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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Comentário do Evangelho do dia (21/02) por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
«Contra as heresias» 


«Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe» 
 

Deus não poderia ter feito o homem perfeito logo desde o princípio? Tudo é possível a Deus, que desde sempre é idêntico a Si mesmo e que não foi criado. Mas os seres criados, porque a sua existência começou depois da de Deus, são necessariamente inferiores àquele que os criou. [...] Porque são criados, não são perfeitos; quando chegam ao mundo, são como crianças e, tal como as crianças, não estão acostumados nem treinados para uma conduta perfeita. [...] Naturalmente que Deus podia dar ao homem a perfeição desde o princípio; mas o homem era incapaz de a receber, porque era apenas uma criança.

Foi por isso que Nosso Senhor, nos últimos tempos, quando recapitulou em Si todas as coisas (Ef 1,10), veio até nós, não de acordo com o seu poder, mas tal como nós éramos capazes de O ver. Na verdade, Ele teria podido vir na sua glória inexprimível, mas nós não éramos ainda capazes de suportar a grandeza dessa glória. [...] O Verbo de Deus, que era perfeito, fez-Se criança para com o homem, não por sua causa, mas por causa do estado de infância em que o homem se encontrava. 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Comentário ao Evangelho (20/02) por Isaac, o Sírio




Comentário do dia feito por
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul 
Discursos ascéticos (1ª série)

«Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé».

A fé é a porta dos mistérios. O que os olhos do corpo são para as coisas sensíveis, é a fé para os olhos escondidos da alma. Tal como temos dois olhos do corpo, também temos dois olhos espirituais da alma, dizem os Padres da Igreja, e cada um tem uma visão própria. 

Com um deles, vemos os segredos da glória de Deus, escondida nos seres da sua criação, isto é, o seu poder, a sua sabedoria e a sua providência eterna, que nos rodeia e de que nos apercebemos quando refletimos acerca da grandeza do alto da qual Ele nos conduz. Com esse mesmo olho, contemplamos também as ordens celestes e os anjos, nossos companheiros de serviço (Ap 22,9). 

Com o outro olho, contemplamos a glória da santa natureza de Deus, quando Ele quer fazer-nos entrar nos seus mistérios espirituais e quando abre à nossa inteligência o oceano da fé. 

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (domingo, 19/02) por São Cipriano de Cartago


Comentário do dia 
São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir 
Os benefícios da paciência, 15-16; SC 291
«Eu porém digo-vos: Não resistais ao homem mau»

«Suportai-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do espírito mediante o vínculo da paz» (Ef 4,2). Não é possível manter a unidade e a paz, se os irmãos não se encorajarem uns aos outros ao apoio mútuo, mantendo um bom entendimento graças à paciência. [...] 

Perdoar ao irmão que nos ofende, não só setenta vezes sete vezes, mas todas as faltas, amar os inimigos, rezar pelos adversários e pelos perseguidores (Mt 5,39.44; 18,22) – como chegar aí se não formos firmes na paciência e na benevolência? É o que vemos em Estêvão [...]: em vez de pedir a vingança, pediu o perdão para os seus carrascos, dizendo: «Senhor, não lhes imputes este pecado» (At 7,60). Foi o que fez o primeiro mártir de Cristo [...], que se tornou, não só pregador da Paixão do Senhor, mas também imitador da sua paciente bondade. 

Que dizer da cólera, da discórdia, da rivalidade? Que não têm lugar entre os cristãos. A paciência deve preencher o seu coração; nele não se encontrará nenhum destes males. [...] O apóstolo Paulo avisa-nos: «Não entristeçais o Espírito Santo de Deus [...]: fazei desaparecer da vossa vida tudo o que é amargura, raiva, cólera, gritos ou insultos» (Ef 4,30-31). O cristão que foge dos assaltos da sua natureza caída como de um mar em fúria, e se estabelece no porto de Cristo, na paz e na calma, não deve admitir no seu coração a cólera a desordem. Pois não lhe é permitido pagar o mal com o mal (Rom 12,17), nem conceber o ódio.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Comentário do dia (09/02) por Guiges, o Cartuxo


Comentário do dia
Guigues o Cartuxo (1083-1136), prior da Grande Cartuxa
Carta sobre a vida contemplativa, 6-7

«Ela veio prostrar-se a seus pés»

«Senhor, Tu que só os corações puros podem ver (Mt 5,8), eu procuro, na leitura e na meditação, encontrar a verdadeira pureza do coração e a forma de a obter para poder, graças a ela, conhecer-Te, por pouco que seja. Procurei o teu rosto, Senhor, procurei o teu rosto (Sl 26,8). Meditei muito dentro do meu coração, e um fogo se iluminou na minha meditação: o desejo de Te conhecer melhor. Quando partes para mim o pão da Sagrada Escritura, eu reconheço-Te nessa fração de pão (Lc 24,30-35). E quanto melhor Te conheço, mais desejo conhecer-Te, não só no sentido do texto, mas no sabor da experiência. 

