quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Imitação de Cristo III - Cap 17 - Que todo o nosso cuidado devemos entregar a Deus




1 - JESUS: Filho, deixa-me fazer contigo o que quero; eu sei o que te convém. Tu pensas como homem, e julgas em muitas coisas consoante te persuade o afeto humano.

2 - A ALMA: Senhor, verdade é o que dizeis. Maior é vossa solicitude por mim, que todo o cuidado que eu comigo possa ter. Está em grande perigo de cair quem não entrega a vós todos os seus cuidados. Fazei de mim, Senhor, tudo o que quiserdes, contanto que permaneça em vós, reta e firme, a minha vontade. Pois não pode deixar de ser bom tudo o que fizerdes de mim. Se quereis que esteja nas trevas, bendito sejais; e se quereis que esteja na luz, sede também bendito. Se quereis que esteja consolado, sede bendito, e se quereis que esteja tribulado, sede igualmente para sempre bendito.

3 - JESUS: Filho, assim deves pensar, se desejas andar comigo. Tão pronto deves estar para sofrer como para gozar; para a pobreza e indigência, como para a riqueza e abundância.

4 - A ALMA: Por ti Senhor, sofrerei de bom grado tudo que quiserdes que me sobrevenha. De vossa mão quero aceitar, indiferentemente, o bem e o mal, as doçuras e as amarguras, as alegrias e as tristezas, e quero dar-vos graças por tudo que me suceder. Livrai-me de todo pecado, e não temerei nem morte nem inferno. Contanto que não me rejeiteis eternamente, não me fará mal qualquer tribulação que me sobrevenha.


Imitação de Cristo III - Tomás de Kempis

Comentário do Evangelho do dia (03/09) feito por São Pio de Pietrelcina



(1887-1968), capuchinho
Ep 3, 626 e 570; CE 34


«Sai desse homem!»


As tentações não te devem assustar; por elas Deus quer testar e fortificar a tua alma e ao mesmo tempo dá-te a força de as vencer. Até aqui, a tua vida foi como a de uma criança; a partir de agora, o Senhor quer tratar-te como adulto. Ora, as provações de um adulto são muito superiores às duma criança, e é por isso que, a princípio, te sentes tão perturbado. Mas a vida da tua alma encontrará rapidamente a sua calma. Tem um pouco de paciência e tudo correrá pelo melhor.


Deixa, pois, de lado essas vãs preocupações. Lembra-te de que não é a sugestão do maligno que faz o mal, mas o consentimento dado às suas sugestões. Só uma vontade livre é capaz da fazer o bem ou o mal. Mas, quando a vontade geme sob a provação infligida pelo Tentador, se não quer o que lhe é proposto, isso não é falta mas virtude.


Guarda-te de cair na agitação ao lutar contra as tentações, pois isso só as fortalecerá. É preciso tratá-las com desprezo e não lhes ligar. Volta o teu pensamento para Jesus crucificado, para o seu corpo deposto nos teus braços e diz: «Eis a minha esperança, a fonte da minha alegria! Ligo-me a Ti com todo o meu ser, e não Te deixarei enquanto não me colocares em segurança.»


Créditos: Evangelho Quotidiano

Santa Catarina de Siena, carta 13: Como adquirir a paciência




Santa Catarina de Sena

Para Marcos Bindi

Saudação e objetivo


Caríssimo irmão no doce Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Deus, vos escrevo no seu precioso sangue, desejosa de vos ver alicerçado na verdadeira e santa paciência, pois de outro modo não agradaremos a Deus e perderemos o prêmio de nossas fadigas.

A paciência é possível a todos

De fato, todos precisamos desta bela virtude. Se me disserdes:”Vivo em grandes dificuldades, não tenho forças para ser paciente e nem sei como chega-lo a sê-lo”, eu vos respondo: Quem segue a luz da sua razão (iluminada pela fé) consegue atingir a paciência. Concordo que somos fracos em nossa sensualidade. Sobretudo se a pessoa se apega desordenadamente a si mesmo, às pessoas e aos bens materiais. Quem é assim, sofre muito quando perde algo. Mas para quem usa retamente sua razão Deus lhe fortalece sua vontade e aquela fraqueza é vencida. Deus jamais despreza os esforços feitos para superar queixas exageradas. Ele aceita os bons desejos e concede a paciência na dificuldade.

