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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ninguém se salva a não ser por meio de Maria - Santo Afonso de Ligório




Maria Santíssima esmaga a cabeça da Serpente, protegendo a todos os seus filhos devotos.
Jesus foi o fruto de Maria, como diz Santa Isabel. Quem quer o fruto deve também querer a árvore. Quem, pois, quer a Jesus, deve procurar Maria; e quem acha Maria, certamente acha também Jesus.


Uma sentença de S. Bernardo diz: Cooperaram para nossa ruína um homem e uma mulher. Convinha, pois, que outro homem e outra mulher cooperassem para nossa reparação. E estes foram Jesus e Maria, sua Mãe. Não há dúvida, diz o Santo, Jesus Cristo, só, foi suficientíssimo para remir-nos. Mais conveniente era, entretanto, que para nossa reparação servissem ambos os sexos, assim como haviam cooperado ambos para nossa ruína. Pelo que S. Alberto chamou a Maria cooperadora da redenção. A própria Virgem revelou a S. Brígida que assim como Adão e Eva por um pomo venderam o mundo, assim também ela e seu Filho com um coração o resgataram. Do nada pôde Deus criar o mundo, observa S. Anselmo, mas não quis repará-lo sem a cooperação de Maria.

De três modos, explica o Padre Suárez, cooperou a divina Mãe para a nossa salvação. Primeiro, merecendo com merecimento de côngruo a Encarnação do Verbo. Segundo, rogando muito a Deus por nós, enquanto esteve no mundo. Terceiro, sacrificando com boa vontade a Deus a vida do Filho para nossa salvação. Tendo, pois, Maria cooperado para a redenção com tanto amor pelos homens e tanto zelo pela glória divina, com razão determinou o Senhor que todos nos salvemos por intermédio de sua intercessão.

Maria é chamada cooperadora de nossa justificação, diz Bernardino de Busti, porque Deus lhe entregou as graças todas que nos quer dispensar. Por isso, no dizer de S. Bernardo, todas as gerações, passadas, presentes e futuras, devem considerar Maria como medianeira e advogada da salvação de todos os séculos.

Garante-nos Jesus Cristo que ninguém pode vir a ele, a não ser que o Pai o traga. "Ninguém pode vir a mim, se o Pai não o atrair" (Jo 6, 44). O mesmo também, no sentir de Ricardo de S. Lourenço, diz Jesus de sua Mãe. Ninguém pode vir a mim, se minha Mãe o não atrair com suas preces. Jesus foi o fruto de Maria, como diz S. Isabel (Lc 1, 42). Quem quer o fruto deve também querer a árvore. Quem, pois, quer a Jesus, deve procurar Maria; e quem acha Maria, certamente acha também Jesus. Vendo Isabel a Santíssima Virgem que a fora visitar em sua casa, e não sabendo como lhe agradecer, exclamou cheia de humildade: E donde a mim esta dita, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Lc 1, 43). Mas como assim pergunta? Não sabia já Isabel que não só Maria, como também Jesus tinha vindo a sua casa? Por que, pois, se declara indigna de receber a Mãe, em vez de confessar-se indigna de ver o Filho vir a seu encontro? Ah! é porque bem entendia a Santa que Maria vem sempre com Jesus e que, portanto, lhe bastava agradecer à Mãe sem nomear o Filho.

