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sexta-feira, 26 de abril de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Sétimo
MARAVILHOSOS EFEITOS DESTA
DEVOÇÃO EM UMA ALMA QUE LHE É FIEL
Meu querido irmão, convence-te de que, se fores fiel
às práticas interiores e exteriores desta Devoção, que te indicarei
adiante, participarás dos frutos maravilhosos que ela
produz na alma fiel. Ei-los:
Artigo Primeiro
Conhecimento e desprezo de si mesmo
213. Conhecerás, pela luz que o Espírito Santo te dará por
intermédio de Maria, sua querida esposa, o teu fundo mau, a tua
corrupção e incapacidade para todo bem. E em conseqüência
desse conhecimento, desprezar-te-ás e sentirás horror ao pensar
em ti. Considerar-te-ás como um caracol, que tudo estraga com
a sua baba, ou como um sapo, que tudo envenena com a sua
peçonha, ou como uma serpente maliciosa, que só procura enganar.
Finalmente, a humilde Maria te comunicará a sua profunda
humildade e fará com que te desprezes a ti mesmo, mas não
aos outros, e gostes de ser desprezado (Imitação de Cristo, L. I,
cap. 2).
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Sexto
CAPÍTULO SEXTO
FIGURA BÍBLICA DESTA PERFEITA DEVOÇÃO:
REBECA E JACÓ
183. De todas as verdades que acabo de escrever, em relação
à Santíssima Virgem e a Seus filhos e servos, dá-nos o
Espírito Santo, na Sagrada Escritura, uma imagem admirável:
a história de Jacó, que recebeu a benção de seu pai Isaac,
devido aos cuidados e diligências de sua mãe Rebeca. Ei-la,
como a narra o Espírito Santo (Gn 27). Depois acrescentarei a
sua explicação.
sábado, 20 de abril de 2013
A Eficácia da Ave Maria e do Terço - São Luís Maria de Montfort
E eles (S. Domingos, S. João Capistrano e Alano de la Roche) compuseram livros inteiros sobre as maravilhas e eficácia da Ave Maria para a conversão das almas. Altamente publicaram e pregaram que a salvação do mundo começou pela Ave Maria e a salvação de cada um em particular está ligada a essa prece; que foi essa prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida e que é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto da vida, Jesus Cristo; que a Ave Maria é um orvalho celeste que umedece a terra, isto é, a alma, para fazer brotar o fruto no tempo adequado, e que uma alma que não for orvalhada por esta prece ou orvalho celeste não dará fruto algum, nem dará senão espinhos e não estará longe de ser amaldiçoada (Heb 6,8).
No livro "De dignitate Rosarii", do bem aventurado Alano de la Roche lê-se o seguinte que a Santíssima Virgem o revelou: "Saibas, meu filho, e comunica-o a todos, que um sinal provável e próximo de condenação eterna é a aversão, a tibieza, e negligência em rezar a Saudação Angélica, que foi a reparação em todo mundo. Eis aí palavras consoladoras e terríveis que se custaria a crer, nse não no-las garantissem esse santo homem e antes dele S. Domngos, como, depois dele, muitos personagens fidedignos, com e experiência de muitos séculos.
Pois sempre se verificou que aqueles que trazem o sinal de condenação, como os hereges, os ímpios, os orgulhosos e os mundanos, odeiam e desprezam a Ave-Maria e o Terço. Os hereges ainda aprendem e recitam o Pai-Nosso, mas abominam a Ave-Maria e o Terço. Trariam antes uma serpente sobre o peito que o Rosário. Os orgulhosos também, embora católicos, mas tendo a mesma inclinação que seu pai Lúcifer, desprezam ou mostram uma indiferença completa pela Ave-Maria, considerando o Terço uma devoção efeminada, suficiente para os ignorantes e analfabetos. Ao contrário tem-se visto e a experiência o prova que aqueles e aquelas que possuem outros e grandes indícios de predestinação, amam , apreciam e recitam com prazer a Ave-Maria. E quanto mais são de Deus, tanto mais amam esta oração. É o que a Santíssima Virgem diz também ao bem-aventurado Alano, em seguida às palavras que citei.
Não sei como isso acontece nem porque,entretanto é verdade e não conheço melhor segredo para verificar se uma pessoa é de Deus do que examinar se gosta ou não de rezar a Ave Maria ou o terço. Digo: gosta, pois pode acontecer esteja na impossibilidade natural ou até sobrenatural de dizê-la, mas sempre a ama e a inspira aos outros.
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - S. Luís de Montfort - pags 235-237
Créditos: Católicos Ribeirão/ O Segredo do Rosário
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Tratado da Verdadeira à Santíssima Virgem - Capítulo Quinto
MOTIVOS QUE NOS DEVEM
FAZER ABRAÇAR ESTA DEVOÇÃO
Artigo Primeiro
Esta Devoção nos consagra inteiramente ao Serviço de Deus
135. Primeiro motivo, que nos mostra a excelência desta
consagração de si mesmo a Jesus Cristo pelas mãos de Maria.
Na Terra não se pode conceber ofício mais elevado que
o serviço de Deus, e o menor dos servos de Deus é mais rico,
mais poderoso e mais nobre que todos os reis e imperadores
do mundo, se estes não servem a Deus. Então, quais não serão
as riquezas, o poder e a dignidade do fiel e perfeito servo
de Deus, que se dedique inteiramente ao seu serviço, sem reservas,
tanto quanto possível! Tal é o fiel e amoroso escravo
de Jesus por Maria, que entregou-se todo ao serviço deste Rei
dos reis pelas mãos da sua Santa Mãe, e nada reservou para
si: todo o ouro da Terra e as belezas do Céu são insuficientes
para o pagar.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Quarto
NATUREZA DA PERFEITA
DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA
120. Toda a nossa perfeição consiste em sermos conformes
a Jesus Cristo, em nos unirmos e consagrarmos a Ele. Por
isso, a mais perfeita de todas as devoções é, indubitavelmente,
aquela que nos conforma, nos une e nos consagra mais perfeitamente
a Jesus Cristo. Ora, de todas as criaturas, Maria é a
mais conforme a Ele. Por conseguinte, a Devoção que, dentre
todas as demais, melhor consagra e assemelha uma alma a
Nosso Senhor é a Devoção à Santíssima Virgem, sua Santa
Mãe. E quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto
mais o será a Jesus Cristo. É por isso que a perfeita consagração
a Jesus Cristo não é mais que uma perfeita e inteira consagração
da alma à Santíssima Virgem. E nisto consiste a
Devoção que ensino ou, por outras palavras, consiste numa
perfeita renovação dos votos e promessas do Santo Batismo.
Artigo Primeiro
terça-feira, 19 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Terceiro
ESCOLHA DA VERDADEIRA
DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA
90. Postas estas cinco verdades, impõe-se, mais do que
nunca, fazer uma boa escolha da Verdadeira Devoção à
Santíssima Virgem, porque há cada vez mais falsas devoções
a Nossa Senhora, e é fácil tomá-las por verdadeiras. O demônio,
como falso moedeiro e enganador fino e experimentado,
já enganou e levou à condenação tantas almas, por meio duma
falsa devoção a Nossa Senhora, que todos os dias se serve da
sua experiência diabólica para perder muitas outras. Deleitaas
e adormece-as no pecado sob pretexto de algumas orações
mal rezadas e dumas quantas práticas exteriores que lhes inspira.
Assim como um falso moedeiro não falsifica ordinariamente
senão ouro e prata, e muito raramente outros metais,
por estes não lhe valerem tal trabalho, também o espírito maligno
não falsifica tanto as outras devoções, como as que se
referem a Jesus e a Maria: a devoção à Sagrada Comunhão e
a Nossa Senhora. Estas são, entre as demais devoções, o que
são o ouro e a prata entre os metais.
91. Em razão disso é muito importante conhecer:
Primeiro as falsas devoções à Santíssima Virgem para
as evitar, e a verdadeira, para abraçá-la.
Depois, importa distinguir entre tantas práticas diferentes
desta última, qual a mais perfeita, a mais agradável à
Santíssima Virgem Maria, aquela que dá mais glória a Deus e
que é mais santificante para nós, para a Ela nos apegarmos.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Segundo
VERDADES FUNDAMENTAIS
DA DEVOÇÃO À VIRGEM MARIA
60. Até aqui dissemos alguma coisa sobre a necessidade
que temos da Devoção à Santíssima Virgem. Faz-se necessário
dizer agora em que consiste esta mesma Devoção. É o que
farei, com a ajuda de Deus, depois de propor algumas verdades
fundamentais, donde se deduzirá a grande e sólida Devoção que
quero descobrir.
sábado, 16 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Capítulo Primeiro
CAPÍTULO PRIMEIRO
NECESSIDADE DA VERDADEIRA DEVOÇÃO A MARIA
14. Com toda a Igreja confesso que Maria, não sendo mais
que uma simples criatura saída das mãos do Altíssimo, é me-
nor que um átomo, ou antes, não é nada em comparação com
a sua majestade infinita, visto que só Deus é “Aquele que é”
(Ex 3,14). Por conseguinte, este grande Senhor, sempre inde-
pendente e bastando-se a si mesmo, não teve nem tem abso-
luta necessidade da Santíssima Virgem para o cumprimento
dos Seus desígnios e
para a manifestação da sua glória. Basta-
lhe querer para tudo fazer.
15.No entanto, supostas as coisas como são, tendo Deus
querido começar e acabar as suas maiores obras pela Virgem
Santíssima depois de a formar, digo que é de crer que não
mudará de procedimento em todos os séculos (Rm 11, 29).
Ele é Deus e não muda nem nos Seus sentimentos nem na sua
conduta.
Artigo Primeiro
PRINCÍPIOS
PRIMEIRO PRINCÍPIO
quarta-feira, 13 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Introdução
INTRODUÇÃO
Maria no Desígnio de Deus
1. Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por Ela que deve reinar no mundo.
A Humildade de Maria
2. Durante a vida, Maria permaneceu muito oculta. É por isso que o Espírito Santo e a Igreja lhe chamam Alma Mater, Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que não teve na Terra atrativo mais poderoso nem mais contínuo que o de se esconder de si mesma e de toda criatura, para que só Deus a conhecesse.
3. A fim de atender aos pedidos que Ela lhe fez para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, aprouve a Deus ocultá-la na sua conceição e nascimento, na sua vida, mistérios, ressurreição e assunção, aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios pais não a conheciam, e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: “Quem é esta?” (Ct 8, 5), porque o Altíssimo lha escondia ou, se alguma coisa lhes revelava a seu respeito, infinitamente mais lhes ocultava.
4. Deus Pai consentiu em que Ela não fizesse milagres em vida, pelo menos manifestos, embora lhe tivesse dado poder para isso. Deus Filho permitiu que quase não falasse, embora tendo-lhe comunicado a sua sabedoria. Deus Espírito Santo deixou que os Seus Apóstolos e Evangelistas falassem muito pouco sobre Ela, apenas o necessário para dar a conhecer Jesus Cristo, apesar de Ela ser a sua esposa fiel.
Maria, a obra prima de Deus
5. Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cuja posse e conhecimento Ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho o qual quis humilhá-la e escondê-la durante a vida para favorecer a sua humildade. Para este fim tratava-a pelo nome de “Mulher” (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estranha, embora no seu Coração a estimasse mais do que a todos os anjos e a todos os homens.
Maria é a fonte selada e a esposa do Espírito Santo, onde só Ele tem entrada. Maria é o Santuário e o Repouso da Santíssima Trindade, onde Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar a sua morada acima dos querubins e serafins. Neste santuário
nenhuma criatura, por mais pura que seja, pode entrar, a não ser por grande privilégio.
6. Digo com os santos: a divina Maria é o Paraíso Terrestre do novo Adão, onde Ele encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência do Altíssimo, onde Ele escondeu,
como em seu Seio, o seu Filho Único e n'Ele tudo o que há de mais excelente e precioso. Que grandes e misteriosas coisas fez o Deus onipotente nesta admirável criatura, segundo Ela própria é forçada a dizer, a despeito da sua profunda humildade: “O poderoso fez em mim grandes coisas!” (Lc 1, 49). O mundo não conhece estas maravilhas, porque é incapaz e indigno disso.
7. Os santos disseram coisas admiráveis desta Santa Cidade de Deus. E, segundo o seu próprio testemunho, nunca foram tão eloqüentes nem tão felizes como quando d'Ela falavam. E depois disto exclamam que a sublimidade dos Seus méritos, que chegam até o trono da Divindade, não se pode
perceber; que a extensão da sua caridade, maior que a Terra, não se pode medir; que a grandeza do seu poder, que até sobre o Deus se estende, não se pode compreender e, finalmente, que a profundeza da sua humildade e de todas as suas virtudes e graças é um abismo insondável. Ó sublimidade incomensurável! Ó abismo impenetrável!
8. Todos os dias, de um extremo a outro da Terra, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo proclama e publica a admirável Virgem Maria. Os nove coros dos anjos,
os homens de ambos os sexos, idades, condições ou religiões, os bons e os maus, e até os mesmos demônios, são forçados a chamá-la bem-aventurada. Quer queiram, quer não, a isso os obriga a força da verdade. Como diz São Boaventura, todos os anjos lhe cantam no Céu incessantemente: “Santa,
Santa, Santa Maria, Mãe de Deus e Virgem!” E, todos os dias, lhe oferecem milhões de vezes a saudação angélica: “Ave, Maria...”, prostrando-se na sua presença e pedindo-lhe a mercê
de os honrar com algumas das suas ordens. O próprio São Miguel - disse Santo Agostinho -, embora seja o príncipe de toda a corte celeste, é o mais diligente em lhe prestar toda espécie de homenagens e em fazer com que lhas tributem. Constantemente aguarda a honra de por Ela ser mandado em
auxílio a alguns dos Seus servos.
9. Toda a Terra está cheia da sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam por Patrona e Protetora em muitos reinos, províncias, dioceses e cidades. Quantas catedrais consagradas a Deus sob a sua invocação! Não há igreja sem um altar em sua honra, região ou cantão sem alguma de
suas miraculosas imagens, ante as quais toda espécie de males são curados e se alcança toda espécie de bens. Quantas confrarias e congregações em sua honra! Quantos institutos religiosos colocados sob o seu nome e proteção! Quantos confrades e irmãs daquelas confrarias, quantos religiosos e
religiosas de todos estes institutos publicam os Seus louvores e anunciam as suas misericórdias! Não há criancinha que, balbuciando a Ave, Maria, a não louve. Não há pecador, por mais empedernido, que não tenha, ao menos, uma centelha de confiança n'Ela. E não há, até, demônio algum no inferno que, temendo-a, a não respeite.
10. Depois disto, forçoso é dizer com os santos: “De Maria numquam satis!” Isto é, Maria não foi ainda suficientemente louvada e exaltada, honrada, amada e servida. Merece ainda muito maior louvor, respeito, amor e serviço.
11. Por isso, devemos dizer com o Espírito Santo: “Toda a glória da Filha do Rei lhe vem do interior” (Sl 44, 14). É como se toda a glória exterior que o Céu e a Terra lhe tributam
à porfia não fosse nada em comparação com a que recebe interiormente do Criador! As pequenas criaturas desconhecem essa glória por não poderem penetrar no mais íntimo segredo
do Rei.
12. Depois de tudo isto, temos de exclamar com o Apóstolo: “Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem compreendeu...” (1 Cor 2, 9) as belezas, as grandezas e a excelência de Maria, o mais sublime milagre da graça, da natureza e da glória. Se quereis compreender a Mãe, diz um santo, procurai compreender o Filho. Ela é a digna Mãe de Deus: “Que toda a língua aqui emudeça!”
13. Foi o meu coração que ditou o que acabo de escrever com particular alegria, a fim de mostrar como Maria Santíssima tem sido insuficientemente conhecida até agora e como é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Se é certo que o conhecimento e o Reino
