sábado, 6 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (06/08)



Autor siríaco anónimo do século VI 
Homilia atribuida erradamente a Santo Efrém


«Entre os que estão aqui, alguns não conhecerão a morte antes de terem visto o reino de Deus.»


Nosso Senhor Jesus Cristo levou Pedro, Tiago e João à montanha para lhes mostrar a glória da sua divindade e lhes dar a conhecer que Ele era o Redentor de Israel, como os profetas tinham anunciado. Queria também prepará-los, para que não ficassem escandalizados à vista dos sofrimentos que livremente ia suportar por nós na sua natureza humana. Com efeito, eles conheciam-No enquanto homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-No como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas na montanha Ele fez-lhes saber que era o Filho de Deus, o próprio Deus. 

Eles tinham-No visto comer e beber, trabalhar e descansar, esgotar-Se e dormir, [...] tudo coisas que não pareciam estar muito em harmonia com a sua natureza divina, que pareciam não convir senão à sua humanidade. Foi por isso que os levou à montanha, a fim de que o Pai Lhe chamasse seu Filho e lhes mostrasse que Ele era verdadeiramente seu Filho, e que era Deus. Jesus levou-os à montanha e mostrou-lhes o seu Reino antes de lhes manifestar os seus sofrimentos, o seu poder antes da sua morte, a sua glória antes dos ultrages, a sua honra antes da ignomínia. Assim, quando fosse preso e crucificado, os seus apóstolos saberiam que não o tinha sido por fraqueza, mas por consentimento e de livre vontade, para a salvação do mundo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Vocação: o exemplo de generosidade de São João Maria Vianney


Por Pe. Gaspar S. C. Pelegrini

Gostaria de neste artigo, mostrar como S. João Maria Vianney é um exemplo para todo jovem na fidelidade à vocação.

Existe uma qualidade que é condição necessária para a fidelidade à vocação: a generosidade.

A generosidade é aquela disposição da alma, que está pronta para fazer o que seu Senhor lhe pedir, sem se deixar abater por nenhuma dificuldade, sem se deixar levar pelos seus próprios gostos ou caprichos.

Pois bem, S. João Maria Vianney foi generoso.

A vocação de S. João Maria Vianney nasceu numa época em que os sacerdotes eram perseguidos e até martirizados. Foi vendo exemplos de sacerdotes corajosos e destemidos, perseguidos e ameaçados de morte, sacerdotes sem nenhum prestígio aos olhos do mundo, foi então que ele disse: eu quero ser sacerdote. O que humanamente poderia ser um motivo para não ser sacerdote, foi para ele, uma força, um impulso. Isso porque ele era generoso, queria conservar a todo custo sua fidelidade e seu amor a Deus.

E porque era generoso, foi fiel. Ele entendia bem o que significava ter sido chamado por Deus para o sacerdócio: tornar-se ministro de Nosso Senhor, dispensador dos mistérios de Deus. Sabia que Jesus ia confiar às suas mãos, ao seu sacerdócio, a santificação e salvação eterna de muitas pessoas. Sabia que Deus o tinha escolhido porque o tinha amado muito. Tendo consciência destas verdades, o Cura d’Ars esforçou-se por ser fiel àquele que tinha depositado nele sua confiança, tinha entregue a ele o seu próprio rebanho.

O Cura d’Ars sofreu no Seminário, mas não desanimou, sofreu humilhações em sua paróquia, por exemplo quando estava pregando e esquecia o resto do sermão.

Ele sofreu e muito quando foi objeto de muitas calúnias, mas se fez surdo a todas elas, e não desanimou.

Encontrou uma paróquia fria, um povo cheio de maus hábitos (bailes, blasfêmias, trabalhos no domingo, etc.), mas não desanimou. Levantava de madrugada, ia para a sua igrejinha paroquial e ficava repetindo diante do único que podia ajudá-lo: “Senhor, convertei a minha paróquia”. Foi fiel. Não desanimou.

Mais tarde vieram aquelas multidões intermináveis confessar-se com ele. Ele tinha que passar horas e horas no confessionário. E não desanimou. Era a vontade de Deus. Era preciso fazer. E ele fez. Foi fiel. Foi por esta sua fidelidade que anos depois de chegar a Ars, ele pode dizer a seu povo: “Meus irmãos, Ars não é mais a mesma”.

E qual foi a causa da transformação daquele lugarejo?Qual foi a causa do alto grau de virtude a que chegou o pobre Cura, tornando-se exemplo para os padres de todo o mundo e para todos os tempos?

A causa de tudo foi dupla: de um lado, Deus que o convidou a esta missão, a este mar de águas mais profundas, a esta pesca extraordinariamente milagrosa. E Deus não só convidou, chamou, mas deu-lhe a sua graça para realizar tudo isso. De outro lado (segunda causa) está a generosidade de S. João Maria Vianney. Foi aquela disposição de alma que que o mantinha sempre aberto e disposto ao que Deus pedia dele em cada momento.

