quinta-feira, 9 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (09/03) por São Bento, abade



Comentário do dia 
São Bento (480-547), monge, co-padroeiro da Europa 
Regra de S. Bento, XX

Eficácia da oração

Se, quando temos um pedido para apresentar aos poderosos deste mundo, os abordamos com humildade e respeito, com muito maior razão temos de suplicar ao Senhor Deus do universo com grande humildade e pureza de devoção. Tenhamos presente que não é a abundância de palavras, mas a sinceridade do coração e as lágrimas de compunção que nos tornam dignos de sermos ouvidos. A oração deve, pois, ser breve e pura, a menos que a graça da inspiração divina nos incline a prolongá-la.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho (08/03) por São João Maria Viannaey


Comentário do dia
São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars
Sermão para o 3.º Domingo depois do Pentecostes

«Assim como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim o será também o Filho do homem para esta geração»

Meus irmãos, ao percorrermos as diferentes épocas do mundo, vemos a Terra coberta das misericórdias do Senhor, e os homens rodeados pelos seus benefícios. Não, meus irmãos, não é o pecador que retorna a Deus para Lhe pedir perdão; é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. [...] Deus espera pelos pecadores na penitência, e convida-os através dos movimentos interiores da sua graça e pela voz dos seus ministros.

Vede como se comporta para com Nínive, esta grande cidade pecadora. Antes de punir os seus habitantes, manda o profeta Jonas anunciar-lhes que, dentro de quarenta dias, os irá punir. Jonas, em vez de ir a Nínive, refugia-se noutro lado e faz menção de atravessar o mar. Mas, longe de deixar os ninivitas sem aviso antes de os punir, Deus faz um milagre, conservando o seu profeta, durante três dias e três noites, no seio de uma baleia, que, ao fim desses dias, o lança para terra. Então o Senhor diz a Jonas: «Vai anunciar à grande cidade que dentro de quarenta dias perecerá», sem lhes impor qualquer condição. E o profeta, tendo partido, anunciou a Nínive que dentro de quarenta dias iria perecer.

Com esta notícia, todos se entregaram à penitência e às lágrimas, desde o camponês até ao rei. «Quem sabe», diz-lhes o rei, «se o Senhor não terá ainda piedade de nós?» O Senhor, vendo-os recorrer à penitência, pareceu congratular-Se com o prazer de os perdoar. Jonas, vendo chegar o prazo do castigo, retira-se para fora da cidade, para esperar que o fogo do céu caísse sobre ela. Vendo que não caía: «Ah! Senhor» grita-Lhe Jonas «vais-me fazer passar por falso profeta? Prefiro morrer. Ah! Sei bem que és demasiado misericordioso, que não desejas senão perdoar» – «O quê! Jonas», disse-lhe o Senhor, «queres que faça perecer tanta gente que se humilhou perante mim? Oh! não, não, Jonas, não teria coragem; pelo contrário, amá-los-ei e conservar-lhes-ei a vida.»

Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 7 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (06/03) feito por Simão, o Novo Teólogo


Comentário do dia 
Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego 
Capítulos teológicos, gnósticos e práticos, § 92 ss.

«A Mim o fizestes.»

Se alguém der um óbulo a noventa e nove pobres, e em seguida injuriar, agredir ou despedir um só que seja de mãos vazias, sobre quem cai semelhante tratamento, senão sobre Aquele que disse, que não deixa de dizer, e que dirá um dia: «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes»? […] Ele está, efetivamente, em todos estes pobres, Aquele que é alimentado por nós em cada um deles. Da mesma maneira, se hoje alguém dá tudo o que é necessário a todos e amanhã, podendo continuar a fazê-lo, esquece os irmãos e os deixa morrer à fome, à sede e ao frio, é como se tivesse desprezado e deixado morrer Aquele que disse: «Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes». […] 

Se Cristo Se dignou assumir o rosto dos pobres, se Se identificou com todos os pobres, foi para que nenhum dos que nele creem se eleve acima do seu irmão […], antes o acolha como a Cristo, respeitando-o e aplicando ao seu serviço todos os recursos de que dispõe, como Cristo derramou todo o seu sangue pela nossa salvação. […] Talvez isto pareça penoso a muitos, que considerem razoável pensar: «Ninguém pode alimentar e cuidar de todos os necessitados, sem esquecer nenhum!» Esses devem ouvir o que diz S. Paulo: «O amor de Cristo nos constrange, persuadidos de que, se um só morreu por todos, então todos estão mortos» (2Cor 5,14).

