segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Palavras de São João Paulo II sobre a Oração do Rosário



"O Rosário é minha oração preferida. Oração maravilhosa em sua simplicidade e em sua profundidade. Nesta oração repetimos muitas vezes as palavras que a Virgem Maria escutou da boca do anjo e de sua prima Isabel. A estas palavras toda a Igreja se associa.

Podemos dizer que o Rosário é, de certo modo, uma oração-comentário do último capítulo da Constituição "Lumen Gentium" do Vaticano II, capítulo que trata da admirável presença da Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. No fundo das palavras "Ave Maria", passam diante dos olhos do que reza os principais episódios da vida de Cristo, com seus mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, que nos fazem entrar em comunhão com Cristo, poderíamos dizer, através do coração de sua Mãe.

Nosso coração pode encerrar nestas dezenas do Rosário todos os atos que compõem a vida de cada indivíduo, de cada família, de cada nação, da Igreja e da humanidade: os acontecimentos pessoais e os do próximo e, de modo particular, daqueles que mais gostamos. Assim, a simples oração do Rosário pulsa no ritmo da vida humana".

João Paulo II

Fonte: Acidigital

Comentário ao Evangelho do dia (30/10) por Filoxeno de Mabug

(?-c. 523), bispo da Síria 
Homilia n.º 4, 79-80


Zaqueu descobre o único bem verdadeiro


Nosso Senhor chamou Zaqueu do sicómoro para onde ele tinha subido, e Zaqueu apressou-se a descer, recebendo-O imediatamente em sua casa. Isto porque, mesmo antes de ter sido chamado, tinha a esperança de O ver e de se tornar seu discípulo. É coisa admirável que tenha acreditado nele sem que Nosso Senhor lhe tenha falado e sem O ter visto com os olhos do corpo, mas simplesmente com base na palavra dos outros. A fé que havia nele, que tinha sido preservada na sua vida e saúde naturais, manifestou-se quando acreditou em Nosso Senhor, no momento em que soube que Ele tinha chegado. A simplicidade desta fé tornou-se evidente quando prometeu dar metade dos seus bens aos pobres e devolver o quádruplo daquilo de que se tivesse apoderado de forma desonesta. 

Com efeito, se o espírito de Zaqueu não tivesse sido, naquele momento, repleto da simplicidade que convém à fé, ele não teria feito semelhante promessa a Jesus, nem teria dispensado e distribuído em tão pouco tempo aquilo que tinha levado anos de trabalho a juntar. A simplicidade distribuiu por todos o que a astúcia tinha ajuntado, a pureza de alma dispersou o que a fraude tinha adquirido, e a fé renunciou ao que a injustiça tinha obtido e possuído, proclamando que nada daquilo lhe pertencia. 

Porque Deus é o único bem da fé, que se recusa a possuir outros bens com Ele. Para ela, os outros bens têm pouca importância, em comparação com o único bem duradouro que é Deus. Recebemos em nós a fé para encontrarmos a Deus e O possuirmos apenas a Ele, e para percebermos que, fora dele, coisa alguma vale seja o que for.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (14/10) por Isaac, o Sírio



(século VII), monge perto de Mossul 
Discursos Espirituais, 1.ª série, n.º 36


«Não temais. Valeis mais do que todos os passarinhos».


É preciso não desejar nem procurar estouvadamente sinais visíveis, uma vez que o Senhor está sempre pronto a socorrer os seus santos. Ele não manifesta o seu poder numa obra ou num sinal sensível sem necessidade, para não esbater a ajuda que dele recebemos nem nos prejudicar. É desta forma que providencia junto dos seus santos: quer mostrar-lhes que a atenção secreta que lhes presta não os abandona um instante mas que, em tudo, os deixa travar o combate segundo a medida das suas forças e esforçar-se por rezar. 

