terça-feira, 16 de agosto de 2016

DIA 16 - JESUS, NOSSA VIDA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Se os homens recorressem sempre ao Santíssimo Sacramento, quando procuram remédio para seus males, certamente não seriam tão miseráveis como são. Jeremias suspirava, dizendo: "Porventura não há bálsamo em Galaad? Ou não se encontra ali médico algum?" (Jr 8,22).

Galaad, montanha da Arábia, rica em unguentos aromáticos, é, no dizer de São Beda Venrável, uma figura de Jesus Cristo, que nos preparou neste Sacramento todos os remédios para os nossos males. Por que então - parece dizer o Redentor - por que então vos queixais dos vossos males , filhos de Adão, sendo que tendes neste sacramento o médico e o remédio para todo mal? "Vinde todos a Mim... e eu vos alentarei" (Mt 11,28). Quero, pois, dizer-Vos com as irmãs de Lázaro: "Senhor, eis que está enfermo aquele que amais" (Jo 11,3).

Senhor, eu sou esse miserável a quem Vós amais; os pecados abriram chagas em minha alma; venho, pois, a Vós, meu médico Divino, a fim de que me cureis; se o quiserdes, podeis curar-me; sim, "curai a minha alma, porque contra Vós pequei" (Sl 40,5).

Bom Jesus, pelos amáveis laços do Vosso amor, atraí-me todo a Vós. Prefiro viver unido a Vós a ser senhor de toda a terra. Nada desejo neste mundo senão amar-Vos. Pouco é o que Vos posso dar; mas, se pudesse ter todos os reinos do mundo, não os quisera senão para renunciá-os todos por Vosso amor. Por Vosso amor renuncio, pois, a tudo que possuo: a todos os meus parentes, a todas as comodidades, a todos os prazeres e até mesmo às consolações espirituais; numa palavra, sacrifico-Vos a minha liberdade, a minha vontade. Quero dar-Vos todos os meus afetos. Amo-Vos, bondade infinita, amo-Vos mais que a mim mesmo e espero amar-Vos eternamente.

- Meus Jesus, entrego-me a Vós, recebei-me.


MÃE ACOLHEDORA

Senhora minha, dissestes a Santa Brígida: "Por mais culpado que seja um homem, se ele vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a recebê-lo. Não considero o número de seus pecados, mas as disposições de seu coração; pois não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou Mãe de misericórdia" Visto que podeis e quereis curar-me, ó Maria, eu a Vós recorro, dizendo: curai todas as chagas da minha alma. Basta que digais uma só palavra a Vosso Divino Filho, e eu serei curado.

- Maria, tende compaixão de mim!



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (16/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja 
Sermão 9; PL 144, 549-553


Deixar tudo para seguir a Cristo


Na verdade, é uma grande coisa «deixar tudo», mas ainda é ainda mais importante «seguir a Cristo»; porque, como aprendemos através dos livros, muitos deixaram tudo mas não seguiram a Cristo. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, o nosso trabalho, e nisso consiste o essencial da salvação do homem; mas não podemos seguir a Cristo se não abandonarmos tudo o que nos entrava. Porque «Ele sai, a percorrer alegremente o seu caminho como um herói» (Sl 18,6), e ninguém pode segui-Lo carregado com fardos. 

«Nós deixámos tudo para Te seguir», diz Pedro, não apenas os bens deste mundo mas também os desejos da nossa alma. Porque quem continua apegado, nem que seja a si mesmo, não abandonou tudo. Mais ainda, não serve de nada deixar tudo à exceção de si mesmo, porque não há para o homem fardo mais pesado que o seu eu. Que tirano será mais cruel, que senhor será mais impiedoso para o homem do que a sua própria vontade? [...] Por consequência, é necessário que deixemos os nossos bens e a nossa vontade própria se que queremos seguir Aquele que não tinha sequer «onde reclinar a cabeça» (Lc 9,58) e que não veio para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que O enviou (Jo 6,38).


