quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (16/11) por São Josemaria Escrivá



(1902-1975), presbítero, fundador
«Amigos de Deus», n.º 46

«Fazei-as render»

«Senhor, aqui está a tua mina, que eu guardei num lenço.» Que ocupação escolherá este homem, agora que abandonou o seu instrumento de trabalho? Tendo decidido irresponsavelmente optar pela comodidade de devolver só o que lhe entregaram, dedicar-se-á a matar o tempo: os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos, a vida! Os outros afadigam-se, negoceiam, empenham-se nobremente em restituir mais do que receberam – o legítimo fruto, aliás, porque a recomendação foi muito concreta: «Fazei-as render até que eu volte», encarregai-vos deste trabalho para conseguirdes algum lucro, até que o dono regresse. Pois este não; este inutiliza a sua existência.

Que pena viver tendo como ocupação matar o tempo, que é um tesouro de Deus! Não há desculpas para justificar essa atuação. Adverte São João Crisóstomo: «Que ninguém diga: só tenho um talento, não posso ganhar coisa alguma. Também com um só talento podes agir de forma meritória.» Que tristeza não tirar partido, autêntico rendimento, de todas as faculdades, poucas ou muitas, que Deus concede ao homem para que se dedique a servir as almas e a sociedade! Quando, por egoísmo, o cristão se retrai, se esconde, se despreocupa, numa palavra, quando mata o tempo, coloca-se em perigo de matar o Céu. Quem ama a Deus, não entrega só o que tem, o que é, ao serviço de Deus: dá-se a si mesmo.

Fonte:

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Comentário do Evangelho (15/11) por Santa Elisabeth da Santíssima Trindade



(1880-1906), carmelita
Último retiro, 42-44



«Eu hoje devo ficar em tua casa.»

«Só em Deus repousa a minha alma; dele vem a minha salvação. Só Ele é o meu rochedo e a minha salvação, a minha fortaleza; jamais vacilarei» (Sl 61,2-3). Eis o mistério que canta hoje a minha lira! Como a Zaqueu, o meu Mestre disse-me: «Desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa.» Desce depressa, mas aonde? Ao mais fundo de mim própria: depois de me ter deixado a mim própria, separado de mim própria, despojado de mim própria, numa palavra, sem mim própria.

«Eu hoje devo ficar em tua casa.» É o meu Mestre que me exprime esse desejo! O meu Mestre quer habitar em mim, com o Pai e o seu Espírito de amor, porque, segundo a expressão do discípulo amado, eu estou em comunhão com eles (1Jo 1,3). «Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus», diz S. Paulo (Ef 2,19). E para mim ser «concidadãos dos santos e membros da família de Deus» consiste em viver no seio da tranquila Trindade, no meu abismo interior, nessa fortaleza inexpugnável do santo recolhimento de que fala S. João da Cruz. [...]

Oh! Que bela é esta criatura assim despojada, salva de si própria! [...] Ela sobe, eleva-se acima dos sentidos, da natureza; ultrapassa-se a si própria; ultrapassa toda a alegria, assim como toda a dor, e passa através das nuvens, para só descansar quando tiver penetrado no interior daquele que ama e que lhe concederá, Ele próprio, o repouso. [...] O Mestre disse-lhe: «Desce depressa.» É ainda sem de lá sair que ela viverá, à imagem da Trindade imutável, num eterno presente [...], tornando-se, por um olhar sempre mais simples, mais unitivo, «o esplendor da sua glória» (Heb 1,3), dito de outro modo, louvor e glória das suas adoráveis perfeições.

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho (14/11) por Santa Teresa Benedita da Cruz (Santa Edith Stein)


Muitas vezes, tive a impressão de ficar sem forças. 
Mais vezes ainda, desesperei de ver a luz. 
Mas, quando o meu coração estava tomado pela dor, 
eis que uma estrela se elevou diante de mim. 
Ela conduziu-me e eu segui-a, 
primeiro com passo hesitante, depois com confiança. [...] 