Como vedes, todos podem chegar a ter paciência se usarem a reta razão e não ficarem unicamente ruminando a própria fraqueza. A nós dotados de razão, seria muito inconveniente fixarmo-nos numa atitude irracional. Não somos como os animais. Ao nos impacientar escandalizamo-nos por acontecimentos permitidos por Deus e o ofendemos.

Quatro coisas necessárias para ser paciente.

Que devemos fazer para sermos pacientes, já que podemos e devemos adquirir esta atitude para não ofender a Deus? Quatro coisas!

Primeiro devemos ter fé

Digo que a primeira coisa é possuir a iluminação da fé. Com a luz desta virtude conseguiremos todas as outras; sem ela andaremos no escuro como um cego, para quem o dia torna-se noite. Para pessoa sem fé, tudo o que Deus faz por amor na claridade da luz, torna-se escuridão, trevas de ódio, pois a pessoa pensa que é por ódio que Deus permite os sofrimentos e as dificuldades. Vede como precisamos da luz da fé!

Segundo, devemos pensar que tudo vem de Deus por amor

A segunda coisa é crer firmemente que Deus existe e que tudo vem Dele menos o pecado. Não vem de Deus a má vontade do pecador. O restante – quer provenha do fogo, da água, da morte ou de qualquer outra coisa – vem de Deus. Diz Jesus no evangelho que sem a providência Divina não cai uma folha das árvores e diz ainda que os cabelos da nossa cabeça estão todos contados, e que nenhum deles cai sem que Deus o saiba (Mt 10,29). Ora, se Jesus fala assim a respeito das coisas materiais com maior razão cuida de nós criaturas racionais. Em tudo o que nos manda o permite, Deus usa da sua providência. Tudo é feito por Deus com mistério e amor. Jamais por ódio!

Terceiro, devemos crer que até na dor Deus nos quer felizes

Terceiro ponto; ocorre entender na fé que Deus é bondade suprema e eterna, que ele somente quer nosso bem. Desejo de Deus é que nos santifiquemos. Tudo o que Ele nos manda ou permite tem esta finalidade. Se duvidarmos disto, erramos. Basta pensar no sangue do humilde e imaculado cordeiro, transpassado pela lança, sofrido, atormentado. Entenderemos que o Pai eterno nos ama. Por causa do pecado, nos tínhamos tornado inimigos de Deus. Amorosamente, o Pai nos deu o Verbo, seu filho Unigênito. Este último entregou por nós sua vida, correndo para uma vergonhosa morte na cruz. Por qual razão? Por amor a nossa salvação. Como vedes o sangue de Jesus dissipa toda a dúvida em nós, de que o Pai queira outra coisa além da nossa santificação. Aliás, como poderia Deus querer algo fora do bem? Impossível! Como poderia o supremo Bem descuidar-se de nós? Ele que nos amou antes de existirmos, Ele que por amor nos criou à sua imagem e semelhança, não poderia deixar de nos amar de prover às necessidades de nossa alma e do nosso corpo.

O criador sempre nos ama como criaturas suas. Somente o pecado Deus detesta em nós. Durante esta vida, na medida das nossas necessidades, Ele permite dificuldades quanto aos bens materiais. Como sábio médico nos ministra o remédio de que precisa nossa enfermidade. Deus age assim para eliminar nossos defeitos aqui na terra de maneira que tenhamos que sofrer menos na vida futura; ou para pôr à prova nossa paciência. Querendo experimentar Jó o senhor retirou-lhe os filhos e filhas; quanto ao corpo, mandou-lhe uma verminose e usou sua mulher para prová-lo no sofrimento, pois ela o atormentava com maldosas ofensas. Após provar a paciência de Jó Deus restitui-lhe o dobro em tudo e Jó não reclamou. Pelo contrário, dizia: “O Senhor me deu, o Senhor me tirou. Bendito seja o seu nome” (Jó 1,21).