No livro dos Provérbios (31, 14), diz-se da mulher prudente: Fez-se como a nau do negociante, que traz de longe o seu pão. Maria foi esta ditosa nau, que do céu nos trouxe Jesus Cristo, pão vivo descido do céu para dar-nos a vida eterna, como ele diz: Eu sou o pão vivo, que desci do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente (Jo 6, 51). Daí conclui Ricardo de S. Lourenço que no mar deste mundo todos se perdem, quantos não se tiverem recolhido a esta nau, isto é, que não forem protegidos de Maria. Sempre, portanto, continua ele, que estivermos em perigo de nos perdermos pelas tentações ou paixões desta vida: urge recorrer a Maria, clamando: Depressa, Senhora, ajudai-nos, salvai-nos, se não quereis ver-nos perdidos. E note-se aqui, de passagem, que o sobredito autor não se faz escrúpulo de dizer a Maria: Salvai-nos que perecemos! Não imita, por conseguinte, o autor mencionado no parágrafo anterior, o qual nos proíbe que peçamos à Virgem salvação, porquanto no seu parecer só de Deus devemos esperá-la. Bem pode um condenado à morte dizer a algum valido do rei que o salve, pedindo ao príncipe indulto para a sua vida. Mas por que então não poderemos nós dizer à Mãe de Deus que nos salve, impetrando-nos a graça da vida eterna? S. João Damasceno sem dificuldade dizia à Virgem Santíssima: Rainha pura e imaculada, salvai-me, livrai-me da condenação eterna! S. Boaventura saúda-a como "salvação dos que a invocam". A Santa Igreja aprova o chamar-lhe "saúde dos enfermos". E teremos nós escrúpulos de pedir-lhes que nos salve, quando um escritor afirma que ninguém se salva senão por ela? E já antes deles, S. Germano afirmou "que ninguém se salva a não ser por meio de Maria".

Da obra Glórias de Maria (I, 5), de Santo Afonso Maria de Ligório,
3. ed. Aparecida: Santuário, 1989, pp. 141-143.

Créditos: padrepauloricardo.org

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Comentário ao Evangelho do dia (12/04) por Santo Agostinho

(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermões sobre o evangelho de João, n.° 27, § 10


Deus tira do mal o bem e da injustiça a justiça


«Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo» (Jo 6,70). O Senhor devia dizer: «Escolhi onze de vós»; terá ele escolhido um demónio, haveria um demónio entre os eleitos? [...] Diremos nós que, ao escolher Judas, o Salvador quis cumprir, através dele e contra sua vontade, sem que ele soubesse, uma obra tão grande e tão boa? Isto é próprio de Deus [...]: fazer que as más obras dos maus sirvam o bem [...]. O mau faz que todas as boas obras de Deus sirvam o mal; o homem de bem, ao contrário, faz que as más ações dos maus sirvam o bem. Haverá alguém tão bom quanto o Deus único? O próprio Senhor diz: «Ninguém é bom senão um só: Deus» (Mc 10,18) [...] 

Haverá quem seja pior do que Judas? De entre os discípulos do Mestre, de entre os Doze, foi ele o escolhido para guardar a bolsa e prover aos pobres (Jo 13,29). Mas depois de tal dom, é ele quem recebe dinheiro para entregar Aquele que é a Vida (Mt 26,15); perseguiu como inimigo Aquele a quem tinha seguido como discípulo [...]. Mas o Senhor fez que tão grande crime servisse o bem. Aceitou ser traído para nos resgatar: eis como o crime de Judas se transmuta em bem. 

Quantos mártires terá Satanás perseguido? Mas, se não o tivesse feito, não celebraríamos hoje o seu triunfo [...]. O mau não pode contrariar a bondade de Deus. Ainda que Satanás seja um artesão do mal, o supremo Artesão não permitiria a existência do mal se não soubesse servir-Se dele para que tudo concorra para o bem.

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 11 de abril de 2017

Terça Feira Santa - Cristo preparando-se para lavar os pés dos discípulos



Levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e pegando duma toalha, cingiu-se com ela (Jo 13, 4).

1. Cristo, em seu serviço humilde, mostra que é Ele mesmo verdadeiramente um servo, mantendo-se fiel à sua palavra: O Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão (Mt 20, 28).

Três coisas se buscam num bom servo ou ministro:

(i) Que ele seja cuidadoso ao ter diante de si os numerosos detalhes nos quais seu serviço pode facilmente falhar. Ora, para um servo, sentar ou deitar durante seu serviço é tornar impossível essa supervisão necessária. Daí é que os servos ficam de pé. Portanto, diz o Evangelho sobre Nosso Senhor: levantou-se da mesa. Nosso Senhor pergunta-nos Ele mesmo: Pois qual é o maior: o que está sentado à mesa ou o que serve? (Lc 22, 27).