Aquilo que tinha de esconder no mais fundo do meu coração, 
posso agora proclamá-lo alto e em bom som: 
«creio e confesso a minha fé». [...] 
Senhor, será possível que renasça 
quem já viveu metade da sua vida (Jo 3,4)? 
Tu o disseste e isso verificou-se comigo. 
O fardo de uma longa vida de faltas e sofrimentos 
caiu de cima dos meus ombros. [...] 

Ah! nenhum coração humano pode compreender 
o que Tu reservas aos que Te amam (1Cor 2,9). 
Agora que Te agarrei, nunca mais Te hei-de largar (Ct 3,4). 
Seja qual for o caminho que tome a minha vida, 
Tu estás comigo (Sl 22). 
Nada poderá separar-me do teu amor (Rom 8,39).

Créditos: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Comentário ao Evangelho (02/11 - Finados) feita por São Cipriano



Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Comentário do dia 
São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir 
Sobre a morte; PL 4, 583ss.

A nossa verdadeira morada

É conveniente nunca perdermos de vista, caros irmãos, que renunciámos ao mundo e que vivemos aqui em baixo como hóspedes de passagem, como estrangeiros (Heb 11,13). Bendigamos o dia que atribui a cada um a sua verdadeira morada, e que, depois de nos ter arrancado a este mundo e libertado das suas amarras, nos conduz ao paraíso e ao Reino dos Céus. Quem não se apressaria em regressar à pátria depois ter passado algum tempo o estrangeiro? Quem [...] não desejaria um vento favorável para navegar, para mais rapidamente abraçar os seus? A nossa pátria é o paraíso; desde sempre, tivemos os patriarcas por pais. 

Porque não nos apressamos então para ver a nossa pátria, porque não corremos para saudar os nossos pais? Temos uma multidão de entes queridos à nossa espera, pais, irmãos, filhos, já seguros da sua própria salvação mas preocupados ainda com a nossa; eles desejam ver-nos entre eles. [...] É lá que se encontra o coro glorioso dos apóstolos, a multidão entusiasmada dos profetas, o exército inumerável de mártires, coroados com a sua vitória contra o inimigo e o sofrimento [...]; é lá que reinam as virgens [...]; é lá que, por último, são recompensados os homens que experimentaram compaixão, que multiplicaram os seus atos de caridade provendo às necessidades dos pobres e que, fiéis aos preceitos do Senhor, chegaram a elevar-se dos bens terrenos aos tesouros do Céu. Apressemo-nos por conseguinte a satisfazer a nossa impaciência de nos juntarmos a eles, e de comparecermos o mais depressa possível perante Cristo. Que Deus descubra em nós esta aspiração [...], Ele que concede a recompensa suprema da sua glória aos que a desejaram com o maior ardor.

Créditos: Evangelho Quotidiano

Solenidade de Todos os Santos - Comentário ao Evangelho feito por Santo Ambrósio



Comentário do dia
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Sobre o bem da morte

«Apareceu na visão uma multidão enorme [...], de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé [...] diante do trono e diante do Cordeiro» (Ap 7,9)

Fortalecidos com os ensinamentos [da Escritura], caminhemos sem tremer para o nosso Redentor, Jesus, para a assembleia dos patriarcas, caminhemos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar. Caminhemos para a congregação dos santos, para a assembleia de justos. Iremos para junto dos nossos pais, daqueles que nos ensinaram a fé; mesmo que nos faltem as obras, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança! Iremos para o lugar onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s), onde repousam aqueles que suportaram o rude peso da vida deste mundo. Agora, Pai, estende mais e mais as tuas mãos para acolheres estes pobres, abre os teus braços, alarga o teu seio para os acolheres melhor, pois são muitos os que acreditaram em Deus. 

Iremos para o paraíso de felicidade, onde Adão, outrora caído numa emboscada de salteadores, já não pensa em curar as suas feridas, onde o próprio malfeitor goza da sua parte do Reino celeste (cf Lc 10,30; 23,43). Para onde nenhuma nuvem, nenhuma trovoada, nenhum raio, nenhuma tempestade de vento, nem trevas, nem crespúsculo, nem verão, nem inverno, marcarão a instabilidade dos tempos; nem frio, nem granizo, nem chuva. O nosso pobre sol, a lua, as estrelas, já não servirão para nada; só a luz de Deus resplandecerá, porque Deus será a luz de todos, e essa luz verdadeira que ilumina todo o homem resplandecerá para todos (Ap 21,5; Jo 1,9). Iremos para onde o Senhor Jesus preparou moradas para todos os seus servos, para que, onde Ele está, nós estejamos também (Jo 14,2-3). 

