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domingo, 17 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (05/11) feito por Santo Ambrósio



(c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de Lucas, 7, 200-203; SC 52


«Obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia»

 
Os convidados desculpam-se, embora o Reino não esteja fechado a ninguém que não se exclua a si próprio pela sua própria palavra. Na sua bondade, o Senhor convida todos; é a nossa covardia ou a nossa loucura que nos afasta. Aqueles que preferem comprar uma fazenda não têm lugar no Reino: no tempo de Noé, compradores e vendedores foram engolidos pelo dilúvio (Lc 17,26-28). […] O mesmo acontecerá àquele que se desculpa porque acabou de se casar, pois está escrito: «Se alguém vem ter comigo e não Me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo» (Lc 14,26). […]

Assim, depois do desprezo arrogante dos ricos, Cristo virou-Se para os gentios, e foi buscar bons e maus, para fazer crescer os bons e melhorar as disposições dos ímpios. […] Ele convida os pobres, os aleijados e os cegos, o que nos mostra que a deficiência física não exclui ninguém do Reino […], e que a imperfeição do pecado é curada pela misericórdia do Senhor. […]

Ele manda procurar nas encruzilhadas dos caminhos, porque «a Sabedoria clama nas esquinas» (Prov 1,20). Ele envia às praças, para dizer aos pecadores que deixem o caminho largo para alcançarem o caminho estreito que conduz à vida (Mt 7,13). Ele envia às ruas e ao longo das cercas, porque os que avançam para os bens que hão-de vir, sem serem retidos pelos bens do presente, comprometidos no caminho da boa vontade, são capazes de alcançar o Reino dos Céus; e também os que sabem distinguir o mal do bem, tal como os campos são delimitados por uma sebe, quer dizer, os que opõem o baluarte da fé às tentações do pecado. 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

sábado, 16 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (04/11) feito por Santa Teresinha do Menino Jesus



(1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico C, 28rº-vº (trad. ed. Carmelo 1996)  


«E serás feliz por eles não terem com que te retribuir»

Notei (e é muito natural) que as Irmãs mais santas são as mais amadas; procura-se conversar com elas, [e] prestam-se-lhes serviços sem que os peçam. [...] As almas imperfeitas, pelo contrário, não são nada procuradas; as pessoas mantêm-se, sem dúvida, em relação a elas, dentro dos limites da cortesia religiosa, mas, receando talvez dizer-lhes algumas palavras pouco amáveis, evitam a companhia delas. [...] Eis a conclusão que daí tiro: devo procurar, no recreio, nas licenças, a companhia das Irmãs que me são menos agradáveis, [e] exercer junto dessas almas feridas o ofício do Bom Samaritano [Lc 10,30-35].

Uma palavra, um sorriso amável, bastam, muitas vezes, para alegrar uma alma triste; mas não é exclusivamente para atingir esse objectivo que quero praticar a caridade, pois sei que bem depressa desanimaria: uma palavra que terei dito com a melhor intenção poderá ser interpretada completamente ao contrário. Assim, para não perder o meu tempo, quero ser amável para com todas (e em particular para com as Irmãs menos amáveis) para dar alegria a Jesus e corresponder ao conselho que Ele dá no Evangelho mais ou menos nestes termos: «Quando derdes um banquete, não convideis os vossos parentes nem os vossos amigos, não vão eles também convidar-vos, por sua vez, recebendo [vós] assim a vossa recompensa; mas convidai os pobres, os coxos, os paralíticos, e sereis felizes por eles não vos poderem retribuir, pois o vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará» [Mt 6,4]. Que banquete poderia uma carmelita oferecer às suas Irmãs, senão um banquete espiritual composto de caridade amável e alegre?

Quanto a mim, não conheço outro, e quero imitar São Paulo, que se alegrava com os que encontrava alegres; é verdade que chorava também com os aflitos [Rm 12,15], e algumas vezes as lágrimas devem aparecer no banquete que quero oferecer, mas procurarei sempre que essas lágrimas se transformem em alegria [Jo 16,20], já que o Senhor ama os que dão com alegria [2Cor 9,7]. 
Créditos: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O amor não é amado! - São Francisco de Assis



 O camponês perguntou: Que aconteceu,
irmão, por que estás chorando?
O Irmão respondeu:
Meu irmão,
o meu Senhor está na Cruz
e me perguntas por que choras?

Quisera ser neste momento
o maior oceano da terra,
para ter tudo isso de lágrimas.

Quisera que se abrissem
ao mesmo tempo todas
as comportas do mundo
e se soltassem
as cataratas
e os dilúvios
para me emprestarem
mais lágrimas.

Mas ainda que juntemos
todos os rios e mares,
não haverá lágrimas
suficientes para chorar
a dor e o amor
de meu Senhor crucificado.

Quisera ter as asas invencíveis
de uma águia para atravessar
as cordilheiras e gritar
sobre as cidades:

O Amor não é amado!
O Amor não é amado!

Como é que os homens podem amar
uns aos outros se não amam o Amor?


São Francisco de Assis

Fonte: Confraria de Nossa Senhora do Carmo

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (03/11) feito pelo Papa Paulo VI



(1897-1978), papa de 1963 a 1978
Audiência Geral de 26.08.1970


«Zaqueu […] procurava ver Jesus»

 
Hoje os homens têm a tendência para não […] procurar a Deus. […] Procura-se tudo, mas não se procura Deus. Deus morreu, diz-se. Já não nos ocupamos dele. Mas Deus não morreu. Perdemo-lo. Foram os homens do nosso tempo que O perderam. Mas não valeria a pena procurá-lo?

Procura-se tudo: as realidades novas e as antigas, as difíceis e as inúteis, as boas e as más, em suma, tudo. Pode-se dizer que a procura define a vida moderna. Então, porque não procuramos Deus? Não é um «valor» que merece a nossa procura? Não é uma realidade que exige um conhecimento melhor do que o puramente nominal de uso corrente? Não é melhor do que o conhecimento supersticioso e fantástico de certas formas religiosas, que devemos rejeitar exactamente porque são falsas, ou devemos purificar porque são imperfeitas? Não é melhor do que aquele conhecimento que se julga bastante informado e esquece que Deus é inefável, é mistério, e que o facto de conhecer a Deus é para nós motivo de vida, de vida eterna? (cf Jo 17,3). Não é Deus, porventura, um problema, se assim lhe quisermos chamar, que interessa de perto o nosso pensamento, a nossa consciência e o nosso destino? E se, um dia, fosse inevitável o nosso encontro pessoal com Ele?

Mais ainda: e se Ele estivesse escondido, como num interessantíssimo jogo, para nós decisivo, precisamente porque temos de O procurar (cf Is 45,19)? Ou melhor, ouvi: e se fosse Ele, Deus, o próprio Deus, que estivesse à nossa procura? 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Nobel francês respalda milagres de Lourdes

Prêmio Nobel reconhece singularidade dos milagres de Lourdes: “há curas que não estão incluídas no estado atual da ciência”.