de Jesus Cristo se estabelecerão no mundo, não será mais que uma conseqüência necessária do conhecimento e do Reino da Santíssima Virgem Maria. Ela deu Jesus Cristo ao mundo a
primeira vez, e há de fazê-lo resplandecer também segunda vez.
São Luís Maria Grigniou de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
terça-feira, 12 de março de 2013
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - Prefácio do Padre Faber
Caríssimos, Viva Cristo Rei! Salve Maria Imaculada!
Publicaremos, a partir de hoje, a versão completa do livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort, para que vocês possam ter acesso a esse importantíssimo e famoso livro que possibilita um verdadeiro conhecimento e amor à Santíssima Virgem e uma perfeita devoção, de grande utilidade para a salvação das almas. Dividiremos o livro em partes, para um melhor acompanhamento. Começaremos com o prefácio, escrito pelo Padre F.W.Faber.
Boa leitura!
Foi em 1846 ou 1847, em São Wilfrido, que estudei pela primeira vez a vida e o espírito do venerável Grignion de Montfort. Hoje, mais de quinze anos depois, posso dizer que aqueles que o tomam por mestre, dificilmente acharão um santo ou um escritor ascético que mais lhes cative a inteligência por sua graça e seu espírito. Não o podemos ainda chamar santo; porém o processo de sua beatificação está tão propiciamente adiantado que não devemos ter muito que esperar para vê-lo colocado em nossos altares.
Poucos homens, no século XVIII, trazem em si mais fortemente gravados os sinais do homem da Providência, do que esse novo Elias, missionário do Espírito Santo e de Maria Santíssima. Toda a sua vida foi uma tal manifestação da santa loucura da cruz, que os seus biógrafos são concordes em classificá-lo com São Simeão Salus e São Filipe Néri. Clemente XI fê-lo missionário apostólico em França, para que ele empregasse a vida em combater o jansenismo, tão cheio de perigo para a salvação das almas. Será difícil achar, depois das epístolas dos apóstolos, palavras tão ardentes como as doze páginas da sua "Prece" pelos missionários de sua Companhia.1 Recomendo-a a os que encontram dificuldade em conservar, no meio de numerosas provações, o fogo primitivo do amor pela salvação das almas. Grignion de Montfort era ao mesmo tempo perseguido e venerado em toda parte. A soma de seus trabalhos é, como a de Santo Antônio de Pádua, verdadeiramente incrível e inexplicável. Escreveu alguns trabalhos espirituais, que embora conhecidos há pouco tempo, já têm exercido influência notável na Igreja, e estão chamados a influência muito maior no futuro. Suas prédicas, seus escritos, sua conversação eram impregnados de profecias e de visões antecipadas das últimas eras da Igreja.
Novo São Vicente Ferrer, adianta-se, como se estivesse nos dias precursores do juízo final, e proclama-se portador, da parte de Deus, de uma mensagem utêntica: mais honra, conhecimento mais vasto, amor mais ardente a Maria Santíssima, e anuncia a união íntima que ela terá com o segundo advento de seu Filho.
Fundou duas Congregações religiosas, uma de homens, outra de mulheres, ambas muito prósperas. E, entretanto, morreu com 43 anos, em 1716, tendo apenas dezesseis anos de sacerdócio.
A 12 de maio de 1853, foi promulgado, em Roma, o decreto que declara os seus escritos isentos de todo erro que pudesse servir de obstáculo à sua canonização. Neste trabalho sobre a verdadeira devoção à Santíssima Virgem, escreveu ele estas palavras proféticas: "Vejo claramente no futuro animais frementes que se precipitam com furor para estraçalhar com os dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem se serviu o Espírito Santo para escrevê-lo; ou para sepultá-lo, ao menos, no silêncio de um armário, a fim de que não veja a luz". Apesar disso, prediz, ao mesmo tempo, a aparição e o sucesso do livro. Cumpriu-se tudo à risca. O autor morrera em 1716, e só em 1832 foi descoberto, como por acaso, este tratado, por um dos sacerdotes da sua Congregação, em Saint-Laurent-sur-Sèvre. O superior de então pôde atestar que o manuscrito era do venerável fundador e o autógrafo foi enviado a Roma, a fim de ser examinado no processo de canonização. Com certeza, os que vão ler este livro já amam a Deus e desejariam amá-lo ainda mais; todos desejam alguma coisa para a sua glória: a propagação de uma boa obra, a vinda de melhores tempos, o sucesso de uma devoção; um empregou durante anos todos os esforços para vencer um defeito particular e não o conseguiu; outro tem pedido com lágrimas a conversão de seus pais e amigos, e está admirado de que, apesar de suas lágrimas, tão poucos dentre eles se tenham convertido à fé; este se entristece por não ter bastante devoção; aquele se aflige, por ter que carregar uma cruz que lhe parece muito pesada para a sua fraqueza, enquanto outro encontra no seio da família perturbações e infelicidades domésticas que lhe parecem incompatíveis com a obra de sua salvação; e para todas essas tristezas a oração parece trazer tão pouco alivio! Qual é, pois, o remédio que lhes falta? Qual o remédio indicado pelo próprio Deus? É, segundo as revelações dos santos, uma dilatação imensa da devoção à Santíssima Virgem; mas, reflitamos bem, o imenso não admite restrições nem limites.
Aqui, na Inglaterra, Nossa Senhora não é bastante pregada e conhecida. A devoção que lhe consagram é fraca, escassa, mesquinha, transviada pelos escárnios da heresia. Dominada pelo respeito humano e pela prudência carnal, desejaria fazer da verdadeira Maria uma Maria tão pequena que os protestantes se pudessem sentir à vontade junto dela. Sua ignorância da teologia tira a Maria toda a vida e dignidade; ela não é, como deve ser; o caráter saliente da nossa religião; não tem fé em si mesma. E é por esta razão que Jesus não é amado, que os hereges não são convertidos, que a Igreja não é exaltada; almas que poderiam ser santas, desfalecem e degeneram; os sacramentos não são
freqüentados como o deveriam ser; as almas não são evangelizadas com o entusiasmo do zelo apostólico; Jesus não é conhecido, porque Maria é deixada no esquecimento; perecem milhares de almas, porque Maria delas está distante. É esta sombra indigna e miserável, à qual ousamos dar o nome de devoção à Santíssima Virgem, que é a causa de todas estas misérias, de todos estes males, de todas estas omissões, de toda esta tibieza. Entretanto, segundo as revelações dos santos, quer Deus expressamente uma devoção mais vasta, mais extensa, mais sólida, uma devoção muito diferente da atual, para com sua Mãe santíssima. Sou de opinião que não há obra mais excelente, mais eficaz para se conseguir este fim, do que a simples propagação desta devoção particular do venerável Grignion de Montfort. Basta apenas que uma, pessoa experimente para si esta devoção; em breve, a surpresa que lhe causarão as graças que ela traz consigo, assim como as transformações que produzirá em sua alma, convencê-la-ão de sua eficácia, quase incrível aliás, como meio para conseguir a salvação das almas e a vinda do reino de Jesus Cristo! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, não haveria frieza para Jesus! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, quão mais admirável seria nossa fé, como seriam diferentes as nossas comunhões! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, quanto mais felizes, mais santos, menos mundanos seríamos, como nos tornaríamos imagens vivas de Nosso Senhor e Salvador, seu diletíssimo e diviníssimo Filho!Eu mesmo traduzi o tratado todo, o que me deu muito trabalho; e fui escrupulosamente fiel. Tomo ao mesmo tempo a liberdade de avisar o leitor de que com uma só leitura do livro não o poderá compreender a fundo. Acha-se neste livro, se assim ouso dizer, o sentimento de um não sei quê de inspirado e sobrenatural, que vai sempre em aumento, à medida que nos aprofundamos em seu estudo. Além disto, não se pode deixar de experimentar, depois
de lê-lo repetidas vezes, que nele a novidade parece nunca envelhecer, a plenitude nunca diminuir, o fresco perfume e o fogo sensível da unção nunca se dissipar ou enfraquecer.
Digne-se o Espírito Santo, o divino Zelador de Jesus e de Maria, conceder uma nova benção a esta obra na Inglaterra; queira ele consolar-nos dentro em breve com a canonização desse novo apóstolo e ardente missionário de sua Esposa diletíssima e imaculada, e mais ainda pelo pronto despontar dessa gloriosa era da Igreja que deve ser a gloriosa era de Maria.
F.W.FABER
Sacerdote do Oratório
No dia da apresentação de Nossa Senhora. 1862.
Sacerdote do Oratório
No dia da apresentação de Nossa Senhora. 1862.
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
segunda-feira, 11 de março de 2013
A Virgem Santíssima esmaga a cabeça do dragão enganador - São Luís Maria de Montfort
«Quando São Domingos pregava o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demónio; parece que mais de doze mil pessoas tinham vindo de propósito para ouvi-lo pregar. Os demónios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles disseram que:
1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;
2 - continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário, impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que os demónios mais odiavam em todo o Mundo, isto por causa das almas que ele lhes arrancou através da devoção do Santo Rosário.
Revelaram então várias outras coisas.
São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demónios lhe dissessem quem, de todos os santos dos Céus, eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens.
Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível, graças ao qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo...e então disseram: " Domingos, nós imploramos-te, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos da Sua Mãe e de todos os santos, deixa-nos sair deste corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão à tua pergunta a qualquer momento...
São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade.
Mal tinha terminado de rezar, viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava, e disse:" Responde ao meu servo Domingos imediatamente" .
Então os demónios começaram a gritar: " Ó vós, que sois a nossa inimiga, a nossa ruína e a nossa destruição, por que é que desceste do Céu só para nos torturar tão cruelmente? Ó, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das armadilhas que levam ao inferno, vós que sois o caminho seguro para o Céu, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa da nossa vergonha e da nossa ruína? Ó, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e pode salvar os seus servos de caírem no Inferno; Ela é o Sol que destrói a escuridão da nossa astúcia e subtileza; É ela quem descobre os nossos planos ocultos, quebra as nossas armadilhas e faz com que as nossas tentações sejam inúteis e sem efeito.
Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada junto a nós; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.
Nós a tememos mais que a todos os santos juntos nos Céus e não temos nenhum sucesso com os seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam à hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos pela sua intercessão.
Ó, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamavam) não se tivesse oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; além disso, teríamos feito com que todas as Congregações da Igreja caíssem no erro e na desordem. Agora, que somos forçados a falar, também lhes diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para os seus servos a graça da verdadeira contrição pelos seus pecados e, por meio do santo rosário, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus”.»
Trecho de "O segredo admirável do Santo Rosário para converter-se e salvar-se", São Luís Maria de Montfort.
Créditos: Católicos Tradicionais/O Segredo do Rosário
sexta-feira, 8 de março de 2013
Há algum perigo em procurar obter Dons Extraordinários?
“Os Dons Extraordinários não devem ser temerariamente pedidos, nem deles devem presunçosamente ser esperados frutos de obras apostólicas”
(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33)
♣ Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Grupos Pentecostais e Carismáticos; sem levar em conta a ação imprudente e generalizada de doutrinas opostas à Doutrina Católica, os perigos que daí podem resultar, e, a legalização disseminada e incentivada dos vários vícios do espírito.
♣ A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamente aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clareza e objetividade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicional exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).
A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:
► “... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses favores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspireis a isso.
Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e reverenciado, não convém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, porque é falta de humildadedesejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se comporta...E julgo que eles (os favores sobrenaturais) nunca ocorrerão, uma vez que o Senhor, antes de conceder essas Graças, dá um grande conhecimento próprio. E como entenderá sinceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não estar no Inferno?
Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o haver. O Demônio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embustes. Em terceiro, porque a própria imaginação, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.
Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje escolher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Senhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fazer a Sua Vontade. E, em quinto,julgais que são poucos os sofrimentos padecidos por aqueles a quem o Senhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se seríeis pessoas para padecê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ganhar, perdereis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos filhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).
Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não desejar senão o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos errar, se com determinação da vontade, agirmos sempre assim”(S. Teresa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).
► E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: “... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso – , para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar daqui e levantar o espírito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são dados, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desamparada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humildade, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Virtude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de soberba querermos ir além disso, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso significa logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).
► “Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por vencido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imitavam as virtudes. As virtudes, mas não os êxtases: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obediência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bondade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávila, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).