Não o peço, Senhor, pelos meus méritos, mas por causa da tua misericórdia. Devo confessar que sou, realmente, pecador e indigno, mas "também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças". Dá-me portanto, Senhor, em fiança pela herança futura, ao menos uma gota da chuva celeste para refrescar a minha sede, pois estou sequioso de amor. [...]» 

É através deste tipo de discursos que a alma chama pelo seu Esposo. E o Senhor, que olha pelos justos e que não ouve apenas as suas preces mas está presente nessa oração, não espera pelo final. Ele interrompe o discurso a meio, aparece de repente, vem rapidamente ao encontro da alma que O deseja, fluindo no doce orvalho do céu como o perfume mais precioso. Ele recria a alma fatigada, alimenta a que tem fome, fortifica a sua fragilidade, reaviva-a mortificando-a através de um admirável esquecimento de si própria, torna-a sóbria ao inebriá-la.

Créditos: Evangelho Quotidiano



Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul 
Discursos Espirituais, 1.ª série

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (Sl 50,12)

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. «Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado» (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo. 

Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a força da confiança. Quando o homem sente assim o socorro de Deus, quando sente que Ele está ali e vem em sua ajuda, imediatamente o seu coração fica cheio de fé e compreende então que a oração é o refúgio do socorro, a fonte da salvação, o tesouro da confiança, o porto livre da tempestade, a luz dos que estão nas trevas, o amparo dos fracos, o abrigo no tempo da provação, a ajuda no auge da doença, o escudo que defende nos combates, a flecha lançada contra o inimigo. Numa palavra, a abundância dos bens entra nele pela oração. Doravante, ele tem as suas delícias na oração de fé. O seu coração irradia confiança.

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (07/02) por Santo Tomás de Aquino



Cinco Chagas do Senhor - Festa
Comentário do dia
São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6

O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens

«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória. 

Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter. 

Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»

Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (06/02) por Santo Agostinho


Comentário do dia
Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 306, passim

«Todos os que O tocavam ficavam curados»

Todos os homens querem ser felizes; não há ninguém que não o queira, e com tanta intensidade que o deseja acima de tudo. Melhor ainda: tudo o que querem para além disso querem-no para isso. Os homens perseguem paixões diferentes, um esta, outro aquela; também existem muitas maneiras de ganhar a vida neste mundo: cada um escolhe a sua profissão e exerce-a. Mas quer adotem este ou aquele gênero de vida, todos os homens agem para serem felizes. [...] O que há então nesta vida capaz de nos fazer felizes, que todos desejam mas que nem todos alcançam? Procuremo-lo. [...] 

Se eu perguntar a alguém: «Queres viver?», não há ninguém que se sinta tentado a responder-me: «Não quero». [...] Do mesmo modo, se eu perguntar: «Queres ser saudável?», ninguém me responderá: «Não quero». A saúde é um bem precioso aos olhos do rico, e é muitas vezes o único bem que o pobre possui. [...] Todos concordam no amor pela vida e pela saúde. Ora, quando o homem desfruta da vida e é saudável, poderá contentar-se com isso? [...] 

Um homem rico perguntou ao Senhor: «Mestre, que devo fazer para ter a vida eterna?» (Mc 10,17) Ele temia morrer e era forçado a morrer. [...] Ele sabia que uma vida de dor e de tormentos não é vida, e que se lhe deveria antes dar o nome de morte. [...] Apenas a vida eterna pode ser feliz. A saúde e a vida neste mundo não garantem a felicidade, pois tememos perdê-las: chamai a isto «temer sempre» e não «viver sempre». [...] Se a nossa vida não é eterna, se não satisfaz eternamente os nossos desejos, não pode ser feliz, nem sequer é vida. [...] Quando entrarmos nessa vida, teremos a certeza de aí ficar para sempre. Teremos a certeza de possuir eternamente a verdadeira vida sem qualquer temor, pois encontrar-nos-emos naquele reino sobre o qual se diz: «E o seu reino não terá fim» (Lc 1,33).

Créditos: Evangelho Quotidiano
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