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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dia 25 - Obediente até à Morte - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

São Paulo louva a obediência de Jesus, dizendo que ELe obedeceu a Seu eterno Pai até à morte. "Ele se fez obediente até à morte" (Fl2.8), Mas, neste Sacramento, vai mais longe: quis ser obediente não só ao Pai Eterno, mas ainda ao próprio homem, e isto não só até à morte, mas até ao fim do mundo. Ele, o Rei do Céu, desce sobre o altar à voz do homem, e parece aí ficar exclusivamente para obedecer aos homems: "Quanto a mim, diz ELe, não resisto" (Is 50.5).

Ali está sem movimento próprio; deixa-se ficar onde O colocam, seja exposto na custódia, seja encerrado no tabernáculo; deixa-se levar para onde O levam, às casas ou pelas ruas; deixa-se dar na comunhão a todos que O querem receber, ao justo como ao pecador. Enquanto vivia aqui na terra, diz São Lucas, Jesus obedecia a Maria Santíssima e a São José; mas, neste Sacramento, obedece a tantas criaturas, quantos sacerdotes há no mundo: "Quanto a mim não resisto".

Permiti que Vos fale, neste momento, Coração amado do Meu Jesus, donde saíram todos os sacramentos e, em particular, este sacramento de amor. Eu quisera tributar-Vos tanta glória e honra quanta Vós tributais, em nossas Igrejas, a Vosso Eterno Pai. Sei que, neste altar, me continuais a amar com o mesmo ardor com que na cruz destes a vida por mim, no meio de horríveis tormentos. Iluminai, Coração Divino, para que Vos conheçam e aqueles que Vos não conhecem. Pelos Vossos merecimentos livrai do Purgatório ou ao menos aliviai as almas que lá padecem e são Vossas esposas eternas. Adoro-Vos, agradeço-Vos e amo-Vos com todas as almas que neste momento Vos amam na terra e no céu. Coração puríssimo, purificai o meu coração de todo o apego às criaturas e enchei-o de Vosso amor. Coração cheio de ternura, apossai-Vos de tal modo de meu coração, que ele seja todo Vosso e de agora em diante eu possa dizer: "Nada é capaz de separar-me do amor de Deus que é em Jesus Cristo" (Rm 8.35).

Coração Divino, gravai em meu coração as penas tão amargas que por mim sofrestes durante os anos de Vossa vida mortal, a fim de que chegue a desejar ou ao menos a suportar pacientemente, por amor de Vós, todas as penas desta vida. Coração cheio de mansidão, comunicai-me a Vossa doçura. Tirai do meu coração tudo o que Vos não agrada; convertei-o inteiramente a Vós, para que não queira nem deseje senão o que Vós mesmo desejais. Fazei, numa palavra, que viva só para Vos amar e agradar. Reconheço que muito Vos devo e sou obrigado; pouco seria se me sacrificasse e consumisse todo por Vós.

- Coração de Jesus, Vós sois o único Senhor do meu coração.

 ARCA DA SALVAÇÃO

São Bernardo diz que Maria é a arca celeste que nos salvará certamente do naufrágio da condenação eterna, se nela nos refugiarmos a tempo. A arca, que salvou Noé do naufrágio universal, era uma figura de Maria; mas, diz Hesíquio, Maria é uma arca mais vasta, mais poderosa, mais benéfica. A arca de Noé não recebeu e não salvou senão a um pequeno número de homens, e de animar, mas a nossa LIbertadora recebe todos os que buscam abrigo sob o Seu Manto e a todos salvará seguramente. Como seríamos infelizes se não tivéssemos Maria! E contudo, quantos ainda se perdem, minha Rainha! E por quê? Porque não recorrem a Vós. Quem jamais se perderia se a Vós recorresse?

- Fazei, ó Maria, que todos a Vós recorramos sempre.

Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramento e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (24/08) feito por Filoxeno de Mabug



(?-c. 523), bispo da Síria
Homilia n.° 4, 76-79

«Vem ver»

Jesus renovou aos santos apóstolos o chamamento que tinha feito a Abraão. E a fé deles assemelhava-se à de Abraão; porque, tal como Abraão obedeceu logo que foi chamado (Gn 12), também os apóstolos seguiram Jesus logo que Ele os chamou e eles O ouviram. [...] Não foi um longo ensinamento o que os tornou discípulos, mas o simples facto de terem ouvido a palavra da fé. Como era viva, a fé deles obedeceu à vida logo que ouviu a voz viva. E correram atrás dela sem mais demoras; por aqui se vê que já eram discípulos no coração, mesmo antes de terem sido chamados.

Assim age a fé que manteve a sua simplicidade: não recebe o ensino à força de argumentos; mas, tal como os olhos sãos e puros recebem o raio de sol que lhes é enviado sem raciocinarem nem trabalharem, e se dão conta da luz logo que se abrem [...], também os que têm a fé natural reconhecem a voz de Deus logo que a ouvem. Quando neles se acende a luz da palavra, lançam-se alegremente ao seu encontro e acolhem-na, como nosso Senhor diz no Evangelho: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz e seguem-Me» (Jo 10,27). 
 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 24 - Deus Escondido - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por santo Afonso Maria de Ligório

"Vós sois em verdade um Deus oculto" (Is 45,15). Em nenhuma outra obra do amor divino se verificam tão bem estas palavras como no mistério adorável do Santíssimo Sacramento, em que o nosso Deus se conserva todo escondido. Encarnando-se, o Verbo eterno ocultou a sua divindade, e apareceu na terra apenas como homem; mas, morando entre nós neste sacramento, Jesus esconde também a sua humanidade e só deixa ver as aparências do pão para manifestar-nos a ternura do seu amor para conosco. "Escondida está a sua divindade - diz São Bernardo - escondida está a sua humanidade; só as entranhas de sua caridade se mostram sem véu".

Amado Redentor, quando considero o excesso do vosso amor aos homens, fico fora de mim e não sei mais o que dizer. Por amor deles, chegastes, neste sacramento, a ocultar a vossa majestade, obscurecer a vossa glória, chegastes a consumir e abater a vossa vida divina. E, enquanto estais nos altares, parece que não tendes outra ocupação senão amar os homens, e fazer brilhar o amor que lhes  tendes. E eles que reconhecimento vos testemunham, Filho augusto de Deus?

Jesus, ó amante (permiti que assim vos fale), ó amante muito apaixonado dos homens, - pois que preferis os seus interesses à vossa própria honra - não sabíeis a que desprezo devia expor-vos esta invenção do vosso amor? Eu vejo, e vós mesmo o vistes antes de mim, que a maior parte dos homens não vos adora nem vos quer reconhecer pelo que sois neste sacramento. Sei que, mais de uma vez, estes mesmos homens ousaram calcar aos pés as hóstias consagradas, atirá-las ao chão, à água e ao fogo. Vejo com surpresa que a maior parte daqueles que em vós crêem, em vez de repararem tantos ultrajes por suas homenagens, vem às igrejas para mais vos agravar por suas irreverências, ou deixam-vos só e abandonado sobre o altar, por vezes desprovido até de lâmpadas e dos ornamentos necessários.

Pudesse eu, meu bondoso Salvador, lavar com minhas lágrimas e até com o meu sangue esses infelizes lugares em que o vosso amor tem sido tão indignamente ultrajado neste sacramento! Mas, se não me é concedida esta felicidade, ao menos, Senhor, proponho visitar-vos muitas vezes para vos adorar, como neste momento vos adoro, em expiação dos desprezos que recebeis dos homens neste divino mistério.

Aceitai, Pai Eterno, esta fraca homenagem que a mais miserável das criaturas vos rende hoje em reparação dos ultrajes feitos a vosso Filho no santíssimo Sacramento; aceitai-a em união com a honra infinita que Jesus Cristo vos rendeu na Cruz e todos os dias vos rende sobre os altares. Que bom se eu pudesse, meu Jesus, inspirar a todos os homens um ardente amos pelo vosso adorável sacramento!

- Amável Jesus meu, fazei-vos conhecer, fazei-vos amar.




Oceano de Graças

Senhora minha poderosíssima, nos temores que me inspira a minha salvação eterna, quanto me conforta a confiança, quando a vós recorro e penso, minha Mãe, nos tesouros de graça e de ternura que estão em vós. Duma parte, São João Damasceno vos cham "oceano de graças"; São Boaventura, "vasto reservatório onde se acham reunidas todas as graças"; Santo Efrém, "fonte de graça e de toda consolação", e São Bernardo, "plenitude de todos os bens"; e doutra parte, vos vejo tão inclinada a fazer o bem, que, segundo São Boaventura, "vos ofendeis quando não pedimos graças". Rainha da graça, da sabedoria e da clemência, sei que conheceis melhor do que eu as necessidades de minha alma, e que o amor que me tendes é muito superior ao que vos consagro; sabeis qual a graça que hoje vos peço?