A cura de um grave problema de hipertensão é a matéria do 69º milagre oficial ocorrido em Lourdes.

Danila Castelli, italiana, esposa e mãe de família, viajou à França em 1989 e foi curada naquele mesmo ano, muito embora o milagre só tenha sido reconhecido por parte da Igreja em 2010. O Escritório de Constatações Médicas do Santuário de Lourdes concluiu, após várias análises, que "a senhora Castelli está curada, de maneira total e duradoura, desde a sua peregrinação a Lourdes em 1989, há 21 anos, da enfermidade que sofria, e isto sem ter relação alguma com as cirurgias ou os tratamentos"01.

No mesmo lugar, em 1858, a Virgem Santíssima apareceu várias vezes à jovem – hoje santa – Bernadette Soubirous. Uma fonte de água na gruta das aparições tem sido instrumento da ação miraculosa de Deus até os dias de hoje. Embora mais de 7 mil curas "inexplicáveis" já tenham sido registradas, pouco menos de 70 delas foram devidamente reconhecidas pela Igreja – uma prova da prudência e da criteriosa investigação com que as autoridades eclesiásticas examinam os fatos que lhes são passados.

Particularmente extraordinário foi o milagre oficial n. 68 ocorrido em Lourdes. Em 2002, o peregrino Serge François foi misteriosamente curado de uma paralisia na perna02. Para agradecer, ele decidiu fazer o caminho de Santiago de Compostela a pé: mais de 1.500 quilômetros em agradecimento à Virgem de Lourdes. Nada mal para quem sofria com uma hérnia de disco.

Múltiplos são os relatos miraculosos acontecidos em Lourdes. No entanto, desde os primeiros fatos extraordinários que se passaram nesta pequena cidade francesa até os dias de hoje, o que não faltam são pessoas dogmaticamente céticas, acoimando os peregrinos e devotos de Nossa Senhora de "supersticiosos" e a Igreja, que deu seu aval às aparições da Virgem, de "inimiga da ciência".

As palavras de uma grande personalidade científica destes tempos, no entanto, testemunham a favor de Nossa Senhora de Lourdes. "Quando um fenômeno é inexplicável, se realmente existe, não há necessidade de negar nada" – é o parecer de Luc Montagnier, prêmio Nobel em Medicina e descobridor do vírus HIV. "Nos milagres de Lourdes, assegura, há algo inexplicável."

As declarações de Montagnier foram recolhidas no livro Le Nobel et le Moine03 ["O Nobel e o Monge"], no qual o cientista conduz um diálogo com Michel Niassaut, um monge cisterciense. Em determinado momento da conversa, Montagnier reconhecer ter estudado vários milagres acontecidos em Lourdes e, mesmo sendo agnóstico, crê "de verdade que é algo inexplicável". "Reconheço que há curas que não estão incluídas no estado atual da ciência", diz.

Luc Montagnier não é o primeiro Nobel a dar crédito a Lourdes. O famoso biologista francês Alexis Carrel (1873-1944), enviado em 1903 à cidade das aparições, a fim de desmascarar a "farsa" dos milagres, acabou convertendo-se à Igreja, após presenciar a cura de uma tuberculosa. A moribunda – que, segundo os diagnósticos da época, sem dúvida morreria – saiu curada das piscinas. A conversão de Carrel, até então naturalista e ateu, provocou um enorme rebuliço nos ambientes céticos do século XX.

As posições claramente imparciais de dois vencedores do prêmio Nobel derrubam o mito ateísta de que os milagres não são possíveis. E lembram a grande eficácia que tem, junto a Deus, a intercessão de Sua Mãe Santíssima.

Por Equipe Christo Nihil Praepoenre

Referências
La curación de una mujer con grave hipertensión es el milagro oficial número 69 de Lourdes
Se cura la pierna y camina hasta Santiago 1.570 kilómetros: Lourdes anuncia sua milagro oficial 68
Le Nobel et le Moine: Amazon.fr: Luc Montagnier, Michel Niaussat, Philippe Harrouard: Livres

Fonte: Padre Paulo Ricardo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A meditação da prepração para a Consagração à Nossa Senhora

Consagração a Nossa Senhora
Segundo o método de São Luís de Montfort


1. Esquema geral da meditação

a) Por-se na presença de Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo contemplado juntamente com Nossa Senhora (durante o tempo da incarnação, no presépio, em Nazaré, no Templo, na via-crúcis, no Calvário, etc.);
b) Suplicar a Nosso Senhor, através de Maria Santíssima, a graça própria do período: desprezo do mundo, conhecimento próprio, de Nossa Senhora ou de Nosso Senhor;
c) Oferecer por essa intenção uma das orações determinadas por São Luís de Montfort;
d) Meditar (ato da inteligênciaè o que eu devo saber?) sobre as verdades propostas [escolhendo entre os textos dispostos no cronograma; pode ser muito útil escolher os textos com antecedência, normalmente no dia anterior, preparando a meditação].
e) Que deve conduzir à produção e explicitação de afetos (atos da vontadeè o que eu devo querer);
f) Formular resoluções práticas, precisas (determinadas na matéria, no tempo, no espaço, nas circunstâncias, etc.) e em pequeno número, oferecendo-as a Nosso Senhor pelas mãos de Maria e suplicando força para cumpri-las;
g) Oferecer nesta intenção alguma(s) outra(s) das orações determinadas por São Luís (os exercícios remanescentes podem ser feitos em outro momento do dia).

2. Doze dias preliminares: Desapego do mundo

a) Texto introdutório do tema


(Estes textos podem servir de fio geral para as meditações, ou ser lido a cada dia, como uma espécie de leitura espiritual).

Carta circular aos amigos da cruz (I, B).

“Não estareis vós, sem perceber, no caminho largo do mundo, que é o caminho da perdição?”.
Vós sabeis, mesmo, que há uma via que parece reta e segura ao homem e que conduz à morte?
Vós distinguis, de fato, entre a voz de Deus e da graça e a do mundo e da natureza?
Vós escutais realmente a voz de Deus, nosso bom Pai, que, depois de ter dado sua tríplice maldição a todos os que seguem a concupiscência do mundo: “vae, vae, vae habitantibus in terra”, vos grita amorosamente, estendendo-vos os braços: “Separamini, popule meus: separai-vos, meu povo escolhido, caros amigos da cruz de meu filho; separai-vos dos mundanos malditos por minha Majestade, excomungados por meu filho e condenados por meu Santo Espírito”.
Tomai cuidado de não vos sentar em sua cátedra empestada (cf. Sl. 1, 1 ss.); não permaneçais nas suas assembléias, nem mesmo pareis nos seus caminhos.
Fugi do meio da grande e infame Babilônia; não escuteis mais que a voz, não sigais senão as pegadas de meu filho bem-amado, que vos dei para ser vosso caminho, vossa verdade, vossa vida e vosso modelo, “ipsum audite”.
Ouvireis vós esse amável Jesus que vos clama, carregando sua cruz: “Venite post me, vinde após mim; aquele que me segue não anda em trevas; confidite, ego vici mundum, tende confiança, eu venci o mundo?”.
Eis (...) os dois partidos que se defrontam todos os dias: o de Jesus Cristo e o do mundo.
O de nosso amável Salvador está à direita, subindo, num caminho estreito e apertado, mais do que nunca, devido à corrupção do mundo.
Esse bom Mestre vai à frente, caminhando com os pés descalços, a cabeça coroada de espinhos, o corpo todo ensangüentado e carregando uma pesada cruz; Ele não tem mais que um punhado de seguidores, mas dos mais valentes, porque sua voz – tão suave – não se escuta no meio do tumulto do mundo ou não se tem coragem de segui-Lo em sua pobreza, em suas dores, suas humilhações e suas outras cruzes, que é preciso necessariamente carregar, no seu serviço, todos os dias da vida.
À esquerda está o partido do mundo ou do demônio, o qual é o mais numeroso, o mais magnífico e o mais brilhante, pelo menos em aparência. Todas as pessoas importantes correm para ele, e todos se acotovelam, embora os caminhos sejam largos e mais alargados do que nunca pela multidão que passa por eles, como em torrentes; eles são forrados de flores, cercadas de prazeres e de jogos, cobertos de ouro e de prata.

