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sábado, 15 de março de 2014

São Pedro de São José Betancur - Avisos ascético-espirituais




São Pedro de São José Betancur

AVISOS ASCÉTICO-ESPIRITUAIS


Recordações de alguns conselhos espirituais

do irmão Dom Gregório para aproveitá-los

no transcurso da vida humana.


"São os escritos, parábolas, sentenças e reflexões,

com que o irmão Pedro costumava dirigir-se

aos seus irmãos e às pessoas em geral,

para animá-los no caminho espiritual

e advertí-los sobre os perigos do mundo".


1.Conselhos diversos.

Quando sofremos alguma aflição, temos que entender que isto é parte da cruz de Cristo e que, por meio do sofrimento, podemos beijar esta cruz.

Quando fizermos alguma coisa, temos que refletir sobre ela, para que possamos compreender o motivo pela qual a fazemos, se é para agradar a Deus ou para estar bem com os demais, porque o demônio costuma servir-se da vaidade. Assim, pois, sempre devemos examinar a razão de nossa conduta, considerar a boa intenção, e fazê-lo tudo para a honra a e glória de Deus.

Cada qual deve perguntar-se a si mesmo: com que finalidade faço isto? Para honra e glória de Deis ou para adquirir com isso a fama que o mundo aprecia? Porque se o fazes com outra finalidade que não seja a glória de Deus, estás perdido.

Consideremos sempre a boa intenção, porque a cada momento caímos no erro de não nos fixarmos na boa intenção do que fazemos ou dizemos. Portanto, abramos os sentidos, estejamos alertas, porque no Dia do Juízo se verão as intenções e o dano que a vanglória nos terá causado.

Se presumes ser servo de Deus e desejas padecer por Cristo, mas quando te dizem coisas duras e ofensivas te irritas e incomodas, e interiormente te sentes de tal forma que pareces ter uma legião de demônios, adverte pois que esta é a escola de Deus onde os humildes aprendem.

Mesmo que te digam o que quiserem, nunca te queixes a ninguém, senão a Deus.

Quando pensas que és algo, tem por certo que não és nada; e quando pensas que não és nada, tem por certo que és algo.

Na oração mental é um atrevimentro meditar de imediato na Santíssima Trindade, em vez de prostarmo-nos aos pés de Cristo e suas sacratíssimas chagas, porque elas nos ensinarão como e de que maneira é este tão grande mistério, e nos farão meditar sempre com humildade nas chagas de Cristo.

Examina sempre se te motiva algum amor própio, porque o amor deve-se por somente em Jesus Cristo e não em coisas terrenas e que hão de perecer.

Que se faça em tudo a vontade de Deus, mesmo que nos coloquem onde quiserem, porque mesmo que nos tirem a nossa vontade, não nos podem tirar a Deus.

Tenhamos sempre a devoção de encomendar a Deus aqueles que nos ofendem por palavra ou por obra. Quem isto fizer, cumpre com o Evangelho de Deus.

Se por acaso nos sentirmos tristes, examinemo-nos e vejamos de onde procede a tristeza; porque o demônio costuma dar peso muito grande com coisa muito leve.

Devem-se ter muito presente os mandamentos da Lei de Deus, para examinar se O ofendemos, e se assim for, deve-se recorrer logo à confissão. Se não houver nada em que tenhamos ofendido a Deus, atiremos todas as demais preocupações a um fogo, e isto à face do demônio, e dediquemo-nos a servir a Deus com alegria.

Procuremos sempre o mais baixo lugar e assento, e humilhemo-nos em tudo por Deus.

Eis aqui um argumento contra o demônio. Quando o demônio nos disser que não façamos esforços para servir a Deus, digamos-lhe que assim como ele, com grande esforço, quis ser soberbo e o foi, e conseguiu colocar-se em lugar tão alto, assim também, com grande esforço o servo de Deus deve procurar abater-se entre todos, e que o tenham em nada, por amor de Deus.

Muitas vezes inspira Deus a seus servos para que façam em público algumas devoções, e as fazem porque sabem a quem servem; porém são objeto de murmurações por parte de pessoas que não conhecem ao Senhor, e que não tem espírito de Deus. Observa, servo de Deus, se sentes que não há vaidade, que não te importem as murmurações: dá bom exemplo e serve ao Senhor, pois serves a bom Senhor.

Alegra-te sempre com a cruz de Cristo; todo o desejo do servo de Deus deve ser seguir a Cristo; este é o verdadeiro desejo do servo de Deus.

Duas coisas deve ter o servo de Deus, e se não as tem, deve trabalhar muito para alcançá-las, e elas são: não obedecer em nada à própria vontade; ao contrário, fazer antes a vontade do outro que a sua; não ter cobiça de nada, nem mesmo em coisas muito pequenas, porque do pequeno se passa sempre ao maior. No fim, em tudo se começa por pouco, e o demônio é sutil.