Obtende-me a graça que sabeis ser a mais útil para a minha alma; rogai a deus que se digne de ma conceder, e satisfeito fico.

- Meu Deus, concedei-me as graças que Maria vos implora para mim.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (23/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja
Opúsculo 51

«Omitis as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade»

Se quiseres avançar corretamente, com discrição e dando frutos no caminho da verdadeira religião, deves ser austero e rígido contigo mesmo, mas sempre alegre e aberto para com os outros, esforçando-te no teu coração por caminhar nos cumes da retidão, sabendo inclinar-te com bondade para os mais fracos. Numa palavra, perante o juízo da tua consciência, deves moderar os rigores da justiça, de tal forma que não sejas duro com os pecadores, mas acessível ao perdão e indulgente. [...]

Considera o teu pecado perigoso e mortal; o dos outros, considera-o uma fragilidade da condição humana. Pensa que a falta que, em ti, te parece digna de severa correção nos outros não merece mais do que uma pequena admoestação. Não sejas mais justo do que o justo : receia cometer o pecado, mas não hesites em perdoar ao pecador. A verdadeira justiça não é a que precipita as almas dos irmãos nos laços do desespero. [...] É muito perigoso o fogo que, ao queimar o mato, ameaça abrasar a própria casa com o ardor das suas chamas. Não, aquele que se compraz em escalpelizar os defeitos dos outros não evitará o pecado porque, ainda que seja movido pelo zelo da justiça, tarde ou cedo acabará por denegri-los.

Evidentemente, se a nossa vida não nos parecesse tão bela, a dos outros não nos pareceria tão feia. E se fôssemos juízes severos para nós mesmos, como deveríamos ser, as faltas dos outros não encontrariam em nós censores tão rigorosos.
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (22/08) feito por São Clemente de Roma



(c. 35-c. 100), papa
Carta aos Coríntios, §§ 7-13; PA 1, 108-110

«Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2,l2)

Percorramos todas as épocas e veremos que, de geração em geração, o Mestre ofereceu a possibilidade de conversão a todos quantos queriam voltar-se para Ele. Noé pregou a conversão, e aqueles que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou aos ninivitas a destruição que os ameaçava; eles arrependeram-se dos seus pecados, apaziguaram a Deus e, apesar de Lhe serem estranhos, alcançaram, por suas súplicas, a salvação.

Pela sua vontade omnipotente, Deus quer que todos aqueles que ama participem da conversão. É por isso que devemos obedecer à sua magnífica e gloriosa vontade. Imploremos humildemente a sua misericórdia e a sua bondade; confiemo-nos à sua compaixão, abandonando as preocupações frívolas, a discórdia e a inveja, que só conduzem à morte.

Sejamos humildes, meus irmãos, rejeitemos todos os sentimentos de orgulho, de jactância, de vaidade e de cólera. Agarremo-nos firmemente aos preceitos e aos mandamentos do Senhor Jesus, tornando-nos dóceis e humildes diante das suas palavras. Pois diz o texto sagrado: «Para quem voltarei o meu olhar, senão para o homem humilde e pacífico, que teme as minhas palavras?» (Is 66,2)
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 23 - Jesus presente - Visitas ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Muitos cristãos suportam fadigas e expõem-se a inúmeros perigos para visitar a Terra Santa, onde o nosso bondoso Salvador nasceu, padeceu e morreu.Nós, porém, não precisamos fazer uma viagem tão longa nem expor-nos a tantos perigos; o mesmo senhor reside pessoalmente junto de nós, na igreja, a poucos passos de nossas casas. julgam-se muito felizes os peregrinos - diz S. paulino - por poderem trazer dos lugares santos um pouco de terra do presépio ou do sepulcro, onde foi sepultado Jesus; e nós, com que ardor não devemos visitar o Sacramento, onde se acha o mesmo Jesus em pessoa, e isso sem fadigas nem perigos para nós?

Uma pessoa piedosa, a quem Deus concedera um grande amor ao Santíssimo Sacramento, exprimia numa carta, entre outros pensamentos: "reconheci que todo o bem que possuo, ao Santíssimo sacramento o devo. Dei-me e consagrei-me inteiramente a Jesus sacramentado. Vejo uma multidão imensa de graças que não são recebidas, porque não se recorre a este divino Sacramento. E no entanto, vejo que Nosso Senhor tem grande desejo de distribuir as suas graças neste sacramento. Divino Mistério! Hóstia Sagrada!Onde manifesta Deus melhor o seu poder? Esta hóstia encerra tudo o que Deus fez por nós. Não invejemos os bem-aventurados, porque temos aqui na terra o mesmo Senhor com mais maravilhas do seu amor. Fazei que as pessoas com quem tratais se consagrem sem reserva ao Santíssimo Sacramento. Eu falo assim porque este divino mistério me transporta e extasia. Não posso deixar de falar dele, pois merece tanto o nosso amor. Já não sei o que fazer por Jesus sacramentado". Assim termina a carta.

Anjos de Deus, viveis abrasados de amor diante daquele que é vosso e meu Senhor; e, contudo, não é por vosso amor que este Rei do Céu está sob as espécies da hóstia consagrada, mas por amor de mim. Deixai-me, pois, anjos amantíssimos, deixai-me arder e consumir do ardor que vos devora, para que vivamos juntamente abrasados nas mesmas chamas. Meu Jesus, fazei-me conheceras grandezas do vosso amor para com os homens, a fim de que, à vista de tão grande amor, aumente sem cessar em mim o desejo de vos amar e agradar. Amo-vos, Senhor amável, e quero amar-vos sempre, e amar-vos somente para vos agradar.

- Meu Jesus, em vós creio, em vós espero, a vós amo, a vós me dou.



Mãe dos órfãos

Virgem amável, São Boaventura vos dá o nome "Mãe dos órfãos", e Santo Efrém, o de "Asilo dos órfãos". Quem são esses pobres órfãos senão os pecadores que perderam a Deus? A vós então recorro, Maria; perdi meu Pai, mas vós sois minha Mãe; a vós incumbe fazer que o torne a encontrar. Na minha extrema desventura, imploro o vosso socorro; socorrei-me. Deixar-me-eis na desolação? Não, responde Inocêncio III: " Quem jamais a invocou, e não foi por ela atendido e socorrido?" Quem jamais se perdeu, depois de ter a vós recorrido? Só se perde quem a vós não recorre. Assim, minha Rainha, se quereis a minha salvação, fazei que sempre vos invoque e em vós confie.

- Maria, minha Mãe santíssima, enchei-me de confiança em vós.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa senhora, de Santo Afonso.

domingo, 28 de agosto de 2016

“Tarde Te amei!” - Oração composta por Santo Agostinho


Hoje, 28 de Agosto, a Igreja faz memória do grande Santo Agostinho. A seguir, uma belíssima oração composta por ele, que convidamos você, caro leitor, a rezar conosco:

1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

 2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…

 3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.

 4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.

 5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.

 6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!

 7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…

 8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

 Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DIa 22 - Verbo Encarnado - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

A Esposa dos Sagrados Cânticos andava procurando o seu DIleto, e não o encontrando, perguntava: "Vistes acaso aquele que o meu coração ama?" (Ct 3,3). Jesus não estava então nesta terra; mas agora, toda alma que ama a Jesus e o procura está certa de O encontrar sempre no Santíssimo Sacramento. O bem-aventurado João de Ávila dizia que, entre todos os santuários, não se pode encontrar nem desejar nenhum mais amável do que uma Igreja, onde repousa o Santíssimo Sacramento.

Amor infinito do Meu Deus, digno de infinito amor! Como pudestes, Jesus meu, abater-Vos tanto? Para VOs entreterdes com os homens e Vos unirdes aos Seus corações, humilhaste-Vos ao ponto de Vos ocultardes sob as espécies do pão. Verbo encarnado, o Vosso abatimento não teve limites, porque o Vosso amor também não os tem. Como poderei deixar de amar-Vos com toda a minha alma, quando sei o quanto fizestes para cativar o meu coração?

Amo-Vos ardentemente e por isso prefiro a Vossa vontade a todos os meus interesses e à minha própria satisfação. Toda a minha felicidade consiste em ser-Vos agradável, Meu Jesus, meu Deus, meu tudo. Inflamai o meu coração num grande desejo de estar continuamente diante de Vós sacramentado, de receber-Vos e de fazer-Vos sempre companhia. Eu seria um ingrato se não aceitasse tão doce e amável  convite, Senhor, destruí em mim todo o afeto às criaituras. Vós quereis, Meu Criador, ser o único objeto dos meus suspiros, de todos os meus afetos; pois bem, amo-Vos, bondade infinitamente amável do Meu Deus, e não desejo senão a Vós. Não procuro a minha satisfação, mas a Vossa; basta que eu Vos agrade. Aceitai, Jesus, o desejo de um grande pecador, que quer amar-Vos. Ajudai-me com a Vossa graça; fazei que, de miserável escravo do inferno, eu me converta de hoje em diante em feliz escravo do Vosso amor.

