sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O Poder do Santo Rosário

Nossa Senhora entregando o Santo Rosário ao Beato Alano de La Roche
"Toda graça que é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo, de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós" (S. Bernardino de Sena, Sermo VI in Festis B. M. V., De Annunciatione, a. 1, c. 2).

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673 –1716), grande apóstolo de Maria Santíssima, escreveu: “A Santíssima Virgem revelou ao Bem-aventurado Alain de la Roche que, depois do Santo Sacrifício da Missa, que é o primeiro e mais vivo memorial da Paixão de Jesus Cristo, não havia devoção mais excelente e meritória que o Rosário, que é como que um segundo memorial e representação da vida e da Paixão de Jesus Cristo”.

Assim sendo, depois da Santa Missa o Santo Rosário é a mais poderosa arma de eficácia comprovada contra Satanás e seus sequazes, que procuram perder as almas. É um meio de salvação dos mais poderosos e eficazes que nos foi oferecido pela Divina Providência. O Rosário soluciona inúmeros problemas, assegura a salvação eterna e antecipa a implantação no mundo do Reino do Imaculado Coração de Maria.

O Rosário, Instrumento de Salvação.

(Extraído do livro: A eficácia maravilhosa do Santo Rosário,
de São Luís Maria Grignion de Montfort)

A Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano que, quando São Domingos pregou o Rosário, pecadores endurecidos foram tocados e choraram amargamente seus crimes, e até crianças fizeram penitências incríveis.

O fervor foi tão grande, por toda a parte onde ele pregava, que os pecadores mudaram de vida e edificaram todo o mundo por suas penitências.

Se vós sentis vossa consciência carregada de pecados, tomai o Rosário e rezai uma parte dele em honra de alguns dos mistérios da vida, da paixão ou da glória de Jesus Cristo.

Convencei-vos de que, enquanto estiverdes meditando e honrando esses mistérios, no céu Ele mostrará suas chagas sagradas ao Pai, tomará a vossa defesa e obterá a contrição e o perdão dos vossos pecados. Ele mesmo disse um dia ao Beato Alano: "Se esses míseros pecadores rezassem frequentemente o Rosário, participariam dos méritos da minha paixão e Eu, como seu advogado, aplacaria a Justiça divina".

Nossa vida é uma guerra e uma tentação contínuas, na qual não temos que combater inimigos de carne e de sangue, mas as próprias potências do inferno.

Armai-vos, pois, com a arma de Deus que é o santo Rosário. Esmagareis assim a cabeça do demônio e permanecereis inabaláveis diante de todas as suas tentações.

É por isso que o Rosário, ainda que considerado materialmente, é tão terrível ao demônio, e os Santos dele se serviram para expulsá-lo dos corpos de possessos, como testemunham muitas narrativas.

O Beato Alano atesta que livrou grande número de possessos colocando o Rosário em seu pescoço.
Santo Agostinho assegura que não há exercício mais frutuoso e mais útil para a salvação do que pensar frequentemente nos sofrimentos de Nosso Senhor.

Santo Alberto Magno, mestre de São Tomás, soube por revelação que a simples lembrança ou meditação da paixão de Jesus Cristo é mais meritória ao cristão do que jejuar a pão e água todas as sextas-feiras de um ano inteiro, ou tomar a disciplina até o sangue todas as semanas, ou recitar todos os dias os cento e cinqüenta Salmos.

O Padre Dorland conta que a Santíssima Virgem declarou ao venerável Domingos, cartuxo devoto do santo Rosário, que residia em Trèves no ano de 1481, que "todas as vezes que um fiel recita o Rosário com as meditações dos mistérios da vida e da paixão de Jesus Cristo em estado de graça, ele obtém plena e inteira remissão de todos os seus pecados".

