terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Tu scendi dalle stelle - Poema de Santo Afonso Maria de Ligório (com tradução)



Tu scendi dalle stelle
(Tu desces das estrelas"),
de Santo Afonso Maria de Ligório 

Tu scendi dalle stelle, o Re del cielo,
e vieni in una grotta al freddo e al gelo.
O Bambino mio divino, io ti vedo qui a tremar;
o Dio beato! Ah, quanto ti costò l'avermi amato! 

A te, che sei del mondo il Creatore,
mancano panni e fuoco, o mio Signore.
Caro eletto pargoletto, quanto questa povertà
più m'innamora, giacché ti fece amor povero ancora. 

Tu lasci il bel gioir del divin seno,
per giunger a penar su questo fieno.
Dolce amore del mio core, dove amore ti trasportò?
O Gesù mio, perché tanto patir? Per amor mio! 

Ma se fu tuo voler il tuo patire,
perché vuoi pianger poi, perché vagire?
Mio Gesù, t'intendo sì! Ah, mio Signore!
Tu piangi non per duol, ma per amore. 

Tu piangi per vederti da me ingrato
dopo sì grande amor, sì poco amato!
O diletto - del mio petto,
se già un tempo fu così, or te sol bramo
Caro non pianger più, ch'io t'amo e t'amo 

Tu dormi, Ninno mio, ma intanto il core
non dorme, no ma veglia a tutte l'ore
Deh, mio bello e puro Agnello
a che pensi? dimmi tu. O amore immenso,
un dì morir per te, rispondi, io penso. 

Dunque a morire per me, tu pensi, o Dio
ed altro, fuor di te, amar poss'io?
O Maria, speranza mia,
se poc'amo il tuo Gesù, non ti sdegnare
amalo tu per me, s'io non so amare! 

Tu desces das estrelas, ó Rei do céu 
E vens a uma gruta no frio e no gelo. 
Ó Menino meu divino, eu Te vejo aqui a tremer; 
Ó Deus beato, quanto Te custou haver-me amado! 

A Ti, que és do mundo o Criador, 
Faltam agasalhos e fogo, ó meu Senhor. 
Querida e eleita criança, esta Tua pobreza me apaixona 
Pois foi o amor que Te fez pobre novamente. 

Tu deixas as delícias da intimidade divina 
Para vir a sofrer sobre essa palha. 
Doce amor do meu coração, aonde Te levou o amor? 
Ó meu Jesus, por que tanto sofrer? Por meu amor! 

Mas se sofres por Tua própria vontade, 
por que então este choro, por que estes gemidos? 
Meu Jesus, eu Te entendo sim! Ah, meu Senhor! 
Tu choras não de dor, mas de amor! 

Tu choras ao ver a minha ingratidão, 
Um amor tão grande e tão pouco amado! 
Ó amado do meu coração, 
se fui assim outrora, hoje somente por Ti eu anseio 
Querido, não chores mais, pois eu Te amo, Te amo. 

Enquanto dormes, meu Menino, o coração 
não dorme, não, mas vigia a todo momento 
Vai, meu querido e puro Cordeiro, 
Em que pensas? Dize-me Tu. Ó amor imenso, 
um dia em morrer por ti, respondes, é o que eu penso. 

Então, pensas em morrer por mim, ó Deus 
Que mais posso eu amar fora de Ti? 
Ó Maria, esperança minha, 
se pouco eu amo o teu Jesus, não te indignes 
de amá-Lo Tu por mim, se eu não O sei amar!



Poema de São José de Anchieta sobre Jesus na Manjedoura



- Que fazeis, menino Deus,
Nestas palhas encostado?
- Jazo aqui por teu pecado.

- Ó menino mui formoso,
Pois que sois suma riqueza,
Como estais em tal pobreza?

- Por fazer-te glorioso
E de graça mui colmado,
Jazo aqui por teu pecado.

- Pois que não cabeis no céu,
Dizei-me, santo Menino,
Que vos fez tão pequenino?

- O amor me deu este véu,
Em que jazo embrulhado,
Por despir-te do pecado.

- Ó menino de Belém,
Pois sois Deus de eternidade,
Quem vos fez de tal idade?

- Por querer-te todo o bem
E te dar eterno estado,
Tal me fez o teu pecado.


Padre José de Anchieta.

Fonte: Site Montfort/ Blog GRAA

Homilia de Santo Efrém sobre o Natal



Hoje, Maria, ao levar a divindade, se tornou para nós céu; e Cristo, sem deixar a glória paterna, se encerrou nos apertados limites do ventre materno, para exalçar os homens à dignidade mais elevada. Escolheu só esta Virgem, dentre todas as virgens, para instrumento de nossa salvação.