Eis o segredo da perseverança, eis o segredo para fazer grandes coisas por Deus. Ser generoso e fiel ao pouco que Deus nos pede em cada momento. E assim, de fidelidade em fidelidade, a alma irá longe, até onde Deus quiser levá-la.

Que S. João Maria Vianney interceda por nós e nos conceda imitar sua generosidade incondicional, heróica a Deus em cada momento de sua vida.


Fonte: http://www.adapostolica.org/artigos/vocacao-o-exemplo-de-generosidade-de-s-joao-maria-vianney/

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DIA 5 - JESUS CONOSCO - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA

São Pedro Julião Eymard com o Santíssimo


Por Santo Afonso Maria de Ligório

"O pássaro - diz o salmista - acha para si uma casa, e a andorinha um ninho onde agasalhe seus filhinhos" (Sl 83,4). Mas vós, meu Rei e meu Deus, fizestes para Vós um abrigo e escolhestes uma habitação aqui na terra, a fim de serdes acessível a todos e morardes no meio de nós. Senhor, deve-se dizer que amais muito apaixonadamente os homens, pois já não sabeis o que mais fazer para que Vos amem. Mas, amabilíssimo Jesus, dai-nos também a graça de Vos amar apaixonadamente, porquanto não é justo que amemos com frieza a um Deus que nos ama com ternura. Atraí-nos com os encantos do Vosso amor; dai-nos a conhecer os belos motivos que tendes de ser amado.

Majestade e bondade infinita, Vós amais tanto os homens, e tanto tendes feito para ser amado por eles: como se explica, pois, que dentre eles tão poucos Vos amem? Eu não quero mais para o futuro ser do número desses infelizes e ingratos; estou resolvido a amar-Vos quanto puder e a não amar senão a Vós. Tanto o mereceis e com tanta ternura mo ordenais; quero contentar-Vos. Fazei, Deus de minha alma, que Vos satisfaça plenamente. Pelos méritos da Vossa Paixão, Vo-lo peço e espero. Os bens da terra, dai-os a quem os deseja: eu só desejo e busco o grande tesouro do Vosso amor. Amo-Vos, meu Jesus; amo-Vos, bondade infinita. Vós sois toda a minha riqueza, toda a minha consolação, todo o meu amor.

- Meu Jesus, destes-Vos todo a mim; eu também me dou todo a Vós.


SENHORA DOS CORAÇÕES

Senhora minha, São Bernardo Vos chama "roubadora dos corações". Diz que arrebatais os corações pela Vossa beleza e bondade; arrebatai, eu Vo-lo rogo, arrebatai também o meu coração e a minha vontade. Eu Vo-la dou toda inteira, oferecei-a a Deus, unida à Vossa.

- Mãe amável, rogai por mim.



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (05/08) feito por Catecismo da Igreja Católica

Constituição sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes, §37-38


Ver o Filho do homem vir com o seu Reino


A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o que é dos outros. O mundo deixa assim de ser um lugar de verdadeira fraternidade, e o poder acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano. 

Se alguém quer saber de que maneira se pode superar esta situação miserável, os cristãos professam que todas as atividades humanas [...] devem ser purificadas e levadas à perfeição pela cruz e ressurreição de Cristo. Porque, remido por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar as coisas criadas por Deus. [...] 

O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, fazendo-Se homem e vivendo na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a (Ef 1,10). Ele revela-nos que «Deus é amor» (1Jo 4,8) e ensina-nos ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana, e portanto da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor (Jo 13,34). Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e de que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão. Adverte, ao mesmo tempo, que este amor não se deve exercitar apenas nas coisas grandes, mas, antes de mais, nas circunstâncias ordinárias da vida. Suportando a morte por todos nós pecadores, ensina-nos com o seu exemplo que também devemos levar a cruz que a carne e o mundo fazem pesar sobre os ombros daqueles que buscam a paz e a justiça.

Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A santa ira de São João Maria Vianney

Com a severidade própria dos santos, João Maria Vianney combateu até à morte os insultos a Deus




Era 1827 e as multidões que chegavam à aldeia de Ars vinham de toda parte. A fama do Padre Vianney já havia se espalhado pelos quatro cantos da França. Barões, clérigos, camponeses, curiosos; todos queriam conhecer aquela figura a qual tinham por santo. Um médico, tomado pelas intrigas dos colegas, decidira visitar o sacerdote, a fim de confirmar suas injustas suspeitas. De volta à capital, Paris, não pôde dizer aos amigos outra coisa sobre o pobre cura senão: "eu vi Deus num homem".

