quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Comentário do Evangelho do dia (18/02) feito por São João Paulo II



(1920-2005), papa 
Audiência geral de 16/02/1983

«Convertei-vos a Mim com todo o vosso coração» (Jl 2,12)

Este tempo forte do ano litúrgico é assinalado pela mensagem bíblica que se pode resumir numa só palavra […]: «Convertei-vos.» […] A sugestiva cerimónia das cinzas eleva a nossa mente para a realidade eterna que nunca passa, para Deus, que é princípio e fim, alfa e ómega da nossa existência (Ap 21,6). De facto, a conversão não é mais do que um regresso a Deus, avaliando as realidades terrenas à luz indefectível da sua verdade. É uma consideração que nos leva a uma consciência cada vez mais clara de que estamos de passagem no meio das fadigosas vicissitudes desta terra, e nos impele e estimula a fazer todos os esforços para que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e a sua justiça triunfe

Sinónimo de conversão é também a palavra «penitência»: a Quaresma convida-nos a praticar o espírito de penitência, não na sua acepção negativa de tristeza e de frustração, mas na de elevação do espírito, de libertação do mal, de afastamento do pecado e de todos os condicionamentos que possam dificultar o nosso caminho para a plenitude da vida. Penitência como remédio, como reparação, como mudança de mentalidade, que predispõe para a fé e para a graça, mas que pressupõe vontade, esforço e perseverança. Penitência como expressão de empenho livre e alegre no seguimento de Cristo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Imitação de Cristo III - Cap. 27 - Como o amor-próprio afasta no máximo grau do sumo bem




JESUS: Filho, cumpre que dês tudo por tudo, sem reservar-te a ti mesmo. Fica sabendo que teu amor-próprio te prejudica mais que qualquer coisa do mundo. Cada objeto mais ou menos te prende, segundo o amor e afeto que lhe tens. Se teu amor for puro, simples e bem ordenado, de nenhuma coisa serás escravo. Não cobices o que não te é lícito possuir, nem possuas coisa alguma que te possa impedir a liberdade interior ou dela privar-te. É de estranhar que te não entregues a mim, do íntimo do teu coração, com tudo que possas ter ou desejar.

Por que te consomes em vã tristeza? Por que te afanas em cuidados supérfluos? Conforma-te com a minha vontade e nenhum dano sofrerás. Se buscares isto ou aquilo, se desejares estar aqui ou ali, por tua comodidade ou teu capricho, nunca estarás quieto, nem livre de cuidados, porque em todas as coisas há algum defeito, e em todo lugar quem te contrarie.

De nada te serve, pois, adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo. Pouco resguarda o lugar, se falta o espírito de fervor; nem durará muito tempo aquela paz procurada fora, se faltar ao teu coração o verdadeiro fundamento. Isto é, se não se firmar em mim. Mudar tu podes, mas não melhorar, porque, chegada a ocasião, e aceitando-a, encontrarás de novo aquilo de que fugiste e pior ainda.


Tomás de Kempis, Imitação de Cristo

Comentário do Evangelho do dia (17/02) feito por Santo Hilário



(c. 315-367), bispo de Poitiers, doutor da Igreja 
A Trindade, I, 37-38

«Ainda não compreendeis? Tendes o vosso coração endurecido?»

Deus Pai todo-poderoso, é a Ti que quero consagrar a ocupação principal da minha vida. Que tudo em mim, as minhas palavras e os meus pensamentos, falem de Ti. […] Conscientes da nossa pobreza, pedimos-Te o que nos falta; utilizaremos um zelo infatigável para escrutinar as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos, bateremos a todas as portas que a nossa inteligência encontrar fechadas.

Mas é a Ti que cabe responder ao pedido, conceder-nos o que procuramos, abrir a porta fechada (Lc 11,9). Porque vivemos numa espécie de torpor devido ao entorpecimento da nossa natureza; a fraqueza do nosso espírito impede-nos de compreender os teus mistérios devido a uma ignorância inelutável.

Felizmente, o estudo da tua doutrina reforça a nossa percepção da verdade divina, e a obediência da fé eleva-nos acima dos pensamentos dos homens comuns. Esperamos, pois, que estimules os inícios deste empreendimento difícil, que tornes firmes os progressos da nossa diligência e que nos chames a participar no Espírito que guiou os teus profetas e os teus apóstolos. Gostaríamos de compreender as suas palavras no sentido em que eles as pronunciaram e de empregar termos exactos para transmitir fielmente tudo o que eles exprimiram. […] Concede-nos o sentido exacto das palavras, a luz da inteligência, a beleza da expressão; estabelece a nossa fé na verdade. Faz-nos dizer aquilo em que acreditamos.

Fonte: Evangelho Quotidiano

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Comentário do Evangelho do dia (16/02) feito por Santo Agostinho



(354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja 
Sermão 126, 4-5



«Porque pede esta geração um sinal?»


Admirai as maravilhas de Deus; saí do vosso sono. Admirais apenas os prodígios extraordinários? Mas serão tais prodígios maiores do que os que ocorrem todos os dias diante dos vossos olhos? Os homens surpreendem-se de que Nosso Senhor Jesus Cristo tivesse saciado vários milhares de pessoas com cinco pães (Mt 14,19ss), e não se surpreendem pelo facto de umas quantas sementes serem suficientes para cobrir a terra com colheitas abundantes? Enchem-se de admiração ao ver o Salvador mudar a água em vinho (Jo 2,19); pois não acontece o mesmo quando a chuva passa pelas raízes da videira? O autor destes prodígios é o mesmo. […]