b) Cronograma

Dia
Semana
Tema da meditação
Outros exercícios

16
Sex
DESAPEGO
DO MUNDO
1. Fugir do pecado
Mt, 5, 23; Mt 11, 12.
· Veni Creator
· Ave Maris Stella

17
Sab
2. Cumprir os mandamentos
Lc, 9, 23; Jo 14, 15-24; Mt 7, 21.

18
Dom
3. Temor de Deus
Mt 25, 13; Lc 12, 4-5; Mt 7, 13-14; Mt 18, 9.

19
Seg
4. Fidelidade
Mt 6, 24; Lc 9, 62; Lc 16, 10; Mt 7, 24.

20
Ter
5. Importância da oração
Mc, 11, 24-25; Lc, 11; Lc 18, 1; Mt 26, 41; Mt 6, 5.

21
Qua
6. Conhecimento da Verdade
Lc 5, 8-17.

22
Qui
7. Humildade e mansidão
Mt 20, 26-27; Mt 5, 44; Mt 20, 16; Mt 5, 39-40; Lc 14, 11; Mt 18, 3; Mt 11, 29.

23
Sex
8. Paciência e caridade para com o próximo
Mt 9 e 7, 1-2; Mt 18, 10; At 20, 35; Mt 5, 23-24.

24
Sab
9. Mortificação, Penitência e Sofrimento
Lc, 9, 23; Mt, 6, 16; Lc, 15, 7.

25
Dom
10.Perseguição e incompreensão
Mt 6, 5-10; Lc 6, 22-23; Jo 15, 18-19.

26
Seg
11. Desapego de tudo
Mt 6, 19-20; Mc 10, 23; Lc 10, 18-25; Lc 6, 24; Lc 14, 26; Mt 19, 29; Mt 19, 21.

27
Ter
12. Confiança na Providência
Mt 22, 11-28, Jo 6, 51-52, Lc 21, 17-18; Lc 10 e 12, 7; Jo 3, 17; Lc 12, 22-30.


3. Primeira semana: Conhecimento próprio

a) Texto introdutório do tema


(Estes textos podem servir de fio geral para as meditações, ou ser lido a cada dia, como uma espécie de leitura espiritual).

São Luís de Montfort - TVD 228
Durante a primeira semana eles empregarão todas as suas orações e ações de piedade para pedir o conhecimento de si mesmos e a contrição de seus pecados; e eles farão tudo em espírito de humildade.

São Luís de Montfort - TVD 78
Para esvaziar-nos de nós mesmos é preciso, primeiramente, conhecer bem, pela luz do Espírito Santo.
a) Nosso fundo mau;
b) Nossa incapacidade para todo o bem útil para a salvação;
c) Nossa fraqueza em todas as coisas;
d) Nossa inconstância em todo tempo;
e) Nossa indignidade de toda graça e
f) Nossa iniquidade em todo lugar.
O pecado de nosso primeiro pai nos estragou, amargou, inchou e corrompeu quase inteiramente, como o fermento amarga, incha e corrompe a massa onde é posto.
Os pecados atuais que nós cometemos, sejam mortais, sejam veniais, ainda que perdoados, aumentaram nossa concupiscência, nossa fraqueza, nossa inconstância e nossa corrupção e deixaram maus restos em nossas almas.
(...) Nós somos naturalmente mais orgulhosos que os pavões, mais agarrados à terra que os sapos, mais sujos que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais gulosos que os porcos, mais iracundos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que juncos e mais inconstantes que os cata-ventos.


b) Santo Inácio de Loyola - Exercícios espirituais


Segundo exercício – Meditação dos pecados

(...) Trarei à memória todos os pecados da vida, considerando ano por ano, ou período por período. (((Para isso será útil recordar três coisas: 1º) ver o lugar e a casa onde vivi; 2º) as relações que tive com outras pessoas; 3º) a profissão que exerci.
(...) Ponderarei os pecados, considerando a fealdade e malícia que cada pecado mortal cometido tem em si, ainda que não fosse proibido.
((...) Olharei bem quem sou eu, diminuindo-me por meio de comparações: 1º) Quem sou em comparação com todos os homens? (2º) Quem são os homens em comparação com todos os anjos e santos do paraíso? (3º) Que são todas as criaturas em comparação com Deus? E eu só, que posso ser? (4º) Considerarei toda a minha corrupção e miséria do meu corpo. (5º) Ver-me-ei como uma chaga e tumor de onde saíram tantos pecados e tantas maldades e veneno tão hediondo.
(...) Considerarei quem é Deus contra quem pequei, segundo os seus atributos, comparando-os com os seus contrários em mim: a sua Sabedoria e a minha ignorância; a sua Onipotência, a minha fraqueza; a sua Justiça, a minha iniquidade; a sua Bondade, a minha maldade.
(...) Terminarei com um colóquio de sua misericórdia, ponderando vem e dando graças a Deus Nosso Senhor, porque me deu vida até agora, e proporei emenda para o futuro com a sua graça.

c) Cronograma

O propósito destas meditações é que conheçamos nossas más tendências não apenas de modo geral, como comuns a todos os homens, mas de modo particular, naquilo que em que elas têm de próprio em nós, para que conhecendo melhor, as odiemos e combatamos melhor, mas, sobretudo, para vejamos como somos impotentes por nós mesmos para vencê-las.
Analisando com cuidado o conjunto de nossos pecados, podemos descobrir também a paixão dominante, ou seja, o vício principal e mais profundo que determina a maior de nossos pecados particulares.
Como, no entanto, o homem só se move em vista de um bem, determinando essa tendência mais profunda da alma, podemos procurar ver como essa “sede”, que ilusoriamente procura satisfazer com as criaturas pode ser plenamente satisfeita em Deus, único bem a que devemos buscar.
Nem para vencer esse mal, nem para buscar com segurança e constância esse bem, temos luz na inteligência nem força na vontade, sem a graça de Deus, que se obtém segura e facilmente por meio de Maria.



