sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (14/09) por São Teodoro Estudita



(759-826), monge de Constantinopla 
Homilia para a adoração da cruz


A cruz, árvore de vida


Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, «uma delícia para os olhos e desejável» (Gn 3,6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz e não a cegueira. Que leva a entrar no Éden e não a sair dele. Esta árvore, à qual Cristo subiu como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o género humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás. 

Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontrámos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: «Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14). […] Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1Cor 1,17s). […] 

Foi pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. Foi pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. Foi pela cruz que fomos reconduzidos como ovelhas de Cristo, e reunidos no redil do alto.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"..Dediquemos-nos a amar mais a Jesus..." - Carta de Santa Gema à sua amiga Aninha

Lutemos para que, a exemplo de amizades como esta, nossas amizades estejam cada vez mais purificadas e santificadas a fim de alcançarmos o fim único de todos os relacionamentos: Nosso Senhor Jesus Cristo.


Minha caríssima Aninha,

Tomando a pena para escrever-lhe, vem-me à lembrança as nossas últimas despedidas, as promessas recíprocas que fizemos, justamente no momento da separação. Como as poderemos esquecer, ao menos, como poderei eu esquecê-las? Não, ser-me-ia impossível.

Somente tive o prazer de falar-lhe por poucos dias, mas aquelas breves palavras, e todos os colóquios sobre Jesus, marcaram em meu coração tão viva impressão, e inspirou-me (permita que lho diga) tão grande afeto para com a sua pessoa, que não sei como externá-lo.

Muito tarde nos conhecemos ou muito tarde começamos a ser amigas. Mas por ser mesmo tarde, dediquemos-nos a amar mais a Jesus, a expandir nossos mais ternos afetos no seu coração.

Quisera que meu coração não palpitasse, não vivesse, não suspirasse, senão por Jesus, que minha língua não soubesse proferir senão o nome de Jesus, que meus olhos não vissem nada mais senão a Jesus, que minha pena não soubesse escrever senão a respeito de Jesus, e que meus pensamentos não dirigissem senão para Jesus.

Muitas vezes procuro refletir se há na Terra um objeto ao menos para o qual eu pudesse inclinar o meu amor; mas não acho nenhum nem na Terra, nem no Céu, senão o meu Amado Jesus.

Entretanto, quantas vezes me tenho desviado entre as enfadonhas dissipações da Terra; e quantos são os que se perdem nas vaidades do mundo!

Como são loucos! Parece impossível! Se pensassem em Jesus, Jesus lhes mudaria o coração, os afetos, os sentimentos e os suspiros; e se gozassem por um só instante da consolação que se sente em estar com Jesus, digo que não se separariam jamais dEle.

Chegaremos nós a amar a Jesus verdadeiramente? Sobretudo eu que continuamente O ofendo, e tenho ainda a coragem de acrescentar novos espinhos naquela coroa cruel que Lhe circunda o Coração?

Pobre Jesus! Mas sabe de que modo Ele se vinga das minhas infidelidades? Faz-me ver muitas vezes as Suas chagas, Suas mãos jorrando o sangue num incêndio de amor, com os braços abertos para nos estreitar e diz-me que é vítima perfeita do Seu grande amor por nós.

Peço sempre a Jesus que faça chegar depressa aquele momento que tanto desejo ir para o convento, porque sinto que no mundo não estou bem e ele não me pode fazer feliz de nenhum modo.

Peço que não se esqueça de mim em suas orações aos pés de Jesus Crucificado; o mesmo farei eu, o quanto puder; mas não espere nada de minas orações que são muito fracas.

Desejo que esta carta a encontre de perfeita saúde, como espero: e se não achar dificuldade, estimarei que cumprimente sua boa mãe por mim, e lhe peça que se lembre algumas vezes de mim junto a Jesus.

Perdoe-me a letra tão feia, e a má redação desta carta, porque não sei fazer nada.

Rezemos, invoquemos juntas a Jesus que nos dê a força de viver só para amá-Lo, que não se viva senão para amá-Lo, e que nos dê a graça de morrer expirando em Seu Coração num transporte de ardente amor.