O Doutor Místico admiravelmente ensina:
► “Alguns espirituais julgam-se seguros, tendo por boa a curiosidade que às vezes mostram, procurando conhecer o futuro por via sobrenatural: pensam ser justo e agradável a Deus usar deste meio, porque algumas vezes o Senhor se digna responder-lhes. Embora seja verdade que Deus assim faça, longe de gostar desse modo de agir, muito se aborrece, e se tem por grandemente ofendido. A razão disso é: a nenhuma criatura é lícito sair dos limites naturais prescritos por Deus e ordenado para seu governo. Ora, Deus submeteu o homem às Leis Naturais e Racionais: pretender infringi-las, querendo chegar ao conhecimento por meio sobrenatural, é sair desses limites: não é permitido fazê-lo sem a Deus desgostar, pois as coisas ilícitas ofendem-No. Esta verdade era bem conhecida ao rei Acab, quando, ordenando-lhe Deus pelo Profeta Isaías que pedisse um Sinal do Céu, não o quis pedir, dizendo: ‘Não pedirei e não tentarei o Senhor’(Is. 7, 12). Porque tentar a Deus é querer comunicar-se com Ele por vias extraordinárias, como são as (vias) sobrenaturais...
Querer conhecer coisas sobrenaturalmente é pior ainda do que desejar gostos espirituais pelo sentido, não sei como a alma com essa pretensão poderá deixar de pecar, ao menos venialmente, por melhores que sejam seus fins e por mais perfeição que tenha.O mesmo digo de quem a mandasse, ou consentisse em usar daquele meio sobrenatural (esta via é muito usada e incitada a ser usada). Não há motivo algum para recorrer a tais meios extraordinários: temos a nossa Razão Natural, a Lei e a Doutrina Evangélica, pelas quais mui suficientemente nos podemos reger; não existe dificuldade ou necessidade que não se possa resolver ou remediar por esses meios comuns, mais agradáveis a Deus e proveitoso às almas.Tão grande é a importância de nos servirmos da Razão e Doutrina Evangélica, que, mesmo no caso de recebermos algo por via sobrenatural – só devemos admiti-lo quando é conforme a Razão e aos Ensinamentos do Evangelho. Ainda assim, é preciso recebê-lo, não por ser revelação, mas por ser segundo a Razão, deixando de lado todo o seu aspecto sobrenatural; mais ainda: convém considerar e examinar aquela razão com atenção maior do que se não houvesse revelação particular, pois muitas vezes o Demônio diz coisas verdadeiras e futuras, muito razoáveis, para enganar as almas.
... Acrescento apenas ser perigosíssimo – muito mais do que saberia explicar – querer alguém tratar com Deus por vias sobrenaturais; não deixará de errar muito, achando-se extremamente confundido todo aquele que se afeiçoar a tais meios. Aliás, a própria experiência obriga-lo-á a reconhecer esta verdade. Além da dificuldade para não cair em erro, nessas palavras e visões de Deus, há, ordinariamente, entre as verdades, muitas do Demônio. Costuma o espírito maligno disfarçar-se sob o mesmo aspecto em que Deus se manifesta à alma, misturando coisas muito verossímeis às comunicadas pelo Senhor. Deste modo, vai o Inimigo se metendo qual lobo entre o rebanho, disfarçado em pele de ovelha, e dificilmente se deixa perceber. Como diz palavras muito verdadeiras, conforme a razão e certas, quando se realizam, nelas é fácil enganar-se a alma, atribuindo-as a Deus, somente porque os fatos demonstraram a sua veracidade...
... É este o motivo de Deus se desgostar contra os que as admitem, porque para estes é Temeridade, Presunção e Curiosidade, expor-se ao perigo que daí resulta. É deixar crescer o Orgulho, raiz e fundamento da Vanglória, Desprezo das coisas Divinas, e Princípio de numerosos males em que caíram muitas almas. Excitam a tal ponto a Indignação do Senhor essas almas, que Ele propositadamente as deixa cair em erro e cegueira e na obscuridade do espírito: abandonam, assim, os caminhos ordinários da vida espiritual, para satisfazerem suas Vaidades e Fantasias, segundo Isaías diz: ‘O Senhor difundiu entre eles um espírito de vertigem’(19, 14), isto é, espírito de revolta e confusão, ou para falar claramente: espírito que entende tudo ao revés. Vai ali o Profeta declarando as palavras bem ao nosso propósito, referindo-se aos que procuram conhecer os Mistérios do futuro por via sobrenatural. Deus, disse ele, lhes envia um espírito de vertigem, não porque queira efetivamente lançá-los no erro, mas porque eles quiseram intrometer-se em coisas acima de seu alcance. Por este motivo é que o Senhor, desgostado, deixou-os errar, não lhes dando luz nesses caminhos impenetráveis, onde não deviam entrar. E assim, diz Isaías, Deus enviou-lhes aquele espírito privadamente, isto é, daquele dano tornou-se Deus a causa privativa, que consiste em tirar, tão deveras, sua Luz e Graça que necessariamente as almas venham a cair no erro.
O Senhor, deste modo, concede ao Demônio permissão para enganar e cegar grande número de pessoas merecedoras desse castigo por seus pecados e atrevimentos.Fortalecido por esse poder, o Inimigo leva a melhor: essas almas assim o aceitam como bom espírito e dão crença às sugestões dele com tanta convicção que, ao ser-lhes apresentada mais tarde a Verdade, já não é possível desiludi-las, pois, já as dominou, por permissão Divina, aquele espírito de entender tudo ao revés. Assim aconteceu aos profetas do rei Acab. Deus abandonou-os ao espírito de mentira, dando licença ao Demônio para enganá-los, dizendo: ‘Tu o enganarás, e prevalecerás: vai e faze-o assim’(I Rs. 22, 22). Efetivamente, foi tão poderosa a ação diabólica sobre o rei e os profetas que recusaram dar crédito à predição de Miquéias, anunciando-lhes a verdade muito ao contrário do que os outros a haviam profetizado.Deus deixou-os cair na cegueira por causa da presunção e do apetite com que desejaram receber uma resposta em harmonia com as suas inclinações; só isto era disposição e meio certíssimo para precipitá-los propositadamente na cegueira e na ilusão...”(S. João da Cruz, “Subida do Monte Carmelo”, Liv. II, Cap. XXI; cfr. Capítulos XXII, XXXVII, 6-7, XXIX, XXX, 6-7; Liv. III, Cap. IX, 4 – Cap. X, 3).