28
Qua
CONHECIMENTO PRÓPRIO
Pecados: 1ª Infância
· Jaculatórias: “Domine, ut videam”, “Noverim me”.

· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Ladainha de Nossa Senhora

29
Qui
Pecados: Infância

30
Sex
Pecados: Adolescência

31
Sab
Pecados: Idade adulta

01
Dom
Paixão dominante

02
Seg
Transposição da paixão dominante para o amor a Deus


4. Segunda semana: Conhecimento de Nossa Senhora


a) Textos introdutórios do tema

São Luís de Montfort - TVD 258
(...) Como uma alma é feliz quando (...) está inteiramente possuída e governada pelo espírito de Maria, que é um espírito.
Doce e forte
Zeloso e prudente
Humilde e corajoso
Puro e fecundo

Maria Fons

Olhando todos os adjetivos que São Luís dá, facilmente se chega à idéia de curso de água, de regato, de fonte, porque:

Ø A água que corre é suave (nunca fere, sempre é agradável).
Ø Mas forte, e é difícil resistir ao seu ímpeto e não ser arrastado; não há praticamente obstáculo que o ímpeto das águas não possa vencer, de imediato ou com o tempo;
Ø É humilde porque sempre procura o mais baixo,
Ø Mas é corajosa, porque se lança sem medo ao desconhecido, vai sempre além, sem se deter e não descansa enquanto não encontra o Mar, mesmo se, às vezes, é preciso lançar-se em abismos, fazendo uma linda cachoeira (a cachoeira é o heroísmo do rio);
Ø A água é também zelosa, porque procura diligentemente a passagem, porque “molha” tudo o que toca, porque sempre se difunde (no sentido próprio de difusão, vai pegando por “osmose”; assim como o fogo que pega em tudo o que toca, a água também; é verdade que algumas coisas são impermeáveis, molham por fora, mas não molham por dentro, como outras são incombustíveis, mas a água sempre tenta... e sempre faz algum efeito);
Ø E a água é também prudente: sempre procura o caminho fácil, o mais adequado, só vai pelo difícil quando não há jeito; sempre exerce a prudência, que é buscar o meio adequado para chegar ao seu fim.
Ø A água é também pura, não apenas é pura em si mesma (sem cor, sem gosto, sem cheiro, sem sabor è nada para os sentidos) como também purifica tudo, lava tudo, faz tudo ficar puro;
Ø E como é fecunda. Toda semente nasce, cresce e frutifica por causa da água; ela é o elemento fecundante e fecundo por excelência;

Não é sem razão, portanto, que Nossa Senhora é chamada de fonte: “Maria fons”.

b) Textos próprios para as meditações

1) Doçura

“Vita, dulcedo et spes nostra, salve...”.

São Luís de Montfort - TVD 85
(...) ele é boa, ela é terna; não há nela nada de austero nem de rebarbativo, nada de sublime demais ou brilhante demais; vendo-a, vemos nossa pura natureza. Ela não é o sol que, pela vivacidade de seus raios, poderia cegar-nos por causa de nossa fraqueza, mas ela é bela e doce como a lua, que recebe sua luz do sol e a tempera pra torná-la conforme a nossa debilidade.

Santo Afonso de Ligório – Glórias de Maria – O dulcis
Mas eu não falo aqui dessa doçura sensível, porque essa não se concede comumente a todos. Falo dessa salutar doçura de conforto, de amor, de alegria, de confiança e de fortaleza que esse nome de Maria ordinariamente dá àqueles que o pronunciam com devoção.
[...] Abrasado em amor, assim falava ternamente S. Bernardo a sua bondosa Mãe: Ó excelsa, ó bondosa e veneranda Maria, como é o vosso nome tão cheio de doçura e de amabilidade. Ninguém o pode proferir sem que se veja abrasado de amor para com Deus e para convosco.

2) Força

“Turris Davidica, Turris eburnea...”.

P. Justin de Mieckow – As litanias da Santíssima Virgem – Torre de Davi
Uma torre é um edifício elevado, dominando todos as construções ao redor e construída solidamente, na qual, à aproximação do inimigo, os habitantes do campo e das cidades se refugiam, normalmente. [...] assim a Bem-aventurada Virgem Maria é uma torre na Igreja, porque ela domina todos os que nasceram antes dela, aqueles que nasceram na santidade e foram criados na justiça. Todos os culpados, todos os tristes, todos os afligidos se refugiam nela, e por sua proteção são livres de toda espécie de inimigos.
A bem-aventurada Virgem é chamada torre por causa de sua elevação e por causa de sua força.
A elevação de Maria consiste em quatro virtudes:
· Na contemplação das coisas eternas,
· No acúmulo de méritos,
· Na força da qualidade interiores e
· No desprezo das coisas terrestres.
[...] A bem-aventurada Virgem é comparada a uma torre por causa de sua solidez. As torres são edifícios sólidos, destinados à defesa de um campo, de uma região, de uma praça, de uma cidade, nas quais, quando de um cerco, de um perigo, os soldados e todo o povo se refugiam para aí ficar em segurança. De lá eles montam guarda e vigiam para todos os lados para impedir que o inimigo entre no campo ou na cidade.
Que torre mais forte, mas sólida, mais bela que a santíssima Virgem? Deus a fortificou de tal modo pela graça que nunca ele a se afastou dele, nem por falavas, nem por ações, nem por pensamentos. Oh, que torre fortíssima foi essa alma abençoada que o demônio não pode forçar por nenhuma fraude, nenhuma sugestão. Ele não pode nunca ocupar uma só ameia dessa torre inexpugnável (...). É uma torre sólida, fundada sobre a pedra firme de que fala São Paulo: “A pedra, era Jesus Cristo...”.
É uma torre imóvel, já que “Deus no meio dela não será movido”.
A bem-aventurada Virgem uma torre forte porque, tomando nossa defesa contra os inimigos inferiores, ela desarma suas armadilhas, descobre seus estratagemas, enfraquece o seu poder, quebra a sua força, os põe em fuga e impede-os de nos suplantar e nos vencer.
[...] Numa torre, os soldados montam guarda e velam de todos os lados a fim de que o inimigo não se apodere da cidade ou da fortaleza. Velam na bem-aventurada Virgem, como numa torre muito alta, os que estudam sua vida por uma freqüente meditação e seguem seus exemplos com uma piedade assídua. Munidos assim, eles evitam todas as armadilhas, todos os estratagemas do inimigo e defendem energicamente a cidade de suas almas contra o ataque do inimigo.

3) Zelo

“E naqueles dias, levantando-se, Maria foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel...”.