Com muito particular estima a cumprimento; e peça muito, muito a Jesus pela pobre
GEMA

Retirada do livro Santa Gema Galgani, de Padre Germano de Santo Estanislau, C.P.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Comentário do Evangelho do dia (13/09) por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 98


«Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»


No evangelho encontramos três mortos ressuscitados pelo Senhor de forma visível, e milhares ressuscitados de forma invisível. […] A filha do chefe da sinagoga (Mc 5,22ss), o filho da viúva de Naim e Lázaro (Jo 11) […] são símbolos dos três tipos de pecadores ainda hoje ressuscitados pelo Senhor. A menina ainda se encontrava em casa de seu pai […], o filho da viúva já não estava em casa de sua mãe, mas também ainda não estava no túmulo, […] e Lázaro já estava sepultado. […] 

Assim, há pessoas com o pecado dentro do coração mas que ainda não o cometeram. […] Tendo consentido no pecado, ele habita-lhes a alma como morto, mas não saiu ainda para fora. Ora, acontece amiúde […] aos homens esta experiência interior: depois de terem escutado a palavra de Deus, parece-lhes que o Senhor lhes diz: «Levanta-te!» E, condenando o consentimento que dantes haviam dado ao mal, retomam fôlego para viver na salvação e na justiça. […] Outros, após aquele consentimento, partem para os atos, transportando assim o morto que traziam escondido no fundo do coração para o expor diante de todos. Deveremos desesperar deles? Não disse o Salvador ao jovem de Naim: «Eu te ordeno: Levanta-te!»? Não o devolveu a sua mãe? O mesmo acontece a quem atua desse modo: tocado e comovido pela Palavra da Verdade, ressuscita à voz de Cristo e volta à vida. É certo que deu mais um passo na via do pecado, mas não pereceu para sempre. 

Já aqueles que se embrenharam nos maus hábitos, a ponto de perderem a noção do próprio mal que cometem, procuram defender os seus atos maus e enfurecem-se quando alguém lhos censura. […] A esses, esmagados pelo peso do hábito de pecar, albergam as mortalhas e os túmulos […] e cada pedra colocada sobre o seu sepulcro mais não é do que a força tirânica do hábito que lhes oprime a alma e os impede de se levantarem para respirar. […] 

Por isso, irmãos caríssimos, façamos de tal modo que quem vive viva, e quem está morto volte à vida […] e faça penitência. […] Os que vivem conservem a vida, e os que estão mortos apressem-se a ressuscitar.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 31 - Eterno Sacerdote - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

Na foto, elevação da Hóstia Consagrada, por Dom Fernando Rifan,
Bispo da Administração Apostólica São João Maria Vianney


Por Santo Afonso Maria de Ligório

Como era belo contemplar o Nosso amável Redentor no dia quem que, fatigado da viagem,o rosto radiante de graça e de ternura "se assentara à borda de um poço" (Jo 4,6), esperando a Samaritana para a converter e salvar. Pois, com essa mesma doçura, continuada dia por dia, o mesmo Jesus se conserva no meio de nós; descido do céu aos nossos altares, como a outras tantas fontes de graças, Ele espera as almas e as convida a Lhe fazerem companhia, ao menos por algum tempo, e isto a fim de atrai-las ao Seu perfeito amor. De todos os altares, onde está sacramentado, Jesus parecer dizer-nos: Homens, por que fugis da Minha Presença? Por que não vindes a Mim, não vos aproximais de Mim, que tanto vos amo e, para vosso bem, me conservo nesse estado de abatimento? Que temeis? Não é ainda como juiz que Eu vim ao mundo; neste sacramento e amor me ocultei unicamente para fazer bem e para salvar a quem quer que a Mim recorra: "Não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo" (Jo 12,47).