Ao Beato Alano, Ela disse: "Grande quantidade de indulgências foram concedidas ao meu Rosário, mas fica sabendo que Eu acrescentarei ainda muitas mais, aos que rezarem o terço em estado de graça, de joelhos e devotamente. E a quem nas mesmas condições perseverar nessa devoção, Eu lhe obterei no fim da vida, como recompensa por esse bom serviço, a plena remissão da pena e da culpa de todos os seus pecados".

Fonte: Gloria.tv/ Derradeiras Graças

Comentário do Evangelho do dia (08/10) por São Bernardo



(1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermão 31 sobre o Cântico dos cânticos



«Feliz aquela que acreditou que teriam cumprimento as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor» (Lc 1,45)

Os homens da antiga aliança viviam sujeitos a um regime de símbolos. Para nós, pela graça de Cristo, presente na carne, resplandeceu a própria verdade. E contudo, por relação ao mundo futuro, vivemos ainda, de certa maneira, à sombra da verdade. Escreve o Apóstolo Paulo: «A nossa ciência é imperfeita e a nossa profecia também é imperfeita» (1Cor 13,9); e ainda: «Não que eu tenha já alcançado a meta» (Fil 3,13). Com efeito, não podemos deixar de distinguir aquele que caminha pela fé e aquele que se encontra já na visão clara. Assim, «o justo viverá da fé» (Hab 2,4; Rom 1,17), enquanto o bem-aventurado exulta na visão da verdade; agora, o homem são vive à sombra de Cristo [...]. E é boa, esta sombra da fé, que filtra a luz que cega os nossos olhos ainda mergulhados nas trevas, e os prepara para suportar a luz. Com efeito, está escrito que Deus «purificou os seus corações pela fé» (At 15,9). A fé não tem, pois, como efeito a extinção da luz, mas a sua conservação. Tudo aquilo que os anjos contemplam a descoberto é preservado para mim pela luz da fé, que o faz repousar no seu seio, a fim de o revelar no momento ideal. Não será preferível ela manter oculto aquilo que ainda não és capaz de captar sem véu? 

Aliás, a Mãe do Senhor também vivia na sombra da fé, uma vez que lhe disseram: «Feliz aquela que acreditou» (Lc 1,45); e, do corpo de Cristo, recebeu também uma sombra, segundo a mensagem do anjo: «A força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra» (Lc 1,35). Esta sombra nada tem, pois, de desprezível, uma vez que é projetada pela força do Altíssimo. Com efeito, a carne de Cristo tinha um poder que cobriu a Virgem com a sua sombra, a fim de que o filtro desse corpo vivificante lhe permitisse suportar a presença divina e sustentar o brilho da luz inacessível, o que seria impossível a uma mortal. Este poder iludiu todas as forças adversas; o poder desta sombra expulsou os demónios e protegeu os homens. Poder verdadeiramente vivificante e sombra verdadeiramente refrescante! Quanto a nós, é à sombra de Cristo que vivemos, pois caminhamos pela fé e recebemos a vida, sendo alimentados pela sua carne.


Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (06/10) por São Macário (atribuído a ele)



(?-390), monge do Egipto 
Homilia n.º 16


«Quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!»»


Para conseguir o pão do corpo, o mendigo não se constrange em bater de porta em porta a pedi-lo; se não lho dão, avança um pouco e pede, ainda mais sem cerimónia, pão, roupas ou sandálias para consolo do corpo; se nada lhe derem, insiste e dali não sai, ainda que o expulsem. Nós, que procuramos receber o pão celeste e verdadeiro para nos fortificar a alma, que desejamos vestir as celestes roupas de luz e que aspiramos a calçar as imateriais sandálias do Espírito para refrigério da nossa alma imortal, muito mais devemos, incansável e resolutamente, com fé e amor, ter sempre paciência, bater à porta espiritual de Deus e pedir com perfeita constância para sermos considerados dignos da vida eterna. 