(ii) Que Ele demonstre destreza em fazer na hora certa todas as coisas que o seu ofício particular exige. Ora, roupas elaboradas são um obstáculo para isso. Portanto, Nosso Senhor depôs as Suas vestes. E isto foi prefigurado no Antigo Testamento, quando Abraão escolheu entre seus servos os melhor equipados (Gn 14, 14).

(iii) Que ele seja diligente, tendo logo à mão todas as coisas que precisa. São Lucas diz de Marta que ela estava toda preocupada na lida da casa (10, 40). É por isso que Nosso Senhor, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Assim Ele estava não apenas pronto para lavar os pés, mas também para secá-los. Então Ele (que saíra de Deus e para Deus voltava - Jo 13, 3), enquanto lava os pés deles, esmaga para sempre a nossa inflada e humana vaidade.

2. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar (Jo 13, 5)

É-nos dado para consideração este serviço de Cristo; e de três maneiras sua humildade nos vale de exemplo.

(i) Pelo tipo de serviço que era feito, pois que era o mais baixo serviço de todos. O Senhor de toda a majestade, curvando-se para lavar os pés de seus escravos!

(ii) Pela quantidade de serviços prestados, porque, como nos é dito, Ele colocou água na bacia, lavou os pés deles, e os secou, e assim por diante.

(iii) Pelo método como o serviço foi feito, pois Ele não o fez através de outros, nem sequer com outros O ajudando. Ele fez o serviço sozinho. Quanto mais fores elevado, mais te humilharás em tudo (Eclo 3, 20).  

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino

Comentário ao Evangelho do dia (11/04) feito por São Leão Magno



(?-c. 461), papa, doutor da Igreja 
Sermão 3 sobre a Paixão, 4-5


«Eram os nossos sofrimentos que Ele levava sobre si» (Is 53,4)


O Senhor revestiu-Se de uma grande fraqueza, para cobrir a nossa inconstância com a firmeza da sua força. Ele veio do Céu a este mundo como um mercador rico e generoso e, através de uma troca admirável, concluiu um negócio: tomando o que era nosso, concedeu-nos o que era seu; pelo que fazia a nossa vergonha, deu a sua honra, pelas dores a cura, pela morte a vida. [...] 

O santo apóstolo Pedro foi o primeiro a fazer a experiência de quanto essa humildade foi proveitosa para todos os crentes. Abalado pela tempestade violenta da sua perturbação, voltou a si por uma mudança brusca, e recuperou a sua força: encontrara remédio no exemplo do Senhor. [...] O servo, com efeito, não podia ser maior que o seu senhor, nem o discípulo que o seu mestre (Mt 10,24); e ele não teria podido vencer o tremor da fragilidade humana se o vencedor da morte não tivesse tremido primeiro. O Senhor olhou, portanto, para Pedro (Lc 22,61); no meio das calúnias dos sacerdotes, das mentiras das testemunhas, das injúrias dos que Lhe batiam e escarneciam dele, encontrou o seu discípulo, abalado por esses olhos que haviam visto antecipadamente a sua perturbação. A Verdade penetrou-o com o seu olhar, chegando aonde o seu coração precisava de ser curado. Foi como se a voz do Senhor se tivesse feito ouvir para lhe dizer: «Aonde vais, Pedro, porque foges? Vem a Mim, confia em Mim e segue-Me. Este é o tempo da minha Paixão, a hora do teu suplício ainda não chegou. Porque temes agora? Também tu o ultrapassarás. Não te deixes desconcertar pela fraqueza que assumi. Por causa do que tomei de ti é que tremi, mas tu não tenhas medo por causa do que vês em Mim».

Fonte: Evangelho Quotidiano

Segunda Feira Santa - É necessária uma purificação perfeita - Por Santo Tomás de Aquino



1. Se eu não tos lavar, não terás parte comigo (Jo 13, 8). Ninguém pode compartilhar a herança da eternidade, ser co-herdeiro com Cristo, a não ser aquele que está espiritualmente limpo, pois assim está dito no Apocalipse: Nela não entrará nada de profano (Ap 21, 27); e nos Salmos nós lemos: Senhor, quem há de morar em Vosso tabernáculo? (Sl 14, 1). Quem deverá subir a montanha do Senhor, ou quem deve permanecer em Seu lugar santo? O que tem as mãos limpas e o coração puro (Sl 23, 3-4).