- Jesus, meu supremo bem, eu Vos amo sobre todos os bens.


MÃE DO PERDÃO

Senhora minha e minha terna Mãe, eu sou um súdito rebelde de Vosso Divino FIlho; contudo, arrependido, venho implorar a Vossa misericórdia, a fim de me obterdes o perdão. Não me digais que não o podeis, porque São Bernardo VOs chama "dispensadora do perdão". Cumpre-Vos socorrer também os que estão ameaçados, pois Santo Efrém VOs chama "socorro dos que estão em perigo". Senhora minha, quem está mais em perigo do que eu? Perdi o Meu Deus; é certo que fui condenado ao inferno; não sei se Deus já me perdoou, e ainda posso tornar a perdê-lO. Mas Vós podeis obter-me todos os bens e de Vós eu os espero: o perdão, a perseverança, o céu. Espero que, salvo pela Vossa intercessão, ó Maria, eu seja no reino dos bem-aventurados, um dos que mais louvarão as Vossas misericórdias.

Misericórdias de Maria, eu Vos cantarei eternamente, sim, eternamente.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (21/08) feito por São Cesário de Arles



(470-543), monge, bispo
Sermão 7

«Jesus [...] ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.»

Prestai atenção, caríssimos irmãos: as sagradas Escrituras foram-nos transmitidas, por assim dizer, como cartas vindas da nossa pátria. Com efeito, a nossa pátria é o paraíso; os nossos pais são os patriarcas, os profetas, os apóstolos e os mártires; os nossos concidadãos são os anjos; o nosso Rei é Cristo. Quando Adão pecou, fomos por assim dizer lançados no exílio deste mundo. Mas, porque o nosso Rei é fiel e misericordioso, mais do que se possa imaginar ou dizer, dignou-Se enviar-nos, por intermédio dos patriarcas e dos profetas, as sagradas Escrituras, como cartas pelas quais nos convidava para a nossa eterna e primeira pátria. [...] Em razão da sua inefável bondade, convidou-nos a reinar com Ele.

Nessas condições, que ideia farão de si mesmos os servos que [...] não se dignam ler as cartas que os convidam para a bem-aventurança do Reino ? [...] «Aquele que ignora será ignorado» (1Cor 14,38). Na verdade, àquele que negligencia procurar Deus neste mundo pela leitura dos textos sagrados, Deus, por seu lado, recusar-Se-á a admiti-lo à bem-aventurança eterna. Este deve temer que lhe fechem as portas, que o deixem de fora com as virgens loucas (Mt 25,10) e que mereça ouvir: «Não sei quem vós sois; não vos conheço; afastai-vos de Mim, vós todos que fizestes o mal». [...] Aquele que quiser ser favoravelmente escutado por Deus deve começar por escutar a Deus. Como terá a veleidade de querer que Deus o escute favoravelmente, se Lhe presta tão pouca atenção, que nem se preocupa em ler os seus preceitos? 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 21 - Jesus nos convida - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Em toda parte, onde se achar o corpo, aí se reunirão as águias" (Lc 17,37). Por este corpo os santos entendem comumente o de Jesus Cristo; e pelas águias entendem as almas desapegadas, que se elevam, como estas aves, acima das coisas da terra e voam para o céu, para onde tendem sem cessar por seus pensamentos e afetos, e onde têm a sua morada contínua. Estas almas, mesmo neste mundo têm o seu paraíso, onde quer que encontrem o Santíssimo Sacramento, e parece que nunca se lhes sacia o desejo que sentem de ficar na Sua presença. Quando as águias - diz São Jerônimo - percebem de longe a presa, logo se lançam para tomá-la. E nós com quanto maior ardor não devemos correr e voar para Jesus Sacramentado, como para o mais precioso alimento de nossas almas!

Por isso, neste vale de lágrimas, os Santos sempre correram com avidez, como cervos sequiosos, a esta fonte celeste. O Padre Baltazar Álvazez, da Companhia de Jesus, qualquer que fosse a sua ocupação, muitas vezes volvia os olhos para o lugar onde se achava o Santíssimo Sacramento: visitava-O com frequência, passando às vezes noites inteiras na Sua presença. CHorava ao ver os palácios dos grandes cheios de gente fazendo corte a um homem, do qual esperam algum mísero bem, enquanto que ficam abandonadas as Igrejas, onde reside, no meio de nós, como num trono de amor, o soberano Senhor do mundo, rico de bem imensos  e eternos. E dizia que os religiosos são muito felizes porque, sem saírem de suas casas, podem visitar quantas vezes quiserem, de dia e de noite, este augusto Senhor, no Santíssimo Sacramento, o que não podem fazer as pessoas do século.

Amado Senhor meu, já que a vista das minhas manchas e ingratidōes não VOs impede de convidar-me com tanta bondade a aproximar-me de Vós, não quero desanimar por causa das minhas misérias; a Vós venho, de Vós me aproximo. Vós me mudareis completamente em outro, banindo do meu coração todo amor que não é para Vós, todo desejo que não VOs é agradável, todo pensamento que não tende para Vós.

Meus Jesus, meu amor, meu tesouro, meu tudo, só a Vós quero agradar. Só Vós mereceis todo o meu amor, a Vós só quero amar de todo o meu coração. Desapegai-me de tudo, Senhor, e ligai-me todo a Vós; mas ligai-me tão bem, que não possa mais separar-me de Vós nem nesta nem na outra vida.

- Meu Bom Jesus, não permitais que eu me separe de Vós.


ADVOGADA NOSSA

Dionísio Cartusiano chama a Santíssima Virgem de "Advogada de todos os pecadores que a Ela recorrem". Ó grande Mãe de Deus, já que o Vosso ofício é defender as causas dos maiores criminosos que a Vós recorrem, aqui estou aos Vossos pés, a Vós recorro e digo com Santo Tomás de Vila Nova: "Eu Vos suplico, Advogada minha, fazei o Vosso ofício", defendei a minha causa. É verdade que eu me tenho tornado culpado para com Deus, ofendendo-O tanto depois de haver recebido dEle tantos favores e graças; mas o mal está feito; Vós, porém, podeis salvar-me. Dizei simplesmente a Vosso Deus que abraçais a minha defesa, e Ele me perdoará, e serei salvo.

- Minha Mãe muito amada, a Vós incumbe salvar-me.

Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramento e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

DIa 20 - Fonte da Vida - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para serem lavadas nela as manchas dos seus pecados" (Zc 13,11)

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é essa fonte predita pelo profeta, fonte aberta a todos, na qual podemos, quantas vezes quisermos, ir purificar nossas almas de todas as manchas que diariamente contraímos pelo pecado. Quando uma pessoa comete alguma falta, não há remédio melhor do que recorrer imediatamente ao Santíssimo Sacramento. Assim, Meu Jesus, proponho fazer sempre, porque sei que as águas desta divina fonte servem, não só para purificar a minha alma, mas ainda, para alumiá-la, fortalecê-la contra as recaídas, sustentá-las nas adversidades e até abrasá-la no Vosso amor. Sei que é para me cumular destes bens, que esperais a minha visita, pois é com numerosas graças que recompensais as visitas dos que VOs amam. Meu Jesus, purificai-me de todas as faltas que hoje cometi e das quais me arrependo, porque VOs desagradaram; e, com um ardente desejo de VOs amar muito, dai-me também a força de não recair mais. Pudesse eu ficar sempre perto de Vós como Vossa fiel serva Maria Díaz, contemporânea de Santa Teresa! Ela obtivera do bispo de Ávila permissão para habitar na tribuna de uma Igreja e ali permanecia quase continuamente diante do Santíssimo Sacramento, ao qual ela chamava o Seu vizinho; dali não saía senão para se confessar e comungar. O Venerável Irmão Francisco do Menino Jesus, carmelita descalço, passando diante das Igrejas, onde estava o Santíssimo Sacramento, não podia deixar de entrar nelas para O visitar, dizendo que não convém que um amigo passe pela casa de seu amigo sem entrar nela ao menos para saudá-lo e dizer-lhe uma palavra. Ele, porém, não se contentava com uma palavra, e permanecia  sempre o mais que podia diante do Seu Amado Senhor.