A santidade de João Maria Vianney causava constrangimentos. Apegado desde cedo à oração, agia em tudo conforme à vontade divina, fazendo de sua vida um perpétuo louvor a Deus. Tinha um fervor imensurável. Passava horas à frente do sacrário, gastando-se em severas penitências e na meditação dos santos mistérios: "O meu terço vale mais que mil sermões". Por isso, não poupou esforços no combate às blasfêmias e à libertinagem. Era o zelo pela casa do Pai que o consumia.

Os primeiros anos de Vianney em Ars foram de grandes desafios. A pequena aldeia estava atolada no indiferentismo. Trabalhava-se no domingo, blasfemava-se no campo, a falta de modéstia e os divertimentos profanos reinavam no coração daquela gente. A situação era desesperadora. E para uma alma apaixonada como a do Cura D'Ars, assistir àquele espetáculo de imoralidades era como ver a Cristo sendo crucificado. Com efeito, tratou logo de agir.

Sem fazer concessões, apressou-se em instruir os mais novos na catequese e nas práticas piedosas. Vianney estava convencido de que a ignorância religiosa era a causa de todos os males: "Este pecado condenará mais almas do que todos os outros juntos, porque uma pessoa ignorante quando peca não conhece nem o mal que faz, nem o bem que perde". Do alto do púlpito, atacava a todos pulmões as tabernas e o trabalho no domingo. Começava uma guerra sem tréguas, e o santo não iria recuar enquanto não visse a sua paróquia, de joelhos, diante do Senhor.

"Ah! Os taberneiros, o demônio não os importuna muito, pelo contrário, despreza-os e cospe-lhes em cima". Com essas palavras, o humilde cura fustigava a bebedeira, para desespero daqueles que se lançavam a tão vergonhoso vício. E assim também procedia com o trabalho nos dias de guarda. "Se perguntássemos aos que trabalham nos domingos: 'Que acabais de fazer?' - repreendia o Cura D'Ars - "eles bem poderiam responder: 'Acabamos de vender a nossa alma ao Demônio e de crucificar a Nosso Senhor… Estamos no caminho do inferno". Pouco a pouco, as blasfêmias foram desaparecendo e as tabernas se fechando. Pesava-lhes a maldição de um homem santo. "Vós vereis, profetizava, vereis arruinados todos aqueles que aqui abrirem tabernas". Mas um derradeiro combate ainda estava por vir.

Em 1823, erguia-se na pequena paróquia de Ars uma segunda capela. Atendendo à vontade do pároco, ela seria dedicada a São João Batista, santo que tomara por patrono no dia de sua Confirmação. A cerimônia de inauguração foi de grande júbilo. Contudo, para os amantes dos prazeres profanos, motivo de despeito. Vianney mandara esculpir no arco do pequeno oratório a seguinte inscrição: "A sua cabeça foi o preço de uma dança". Uma alusão ao martírio de São João Batista e uma clara reprimenda aos bailes.

A luta de Vianney contra os serões durou cerca de dez anos. A ele se opunha grande parte da comunidade, sobretudo os rapazes apegados aos encantos da luxúria. À medida que o povo se afastava das danças, com efeito, mais raiva tinham do sacerdote os fanfarrões. Chegaram a organizar encontros a fim de puni-lo, mas o brado de Vianney foi tão forte que a eles não restou outra alternativa senão ceder. "O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim… As pessoas que entram num salão de baile deixam à porta o seu Anjo da Guarda e o Demônio substitui-o, de tal modo que há tantos Demônios quantos são os dançadores." Era o fim dos bailes em Ars.

Os hereges também não tinham vez com o santo. Certo dia, um jovem de espírito petulante resolveu atacá-lo na frente da multidão. "Quem é o senhor, meu amigo?" questionou Vianney. O rapaz disse que era protestante. Com a firmeza de um verdadeiro pastor, retorquiu-lhe o santo padre: "Oh! meu pobre amigo, o senhor é pobre e muito pobre: Os protestantes nem sequer possuem santos cujos nomes possam dar aos filhos. Veem-se obrigados a pedir nomes emprestados à Igreja Católica". Foi o suficiente para que o sujeito se colocasse no seu lugar.

A santa intransigência de Vianney tinha um motivo igualmente santo: ele amava a seus paroquianos com amor de predileção. Por isso faria tudo que estivesse a seu alcance para lhes assegurar a salvação eterna. E seus esforços foram recompensados. Após poucos anos de ministério, Ars não era mais Ars. O povo havia se convertido, já não se trabalhava mais aos domingos e a igreja permanecia sempre cheia. Vencera a santidade do pobre cura. Os paroquianos compreenderam o que há tanto lhes ensinava o São Cura D'Ars: "Tão grande é o amor de Deus, é um fogo que queima na alma sem, contudo, a consumir. Ter Jesus no coração é já possuir o céu".