O Fundador dos Sacramentinos assim ensina:
► “Ah! Não sejamos do número dessas pobres almas! Não desprezemos os favores sensíveis de Deus, mas não os procuremos tão pouco. Devemos nos afeiçoar somente a Jesus, e não às suas consolações, às suas Graças: elas passam, só Ele permanece! Deus as concede às almas fracas, a fim de animá-las, atraí-las, como faz uma mãe que dá aos filhos doçuras e carícias.
Houve Santos que tiveram êxtases, mas quanto sofreram, quanto foram provados! Essas Graças supõem a santidade, não a fazem. Deus lhas concedia de tempos em tempos; eram a recompensa de seus sofrimentos e Deus agia assim para estimulá-los a sofrer mais ainda por seu amor. Santa Teresa temia de tal forma essas Graças que, ao sentir-se levantada da terra, precipitava-se contra o solo”(S. Pedro Julião Eymard; “A Santíssima Eucaristia”, Vol. V, fevereiro: Festa da Purificação de Maria).

O Fundador dos Monfortinos assim exorta:
► “Você deve ser bem cuidadoso em não fazer coisa alguma fora do normal; não procure, nem mesmo deseje conhecer coisas extraordinárias, visões, revelações ou Graças miraculosas, que Deus Todo-Poderoso comunicava às vezes a alguns Santos... ‘Só a Fé é suficiente’: só a Fé basta para nós, agora que os Santos Evangelhos e todas as Devoções e as práticas Piedosas estão firmemente estabelecidas”(S. Luís Mª Grignion de Montfort, “O Segredo Admirável do Rosário”, 47ª Rosa). E em outro lugar disse:
► “... Não vos peço visões ou revelações, ou gozos, ou prazeres, nem mesmo espirituais. É privilégio Vosso...”(“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Apêndice: Oração a Maria, para seus fiéis escravos). Ainda em outro lugar:
► “Por isso, enquanto que seus irmãos e irmãs trabalham muitas vezes para o exterior com mais entusiasmo, habilidade e sucesso, recebendo os louvores e aprovações do mundo, eles sabem, pela luz do Espírito Santo, que há muito mais glória, bem e prazer em permanecer oculto no reconhecimento com Jesus Cristo, seu Modelo, numa submissão inteira e perfeita a sua Mãe,do que em realizar, por si próprio, maravilhas naturais e da Graça no mundo, como tantos Esaús e Réprobos... Quanto mais, portanto, ganhardes a benevolência desta Princesa e Virgem fiel, tanto mais profunda Fé tereis em toda a vossa conduta: uma Fé pura, que vos levará à despreocupação por tudo que é sensível e extraordinário...”(“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, NN. 196, 214).

A Maior Santa dos Tempos Modernos assim nos ensina:
► “Um dia, no Céu, teremos prazer em falar de nossas gloriosas provações. Mas, não nos sentimos, desde já, felizes de tê-las sofrido? ... Sim, os três anos de martírio de papai se me apresentam como os mais amáveis, os mais frutuosos de nossa vida. Não os daria em troca de todos os êxtases e revelações dos Santos... Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir Milagre”(S. Teresinha do Menino Jesus, “História de uma Alma”, Manuscrito “A”, Cap. VII; Cap. III). E, em outro lugar diz:
► “... Não creias que esteja a nadar em consolações. Oh! Não! Minha consolação é não ter nenhuma na terra”(“Manuscrito “B”, Cap. IX).
► “Falando alguém a Santa Teresinha, quase nas vésperas de sua morte, sobre as Consolações Espirituais e Revelações, perguntou-lhe se essas Graças não a seduziam, respondeu a Santa: ‘Oh! Não, absolutamente; não desejo ver a Deus nesta vida, e, contudo, amo-O tanto!’(“Novíssima Verba”, 14 de setembro). ‘A minha pequenina via é de não desejar ver coisa alguma; sabeis muito bem que eu cantei: Que não desejei aqui na terra ver a Ti, ó Jesus, lembra-Te’(Poesia: “Lembra-Te)...
Disseram à nossa Santinha, que os Anjos a viriam assistir à hora da morte, acompanhando a Nosso Senhor, e que ela os contemplaria resplandecentes de luz e de beleza, disse ela:‘Todas essas representações, não me fazem bem algum. Só a Verdade me alimenta. É por isso que nunca desejei visões. Não podemos ver na terra o Céu, nem os Anjos tais como são. Prefiro esperar a Visão Eterna’(“Novíssima Verba”, 5 de agosto)”(R. Pe. Ascânio Brandão, “A Via da Infância Espiritual na Escola de Santa Teresinha”).

O Doutor Infalível (segundo o Beato Pio IX), admoesta nestes termos:
► “Viram-se em nossa época várias pessoas que acreditavam elas mesmas, e cada um com elas, que fossem muito freqüentemente arrebatadas divinamente em êxtase; e, todavia, afinal se descobria que aquilo eram apenas ilusões e divertimentos diabólicos. Um certo Padre do tempo de S. Agostinho entrava em êxtase sempre que queria, cantando ou fazendo cantar certas árias lúgubres e lamentosas (cantos fúnebres), e isso só para contentar a curiosidade dos que desejavam ver esse espetáculo. Mas o que é admirável, é que o êxtase dele ia tão longe, que ele nem sequer sentia quando lhe aplicavam fogo, a não ser depois que voltava a si; e, não obstante, se alguém falava um pouco forte e em voz clara, ele o ouvia como de longe, e não tinha nenhuma respiração... É por isso que não nos devemos admirar se, para arremedar, para enganar as almas, para escandalizar os fracos e se ‘transformar em Anjo de luz’(II Cor. 11, 14), o espírito maligno opera arroubos em algumas (almas) pouco solidamente instruídas na Verdadeira Piedade. A fim, pois, de que se possam discernir os êxtases Divinos dos humanos e diabólicos, os Servos de Deus deixaram vários documentos”(S. Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. VII, Cap. VI).

São Pio de Pietrelcina
“Os inimigos do sobrenatural e do maravilhoso, que são uma legião, devem certamente encolher os ombros e irão considerar este incidente como pura fantasia. Eu próprio hesitaria em repeti-lo, se o jovem frade não tivesse afirmado a sua autenticidade numa carta dirigida a uma religiosa em 1918:
'Que Jesus habite sempre no nosso coração, nos livre de todo o mal e nos conceda uma completa vitória sobre o nosso inimigo comum.
O desejo de me ver e de me falar de tantas coisas do Senhor é louvável: não receie com isso ofender a vontade de Deus. No entanto, devo preveni-la para não ceder ao desejo de me voltar a ver mesmo de uma forma milagrosa, porque isso seria muito perigoso. Quando semelhante desejo nascer na sua alma, expulse-o imediatamente. O Diabo, minha irmã, é um grande professor de iniquidade. Ele sabe bem como há de fazer e pode enganá-la com qualquer ilusão. É realmente incrível, mas esse miserável renegado sabe mesmo disfarçar-se de capuchinho e sabe muito bem manter o seu papel. Acredite na palavra de alguém que sabe isso por experiência. Isso bastará para a esclarecer, porque receio já ter falado demais sobre este assunto'”(Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., “Frei Pio, Testemunha privilegiada de Cristo”, pp. 22-23, edição brasileira, 1995).
Outros Testemunhos:
► “Orações e Graças extraordinárias seriam seriamente suspeitas numa alma que fugisse do sacrifício e da abnegação. Seria uma vítima de ilusões digna de lástima.
Na vida espiritual há enormes obstáculos que só a mortificação remove. Pois não disse Jesus: ‘Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, carregue a sua cruz, dia a dia, e siga-Me?’(S. Luc. 9, 23). E a Imitação de Cristo dí-lo claramente: ‘Aproveitarás na medida que te fizeres violência’(I, 25, 11). Sem mortificação e abnegação não há salvação, muito menos santidade. Mas se Deus destina uma alma a maior perfeição e graças excepcionais, irá conduzi-la pelas veredas ásperas da Cruz até ao aniquilamento”(R. Pe. Leo Kohler, S. J., “Vida do Pe. João Batista Réus da Companhia de Jesus”, P. 119, 5ª Edição, 1956).
► "Diz São Paulo, em 2 Tim. 3, 6-9, que as revelações particulares e as fórmulas mágicas têm sucesso entre as mulheres, facilmente impressionáveis pelo extraordinário e sensacional (1 Tim. 4, 7)"(R. Pe. Afonso Rodrigues, S. J., Th. et Ph. Doctor, "Vocabulário das Almas Pequeninas", Apresentação, nº 4).
► "Alguns irmãos foram ter com o Abade Antão para contar-lhe visões que tinham tido, e dele saber se eram genuínas ou demoníacas. Ora, eles tinham um asno, que morreu pelo caminho. Quando, pois, chegaram à cela do ancião, este, antecipando-os, perguntou-lhes: 'Como morreu o vosso burrinho pela estrada?' Interrogaram-no: 'Donde o sabes, Abade?' Este lhes respondeu: 'Os Demônios mostraram-mo'. Disseram-lhe então: 'Por isto viemos perguntar-te, a fim de que não nos enganemos: temos visões, as quais muitas vezes correspondem à realidade'. Ora, o ancião convenceu-os, pelo exemplo do asno, de que eram visões diabólicas"(J. P. Migne, "Patrologia Graeca", T. 65, Colunas 71-440; traduzido do original grego pelo R. Pe. Estêvão T. Bettencourt, O.S.B., sob o título "Apoftegmas − A Sabedoria dos Antigos Monges", Cap. "Letra Alfa", p. 13, Edições "Lumen Christi", Coleção "Fontes da Vida Religiosa" −Vol. 5, 1979).
Conclusão

Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius
(Roma, c.475/480 - Ticino, 524)
“Por isso, disse sabiamente o Filósofo Cristão e Mártir de Cristo, Boécio: ‘Que não desejar, nem temer, uma alma, coisa alguma, é desarmar nossos inimigos; e pelo contrário, quem têm cobiça de algum bem e receio do mal oposto, desses desejos e temores forma uma cadeia, com que é preso e arrastado’(De Conf. Philof. Metr. 3). Importa atender às luzes e moções da Graça; porque é esta a que nos fortalece contra as tentações, e nos descobre a mentira do Demônio, a torpeza do vício e as falácias da natureza, e é o único jugo que pode amansar suavemente a rebeldia do nosso Livre Arbítrio”(Ven. Pe. Manuel Bernardes, Orator., “Luz e Calor”, I Part., Doutrin. III).
(Const. Dogmát. “Lumen Gentium”, nº 33)
♣ Ora, é exatamente o contrário, o que estão ensinando nesses Grupos Pentecostais e Carismáticos; sem levar em conta a ação imprudente e generalizada de doutrinas opostas à Doutrina Católica, os perigos que daí podem resultar, e, a legalização disseminada e incentivada dos vários vícios do espírito.
♣ A Doutrina exposta a seguir, de S. João da Cruz e de S. Teresa, não se refere diretamente aos Carismas Extraordinários tratados até aqui, e sim a outros, mas a sua clareza e objetividade dizem o que deve ser dito sobre estes, com nítida ressonância à Doutrina Tradicional exposta até aqui, além de lançarem luzes onde o conhecimento ordinário se dispersa (n. c.).
A Doutora e Mestra dos Espirituais assim ensina:
► “... quando souberdes ou ouvirdes dizer que Deus concede esses favores às almas, nunca Lhe supliqueis que vos leve por esse caminho, nem aspireis a isso.
Ainda que tal caminho vos pareça muito bom, devendo ser apreciado e reverenciado, não convém agir assim por algumas razões. Em primeiro lugar, porque é falta de humildadedesejar o que nunca merecestes; portanto, creio que não a tem muita quem assim se comporta...E julgo que eles (os favores sobrenaturais) nunca ocorrerão, uma vez que o Senhor, antes de conceder essas Graças, dá um grande conhecimento próprio. E como entenderá sinceramente quem alimenta tais ambições, que já recebe grande misericórdia em não estar no Inferno?
Em segundo lugar, porque é muito fácil haver engano, ou risco de o haver. O Demônio não precisa senão de uma porta aberta para armar mil embustes. Em terceiro, porque a própria imaginação, quando há um grande desejo, leva a pessoa a acreditar que vê e ouve aquilo que deseja, tal como os que, querendo uma coisa durante o dia e pensando muito sobre isso, sonham com ela à noite.
Em quarto lugar, porque é extremo atrevimento que eu deseje escolher um caminho, já que não sei qual o melhor. Pelo contrário, devo deixar que o Senhor, que me conhece, me leve por aquele que me convém, para em tudo fazer a Sua Vontade. E, em quinto,julgais que são poucos os sofrimentos padecidos por aqueles a quem o Senhor concede essas Graças? Não, são imensos e se manifestam de diversas maneiras. E sabeis vós se seríeis pessoas para padecê-los? Por último, porque talvez por aí mesmo onde pensais ganhar, perdereis – como ocorreu a Saul, por ser rei (as razões 5ª e 6ª aludem ao episódio dos filhos de Zebedeu – S. Mat. 20, 20-22, - e à conduta de Saul – I Rs. 15, 10-11; cfr. Mor. VI, Cap. 11, 11 e Mor. V, Cap. 3, 2).
Enfim, irmãs, além dessas há outras. Crede-me que o mais seguro é não desejar senão o que Deus deseja, pois Ele nos conhece e nos ama mais do que nós mesmos. E não poderemos errar, se com determinação da vontade, agirmos sempre assim”(S. Teresa de Jesus, Mor. VI, Cap. 9, 14-16; cfr. Mor. IV, Cap. 2, 9; Liv. da Vida, Cap. XII, 1. 4. 7).
► E, em outro lugar, ensinando sobre o 1º grau de Oração diz: “... É muito bom, que uma alma que só chegou até aqui, graças ao Senhor, não procure ir além por si (mesma) – e muito se atente para isso – , para que não obtenha, em vez de lucro, prejuízo... Quem quiser passar daqui e levantar o espírito a sentir gostos (sobrenaturais), que não lhe são dados, perde, a meu ver, tudo. Os gostos são sobrenaturais e, perdido o entendimento, a alma fica desamparada e com muita aridez. E como esse edifício tem a sua fundação na humildade, quanto mais próximos de Deus estivermos, tanto maior deverá ser essa Virtude, pois, se assim não for, tudo perderemos. E parece algum tipo de soberba querermos ir além disso, visto que Deus já faz em demasia, pelo que somos, ao permitir que nos aproximemos Dele... Torno a avisar que é muito importante ‘não elevar o espírito se o próprio Senhor não o eleva’ – o que isso significa logo se entende. Isso é especialmente ruim para mulheres, em que o Demônio poderá causar alguma ilusão...”(Liv. da Vida, Cap. XII,1. 4. 7).
► “Na Encarnação (n.c: Mosteiro) calara-se a hostilidade, o ceticismo dera-se por vencido; mais de 40 religiosas a seguiam nas vias de oração e lhe imitavam as virtudes. As virtudes, mas não os êxtases: bem se esforçava ela por convencer as outras religiosas de que se ganha o Céu mais pela obediência e pelo esquecimento de si próprio do que pelo desejo de Graças Sobrenaturais: raptos e êxtases provam a bondade de Deus, não as nossas perfeições”(Marcelle Auclair, “Santa Teresa de Ávila, a dama errante de Deus”, Cap. V, 1959).