É, portanto, como se Nosso Senhor dissesse: Se eu não tos lavar, não estarás limpo, e se não estiveres limpo, não terás parte comigo.

2. Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça (Jo 13, 9). Pedro, totalmente perturbado, se oferece todo para ser lavado, tão confuso está entre o amor e o temor. Lemos, de fato, no livro chamado The Journeying of Clement [A jornada de Clemente], que Pedro costumava submeter-se tanto à presença física de Nosso Senhor, a qual ele havia amado devotissimamente, que sempre que, depois da Ascenção de Nosso Senhor, a memória dessa tão amada presença e santíssima companhia lhe sobrevinha, ele costumava derreter-se em lágrimas, tanto que suas bochechas pareciam já desgastadas por elas.

Podemos considerar o corpo do homem em três partes - a cabeça, que é a mais elevada, os pés, que são a parte mais baixa, e as mãos, que ficam entre as outras duas. No homem interior, isto é, na alma, há também três partes. Correspondente à cabeça há a razão superior, a potência pela qual a alma opera as boas ações. Aos pés correspondem os sentidos e os desejos e sensações que surgem deles. Ora, Nosso Senhor sabia que seus discípulos estavam limpos no tocante à cabeça, pois Ele sabia que estava unidos a Deus pela fé e pela caridade. Ele sabia que suas mãos também estavam limpas, pois Ele conhecia suas boas obras. Porém, quanto aos seus pés, Ele sabia que os discípulos ainda estavam de algum modo emaranhados naquelas inclinações às coisas terrenas que derivam da vida dos sentidos.

Pedro, alarmado pelo aviso de Nosso Senhor, não apenas consentiu que seus pés fossem lavados, mas implorou que suas mãos e cabeça fossem lavadas também.

Senhor, ele disse, não somente os pés, mas também as mãos e cabeça. Como se dissesse: "Eu não sei se minhas mãos e cabeça precisam ser lavadas. De nada me acusa a consciência, mas nem por isso sou justificado (1Cor 4, 4). Portanto, estou pronto para que não apenas meus pés sejam lavados, isto é, aquelas inclinações que advêm da vida de meus sentidos, mas também minhas mãos, isto é, minhas obras, e minha cabeça também, isto é, minha razão superior". 

3. Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; Está inteiramente puro. Ora, vós estais puros (Jo 13, 10). Orígenes, em comentário a esse texto, diz que os Apóstolos estavam puros, mas precisavam ser ainda mais puros. Pois a razão deve sempre querer como prêmio as melhores coisas, deve sempre se condicionar a alcançar os píncaros da virtude, deve aspirar resplandecer com o brilho da própria justiça. Aquele que é santo, que santifique-se ainda mais (Ap 2, 11). 

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Comentário do Evangelho do dia (10/04) por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilia 15 sobre a Carta aos Romanos; PG 60, 543-548

«Pobres, sempre os tereis convosco»

O Pai não poupou o seu próprio Filho (Rom 8,32); e tu não dás sequer um bocado de pão Àquele que foi entregue e imolado por ti. Por ti, o Pai não O poupou; e tu passas com desprezo ao lado de Cristo que tem fome, enquanto vives dos benefícios que Ele te conquistou. [...] Ele foi entregue por ti, imolado por ti, vive em necessidade por ti e quer que a tua generosidade seja vantajosa para ti; mesmo assim, tu não dás. Haverá pedras tão duras como o vosso coração quando tantas razões o interpelam? Não bastou a Cristo sofrer a morte e a cruz; Ele quis ainda tornar-Se pobre, mendigo e nu, ser metido na prisão (Mt 25,36), a fim de que ao menos isso te tocasse: «Se nada me dás pelas minhas dores», diz-nos, «tem piedade de Mim por causa da minha pobreza. Se não queres ter piedade de Mim por casa da minha pobreza, que seja a minha doença a vergar-te, que sejam as minhas correntes a enternecer-te. E, se isso não te toca, consente ao menos por causa da pequenez do pedido. Não te peço coisas difíceis; peço-te pão, um teto e umas palavras de amizade. [...] Estive preso por ti e continuo a estar, a fim de que, comovido com as minhas cadeias do passado ou com as do presente, tu queiras ser misericordioso para comigo. Passei fome por ti, e continuo a passar. Tive sede quando estava suspenso da cruz e continuo a ter sede pelos pobres, a fim de te atrair a Mim dessa maneira, e te salvar». [...] 