Por Equipe Christo Nihil Praeponere - https://padrepauloricardo.org/blog/a-santa-ira-de-sao-joao-maria-vianney

Referências
TROCHU, Francis. O Cura D'Ars. Ed. Theologica. Braga. 1987.

DIA 4 - JESUS É AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"A Sua conversação nada tem de amargo e a sua intimidade não traz aborrecimento" (Sb 8,16). No mundo, os amigos encontram tanto prazer em estar juntos que perdem nisso dias inteiros. Na companhia de Jesus Sacramentado só acha tédio quem não o ama. Os Santos encontravam junto dele o seu paraíso. Santa Teresa apareceu, depois de sua morte, a uma de suas religiosas, e disse-lhe: "Os que estão no céu e os que vivem na terra devem ser iguais em pureza e amor: uns gozando e outros sofrendo; e o que nós fazemos no céu diante da essência divina, deveis vós fazê-lo na terra perante o Santíssimo Sacramento". O Santíssimo Sacramento é, pois o nosso paraíso na terra.

Cordeiro sem mancha, imolado por nós na cruz, lembrai-Vos que sou uma das almas que remistes com tantas dores e com a própria morte. Fazei que sejais todo  meu e eu nunca mais Vos perca, já que Vos destes todo a mim e Vos dais ainda cada dia, sacrificando-Vos por meu amor sobre os altares. Peço-Vos a graça de ser também eu todo Vosso. Sim, dou-me todo a Vós, para que façais de mim o que Vos aprouver. Dou-Vos a minha vontade: prendei-a com as suaves cadeias do Vosso amor, a fim de que seja para sempre escrava da Vossa santíssima vontade. Não quero mais viver para satisfazer os meus desejos. mas somente para contentar a Vossa vontade. Destruí em mim tudo o que Vos desagrada; dai-me a graça de só pensar em Vos agradar, e de só querer o que Vós quereis. Amo-Vos, meu querido Salvador, de todo o meu coração; amo-Vos porque quereis ser amado por mim; amo-Vos porque sois infinitamente digno do meu amor. Sinto não poder amar-Vos quanto o mereceis. Pudesse eu morrer por Vosso amor" Aceitai, Senhor, este meu desejo e dai-me o Vosso amor. Amém.

Assim seja.

- Vontade do meu Deus, eu me ofereço todo a Vós.




MÃE AMOROSA

"Eu sou - diz Maria - a Mãe do belo Amor" (Eclo 24,24).

Isto é, desse amor que torna formosas as nossas almas. Santa Maria Madalensa de Pazzi teve uma visão em que lhe parecia ver Maria Santíssima ocupada em distribuir um doce licor, que outra coisa não era senão o amor divino. Este dom só por Maria nos é dispensado; peçamo-lo, pois, a Maria.

- Minha Mãe, minha esperança, fazei-me todo de Jesus.




Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (04/08) feito por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilia sobre S. Pedro e Sto. Elias


«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»


Pedro ia receber as chaves da Igreja, mais ainda, as chaves dos céus; ia ser-lhe confiada a governação de um povo numeroso. […] Se, com a tendência que tinha para a severidade, Pedro tivesse permanecido sem pecado, como poderia ser misericordioso com os seus discípulos? Ora, por uma disposição da graça divina, caiu no pecado, por forma a que, tendo tido a experiência da sua própria miséria, pudesse ser bom para com os outros. 

Repara bem: quem cedeu ao pecado foi Pedro, o chefe dos apóstolos, o fundamento sólido, a rocha indestrutível, o guia da Igreja, o porto invencível, a torre inabalável, ele que tinha dito a Cristo: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não Te negarei» (Mt 26,35); ele que, por uma revelação divina, tinha confessado a verdade: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». 

Ora, narra o Evangelho que, na própria noite em que Jesus foi entregue, […] uma jovem disse a Pedro: «Tu também estavas com aquele homem»; ao que Pedro respondeu: «Não conheço esse homem» (Mt 26,69-72). […] Ele, a coluna, a muralha, cedeu perante as suspeitas de uma mulher. […] Jesus fixou nele o olhar […], Pedro compreendeu, arrependeu-se do seu pecado e desatou a chorar. E o Senhor misericordioso concedeu-lhe o seu perdão. […] 

Ele foi submetido ao pecado para que a consciência da sua culpa e do perdão recebido do Senhor o levasse a perdoar aos outros por amor. Realizava assim uma disposição providencial, conforme à maneira divina de agir. Foi necessário que Pedro, a quem a Igreja seria confiada, a coluna das Igrejas, a porta da fé, o médico do mundo, se mostrasse fraco e pecador. Assim foi, na verdade, para que ele descobrisse na sua fraqueza uma razão para exercer a bondade para com os outros homens.

Fonte: Evangelho Quotidiano
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