quinta-feira, 19 de março de 2015

Comentário do Evangelho do dia (18/03) feito por Beato John Henry Newman



(1801-1890), teólogo, fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «Cristo manifestado em Memória», PPS t. 4, nº 17


«Meu Pai trabalha intensamente e Eu também trabalho em todo o tempo»


Se observarmos o comportamento do Salvador durante a sua vida mortal, vemos que ocultava propositadamente o conhecimento da sua identidade de Filho de Deus e que, no entanto, ao mesmo tempo a revelava. Aparentemente queria que a apreciássemos, mas não naquela altura – como se as suas palavras devessem permanecer válidas desde logo, mas também devessem esperar um certo tempo para ser esclarecidas; como se devessem esperar a sua vinda, que traria à luz, a um tempo, Cristo e as suas palavras. […] Ele estava entre os seus discípulos «como aquele que serve» (Lc 22,27). Aparentemente, foi só depois da sua ressurreição, e especialmente depois da sua ascensão, quando o Espírito Santo desceu, que os apóstolos entenderam quem era Aquele que tinha estado com eles. […]

Muitas vezes, tanto na Escritura como no mundo, não nos apercebemos da presença de Deus no próprio instante em que ela está em nós; só mais tarde, quando olhamos para trás, reconhecemos o que aconteceu anteriormente. […] Que providência maravilhosa, que se faz de forma tão silenciosa apesar de ser tão eficaz, tão constante, e sobretudo tão infalível! É isto que é completamente desconcertante para o poder de Satanás, que é incapaz de identificar a mão de Deus no desenrolar dos acontecimentos […]; os seus múltiplos recursos são inúteis diante do silêncio majestoso e sereno, da calma imperturbável e santa que reina na providência de Deus. […]

A mão de Deus vela constantemente pelos seus e condu-los por um caminho que eles não conhecem. Eles apenas podem crer; o que não conseguem ver agora, vê-lo-ão depois. E, por esta fé, colaboram com as intenções de Deus.


Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 17 de março de 2015

Comentário do Evangelho do dia 17/03 por São João Crisóstomo



São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de João, n°35

«Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não acreditareis!»

«Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não acreditareis!» O funcionário real parece não acreditar que Jesus tem o poder de ressuscitar os mortos: «Senhor, vem, antes que o meu filho morra!» Parece julgar que Jesus ignora a gravidade da doença do seu filho. Por isso Jesus o censura, para lhe mostrar que os milagres se fazem sobretudo para ganhar e curar as almas. Assim Jesus curou o pai, que estava tão doente no espírito quanto o filho estava doente no corpo, para nos ensinar que não devemos ligar-nos a Ele por causa dos milagres, mas pelos ensinamentos que os milagres confirmam. Pois Ele não opera milagres para os crentes, mas para os não crentes. […]

No regresso «acreditou, ele e todos os da sua casa». Pessoas que não viram nem escutaram Jesus […] acreditam nele. Que ensinamento devemos retirar disto? Que é preciso acreditar nele sem exigir milagres; que não devemos exigir a Deus provas do seu poder. Hoje em dia muitas pessoas mostram maior amor a Deus quando os filhos ou a mulher recebem algum alívio da doença; ora, mesmo que os nossos votos não sejam satisfeitos, é preciso perseverar na acção de graças e no louvor. Permaneçamos ligados a Deus, tanto na adversidade quanto na prosperidade.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Santo Atanásio - A Criação e a Queda


Santo Atanásio

A CRIAÇÃO E A
QUEDA


Em nosso Livro anterior tratamos suficientemente sobre alguns dos principais pontos do culto pagão dos ídolos, e como estes falsos deuses surgiram originalmente. Nós também, pela graça de Deus, indicamos brevemente que o Verbo do Pai é Ele mesmo divino, que todas as coisas que existem devem seu próprio ser à sua vontade e poder e que é através dEle que o Pai dá ordem à criação, por Ele que todas as coisas são movidas e através dEle que recebem o seu ser. Agora, Macário, verdadeiro amante de Cristo, devemos dar um passo a mais na fé de nossa sagrada religião e considerar também como o Verbo se fêz homem e surgiu entre nós.