Fonte: Evangelho Quotidiano

DIA 15 - FOGO DE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Eu vim trazer fogo à terra - diz o Senhor - e que desejo senão que ele se acenda?" (Lc 12,49). Dizia o venerável Pe. Francisco Olímpio, teatino, que não há na terra coisa que mais vivamente acenda o fogo do amor divino no coração dos homens do que o Santíssimo Sacramento do altar. É o que o Senhor fez conhecer a Santa Catarina de Sena, quando se deixou ver no Santíssimo Sacramento sob a forma de uma fornalha do amor, da qual saíam torrentes de chamas divinas, que se espalhavam por toda a terra. Em vista disso a Santa, maravilhada, não sabia explicar como pudessem os homens viver sem se consumirem nas chamas do amor Divino. Meu Jesus, abrasai-me de amor por Vós; fazei que eu não pense senão em Vós, não suspire senão por Vós, não deseje e não procure senão a Vós. Como eu seria feliz, se este fogo sagrado me possuísse por completo, e, ao se consumirem os meus anos, ele consumisse felizmente em mim todos os afetos terrenos.

Verbo Divino, Meu Jesus, vejo-Vos sobre o altar, imolado, aniquilado e destruído por meu amor; é, pois, muito justo que, como Vos tornais vítima de amor por mim, assim eu me consagre e sacrifique todo a Vós. Sim, Meu Deus e Meu Soberano Senhor, sacrifico-Vos hoje toda a minha alma, todo o meu ser, toda a minha vida. Este meu pobre sacrifício eu o associo, Pai eterno, ao Sacrifício infinito que Jesus Cristo, Vosso Filho e meu Salvador, vos fez de si mesmo outrora na cruz, e que renova ainda, cada dia, tantas vezes, sobre os Altares. Aceita-o, pois, pelos merecimentos de Jesus, e concedei-me a graça de o renovar todos os dias da minha vida, e de morrer sacrificando-me todo em honra Vossa. Desejo a graça, a tantos mártires concedida, de morrer por Vosso amor. Mas, se não sou digno de tamanho favor, ao menos concedei-me, Senhor, o de Vos sacrificar de boa vontade a minha vida, aceitando desde já a morte que vos aprouver enviar-me. Senhor, eis a graça que desejo: morrer para Vos honrar e ser-Vos agradável. E, por isso, desde já Vos sacrifico a minha vida e Vos ofereço a minha morte, de qualquer forma e em qualquer tempo que ela venha.

- Meu Jesus, quero morrer para Vos ser agradável.



ESPERANÇA NOSSA

Senhora minha, permiti que, com São Bernardo, eu Vos chame ainda "o fundamento de minha esperança"; e deixai-mo dizer, com São João Damasceno, que "em Vós depositei toda a minha esperança". Vós haveis, pois, de alcançar-me o perdão de meus pecados, a perseverança até à morte e a graça de ser livre do purgatório. Aqueles que se salvam, todos Vos devem a salvação; Vós, pois, Maria, é que me haveis de salvar. Tende, portanto, vontade de salvar-me e serei salvo. Ora, Vós salvais todos os que Vos invocam. Pois bem, eu Vos invoco, dizendo:

- "Salvação dos que Vos invocam, salvai-me" (São Boaventura).



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Solenidade da Assunção da Santísisma Virgem Maria - Comentário do Evangelho do dia (15/08) feito por São João Damasceno



(c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja 
1.ª Homilia sobre a Dormição, 11-14


A Virgem Maria, «imagem da Igreja futura [...] que guia e sustenta a esperança do teu povo» (Prefácio)

Ó Mãe de Deus, sempre virgem, a tua sagrada partida deste mundo é verdadeiramente uma passagem, uma entrada na morada de Deus. Saindo deste mundo material, entras numa «pátria melhor» (Heb 11,16). O céu acolheu com alegria a tua alma: «Quem é esta, que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol?» (Cant 6,10) «O rei introduziu-te nos seus aposentos» (Cant 1,4) e os anjos glorificam aquela que é a Mãe do seu próprio Senhor, por natureza e em verdade, segundo o plano de Deus. [...] 

Os apóstolos levaram o teu corpo sem mancha, o teu corpo, verdadeira arca da aliança, e depositaram-no no seu santo túmulo. E aí, como que passando outro Jordão, tu chegaste à verdadeira Terra prometida, à «Jerusalém lá do alto» (Gal 4, 26), de que Deus é arquiteto e construtor. Porque a tua alma não desceu «à habitação dos mortos», nem «a tua carne conheceu a decomposição» (At 2,31; Sl 15,10). O teu corpo puríssimo, sem mácula, não foi abandonado à terra, antes foste elevada até à morada do Reino dos Céus, tu, a Rainha, a Soberana, a Senhora, a Mãe de Deus, a verdadeira Theotokos. 