Por isso dizia o Senhor «uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18,1), a que acrescentava estas palavras: quanta «justiça para com os que Lhe imploram noite e dia» (v. 6) terá então nosso Pai Celeste. E disse ainda, sobre o amigo: «Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa». Acrescenta então: «Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate à porta, abrir-se-á». E prossegue: «Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!» É por isso que o Senhor nos exorta a pedir sempre, incansável e tenazmente, a procurar e a bater à porta continuamente: porque Ele prometeu dar aos que pedem, procuram e batem, não aos que não pedem. É por Lhe rezarmos, Lhe suplicarmos e O amarmos que Ele quer dar-nos a vida eterna.


Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Comentário ao Evangelho do dia (05/10) por Santo Agostinho



Bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 80


«Ensina-nos a orar»


Acreditais, irmãos, que Deus ignora o que vos é necessário? Aquele que conhece a nossa aflição conhece antecipadamente os nossos desejos. Por isso, quando ensinava o Pai Nosso, o Senhor recomendou aos discípulos que fossem sóbrios nas palavras: «Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós Lho pedirdes» (Mt 6,7-8). Se o vosso Pai sabe o que vos é preciso, para quê dizê-lo, mesmo por poucas palavras? [...] Se o sabes, Senhor, será mesmo necessário pedir-To em oração? 

Ora, quem nos diz: «Não useis de vãs repetições» declara-nos noutro passo: «Pedi e recebereis»; e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: «Procurai e encontrareis»; e, para que não pensemos que se trata de uma simples maneira de falar, vede como termina: «Batei, e hão-de abrir-vos» (Mt 7,7). Ele quer portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar, te ponhas a procurar, para que possas entrar, não deixes, enfim, de bater à porta. [...] Porquê pedir em oração? Porquê procurar? Porquê bater? Porquê cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: «Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18,2). [...] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos animar-nos a orar.


Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Elevação à Santíssima Trindade - Santa Elizabeth da Santíssima Trindade



Ó meu Deus, Trindade que adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em Vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz e nem me fazer sair de Vós, ó meu imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de Vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o Vosso céu, Vossa morada preferida e o lugar de Vosso repouso. Que eu jamais Vos deixe só, mas aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à Vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor, quisera ser uma esposa para Vosso Coração, quisera cobrir-Vos de glória, amar-Vos... Até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-Vos revestir-me de Vós mesmo, identificar minha alma com todos os movimentos da Vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-Vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da Vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo Eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-Vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de Vós. Depois, através de todas as noites, de todos vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em Vós e ficar sob Vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair de Vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de Amor, "vinde a mim" para que uma encarnação do Verbo; que eu seja para Ele uma humanidade de acréscimo na qual Ele renove todo o Seu Mistério. E Vós, ó Pai, inclinai-Vos sobre Vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com Vossa sombra vendo só o Bem-Amado, no qual pusestes todas as Vossas complacências.

Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a Vós qual uma presa. Sepultai-Vos em mim para que eu me sepulte em Vós, até que vá contemplar em Vossa luz o abismo de Vossas grandezas.


Santa Elisabeth da Santíssima Trindade, OCD

Fonte: Carmelo de São José - Campos dos Goytacazes

Comentário do Evangelho do dia (04/10) por Santo Aelredo de Rievaulx



(1110-1167), monge cisterciense 
Sermão para a Assunção

Marta e Maria


«Uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria». Se o nosso coração é o lugar onde Cristo habita, é preciso que nele habitem estas duas mulheres: uma que se senta aos pés de Jesus para O escutar, outra que trata de O alimentar. Enquanto Cristo for, neste mundo, pobre, sujeito à fome, à sede, à tentação, será preciso que estas duas mulheres habitem a mesma casa, que no mesmo coração coexistam estas duas atividades. […] 

Assim, durante esta vida de labor e de misérias, é preciso que Marta habite em vossa casa. […] Enquanto precisarmos de comer e de beber, teremos também de dominar a nossa carne ou o nosso corpo pela vigília, pelo jejum e pelo trabalho.; é essa a parte que compete a Marta. Mas é preciso que em nós esteja também presente Maria, a ação espiritual. Porque não temos de nos dedicar constantemente aos exercícios corporais; temos também de repousar e saborear como é suave o Senhor, sentando-nos para isso aos pés de Jesus e escutar a sua Palavra. 