Nela se realizaram todos os vaticínios de todos os justos e profetas. Dela própria saiu aquele esplendidíssimo astro sob cuja guia o povo que andava em trevas viu grande luz. (Is 9,2)

De diversos nomes pode ser Maria acertadamente designada. E, com efeito, é ela o templo do filho de Deus que dela saiu de modo diverso do que entrou, pois no ventre entrara sem corpo e dele saíra revestido de nossa humanidade.

É ela o místico novo céu (Ap 21,1) em quem habitou, como em sua sede, o Rei dos reis, e donde baixou à terra, levando diante de si forma e semelhança terrenas. É ela a videira de frutificação de suave odor (Ecle 24,23), cujo fruto, embora diferente da natureza da árvore, dela devia ter tomado algo semelhante.

É ela a fonte que brota (Joel 3,18) da casa do Senhor da qual jorraram para os sedentos águas vivas que matarão a sede para sempre (Jo 4,13) de todo aquele que apenas com os lábios as tiver provado.

Erra, portanto, caríssimos, quem julga poder comparar-se o dia de hoje de reparação ao da criação! E, de fato, no princípio, a terra foi criada; hoje, foi renovada. No início, dado o crime de Adão, foi maldita por causa da obra dele (Gn 3,17); hoje, porém, a paz e a segurança lhe foi restituída. No início, pelo delito dos primeiros pais, a morte passou a todos os homens (Rm 5,12); hoje, no entanto, por Maria, passamos da morte à vida (1Jo 3,14) No início, a serpente penetrou nos ouvidos de Eva, donde o veneno infeccionou todo o corpo: hoje, Maria deu ouvidos à afirmação da felicidade perpétua. O que, portanto, fora de morte passou a ser, ao mesmo tempo, instrumento de vida.

Aquele cujo trono assenta sobre os querubins (Sl 98,1) ei-lo sentado nos braços de uma mulher; aquele que o mundo todo não encerra, só Maria o abraça; aquele que os tronos e as dominações reverenciam, a donzela acaricia; aquele cuja sede se acha nos séculos dos séculos (Sl 44,7), eis que se senta nos joelhos virginais; a terra é escabelo de seus pés, tocando-a com as plantas dos pés infantis.

Ó feliz e afortunado Adão, que, ao nascer o Senhor, recobrou a honra e o esplendor perdidos! Felicíssimos mortais que, vasos de ira para a morte (Rm 9,22) lhe deram o revestimento da própria argila! Redirei felicíssimos aqueles a quem foi dado ver o fogo de nossos corações envolto em seus paninhos!

Tamanhas coisas fez Deus para corrigir a estultície de um só homem! Visto que o servo caíra pela própria soberba, o Senhor o levantara em sua humildade.

Demos, pois, irmãos caríssimos, graças a Deus Pai que, para remir servos, entregou o próprio Filho. Exaltemos igualmente a Jesus com os máximos louvores, pois curou com tanta felicidade as feridas dos homens. E, por fim, veneremos piamente o Espírito de ambos, que nos foi dado (Rm 5,5) para que tenhamos a vida e a tenhamos em abundância. (Jo 10,10)


Santo Efrém, Doutor da Igreja. Sermão III de diversis.
Fonte: Blog GRAA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

"Ó esplêndida joia...!" - Palavras de Santa Hildegarda de Bingen a Nossa Senhora



Ó esplêndida joia, serenamente infusa com o Sol!
O Sol está em Ti como uma fonte do coração do Pai;
É Seu Verbo único, pelo qual Ele criou o mundo,
A matéria primitiva, que Eva lançou em desordem.
Ele formou o Verbo em Ti como um ser humano,
E, portanto, Tu és a joia que brilha da forma mais radiante,
Por meio de quem o Verbo exalou todas as virtudes,
Tal como, antigamente, da matéria primitiva Ele fez todas as criaturas.

Ó doce ramo verde, que floresces do tronco de Jessé!
Ó coisa gloriosa, que Deus tenha reparado em Sua mais bela filha,
Como a águia olha para a face do sol!
O Altíssimo Pai buscou  inocência de uma Virgem,
E quis que Seu Verbo devesse assumir nela Seu Corpo.
Pois a mente da Virgem foi iluminada pelo mistério dEle,
E de sua virgindade brotou a gloriosa Flor.