Com efeito, Ele diz: «Quem recebe um destes pequeninos, a Mim recebe (Mc 9,37) [...] Podia coroar-te sem isso, mas quero tornar-Me teu devedor, a fim de que uses a coroa com segurança. É por isso que, podendo alimentar-Me a Mim próprio, ando a mendigar dum lado para o outro, Me coloco à tua porta e te estendo a mão. É por ti que quero ser alimentado, porque te amo ardentemente. A minha felicidade consiste em estar sentado à tua mesa.»

Fonte: Evangelho Quotidiano

A Paixão de Cristo nos serve de exemplo - Por Santo Tomás de Aquino



A Paixão de Cristo é suficiente para nos formar quanto a todas as virtudes. Quem quer que busque viver perfeitamente, basta para tanto que despreze o que Cristo desprezou na cruz e deseje o que lá Ele desejou. Não há virtude da qual Cristo, do alto da cruz, não nos dê um exemplo.

Se buscamos um exemplo de caridade: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (Jo 15,13), o que Cristo fez na cruz. E já que foi por nós que Ele entregou sua vida, não deveria pesar-nos suportar por Ele quaisquer males que porventura nos ocorram. Mas que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que Ele me tem dado? (Sl 115,3 [12].

Se buscamos um exemplo de paciência, na cruz encontramos o melhor de todos. A paciência verdadeira se mostra de duas maneiras. Ou quando alguém sofre grandes males pacientemente, ou quando sofre males que poderia evitar, mas não evita. Ora, Cristo na cruz sofrera grandes males. Ó vós todos, que passos pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta (Lm 1, 12). E os sofreu pacientemente, pois Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje (1Pe 2, 23), mas como um cordeiro que se conduz ao matadouro, Ele estava como uma ovelha muda nas mãos do tosquiador (Is 53, 7).

Estava também em seu poder evitar o sofrimento, e Ele não o fez. Crês tu que não posso invocar meu Pai e Ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos (Mt 26, 53). A paciência de Cristo na cruz, portanto, foi a maior paciência jamais demonstrada. Corramos com paciência ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, Ele suportou a cruz, e está sentado à direita do trono de Deus (Hb 12, 1-2).

 Se procuramos um exemplo de humildade, miremos o crucificado. Pois é Deus quem escolheu ser julgado e morto pela vontade de Pôncio Pilatos. Tua causa foi julgada como a dos perversos (Jó 36, 17). De fato, como a dos perversos, pois: Condenemono-lo a uma morte infame (Sb 2, 20). O Senhor quis morrer pelos escravos, e Aquele que dá vida aos anjos quis morrer pelo homem.

Se procuramos um exemplo de obediência, sigamos aquele que se fez obediente até a morte (Fp 2, 8), pois assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos (Rm 5, 19).

Se procuramos um exemplo de desprezo das coisas deste mundo, sigamos Aquele que é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, no qual estão todos os tesouros da sabedoria. Contemplemos na cruz aquele que está suspenso desnudo, zombado, cuspido, surrado, coroado com espinhos, saciado pelo fel e o vinagre, morto. Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica (Sl 21, 19).

Erro é ansiar por honrarias, pois que Ele foi exposto à desgraça e à humilhação. Erro é buscar títulos e condecorações, pois trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão  uma vara. Dobrando os joelhos diante d'Ele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! (Mt 27, 29).

Erro é apegar-se a prazeres e confortos, pois puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber (Sl 68, 22).

Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino
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