Meu único e infinito bem, vejo que instituístes este Sacramento e residis neste altar para que eu VOs ame, e para este fim é que me destes um coração capaz de VOs amar muito. Mas, então, por que sou tão ingrato e não VOs amo, ou Vos amo tão pouco? Não, não é justo que seja pouco amada uma bondade tão amável como Vós; ao menos, pelo amor que me tendes, mereceis ser amado de outro modo. Vós sois um Deus infinito e eu, um vermezinho desprezível. Pouco é que eu morra por Vós e por Vós me consuma, pois por mim morrestes, ficastes no Santíssimo Sacramento por mim e cada dia VOs sacrificais sobre os altares por meu amor. Vós merceis um amor sem medida; e é sem medida que eu VOs quero amar. Ajudai-me, Meu Jesus, ajudai-me a amar-Vos e a fazer o que VOs agrada, e que tanto desejais de mim.

- O Meu Amado Jesus é meu e eu sou dEle.

 PERPÉTUO SOCORRO

Rainha cheia de ternura e piedade, Senhora amável, que bela confiança me dá São Bernardo, quando a Vós recorro! "Vós - diz ELe - não examinais os merecimentos daquele que recorre à Vossa bondade, mas dais a Vossa assistência a todos os que a imploram." Se pois VOs invoco, haveis de escutar-me. Ouvi então esta minha súplica: Eu sou um pobre pecador, que o inferno mil vezes tenho merecido; mas quero mudar de vida, quero amar ao Meu Deus, a quem tanto tenho ofendido. A Vós me entrego como escravo, a Vós me dou, miserável como sou. Salvai aquele que é Vosso, e já não pertence a si mesmo. Senhora minha, ouviste-me? Espero que não só me tenhais ouvido, mas também atendido.

- Maria, eu sou Vosso, salvai-me.

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (20/08) por Imitaçao de Cristo (Tomás de Kempis)




Tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
§2

«Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.»

Se souberes calar-te e manter-te paciente, receberás sem qualquer dúvida o auxílio do Senhor. É Ele que conhece o momento e a maneira de te libertar; é por isso que te deves abandonar a Ele. É de Deus que vem o socorro, a libertação de toda a humilhação.

Muitas vezes, é muito vantajoso, para nos guardar numa maior humildade, que os outros conheçam e critiquem as nossas faltas. Quando um homem se humilha das suas faltas, é-lhe fácil apaziguar os outros e conquista facilmente aqueles que se irritam contra ele.

Ao humilde, Deus defende e liberta; ao humilde, Deus acarinha e consola; é para o humilde que Deus Se inclina. Ao que é humilde, Deus concede uma graça abundante e, após a sua humilhação, fá-lo subir à glória. Ao que é humilde, Deus revela os seus segredos, atrai-o e convida-o docemente a ir até Ele.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (19/08) feito por Santa Teresa Benedita da Cruz



(Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
«A História e o Espírito do Carmelo»

«Feliz o homem, que se compraz na Lei do Senhor e nela medita dia e noite» (Sl 1,1-2) O que significa a Lei do Senhor? O Salmo 118 está todo ele repleto do desejo de conhecer a Lei do Senhor e de se deixar guiar por ela ao longo da vida. Pode ser que o salmista tenha pensado na Lei da Antiga Aliança. O seu conhecimento exigia efetivamente um estudo sobre a longevidade da vida e a sua concretização um esforço de vontade também ao longo da vida. Mas o Senhor libertou-nos do jugo da Lei. Podemos considerar como Lei da Nova Aliança o grande preceito do amor que encerra a Lei e os Profetas, tal como foi dito; de facto, o perfeito amor a Deus e ao próximo seria certamente um objeto digno de ser meditado a vida inteira.

Mas, mais ainda, entendemos pela Lei da Nova Aliança o próprio Senhor Jesus, uma vez que a sua vida constitui para nós o modelo da vida que temos de viver. Deste modo, cumprimos a nossa regra quando mantemos incessantemente diante dos olhos a imagem do Senhor Jesus, para sermos configuradas com ela; o Evangelho é o livro que nunca acabaremos de estudar. Mas não encontramos o Salvador apenas nos relatos dos testemunhos da sua vida. Ele está presente no Santíssimo Sacramento, e as horas de adoração diante do supremo Bem, a escuta atenta da voz do Deus da Eucaristia são, a um tempo, «meditação da Lei do Senhor» e «velada de oração». No entanto, atingimos o mais alto grau quando «a Lei habita no nosso coração» (Sl 39,11). 
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

Dia 19 - O melhor amigo - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora


Por Santo afonso Maria de Ligório 

     Se é tão agradável estar em companhia de um amigo querido, será possível que nós, neste vale de lágrimas, não sintamos nenhum prazer na companhia do melhor dos amigos, dum amigo que pode encher-nos de todos os bens, de um amigo que nos ama apaixonadamente e que, por isso, quer entreter-se continuamente conosco? Pois bem; aqui, no Santíssimo Sacramento, podemos entreter-nos com Jesus à vontade, abrir-lhe o nosso coração, expor-lhe as nossas necessidades, pedir-lhe graças; numa palavra, neste sacramento adorável, podemos tratar com o Rei do céu com toda a confiança e singeleza.

     Diz a Sagrada Escritura que José do Egito se sentiu sumamente feliz, quando Deus se dignou descer ao cárcere para fortifica-lo com sua graça: “A divina Sabedoria desceu com ele ao fosso, e não o deixou nas cadeias” (Sb13,14). Porém, muito mais felizes somos nós por possuirmos sempre no meio de nós, neste vale de lágrimas, o nosso Deus feito homem, que com tanto amor e compaixão, nos honra continuamente com a sua presença real.

     Quanto consola a um pobre encarcerado o amigo terno que vai entreter-se com ele, e o consola e reanima sua esperança, procura-lhe socorros e esforça-se por aliviá-lo no seu infortúnio!

     Ora, eis aí o que é Jesus Cristo, nosso bom amigo, que do tabernáculo nos faz ouvir estas palavras consoladoras: “Convosco estou todos os dias” (Mt 28,20). Eis-me aqui, diz Ele, todo para vós, vindo do céu à vossa prisão para vos consolar, ajudar e libertar. Acolhei-me, permanecei comigo, uni-vos a mim; deste modo não sentireis as vossas miséria; depois vireis comigo para o meu reino, onde vos farei plenamente felizes.

     Deus, amor incompreensível, visto que quisestes ser tão bom para conosco, a ponto de descerdes do céu aos nossos altares para morardes no meio de nós, proponho-me visitar-vos muitas vezes; quero gozar, quanto possível, da vossa amável presença que faz a felicidade dos bem-aventurados no paraíso.

     Pudesse eu estar sempre diante de vós para adorar-vos e oferecer-vos atos de amor! Despertai a minha alma, eu vo-lo rogo, quando, entorpecido pela tibieza ou absorvido pelos cuidados da terra, me descuidar de visitar-vos.

     Acendei em mim um grande desejo de estar sempre perto de vós neste sacramento. Meu amoroso Jesus, não vos ter eu amado sempre! Não ter procurado sempre agradar-vos! Consolo-me ao pensar que ainda me resta tempo de o fazer não só na outra vida, mas ainda nesta. Quero amar-vos, sim, quero amar-vos verdadeiramente, meu sumo bem, meu tesouro, meu tudo. Quero amar-vos com todas as minhas forças.

 - Meu Deus, ajudai-me a Vos amar.



Vamos a Maria 

     Pecador – diz o piedoso Bernardino de Bustis – não percas a confiança, mas recorre a esta augusta Senhora com a certeza de seres socorrido; achá-la-ás com as mãos cheias de misericórdia e de graças. E fica bem persuadido de que esta piedosíssima Rainha mais deseja fazer-te bem do que tu mesmo obteres a sua assistência”. Senhora minha, eu agradeço incessantemente a Deus o insigne favor que me fez de conhecer-vos. Infeliz de mim, se não vos conhecesse ou de vós me esquecesse; grande perigo correria a minha salvação. Mas, minha Mãe, eu vos bendigo, eu vos amo e tanta confiança tenho em vós, que nas vossas mãos entrego a minha alma.

 - Maria, feliz de quem conhece e em vós confia! 

Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Dia 18 - Conosco por amor - Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Um dia, no vale de Josafat, Jesus se assentará num trono de majestade; mas agora, no Santíssimo Sacramento, está assentado num trono de amor. Se, para testemunhar o Seu amor a um pobre pastor, o rei viesse habitar na aldeia onde ele mora, quão grande não seria a ingratidão desse pastor, se não fosse muitas vezes visitar o seu rei, sabendo que este desejava vivamente vê-lo, e que, só para ter mais frequente ocasião disso, é que veio estabalecer-se junto dele.