Santo Afonso de Ligório – As virtudes de Maria
O amor a Deus e ao próximo nos é imposto pelo mesmo preceito. A razão e, diz Santo Tomás, que quem ama a Deus ama a tudo que por Deus é amado. Santa Catarina de Gênova dia a Deus certo dia: Senhor, quereis que ame o meu próximo, e não posso amar senão a Vós. Deus lhe respondeu: Quem me ama, ama tudo quanto me é caro.
Ora, como nunca houve nem haverá jamais criatura mais abrasada que Maria, no amor a Deus, também não houve nem haverá jamais criatura mais devotada que Ela a seu próximo.
Cornélio a Lapide, explicando um texto dos Cânticos, diz que o Verbo encarnado no seio de Maria encheu de caridade a sua Mãe, para que Ela auxiliasse a quem se Lhe dirigisse.
Maria estava tão cheia de caridade quando vivia na terra, que socorria todos quantos necessitavam de seu auxílio, mesmo sem Lho pedirem/ citemos como prova as bodas de Caná, onde pediu ao filho o milagre do vinho, expondo-lhe a situação aflitiva da família. Oh! Qual não era a sua solicitude quando se tratava de socorrer o próximo, por exemplo, quando foi à casa de Isabel para desempenhar um encargo de caridade.
Não nos podia dar melhor prova dessa grande caridade do que oferecendo seu Filho à morte por nossa salvação.
E essa caridade de Maria para conosco, dis São Boaventura, não diminuiu no céu; pelo contrário, aumentou muito.

4) Prudência

“Virgo Prudentissima...”.

“Maria, no entanto, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração”.

“Como se fará isso?”.

São Bernardo, Sermão sobre o “Missus est”, 9.
“Ela, ao ouvir isso, turbou-se [Maria] e pensava que saudação seria aquela”. [...].Turbou-se, mas não se perturbou. Turbei-me, diz o profeta, e não falei, mas meditei os dias antigos e tive em minha mente os anos eternos. Assim também Maria turbou-se e não falou, mas pensava que saudação seria aquela.
O ter-se turbado, foi pudor virginal; o não se ter perturbado, foi fortaleza; o haver calado e pensado foi prudência. Pensava que saudação seria aquela.
Sabia essa Virgem prudente que muitas vezes Satanás se disfarça em anjo de luz; e, sendo humilde e modesta, não esperava tal coisa de um anjo santo; por isso pensava entre si que saudação seria aquela.

5) Humildade

“Eis aqui a escrava do Senhor”

São João Eudes – O Magnificat

Quia respexit humilitatem ancillae suae
Lançou os olhos sobre a humildade da sua serva: qual é essa humildade de que fala a Bem-aventurada Virgem? A esse respeito não são unânimes os pensamentos dos santos Doutores. Dizem alguns que, entre todas as virtudes, a humildade é a única que não se contempla e não se conhece a si mesma; pois o que se julga humilde é soberbo. Razão pela qual, ao dizer a Bem-aventurada Virgem que Deus olhou a sua humildade, não se refere à virtude da humildade, mas à sua baixeza e abjeção.
“Há duas espécies de humildade, diz São Bernardo. A primeira é a filha de verdade, é fria e sem calor. A segunda é filha da caridade, e nos abrasa. A primeira consiste no conhecimento, e a segunda na afeição. Pela primeira, conhecemos que nada somos, e esse conhecimento, tomamo-lo de nós mesmo e de nossa própria miséria e enfermidade. Pela segunda, calcamos aos pés a glória do mundo, e aprendemo-la dAquele que se aniquilou a Si mesmo, e que fugiu quando O procuraram para elevá-lO à glória de realeza; e que, em vez de fugir, ofereceu-Se voluntariamente quando O procuram para crucificá-lO e mergulhá-lO em um abismo de opróbrios e ignomínias”.
Se perguntardes porque Deus considerou antes a humildade da Santíssima Virgem que a sua pureza e suas outras virtudes, se todas nEla se achavam em grau elevadíssimo, responder-vos-á S. Alberto Magno, com Santo Agostinho, que considerou antes a sua humildade, porque Lhe era mais agradável que sua pureza.
“A virgindade é muito louvável, diz São Bernardo, mas a humildade é necessária. Aquela é de conselho, esta de mandamento. Podeis ser salvo sem a virgindade, mas sem a humildade não há salvação. Sem a humildade de Maria, ouso dizer que não teria sido agradável a Deus a sua virgindade. Se Maria não fosse humilde, o Espírito Santo não teria decido a Ela; e se não houvesse descido a Ela, Ela não seria Mãe de Deus. Ela agradou a Deus pela virgindade, mas concebeu o Filho de deus pela humildade. Donde é necessário concluir que foi a humildade que tornou sua virgindade agradável à divina Majestade”.

6) Coragem

“Regina martirum...”.

P. Justin de Mieckow – As litanias da Santíssima Virgem – Rainha dos Mártires
Há dois tipos de coragem. A primeira consiste em desprezar, por amor de Deus, as coisas que contrariam o corpo. A segunda em empreender com uma grande coragem as coisas mais difíceis, segundo a definição de Santo Ambrósio. A Santa Virgem, aos pés da cruz não desprezou todas as dores e não se imolou a si mesma ao Pai ao mesmo tempo que seu Filho? Não cooperou ela com a nossa redenção? Quem a viu abatida pela adversidade? Quem a viu alquebrada pelas dores? Quem a viu alegrar-se desmesuradamente pela prosperidade?
A coragem da Virgem brilhou com o mais alto brilho: vendo seu Filho único, não um filho qualquer, mas Deus e homem ao mesmo tempo, suspenso na cruz pelos pecados do mundo inteiro, ele suportou essa dor essa dor tão viva com tanta força de alma que não fez nada de contrário a sua dignidade ou a sua razão, nada que não indicasse a maior moderação ou a maior constância. Assim, nunca ele sofreu qualquer desfalecimento (...).
Salomão nos Provérbios procurava com cuidado uma mulher magnânima, invencível, heróica, pois as mulheres são, por natureza, fracas e covardes. “Quem encontrará, diz ele, uma mulher forte?” Maria foi essa mulher verdadeiramente magnânima e forte que, vendo seu Filho único Tão caro e inocente, amarrado diante dela, flagelado, suspenso na cruz, maltratado, vendo-os os maus porem sua carne em pedaços, não se deixou de nenhum modo perturbar pela adversidade, ansiedade, cor nem foi agitada por nenhum movimento de impaciência. “Maria, diz o santo evangelista, Mão de Jesus, se mantinha de pé junto da cruz de seu filho”.
[...] Quem exprimirá dignamente essa força de alma da Virgem? Quem não ficará estupefacto vendo tanta coragem? A experiência mostra que homens ilustres, ainda que dotados de uma grande força de alma, como César, Pompeu, Heitor, Aquiles, fraquejaram às vezes na adversidade. Não foi assim com a Virgem. Ela permaneceu inabalável no meio das tropas cruéis dos algozes, no meio dos soldados romanos e dos inimigos judeus; seu sexo, seu pudor virginal, nada a reteve em casa; a coorte de soldados não a amedrontou; a amargura da dor não a fez desmaiar; o horrível espetáculo de seu filho na cruz não a perturbou; tantas injúrias feitas a seu filho crucificado não a apavoraram e não a fizeram fugir. “Ela se manteve de pé junto à cruz de Jesus”. Oh, que coragem notável da virgem! Oh, magnanimidade mais do que heróica.


