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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Suplemento A



MODO DE PRATICAR ESTA DEVOÇÃO NA
SAGRADA COMUNHÃO



Antes da Comunhão


266. 1º. Humilhar-te-ás profundamente diante de Deus;

2º. Renunciarás ao teu fundo todo corrompido e às tuas
disposições, embora o teu amor próprio as faça parecer boas;

3º. Renovarás a tua consagração dizendo: “Todo Vosso
sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!” (Tuus totus
ego sum, et omnia mea tua sunt!);

4º. Suplicarás a esta boa Mãe que te empreste o seu
Coração, para n'Ele receberes seu Filho com as disposições
d'Ela. Dir-lhe-ás que a glória de seu Filho exige que não seja
recebido num coração tão manchado como o teu e tão inconstante,
que não tardará a privá-lo da sua glória ou a perdê-lo.
Mas, se Ela quiser vir habitar no teu coração para receber seu
Filho, poderá fazê-lo pelo domínio que tem sobre os corações.
E seu Filho será assim bem recebido, sem mancha nem
perigo de ser ultrajado ou perdido. “Deus não sofrerá nada
dentro d'Ela” (Sl 45, 6). Dir-lhe-ás confiadamente que tudo o
que lhe ofereceste dos teus bens é bem pouca coisa para honrá-la,
mas que desejas dar-lhe, pela Santa Comunhão, o mesmo
presente que o Pai Eterno lhe deu, e que, deste modo, Ela será
mais honrada do que se lhe oferecesses todos os bens do mundo.
Finalmente podes dizer-lhe que Jesus a ama muito particularmente,
e que ainda quer ter n'Ela as suas complacências
e o seu repouso, mesmo que agora seja na tua alma, mais suja
e pobre que o estábulo, onde Jesus não pôs dificuldades em
vir, porque Ela lá se encontrava. Pedir-lhe-ás o seu Coração
com estas ternas palavras: Tomo-Vos como toda a minha riqueza.
Dai-me o Vosso Coração, ó Maria!

Durante a Comunhão

267. Quando estiveres para receber Jesus Cristo, depois do
“Pai-Nosso”, dirás três vezes: “Senhor, eu não sou digno de
que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e
serei salvo!”
A primeira vez será para dizer ao Pai Eterno que não és
digno de receber seu Filho Unigênito, por causa dos teus maus
pensamentos e ingratidões para com um Pai tão bom. Mas eis
que Maria, a Serva do Senhor, está contigo, representa-te e
dá-te uma confiança e esperança singulares junto da Divina
Majestade. “Porque me deste uma esperança singular” (Sl 4,
10).

268. A segunda vez dirás ao Filho: “Senhor, eu não sou digno...”
Dir-lhe-ás que não és digno de recebê-lo por causa das
tuas inúteis e más palavras, por causa da tua infidelidade ao
seu serviço. Entretanto, suplica-lhe que tenha piedade de ti,
porque o introduzirás na casa da sua própria Mãe e tua. Diz-lhe
que não o deixarás partir sem que venha morar em casa d'Ela:
“Detive-o e não o deixarei até o introduzir na casa de minha
Mãe e no quarto daquela que me gerou” (Ct 3, 4). Pedir-lheás
que se erga e venha descansar no lugar do seu repouso, na
arca da sua santificação: “Levantai-Vos, Senhor, entrai no
Vosso repouso, tu e a arca da tua santidade” (Sl 131, 8). Dirlhe-
ás que não pões nenhuma confiança nos teus méritos, nas
tuas forças e preparação, como Esaú, mas nas mãos de Maria,
tua querida Mãe, como o jovem Jacó nos cuidados de Rebeca.
Embora pecador e Esaú que és, ousas aproximar-te da sua
santidade apoiado e revestido dos méritos e virtudes de sua
Santa Mãe.

269. A terceira vez dirás ao Espírito Santo: “Senhor, eu não
sou digno...” Dir-lhe-ás que não és digno de receber a obra prima
da sua caridade, por causa da tibieza e iniqüidade das
tuas ações e das tuas resistências às suas inspirações, mas que
toda a tua confiança está em Maria, sua Fiel Esposa. E dirás
com São Bernardo: “Ela é a minha grande confiança, é toda
a razão da minha esperança!” Podes mesmo rogar-lhe que
venha mais uma vez a Maria, sua esposa inseparável; que seu
seio é tão puro e seu Coração tão abrasado como sempre; e
que sem que Ele desça à tua alma, Jesus e Maria nela não
poderão ser nem bem formados, nem bem alojados.

Depois da Comunhão

270. Depois da Santa Comunhão, estando interiormente recolhido,
com os olhos fechados, introduzirás Jesus Cristo no
Coração de Maria. Tu O darás à sua Mãe, que O receberás
amorosamente, O instalará honorificamente, O adorará profundamente,
O amará perfeitamente, O abraçará com amor e
Lhe tributará, em espírito e verdade, várias homenagens que
nos são desconhecidas, a nós, envoltos nessas densas trevas.

271. Ou então, conservar-te-ás profundamente humilhado
no teu coração, na presença de Jesus residindo em Maria. Ou
conservar-te-ás como um escravo à porta do palácio do Rei,
onde Ele está a falar com a Rainha. E, enquanto Eles falam,
sem precisar de ti, irás em espírito ao Céu e pela Terra inteira
pedir a todas as criaturas que agradeçam, adorem e amem
Jesus em Maria, por ti. “Vinde, adoremos, vinde!” (Sl 94, 6).

272. Ou então tu mesmo pedirás a Jesus, em união com Maria,
a vinda do seu Reino sobre a Terra, por intermédio de sua
Santa Mãe. Ou pedirás a Sabedoria Divina, ou o Amor Divino
ou o perdão dos teus pecados, ou qualquer outra graça,
mas sempre por Maria e em Maria. Então dirás, considerando-
te com desconfiança: Senhor, não olheis para os meus
pecados, mas que os Vossos olhos só vejam em mim as virtudes
e os méritos de Maria. E, recordando-te dos teus pecados,
acrescenta: “Foi o inimigo que fez isto!” (Mt 13, 28). Eu
mesmo sou o maior inimigo com que tenho de lutar; fui eu
que fiz estes pecados. Ou então: “Livrai-me, Senhor, do homem
iníquo e doloso!” (Sl 42, 1). “Meu Jesus, é necessário
que cresçais na minha alma e que eu diminua!” (Jo 3, 30). Ó
Maria, é necessário que cresçais em mim, e que eu seja menor
que nunca! “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1, 28): Ó
Jesus e Maria, crescei em mim, e multiplicai-Vos fora de mim
nos outros.

273. Há uma infinidade de pensamentos que o Espírito Santo
fornece; e te fornecerá, se fores interior, mortificado e fiel a
esta Grande e Sublime Devoção que acabo de te ensinar. Mas
recorda-te de que quanto mais deixares agir Maria na tua Comunhão,
mais Jesus será glorificado. E deixarás agir tanto
mais Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente
te humilhares e os escutares em paz e silêncio, sem
procurar ver, gostar ou sentir. Pois o justo vive, em tudo, da
Fé, e particularmente na Sagrada Comunhão, que é um ato de
fé: “O meu justo viverá da Fé!” (Hb 10, 38).


São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

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