Meu Jesus, - agora O compreendo - é por meu amor que viestes residir no Sacramento do Altar. Desejaria, portanto, se me fosse possível, estar dia e noite em VOssa presença. Se os anjos Vos cercam continuamente, maravilhados do amor que nos tendes, é justo que, vendo-VOs por meu amor neste altar, Vos proporcione ao menos o prazer duma visita e exalte o amor e a bondade que tendes para comigo. "Na presença dos anjos cantarei os Vossos louvores, no Vosso Santo templo Vos adorarei, e, em reconhecimento da Vossa misericória e benefícios, glorificarei o Vosso nome" (Sl 137, 1-2).

Deus sacramentado, pão dos anjos e alimento divino, eu Vos amo; mas, nem Vós nem eu ficamos satisfeitos com esse amor. AMo-Vos, sim, mas amo-VOs muito pouco. Fazei Vós mesmo, Jesus, que eu conheça a beleza e a bondade imensa que amo; fazei que o meu coração expulse todos os afetos terrenos e deixe todo o lugar só para o Vosso divino amor. Para ganhardes o meu coração e vos unirdes todo a mim, desceis cada dia dos céus aos nossos altares; é, pois, justo que eu também não pense senão em Vos amar, em VOs adorar, em Vos agradar. AMo-VOs de toda a minha alma, amo-VOs com todas as minhas forças. Se quereis recompensar-me por ese amor, dai-me ainda mais amor, mais ardor, para que eu cresça sem cessar no Vosso amor e no desejo de Vos agradar.

- Jesus, meu amor, dai-me mais amor.

 REFÚGIO DOS PECADORES

Como os pobres enfermos, que, por causa de suas misérias, vivem abandonados de todos e só encontram abrigo nos hospitais públicos: assim os pecadores mais miseráveis, embora repelidos por todos, encontram acolhimento na misericórdia de Maria. Deus colocou-a neste mundo para ser o refúgio e o hospital público dos pecadores, conforme exprime São Basílio. Esta é, também, a razão por que Santo Efrém a chama "abrigo dos pecadores". Assim, minha Rainha, se a Vós recorro, não podeis repelir-me por causa dos meus peados; e quanto mais miserável sou, tanto mais razão tenho de ser acolhido sob a Vossa proteção, porque Deus Vos criou para serdes o refúgio dos mais miseráveis. A Vós, portanto, recorro, ó Maria, colocando-me debaixo do manto da Vossa proteção. Sois o refúgio e a esperança da minha salvação. Se me rejeitásseis, para quem me voltaria?

- Maria, refúgio meu, salvai-me.

Fonte: Livros Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

domingo, 21 de agosto de 2016

São Bernardo - Primeiro Sermão sobre a Assunção de Nossa Senhora


São Bernardo - Primeiro Sermão sobre a Assunção de Nossa Senhora

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja
1º Sermão para a Assunção
(a partir da trad. Pain de Cîteaux 32, p. 63 rev.)


“Em Cristo, todos serão vivificados, cada qual na sua ordem” (1Cor 15, 22-23) Hoje a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido sido o regozijo dos anjos e dos santos, quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto, e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o céu, irradiado pelo brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é justificadamente que ecoa nos céus a ação de graças e o louvor.
Ora [...], na medida em que o céu exulta da presença de Maria, não seria razoável que o nosso mundo chorasse a sua ausência? Mas não, não nos lastimemos, porque não temos aqui cidade permanente (Heb 13, 14), antes procuramos aquela aonde a Virgem Maria chegou hoje. Se já estamos inscritos no número de habitantes dessa cidade, convém que hoje nos lembremos dela [...], compartilhemos a sua alegria, participemos nesta alegria que hoje deleita a cidade de Deus; uma alegria que depois se espalha como o orvalho sobre a nossa terra. Sim, Ela precedeu-nos, a nossa Rainha, precedeu-nos e foi recebida com tanta glória que nós, seus humildes servos, podemos seguir a nossa Rainha com toda confiança gritando [com a Esposa do Cântico dos Cânticos]:


“Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!”(Ct 1, 3-4) Viajantes sobre a terra, enviamos à frente a nossa advogada [...], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação.
 
Fonte: Defensores da Sagrada Cruz

sábado, 20 de agosto de 2016

A busca da sabedoria - São Bernardo de Claraval



Dos Sermões de São Bernardo de Claraval, abade e doutor da Igreja

(Sermo dediversis15:PL 183,577-579)
(Séc.XII)
A busca da sabedoria



Trabalhemos pelo alimento que não se perde. Trabalhemos na obra de nossa salvação.
Trabalhemos na vinha do Senhor, para merecermos receber o salário de cada dia.
Trabalhemos na sabedoria, pois esta diz: Quem trabalha em mim, não pecará. O campo é o mundo, diz a Verdade. Cavemos nele, pois aí está um tesouro escondido.Vamos desenterrá-lo! É assim a sabedoria, que se extrai de coisas ocultas. Todos nós a buscamos, todos nós a desejamos.
Foi dito: se quereis procurá-la, procurai. Convertei-vos e vinde! Queres saber do que te converter? Afasta-te de tuas vontades. Mas se não encontro em minhas vontades, onde então encontrarei a sabedoria? Minha alma deseja-a ardentemente; se vier a encontrá-la, isto não me basta. Cumpre pôr em meu seio uma medida boa, apertada, sacudida e transbordante.
Tens razão. Feliz é o homem que encontra a sabedoria e que está cheio de prudência.
Procura-a, pois, enquanto podes encontrá-la; e enquanto está perto, chama-a!
Queres saber como está perto a sabedoria? Perto está a palavra, no teu coração e na tua boca; mas somente se a procurares de coração reto. No coração encontrarás a sabedoria, e a prudência fluirá de teus lábios. Cuida, porém, de tê-la em abundância e que não te escape como num vômito.
Na verdade, se encontraste a sabedoria, encontraste mel. Não comas demasiado, para que, saciado, não o vomites. Come de modo a sempre teres fome. A própria sabedoria o diz:
Aqueles que me comem, ainda têm fome. Não julgues já teres muito. Não te sacies para que não vomites e te seja retirado aquilo que pareces possuir, por teres desistido de procurar antes do tempo. Pelo fato de a sabedoria poder ser encontrada enquanto está perto, não se deve deixar de buscá-la e invocá-la. De outro modo, como disse ainda Salomão: assim como não faz bem a alguém tomar o mel em demasia, assim quem perscruta a majestade, sente-se oprimido pela glória.
Feliz o homem que encontra a sabedoria. Feliz, ou, antes, muito mais feliz quem mora na sabedoria. Talvez Salomão queira aqui significar a superabundância. São três as razões de fluírem em tua boca a sabedoria e a prudência: se houver nos lábios primeiro a confissão da própria iniqüidade; segundo a ação de graças e o canto de louvor; terceiro a palavra de edificação. Na verdade pelo coração se crê para a justiça, pela boca se confessa para a salvação. De fato, começando a falar, o justo se acusa. Depois, engrandece ao Senhor. Em terceiro, se até este ponto transborda a sabedoria, deve edificar o próximo.

http://www.liturgiadashoras.org/oficiodasleituras/6segundaTC.html
Créditos: Ou Santos ou Nada

São Bernardo de Claraval: Que fareis, bravos cavaleiros?



Que fareis, bravos cavaleiros? Que fareis, soldados cristãos? Deverei crer que lançareis aos cães o que é sagrado, e as pérolas aos porcos?

Sermão de São Bernardo de Claraval, abade, Doutor da Igreja e pregador da Segunda Cruzada, em Vezélay:

A terra estremeceu (Sal.17, 8) porque o Senhor do céu principiou a perder a terra que é muito sua. Muito sua, insisto, porquanto nela, durante mais de trinta anos, a palavra invisível do Pai se tornou visível, instruiu o povo, e como um homem conversou entre os homens (Bar. 3, 38). Muito sua, por a ter glorificado com os seus milagres, consagrado com o seu sangue, adornado com as primeiras flores de sua gloriosa ressurreição. E agora, devido aos nossos pecados, os inimigos da Cruz ergueram o seu estandarte blasfemo, e destruíram com fogo e ferro a Terra Santa, Terra de Promissão! Em breve, a menos que encontrem forte oposição, irromperão na cidade do Deus dos vivos, para destruir os preciosos monumentos de nossa redenção e devastar os lugares sagrados, outrora avermelhados pelo sangue do Cordeiro Imaculado. Ai de nós! Ardem no profano desejo de invadir o próprio santuário da religião cristã, e violar o sepulcro, onde Cristo, que é a nossa vida (Col. 3, 4), por nós, dormiu o sono da morte.

Que fareis, bravos cavaleiros? Que fareis, soldados cristãos? Deverei crer que lançareis aos cães o que é sagrado, e as pérolas aos porcos? (Mat. 7, 6)

Oh quantas multidões de pecadores, confessando as suas penas com arrependimento, se reconciliam com Deus naquela Terra Santa, desde que as espadas dos guerreiros cristãos repeliram de lá os loucos pagãos! Viu-o o pecador e se indignou; rangeu os dentes e consumiu-se (Sal. CXI,10).