Porém, se alguma dificuldade os abate, quando estão doentes ou desencorajados porque a sua natureza é fraca, então Ele próprio faz, como é preciso e como Ele sabe, tudo o que está no seu poder para que sejam socorridos. Confirma-os secretamente tanto quanto pode, para que tenham força para suportar as dificuldades. Porque, na confiança que lhes dá, frustra essas dificuldades e, pela visão da fé, desperta-os para o louvor. [...] Contudo, se for preciso que esta ajuda secreta seja explicitada, Ele o faz, mas por necessidade. Os seus caminhos são de grande sabedoria: prolongam-se quando é preciso e necessário, mas nunca de qualquer maneira. 

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (13/10) por Severino de Gabala

(?-c. 408), bispo da Síria 
Homilia sobre Caim e Abel


«Um sangue de aspersão que fala melhor que o de Abel» (Heb 12, 24)

Caim e Abel pareciam honrar a Deus com culto idêntico, mas na realidade apresentavam as suas oferendas com disposições bem diferentes: as do mais velho pareciam ser apenas um dom, enquanto as do mais novo davam testemunho da sua reverência e piedade. Daí nasceram os sentimentos de inveja [...], que resultaram no assassínio de Abel (Gn 4,3s). [...] 

Vejo no santo Abel a imagem de Cristo. Claro que o Salvador é o Justo por excelência [...] mas, de entre todos os homens da Antiga Aliança, o príncipe da justiça é Abel. [...] Aliás, o próprio Salvador posicionou Abel à cabeça da linha dos justos quando disse aos Judeus: «Deus vai pedir contas a esta geração do sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a criação do mundo, desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que pereceu entre o altar e o santuário.» [...] 

Coisa admirável: porque foi o primeiro a combater pela justiça, Abel teve a honra de ser o primeiro a sofrer pela piedade. Ele é verdadeiramente a prefiguração de Cristo, que foi condenado à morte por causa da verdade. O sangue de Abel anuncia o sangue de Cristo: ele clama à terra (Gn 4,10). O sangue do Senhor também clama, mas o sangue de Abel era suplicante, enquanto o de Cristo opera a reconciliação com o mundo. [...] O apóstolo Paulo, lembrando um e de outro, declara a superioridade do sangue de Cristo quando escreve: «Vós porém aproximastes-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de míriades de anjos, da reunião festiva, da assembleia dos primogénitos inscritos nos céus, do Juiz que é o Deus de todos, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição, de Jesus, o Mediador da Nova Aliança e de um sangue de aspersão que fala melhor que o de Abel» (Heb 12,22-24). [...] Sim, este sangue fala, suplica pelos pecadores, intercede pelo mundo. O sangue de Cristo purifica realmente o mundo; o sangue de Cristo é a redenção dos homens.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (12/10) por Isaac, o Sírio



(século VII), monge perto de Mossul 
Sentenças 117, 118

«Ai de vós, doutores da lei, porque impondes aos homens fardos insuportáveis»

A sobriedade vigilante ajuda mais o homem que as obras exteriores. [...] Não é possível que uma pessoa domine verdadeiramente os desejos corpóreos - a preguiça, a ira, a gula - e não adquira a mansidão. Exercido com discernimento o desprendimento de tudo, seguem-se a recusa do conforto corporal e da opinião dos outros. A pessoa que, por amor a Deus, acolhe com alegria e diligência o mal que lhe fazem é pura de coração (Mt 5,8); e, se não despreza ninguém, é verdadeiramente livre. [...] 

Não alimentes o ódio contra o pecador, porque todos somos culpados. Se, por amor a Deus, tiveres contra ele motivos de censura, lamenta-o. Porque lhe terias tu ódio? É o seu pecado que deves odiar, e rezar por ele, se quiseres ser como Cristo, que, longe de Se indignar com os pecadores, rezava por eles: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,34). [...] Que razão terias, pois, para odiar o pecador, tu que não passas de um homem? Seria por ele não estar à altura da tua virtude? Mas onde está a tua virtude se te falta a caridade?

