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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Parte 3.3





3.3 - SEJA FEITA A TUA VONTADE
Com isto estamos tocando no terceiro sinal
da filiação divina: Ser um com Deus, foi o primeiro. Que
todos sejam um em Deus, foi o segundo. O terceiro:
Nisto reconheço que vós me amais, se observardes os
meus mandamentos”.
Ser filho de Deus significa: andar apoiado na
mão de Deus, na vontade de Deus; não fazer a vontade
própria, colocar todo cuidado e toda a esperança
nas mãos de Deus, não se preocupar consigo e com seu
futuro. Nisto consiste a liberdade e a alegria dos filhos
de Deus. Tão poucos as possuem, mesmo entre os
realmente piedosos, mesmo entre os heroicamente dispostos
ao sacrifício. Sempre andam encurvados sob o
peso dos cuidados e obrigações.
Todos conhecem a parábola dos pássaros do
céu e dos lírios do campo. Mas quando encontram uma
pessoa que não tem herança, nem pensão e nem seguro
e, mesmo assim, vive tranqüilo quanto ao seu futuro,
aí meneiam a cabeça como se fosse algo incomum.
Contudo, quem esperar do Pai do céu, que
cuide a toda hora de seu dinheiro e da condição de
vida que ele gostaria de ter, por certo, vai se enganar.
A confiança em Deus vai se firmar inabalavelmente,
quando incluir a disposição de aceitar tudo das mãos
do Pai. Pois, somente Ele sabe o que é bom para nós.
E, se a necessidade e a privação forem mais convenientes
do que uma renda folgada e segura, ou insucesso e
humilhação, melhor do que honra e reputação, então
se deve estar preparado para isso. Se assim fizermos,
podemos viver despreocupados com o futuro e com o O “seja feita a vossa vontade”, em toda a sua amplitude, deve ser o fio condutor da vida cristã. Ele
deve nortear o correr do dia, da manhã até a noite, o
correr do ano e de toda a vida. Será a única preocupação
do cristão. Todos os outros cuidados, o Senhor assume.
Mas, esta única preocupação pertence a nós, enquanto
vivermos. Objetivamente, não somos definitivamente
firmes para permanecermos sempre nos caminhos
de Deus. Assim como os primeiros pais perderam
a filiação divina pelo distanciamento de Deus,
assim cada um de nós está sempre entre o nada e a
plenitude da vida divina. Mais cedo ou mais tarde isto
se torna também uma experiência subjetiva. No começo
da vida espiritual, quando começamos a nos entregar
à direção de Deus, é que sentimos bem forte e
firme a mão que nos conduz; de forma clara aparece
para nós, o que devemos fazer ou deixar de fazer. Mas
isto não é sempre assim. Quem pertence a Cristo,
deve viver a vida de Cristo. Deve-se amadurecer até à
idade adulta de Cristo, ele deve iniciar a via-sacra para
o Getsêmane e o Gólgota. E todos os sofrimentos que
vêm de fora, são nada comparados com a noite escura
da alma, quando a luz divina cessa de clarear e a voz
do Senhor se cala. Deus está presente, porém, escondido
e silencioso. Por que acontece isto? São os mistérios
de Deus, dos quais falamos, ele não se deixa penetrar
completamente. Só podemos vislumbrar algumas
facetas desse mistério e, por isso, Deus se fez homem;
para voltar e fazer-nos participar da sua vida. Esse é o
começo e a meta final. Mas, no meio se encontra ainda
outra coisa. Cristo é Deus e homem e, quem quer partilhar
a sua vida, deve fazer parte de sua vida divina e
humana. A natureza humana que Ele aceitou, deu-lhe
a possibilidade de sofrer e morrer; a natureza divina,
que Ele possui desde toda a eternidade, deu à sua paixão e morte um valor infinito e uma força redentora.
A paixão e morte de Cristo continuam no seu corpo
místico e em todos os seus membros. Todo homem
tem que sofrer e morrer. Porém, se ele for membro
vivo no corpo de Cristo, então, o seu sofrimento e sua
morte adquirem pela divindade de seu corpo, força
salvadora. Esta é a causa objetiva por que todos os santos
desejam sofrer. Não se trata de um prazer doentio
de sofrer. Aos olhos da razão natural, isto pode parecer
perversidade. À luz do mistério da redenção, contudo,
isto se revela de maneira sublime. E assim a pessoa -
ligada - a Cristo, mesmo na noite escura do distanciamento
subjetivo de Deus e abandono, persistirá; talvez
a divina providência permita o tormento, para libertar
a pessoa objetivamente aprisionada. Por isto:
“Seja feita a Vossa vontade”, mesmo quando na noite
mais escura.

Santa Edith Stein, O Mistério do Natal, Editora da Universidaade do Sagrado Coração

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