São Bernardo, 2º Sermão sobre Nossa Senhora, 5 ss.
E quem [a não ser Maria], buscava Salomão quando dizia: “A mulher forte, quem a encontrará?” Ele bem conhecia, aquele homem sábio, a fraqueza desse sexo, seu corpo frágil, seu espírito inconstante.
Contudo, ele tinha lido que Deus prometera que aquele que vencera pela mulher seria, por sua vez, vencido pela mulher, e ele via que isso era uma coisa muito conveniente. Assim, repleto de uma veemente admiração, ele exclamava; “A mulher forte, quem a encontrará?”, o que queria dizer: se da mão de uma mulher depende a salvação de todos nós, a restauração da inocência e a vitória sobre o inimigo, é preciso, absolutamente, prevê-la forte, a que será capaz de uma tão grande obra.
Mas “essa mulher forte, quem a encontrará?” E, para mostrar bem que não procurava sem esperança, acrescenta como profeta: “Seu preço nos vem de longe, das extremidades da terra”, o que quer dizer?
O valor dessa mulher não é qualquer coisa de vil, de insignificante ou de medíocre, ele não vem da terra, mas do céu, nem sequer do céu próximo da terra, mas “seu ponto de partida é o mais alto dos céus”.

7) Pureza

“Virgo virginum, Mater castissima”.

São Bernardo, Sermão sobre o “Missus est”, 7.
(...) Oh virgem prudente! Oh virgem devota! Quem te ensinou que agradava a Deus a virgindade?
Que lei, que rito, que página do Velho Testamento manda, ou aconselha, ou exorta, a viver na carne castamente e a viver vida de anjo na terra?
E onde tinhas lido, Virgem devota, que a sabedoria da carne é morte (NT) e não queirais contentar vossa sensualidade, satisfazendo a seus apetites?
E onde tinhas lido das virgens que cantam um novo cântico que ninguém mais pode cantar, e que seguem o cordeiro onde quer que ele vá (Apocalipse)?
E onde tinhas lido que são louvados os que se fizeram continentes por amor do reino de Deus? (Evangelho)
E onde tinhas lido “embora vivamos na carne nossa conduta não é carnal (São Paulo)? O que casa sua filha faz bem, mas o que não casa faz melhor (São Paulo)? Onde tinhas ouvido? Quisera que todos vós permanecêsseis como eu; é bom para o homem, se assim permanece como eu lhe aconselho (São Paulo)? Quanto às virgens, não recebi preceito do Senhor, mas dou conselho (São Paulo)”.
Mas tu, Maria, não digo preceito, mas nem conselho, nem exemplo tinhas, mas a moção interior de Deus te ensinava tudo, e seu Verbo vivo e eficaz, fazendo-se primeiro teu mestre que teu filho, instruiu tua mente antes de vestir tua carne. Fazes voto, pois, de apresentar-te a Cristo virgem, sem saber que está reservado para ti o ser mãe. Escolhes ser desprezada em Israel e incorrer na maldição da esterilidade, para agradar àquele Senhor a cujos olhos fazes o mais perfeito, e olha como a maldição se transforma em bênção e a esterilidade é premiada com a fecundidade.

8) Fecundidade

“Mater Christi...”.

São Bernardo, 1º Sermão sobre Nossa Senhora, 7 ss.
Há, porém, alguma coisa de ainda maior a admirar em Maria: a fecundidade junta à virgindade. Nunca se ouvir dizer que alguma mulher fosse ao mesmo tempo mãe e virgem.
Mas se tu prestas atenção à de quem ela é mãe, até onde ira tua admiração por sua excelência extraordinária? Não é de constatar que tu não podes admirar suficientemente?
A teu julgamento, ou antes, ao julgamento da Verdade, aquela que teve Deus por filho não deverá ser “exaltada mais alto que todos os coros de anjos?“.
Deus, o Senhor dos anjos, não ousou Maria chamá-lo seu filho quando disse “Meu filho por que nos fizeste isso?”.
Qual dos anjos o teria ousado? Basta-lhes, e eles consideram como grande, sendo espíritos por natureza, servirem e serem chamados, por graça, de mensageiros, segundo o testemunho de Davi: “ele fez dos espíritos seus mensageiros”.
Maria, por seu lado, que sabe que é sua mãe, dá com confiança esse nome de filho à Majestade que os anjos servem com respeito. E deus não desdenha ser chamado daquilo que se dignou ser. Um pouco além, com efeito, o evangelista ajunta: “E ele lhes era submisso”. Quem, e a quem? Deus a homens. Sim, Deus a quem os anjos estão submetidos, a quem obedecem aos Principados e as Potestades, Deus era submisso a Maria. E não apenas a Maria, mas também a José por causa de Maria. Admira uma e outra coisa, e escolhe a que é mais admirável: ou o dulcíssimo abaixamento do filho, ou a sobreeminente dignidade da mãe. Dos dois lados, é estupefaciente, dos dois lados maravilhoso: que Deus obedeça a uma mulher, eis uma humildade sem exemplo; que uma mulher comande a Deus, eis uma sublimidade sem igual. Canta-se, em honra das virgens, que ela “seguem o Cordeiro onde quer que Ele vá”. De que glória se julgará digna, então, aquela que caminha diante dEle?

Santo Agostinho – Comentário ao Salmo 84

A verdade nasceu da terra
“A verdade nasceu da terra e a Justiça inclinou-se do céu” (Sl 84, 12).
Cristo nasceu da mulher. “A verdade nasceu da terra”. O Filho de Deus procedeu da carne.
E o que é a Verdade? - O Filho de Deus!
E o que é a terra? - A carne!
Procura de onde nasceu Cristo e verás que a Verdade nasceu da terra. Mas a verdade que nasceu da terra existia antes da terra e por ela forma feitos o céu e a terra.
Mas para que a Justiça olhasse do céu, isto é, para que os homens se justificassem pela graça divina, a Verdade nasceu da Virgem Maria. Tudo a fim que pudesse oferecer o sacrifício em favor daqueles que haviam de ser justificados: o sacrifício da paixão, o sacrifício da cruz.

c) Cronograma

03
Ter
CONHECIMENTO DE N. SRA.
Doce e forte
· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Um rosário ou, pelo menos, um terço.