Deus permite algumas vezes tais coisas, para que nos conheçamos melhor em nossa instabilidade. E também conheçamos a instabilidade deste mundo. Tudo o que temos – vida, saúde, esposa, filhos, riquezas, posições sociais, prazeres – tudo nos é dado por Deus como empréstimo para nosso uso. Não como propriedade. É assim que devemos tratar tais coisas. Tanto é verdade, que não podemos impedir que tais coisas nos sejam retiradas. Quanto à graça divina é diferente. Nem os demônios nem outras criaturas nem as perseguições conseguem retirar de nós, se não dermos nosso consentimento.

Quando uma pessoa entende qual é a perfeição da graça e qual é a imperfeição do mundo e do nosso corpo, ela deixa de valorizar os prazeres mundanos e a própria fragilidade, pois tais realidades muitas vezes ocasionam a perda da graça por causa do amor sensível. E em sentido oposto começa a valorizar as virtudes que são os meios para conservarmos a graça. Pois bem, tudo isso nos vem de Deus por amor, afim de que viril e santamente preocupados nos afastemos do mundo e busquemos os bens eternos; deixemos de lado a terra com suas mazelas e procuremos ganhar o céu.

Sim não fomos criados para nos alimentar de terra. Somos peregrinos por aqui passam praticando a virtude em busca do Fim. Durante a caminhada não nos devemos deter por causa de algum prazer oferecido pelo mundo. Virilmente temos de nos apressar olhando as coisas da vida não com desordenada alegria ou com impaciência, mas na paciência e no Santo Temor.

O sofrimento que padeceis é de grande utilidade para vós. Deus vos oferece o modo de romper muitas amarras e de aperfeiçoar vossa consciência. Deus vos libertou e vos indicou a estrada, se é que a desejais segui-la. A eles (ou:elas) Deus deu a vida eterna e vos convida a alcançá-la também por meio do sofrimento, afim de que conheçais a bondade divina e vossos defeitos, durante o restante da vossa vida.

Quarto, devemos meditar sobre os próprios pecados

A quarta coisa necessária para se tornar paciente é esta: Refletir sobre os próprios pecados e defeitos, sobre quanto já ofendemos a Deus. Ele é o Bem infinito. Destes pecados e defeitos, grandes ou pequenos que sejam, resultaria para nós um castigo infinito. Infelizes que somos! Ofendemos nosso Criador e merecemos mil infernos. E quem é este Criador ofendido! É a bondade sem limites. E nós quê somos? Nada! O ser que temos e qualquer outro beneficio a ele acrescentado, tudo veio de Deus. Por nós mesmos, nada somos. Em tal situação e merecendo um castigo eterno, Deus nos purifica aqui na terra. Mas ainda se aceitamos o sofrimento purificador alcançamos méritos. Isso não se cede na purificação da vida futura; no purgatório a alma se purifica mas nada merece. Como nos convém, pois tolerar com paciência estas pequenas dores agora.

Pequenas dores repito, por causa da brevidade desta existência. Aqui na terra a dimensão da dor tem a dimensão do tempo. E qual é a extensão do tempo? Assemelha-se à ponta de uma agulha. Assim sendo a dor é pequena. O sofrimento que passou ficou para trás, não o sinto mais; o sofrimento futuro ainda não padeço, e nem tenho certeza de continuar vivo. Posso morrer e não sei quando. Somente o presente existe nada mais. Soframos, então, com alegria. Toda ação boa é remunerada. Toda culpa é punida. São Paulo afirma: “Os sofrimentos desta vida não se comparam com a glória que receberá a alma paciente.” (cf. Rm 8,18).

Últimos conselhos. Conclusão

Eis a maneira como podereis adquirir a virtude da perfeita paciência. Tal virtude adquirida com amor na fé vos fará tirar proveito de todo sofrimento. Em caso contrário, perdereis os bens terrenos e os celestes. Não existe outra solução. Por tal motivo disse eu acima que desejava vos ver alicerçado na perfeita paciência. Rogo-vos agir assim. Lembrai-vos do sangue de Jesus Cristo crucificado. Toda tristeza se mudará em alegria, todo peso se tornará leve. Não fiqueis a escolher tempos e lugares; contentai-vos com aquilo que Deus vos dá. Senti compaixão pelo que aconteceu. Ao que parece foi muito doloroso mas tudo aconteceu por providência divina e para vossa salvação. Peço-vos sejais forte e não relaxeis na suave disciplina da religião.