Compreendamos bem que, como Jesus Cristo, no céu, está sempre vivo para interceder em nosso favor (Hb 7,25), assim, no sacramento do altar, se ocupa sem cessar, dia e noite, em exercer em nosso favor o caridoso ofício de advogado, oferecendo-se como vítima ao Seu Eterno Pai para nos obter dele misericórdias e graças sem número.

Esta é a razão por que o piedoso Tomás de Kempis dizia que devemos aproximar-nos de Jesus no Santíssimo Sacramento e falar-lhe "sem apreensão nem constrangimento, como um amigo fala com seu amigo".

Visto que assim é, meu Rei e Senhor aqui oculto, permiti que Vos abra o meu coração cheio de confiança e Vos diga: Meu Jesus, terno amigo de nossas almas, eu conheço a ingratidão dos homens para conVosco. Vós os amais, e eles não Vos amam; Vós lhe fazeis bem e eles Vos desprezam; quereis que ouçam a Vossa voz, e eles não Vos escutam, Vós lhe ofereceis graças, e eles as rejeitam... Meu Jesus, e é verdade que eu mesmo me ajuntei outrora a esses ingratos para Vos ofender? Infelizmente é verdade; mas quero corrigir-me, quero durante os dias que me restam de vida, reparar as ofensas passadas, fazendo quanto possa para Vos agradar e satisfazer. Dizei, Senhor, o que quereis de mim; estou disposto a fazer tudo quanto me ordenastes; fazei-me conhecer a Vossa vontade por meio da santa obediência; espero executá-la fielmente. Meu Deus, estou decidido a fazer de agora para frente tudo que souber que Vos agrada, ainda que seja necessário perder tudo: parentes, amigos, honra, saúde e a própria vida. Perca-se tudo, contanto que fiqueis satisfeito.

Feliz é a perda, quando tudo se perde e tudo se sacrifica para contentar o Vosso Coração, Deus de minha alma" Amo-Vos, Bem supremo infinitamente mais amável do que todos os outros bens, e, amando-Vos, uno o meu pobre coração aos abrasados corações dos serafins, ao Coração de Maria, ao Coração de Jesus. Amo-Vos com toda a minha alma, e só a Vós quero amar sempre.

- Meu Deus, Meu Deus, eu sou Vosso, e Vós sois meu.

Na foto, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Campos/RJ

TERNURA DE MÃE

Diz o bem-aventurado Amadeu que Maria, nossa Rainha Santíssima, "está continuamente diante de Deus, exercendo o ofício de advogada nossa e interpondo em nosso favor o poderoso crédito de Suas orações". Porque, ajunta ele, "vendo as nossas misérias e perigos, esta Senhora cheia de clemência não pode deixar de compadecer-se e nossos males e nos socorrer com uma ternura verdadeiramente maternal". Portanto, minha carinhosa Mãe, nesta hora mesma vedes as misérias da minha alma e os perigos que me cercam, e rogais por mim.

Rogai, sim, rogai, e não cessais de o fazer até que me vejais no céu para Vos render graças para sempre. Doce Virgem Maria, o piedoso Luís Blósio diz que, depois de Jesus sois a salvação segura daqueles que Vos servem fielmente. Pois bem, a graça que hoje Vos peço é a felicidade de ser até a morte Vosso servo fiel, a fim de que, ao sair deste mundo, vá bendizer-Vos no céu, seguro de nunca ser privado da Vossa presença, enquanto Deus for Deus.

-Maria, minha Mãe, fazei que eu Vos pertença sempre.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Santíssimo Nome de Maria - 12 de setembro




"Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios".


“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerado, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal”.