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário ao Evangelho do dia (11/10) por Balduíno de Ford

(?-c. 1190), abade cisterciense, depois bispo 
Homilia 6, sobre a Carta aos Hebreus


«Limpais o exterior. [...] Quem fez o interior não fez também o exterior?»


O Senhor conhece os pensamentos e as intenções do nosso coração. Ninguém duvida de que Ele os conhece de facto a todos, mas nós só conhecemos os que Ele nos torna manifestos pela graça do discernimento. Porque o espírito do homem nem sempre sabe o que há nele; e mesmo quando se trata dos seus próprios pensamentos, sejam eles queridos ou não, tem deles uma ideia que nem sempre corresponde à realidade. Nem os que se apresentam com evidência aos olhos do espírito discerne com precisão, tão obscurecido está o seu olhar. 

Com efeito, acontece frequentemente, por uma razão humana ou procedente do tentador, deixarmo-nos levar pelo pensamento para aquilo que é só aparência de piedade e que, aos olhos de Deus, não merece de maneira nenhuma a recompensa prometida à virtude. É que há coisas que podem apresentar o aspeto de verdadeiras virtudes, como também de vícios, e enganar os olhos do coração. Pelas suas seduções, podem perturbar a visão da nossa inteligência ao ponto de muitas vezes lhe fazer tomar por um bem realidades que realmente são más, e inversamente, levá-la a ver um mal onde, na verdade, não existe. É um aspeto da nossa miséria e da nossa ignorância que muito precisamos de deplorar e grandemente de temer. [...] 

Quem pode verificar se os espíritos procedem de Deus a não ser que tenha recebido de Deus o discernimento dos espíritos? [...] Este discernimento é a fonte de todas as virtudes.


Fonte: Evangelho do dia

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (10/10) por São Gregório de Nissa



c. 335-395), monge, bispo 
Homilia sobre o Cântico dos Cânticos (a partir da trad. de Migne 1992, p.40 rev.)


«Aqui está quem é maior do que Salomão!»

O texto do Cântico dos Cânticos de Salomão apresenta a alma como uma noiva, preparada para uma união incorpórea, espiritual e sem mancha com Deus. Aquele que «deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade» (1Tim 2,4) expõe assim o meio mais completo, o feliz meio para alcançar a salvação, a saber, aquele que passa pelo amor. Há quem encontre a salvação no temor, evitando fazer o mal pela consideração dos castigos que nos ameaçam na geena. Há também quem leve uma vida de retidão e de virtude porque tem a esperança de receber o salário reservado àqueles que tiveram uma existência piedosa; estes agem, não por amor do bem, mas com a esperança de serem recompensados. 

Ora, para avançarmos na perfeição, temos de começar por expulsar da alma o temor; é uma atitude servil não estarmos vinculados ao Mestre apenas por amor. [...] Não amamos com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças (Mc 12,30) um dos dons com os quais somos recompensados, mas Aquele que é a própria fonte destes bens. Assim deve ser a alma segundo a palavra de Salomão. [...] 

Julgas que evoco o Salomão, o filho de Bersabé, que no alto da montanha sacrificou mil bois e que, a conselho de sua mulher estrangeira, cometeu um pecado? Não. Estou a pensar noutro Salomão, naquele que também nasceu de David segundo a carne, e que tem por nome «paz» [pois o nome de Salomão significa «homem de paz»]. Esse é o verdadeiro Rei de Israel, o construtor do Templo de Deus, o detentor do conhecimento universal, Aquele cuja sabedoria é incomensurável - mais ainda, que é por essência sabedoria e verdade, cujo nome e cujo pensamento são perfeitamente divinos e sublimes. Ele serviu-Se de Salomão como de um instrumento; é Ele que, através da voz de Salomão, Se dirige a nós, primeiro nos Provérbios, depois no Eclesiastes, e depois no Cântico dos Cânticos, apresentando à nossa reflexão, com ordem e método, a forma de progredir com vista à perfeição.


Fonte: Evangelho Quotidiano
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