Nada mais acrescento, a não ser que aproveiteis o tempo em quanto o temos. Permaneceis no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.

 Fonte: Servo dos Servos de Deus

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (01/09) feito por São Bruno de Segni



(c. 1045-1123), bispo
Comentário ao Evangelho de Lucas, 2, 14; PL 165, 406

 
«A comida está pronta […], tudo está preparado: vinde às bodas» (Mt 22,4)


O Senhor tinha sido convidado para umas bodas. Ao observar os convivas, reparou que todos escolhiam os primeiros lugares […], cada um desejando sentar-se antes de todos os outros e passar à frente de todos. Então, contou-lhes uma parábola (Lc 14,16ss) que, mesmo tomada no seu sentido literal, é muito útil e necessária a todos os que gostam de usufruir da consideração dos outros e têm receio de ser rebaixados. […]


Mas, como esta história é uma parábola, possui um significado que ultrapassa o seu sentido literal. Vejamos então que bodas são estas e quem são os convidados. Estas realizam-se quotidianamente na Igreja. Todos os dias o Senhor celebra bodas, pois todos os dias Se une às almas fiéis por ocasião do seu baptismo ou da sua passagem deste mundo para o Reino dos Céus. E nós, que recebemos a fé em Jesus Cristo e o selo do baptismo, somos todos convidados para estas bodas, onde foi posta uma mesa para nós, uma mesa sobre a qual dizem as Escrituras: «Preparais-me um banquete frente aos meus adversários» (Sl 22,5). Aí encontramos os pães da oferenda, o vitelo gordo, o Cordeiro que tira os pecados do mundo (Ex 25,30; Lc 15,23; Jo 1,29). Aí nos são oferecidos o pão que desceu do Céu e o cálice da Nova Aliança (Jo 6,51; 1Cor 11,25). Aí nos são apresentados os evangelhos e as epístolas dos apóstolos, os livros de Moisés e dos profetas, que são como alimentos extremamente deliciosos.


Que mais poderíamos desejar? Porque havemos de escolher os primeiros lugares? Seja qual for o lugar que ocupemos, temos tudo em abundância e nada nos faltará.



Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (31/08) feito por Santa Juliana de Norwich



(1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do Amor Divino, cap. 14


«Entra no gozo do teu Senhor»


Disse-me Nosso Senhor: «Agradeço o teu trabalho, sobretudo o da tua juventude.» O meu entendimento elevou-se até aos céus, e vi Nosso Senhor como um verdadeiro senhor da casa na sua própria residência, rodeado por todos os servos e amigos que havia convidado para um banquete solene. Vi que Ele não detinha para Si próprio um lugar específico na sua morada, mas nela reinava como rei omnipresente: enchia-a de alegria e de júbilo, contentava e consolava pessoalmente, de forma ininterrupta, os seus queridos amigos, em total intimidade e cortesia, com aquela maravilhosa melodia de amor perpétuo que emanava do seu belo e bem-aventurado rosto. Rosto glorioso da divindade que enche os céus de alegria e de júbilo.


Deus mostrou-me três degraus de bem-aventurança no céu para toda a alma que de alguma forma O tiver servido voluntariamente na Terra. O primeiro: o agradecimento de glória que há-de receber de Nosso Senhor Deus quando for libertada das suas penas; agradecimento tão elevado e glorioso, que ela se há-de sentir completamente realizada, como se não houvesse maior bem-aventurança. Porque, em meu entender, todos os trabalhos e as tribulações dos homens de toda a terra não serão suficientes para merecer o agradecimento do Senhor que um só deles receberá por ter servido a Deus de boa vontade.