Para tratar destes assuntos é necessário primeiro que nos lembremos do que já foi dito. Deves entender por que o Verbo do Pai, tão grande e tão elevado, se manifestou em forma corporal. Ele não assumiu um corpo como algo condizente com a sua própria natureza, mas, muito ao contrário, na medida em que Ele é Verbo, Ele é sem corpo. Manifestou-se em um corpo humano por esta única razão, por causa do amor e da bondade de seu Pai, pela salvação de nós homens. Começaremos, portanto, com a criação do mundo e com Deus seu Criador, pois o primeiro fato que deves entender é este: a renovação da Criação foi levada a efeito pelo mesmo Verbo que a criou em seu início.

Em relação à criação do Universo e à criação de todas as coisas têm havido uma diversidade de opiniões, e cada pessoa tem proposto a teoria que bem lhe apraz. Por exemplo, alguns dizem que todas as coisas são auto originadas e, por assim dizer, totalmente ao acaso. Entre estes estão os Epicúreos, os quais negam terminantemente que haja alguma Inteligência anterior ao Universo.

Outros fazem seu o ponto de vista expressado por Platão, aquele gigante entre os Gregos. Ele disse que Deus fêz todas as coisas da matéria pre-existente e incriada, assim como o carpinteiro faz as suas obras da madeira que já existe. Mas os que sustentam esta opinião não se dão conta que negar que Deus seja Ele próprio a causa da matéria significa atribuir-Lhe uma limitação, assim como é indubitavelmente uma limitação por parte do carpinteiro que ele não possa fazer nada a não ser que lhe esteja disponível a madeira.

Então, finalmente, temos a teoria dos Gnósticos, que inventaram para si mesmos um Artífice de todas as coisas, outro que não o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Estes simplesmente fecham os seus olhos para o sentido óbvio das Sagradas Escrituras.

Tais são as noções que os homens têm elaborado. Mas pelo divino ensinamento da fé cristã nós sabemos que, pelo fato de haver uma Inteligência anterior ao Universo, este não se originou a si mesmo; por ser Deus infinito, e não finito, o Universo não foi feito de uma matéria pré-existente, mas do nada e da absoluta e total não existência, de onde Deus o trouxe ao ser através do Verbo. Ele diz, neste sentido, no Gênesis:

"No início Deus
criou o Céu e a Terra";

e novamente, através daquele valiosíssimo livro ao qual chamamos "O Pastor":

"Crêde primeiro
e antes de tudo o mais
que há apenas um só Deus
o qual criou e ordenou a todas as coisas 
trazendo-as da não existência ao ser."

Paulo também indica a mesma coisa quando nos diz:

"Pela fé conhecemos 
que o mundo foi formado 
pela Palavra de Deus,
de tal modo que as coisas visíveis 
provieram das coisas invisíveis".

Heb. 11, 3

Pois Deus é bom, ou antes, Ele é a fonte de toda a bondade, e é impossível por isso que Ele deva algo a alguém. Não devendo a existência a ninguém, Ele criou a todas as coisas do nada mediante seu próprio Verbo, nosso Senhor Jesus Cristo, e de todas as suas criaturas terrenas ele reservou um cuidado especial para a raça humana. A eles que, como animais, eram essencialmente impermanentes, Deus concedeu uma graça de que as demais criaturas estavam privadas, isto é, a marca de sua própria Imagem, uma participação no ser racional do próprio Verbo, de tal modo que, refletindo-O, eles mesmos se tornariam racionais expressando a Inteligência de Deus tanto quanto o próprio Verbo, embora em grau limitado. Deste modo, os homens poderiam continuar para sempre na bem aventurada e única verdadeira vida dos santos no paraíso. Como a vontade do homem poderia, porém, voltar-se para vários caminhos, Deus assegurou-lhes esta graça que lhes havia concedido condicionando-a desde o início a duas coisas. Se eles guardassem a graça e retivessem o amor de sua inocência original, então a vida do paraíso seria sua, sem tristeza, dor ou cuidados, e após ela haveria a certeza da imortalidade no céu. Mas se eles se desviassem do caminho e se tornassem vis, desprezando seu direito natal à beleza, então viriam a cair sob a lei natural da morte e viveriam não mais no paraíso, mas, morrendo fora dele, continuariam na morte e na corrupção. Isto é o que a Sagrada Escritura nos ensina, ao proclamar a ordem de Deus:

"De todas as árvores que estão no jardim 
vós certamente comereis,
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal
não havereis de comer,
pois certamente havereis de morrer".