Hoje aproximamo-nos de ti, a nossa Rainha, Mãe de Deus e Virgem; voltamos a nossa alma para a esperança que és para nós. [...] Queremos honrar-te com «salmos, hinos e cânticos espirituais» (Ef 5,19). Ao honrar a serva, exprimimos a nossa ligação ao nosso Senhor comum. [...] Lança os teus olhos sobre nós, ó Rainha, Mãe do nosso bom Soberano; guia o nosso caminho até ao porto sem tempestades do desejo bom de Deus.

Fonte: Evangelho Quotidiano

DIA 14 - AMOR PEDE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Amável Jesus, eu Vos ouço dizer daí desse tabernáculo onde residis: "Este é o lugar do Meu repouso sempiterno; nele quero habitar, porque para isto o escolhi" (Sl 131,15). Se, pois, quisestes escolher a Vossa morada entre nós sobre os altares no Santíssimo Sacramento, e o amor que nos tendes Vos faz achar aqui o Vosso repouso, justo é que os nossos corações aqui habitem sempre conVosco pelo amor, e aqui achem o Seu repouso e toda a Sua felicidade. Felizes de vós, almas amentes, que não encontrais neste mundo consolação mais doce do que a de estar aos pés de Jesus sacramentado!

Que feliz seria também eu, Senhor, se daqui em diante não encontrasse maior prazer do que o de estar sempre diante de Vós ou ao menos pensando sempre em Vós que, nesse Santíssimo Sacramento, estais pensando continuamente em mim e na minha felicidade!

Senhor, por que tenho eu perdido tantos anos, nos quais não Vos tenha amado? Anos infelizes, eu Vos detesto; e a Vós bendigo, ó paciência infinita do Meu Deus, que tantos anos me tendes suportado. Apesar de tão ingrato, Vós me esperais ainda: por que, Meu Deus, por quê? A fim de que, um dia, vencido pelas Vossa misericórdias e pelo Vosso amor, eu me dê inteiramente a Vós. Senhor, não quero mais ser ingrato para conVosco. É justo que Vos consagre o tempo, que ainda me resta de vida, quer pouco quer muito. Espero, Meu Jesus, que me auxiliareis a ser todo Vosso; pois, se tanto me favorecestes, quando eu Vos fugia e desprezava o Vosso amor, como não devo esperar que me favoreçais agora que Vos procuro  e Vos desejo amar, Deus digno de um amor infinito? Amo-Vos de todo o meu coração, amo-Vos sobre todas as coisas, amo-Vos mais que a mim mesmo, mais do que a minha própria vida. Arrependo-me de Vos haver ofendido, bondade infinita. Perdoai-me, e, com o perdão, concedei-me a graça de Vos amar muito nesta vida até à morte e, na outra, por toda a eternidade.

Pelo Vosso poder. Deus todo-poderoso, mostrai ao mundo este prodígio: uma alma tão ingrata como a minha, convertida numa das mais fervorosas no Vosso amor. Fazei-o pelos Vossos méritos, Meu Jesus. Isto é o que proponho fazer durante toda a minha vida; Vós quo me inspirais este desejo, dai-me forças para o pôr em prática.

- Graças Vos dou, Meu Jesus, por me haverdes esperado até esta hora.

Na foto, São João Bosco diante de 
uma imagem da Santíssima Virgem


NOSSA CONFIANÇA

"Ninguém - diz São Germano, dirigindo-se a Maria - ninguém se salva senão por Vós, ninguém se livra dos males senão por Vós, ninguém recebe um favor Divino senão por Vós." Assim, pois, minha Senhora e minha esperança, se não me ajudardes, estou perdido, e não poderei ir bendizer-Vos no paraíso. Mas, Senhora Minha, todos os Santos dizem que não abandonais a quem a Vós recorre. Só se perde aquele que a Vós não se recomenda. A Vós, pois, recorro miserável como sou e em Vós ponho todas as minhas esperanças.

- "Maria é toda a minha confiança, e todo o fundamento da minha esperança" (São Bernardo).


