sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (29/09) por Simeão, o Novo Teólogo

(c. 949-1022), monge grego 
Hino 2


«Os anjos nos céus veem constantemente a face de meu Pai» (Mt 18,10)


Eu Te dou graças, porque me concedeste a vida, 
e conhecer-Te e adorar-Te, meu Deus. 
Porque «a vida, é conhecer-te, a Ti, único Deus verdadeiro» (Jo 17,3), 
Criador e Autor de tudo, 
não gerado, não criado, sem princípio, único, 
e teu Filho, gerado de Ti, 
e o Espírito santíssimo, procedente de Ti, 
a trina unidade digna de todo o louvor. [...] 

O que há nos anjos, nos arcanjos, 
nas dominações, nos querubins e nos serafins 
e em todos os outros exércitos celestes, 
como glória ou como luz de imortalidade, 
que alegria, que esplendor de vida imaterial, 
senão a única luz da Santíssima Trindade? [...] 

Pensa num ser incorporal ou corpóreo, 
e encontrarás que foi Deus que tudo fez. 
Se te falam de um ser qualquer, os do céu, 
os da terra ou os dos abismos, 
para esses também, para todos, 
não há senão uma única vida, uma glória, 
um desejo e um reino 
uma única riqueza, alegria, coroa, vitória, paz, 
ou qualquer outro brilho; e consiste nisto: 
no conhecimento do Princípio e da Causa 
de onde tudo veio, onde tudo teve a sua origem. 
Aí está quem mantém as coisas nas alturas e as coisas daqui de baixo, 
Aí está quem põe ordem em todos os seres espirituais, 
Aí está quem reina sobre todos os seres visíveis. [...] 

Eles cresceram em conhecimento e redobraram o temor 
ao verem Satanás cair 
e os seus companheiros arrebatados pela presunção. 
Os que caíram esqueceram tudo isso, 
escravos do seu orgulho; 
enquanto todos os que conservaram o conhecimento, 
elevados pelo temor e pelo amor, 
se uniram ao seu Senhor. 
Assim, o reconhecimento do senhorio 
produziu também o crescimento do seu amor 
porque viram melhor e mais claramente 
o brilho fulgurante da Trindade.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (28/09) por Beato John Henry Newman



(1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
«Meditações e Devoções», 3.ª parte, 2, 2


«Seguir-Te-ei»

Jesus começou por renunciar a Maria e a José, bem como aos seus amigos secretos de cuja simpatia gozava; mas, quando chegou o tempo, teve de renunciar a ela. [...] Permaneçamos uns instantes ao pé de Maria, antes de seguirmos a marcha de seu Filho, Nosso Senhor. Aconteceu Jesus recusar a um que queria segui-Lo autorização para se afastar dos seus. E contudo, esse foi, aparentemente, o seu comportamento com sua Mãe. [...] 

Ó Maria, pensamos na tua [...] dor de Mãe; pois não terá a dor causada pela partida de teu Filho sido uma das maiores? [...] Como foi que suportaste essa primeira separação, que passaste os primeiros dias longe dele? [...] Como conseguiste viver aqueles três longos anos do seu ministério? Certa vez, a princípio, tentaste aproximar-te (Mc 3,31); mas depois, nunca mais ouvimos falar de ti, até voltarmos a encontrar-te de pé ao lado da sua cruz.


Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (27/09) por São Bernardo



(1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Sermões «De diversis», n.º 1



«Tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém»


Irmãos, é bem certo que já vos pusestes a caminhar para a cidade onde habitareis; não avançais por entre os bosques, mas pela estrada. Mas receio que esta via vos pareça longa e vos traga menos consolações do que tristeza. Sim, receio que alguns, ao pensamento de que lhes resta ainda uma longa estrada a percorrer, se sintam conquistados por alguma falta de coragem espiritual, que percam a esperança de conseguir suportar tantas dores e durante tanto tempo. Como se as consolações de Deus não enchessem a alma dos eleitos de uma alegria muito superior à multidão das dores contidas no seu coração. 

É certo que, atualmente, estas consolações ainda não lhes são dadas senão à medida das suas penas; uma vez, porém, atingida a felicidade, não serão já consolações, mas delícias sem fim que encontraremos à direita de Deus (Sl 15,11). Desejemos esta direita, irmãos, que abarca todo o nosso ser. Ansiemos ardentemente por esta felicidade, para que o tempo presente nos pareça breve (como de facto é) em comparação com a grandeza do amor de Deus: «os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rom 8,18). Promessa feliz, por cujo cumprimento devemos esperar com todo o nosso coração! 