«Pai, quero que onde Eu estiver estejam também comigo aqueles que Tu me confiaste, para que contemplem a minha glória» (Jo 17,24). [...] Nós seguimos-Te, Senhor Jesus; mas, para isso, chama-nos, pois sem Ti ninguém ascende. Tu és o caminho, a verdade, a vida (Jo 14,6), a possibilidade, a fé, a recompensa. Recebe-nos, fortalece-nos, dá-nos a vida!

Créditos: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (31/10) por São Bernardino de Sena



(1380-1444), franciscano 
Tratado sobre a esmola


«Convida os pobres.»


Dá a tua esmola com alegria. Que tudo aquilo que fazes por amor a Deus cante a alegria, e não o enfado. Porque está escrito: «o espírito triste seca os ossos» (Pr 17,22); o que significa que, quando um pobre vem bater à tua porta e tu lhe estendes a esmola de má vontade, o teu mérito foi consumido antes mesmo de teres flanqueado o limiar. Deves torná-la alegre com o coração, com as palavras e com as obras. 

Quando te vem bater à porta um mendigo que te solicita uma oferta por amor de Deus, responde-lhe de bom grado: «Bem-vindo!» Deste modo, estarás a testemunhar-lhe, pelo teu coração, pelas tuas palavras, pela tua expressão afável e pela tua prontidão, que fazes a tua oferta com alegria. A palavra que acompanha a esmola alegra mais do que pensas. E que preciosa ela se torna quando a dás de boa vontade e provas essa disposição com uma palavra de afeto!


Fonte: Evangelho Quotidiano

São Padre Pio, o terço e Nossa Senhora de Lourdes

“Nada menos que cinco rosários na íntegra todos os dias”: é o compromisso que lemos no diário escrito por Padre Pio em 1929. Mas, na realidade, eram realmente raros os dias em que o capuchinho ficava limitado a esse número.

O padre Mariano Paladino uma vez perguntou-lhe quantos terços havia rezado, e ele respondeu:

– Trinta. Quase, tal vez um pouco mais, mas não menos.

– Como o senhor consegue? perguntou o surpreso confrade.

E padre Pio respondeu candidamente:

– Na noite o que há para fazer?


Em outra ocasião, o santo religioso acrescentou:

– Eu posso fazer três coisas ao mesmo tempo: rezar, confessar e ir ao redor do mundo.

Um de seus assistentes pessoais, o padre Marcellino Iasenzaniro, testemunhou que na parte da manhã era necessário lavar-lhe as mãos uma de cada vez, porque o Padre Pio nunca parava de rezar o Terço, que gostava de chamar de “arma de defesa e de salvação, doada por Nossa Senhora para usá-la contra as astutas ciladas do inimigo infernal”.

E ele explicou aos que estavam perto dele:

– Se a Imaculada em Lourdes e até mesmo o Imaculado Coração em Fátima recomendaram insistentemente a oração do Terço, não significa que esta oração tem um valor excepcional para nós e para os nossos tempos?



Um dia, o irmão padre Alessio Parente lhe perguntou por que ele sempre recitava o Terço e não outras orações. Sua resposta foi:

– Porque Nossa Senhora nunca me recusou uma graça através da recitação do terço.

Para si mesmo, como revelou ao padre Pellegrino Funicelli, ele tinha um pedido preciso:

“Meu filho, eu tenho um temperamento ruim. Muitas vezes, quando eu não concordo com as disposições do Superior, digo-lhe clara e rombudamente, embora, em seguida, eu cumpro suas disposições escrupulosamente.

