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sábado, 26 de outubro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (21/10) feito por Santo Isaac, o Sírio



Século VII, monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, 1ª série, nº 38

«Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida»

 
Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo parece-se com aqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. Mas a vida do mundo que há-de vir parece-se com aquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e onde nada falta. Portanto, enquanto estivermos no meio da mudança, estejamos atentos as nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentar o bem que fazemos e apagar os defeitos da nossa conduta anterior. Enquanto estivermos neste mundo, Deus não coloca o seu selo, nem sobre o bem nem sobre o mal; só o fará na hora do nosso êxodo, quando a obra estiver acabada, no momento da partida.

Como disse Santo Efrém, é preciso considerar que a nossa alma é como um navio, pronto para a viagem, mas que não sabe quando virá o vento; ou como um exército, que não sabe quando vai soar a trombeta, anunciando o combate. Se ele fala assim do navio ou do exército, que esperam uma coisa que talvez nem chegue, como não teremos nós de nos preparar com antecedência, antes que esse dia venha de modo brusco, que seja lançada a ponte e se abra a porta do mundo novo! Possa Cristo, o Mediador da nossa vida, permitir que estejamos preparados. 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Comentário do Evangelho do dia (24/07) feito por Santo Isaac, o Sírio



(século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, série 1, nº 32

 
«Cem por um»


Da mesma forma que todo o poder das leis e dos mandamentos que Deus deu aos homens se realiza na pureza de coração, como disseram os Padres, assim todos os modos e todas as formas pelas quais o homem reza a Deus se concretizam na oração pura. Os gemidos, as prosternações, as súplicas, as lamentações, todas as formas de que se pode revestir a oração têm na verdade como objectivo a oração pura. […] A reflexão deixa de ter algo que a sustente: nem oração, nem movimento, nem lamentação, nem poder, nem liberdade, nem súplica, nem desejo, nem prazer naquilo que espera nesta vida ou no mundo que há-de vir; depois da oração pura, já não há outra oração. […] Acima desse limite, já não é oração, é maravilhamento: a oração cessa e começa a contemplação. […]


A oração é a semente, a contemplação e a recolha dos frutos. O semeador maravilha-se ao ver o inexprimível: como é que, a partir dos pequenos grãos nus que semeou, brotam subitamente diante de si espigas florescentes? A vista da colheita tolhe-lhe os movimentos. […]


Do mesmo modo que só um homem em mil cumpre menos mal os mandamentos e as coisas da Lei e consegue atingir a pureza da alma, assim também só um em mil é digno de atingir com muita vigilância a oração pura, de atravessar o limite e de descobrir este mistério. Pois não é dado a muitos mas a poucos conhecer a oração pura.



Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (10/04) feito por Santo Isaac, o Sírio



(século VII), monge em Nínive, perto de Mossul
Capítulos sobre o conhecimento, IV, 77-78


              «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito»

O homem que se inflama por causa da verdade ainda não conheceu a verdade tal como ela é. Quando a conhecer verdadeiramente, deixará de se inflamar por causa dela. O dom de Deus e o conhecimento adquirido com esse dom nunca são motivos para nos perturbarmos ou elevarmos a voz, pois o lugar onde o Espírito mora com amor e humildade é um lugar onde só reina a paz. [...]


Se o zelo fosse útil para a correcção dos homens porque Se teria Deus revestido dum corpo e empregado a suavidade e modos humildes para converter o mundo a Seu Pai? E porque Se teria Ele deixado pregar na cruz pelos pecadores e porque teria entregado o Seu santíssimo corpo ao sofrimento em favor do mundo? Digo que Deus o fez por uma única razão: dar a conhecer ao mundo o Seu amor, para que a nossa capacidade de amar, aumentada por tal constatação, se fizesse cativa de amor por Ele. Assim, o poder eminente do Reino dos Céus, que consiste no amor, encontrou modo de Se exprimir na morte de Seu Filho, [...] para que o mundo sinta o amor de Deus pela Sua Criação. Se esse gesto admirável tivesse como única razão de ser a remissão dos nossos pecados, teria sido suficiente outro modo de a realizar; pois quem a teria recusado se Ele tivesse morrido duma morte simples, sem mais? Mas Ele não quis uma morte simples, para que tu pudesses compreender qual é o mistério. [...]


Para que foram necessários os insultos e os escarros? [...] Oh sabedoria vivificante! Compreendeste agora e sentiste qual a razão da vinda de Nosso Senhor e tudo o que se lhe seguiu, antes mesmo de a Sua santa boca no-lo explicar claramente na Sua Pessoa. Com efeito está escrito: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o Seu Filho Unigénito».


Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Comentário ao Evangelho do dia (28/02) feito por Santo Isaac, o Sírio



(século VII), Monge em Nínive, perto de Mossul
Discurso, 1 ª Série, n º 84

                                    «Sofro terrivelmente nesta fornalha»

Quanto a mim, penso que aqueles que são atormentados no inferno o são pelos golpes do amor. Pois não há coisa mais amarga e mais violenta que os tormentos do amor! Os que sentem que pecaram contra o amor carregam consigo uma condenação bem maior que as mais temidas punições. O sofrimento inscrito no coração pelo pecado contra o amor é mais dilacerante que qualquer outro tormento.