Amigos, não negligencieis Maria por Marta, nem Marta por Maria! Se negligenciais Marta, quem servirá Jesus? Se negligenciais Maria, de que vos servirá a visita de Jesus, uma vez que não Lhe saboreais a doçura?

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A consagração a Maria e a Comunhão


Conheça o modo próprio do consagrado a Virgem Maria viver esta devoção na santa comunhão.


São Luís Maria Grignion de Montfort, ensina como os consagrados a Nossa Senhora devem participar da comunhão eucarística, no final do seu extraordinário livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Apesar deste ser o último tema do Livro, não é o menos importante. Ao contrário, o grande Santo nos fala da comunhão separadamente das práticas interiores e exteriores justamente por causa da sua importância na santa escravidão a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria. Podemos dizer que esta última parte do Tratado é um coroamento da devoção que São Luís Maria nos ensinou. Não poderia ser diferente, pois participar bem da Santa Missa, principalmente da comunhão, recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo devotamente, em estado de graça e com um coração bem disposto, faz toda a diferença para o crescimento na vida espiritual.

A participação no sacrifício eucarístico de Jesus Cristo é a fonte e o centro de toda a vida cristã. Mais ainda, a Eucaristia é o ápice, o ponto mais alto, do mistério de nossa comunhão com Cristo e, n’Ele, com o Pai e com o Espírito Santo. Sendo assim, para participar bem do momento mais sublime e elevado de nossa fé, que é a Eucaristia, uma boa preparação é necessária. São Luís Maria sabia muito bem disso, tanto que, como grande pedagogo que é, de forma extraordinária, nos ensina não somente a nos preparar bem para receber a comunhão, mas também a comungar devotamente e a viver bem o momento de ação de graças.


A devoção a Virgem Maria antes da comunhão


A preparação para a comunhão começa antes mesmo da celebração da Santa Missa, ou da Palavra com comunhão, com o jejum eucarístico de pelo menos de uma hora antes – que tem como finalidade não somente de abster-nos de comida e de bebida, mas principalmente de despertar em nós “fome” e “sede” de Deus – e a busca do silêncio e do recolhimento interior. Além disso, as práticas seguintes, ensinadas por São Luís Maria para antes da comunhão, podem ser feitas durante a celebração, mas é muito salutar se forem vividas antes, ainda que num breve momento de meditação e oração. De qualquer forma, nesta preparação para a comunhão, devemos:

1º – Humilhar-nos profundamente diante de Deus;

2º – Renunciar ao nosso fundo mau, todo corrompido, e às nossas más disposições, embora o nosso amor próprio as faça parecer boas;

3º – Renovar a nossa consagração dizendo: “’Todo Vosso sou, ó querida Mãe, e tudo o que tenho é Vosso!‘ (Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt!)”;