O Senhor operou prodígios, e contudo foram muitos os que O desprezaram. […] Diziam eles: «Estas obras são divinas, mas Ele é apenas um homem.» Portanto, tu vês duas coisas: de um lado, obras divinas, e do outro, um homem. Se estas obras divinas só podem ser feitas por Deus, não será que Deus está escondido neste homem? Sim, presta muita atenção ao que vês, e acredita naquilo que não vês. Aquele que te chama a acreditar não te abandonou a ti próprio; mesmo que te peça para acreditares no que não podes ver, não te deixou sem nada para veres, para te ajudar a acreditar no que não vês. Parece-te que a própria criação é um fraco sinal, uma fraca manifestação do Criador? Além disso, ei-Lo que vem ao mundo e que faz milagres. Tu não podias ver a Deus, mas podias ver um homem; então, Deus fez-Se homem, para que aquilo que vês e aquilo em que acreditas sejam uma e uma só coisa.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (15/02) feito por São Pascácio Radbert



(?-c. 849), monge beneditino
Comentário sobre o evangelho de Mateus, 5, 8; CCM 56 A, 475-476



«Quero: fica limpo»

O Senhor cura todos os dias a alma de todo o homem que Lho implora, que O adora piedosamente e que proclama com fé estas palavras: «Senhor, se quiseres, podes curar-me», seja qual for o número das suas faltas. «É que acreditar de coração leva a obter a justiça» (Rom 10,10). Temos pois de dirigir os nossos pedidos a Deus cheios de confiança, sem nunca duvidar do seu poder. […] É por essa razão que o Senhor responde imediatamente ao leproso que Lho suplica: «Quero». Porque, mal o pecador começa a orar com fé, a mão do Senhor começa a tratar a lepra da sua alma. […]

Este leproso dá-nos um conselho muito bom sobre a forma de rezar: ele não põe em dúvida a vontade do Senhor, como se se recusasse a crer na sua bondade; mas, consciente da gravidade das suas faltas, também não presume dessa vontade. Ao dizer ao Senhor que, se Ele quiser, pode purificá-lo, afirma que esse poder pertence ao Senhor e ao mesmo tempo afirma a sua fé. […] Se a fé for fraca, tem primeiramente de ser fortificada; pois só nessa altura revelará todo o seu poder para obter a cura da alma e do corpo.

É certamente sobre esta fé que fala o apóstolo Pedro quando diz que o Senhor purificou «os seus corações pela fé» (Act 15,9). […] A fé pura, vivida no amor, mantida pela perseverança, paciente na espera, humilde na sua afirmação, firme na confiança, cheia de respeito na oração e de sabedoria no que pede, tem a certeza de escutar em todas as circunstâncias esta palavra do Senhor: «Quero».


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (14/02) feito por São João Crisóstomo



(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilia sobre a messe abundante, 10,3; PG 63, 515-524



«A messe é grande. […] Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores»


Quando o agricultor sai de casa para ir fazer a colheita, transborda de alegria e resplandece de felicidade. Não pensa nas dores nem nas dificuldades que poderá encontrar; tendo em vista o retorno que vai ter, corre, apressa-se para ir fazer a sua colheita anual. Nada o pode reter, nem impedir, nem fazer duvidar do futuro: nem a chuva, nem a geada, nem a seca, nem legiões de gafanhotos malignos. Os que se aprestam para as colheitas não conhecem essas inquietações e deitam-se ao trabalho dançando e saltando de alegria.

Vós deveis ser como eles e ir pela terra inteira com uma alegria ainda maior, motivados pela colheita. Pois a colheita que tendes a fazer é muito fácil e espera-vos em campos bem preparados. O único esforço que vos é pedido é o de falar: emprestai-me a vossa língua, diz Cristo, e vereis o grão maduro entrar nos celeiros do rei.

Por isso, Ele envia os seus discípulos dizendo: «Sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20). Era Ele quem tornava fáceis as coisas difíceis. Os apóstolos realizavam de maneira visível a palavra do profeta: «Irei diante de ti para te aplanar os caminhos pedregosos» (Is 45,2). Cristo caminhava à sua frente e tornava-lhes fácil o caminho.


Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (13/02) feito por Santo Efrém



(c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja 
Sermão «Sobre Nosso Senhor», 10-11



«Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos […] e tocou-lhe a língua»


A força divina que o homem não pode tocar desceu e envolveu-Se num corpo palpável, para que os pobres a toquem e para que, ao tocarem a humanidade de Cristo, captem a sua divindade. Através de dedos de carne, o surdo-mudo sentiu que lhe tocavam nos ouvidos e na língua: através de dedos palpáveis, captou a divindade intocável naquele momento em que o nó da sua língua foi rompido, naquele momento em que as portas fechadas dos seus ouvidos ficaram abertas. Porque o arquitecto e o artesão do corpo veio até ele, e com palavras suaves criou, sem dor, aberturas nos seus ouvidos surdos; então, também aquela boca fechada, até ali incapaz de articular palavra, pôs no mundo o louvor daquele que assim fazia a sua esterilidade dar fruto.

De igual modo, o Senhor fez uma lama com a sua saliva e estendeu-a sobre os olhos do cego de nascença (Jo 9,6) para nos fazer compreender que faltava alguma coisa a este, tal como ao surdo-mudo; uma imperfeição inata do nosso barro humano foi assim suprimida graças ao fermento que vem do seu corpo perfeito. […] Para compensar o que faltava a estes corpos humanos, Ele deu qualquer coisa de Si mesmo, tal como a Si mesmo Se dá como alimento [na eucaristia]. É este o meio pelo qual Ele anula os defeitos e ressuscita os mortos, para podermos reconhecer que, graças ao seu corpo «onde habita a plenitude da divindade» (Col 2,9), os defeitos da nossa humanidade são colmatados, e que a verdadeira vida é dada aos mortais por este corpo onde habita a verdadeira vida.


Fonte: Evangelho Quotidiano
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