Todas as honras e favores que nos podem dar e fazer nesta vida têm tão pouco valor, que não merecem estar nem sequer debaixo dos pés. Pelo contrário, todas as afrontas, opróbios e desprezos que soframos por Cristo, ainda que os tratemos como às meninas dos olhos, não têm o lugar que merecem.

O servo de Deus deve exercitar-se em considerar as dores que padeceu Cristo naquelas carnas sacrossantas; as penas interiores que padeceu Cristo em sua allma; as afrontas que padeceu em sua honrfa. A maneira de exercitar estas coisas consiste em dizer, quando padeçamos dores no corpo: quero padecer estas dores em satisfação de meus pecados. Se são penas interiores digamos: penas de Cristo, vos ofereço as minhas. Se são ofensas que ferem nossa honra, dizer: afrontas de Cristo, por vós as padeço.

Persuade-te, homem, que não há mais do que duas coisas boas, que são: Deus e a alma, e se o quiseres ver bem, pensa e traze à memória todo o criado, e examina cada coisa em si mesma, e verás como tudo é nada. Fixa-te cuidadosamente na terra, no mar, na prata, no ouro, em toda criatura na terra e no mar, e verás, segundo te disse, como tudo é nada. E assim, posto que tudo é nada, há que estimar-se tudo como nada, e buscar a Deus, que o é tudo, e assim acertarás. Vá a alma a Deus, e venha Deus à alma, pois Ele a criou capaz de fruí-lo.

2. Proveitos para os que assistem Missa.

Vejamos o que dizem os doutores cujos escritos foram achados no Sagrado Convento de Ara Coeli em Roma.

Afirma São Bernardo que se o homem andasse peregrinando por todo o mundo por amor de Deus e desse todo o seu dinheiro em esmola, não ganharia tanto bem para a sua alma como pela missa ouvida devotamente, isto é, estando em graça.

Assevera São Jerônimo que, enquanto a missa se celebra, aquelas almas pelas quais se oficia, se estiverem no Purgatório, não são atormentadas durante o tempo em que dura a celebração.

Diz Santo Ambrosio que qualquer coisa que o homem comesse depois de ouvir missa, lhe aproveitará para sustento de sua vida mais que se a comesse antes de ouvir missa.

Afirma Santo Agostinho que o homem, enquanto ouve missa, não envelhece nem enfraquece, assim como Adão não haveria adoecido, nem a vida se lhe terminaria, se não tivesse comido do fruto da árvore da vida.

Acrescenta o mesmo santo que o pecador que devotamente está na missa, se aquele dia morresse tendo-se arrependido sinceramente de seus pecados, mesmo que não recebesse os demais sacramentos da Igreja, a missa lhe valeria por todos eles.

Também segundo Santo Agostinho, todos os passos que o homem dá quando vai ouvir missa, os conta e os escreve o Anjo da Guarda para que o Senhor lhe dê um grande prêmio. Diz o mesmo doutor que durante aquela hora que se emprega em visitar e adorar o Sagrado Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o demônio sai do corpo.

3. A moradia cristã.

Deve seguir os exemplos de Marta e de Maria, que são exemplos de vida ativa e contemplativa. O que for como Marta, isto é, tão ativo, que não se lembrar de Maria, isto é, do contemplativo, vai perdido; e o que for tão Maria, isto é, tão contemplativo que não se lembrar de Marta, vive enganado.

4. O caminho do céu. Meios proveitosos para o caminho do céu.

A mortificação interior e exterior.


Não está a mortificação no exterior, mas no operar com boa intenção. Vejam, meus irmãozinhos, é preciso cuidar muito da intenção com que realizamos alguns atos de caridade. Porque pode haver muito mal no que a todos parece bom. Como digo, tendo boa intenção, nenhum erro se pode cometer.

5. Sobre o Natal.

Irmãos, quando chegar [o Natal], percam o juízo pelo Menino Jesus. Sejam humildes e não desejem mandar.

6. Sobre a humildade.

A. Devemos ser a vassoura do povo, porque temos que andar sentindo-nos debaixo de todos, sem vaidade ou orgulho. Ao ver um índio que leva sua carga, se esta for demasiada, devemos ajudá-lo a levá-la.

Alternando-se por semanas, dois irmãos devem ir às obras para ajudar a terminar sua tarefa aos trabalhadores que trabalham forçados e não por sua livre vontade.

E para ensinar a nos desprender das coisas deste mundo e a aborrecer as culpas passadas, para que não se nos agarre o pó da mundanidade que busca entrar em nós, temos que estar como no ar, como um pássaro que, desde a altura, olha para baixo.

B. Ser humildes por Cristo é caminho seguro de salvação, a tal ponto que eu me sentiria satisfeito e agradecido de que em público me dessem duzentos açoites.

C. Sejam humildes por Cristo, o que é seguro. Me alegraria e fariam um grande favor se me dessem açoites pelas ruas desta cidade.