“Eu peço todos os dias a Nossa Senhora a graça de ter um pouco de sua doçura e de sua ternura na obediência ao superior e à Igreja. Eu, então, Lhe peço uma segunda graça: não ter olhos para ver, exceto Jesus e sua Igreja nesta terra”.




O terço é arma poderosíssima para tirar do Purgatório as almas que ali padecem


O poder desta oração foi testado pessoalmente pelo capuchinho, que entre outras coisas, como relatou o padre Nello Castello, ensinou a valorizar o terço de indulgências de Monsenhor Cuccarollo, a quem o Papa São Pio X, na hora de nomea-lo bispo tinha concedido as indulgências de que dispunha, tirando o anel papal da mão e pondo-o no dedo do bispo simbolicamente.

Padre Pio disse:

– Com este terço esvaziamos um recanto do Purgatório.
Todas as noites, especialmente nos últimos anos de vida, o padre Pio queria que em seu quarto o Superior ou outro irmão de religião puxasse a Ave Maria, que ele e os presentes, em seguida, completavam concluindo com a invocação “Mater Divinae Gratiae, ora pro nobis” (“Mãe da Divina Graça, rogai por nós”).


O padre Carmelo de San Giovanni in Galdo poeticamente pintou a cena como

“o fechamento de um dia de trabalho pesado, e um brado pedindo ajuda para a noite que se aproximava. Ele fitava para a grande imagem de Nossa Senhora, que pendia da parede ao pé da sua cama, como uma criança aguardando o beijo e a saudação da mãe”.

Seu sentimento filial para com Maria teve extraordinária intensidade, embora para sua humildade nunca achava suficientes suas demonstrações de afeto.

Durante uma confissão, a Irmã Maria Francesca Consolata confidenciou:

– Pai, eu tenho muita amargura na alma, porque eles não sabem amar Nossa Senhora com o amor que o senhor tem.

E ele, com um suspiro, disse, visivelmente emocionado:



– Minha filha, eu estou sofrendo porque eu A amo tanto ... e eu ainda não sei amá-La como Ela merece. Oremos juntos para alcançar essa grande graça.


A 14 de agosto de 1958, na véspera da festa da Assunção, o padre guardião do mosteiro pediu-lhe um pensamento espiritual.

O Padre Pio abaixou a cabeça, começou a soluçar, e, respondendo, disse:

– Nossa Senhora ...
Os soluços tornaram-se pranto; em seguida, retomou com esforço:

– Nossa Senhora ....
Tremores fortes fizeram estremecer todo o seu corpo.

– Nossa Senhora.., ele repetiu pela terceira vez, é nossa Mãe.
Então lágrimas brotaram incontroláveis, e o padre, com dificuldade, conseguiu levar o lenço para enxugar as lágrimas que lhe tinham molhado todo o rosto.

Mas sequer teve tempo e força para secá-lo, porque as lágrimas escorriam abundantes e incessantemente.

Em seguida, deixou cair as mãos sobre os joelhos e, chorando, ele continuou a gritar:

– Nossa Senhora é nossa Mãe! Nossa Senhora é nossa Mãe!

Por sua vez, o padre Eusébio contou que certa feita, no fim do dia, após a recitação do Rosário em honra de Nossa Senhora, a multidão de pessoas cantou a música “Levanta-te, Tu que és mais bela que a aurora”.

E enquanto cantavam o refrão “Tu és bela como o sol, pulcra como a lua”, o padre Pio teve uma expansão súbita:

– Oh, se fosse assim renunciaria até ao Paraíso.
O padre Eusébio, espantado com esta declaração que lhe parecia exagerada, objetou:

– Padre, isso é mais bonito do que o sol e a lua?

E ele quase com pena dele, disse:

– Eh ... o senhor precisa..
E o irmão, pegando no ar:

– Mas então, o senhor viu a Nossa Senhora?

Sua resposta foi o silêncio, acompanhado por um sorriso mais eloquente do que quaisquer palavras.


(Fonte: Blog Lourdes e Suas Aparições/ Saverio Gaeta, “Padre Pio. Sulla soglia del Paradiso”, San Paolo Edizioni, 2002, cap. XVI, Rosario e Madonna. L'“arma” della salvezza).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...