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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Os Dias Santos!... - Santa Teresinha do Menino Jesus


         Os dias santos! Ah! Quantas recordações não desperta esta palavra!... Os dias santos, como os amava!... Vós, minha querida Mãe, sabíes explicar-me tão bem todos os mistérios ocultos em cada um deles, que para mim eram verdadeiramente dias do Céu. Gostava mormente das procissões do Santíssimo Sacramento. Que alegria esparzir flores aos pés do Bom Deus!... Antes, porém, de deixá-las cair, atirava-as o mais alto que podia, e nunca me dava por tão feliz como na ocasião que via minhas rosas desfolhadas tocarem no sagrado Ostensório...
         Os dias santos! Ah! Se os grandes eram raros, cada semana trazia de novo um muito chegado ao meu coração: "o Domingo!" Que dia grande, o Domingo!.. Era o dia santo do Bom Deus, o dia santo do repouso. Primeiro ficava nanando mais tempo do que nos outros dias, e depois mamãe Paulina mimava sua filhinha, quando lhe servia o chocolate em sua cama, e em seguida a vestia como uma rainhazinha... Vinha a madrinha fazer o penteado da afilhada. Esta nem sempre ficava quietinha, quando lhe assentavam o cabelo, mas depois tinha toda a satisfação de ir pegar a mão de seu Rei que, em tal dia, lhe dava um abraço mais afetuoso do que de ordinário, pois toda a família se movimentava para a Missa. Em todo o trajeto do caminho, e mesmo dentro da Igreja, a "Rainhazinha do Papai" dava-lhe a mão. Tomava lugar ao lado dele, e quando nos víamos obrigados a chegar mais adiante para o sermão, era preciso ainda encontrar dois assentos, um ao lado do outro. Não se tornava muito difícil. Toda a gente parecia achar muito gentil ver um Ancião tão imponente com uma filha tão pequenina, que as pessoas não se incomodavam em ceder seus lugares. Meu tio que ficava nos bancos da diretoria alegrava-se quando nos via chegar. Dizia ser eu seu mimoso raio de Sol... Por mim, não me inquietava de ser alvo de olhares. Ouvia muito atenta os sermões sobre a Paixão, pregado pelo Padre Ducellier. Dali por diante entendi todos os outros sermões. Quando o pregador falava de Santa Teresa, papai curvava-se para me dizer baixinho: "Escuta bem, minha rainhazinha, ele fala de tua Santa Padroeira". Realmente, estava escutando bem, mas olhava mais vezes para o papai do que para o pregador. Seu belo semblante dizia-me tantas coisas!... Por vezes, seus olhos marejavam-se de lágrimas. Em vão procurava retê-las. Parecia estar já desligando da terra, tanto sua alma gostava de imergir nas verdades eternas... Sua carreira, porém, estava longe do termo final. Longos anos deviam passar, antes que o belo Céu se abrisse a seus olhos embevecidos, e o Senhor enxugasse as lágrimas do seu bom e fiel servidor!...
         Mas, novamente torno ao meu dia de Domingo. Esse dia de gozo que passava tão depressa, tinha seu toque de melancolia. Lembro-me que, até a hora de Completas, minha felicidade era sem mescla. Durante essa hora canônica, vinha-me o pensamento de que o dia de repouso ia terminar...que no dia seguinte seria necessário recomeçar a vida, trabalhando, aprendendo lições, e o coração sentia o exílio da terra...Suspirava pelo eterno repouso do Céu, pelo Domingo sem ocaso da Pátria!...

Santa Teresinha de Lisieux, História de Uma Alma.

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