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

HOMILIA DE SÃO JOÃO PAULO II NA SUA ÚLTIMA FESTA DE ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade…» (Lc 1, 39). As palavras deste trecho evangélico fazem-nos vislumbrar, com os olhos do coração, a jovem de Nazaré a caminho da cidade da Judeia, onde morava a sua prima, para lhe oferecer os seus serviços. Aquilo que nos surpreende acima de tudo, em Maria, é a sua atenção repleta de ternura pela sua parente idosa. Trata-se de um amor concreto, que não se limita a palavras de compreensão, mas que se compromete pessoalmente numa verdadeira assistência. À sua prima, a Virgem não dá simplesmente algo que lhe pertence; Ela dá-se a si mesma, sem nada exigir como retribuição. Ela compreendeu de maneira perfeita que, mais do que um privilégio, o dom recebido de Deus constitui um dever, que a empenha no serviço aos outros, na gratuidade que é própria do amor.

A minha alma proclama a grandeza do Senhor…(Lc 1, 46). No seu encontro com Isabel, os sentimentos de Maria brotam com vigor no cântico do Magnificat. Através dos seus lábios exprimem-se a expectativa repleta de esperança dos «pobres do Senhor», e a consciência do cumprimento das promessas, porque Deus «se recordou da sua misericórdia» (cf. Lc 1, 54).

É precisamente desta consciência que brota a alegria da Virgem Maria, que transparece no conjunto do cântico: alegria de saber que Deus olha para Ela, apesar da sua fragilidade (cf. Lc 1, 48); alegria em virtude do serviço que lhe é possível prestar, graças às grandes obras que o Todo-Poderoso realizou em seu favor; alegria pela antecipação das bem-aventuranças escatológicas, reservadas aos humildes e aos famintos (cf. Lc 1, 52-53).

Depois do Magnificat chega o silêncio; nada se diz acerca dos três meses da presença de Maria ao lado da sua prima Isabel. Talvez nos seja dita a coisa mais importante: o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano.

Mediante as suas palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos seus pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a sua existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa.

Os fiéis compreenderam-no, reconhecendo nela «a mulher revestida de sol (Ap 12, 1), a Rainha que resplandece junto do trono de Deus e intercede em favor deles.

No dia de hoje, a Igreja celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, de corpo e alma. Os dois dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção estão intimamente ligados entre si. Ambos proclamam a glória de Cristo Redentor e a santidade de Maria, cujo destino humano já está perfeita e definitivamente realizado em Deus.

E quando Eu tiver partido e vos tiver preparado um lugar, voltarei e levar-vos-ei comigo para que, onde Eu estiver, vós estejais também, disse-nos Jesus (Jo 14, 3). Maria é o penhor e o cumprimento da promessa de Cristo. A sua Assunção torna-se para nós um sinal de esperança certa e de consolação (Lumen gentium, 68).
Créditos: Aletheia

Comentário do Evangelho do dia (14/08) feito por Dionísio, o Cartuxo



(1402-1471), monge 
Comentário ao Evangelho de Lucas, 12, 72-74



Acender no coração dos homens o fogo do amor de Deus

«Eu vim trazer o fogo à terra»: desci do alto dos céus e, pelo mistério da minha encarnação, manifestei-Me aos homens para acender no coração humano o fogo do amor divino. «E que quero Eu senão que ele se acenda?» – isto é, que pegue e se torne uma chama ativada pelo Espírito Santo, que faça brilhar atos de bondade! 

Cristo anuncia a seguir que terá de morrer na cruz para que o fogo deste amor incendeie a humanidade. Foi, efetivamente, a santíssima Paixão de Cristo que valeu à humanidade dom tão grande, e é sobretudo a memória da sua Paixão que acende uma chama nos corações fiéis. «Tenho de receber um batismo»; ou seja: compete-Me e está-Me reservado, por especial disposição de Deus, receber um batismo de sangue, banhar-Me e como que mergulhar nas águas do meu sangue derramado na cruz, a fim de resgatar o mundo inteiro. «E estou ansioso até que ele se realize» – por outras palavras, até que a minha Paixão seja completa, e que Eu possa dizer: «Tudo está consumado!» (Jo 19,30). 

Fonte: Evangelho Quotidiano
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