"Certamente havereis de morrer", isto é, não apenas morrereis, mas permanecereis no estado de morte e corrupção.

Estarás talvez a divagar por que motivo estamos discutindo a origem do homem se nos propusemos a falar sobre o Verbo que se fêz homem. O primeiro assunto é de importância para o último por este motivo: foi justamente o nosso lamentável estado que fêz com que o Verbo se rebaixasse, foi nossa transgressão que tocou o seu amor por nós. Pois Deus havia feito o homem daquela maneira e havia querido que ele permanecesse na incorrupção. Os homens, porém, tendo voltado da contemplação de Deus para o mal que eles próprios inventaram, caíram inevitavelmente sob a lei da morte. Em vez de permanecerem no estado em que Deus os havia criado, entraram em um processo de uma completa degeneração e a morte os tomou inteiramente sob o seu domínio. Pois a transgressão do mandamento os estava fazendo retornarem ao que eles eram segundo a sua natureza, e assim como no início eles haviam sido trazidos ao ser a partir da não existência, passaram a trilhar, pela degeneração, o caminho de volta para a não existência. A presença e o amor do Verbo os havia chamado ao ser; inevitavelmente, então, quando eles perderam o conhecimento de Deus, juntamente com este eles perderam também a sua existência. Pois é somente Deus que existe, o mal é o não-ser, a negação e a antítese do bem. Pela natureza, de fato, o homem é mortal, já que ele foi feito do nada; mas ele traz também consigo a Semelhança dAquele Que É, e se ele preservar esta Semelhança através da contemplação constante, então sua natureza seria despojada de seu poder e ele permaneceria indegenerescente. De fato, é isto o que vemos escrito no Livro da Sabedoria:

"A observância de Suas Leis
é a garantia da imortalidade".

Sab. 6, 18

E, incorrompido, o homem seria como Deus, conforme o diz a própria Escritura, onde afirma:
"Eu disse:

`Sois deuses, 
e todos filhos do Altíssimo. 
Mas vós como homens morrereis, 
caireis como um príncipe qualquer'".

Salmo 81, 6

Esta, portanto, era a condição do homem. Deus não apenas o havia feito do nada, mas também lhe tinha graciosamente concedido a Sua própria vida pela graça do Verbo. Os homens, porém, voltando-se das coisas eternas para as coisas corruptíveis, pelo conselho do demônio, se tornaram a causa de sua própria degeneração para a morte, porque, conforme dissemos antes, embora eles fossem por natureza sujeitos à corrupção, a graça de sua união com o Verbo os tornava capazes de escapar na lei natural, desde que eles retivessem a beleza da inocência com a qual haviam sido criados. Isto é o mesmo que dizer que a presença do Verbo junto a eles lhes fazia de escudo, protegendo-os até mesmo da degeneração natural, conforme também o diz o Livro da Sabedoria:

"Deus criou o homem para a imortalidade
e como uma imagem de sua própria eternidade;
mas pela inveja do demônio
entrou no mundo a morte".