7. Negação de si mesmo.

Alguns começam a servir a Deus com grandes ânsias, e para isto abandonam pais, amigos, casas, dinheiro e demais comodidades; porém, por sua miséria espiritual e sua fraqueza, apesar de terem deixado tudo isto, são estorvados por algumas coisinhas e aflições que os impedem do verdadeiro aproveitamento e perfeição. É como alguém que sai com grande determinação para fazer uma grande viagem, e depois de muitos dias passa outra pessoa por ali e o encontra no princípio do caminho, detido porque uma corda do sapato se enrolou em um raminho, e está tão cego que não se dá conta daquele impedimento. Ou, se o vê, não tem força ou determinação para desamarrar a corda ou cortar o ramo. Então, impedido de findar a jornada, fica assim, e mesmo depois de ter desatado a corda, volta a enredar-se com coisas muito pequenas, que para si parecem montanhas de dificuldades.

E assim, se queremos chegar à perfeição, temos que romper com tudo, cortando os laços que nos unem com o mundo, ainda que nos doa muito, e isto se faz melhor se nos aconselhamos uns aos outros.

Se eu encontrasse em meus irmãos de comunidade esta disposição de ânimo, lhes diria que ganharam muitos méritos e coroas; porém me preocupo quando ouço que alguém perdeu o domínio de si mesmo; que se nega totalmente quando tratam de ajudá-lo; que, ao buscá-lo, o encontram fechado na cela de sua própria vontade, não somente sentado, mas deitado, e mais ainda, envolto em suas próprias paixões, sendo que eu esperava encontrá-lo livre, fora já da prisão de seu egoísmo.

8. Andar na presença de Deus.

Procuremos fabricar no interior de nossa alma uma ermida ou capela espiritual, onde sempre estejamos com recolhimento. Um lugar que nos sirva de refúgio, assim como quando, estando na rua, se alguém vê que um touro o persegue, se mete em sua casa e fecha as portas, e assim escapa do perigo e fica seguro. Graças a este gênero de recolhimento, estaremos alertas para conhecer as tentações quando se lançam sobre nós, e logo, como em um porto seguro, entraremos na capela da alma para pedir socorro a Deus, fechando as portas ao entrar. Estas, e as demais partes da capela espiritual, devem ser fabricadas por meio daquelas virtudes que permitem resistir aos ataques da tentação. Esta capela serve para comungar espiritualmente, e para ver, graças à meditação, os santos apóstolos e a Virgem Santíssima, todos com velas acesas nas mãos.

9. Guarda dos sentidos.

A alma é como uma jovem muito bela, filha de um homem pobre, que a mantinha em uma casa com muitas portas, porque não havia quem dela cuidasse, a não ser ele mesmo. Pois bem, a filha é a alma, a casa é o corpo, e os sentidos são as portas. Para vigiar e conservar bem a esta filha temos que ter presentes os dez mandamentos, mas também os sete pecados mortais e todas as demais coisas que podem ser instrumento ou causa de pecado. Assim pois, o homem deve estar muito vigilante, e utilizar os remédios para guardar a alma em meio a tantos riscos, recorrendo à oração como principal guarda das portas da alma. Mesmo assim, é necessário examinar todas as nossas ações e ver que virtudes nos são necessárias para guardar estas portas.

10. Sobre a paciência.

Não acreditemos no demônio quando nos move a nos ressentirmos por isto ou aquilo, e perder a paciência. Antes, devemos resistir-lhe, porque muitos se perdem por não exercitarem a virtude da paciência.

11. Sobre a oração.

Feliz é a alma que acompanha sua oração com estas quatro virtudes: confiança, humildade, perseverança e mortificação de seus apetites, porque sempre alcançará do Senhor o que lhe pedir e o encontrará todas as vezes que o busque.

12. Sobre a mortificação.

Vale mais uma pequena cruz, uma dorzinha, uma pena, angústia ou enfermidade enviada por Deus, que os jejuns, disciplinas, cilícios, penitências e mortificações que nós fazemos, se estas penas forem levadas por Deus. Porque aquilo que nós fazemos ou decidimos por nossa única vontade, está envolvido nosso próprio querer, por mais que procuremos afastá-lo da escória no crisol da vontade do pai espiritual que nos aconselha. Porém naquilo que Deus nos envia, se o aceitamos como vindo de sua mão, com resignação e humildade, não querendo outra coisa que o que Deus quer, aí está a vontade de Deus, e em nossa conformidade com ela está nosso êxito e nosso lucro, como em uma riquíssima feira em que recebemos ouro de muitos quilates dando em troca nossas bugigangas e bagatelas. E se nossa pobre mercadoria traz a traça do amor próprio, Deus, que conhece e penetra tudo, em sua misericórdia saberá dar a cada coisa o seu justo valor.

13. Bênçãos.

A. Com toda a humildade de que sou capaz, em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu, ainda que indigno pecador, te abençoo. Que Deus te torne humilde.

B. Em nome da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, ainda que indigno pecador, vos abençoo, meus irmãos, no que possa, e que Deus vos torne humildes.


Fonte: Cristianismo.org.br

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