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (26/09) por São João Cassiano



(c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha 
Conferências, n.° 15, 6-7


«Vinde e aprendei de Mim» (Mt 11,28-29)


Os grandes da fé não tiravam partido algum do poder que detinham de operar maravilhas, confessavam que não tinham qualquer mérito nisso e que quem fazia tudo era a misericórdia do Senhor. Se alguém admirava os seus milagres, rejeitavam a glória humana com palavras recolhidas dos apóstolos: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque nos olhais, como se tivéssemos feito andar este homem por nosso próprio poder ou piedade?» (At 3,12) No seu entender, ninguém devia ser louvado pelos dons e as maravilhas de Deus. [...] 

Mas por vezes acontece que homens inclinados ao mal, condenáveis em matéria de fé, expulsam demónios e operam prodígios em nome do Senhor. Foi disso que os apóstolos se queixaram um dia: «Mestre, vimos um homem expulsar os demónios em teu nome e quisemos impedi-lo, porque ele não anda connosco.» Ao que Cristo lhes respondeu: «Não lho proibais, pois quem não é contra vós é por vós.» Mas quando, no fim dos tempos, Lhe disserem: «Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos, em teu nome que expulsámos os demónios e em teu nome que fizemos muitos milagres?», Jesus afirma que responderá: «Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade» (Mt 7,22s). 

E àqueles a quem Ele próprio concedeu a graça gloriosa dos sinais e dos milagres, o Senhor avisa que não se ensoberbeçam com isso: «Não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por os vossos nomes estarem escritos no Céu» (Lc 10,20). O Autor de todos os sinais e milagres chama os seus discípulos a guardar a sua doutrina: «Vinde», diz-lhes, «e aprendei de Mim», não a expulsar demónios pelo poder do Céu, nem a curar os leprosos, nem a dar luz aos cegos, nem a ressuscitar os mortos, mas, diz Ele: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (25/09) por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homílias sobre o Evangelho de Mateus, n.º 50, 3-4


Reconhecer Cristo no pobre


Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: «Isto é o meu Corpo» (Mt 26,26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf Mt 25,35); e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25,42.45). Aqui, o Corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. [...] Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro. 

Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. [...] Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de água fresca» (Mt 10,42)? [...] Pensa que se trata de Cristo, que é Ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capitéis das colunas, prendes com correntes de prata as lamparinas, e a Ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-Lo? [...] Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros atos de beneficência. [...] Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (24/09) por Santo Tomás de Aquino



1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja 
Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6


O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens


«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória. 

Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter. 

Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (23/09) por Beato Paulo VI



1897-1978), papa de 1963 a 1978 
Homilia em Manila, 29/11/70 (© Libreria Editrice Vaticana)


«E vós, quem dizeis que Eu sou?»


Cristo! Sinto a necessidade de O anunciar, não posso calá-Lo: «Ai de mim, se não anunciar o Evangelho!» (1Cor 9,16) Fui enviado por Ele para isso mesmo; sou apóstolo, sou testemunha. Quanto mais longe está o objetivo e mais difícil é a missão, mais premente é o amor que me impele (2Cor 5,14). Tenho de proclamar o seu nome: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). É Ele que nos revela o Deus invisível; Ele é o primogénito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas (Col 1,15s). Ele é o Mestre da humanidade e o Redentor: nasceu, morreu e ressuscitou por nós. Ele é o centro da história e do mundo, é quem nos conhece e nos ama, é o companheiro e o amigo da nossa vida. É o homem da dor e da esperança. É o que há de vir, que será um dia nosso juiz e também, assim o esperamos, a plenitude eterna da nossa existência, a nossa felicidade. 

Nunca mais acabaria de falar dele: Ele é a luz e a verdade; mais, Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6). Ele é o Pão e a Fonte de água viva que responde à nossa fome e à nossa sede (Jo 6,35; 7,38); Ele é o nosso Pastor, o nosso guia, o nosso exemplo, o nosso conforto, o nosso irmão. Como nós, e mais do que nós, foi pequeno, pobre, humilhado, trabalhador, infeliz e paciente. Por nós, falou, realizou milagres, fundou um Reino novo onde os pobres são bem-aventurados, onde a paz é o princípio da vida em comum, onde os que têm o coração puro e os que choram são exaltados e consolados, onde os que aspiram à justiça são atendidos, onde os pecadores podem ser perdoados, onde todos são irmãos. 

Jesus Cristo: já ouvistes falar dele, e a maioria de vós pertence-Lhe, pois sois cristãos. Pois bem! A vós, cristãos, repito o seu nome, a todos anuncio: Jesus Cristo é «o princípio e o fim, o alfa e o ómega» (Ap 21,6). Ele é o Rei do mundo novo; é o segredo da história, a chave do nosso destino; ele é o Mediador, a ponte entre a Terra e o Céu [...]; é o Filho do homem, o Filho de Deus [...], o Filho de Maria... Jesus Cristo! Recordai: este é o anúncio que fazemos para a eternidade, é a voz que fazemos ressoar por toda a terra (Rom 10,18) e pelos séculos que hão de vir.


Fonte: Evangelho Quotidiano
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