É completamente absurdo pensar que os pecadores do inferno estão privados do amor de Deus. O amor é filho do conhecimento da verdade, que é dado na sua totalidade. Pelo seu próprio poder, o amor age de duas maneiras: atormenta os pecadores, como acontece aqui na terra um amigo atormentar outro amigo; e regozija-se com os que fazem o que devem fazer. Em minha opinião, o tormento do inferno é o remorso. Mas as almas dos que estão no alto estão na embriaguez do deleite.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Isaac, o Sírio

Monge em Nínive, perto de Mossul
Discurso ascético, 1 ª Série, n º 60


Chorando com Cristo

Não desprezes o pecador, porque todos nós somos culpados. Se por amor a Deus pensas em insurgir-te contra ele, em vez disso chora por ele. Por que o desprezas? Despreza os seus pecados, e reza por ele, para fazeres como Cristo, que não Se irritou contra os pecadores, mas rezou por eles (cf Lc 23,34). Não viste como Ele chorou sobre Jerusalém? Porque também nós, mais do que uma vez, fomos joguetes do demónio. Por quê desprezar alguém que foi, como nós, joguete do diabo que troça de todos nós? Por que desprezas o pecador, tu, que não passas de um homem? Porque ele não é justo como tu? Mas onde está a tua justiça, uma vez que não tens amor? Por que não choras por ele? Em vez disso, persegue-lo. É por ignorância que alguns se irritam contra os outros, eles que acreditam ter o discernimento das obras dos pecadores.


Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (25/10) feito por Santo Isaac, o Sírio

Monge em Nínive, perto de Mossul - (século VII)
Discursos sobre ascese, 1ª série, nº 2

«Eu vim lançar fogo sobre a terra»

Violenta-te (cf Mt 11,12), esforça-te por imitar a humildade de Cristo, para que se torne cada vez mais forte o fogo que Ele acendeu em ti, esse fogo pelo qual são consumidos todos os impulsos deste mundo que destroem o homem novo e maculam as moradas do Senhor santo e poderoso. Porque eu afirmo com São Paulo que «nós somos o templo do Deus vivo» (2Co 6,16). Por isso, purifiquemos esse templo «como Ele é puro» (1Jo 3,3), para que Ele tenha desejo de aí morar; santifiquemo-lo porque Ele é santo (1Pe 1,16); ornamentemo-lo com todas as obras boas e dignas.

Enchamos o templo do repouso da Sua vontade, como de um perfume, através da oração pura, da oração do coração que é impossível de alcançar se nos entregarmos continuamente aos impulsos deste mundo. Assim, a nuvem da Sua glória cobrirá a nossa alma e a luz da Sua grandeza brilhará no nosso coração (cf 1R 8,10). Todos aqueles que permanecem na casa de Deus serão repletos de alegria e rejubilarão. Mas os insolentes e os ignóbeis desaparecerão sob a chama do Espírito Santo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Comentário ao Evangelho do dia (27/09) feito por Santo Isaac

Santo Isaac, o Sírio (século VII), monge em Nínive, perto de Mossul
Discursos espirituais, 1ª série, n° 20


Herodes procurava ver Jesus

Como podiam os seres criados contemplar a Deus? A visão de Deus é tão terrível que o próprio Moisés afirma que teme e treme. Com efeito, quando a glória de Deus apareceu no monte Sinai (Ex 20), a montanha fumegava e tremia de medo sob o efeito da revelação; e os animais que se aproximavam das suas encostas morriam. Os filhos de Israel prepararam-se: obedecendo à ordem de Moisés, purificaram-se durante três dias a fim de serem dignos de ouvir a voz de Deus e de ver a Sua revelação. Ora, quando chegou o momento, não conseguiram assumir a visão da Sua luz nem receber a força da Sua voz de trovão.


Mas, agora que Ele espalhou a Sua graça pelo mundo com a Sua vinda, não foi através de um tremor de terra, nem através do fogo, nem anunciando-Se com uma voz tonitruante que apareceu, mas antes como o orvalho sobre o velo (Jz 6,37), como uma gota que cai docemente no solo. Foi sob outra forma que Ele veio até nós. Com efeito, cobriu a Sua grandeza com o véu da carne e fez desta um tesouro; viveu entre nós nessa carne que a Sua vontade havia formado no seio da Virgem Maria, a Mãe de Deus, para que, ao vê-Lo semelhante a nós e a viver entre nós, não ficássemos atormentados pelo medo ao contemplá-Lo. Foi por isso que aqueles que se cobriram com as vestes nas quais o Criador apareceu, com esse corpo de que Ele se revestiu, se revestiram do próprio Cristo (Gl 3,27). Porque desejaram ter no seu homem interior (Ep 3,16) a mesma humildade com que Cristo Se revelou na Sua criação e nela viveu, como Se revela agora aos Seus servos. Em lugar das vestes de honra e glórias exteriores, eles adornaram-se com essa humildade.

Fonte: Evangelho Quotidiano
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