Agitou os instrumentos de sua impiedade; e, se alguma vez lograr apoderar-se do Santo dos Santos, (que Deus nunca o permita), não tolereis que permaneça vestígio de sua passagem junto dos monumentos e lugares associados com a paixão de Jesus Cristo.

Que dizeis, irmãos? Se fosse anunciado que o inimigo invadiu as vossas cidades, violou os vossos lares, ultrajou vossas famílias e profanou vossas igrejas, qual de vós não pegaria em armas? Fareis menos pela honra de Jesus Cristo? Todos esses males, e outros ainda piores atingiram a sua família, da qual sois membros. O lar do Salvador foi perturbado pela espada dos sarracenos; os bárbaros destruíram a casa de Deus e dividiram entre si a sua herança. Hesitareis em debelar semelhante mal em vingar tal perversidade? Suportareis que os infiéis contemplem em paz a extensa ruína que oneraram entre o povo cristão?

Recordai que o seu triunfo será motivo de desgosto inconsolável para gerações futuras, e de desgraça perpétua para nós que o consentimos. E mais do que isso: o Deus dos Vivos encarregou-me de proclamar que se vingará de todos os que se recusem defendê-lo de seus inimigos.


Às armas, pois! Que uma indignação sagrada vos anime ao combate, e que o grito do profeta vibre por toda a cristandade: ‘Maldito seja aquele que não ensanguentar a sua espada’

(Jerem. XL VIII, 10).” (J.F. Michaud, História das Cruzadas, ed. cit., vol.II – pp..235/236 e A. Lubby, S. Bernardo).
 
Fonte: Amor Mariano

Comentário ao Evangelho do dia (18/08) feito por São Tiago de Sarug



(c. 449-521), monge e bispo sírio
Homilia sobre o véu de Moisés

«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. »

Nos seus desígnios misteriosos, o Pai tinha preparado uma esposa para o seu Filho único e tinha-Lha apresentado sob as imagens da profecia. [...] Moisés escreveu no seu livro que «o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2,24). O profeta Moisés falou-nos nesses termos do homem e da mulher para anunciar Cristo e a sua Igreja. Com o olhar agudo do profeta, ele viu Cristo unir-Se à Igreja, graças ao mistério da água: viu Cristo atrair a Igreja a Si desde o seio virginal, e a Igreja atrair Cristo a si na água do batismo. O Esposo e a Esposa ficaram assim inteiramente unidos duma maneira mística; foi por isso que Moisés, com a face velada (Ex 34,33), contemplou Cristo e a Igreja: a um chamou «homem» à outra «mulher», para evitar mostrar aos hebreus a realidade em toda a sua clareza. [...] O véu ainda cobriria esse mistério durante algum tempo: ninguém conhecia o significado dessa grande imagem; ignorava-se o que ela representava.

Depois da celebração das núpcias, veio Paulo. Viu o véu que cobria todo esse esplendor, e levantou-o, para revelar Cristo e sua Esposa ao mundo, mostrando que era mesmo a eles que Moisés tinha descrito na sua visão profética. Exultando de divina alegria, o apóstolo proclamou: «Grande é este mistério» (Ef 5,32), e revelou o que representava essa imagem velada a que o profeta chamava homem e mulher: «Eu interpreto-o como sendo Cristo e a Igreja; [...] serão os dois uma só carne» (cf Ef 5,31). 
Fonte: Evangelho Quotidiano

DIA 17 - PRESENÇA AMIGA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA




Por Santo Afonso Maria de Ligório

O maior prazes das almas amantes é estarem com as pessoas a quem amam. Se, pois, amamos muito a Jesus Cristo, aqui estamos na Sua presença. Jesus no Seu Sacramento nos vē e nos escuta; não temos então nada a dizer-Lhe? Consolemo-nos com a sua companhia; regozijemo-nos com a Sua Glória e com o amor que Lhe consagram tantas almas fervorosas. Desejemos que todos os homens amem a Jesus Sacramentado e Lhe consagrem os seus coraçōes; consagremo-Lhe, ao menos nós, todos os nossos afetos; seja Ele todo o nosso amor e o único objeto dos nossos desejos.

O Padre Salésio, da Companhia de Jesus, só ao falar no Santíssimo Sacramento, sentia-se muito consolado. Também não se saciava de O visitar: se o chamavam à portaria, se voltava ao quarto, se andava pela casa, aproveitava sempre essas ocasiões para repetir suas visitas ao Seu Amado Senhor. Assim, observou-se que quase não passava uma hora no dia sem que O visitasse. Por fim, teve a felicidade de ser morto pelos hereges, quando defendia a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Tivesse eu também a felicidade de morrer por uma causa tão bela, defendendo a verdade deste Sacramento, que nos faz compreender tão bem, amável Jesus, a ternura do Vosso amor para conosco! Senhor, a tantos milagres que operais neste Sacramento acrescentai mais este: atraí-me todo a Vós. Desejais que eu VOs pertença inteiramente, e muito o mereceis; dai-me, pois, a força de Vos amar de todo o meu coração. Os bens deste mundo dai-os a quem vos aprouver; quanto a mim, renuncio-os por completo. Não desejo e não quero senão o Vosso amor; este é o único bem que procuro e procurarei sempre. AMo-Vos, Meu Jesus; fazei que eu sempre Vos ame, e nada mais Vos peço.

- Meu Jesus, quando Vos amarei verdadeiramente?


MÃE AMÁVEL

Minha doce Rainha, quanto me agrada o belo título de Mãe amável, com que VOs invocam os Vossos piedosos servos. Sim, como sois amável, ó Senhora Minha! "A Vossa beleza arrebatou o próprio Senhor" (Sl 44,12). São Boaventura diz que o Vosso nome é por si só tão amável aos que Vos amam, que, pronunciando-o ou ouvindo anunciá-lo, logo se sentem inflamar e crescer no desejo de Vos amar. É justo, portanto, Minha Mãe querida, que eu Vos ame; mas não me contento ső com o amar-Vos; desejo, agora na terra e depois no céu, ser o que Vos ame mais depois de Deus.

Se este meu desejo é muito ousado, a causa única disto é a Vossa amabilidade e o amor especial que me tendes testemunhado. Se fôsseis menos amável, menor seria o meu desejo de amar-Vos. Aceitai, pois, Senhora, este meu desejo; e como prova de que o haveis aceitado, obtende-me de Deus este amor que Vos peço, e que tão agradável é ao Senhor.

- Mãe amabilíssima, eu Vos amo muito.


Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramento e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Comentário do Evangelho do dia (17/08) feito por São Gregorio Magno



(c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, n.º 19

Os trabalhadores da vinha do Senhor

O Reino dos Céus é comparado a um pai de família que contrata trabalhadores para cultivar a vinha. Ora, quem, a não ser o nosso Criador, merecerá com justiça ser comparado a tal pai de família, Ele que governa aqueles que criou, e que exerce neste mundo o direito de propriedade sobre os seus eleitos como um amo o faz com os servos de sua casa? Ele possui uma vinha, a Igreja universal, que produziu, por assim dizer, tantos sarmentos quantos os santos, desde Abel, o justo, até ao último eleito que nascerá no fim do mundo.

Este Pai de família contrata trabalhadores para cultivar a sua vinha ao nascer do dia, à terceira hora, à sexta, à nona e à décima primeira, dado que não cessa, desde o princípio do mundo até ao fim, de reunir pregadores para instruir a multidão dos fiéis. Para o mundo, o nascer do dia foi de Adão a Noé; a terceira hora, de Noé a Abraão; a sexta, de Abraão a Moisés; a nona, de Moisés até à vinda do Senhor; e a décima primeira, da vinda do Senhor até ao fim do mundo. Os santos apóstolos foram enviados a pregar nesta última hora e, apesar da sua vinda tardia, receberam o salário por completo.

O Senhor não pára, portanto, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivar a sua vinha, isto é, para ensinar o seu povo. Porque, enquanto fazia frutificar os bons costumes do seu povo através dos patriarcas, dos doutores da Lei e dos profetas, e finalmente dos apóstolos, Ele trabalhava, por assim dizer, no cultivo da sua vinha por intermédio dos seus trabalhadores. Todos aqueles que, a uma fé justa, acrescentaram boas obras, foram os trabalhadores dessa vinha.
 
Fonte: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 16 de agosto de 2016

DIA 16 - JESUS, NOSSA VIDA - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Se os homens recorressem sempre ao Santíssimo Sacramento, quando procuram remédio para seus males, certamente não seriam tão miseráveis como são. Jeremias suspirava, dizendo: "Porventura não há bálsamo em Galaad? Ou não se encontra ali médico algum?" (Jr 8,22).