Scivias, Santa Hildegada de Bingen

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (16/11) por São Josemaria Escrivá



(1902-1975), presbítero, fundador
«Amigos de Deus», n.º 46

«Fazei-as render»

«Senhor, aqui está a tua mina, que eu guardei num lenço.» Que ocupação escolherá este homem, agora que abandonou o seu instrumento de trabalho? Tendo decidido irresponsavelmente optar pela comodidade de devolver só o que lhe entregaram, dedicar-se-á a matar o tempo: os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos, a vida! Os outros afadigam-se, negoceiam, empenham-se nobremente em restituir mais do que receberam – o legítimo fruto, aliás, porque a recomendação foi muito concreta: «Fazei-as render até que eu volte», encarregai-vos deste trabalho para conseguirdes algum lucro, até que o dono regresse. Pois este não; este inutiliza a sua existência.

Que pena viver tendo como ocupação matar o tempo, que é um tesouro de Deus! Não há desculpas para justificar essa atuação. Adverte São João Crisóstomo: «Que ninguém diga: só tenho um talento, não posso ganhar coisa alguma. Também com um só talento podes agir de forma meritória.» Que tristeza não tirar partido, autêntico rendimento, de todas as faculdades, poucas ou muitas, que Deus concede ao homem para que se dedique a servir as almas e a sociedade! Quando, por egoísmo, o cristão se retrai, se esconde, se despreocupa, numa palavra, quando mata o tempo, coloca-se em perigo de matar o Céu. Quem ama a Deus, não entrega só o que tem, o que é, ao serviço de Deus: dá-se a si mesmo.

Fonte:

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Comentário do Evangelho (15/11) por Santa Elisabeth da Santíssima Trindade



(1880-1906), carmelita
Último retiro, 42-44



«Eu hoje devo ficar em tua casa.»

«Só em Deus repousa a minha alma; dele vem a minha salvação. Só Ele é o meu rochedo e a minha salvação, a minha fortaleza; jamais vacilarei» (Sl 61,2-3). Eis o mistério que canta hoje a minha lira! Como a Zaqueu, o meu Mestre disse-me: «Desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa.» Desce depressa, mas aonde? Ao mais fundo de mim própria: depois de me ter deixado a mim própria, separado de mim própria, despojado de mim própria, numa palavra, sem mim própria.

«Eu hoje devo ficar em tua casa.» É o meu Mestre que me exprime esse desejo! O meu Mestre quer habitar em mim, com o Pai e o seu Espírito de amor, porque, segundo a expressão do discípulo amado, eu estou em comunhão com eles (1Jo 1,3). «Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus», diz S. Paulo (Ef 2,19). E para mim ser «concidadãos dos santos e membros da família de Deus» consiste em viver no seio da tranquila Trindade, no meu abismo interior, nessa fortaleza inexpugnável do santo recolhimento de que fala S. João da Cruz. [...]

Oh! Que bela é esta criatura assim despojada, salva de si própria! [...] Ela sobe, eleva-se acima dos sentidos, da natureza; ultrapassa-se a si própria; ultrapassa toda a alegria, assim como toda a dor, e passa através das nuvens, para só descansar quando tiver penetrado no interior daquele que ama e que lhe concederá, Ele próprio, o repouso. [...] O Mestre disse-lhe: «Desce depressa.» É ainda sem de lá sair que ela viverá, à imagem da Trindade imutável, num eterno presente [...], tornando-se, por um olhar sempre mais simples, mais unitivo, «o esplendor da sua glória» (Heb 1,3), dito de outro modo, louvor e glória das suas adoráveis perfeições.

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho (14/11) por Santa Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein)


Muitas vezes, tive a impressão de ficar sem forças. 
Mais vezes ainda, desesperei de ver a luz. 
Mas, quando o meu coração estava tomado pela dor, 
eis que uma estrela se elevou diante de mim. 
Ela conduziu-me e eu segui-a, 
primeiro com passo hesitante, depois com confiança. [...] 

Aquilo que tinha de esconder no mais fundo do meu coração, 
posso agora proclamá-lo alto e em bom som: 
«creio e confesso a minha fé». [...] 
Senhor, será possível que renasça 
quem já viveu metade da sua vida (Jo 3,4)? 
Tu o disseste e isso verificou-se comigo. 
O fardo de uma longa vida de faltas e sofrimentos 
caiu de cima dos meus ombros. [...] 

Ah! nenhum coração humano pode compreender 
o que Tu reservas aos que Te amam (1Cor 2,9). 
Agora que Te agarrei, nunca mais Te hei-de largar (Ct 3,4). 
Seja qual for o caminho que tome a minha vida, 
Tu estás comigo (Sl 22). 
Nada poderá separar-me do teu amor (Rom 8,39).

Créditos: Evangelho Quotidiano
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