4º – Suplicar a Virgem Maria que nos empreste o seu Coração de Mãe, para nele receber seu Filho com as disposições dela. Pois, a glória de seu Filho exige que não seja recebido num coração tão manchado e tão inconstante como o nosso. Se recebermos o Senhor em nosso coração, este não demorará em fazer-nos perdê-Lo, ou em privar-nos da Sua glória. Mas, se Nossa Senhora quiser vir habitar em nosso coração para receber seu Filho, poderá fazê-lo pelo domínio que tem sobre os corações. Dessa forma, seu Filho será bem recebido, sem mancha nem perigo de ser ultrajado ou perdido. Então, digamos confiantemente a Mãe de Deus que tudo o que lhe oferecemos dos nossos bens é bem pouca coisa para honrá-la. Por isso, desejamos dar-lhe, pela santa comunhão, o mesmo presente que o Pai Eterno lhe deu: seu Filho Jesus Cristo. Deste modo, a Virgem Maria será mais honrada do que se lhe oferecêssemos todos os bens do mundo. Podemos dizer a Virgem de Nazaré que seu Filho Jesus a ama muito particularmente, e que ainda quer ter nela as suas alegrias e o seu repouso, mesmo que agora seja em nossa alma, mais suja e pobre que o estábulo, onde Jesus não pôs dificuldades em vir, porque ela lá estava. Enfim, peçamos a Nossa Senhora o seu Coração, com estas ternas palavras: “Tomo-Vos como toda a minha riqueza. Dai-me o Vosso Coração, ó Maria!”.


Cardeal Joseph Ratzinger e Papa São João Paulo II


A devoção a Santíssima Virgem durante a comunhão


Segundo a devoção ensinada por São Luís Maria, quando se aproximar o momento sublime de receber Jesus Cristo, depois do “Pai-Nosso”, diremos três vezes: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo!”, cada uma delas por uma pessoa da Santíssima Trindade:

1ª – A primeira vez será para dizer ao Pai Eterno que não somos dignos de receber seu Filho Unigênito, por causa dos nossos maus pensamentos e ingratidões para com um Pai tão bom. Mas eis que Maria, a Serva do Senhor, está conosco, representa-nos e dá-nos confiança e esperança singulares junto da Divina Majestade;

2ª – A segunda vez, diremos ao Filho que não somos dignos de recebê-Lo por causa das nossas inúteis e más palavras, por causa da nossa infidelidade ao Seu serviço. Suplicaremos a Jesus que tenha piedade de nós, porque O introduziremos na casa da sua própria Mãe e nossa. Diremos que não O deixaremos partir sem que venha morar na casa de Maria: “Detive-o e não o deixarei até o introduzir na casa de minha Mãe e no quarto daquela que me gerou”. Pediremos a Cristo que se levante e venha descansar no lugar do seu repouso, na arca da sua santificação: “Levantai-Vos, Senhor, entrai no Vosso repouso, tu e a arca da tua santidade”. Não colocaremos nenhuma confiança nos nossos méritos, em nossas forças e na nossa preparação, como Esaú, mas nas mãos de Maria, nossa querida Mãe, como o jovem Jacó se colocou aos cuidados de Rebeca. Embora pecador e Esaú que somos, ousamos aproximar-nos da santidade do Filho de Deus apoiados e revestidos dos méritos e virtudes de sua Santa Mãe;

3ª – Na terceira vez, diremos ao Espírito Santo que não somos dignos de receber a obra-prima da sua caridade, por causa da tibieza e iniquidade das nossas ações e das nossas resistências às suas inspirações, mas que toda a nossa confiança está em Maria, sua Fiel Esposa. Com São Bernardo, exclamaremos: “Ela é a minha grande confiança, é toda a razão da minha esperança!” Neste momento, podemos pedir ao Espírito de Deus que venha mais uma vez a Virgem Maria, sua esposa inseparável; que seu seio é tão puro e seu Coração tão abrasado como sempre; e que sem que Ele desça à nossa alma, Jesus e Maria nela não poderão ser bem acolhidos, nem bem formados.