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 6 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (05/03, Primeiro Domingo da Quaresma) por Isaac, o Sírio


Comentário do dia
Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul
Discursos ascéticos, 1.ª série, n.º 85

«Então o diabo deixou-O.»

Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efetuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é uma grande morada, que alberga muitos bens. [...]

Porque o jejum é a ordem que foi dada no início à nossa natureza: não comer o fruto da árvore (Gn 2,17), da qual vem aquilo que nos engana. [...] Foi também por aí que o Salvador começou, quando Se revelou ao mundo no Jordão. Com efeito, depois do batismo, o Espírito levou-O ao deserto, onde Ele jejuou quarenta dias e quarenta noites.

E agora, todos os que O seguem fazem o mesmo: é sobre este fundamento que assentam o início do seu combate, pois esta arma foi forjada por Deus. [...] E quando o diabo vê essa arma na mão de um homem, este adversário e tirano tem medo: pensa imediatamente na derrota que o Salvador lhe infligiu no deserto e, recordando-se dela, a sua força é quebrada. Pois o diabo consome-se assim que vê a arma que nos deu Aquele que nos conduz ao combate. E que arma poderia ser mais poderosa e reanimar tanto o coração na sua luta contra os espíritos do mal?

Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 4 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (04/03, Sábado após as Cinzas) por RichaRd Rolle, eremita



Comentário do dia 
Richard Rolle (c. 1300-1349), eremita inglês 
Cântico do Amor, 32

«Eu vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

Na cruz, Cristo chama com grandes brados. [...] Ele oferece a paz e dirige-Se a ti, desejando ver-te abraçar o amor [...]: «Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para poder nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-Me aos pobres como seu companheiro: escolhi uma mãe humilde; comi com os publicanos; os pecadores nunca Me inspiraram aversão. Suportei os perseguidores, experimentei o chicote e humilhei-Me até à morte, e morte de cruz (Fil 2,8). Que mais deveria ter feito e não fiz? (Is 5,4) Abri o meu lado à lança. Olha a minha carne ensanguentada, presta atenção à minha cabeça inclinada (Jo 19,30). Aceitei que Me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para Mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de Mim, que derramei por ti o bálsamo precioso do meu próprio sangue. Olha-Me a morrer e detém-te nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-Me tão caro! 

Por ti encarnei, por ti nasci, por ti Me submeti à Lei, por ti fui batizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te, pois, todo a Mim que Me entreguei totalmente por ti.»

Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 3 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (03/03, Sexta-feira após as Cinzas) feito por São Pedro Crisólogo



Comentário ao Evangelho feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja 
Homilia sobre a oração, o jejum e a esmola; Pl 52,320

«Nesses dias jejuarão.»

Há três atos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade, escutando o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado. Pois aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus. 

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe deem tem de dar. […] Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira. 

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus; devem ser a nossa defesa, pois são uma oração a nosso favor com este triplo formato.

Créditos: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 2 de março de 2017

Comentário ao Evangelho (02/03, Quinta-feira após as Cinzas) feito por Santa Clara



Comentário do dia 
Santa Clara (1193-1252), monja franciscana 
2.ª carta a Inês de Praga, 18-23

Olha para Cristo pobre

É a Cristo pobre que deves permanecer ligada. Vê como Ele Se tornou, por ti, objeto de desprezo, e segue-O, tornando-te também tu, por amor a Ele, objeto de desprezo para o mundo. O teu Esposo, o mais belo dos filhos dos homens (cf Sl 44,3), que Se tornou, para te salvar, o último dos seres humanos, desprezado, açoitado, com todo o corpo rasgado pelos golpes do flagelo, morreu finalmente na cruz no meio das piores dores: olha para Ele, medita nele, contempla-O e não tenhas outro desejo que não seja imitá-Lo! 

Se sofreres com Ele, reinarás com Ele; se chorares com Ele, terás parte na sua alegria; se morreres com Ele, no meio das torturas da cruz, tomarás posse da morada celeste no esplendor dos santos, o teu nome será inscrito no livro da vida e tornar-se-á glorioso entre os homens, participarás para sempre e na eternidade na glória do Reino dos Céus, por teres abandonado bens terrenos e efémeros, e viverás pelos séculos dos séculos.

Créditos: Evangelho Quotidiano
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