O segundo: todas as criaturas benditas que povoam os céus assistirão a este agradecimento glorioso, porque a todas Ele dá a conhecer os serviços que Lhe foram prestados. […] Um rei, se agradece a seus súbditos, presta-lhes uma grande honra; mas se o dá a conhecer a todo o reino, a honra é consideravelmente maior. O terceiro: este agradecimento será tão adequado ao momento e tão alegre na eternidade como no instante em que a alma o receber. Foi-me revelado com grande simplicidade e doçura que a idade de cada um será conhecida no céu; cada um será recompensado pelas obras que tiver feito e pela duração destas. Muito em particular aqueles que, voluntária e livremente, tiverem oferecido a Deus a sua juventude serão prodigamente recompensados e ser-lhes-á agradecido de maneira maravilhosa.


Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (30/08) feito por São Nerses Snorhali

(1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho único do Pai, §688-693; SC 203

 
«As nossas candeias estão a apagar-se»


Não me tornei prudente [...]
Como as cinco virgens prudentes;
Não adquiri o bem fácil
Através do difícil.
Mas tornei-me o último dos insensatos
Quando não guardei azeite para a minha lâmpada,
Quer dizer, a misericórdia com a virgindade,
Melhor ainda, a unção da sagrada fonte do baptismo. [...]


Foi por isso que a porta da sala de núpcias
Se fechou também para mim, na minha negligência.
Neste mundo, porém, enquanto tenho corpo,
Escuta, ó meu Esposo, a tua esposa alma [...]
Que desde agora te grita com lamentável voz:
«Abre-me a porta celeste que é tua,
Conduz-me no céu aos teus aposentos nupciais,
Torna-me digno do teu beijo santo,
Do teu abraço puro e imaculado.
E que nunca venha a tua voz
Dizer-me não me conhecer,
Mas antes queira a tua luz inflamar-me
O espírito, o estandarte extinto que não vejo!»


Créditos: Evangelho Quotidiano

Santa Catarina de Siena, Carta 195 - Defender a cidade da tua alma




(Carta 195) Defender a cidade de tua alma

Para Estevão Maconi.

Saudação e objetivo
Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimo filho no doce Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, te escrevo no seu precioso sangue, desejosa de te ver como verdadeiro defensor da cidade de tua alma.
O cão de guarda é a consciência

Ó filho caríssimo, a cidade da alma tem muitas portas. Três as principais: memória, Inteligência e vontade. O criador permitiu que todas elas possam ser atacadas, mas apenas uma não pode ser aberta pelo lado de fora, e esta é à vontade. Assim acontece que algumas vezes a inteligência se obscurece e a memória passa a lembrar realidades vazias e passageiras, com numerosas e diversificadas imaginações, pensamentos desonestos e coisas semelhantes, enquanto todos os sentimentos corporais ficam desordenados e arruináveis. Com isto percebe-se que estas portas não dependem de nosso livre controle. Somente a porta da vontade esta sobre nosso poder e tem como guarda o livre-arbítrio. É uma porta tão robusta, que demônio e pessoa alguma podem abri-la, se o seu guarda não consentir. Mas abrindo-se esta porta, ou seja, sendo dado o consentimento ao que a memória, a inteligência e outras portas sentem, para sempre fica desprotegida nossa cidade. Reconheçamos pois, filho, reconheçamos o grande benefício e desmedido amor que recebemos de Deus, dando-nos posse livre de tão nobre cidade. Esforcemo-nos em pôr junto ao livre- arbítrio um bom e nobre guarda, que é o cão da consciência. Quando alguém se aproxima da porta, latindo ele acorda a razão para que a inteligência veja se é amigo ou inimigo. Então o livre-arbítrio deixara entrar os amigos, para que realizem boas e santas inspirações; mas expulsará os inimigos, fechando a porta da vontade para que não consinta as más imaginações que diariamente se aproximam da porta. Assim fazendo, quando o senhor te pedir, prestarás contas a Ele, poderás entregar a cidade salva e adornada com muitas virtudes através da sua graça.

Conclusão Nada mais acrescento aqui. Como escrevi em comum a todos os filhos no primeiro dia deste mês, chegamos aqui no primeiro domingo do Advento com muita paz. Permanece no santo e doce amor de Deus.

 Jesus doce, Jesus amor.

Fonte: Servo dos Servos de Deus
Cartas Completas de Santa Catarina de Siena, Editora Paulus
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