Galaad, montanha da Arábia, rica em unguentos aromáticos, é, no dizer de São Beda Venrável, uma figura de Jesus Cristo, que nos preparou neste Sacramento todos os remédios para os nossos males. Por que então - parece dizer o Redentor - por que então vos queixais dos vossos males , filhos de Adão, sendo que tendes neste sacramento o médico e o remédio para todo mal? "Vinde todos a Mim... e eu vos alentarei" (Mt 11,28). Quero, pois, dizer-Vos com as irmãs de Lázaro: "Senhor, eis que está enfermo aquele que amais" (Jo 11,3).

Senhor, eu sou esse miserável a quem Vós amais; os pecados abriram chagas em minha alma; venho, pois, a Vós, meu médico Divino, a fim de que me cureis; se o quiserdes, podeis curar-me; sim, "curai a minha alma, porque contra Vós pequei" (Sl 40,5).

Bom Jesus, pelos amáveis laços do Vosso amor, atraí-me todo a Vós. Prefiro viver unido a Vós a ser senhor de toda a terra. Nada desejo neste mundo senão amar-Vos. Pouco é o que Vos posso dar; mas, se pudesse ter todos os reinos do mundo, não os quisera senão para renunciá-os todos por Vosso amor. Por Vosso amor renuncio, pois, a tudo que possuo: a todos os meus parentes, a todas as comodidades, a todos os prazeres e até mesmo às consolações espirituais; numa palavra, sacrifico-Vos a minha liberdade, a minha vontade. Quero dar-Vos todos os meus afetos. Amo-Vos, bondade infinita, amo-Vos mais que a mim mesmo e espero amar-Vos eternamente.

- Meus Jesus, entrego-me a Vós, recebei-me.


MÃE ACOLHEDORA

Senhora minha, dissestes a Santa Brígida: "Por mais culpado que seja um homem, se ele vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a recebê-lo. Não considero o número de seus pecados, mas as disposições de seu coração; pois não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou Mãe de misericórdia" Visto que podeis e quereis curar-me, ó Maria, eu a Vós recorro, dizendo: curai todas as chagas da minha alma. Basta que digais uma só palavra a Vosso Divino Filho, e eu serei curado.

- Maria, tende compaixão de mim!



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Comentário do Evangelho do dia (16/08) feito por São Pedro Damião



(1007-1072), eremita, bispo, doutor da Igreja 
Sermão 9; PL 144, 549-553


Deixar tudo para seguir a Cristo


Na verdade, é uma grande coisa «deixar tudo», mas ainda é ainda mais importante «seguir a Cristo»; porque, como aprendemos através dos livros, muitos deixaram tudo mas não seguiram a Cristo. Seguir a Cristo é a nossa tarefa, o nosso trabalho, e nisso consiste o essencial da salvação do homem; mas não podemos seguir a Cristo se não abandonarmos tudo o que nos entrava. Porque «Ele sai, a percorrer alegremente o seu caminho como um herói» (Sl 18,6), e ninguém pode segui-Lo carregado com fardos. 

«Nós deixámos tudo para Te seguir», diz Pedro, não apenas os bens deste mundo mas também os desejos da nossa alma. Porque quem continua apegado, nem que seja a si mesmo, não abandonou tudo. Mais ainda, não serve de nada deixar tudo à exceção de si mesmo, porque não há para o homem fardo mais pesado que o seu eu. Que tirano será mais cruel, que senhor será mais impiedoso para o homem do que a sua própria vontade? [...] Por consequência, é necessário que deixemos os nossos bens e a nossa vontade própria se que queremos seguir Aquele que não tinha sequer «onde reclinar a cabeça» (Lc 9,58) e que não veio para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que O enviou (Jo 6,38).


Fonte: Evangelho Quotidiano

DIA 15 - FOGO DE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

"Eu vim trazer fogo à terra - diz o Senhor - e que desejo senão que ele se acenda?" (Lc 12,49). Dizia o venerável Pe. Francisco Olímpio, teatino, que não há na terra coisa que mais vivamente acenda o fogo do amor divino no coração dos homens do que o Santíssimo Sacramento do altar. É o que o Senhor fez conhecer a Santa Catarina de Sena, quando se deixou ver no Santíssimo Sacramento sob a forma de uma fornalha do amor, da qual saíam torrentes de chamas divinas, que se espalhavam por toda a terra. Em vista disso a Santa, maravilhada, não sabia explicar como pudessem os homens viver sem se consumirem nas chamas do amor Divino. Meu Jesus, abrasai-me de amor por Vós; fazei que eu não pense senão em Vós, não suspire senão por Vós, não deseje e não procure senão a Vós. Como eu seria feliz, se este fogo sagrado me possuísse por completo, e, ao se consumirem os meus anos, ele consumisse felizmente em mim todos os afetos terrenos.

Verbo Divino, Meu Jesus, vejo-Vos sobre o altar, imolado, aniquilado e destruído por meu amor; é, pois, muito justo que, como Vos tornais vítima de amor por mim, assim eu me consagre e sacrifique todo a Vós. Sim, Meu Deus e Meu Soberano Senhor, sacrifico-Vos hoje toda a minha alma, todo o meu ser, toda a minha vida. Este meu pobre sacrifício eu o associo, Pai eterno, ao Sacrifício infinito que Jesus Cristo, Vosso Filho e meu Salvador, vos fez de si mesmo outrora na cruz, e que renova ainda, cada dia, tantas vezes, sobre os Altares. Aceita-o, pois, pelos merecimentos de Jesus, e concedei-me a graça de o renovar todos os dias da minha vida, e de morrer sacrificando-me todo em honra Vossa. Desejo a graça, a tantos mártires concedida, de morrer por Vosso amor. Mas, se não sou digno de tamanho favor, ao menos concedei-me, Senhor, o de Vos sacrificar de boa vontade a minha vida, aceitando desde já a morte que vos aprouver enviar-me. Senhor, eis a graça que desejo: morrer para Vos honrar e ser-Vos agradável. E, por isso, desde já Vos sacrifico a minha vida e Vos ofereço a minha morte, de qualquer forma e em qualquer tempo que ela venha.

- Meu Jesus, quero morrer para Vos ser agradável.



ESPERANÇA NOSSA

Senhora minha, permiti que, com São Bernardo, eu Vos chame ainda "o fundamento de minha esperança"; e deixai-mo dizer, com São João Damasceno, que "em Vós depositei toda a minha esperança". Vós haveis, pois, de alcançar-me o perdão de meus pecados, a perseverança até à morte e a graça de ser livre do purgatório. Aqueles que se salvam, todos Vos devem a salvação; Vós, pois, Maria, é que me haveis de salvar. Tende, portanto, vontade de salvar-me e serei salvo. Ora, Vós salvais todos os que Vos invocam. Pois bem, eu Vos invoco, dizendo:

- "Salvação dos que Vos invocam, salvai-me" (São Boaventura).



Fonte: Livro Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

Solenidade da Assunção da Santísisma Virgem Maria - Comentário do Evangelho do dia (15/08) feito por São João Damasceno



(c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja 
1.ª Homilia sobre a Dormição, 11-14


A Virgem Maria, «imagem da Igreja futura [...] que guia e sustenta a esperança do teu povo» (Prefácio)

Ó Mãe de Deus, sempre virgem, a tua sagrada partida deste mundo é verdadeiramente uma passagem, uma entrada na morada de Deus. Saindo deste mundo material, entras numa «pátria melhor» (Heb 11,16). O céu acolheu com alegria a tua alma: «Quem é esta, que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol?» (Cant 6,10) «O rei introduziu-te nos seus aposentos» (Cant 1,4) e os anjos glorificam aquela que é a Mãe do seu próprio Senhor, por natureza e em verdade, segundo o plano de Deus. [...] 

Os apóstolos levaram o teu corpo sem mancha, o teu corpo, verdadeira arca da aliança, e depositaram-no no seu santo túmulo. E aí, como que passando outro Jordão, tu chegaste à verdadeira Terra prometida, à «Jerusalém lá do alto» (Gal 4, 26), de que Deus é arquiteto e construtor. Porque a tua alma não desceu «à habitação dos mortos», nem «a tua carne conheceu a decomposição» (At 2,31; Sl 15,10). O teu corpo puríssimo, sem mácula, não foi abandonado à terra, antes foste elevada até à morada do Reino dos Céus, tu, a Rainha, a Soberana, a Senhora, a Mãe de Deus, a verdadeira Theotokos. 