Hoje a Igreja celebra a memória do Santíssimo Nome de Maria. Como era costume entre os judeus, oito dias depois da Virgem Santíssima nascer, os seus pais deram-Lhe, inspirados por Deus, o nome de Maria.
A Espanha, por aprovação do Romano Pontífice, concedida em 1513, foi a primeira a celebrar esta festa. Inocêncio XI, em 1683, estendeu-a à Igreja Universal, em ação de graças pela vitória alcançada por João Sobieski, rei da Polônia, sobre os turcos que tinham cercado Viena e ameaçavam o Ocidente.
A celebração do Santíssimo Nome de Maria é uma das devoções marianas da Ordem da Santíssima Trindade. Introduzida nas Províncias Trinitárias Espanholas pelo Santo Trinitário Simão de Rojas no século XVI, imediatamente espalhou-se por toda Ordem a partir de 1622 com missa e ofício próprio. Introduzida e mantida na tradição da Ordem, esta celebração foi sempre confirmada nas reformas litúrgicas, tendo sua última revisão no ano de 1973.


Etimologia do nome de Maria:

De uma língua semítica, quer dizer “senhora”. Há vários correspondentes: no hebreu, Miryám; no árabe e etíope, Maryam. Maria é adaptação grega de Maryám, antiga forma hebraica que significa “excelsa, sublime”. F. Zorell tem este nome como sendo do egípcio, cujo significado seria “predileta de Javé”.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

DIa 30 - Invenção do amor - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Por que me ocultais a Vossa face?" (Jó 13,24). Era para Jó motivo de temor o ver que Deus lhe ocultava o Seu rosto; mas o ocultar Jesus a Sua majestade sob os véus eucarísticos não é para nós motivo de receio, e sim um motivo de confiança e amor; porque, como observa Novarino, "é exatamente para aumentar a nossa confiança e melhor nos manifestar o Seu amor, que o nosso Deus se oculta sob as espécies do pão". Porquanto, se este Rei do céu deixasse brilhar em nossos altares o esplendor da sua glória, quem ousaria chegar-se a Ele e manifestar-Lhe com toda a confiança os seus afetos e desejos?

Meu Jesus, que invenção cheia de amor a do Santíssimo Sacramento, onde Vos ocultais sob a aparência do pão, para estardes ao alcance de todos os que querem, aqui na terra, Vos achar e amar! Muita razão tinha o profeta de exortar os homens a levantarem a voz e a publicarem por todo o mundo até onde chegaram as invenções do amor do nosso Deus para conosco: "Fazei conhecer aos povos as suas invenções" (Is 12,4).

Coração amoroso do meu Jesus, digno de possuir os corações de todas as criaturas; Coração sempre repleto de chamas do mais puro amor, ó fogo abrasador, consumi-me inteiramente e dai-me uma vida nova, toda de amor e de graça! Uni-me de tal maneira a Vós que nunca mais de Vós me separe.

Coração aberto para ser o refúgio das almas, recebei-me. Coração dilacerado na cruz pelos pecados do mundo, dai-me verdadeira dor de meus pecados. Sei que, neste Divino Sacramento, conservais os mesmos sentimentos de amor que tínheis ao morrer por mim no Calvário; é, pois, certo que sejais ardentemente unir-me todo a Vós; será então possível que eu ainda resista e não me deixe vencer pelo Vosso amor? Pelos Vossos méritos Vos peço: Amado Jesus, feri-me, ligai-me, prendei-me estreitamente ao Vosso Coração.

Com o auxílio da Vossa graça tomo hoje a resolução de Vos contentar em tudo daqui em diante, de calcar aos pés o respeito humano, inclinações, repugnâncias, caprichos, interesses, e enfim tudo o que possa impedir-me de Vos contentar plenamente. Fazei, Senhor, que eu seja fiel à minha resolução e que de hoje em diante todas as minhas ações, todos os meus pensamentos e afetos, sejam inteiramente conformes à Vossa vontade. Amor divino, bani do meu coração qualquer outro amor. Maria, minha esperança, tudo podeis junto de Deus: obtende-me a graça de ser até à morte um servo fiel do puro amor de Jesus. Amém, assim seja. Assis o espero no tempo e na eternidade.

-"Quem me separará do amor de Jesus Cristo?" (Rm 8,35).