04
Qua
Zeloso e prudente

05
Qui
Humilde

06
Sex
Corajoso

07
Sab
Puro

08
Dom
Fecundo


5. Terceira semana: Conhecimento de Nosso Senhor

a) Texto introdutório do tema


São Luís de Montfort, ASE 154.
Ente todas as razões que nos podem excitar a amar Jesus Cristo, a Sabedoria incarnada, a mais poderosa, em minha opinião, é a [quantidade de] dores que ele quis sofre para nos testemunhar seu amor.
“Há, diz São Bernardo, um motivo que ultrapassa a todos, que me toca mais sensivelmente e me incita a mar Jesus Cristo: é, oh bom Jesus, o cálice de amargura que bebestes por nós, e a obra da nossa redenção, que vos torna amável a nossos corações, pois esse soberano benefício e esse testemunho incomparável de vosso amor adquire facilmente o nosso: ele nos atrai mais docemente, ele nos pede mais justamente, ele nos incita mais fortemente e ele nos toca mais poderosamente: Hoc est quod nostram devotionem et blandius allicit et justius exigit, et arctius stringet et afficit vehementius”.E a razão que ele dá em poucas palavras: “porque este caro Salvador trabalhou muito e muito sofreu para conseguir resgatar-nos. Oh! quantas penas e angústias ele suportou!”.
Mas o que nos fará ver claramente esse amor infinito da Sabedoria por nós, são as circunstâncias que se encontram em seu sofrimento...

(No cronograma parecem enumeradas as circunstâncias que São Luís menciona em seu texto. Para as meditações podem se usar os textos dos próprios Evangelhos e também as profecias referentes à paixão – fáceis de encontrar na Liturgia da Semana Santa, no Missal.).

b) Cronograma

09
Seg
CONHECIMENTO DE N.SR.
A excelência daquele que sofre
· Ladainha do Espírito Santo

· Ave Maris Stella

· Ladainha do Santo Nome de Jesus

10
Ter
A qualidade das pessoas por quem ele sofre (os homens, eu).

11
Qua
Quantidade e qualidade dos sofrimentos (no corpo, na alma – solidão, traição, desonra, piedade, etc - de amigos, de inimigos, de gente baixa, de autoridades, de sua Mãe – por vê-la sofrer – de Seu Pai).

12
Qui

13
Sex

14
Sab
Amor aos homens manifestado durante o sofrimento

15
Dom
Dia da Consagração



No dia da Consagração a Nossa Senhora é fortemente recomendável que se esteja em estado de graça e, sendo possível, que se comungue, recitando a consagração durante a ação de graças. São Luís sugere também que se ofereça a Nossa Senhora um presente.

08 de Novembro: início dos 30 dias de preparação para a Consagração Total!



"Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. Se fizerdes o que vos digo, muitos almas se salvarão e terão paz. (…) Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará." (Nossa Mãe Santíssima em Fátima, 1917).

Seguindo os passos do Beato João Paulo II, chegamos agora ao auge da nossa 4ª Campanha Nacional de Consagrações à Virgem Maria. Milhares de pessoas espalhadas em grupos por todo o Brasil prepararam-se para fazer ou renovar a sua Consagração Total a Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de nossa Mãe Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, Solenidade da Imaculada Conceição!

Vivemos um Momento Mariano na Igreja, pois no dia 13 de Outubro de 2013, o Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria. Agora, cabe a cada um de nós precisa tomar posse, pessoalmente, dessa Consagração, e consagrar-se à Virgem Maria. É isso que queremos fazer em 08 de Dezembro.

A Consagração ou Renovação da Consagração deve ser feita, de preferência, na Santa Missa, ou ainda de maneira privada.

Para que não reste nenhuma dúvida, por favor, leiam o texto abaixo.
Quem pode se consagrar em nossa campanha?

Todos que se prepararam em grupo ou individualmente para fazer a Consagração Total à Maria Santíssima, pelo método de São Luis Maria Grignion de Montfort, no dia 08 de dezembro de 2013, ou ainda em datas próximas (consideramos aproximadamente 15 dias, para antes ou para depois).

De forma geral, recomendamos não se consagrar e nem mesmo iniciar os 30 dias de preparação SEM A LEITURA COMPLETA do Tratado. Devido à importância e abrangência da Consagração não é possível realizá-la sem conhece-la bem. Além disso, a Consagração é feita uma vez na vida, portanto, é importante conhecê-la bem.

Esclarecemos também que a Consagração pode ser realizada em outro momento, após a leitura do livro. Ela pode ser feita em grupo ou individualmente, em data escolhida livremente.

Para quem ainda não tem o "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem", ele poderá ser adquirido através dos links abaixo, em nosso material de apoio.
Quem pode renovar a Consagração na nossa campanha?

Todos que já fizeram a Consagração Total pelo método de São Luis Maria Montfort, em absolutamente qualquer da data que tenha feito (a Consagração pode ser renovada, individualmente, todos os dias, inclusive).

Portanto, poderão renovar todos os que se consagraram no dia 08 de Dezembro de algum ano, como também os que se consagraram em qualquer data. A data da Renovação NÃO depende necessariamente da data da Consagração.

Recomendamos que aqueles que renovarem a Consagração façam também os 30 dias de orações preparatórias (embora não seja imprescindível, e quem por alguma razão não o fizer, poderá renovar tranquilamente).
Orações preparatórias

Aqueles que irão se consagrar ou tão somente renovar a consagração na Solenidade da Imaculada Conceição, devem iniciar os 30 dias de orações preparatórias no dia 08 DE DE NOVEMBRO.

As orações próprias estão indicadas no "Tratado" (n. 227-233), podendo também serem encontradas abaixo, em nosso material de apoio.
Falhei durante os 30 dias: o que fazer?

Recomendamos que, mesmo que haja alguma falha durante as orações preparatórias, que isso não seja motivo de desistência. Permaneça fiel e consagre-se.

O demônio odeia esta consagração total e poderá se utilizar de algum escrúpulo por não ter cumprido cem por cento os atos de preparação para, assim, incitar à desistência.

Além disso, a consagração é um ato interior, que não depende necessariamente dos atos exteriores de preparação.

No caso de uma queda em pecado mortal, que haja, evidentemente, arrependimento e se busque a Confissão o mais rápido possível, mas que isso também não seja motivo de desistência.
No dia da Consagração (08 De Dezembro), o que se faz?

- deve-se oferecer algum tributo a Nosso Senhor e a Santíssima Virgem, em penitência das nossas infidelidades e em sinal de dependência Deles. Poderá ser algum jejum, ou penitência, ou ato de caridade a um necessitado (ver Tratado, n. 232).

- deve-se utilizar um sinal físico da Consagração, a ser levado sempre junto consigo (Tratado n.236-242). São Luis sugere usar "pequenas cadeias de ferro", mas evidentemente que este sinal pode ser substituído com algo mais compatível com o estilo de vida de cada um (como uma Medalha da Santíssima Virgem, um Escapulário, uma pequena corrente, um anel etc).

- para a Consagração, propriamente dita, deve ser escrita e assinada em um papel a fórmula da Consagração (que pode ser encontrada na página 182/183 da edição do Tratado da Arca de Maria, denominada "Consagração de si mesmo a Jesus Cristo, Sabedoria Encarnada, pelas Mãos de Maria" ou abaixo, em nosso Material de Apoio). Aqueles que irão se consagrar durante a Santa Missa, devem ler a fórmula rezando a respectiva oração após a homilia ou Comunhão. Trata-se de um tesouro que deve ser guardado com muito zelo.
Importante: envio dos dados

Aqueles que quiserem participar da nossa Campanha FAZENDO ou RENOVANDO a Consagração, deverão enviar os seus dados, preenchendo o formulário no link abaixo, até o dia 05 de Dezembro de 2013 (os nomes serão oferecidos na Santa Missa):

http://goo.gl/FuWALo

Os dados das crianças deverão ser enviados normalmente, da mesma forma que dos adultos.