O Doutor Místico admiravelmente ensina:
► “Alguns espirituais julgam-se seguros, tendo por boa a curiosidade que às vezes mostram, procurando conhecer o futuro por via sobrenatural: pensam ser justo e agradável a Deus usar deste meio, porque algumas vezes o Senhor se digna responder-lhes. Embora seja verdade que Deus assim faça, longe de gostar desse modo de agir, muito se aborrece, e se tem por grandemente ofendido. A razão disso é: a nenhuma criatura é lícito sair dos limites naturais prescritos por Deus e ordenado para seu governo. Ora, Deus submeteu o homem às Leis Naturais e Racionais: pretender infringi-las, querendo chegar ao conhecimento por meio sobrenatural, é sair desses limites: não é permitido fazê-lo sem a Deus desgostar, pois as coisas ilícitas ofendem-No. Esta verdade era bem conhecida ao rei Acab, quando, ordenando-lhe Deus pelo Profeta Isaías que pedisse um Sinal do Céu, não o quis pedir, dizendo: ‘Não pedirei e não tentarei o Senhor’(Is. 7, 12). Porque tentar a Deus é querer comunicar-se com Ele por vias extraordinárias, como são as (vias) sobrenaturais...
Querer conhecer coisas sobrenaturalmente é pior ainda do que desejar gostos espirituais pelo sentido, não sei como a alma com essa pretensão poderá deixar de pecar, ao menos venialmente, por melhores que sejam seus fins e por mais perfeição que tenha.O mesmo digo de quem a mandasse, ou consentisse em usar daquele meio sobrenatural (esta via é muito usada e incitada a ser usada). Não há motivo algum para recorrer a tais meios extraordinários: temos a nossa Razão Natural, a Lei e a Doutrina Evangélica, pelas quais mui suficientemente nos podemos reger; não existe dificuldade ou necessidade que não se possa resolver ou remediar por esses meios comuns, mais agradáveis a Deus e proveitoso às almas.Tão grande é a importância de nos servirmos da Razão e Doutrina Evangélica, que, mesmo no caso de recebermos algo por via sobrenatural – só devemos admiti-lo quando é conforme a Razão e aos Ensinamentos do Evangelho. Ainda assim, é preciso recebê-lo, não por ser revelação, mas por ser segundo a Razão, deixando de lado todo o seu aspecto sobrenatural; mais ainda: convém considerar e examinar aquela razão com atenção maior do que se não houvesse revelação particular, pois muitas vezes o Demônio diz coisas verdadeiras e futuras, muito razoáveis, para enganar as almas.
... Acrescento apenas ser perigosíssimo – muito mais do que saberia explicar – querer alguém tratar com Deus por vias sobrenaturais; não deixará de errar muito, achando-se extremamente confundido todo aquele que se afeiçoar a tais meios. Aliás, a própria experiência obriga-lo-á a reconhecer esta verdade. Além da dificuldade para não cair em erro, nessas palavras e visões de Deus, há, ordinariamente, entre as verdades, muitas do Demônio. Costuma o espírito maligno disfarçar-se sob o mesmo aspecto em que Deus se manifesta à alma, misturando coisas muito verossímeis às comunicadas pelo Senhor. Deste modo, vai o Inimigo se metendo qual lobo entre o rebanho, disfarçado em pele de ovelha, e dificilmente se deixa perceber. Como diz palavras muito verdadeiras, conforme a razão e certas, quando se realizam, nelas é fácil enganar-se a alma, atribuindo-as a Deus, somente porque os fatos demonstraram a sua veracidade...
... É este o motivo de Deus se desgostar contra os que as admitem, porque para estes é Temeridade, Presunção e Curiosidade, expor-se ao perigo que daí resulta. É deixar crescer o Orgulho, raiz e fundamento da Vanglória, Desprezo das coisas Divinas, e Princípio de numerosos males em que caíram muitas almas. Excitam a tal ponto a Indignação do Senhor essas almas, que Ele propositadamente as deixa cair em erro e cegueira e na obscuridade do espírito: abandonam, assim, os caminhos ordinários da vida espiritual, para satisfazerem suas Vaidades e Fantasias, segundo Isaías diz: ‘O Senhor difundiu entre eles um espírito de vertigem’(19, 14), isto é, espírito de revolta e confusão, ou para falar claramente: espírito que entende tudo ao revés. Vai ali o Profeta declarando as palavras bem ao nosso propósito, referindo-se aos que procuram conhecer os Mistérios do futuro por via sobrenatural. Deus, disse ele, lhes envia um espírito de vertigem, não porque queira efetivamente lançá-los no erro, mas porque eles quiseram intrometer-se em coisas acima de seu alcance. Por este motivo é que o Senhor, desgostado, deixou-os errar, não lhes dando luz nesses caminhos impenetráveis, onde não deviam entrar. E assim, diz Isaías, Deus enviou-lhes aquele espírito privadamente, isto é, daquele dano tornou-se Deus a causa privativa, que consiste em tirar, tão deveras, sua Luz e Graça que necessariamente as almas venham a cair no erro.
O Senhor, deste modo, concede ao Demônio permissão para enganar e cegar grande número de pessoas merecedoras desse castigo por seus pecados e atrevimentos.Fortalecido por esse poder, o Inimigo leva a melhor: essas almas assim o aceitam como bom espírito e dão crença às sugestões dele com tanta convicção que, ao ser-lhes apresentada mais tarde a Verdade, já não é possível desiludi-las, pois, já as dominou, por permissão Divina, aquele espírito de entender tudo ao revés. Assim aconteceu aos profetas do rei Acab. Deus abandonou-os ao espírito de mentira, dando licença ao Demônio para enganá-los, dizendo: ‘Tu o enganarás, e prevalecerás: vai e faze-o assim’(I Rs. 22, 22). Efetivamente, foi tão poderosa a ação diabólica sobre o rei e os profetas que recusaram dar crédito à predição de Miquéias, anunciando-lhes a verdade muito ao contrário do que os outros a haviam profetizado.Deus deixou-os cair na cegueira por causa da presunção e do apetite com que desejaram receber uma resposta em harmonia com as suas inclinações; só isto era disposição e meio certíssimo para precipitá-los propositadamente na cegueira e na ilusão...”(S. João da Cruz, “Subida do Monte Carmelo”, Liv. II, Cap. XXI; cfr. Capítulos XXII, XXXVII, 6-7, XXIX, XXX, 6-7; Liv. III, Cap. IX, 4 – Cap. X, 3).

O Fundador dos Sacramentinos assim ensina:
► “Ah! Não sejamos do número dessas pobres almas! Não desprezemos os favores sensíveis de Deus, mas não os procuremos tão pouco. Devemos nos afeiçoar somente a Jesus, e não às suas consolações, às suas Graças: elas passam, só Ele permanece! Deus as concede às almas fracas, a fim de animá-las, atraí-las, como faz uma mãe que dá aos filhos doçuras e carícias.
Houve Santos que tiveram êxtases, mas quanto sofreram, quanto foram provados! Essas Graças supõem a santidade, não a fazem. Deus lhas concedia de tempos em tempos; eram a recompensa de seus sofrimentos e Deus agia assim para estimulá-los a sofrer mais ainda por seu amor. Santa Teresa temia de tal forma essas Graças que, ao sentir-se levantada da terra, precipitava-se contra o solo”(S. Pedro Julião Eymard; “A Santíssima Eucaristia”, Vol. V, fevereiro: Festa da Purificação de Maria).

O Fundador dos Monfortinos assim exorta:
► “Você deve ser bem cuidadoso em não fazer coisa alguma fora do normal; não procure, nem mesmo deseje conhecer coisas extraordinárias, visões, revelações ou Graças miraculosas, que Deus Todo-Poderoso comunicava às vezes a alguns Santos... ‘Só a Fé é suficiente’: só a Fé basta para nós, agora que os Santos Evangelhos e todas as Devoções e as práticas Piedosas estão firmemente estabelecidas”(S. Luís Mª Grignion de Montfort, “O Segredo Admirável do Rosário”, 47ª Rosa). E em outro lugar disse:
► “... Não vos peço visões ou revelações, ou gozos, ou prazeres, nem mesmo espirituais. É privilégio Vosso...”(“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Apêndice: Oração a Maria, para seus fiéis escravos). Ainda em outro lugar:
► “Por isso, enquanto que seus irmãos e irmãs trabalham muitas vezes para o exterior com mais entusiasmo, habilidade e sucesso, recebendo os louvores e aprovações do mundo, eles sabem, pela luz do Espírito Santo, que há muito mais glória, bem e prazer em permanecer oculto no reconhecimento com Jesus Cristo, seu Modelo, numa submissão inteira e perfeita a sua Mãe,do que em realizar, por si próprio, maravilhas naturais e da Graça no mundo, como tantos Esaús e Réprobos... Quanto mais, portanto, ganhardes a benevolência desta Princesa e Virgem fiel, tanto mais profunda Fé tereis em toda a vossa conduta: uma Fé pura, que vos levará à despreocupação por tudo que é sensível e extraordinário...”(“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, NN. 196, 214).

A Maior Santa dos Tempos Modernos assim nos ensina:
► “Um dia, no Céu, teremos prazer em falar de nossas gloriosas provações. Mas, não nos sentimos, desde já, felizes de tê-las sofrido? ... Sim, os três anos de martírio de papai se me apresentam como os mais amáveis, os mais frutuosos de nossa vida. Não os daria em troca de todos os êxtases e revelações dos Santos... Não eram, pois, meus desejos que poderiam produzir Milagre”(S. Teresinha do Menino Jesus, “História de uma Alma”, Manuscrito “A”, Cap. VII; Cap. III). E, em outro lugar diz:
► “... Não creias que esteja a nadar em consolações. Oh! Não! Minha consolação é não ter nenhuma na terra”(“Manuscrito “B”, Cap. IX).
► “Falando alguém a Santa Teresinha, quase nas vésperas de sua morte, sobre as Consolações Espirituais e Revelações, perguntou-lhe se essas Graças não a seduziam, respondeu a Santa: ‘Oh! Não, absolutamente; não desejo ver a Deus nesta vida, e, contudo, amo-O tanto!’(“Novíssima Verba”, 14 de setembro). ‘A minha pequenina via é de não desejar ver coisa alguma; sabeis muito bem que eu cantei: Que não desejei aqui na terra ver a Ti, ó Jesus, lembra-Te’(Poesia: “Lembra-Te)...
Disseram à nossa Santinha, que os Anjos a viriam assistir à hora da morte, acompanhando a Nosso Senhor, e que ela os contemplaria resplandecentes de luz e de beleza, disse ela:‘Todas essas representações, não me fazem bem algum. Só a Verdade me alimenta. É por isso que nunca desejei visões. Não podemos ver na terra o Céu, nem os Anjos tais como são. Prefiro esperar a Visão Eterna’(“Novíssima Verba”, 5 de agosto)”(R. Pe. Ascânio Brandão, “A Via da Infância Espiritual na Escola de Santa Teresinha”).

O Doutor Infalível (segundo o Beato Pio IX), admoesta nestes termos:
► “Viram-se em nossa época várias pessoas que acreditavam elas mesmas, e cada um com elas, que fossem muito freqüentemente arrebatadas divinamente em êxtase; e, todavia, afinal se descobria que aquilo eram apenas ilusões e divertimentos diabólicos. Um certo Padre do tempo de S. Agostinho entrava em êxtase sempre que queria, cantando ou fazendo cantar certas árias lúgubres e lamentosas (cantos fúnebres), e isso só para contentar a curiosidade dos que desejavam ver esse espetáculo. Mas o que é admirável, é que o êxtase dele ia tão longe, que ele nem sequer sentia quando lhe aplicavam fogo, a não ser depois que voltava a si; e, não obstante, se alguém falava um pouco forte e em voz clara, ele o ouvia como de longe, e não tinha nenhuma respiração... É por isso que não nos devemos admirar se, para arremedar, para enganar as almas, para escandalizar os fracos e se ‘transformar em Anjo de luz’(II Cor. 11, 14), o espírito maligno opera arroubos em algumas (almas) pouco solidamente instruídas na Verdadeira Piedade. A fim, pois, de que se possam discernir os êxtases Divinos dos humanos e diabólicos, os Servos de Deus deixaram vários documentos”(S. Francisco de Sales, “Tratado do Amor de Deus”, Liv. VII, Cap. VI).