Hoje aproximamo-nos de ti, a nossa Rainha, Mãe de Deus e Virgem; voltamos a nossa alma para a esperança que és para nós. [...] Queremos honrar-te com «salmos, hinos e cânticos espirituais» (Ef 5,19). Ao honrar a serva, exprimimos a nossa ligação ao nosso Senhor comum. [...] Lança os teus olhos sobre nós, ó Rainha, Mãe do nosso bom Soberano; guia o nosso caminho até ao porto sem tempestades do desejo bom de Deus.

Fonte: Evangelho Quotidiano

DIA 14 - AMOR PEDE AMOR - VISITAS A JESUS SACRAMENTADO E A NOSSA SENHORA



Por Santo Afonso Maria de Ligório

Amável Jesus, eu Vos ouço dizer daí desse tabernáculo onde residis: "Este é o lugar do Meu repouso sempiterno; nele quero habitar, porque para isto o escolhi" (Sl 131,15). Se, pois, quisestes escolher a Vossa morada entre nós sobre os altares no Santíssimo Sacramento, e o amor que nos tendes Vos faz achar aqui o Vosso repouso, justo é que os nossos corações aqui habitem sempre conVosco pelo amor, e aqui achem o Seu repouso e toda a Sua felicidade. Felizes de vós, almas amentes, que não encontrais neste mundo consolação mais doce do que a de estar aos pés de Jesus sacramentado!

Que feliz seria também eu, Senhor, se daqui em diante não encontrasse maior prazer do que o de estar sempre diante de Vós ou ao menos pensando sempre em Vós que, nesse Santíssimo Sacramento, estais pensando continuamente em mim e na minha felicidade!

Senhor, por que tenho eu perdido tantos anos, nos quais não Vos tenha amado? Anos infelizes, eu Vos detesto; e a Vós bendigo, ó paciência infinita do Meu Deus, que tantos anos me tendes suportado. Apesar de tão ingrato, Vós me esperais ainda: por que, Meu Deus, por quê? A fim de que, um dia, vencido pelas Vossa misericórdias e pelo Vosso amor, eu me dê inteiramente a Vós. Senhor, não quero mais ser ingrato para conVosco. É justo que Vos consagre o tempo, que ainda me resta de vida, quer pouco quer muito. Espero, Meu Jesus, que me auxiliareis a ser todo Vosso; pois, se tanto me favorecestes, quando eu Vos fugia e desprezava o Vosso amor, como não devo esperar que me favoreçais agora que Vos procuro  e Vos desejo amar, Deus digno de um amor infinito? Amo-Vos de todo o meu coração, amo-Vos sobre todas as coisas, amo-Vos mais que a mim mesmo, mais do que a minha própria vida. Arrependo-me de Vos haver ofendido, bondade infinita. Perdoai-me, e, com o perdão, concedei-me a graça de Vos amar muito nesta vida até à morte e, na outra, por toda a eternidade.

Pelo Vosso poder. Deus todo-poderoso, mostrai ao mundo este prodígio: uma alma tão ingrata como a minha, convertida numa das mais fervorosas no Vosso amor. Fazei-o pelos Vossos méritos, Meu Jesus. Isto é o que proponho fazer durante toda a minha vida; Vós quo me inspirais este desejo, dai-me forças para o pôr em prática.

- Graças Vos dou, Meu Jesus, por me haverdes esperado até esta hora.

Na foto, São João Bosco diante de 
uma imagem da Santíssima Virgem


NOSSA CONFIANÇA

"Ninguém - diz São Germano, dirigindo-se a Maria - ninguém se salva senão por Vós, ninguém se livra dos males senão por Vós, ninguém recebe um favor Divino senão por Vós." Assim, pois, minha Senhora e minha esperança, se não me ajudardes, estou perdido, e não poderei ir bendizer-Vos no paraíso. Mas, Senhora Minha, todos os Santos dizem que não abandonais a quem a Vós recorre. Só se perde aquele que a Vós não se recomenda. A Vós, pois, recorro miserável como sou e em Vós ponho todas as minhas esperanças.

- "Maria é toda a minha confiança, e todo o fundamento da minha esperança" (São Bernardo).


Fonte: Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora, de Santo Afonso Maria de Ligório

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

HOMILIA DE SÃO JOÃO PAULO II NA SUA ÚLTIMA FESTA DE ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade…» (Lc 1, 39). As palavras deste trecho evangélico fazem-nos vislumbrar, com os olhos do coração, a jovem de Nazaré a caminho da cidade da Judeia, onde morava a sua prima, para lhe oferecer os seus serviços. Aquilo que nos surpreende acima de tudo, em Maria, é a sua atenção repleta de ternura pela sua parente idosa. Trata-se de um amor concreto, que não se limita a palavras de compreensão, mas que se compromete pessoalmente numa verdadeira assistência. À sua prima, a Virgem não dá simplesmente algo que lhe pertence; Ela dá-se a si mesma, sem nada exigir como retribuição. Ela compreendeu de maneira perfeita que, mais do que um privilégio, o dom recebido de Deus constitui um dever, que a empenha no serviço aos outros, na gratuidade que é própria do amor.

A minha alma proclama a grandeza do Senhor…(Lc 1, 46). No seu encontro com Isabel, os sentimentos de Maria brotam com vigor no cântico do Magnificat. Através dos seus lábios exprimem-se a expectativa repleta de esperança dos «pobres do Senhor», e a consciência do cumprimento das promessas, porque Deus «se recordou da sua misericórdia» (cf. Lc 1, 54).

É precisamente desta consciência que brota a alegria da Virgem Maria, que transparece no conjunto do cântico: alegria de saber que Deus olha para Ela, apesar da sua fragilidade (cf. Lc 1, 48); alegria em virtude do serviço que lhe é possível prestar, graças às grandes obras que o Todo-Poderoso realizou em seu favor; alegria pela antecipação das bem-aventuranças escatológicas, reservadas aos humildes e aos famintos (cf. Lc 1, 52-53).

Depois do Magnificat chega o silêncio; nada se diz acerca dos três meses da presença de Maria ao lado da sua prima Isabel. Talvez nos seja dita a coisa mais importante: o bem não faz ruído, a força do amor expressa-se na discrição tranquila do serviço quotidiano.

Mediante as suas palavras e o seu silêncio, a Virgem Maria aparece como um modelo ao longo do nosso caminho. Não se trata de um caminho fácil: em virtude da culpa dos seus pais primitivos, a humanidade traz em si a ferida do pecado, cujas consequências ainda continuam a fazer-se sentir nas pessoas remidas. Mas o mal e a morte não terão a última palavra! Maria confirma-o através de toda a sua existência, sendo testemunha viva da vitória de Cristo, nossa Páscoa.

Os fiéis compreenderam-no, reconhecendo nela «a mulher revestida de sol (Ap 12, 1), a Rainha que resplandece junto do trono de Deus e intercede em favor deles.

No dia de hoje, a Igreja celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, de corpo e alma. Os dois dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção estão intimamente ligados entre si. Ambos proclamam a glória de Cristo Redentor e a santidade de Maria, cujo destino humano já está perfeita e definitivamente realizado em Deus.

E quando Eu tiver partido e vos tiver preparado um lugar, voltarei e levar-vos-ei comigo para que, onde Eu estiver, vós estejais também, disse-nos Jesus (Jo 14, 3). Maria é o penhor e o cumprimento da promessa de Cristo. A sua Assunção torna-se para nós um sinal de esperança certa e de consolação (Lumen gentium, 68).
Créditos: Aletheia

Comentário do Evangelho do dia (14/08) feito por Dionísio, o Cartuxo



(1402-1471), monge 
Comentário ao Evangelho de Lucas, 12, 72-74



Acender no coração dos homens o fogo do amor de Deus

«Eu vim trazer o fogo à terra»: desci do alto dos céus e, pelo mistério da minha encarnação, manifestei-Me aos homens para acender no coração humano o fogo do amor divino. «E que quero Eu senão que ele se acenda?» – isto é, que pegue e se torne uma chama ativada pelo Espírito Santo, que faça brilhar atos de bondade! 

Cristo anuncia a seguir que terá de morrer na cruz para que o fogo deste amor incendeie a humanidade. Foi, efetivamente, a santíssima Paixão de Cristo que valeu à humanidade dom tão grande, e é sobretudo a memória da sua Paixão que acende uma chama nos corações fiéis. «Tenho de receber um batismo»; ou seja: compete-Me e está-Me reservado, por especial disposição de Deus, receber um batismo de sangue, banhar-Me e como que mergulhar nas águas do meu sangue derramado na cruz, a fim de resgatar o mundo inteiro. «E estou ansioso até que ele se realize» – por outras palavras, até que a minha Paixão seja completa, e que Eu possa dizer: «Tudo está consumado!» (Jo 19,30). 

Fonte: Evangelho Quotidiano
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