassará tua alma, para que sejam revelados os pensamentos de muitos corações" (Lc 2,35). De outro lado, todavia, lemos no Apocalipse de João (Ap 12), que o dragão avançou contra a mulher, quando dera à luz um varão; e que foram dadas a ela asas de águia, de modo a ser transportada para o deserto, onde o dragão não a alcançasse. Isso pode ter-se realizado nela. Embora eu não o afirme totalmente. Nem digo que tenha ficado imortal nem posso afirmar que tenha morrido. A Sagrada Escritura, transcendendo aqui a capacidade da mente humana, deixa a coisa na incerteza, em atenção ao Vaso exímio e excelente, de sorte que ninguém lhe atribua alguma sordidez própria da carne. Portanto, se ela morreu, não sabemos. E mesmo que tivesse sido sepultada, jamais teve comércio carnal: longe de nós essa blasfêmia! Quem ousaria, em furor de loucura, impor esse opróbrio à santa Virgem, erguendo contra ela a voz, abrindo a boca para uma afirmação assim nefanda, ao invés de lhe entoar louvores? quem iria desonrar assim o Vaso digno de toda honra?

Foi a ela que prefigurou Eva, ao receber o título, um tanto misterioso, de mãe dos viventes (Gn 3,20). Sim, porque o recebeu depois de ter escutado a palavra: "tu és terra e à terra hás de tornar", isto é, depois do pecado.

Numa consideração exterior e aparente, dir-se-ia que de Eva derivou a vida de todo o gênero humano, sobre a terra. Mas na verdade é de Maria que deriva a verdadeira vida para o mundo, é ela que dá à luz o Vivente, ela a Mãe dos viventes. Portanto, o título de "mãe dos viventes" queria indicar, na sombra e na figura, Maria.

Com efeito, não se aplica, porventura, às duas mulheres aquela palavra: "quem deu a sabedoria à mulher, quem lhe deu a ciência de tecer?" (Jo 18,36)

Eva, a primeira mulher sábia, teceu vestes visíveis para Adão, a quem despojara. Fora condenada ao trabalho. Já que tinha sido responsável pela nudez dele, precisou confeccionar a veste que cobrisse essa nudez externa, que cobrisse o corpo exposto aos sentidos.

A Maria, porém, coube vestir o cordeiro e" ovelha; com cujo esplendor e glória, como se fora uma lã, foi confeccionada sabiamente para nós uma veste, na virtude de sua imortalidade.

Outra coisa, além disso, pode considerar-se em ambas - Eva e Maria - digna de admiração. Eva trouxe ao gênero humano uma causa de morte, por ela a morte entrou no orbe da terra; Maria trouxe uma causa de vida, por ela a Vida se estendeu a nós. Pois o Filho de Deus veio a este mundo, para que" onde abundara o delito, superabundasse a graça" (Rm 5,20). Onde a morte havia chegado, chegou a vida, para" tomar seu lugar; e aquele mesmo que nasceu da mulher para ser nossa Vida haveria de expulsar a morte, introduzida pela mulher.

Quando ainda virgem, no paraíso, Eva desagradou a Deus, por sua desobediência. Por isso mesmo, emanou da Virgem a obediência própria da graça, depois que se anunciou o advento do Verbo revestido de corpo, o advento da eterna Vida do Céu.

FONTE:

GOMES, C. F. Antologia dos Santos Padres. Ed. Paulinas - São Paulo, 1979

terça-feira, 21 de abril de 2015

Comentário ao Evangelho (21/04) por Balduíno de Ford


Balduíno de Ford (?-c. 1190), abade cisterciense, depois bispo
O sacramento do altar III, 2; PL 204, 768-769

«É o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu»


Deus, cuja natureza é bondade e cuja substância é amor, em quem toda a vida é benevolência, querendo mostrar-nos a doçura da sua natureza e a ternura que tem pelos seus filhos, enviou ao mundo o seu Filho, o Pão dos Anjos (Sl 78,25), «pelo amor imenso com que nos amou» (Ef 2,4). Pois «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16).

Tal é o maná verdadeiro que o Senhor fez chover para que o comêssemos […], o que Deus, na sua bondade, preparou para os seus pobres (cf Sl 68,9ss). Pois Cristo, que veio para todos os homens e desceu até ao nível de cada um, tudo atrai a Si pela sua indizível bondade; a ninguém rejeita e admite todos os homens à penitência, tendo para todos os que O recebem um sabor delicioso. Só Ele basta para cumular todos os desejos […] e adapta-Se de modo diferente a uns e outros, segundo as tendências, os desejos e os apetites de cada um. […]

Cada um experimenta nele um sabor diferente. […] Pois Ele não tem o mesmo sabor para o penitente e o principiante, para aquele que caminha e para aquele que está a chegar à meta. Ele não tem o mesmo gosto na vida activa e na vida contemplativa, para aquele que se serve do mundo e para aquele que não o faz, para o celibatário e para o homem casado, para o que jejua e faz distinção dos dias e para aquele que os considera a todos iguais (cf Rom 14,5). […] Este maná tem um doce sabor, porque liberta das preocupações, cura as doenças, adoça as provações, secunda os esforços e reafirma a esperança. […] Aqueles que o provaram continuam com fome (cf Ecl 24,29); os que têm fome serão saciados.

Créditos: Evangelho Quotidiano
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