São Pio de Pietrelcina
“Os inimigos do sobrenatural e do maravilhoso, que são uma legião, devem certamente encolher os ombros e irão considerar este incidente como pura fantasia. Eu próprio hesitaria em repeti-lo, se o jovem frade não tivesse afirmado a sua autenticidade numa carta dirigida a uma religiosa em 1918:
'Que Jesus habite sempre no nosso coração, nos livre de todo o mal e nos conceda uma completa vitória sobre o nosso inimigo comum.
O desejo de me ver e de me falar de tantas coisas do Senhor é louvável: não receie com isso ofender a vontade de Deus. No entanto, devo preveni-la para não ceder ao desejo de me voltar a ver mesmo de uma forma milagrosa, porque isso seria muito perigoso. Quando semelhante desejo nascer na sua alma, expulse-o imediatamente. O Diabo, minha irmã, é um grande professor de iniquidade. Ele sabe bem como há de fazer e pode enganá-la com qualquer ilusão. É realmente incrível, mas esse miserável renegado sabe mesmo disfarçar-se de capuchinho e sabe muito bem manter o seu papel. Acredite na palavra de alguém que sabe isso por experiência. Isso bastará para a esclarecer, porque receio já ter falado demais sobre este assunto'”(Rev. Pe. Fr. Arni Decorte, F.M., “Frei Pio, Testemunha privilegiada de Cristo”, pp. 22-23, edição brasileira, 1995).
Outros Testemunhos:
► “Orações e Graças extraordinárias seriam seriamente suspeitas numa alma que fugisse do sacrifício e da abnegação. Seria uma vítima de ilusões digna de lástima.
Na vida espiritual há enormes obstáculos que só a mortificação remove. Pois não disse Jesus: ‘Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, carregue a sua cruz, dia a dia, e siga-Me?’(S. Luc. 9, 23). E a Imitação de Cristo dí-lo claramente: ‘Aproveitarás na medida que te fizeres violência’(I, 25, 11). Sem mortificação e abnegação não há salvação, muito menos santidade. Mas se Deus destina uma alma a maior perfeição e graças excepcionais, irá conduzi-la pelas veredas ásperas da Cruz até ao aniquilamento”(R. Pe. Leo Kohler, S. J., “Vida do Pe. João Batista Réus da Companhia de Jesus”, P. 119, 5ª Edição, 1956).
► "Diz São Paulo, em 2 Tim. 3, 6-9, que as revelações particulares e as fórmulas mágicas têm sucesso entre as mulheres, facilmente impressionáveis pelo extraordinário e sensacional (1 Tim. 4, 7)"(R. Pe. Afonso Rodrigues, S. J., Th. et Ph. Doctor, "Vocabulário das Almas Pequeninas", Apresentação, nº 4).
► "Alguns irmãos foram ter com o Abade Antão para contar-lhe visões que tinham tido, e dele saber se eram genuínas ou demoníacas. Ora, eles tinham um asno, que morreu pelo caminho. Quando, pois, chegaram à cela do ancião, este, antecipando-os, perguntou-lhes: 'Como morreu o vosso burrinho pela estrada?' Interrogaram-no: 'Donde o sabes, Abade?' Este lhes respondeu: 'Os Demônios mostraram-mo'. Disseram-lhe então: 'Por isto viemos perguntar-te, a fim de que não nos enganemos: temos visões, as quais muitas vezes correspondem à realidade'. Ora, o ancião convenceu-os, pelo exemplo do asno, de que eram visões diabólicas"(J. P. Migne, "Patrologia Graeca", T. 65, Colunas 71-440; traduzido do original grego pelo R. Pe. Estêvão T. Bettencourt, O.S.B., sob o título "Apoftegmas − A Sabedoria dos Antigos Monges", Cap. "Letra Alfa", p. 13, Edições "Lumen Christi", Coleção "Fontes da Vida Religiosa" −Vol. 5, 1979).
Conclusão

Anicius Manlius Torquatus Severinus Boetius
(Roma, c.475/480 - Ticino, 524)
“Por isso, disse sabiamente o Filósofo Cristão e Mártir de Cristo, Boécio: ‘Que não desejar, nem temer, uma alma, coisa alguma, é desarmar nossos inimigos; e pelo contrário, quem têm cobiça de algum bem e receio do mal oposto, desses desejos e temores forma uma cadeia, com que é preso e arrastado’(De Conf. Philof. Metr. 3). Importa atender às luzes e moções da Graça; porque é esta a que nos fortalece contra as tentações, e nos descobre a mentira do Demônio, a torpeza do vício e as falácias da natureza, e é o único jugo que pode amansar suavemente a rebeldia do nosso Livre Arbítrio”(Ven. Pe. Manuel Bernardes, Orator., “Luz e Calor”, I Part., Doutrin. III).
Créditos: Católicos Tradicionais e O Segredo do Rosário
quarta-feira, 6 de março de 2013
São Luis Maria Grignion de Montfort: "Quem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai "
29. Por meio de Maria, Deus Pai quer que aumente sempre o número de seus filhos, até a consumação dos séculos, e diz-lhes estas palavras: In Iacob inhabita – Habita em Jacob (Ecli 24, 13), isto é, faze tua morada e residência em meus filhos e predestinados, figurados por Jacob e não nos filhos do demônio e nos réprobos, que Esaú figura.
30. Assim como na geração natural e corporal há um pai e uma mãe, há, na geração sobrenatural, um pai que é Deus e uma mãe, Maria Santíssima. Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por pai, e Maria por mãe; e quem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai. Por isso, os réprobos, os hereges, os cismáticos, etc., que odeiam ou olham com desprezo ou indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disto se gloriem, pois não têm Maria por mãe. Se eles a tivessem por Mãe, haviam de amá-la e honrá-la, como um bom e verdadeiro filho ama e honra naturalmente sua mãe que lhe deu a vida.
O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herege, um cismático, um réprobo, de um predestinado, é que o herege e o réprobo ostentam desprezo e indiferença pela Santíssima Virgem [17] e buscam por suas palavras e exemplos, abertamente e às escondidas, às vezes sob belos pretextos, diminuir e amesquinhar o culto e o amor a Maria. Ah! Não foi nestes que Deus Pai disse a Maria que fizesse sua morada, pois são filhos de Esaú.
17) Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est ut teneat de Maria firmam fidem (São Boaventura, Psalter. maius B.V., Symbol. Instar Symboli Athanasii).
Fonte: São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
Créditos: Confraria de São João Batista e O Segredo de Maria
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
A Santa Escravidão de Amor
Para tornar-se santo , é preciso, pois, encontrar Maria, a Medianeira das Graças, e isto por uma “verdadeira devoção à Santa Virgem”