A devoção a Nossa Senhora depois da comunhão

Depois da santa comunhão, interiormente recolhidos, com os olhos fechados, introduziremos espiritualmente Jesus Cristo no Coração de Maria. Nós O daremos “à sua Mãe, que O receberá amorosamente, O instalará honorificamente, O adorará profundamente, O amará perfeitamente, O abraçará com amor e Lhe tributará, em espírito e verdade, várias homenagens que nos são desconhecidas, a nós, envoltos nessas densas trevas”. Ou então, permaneceremos profundamente humilhados em nosso coração, na presença de Jesus fazendo sua morada em Maria. Ou ficaremos como um escravo à porta do palácio do Rei, onde Ele está a falar com a Rainha e, enquanto Eles falam, sem precisar de nós, iremos em espírito ao Céu e pela Terra inteira para pedir a todas as criaturas que agradeçam, adorem e amem Jesus em Maria, por nós. “Vinde, adoremos, vinde!”. Ou então, nós mesmos pediremos a Jesus, em união com Maria, a vinda do seu Reino sobre a Terra, por intermédio de sua Santa Mãe. Ou pediremos a Sabedoria Divina, ou o Amor Divino, ou o perdão dos nossos pecados, ou qualquer outra graça, mas sempre por Maria e em Maria. Então diremos, considerando-nos com desconfiança: Senhor, não olheis para os nossos pecados, mas que os Vossos olhos só vejam em nós as virtudes e os méritos de Maria. E, recordando-nos dos nossos pecados, acrescentaremos: “Foi o inimigo que fez isto!”. Pois, nós mesmos somos o maior inimigo com quem temos que lutar; fomos nós que cometemos estes pecados. Ou então: Livrai-nos, Senhor, do homem perverso e mentiroso, que somos nós mesmos. Podemos dizer ainda: meu Jesus, é necessário que vós cresçais na minha alma e que nós diminuamos. Ó Maria, é necessário que cresçais em nós, e que sejamos menores do que nunca! “Crescei e multiplicai-vos”: ó Jesus e Maria, crescei em nós, e multiplicai-Vos fora de nós nos outros.


O segredo de Maria na comunhão eucarística


Assim, o Espírito Santo nos inspirará uma infinidade de pensamentos, se formos interiores, mortificados e fiéis a esta grande e sublime devoção ensinada por São Luís Maria. Não tenhamos medo de clamar a presença de Nossa Senhora antes de receber Jesus Cristo na comunhão. Recordemos que, quanto mais deixarmos agir Maria na nossa comunhão, mais Jesus será glorificado. Além disso, tanto mais deixaremos agir Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente nos humilharmos e os escutarmos em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir. “Pois o justo vive, em tudo, da Fé, e particularmente na Sagrada Comunhão, que é um ato de fé: ‘O meu justo viverá da Fé!’”. Neste ato de fé, está o segredo para viver bem a comunhão e deixar que Jesus e Maria realizem a obra da Santíssima Trindade em nós. Na comunhão, não devemos buscar visões, consolações ou sensações, senão permaneceremos no exterior e praticamente impediremos a ação de Deus. Pois, é em nosso interior, no mais profundo de nossas almas, que Jesus e Maria realizam as maiores maravilhas da graça. Que Nossa Senhora nos ajude a acolher Jesus Cristo, a Palavra de Deus que se fez carne, em nosso interior, no mais íntimo do nosso coração. Ó Virgem Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!


Natalino Ueda - Blog Todo de Maria 

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Referências:


1 Cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 11.


2 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 22.


3 Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Código de Direito Canônico, Cânon 919 — § 1. Quem vai receber a santíssima Eucaristia, abstenha-se, pelo espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão, de qualquer comida ou bebida, exceto água ou remédios.


4 TVD 266.


5 Cf. Lc 2, 7.


6 TVD 266.


7 Idem, 267.


8 Cf. Sl 4, 10.


9 Ct 3, 4.


10 Sl 131, 8.


11 Cf. Gn 27, 1-29.


12 TVD 269.


13 Idem, 270.


14 Sl 94, 6.


15 Mt 13, 28.


16 Cf. Sl 42, 1.


17 Cf. Jo 3, 30.


18 Gn 1, 28.


19 TVD 273. Cf. Hb 10, 38.


20 Cf. Jo 1, 14.


21 Cf. Lc 2, 19.51;
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