MÃE COMPASSIVA

Afirma São Bernardo que o amor de Maria para conosco não pode ser maior nem mais poderoso; de sorte que Ela é rica de ternura para se compadecer de nossas penas, e de poder para as aliviar. Ele diz: "A poderosa e compassiva caridade da Mãe de Deus distingue-se ao mesmo tempo pela ternura da Sua compaixão e eficácia da Sua proteção; nela estas duas coisas são igualmente imensas". É, pois, verdade, Rainha puríssima, que sois tão rica em poder como em bondade: a todos podeis e desejais salvar. HOje, portanto, e todos os dias de minha vida, Vos invocarei como o piedoso Luís Biósio: "Augusta Senhora, protegei-me nos combates, fortificai-me nos defalecimentos". Sim, ó Maria, na grande luta que sustento contra o inferno, socorrei-me sempre; e quando virdes qe eu estou a ponto de sucumbir, dai-Vos pressa em estender-me a Vossa Mão, e sustentai-me fortemente. Deus, quantas tentações tenho ainda a vencer até à morte! Mas Vós, minha esperança, meu refúgio, minha fortaleza, ó Maria, não permitais que eu perca jamais a graça de Deus. Estou resolvido a recorrer sempre e prontamente a Vós em todas as tentações, dizendo:

-Socorrei-me, ó Maria! Ó Maria, socorrei-me!

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

É uma entrega na totalidade - São Luís Maria Grignion de Montfort


Consiste em consagrar-se inteiramente, na qualidade de escravo, a Maria e, por Ela, a Jesus Cristo. Trata-se, pois, dum compomisso a fazer todas as ações com Maria, em Maria, por meio de Maria e para Maria. Vou explicar o que isso significa.

Escolherás uma data importante para essa entrega, para te consagrares e entregares em sacrifício, voluntariamente e por amor – não por constrangimento – inteiramente e sem qualquer reserva, no corpo e na alma, consagrando os teus bens exteriores de fortuna, tais como, a casa, a família e os rendimentos; e ainda os próprios bens interiores da alma, como sejam: os próprios méritos, as graças, virtudes e satisfações. Aqui convém sublinhar que, com esta devoção, faz-se entrega a Jesus, por meio de Maria, de tudo quanto uma alma tem de mais precioso e que nenhum Instituto Religioso pede para se sacrificar, como seja o direito da pessoa de dispor de si e do mérito das próprias orações, esmolas, mortificações e satisfações. Entrega-se inteiramente tudo; põe-se tudo à disposição da Santíssima Virgem para que o aplique segundo a sua vontade e para a maior glória de Deus que só Ela conhece com perfeição.
Deixa-se à disposição da Santíssima Virgem odo o mérito satisfatório e impetratório das boas obras. Por isso, depois de se Lhe te feito uma al oferta, mesmo sem ser acompanhada por qualquer voto, não mais se fica dono e senhor do que quer se faça, e a Santíssima Virgem fica com o pleno direito e aplicar esse mérito que a favor duma alma do purgatório que necessite ser aliviada ou libertada, quer em benefício dum pobre pecador a necessitar de conversão. Por esta devoção colocam-se as mãos da Senhora os próprios méritos. Porém, isso é para que Ela os guarde, os multiplique, e os embeleze, já que os méritos em ordem à graça santificante e à glória não poderão ser cedidos a outras pessoas.

Dão-se-Lhe, no entanto, todas orações e as boas obras pessoais, uma vez que têm um valor impetratório e satisfatório, para que Ela as distribua e aplique a quem quiser. Se, porventura, depois duma tal consagração à Senhora, se quisesse aliviar uma alma do Purgatório, rezar pela conversão dum pecado em concreto, ajudar algum dos nossos amigos mediante a própria oração, a penitência, a esmola e ouros sacrifícios, pois poderá fazer-se desde que se Lhe peça com humildade e que, de antemão, se aceite a Sua vontade, mesmo sem a conhecer. Fique-se, porém, com a certeza de que o mérito das próprias ações – já que administrado pela mesma mão de que Deus se serve para distribuir os seus dos e graças -, só poderá ser aplicado para a maior glória de Deus.


O Segredo de Maria - São Luís Maria Gigion de Montfort
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