A dificuldade está, portanto , em saber encontrar verdadeiramente a divina Maria para encontrar toda graça adubante: Deus, sendo senhor absoluto, pode comunicar por si mesmo o que ordinariamente não comunica senão por Maria; não se pode negar, sem temeridade, que não o faça algumas vezes: no entanto, segundo a ordem que a divina Sabedoria estabeleceu, Ele não se comunica aos homens na ordem da graça senão por Maria, como diz São Tomás. É necessário para subir e unir-se a Ele usar o mesmo meio de que Ele se serviu para descer a nós, para se fazer homem e nos comunicar suas graças : e esse meio é uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem.
A SANTA ESCRAVIDÃO DE AMOR
Há diversas verdadeiras devoções a Maria
I. A devoção sem prática especial
A primeira consiste em cumprir os deveres de cristão, evitando o pecado mortal, agindo mais por amor que por temor, invocando de quando em vez a Santa Virgem e horando-a como Mãe de Deus, sem, no entanto, nenhuma devoção especial para com Ela.
II. A devoção incluindo práticas particulares
A segunda consiste em ter para com a Santa Virgem, sentimentos mais perfeitos de estima, de amor, de confiança e de veneração. Leva a entrar em confrarias do Santo Rosário, do Escapulário, a recitar o Terço e o Santo Rosário, a honrar suas imagens e seus altares, em publicar seus louvores e alistar-se em suas congregações. E essa devoção , excluindo o pecado , é boa , santa e louvável; mas não é tão perfeita e tão eficaz de desapegar as almas das criaturas e de as desprender de si próprias para uni-las a Jesus Cristo.
III. A devoção perfeita: a da Santa Escravidão de Amor
A terceira devoção à Santa Virgem, conhecida e praticada por muito poucas pessoas, é esta que te vou revelar, alma predestinada. Consiste esta em dar-se inteiramente, na qualidade de escravo, a Maria e a Jesus por Ela, depois, em fazer todas com Maria, em Maria, por Maria e para Maria.Deixa-se à sua inteira disposição todo o valor satisfatório e impetratório de todas as obras: assim, após a oblação que delas se fez, embora sem nenhum voto, não se é mais senhor do bem que se faz; mas a Santíssima Virgem pode aplicá-lo a uma alma do Purgatório , para aliviá-la ou livrá-la, ou a um pobre pecador para convertê-lo.Põem-se , por esta devoção, os méritos próprios nas mãos da Santa Virgem; mas é para guarda-los , aumenta-los , embeleza-los, pois nós não nos podemos comunicar uns aos outros nem méritos da graça santificante, nem da glória. Damos-lhe, porém,todas as nossas orações e boas obras próprias, tanto como impetratórias, para que Ela as distribua e as aplique a quem e como aprouver, e se depois de nos termos assim consagrado à Santa Virgem desejarmos aliviar alguma alma do Purgatório, salvar algum pecador, sustentar algum de nossas mortificações, nossos sacrifícios, será necessário pedir-lhe humildemente e conformar-se com o que Ela determinar, sem o sabermos; ficando bem persuadidos de que o valor das ações, distribuídos pelas suas graças e seus dons, não pode deixar de ser aplicado para a sua maior glória.Disse que esta devoção consiste em dar-se a Maria na qualidade de escravo. É preciso notar que há três espécies de escravidão.
- A primeira é a escravidão por natureza; os homens bons e os maus são escravos dessa maneira.
- A segunda é a escravidão por sujeição; os demônios e os réprobos são escravos de Deus dessa maneira.
- A terceira é a escravidão de amor, voluntária; é aquela pela qual nos devemos consagrar a Deus por Maria, a maneira MAIS PERFEITA pela qual uma criatura se pode dar ao seu Criador.
Oh, Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!
Fonte : Livro O Segredo de Maria ( São Luís Maria Gringnion de Montfort)
Créditos: Repórter de Cristo
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Porque Maria nos é necessária - São Luís Maria de Montfort
1º – Foi só Maria quem encontrou graça diante de Deus, para Si, e para cada homem em particular. Os patriarcas e os profetas, todos os santos da Antiga Lei não puderam encontrar esta graça.
2º – Foi Ela que deu o ser e a vida ao Autor de toda graça, e, por causa disso, Ela é chamada a Mãe da graça, Mater Gratiae.
3º – Deus Pai, de Quem todo dom perfeito e toda graça desce como de sua fonte essencial, dando-Lhe Seu Filho, deu-Lhe todas as Suas graças; de sorte que, como diz São Bernardo, a vontade de Deus Lhe foi dada nEle e com Ele.
4º – Deus A escolheu para ser a tesoureira, a ecônoma e a dispensadora de todas as Suas graças; de modo que todas Suas graças e todos Seus dons passam por Suas mãos; e, conforme o poder que Ela recebeu dEle, segundo São Bernardino, Ela dá a quem Ela quer, como Ela quer, quando Ela quer e tanto quanto Ela quer, as graças do Pai Eterno, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo.
5º – Assim como, na ordem natural, é preciso que uma criança tenha um pai e uma mãe, do mesmo modo, na ordem da graça, é necessário que um verdadeiro filho da Igreja tenha Deus por pai e Maria por mãe; e, se ele se gloria de ter Deus por pai, não tendo o carinho de um verdadeiro filho por Maria, é um farsante que não tem senão o demônio por pai.
6º – Uma vez que Maria formou o Chefe dos predestinados, que é Jesus Cristo, cabe a Ela também formar os membros deste Chefe, que são os verdadeiros cristãos: pois uma mãe não forma o chefe sem os membros, nem os membros sem o chefe. Quem deseje, portanto, ser membro de Jesus Cristo, pleno de graça e de verdade, deve ser formado em Maria por meio da graça de Jesus Cristo, que reside nEla em plenitude, para ser comunicada em plenitude aos verdadeiros membros de Jesus Cristo e a Seus verdadeiros filhos.
8º – Maria recebeu de Deus uma dominação particular sobre as almas para as nutrir e fazer crescer em Deus. Santo Agostinho diz mesmo que, neste mundo, os predestinados estão todos contidos no seio de Maria, e que eles não vêm à luz senão quando esta boa Mãe os faz nascer para a vida eterna. Em conseqüência, como a criança tira todo seu alimento de sua mãe, que o dá proporcionado à sua fraqueza, da mesma forma os predestinados tiram toda sua nutrição espiritual e toda sua força de Maria.
9º – Foi a Maria que Deus Pai disse: In Jacob inhabita: Minha Filha, habita em Jacó, quer dizer, nos Meus predestinados figurados por Jacó. Foi a Maria que Deus Filho disse: In Israel haereditare: Minha querida Mãe, tende Vossa herança em Israel, ou seja, nos predestinados. Enfim, foi a Maria que o Espírito Santo disse: In electis meis mitte radices: Lançai, minha fiel Esposa, raízes nos Meus eleitos. Qualquer um que seja, portanto, eleito e predestinado tem a Santíssima Virgem habitando em sua casa, quer dizer, em sua alma, e ele A deixa introduzir nela as raízes de uma profunda humildade, de uma ardente caridade e de todas as virtudes.
10º – Maria é chamada por Santo Agostinho, e é, com efeito, o molde vivo de Deus, forma Dei, quer dizer, somente nEla Deus feito homem foi formado ao natural, sem que Lhe falte nenhum traço da Divindade, e é também nEla somente que o homem pode ser formado em Deus ao natural, tanto quanto a natureza humana é capaz, pela graça de Jesus Cristo.
São Luís Maria G. de Montfort – O Segredo de Maria
Créditos: Fatima.arautos
domingo, 2 de setembro de 2012
Carta aos amigos da cruz - São Luís Maria Grignion de Montfort
CARTA AOS AMIGOS DA CRUZ
1. Visto que a cruz divina me guarda em retiro e me previne de lhes falar pessoalmente, eu não posso e nem mesmo desejo expressar sobre os sentimentos de meu coração na excelência e nas práticas de sua união à cruz sagrada de Cristo. De qualquer forma, nesse último dia de meu isolamento, eu deixo os deleites da vida interior para traçar sobre esse papel uns breves pontos da cruz com os quais penetro em seus corações generosos. Quisera Deus que eu pudesse usar o sangue de minhas veias em preferência à tinta de minha caneta! Aliás, mesmo que o sangue fosse requerido, o meu não seria bom o suficiente. Eu rezo com a intenção que o Espírito do Deus Vivo possa ser a vida, força e a mão orientadora dessa carta; que sua unção possa ser minha tinta, a cruz sagrada minha caneta, e seu coração meu livro.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: Informações Preliminares
INÍCIO DA SANTA ESCRAVIDÃO POR AMOR
A Santa Escravidão a Jesus por Maria é uma prática de devoção antiguíssima, remontando aos primeiros séculos da Igreja. Com o passar dos séculos, experimentou uma admirável evolução, no sentido que cada vez melhor se compreendeu o que esta prática significava no contexto da fé.
Passando pela escola francesa do século XVII do cardeal de Bérulle, Boudon, Olier, Condrem, São João Eudes, etc. Foi em São Luís Grignion de Montfort que a doutrina e a prática da Santa Escravidão encontrou sua expressão mais perfeita, sendo também, por meio deste grande apóstolo de Maria, que esta prática devocional tornou-se popular. A doutrina e espiritualidade da Santa Escravidão de Amor foram imortalizadas por São Luís Grignion, no célebre escrito:
“O Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”.
Tal livro demonstra com muita sabedoria, clareza e unção:
1- Quem é a Santíssima Virgem;
2- Qual é o seu papel na vida da Igreja e de cada pessoa em particular
3- Com efeito o livro mostra a missão materna que Deus confiou a Santíssima Virgem;
4- Mostra as razões e a maneira como Deus sujeitou a ela todos os corações;
5- Bem como, o papel da Santíssima Virgem no estabelecimento do reinado de Cristo e sua união íntima com o segundo advento de seu filho.
O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem foi escrito por São Luís Grignion de Montfort em 1712, e devido à grande força que esse escrito tem para levar as pessoas à verdadeira santidade foi fortemente combatido pelo inimigo infernal. O demônio quis verdadeiramente destruí-lo, mas Deus não permitiu, contudo, o inimigo escondeu este tratado durante cento e trinta anos. Tudo isso foi admiravelmente predito e escrito por São Luís, no próprio Tratado da Verdadeira Devoção onde narra: “Vejo animais frementes que se precipitam furiosos para destruir com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para compô-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar escondido no silêncio de um baú a fim de que não apareça”(T.V.D. 112).
Assim, este livro escrito em 1712, desapareceu sendo reencontrado apenas em 1842 em um baú de livros velhos. Publicado em 1843 tornou-se leitura obrigatória de toda alma piedosa que buscasse a santidade. De fato, São Luís predisse o desaparecimento do livro, também, como o seu reaparecimento e o seu sucesso (c.f. T.V.D. 112), de modo que, depois que foi publicado o tratado, a Santa Escravidão tornou-se a via espiritual de muitos santos, que se fizeram escravos de Maria Santíssima, e na escola de seu Imaculado Coração aprenderam a amar a Deus e fazer sua santa vontade. Santos como: São João Maria Vianney, São João Bosco, São Domingos Sávio, Santa Terezinha, Santa Gema Galgani, São Pio X, São Pio de Pietrelcina e tantos outros santos e santas do nosso tempo, viram, na total consagração a Santíssima Virgem uma Devoção Perfeita, aquela devoção querida por Jesus ao fazer de cada um de nós filhos de sua Mãe Santíssima.
Um dos maiores apóstolos desta consagração foi nosso querido Papa João Paulo II, que se fez escravo por amor quando ainda era seminarista. E de tal forma esta total consagração ordenou sua vida e missão que adquiriu como seu lema pessoal o “Totus Tuus Mariae”. João Paulo II foi um testemunho vivo da eficácia desta consagração na vida de uma pessoa.
1- O que é a Santa Escravidão de amor?
A total consagração à Nossa Senhora, ou a santa escravidão de amor é a entrega de tudo que somos e possuímos à Santíssima Virgem para que através dela possamos mais perfeitamente pertencer a Deus.
A finalidade desta total entrega a Nossa Senhora é nos unir a Jesus Cristo e nos fazer crescer em sua graça. Nos entregamos totalmente a Nossa Senhora para que ela nos ensine a cumprir em nossa vida a Santíssima vontade de Deus. São Luís Maria de Montfort chama a Santa Escravidão de Amor de “A Verdadeira Devoção”, simplesmente porque ela nos mostra quem é Nossa Senhora, qual seu lugar no plano de salvação e sua missão na vida da Igreja e de cada um de nós.
A doutrina da Santa escravidão nos faz ver e compreender que Jesus nos deu Maria como verdadeira mãe, mestra e educadora, e ao mesmo tempo nos convida e nos faz lançar aos cuidados desta boníssima Senhora atendendo ao mandato de Jesus que olhando para nós nos diz: “Eis aí tua mãe”. Assim pela total consagração de nós mesmos à Santíssima Virgem estamos dizendo nosso sim a Jesus que no-la deu por mãe, a fim de que Ela nos ensine a fazer tudo que Ele mandou.
Do ponto de vista pastoral a necessidade e eficácia da total consagração a Nossa Senhora são sempre atuais, uma vez que esta consagração e devoção não são mais que a perfeita renovação das promessas do nosso santo batismo. De fato os concílios assim como muitos Papas falaram sobre a necessidade de se recordar os cristãos os votos de seu batismo e de seu estado de pertença a Deus, assim pela Total Consagração, nós agora por nós mesmos, renovamos nossas promessas batismais, recuperando a consciência de nosso estado de pertença a Deus. Tudo isso através de Maria, como quer Jesus, para que Ela nos ensine a sermos fiéis a nossa adesão a Cristo bem como da renúncia de todo mal.
2- O que acontece conosco, quando nos consagramos como Maria, Escravos por Amor?
Nós confirmamos a soberania de Deus e da Santíssima Virgem em nossas vidas, entregando TUDO que somos e temos a Jesus pelas mãos de Maria. Aqui, TUDO quer dizer TUDO. Nosso corpo com todos os nossos bens materiais e nossa alma com todas as nossas riquezas espirituais, nossos pensamentos, nossos desejos e quereres. Assim, mesmo os méritos de nossas orações, sacrifícios e boas obras passam a pertencer a Maria Santíssima para que Ela possa usá-los como lhe aprouver. Pela Santa Escravidão de Amor passamos a não possuir mais nada. Tudo passa ser de Maria, para que deste modo tudo possa ser de Deus.
Quando fazemos esta consagração e a vivemos com fidelidade obtemos um aumento admirável em nosso “Capital de Graças”, e por isso nos santificamos mais rapidamente e de maneira mais perfeita e segura. Com efeito, Maria Santíssima é um caminho fácil, curto, seguro e perfeito para nos unirmos a Jesus e crescermos em sua graça.
3- Quem pode fazer esta total consagração, e como fazê-la?
Todos os que querem viver o seu batismo podem e devem fazer esta consagração, ou seja, todos os que querem ser santos, que acreditam em Jesus Cristo e em toda sua doutrina, tal qual, nos transmite a Santa Igreja. Quem faz restrições a doutrina de Jesus Cristo ensinada pela Santa Igreja, ou quem não pode (ou não quer) viver em comunhão eucarística não pode fazer esta consagração.
4 – Como fazer esta consagração?
Para se fazer esta consagração é necessário primeiro conhecê-la; lendo e estudando o Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, escrito por São Luís de Montfort, e outros livros que falem sobre a Santa Escravidão, como “O Livro de Ouro ao Alcance de todos” ouvindo palestras e participando de encontros e retiros sobre o tema.
Assim, após se ter consciência do que é esta Consagração e de como deve vivê-la pode se marcar uma data e fazer os exercícios preparatórios que durarão um mês. Estes exercícios são meditações diárias que podem ser encontradas no livro “Consagração a Nossa Senhora” .
Fonte: No Coração da Igreja
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