Sab. 2, 23

Quando isto aconteceu os homens começaram a morrer e a corrupção correu solta entre eles, tomou poder sobre os mesmos até mais do que seria de se esperar pela natureza, sendo esta a penalidade sobre a qual Deus os havia avisado prevenindo-os acerca da transgressão do mandamento. Na verdade, em seus pecados os homens superaram todos os limites. No início inventaram a maldade; envolvendo-se desta maneira na morte e na corrupção, passaram a caminhar gradualmente de mal a pior, não se detendo em nenhum grau de malícia, mas, como se estivessem dominados por uma insaciável apetite, continuamente inventando novo tipos de pecados. Os adultérios e os roubos se espalharam por todos os lugares, os assassinatos e as rapinas encheram a terra, a lei foi desrespeitada para dar lugar à corrupção e à injustiça, todos os tipos de iniqüidades foram praticados por todos, tanto individualmente como em comum. Cidades fizeram guerra contra cidades, nações se levantaram contra nações, e toda a terra se viu repleta de divisões e lutas, enquanto cada um porfiava em superar o outro em malícia. Até os crimes contrários à natureza não foram desconhecidos, conforme no-lo diz o Apóstolo mártir de Cristo:
"Suas próprias mulheres 
mudaram o uso natural em outro uso,
que é contra a natureza;
e os homens também, 
deixando o uso natural da mulher,
arderam nos seus desejos um para com o outro,
cometendo atos vergonhosos com o seu próprio sexo, 
e recebendo em suas próprias pessoas 
a recompensa devida pela sua perversidade".

Rom. 1, 26-7

Fonte: Cristianismo.org



domingo, 8 de março de 2015

Pais de Santa Teresinha vão ser canonizados em Outubro




O Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, disse recentemente que os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis e Zélie Martin, serão canonizados em Outubro, coincidindo com o Sínodo da Família que terá lugar nessa altura, no Vaticano.

"Graças a Deus, em Outubro canonizar-se-ão dois cônjuges, os pais de Santa Teresa de Lisieux", assinalou o cardeal salesiano num encontro recente organizado pela Libreria Editrice Vaticana (LEV) para falar sobre o tema "Para que servem os santos?", sublinhando a importância da santidade na família.

"Os santos não são só os sacerdotes e as religiosas, mas também os leigos," indicou o cardeal Amato, referindo-se a este casal francês exemplar.

Casados em 1858, o casal teve nove filhos, dos quais cinco seguiram a vida religiosa.

As 218 cartas que se conservam de Zélie, de 1863 até à sua morte em 1877, registam o ritmo da vida com a guerra de 1870, as crises econômicas, os nascimentos e as mortes dos seus quatro bebês.
Missa diária às cinco e meia da manhã, Angelus e vésperas, descanso aos Domingos, jejuns na Quaresma e Advento... mas também brincadeiras e jogos, o Luís gostava de pescar e jogar bilhar.

Convidavam pessoas pobres para comer em sua casa e visitavam os idosos. Também ensinaram as suas filhas a tratar os mais desfavorecidos como iguais.

Zélie morreu de câncer dolorosíssimo aos 46 anos. Louis ficou com cinco filhas pequenas: Marie, Pauline, Léonie, Céline e Teresinha, que só tinha quatro anos e meio mas que sempre se recordaria da mãe como uma santa. Louis morreu em 1894, depois de padecer de uma doença mental grave.

Foram ambos beatificados a 19 de Outubro de 2008 por Bento XVI e sua canonização será a primeira canonização de um casal em conjunto. Muitos propuseram a sua vida de santidade quotidiana como um modelo para os dias de hoje.

Lous e Zélie Martin são os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões e uma das santas mais queridas do Papa Francisco, proclamada doutora da Igreja por João Paulo II em 1997.

in religionenlibertad.com

Créditos: Senza Pagare

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Comentário do Evangelho do dia (18/02) feito por São João Paulo II



(1920-2005), papa 
Audiência geral de 16/02/1983

«Convertei-vos a Mim com todo o vosso coração» (Jl 2,12)

Este tempo forte do ano litúrgico é assinalado pela mensagem bíblica que se pode resumir numa só palavra […]: «Convertei-vos.» […] A sugestiva cerimónia das cinzas eleva a nossa mente para a realidade eterna que nunca passa, para Deus, que é princípio e fim, alfa e ómega da nossa existência (Ap 21,6). De facto, a conversão não é mais do que um regresso a Deus, avaliando as realidades terrenas à luz indefectível da sua verdade. É uma consideração que nos leva a uma consciência cada vez mais clara de que estamos de passagem no meio das fadigosas vicissitudes desta terra, e nos impele e estimula a fazer todos os esforços para que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e a sua justiça triunfe

Sinónimo de conversão é também a palavra «penitência»: a Quaresma convida-nos a praticar o espírito de penitência, não na sua acepção negativa de tristeza e de frustração, mas na de elevação do espírito, de libertação do mal, de afastamento do pecado e de todos os condicionamentos que possam dificultar o nosso caminho para a plenitude da vida. Penitência como remédio, como reparação, como mudança de mentalidade, que predispõe para a fé e para a graça, mas que pressupõe vontade, esforço e perseverança. Penitência como expressão de empenho livre e alegre no seguimento de Cristo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Imitação de Cristo III - Cap. 27 - Como o amor-próprio afasta no máximo grau do sumo bem




JESUS: Filho, cumpre que dês tudo por tudo, sem reservar-te a ti mesmo. Fica sabendo que teu amor-próprio te prejudica mais que qualquer coisa do mundo. Cada objeto mais ou menos te prende, segundo o amor e afeto que lhe tens. Se teu amor for puro, simples e bem ordenado, de nenhuma coisa serás escravo. Não cobices o que não te é lícito possuir, nem possuas coisa alguma que te possa impedir a liberdade interior ou dela privar-te. É de estranhar que te não entregues a mim, do íntimo do teu coração, com tudo que possas ter ou desejar.

Por que te consomes em vã tristeza? Por que te afanas em cuidados supérfluos? Conforma-te com a minha vontade e nenhum dano sofrerás. Se buscares isto ou aquilo, se desejares estar aqui ou ali, por tua comodidade ou teu capricho, nunca estarás quieto, nem livre de cuidados, porque em todas as coisas há algum defeito, e em todo lugar quem te contrarie.

De nada te serve, pois, adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo. Pouco resguarda o lugar, se falta o espírito de fervor; nem durará muito tempo aquela paz procurada fora, se faltar ao teu coração o verdadeiro fundamento. Isto é, se não se firmar em mim. Mudar tu podes, mas não melhorar, porque, chegada a ocasião, e aceitando-a, encontrarás de novo aquilo de que fugiste e pior ainda.


Tomás de Kempis, Imitação de Cristo

Comentário do Evangelho do dia (17/02) feito por Santo Hilário



(c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja 
A Trindade, I, 37-38

«Ainda não compreendeis? Tendes o vosso coração endurecido?»

Deus Pai todo-poderoso, é a Ti que quero consagrar a ocupação principal da minha vida. Que tudo em mim, as minhas palavras e os meus pensamentos, falem de Ti. […] Conscientes da nossa pobreza, pedimos-Te o que nos falta; utilizaremos um zelo infatigável para escrutinar as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos, bateremos a todas as portas que a nossa inteligência encontrar fechadas.

Mas é a Ti que cabe responder ao pedido, conceder-nos o que procuramos, abrir a porta fechada (Lc 11,9). Porque vivemos numa espécie de torpor devido ao entorpecimento da nossa natureza; a fraqueza do nosso espírito impede-nos de compreender os teus mistérios devido a uma ignorância inelutável.

Felizmente, o estudo da tua doutrina reforça a nossa percepção da verdade divina, e a obediência da fé eleva-nos acima dos pensamentos dos homens comuns. Esperamos, pois, que estimules os inícios deste empreendimento difícil, que tornes firmes os progressos da nossa diligência e que nos chames a participar no Espírito que guiou os teus profetas e os teus apóstolos. Gostaríamos de compreender as suas palavras no sentido em que eles as pronunciaram e de empregar termos exactos para transmitir fielmente tudo o que eles exprimiram. […] Concede-nos o sentido exacto das palavras, a luz da inteligência, a beleza da expressão; estabelece a nossa fé na verdade. Faz-nos dizer aquilo em que acreditamos.

Fonte: Evangelho Quotidiano
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...