Os coordenadores dos diversos grupos de preparação para Consagração deverão estar atentos para enviar os dados dos membros do grupo não tiverem acesso à internet.

Fonte: Padre Paulo Ricardo

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (02/11) feito por Santo Ireneu de Lyon



(c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, IV, 6, 4.7.3


«Revelaste-as aos pequeninos»

O que nos ensina o Senhor é que ninguém pode conhecer a Deus a não ser que Ele Se lhe revele; por outras palavras, não podemos conhecer a Deus sem o seu auxílio. Mas o Pai quer ser conhecido: conhecê-Lo-ão aqueles a quem o Filho O revelar. […] A palavra «revelar» não designa somente o futuro, como se o Verbo não tivesse começado a revelar o Pai senão depois de ter nascido de Maria, mas aplica-se à totalidade do tempo. Desde o princípio que o Filho, presente na Criação que Ele mesmo modelou, revela o Pai a todos aqueles a quem o Pai quer revelar-Se, quando Ele assim o quer e como Ele quer. Em todas as coisas e através de todas as coisas, há um único Deus Pai, um só Verbo, um só Espírito e uma só salvação para todos os que crêem nele.

Com efeito, ninguém pode conhecer o Pai sem o Verbo de Deus, isto é, se o Filho não O revelar, nem conhecer o Filho sem o «agrado» do Pai (Mt 11,26). Ora, o que o Pai quer, na sua bondade, o Filho realiza-o: o Pai envia, o Filho é enviado e vem. E o Verbo de Deus conhece esse Pai infinito que para nós é invisível, e dá a conhecer o que é inexprimível (cf. Jo 1,8). 
Créditos: Evangelho Quotidiano

domingo, 3 de novembro de 2013

São Bernardo de Claraval: "Pensa em Maria, invoca Maria…"



Nos perigos, nas angústias, em todos os momentos de dúvida, pensa em Maria, invoca Maria. Que este nome sagrado não se afaste do teu coração e não falte jamais nos teus lábios. Seguindo esta Estrela, não te desviarás. Se a invocares com humildade, não desesperarás. Se pensares em Maria, não errarás. Se ela estiver contigo, não cairás. Se te proteger, nada temerás. Com ela, como guia, não te fatigarás. Se te for propícia, chegarás à meta, firme e seguro. Quem quer que sejas, sacudido pelo vendaval das tempestades deste mundo, sentindo a terra como um mar devorador, não afastes os olhos do fulgor desta Estrela. Quando soprar o vento tempestuoso e traiçoeiro da tentação, quando te sentires batido contra os escolhos perigosos da tribulação, olha para a Estrela e invoca Maria. Se te açoitarem as ondas da soberba, da inveja, da maledicência, olha para a Estrela, invoca Maria. Quando sentires a ira, a avareza, a carne e a tristeza tentarem fazer soçobrar a barquinha frágil de tua alma, olha para a Estrela, invoca Maria…


São Bernardo de Claraval

Fonte: Venite ad me

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Comentário do Evangelho do dia (01/11) feito pelo Catecismo da Igreja Católica

§§ 946, 955-961

«Creio na comunhão dos santos»

Depois de ter confessado «a santa Igreja Católica», o Símbolo dos Apóstolos acrescenta «a comunhão dos santos». Este artigo é, em certo sentido, uma explicitação do anterior: pois «que é a Igreja, senão a assembleia de todos os santos?» (Nicetas) A comunhão dos santos é precisamente a Igreja.

A comunhão da Igreja do céu e da terra: «De modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo: mas antes, segundo a constante fé da Igreja, essa união é reforçada pela comunicação dos bens espirituais» («Lumen Gentium», 49).

A intercessão dos santos: «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade. [...]. A nossa fraqueza é, assim, grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna» («Lumen Gentium», 49). «Não choreis que eu vos serei mais útil depois da morte e vos ajudarei mais eficazmente que durante a vida» (São Domingos). «Quero passar o meu céu a fazer o bem sobre a terra» (Santa Teresinha do M. Jesus).

A comunhão com os santos [...]: «Pois, assim como a comunhão entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem […] toda a graça e a própria vida do povo de Deus» («Lumen Gentium» 50). […]

Na única família de Deus: «Todos os que somos filhos de Deus e formamos em Cristo uma família, ao comunicarmos uns com os outros na caridade mútua e no comum louvor da Santíssima Trindade, correspondemos à íntima vocação da Igreja» («Lumen Gentium» 51).

Resumindo: A Igreja é «comunhão dos santos»: esta expressão designa, em primeiro lugar, as «coisas santas» e, antes de mais, a Eucaristia, pela qual «é representada e se realiza a unidade dos fiéis que constituem um só corpo em Cristo» («Lumen Gentium» 3). Este termo também designa a comunhão das «pessoas santas» em Cristo, que «morreu por todos» (2Cor 5,14), de modo que o que cada um faz ou sofre por Cristo e em Cristo reverte em proveito de todos. 
 
 
Créditos: Evangelho Quotidiano

Comentário do Evangelho do dia (29/10) feito por São João Crisóstomo

 
 
(c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre os Actos dos Apóstolos, n° 20

Ser o fermento na massa

Haverá coisa mais ridícula que um cristão que não se preocupa com os outros? Não tomes como pretexto a tua pobreza: a viúva que colocou duas moedas na caixa das esmolas do Templo (Mc 12,42) insurgir-se-ia contra ti; assim como Pedro, que dizia ao coxo: «Não tenho ouro nem prata» (Act 3,6); e Paulo, que era tão pobre que muitas vezes passava fome. Não recorras à tua condição social, pois os apóstolos também eram humildes e de baixa condição. Não invoques a tua ignorância, porque eles eram homens iletrados. Mesmo que fosses escravo ou fugitivo, poderias sempre fazer o que depende de ti. Foi o que sucedeu com Onésimo, que é elogiado por Paulo (Flm; Col 4,9). A tua saúde é frágil? Também a de Timóteo o era. Sim, independentemente do que somos, todos podemos ser úteis ao nosso próximo, se quisermos verdadeiramente fazer o que está dentro das nossas possibilidades.

Vês como as árvores da floresta estão vigorosas, belas, elegantes? E no entanto, nos nossos jardins, preferimos árvores de fruto ou oliveiras cobertas de frutos. Belas árvores estéreis […], tal como os homens que apenas têm em conta os seus próprios interesses. […]

Se a levedura não faz levedar a massa, não é verdadeiro fermento. Se um perfume não inebria os que se aproximam, poderemos dizer que é um perfume? Não digas que é impossível exercer boa influência nos outros porque, se és verdadeiramente cristão, é impossível que não aconteça nada; isso faz parte da própria essência do cristão. […] Seria tão contraditório dizer que um cristão não pode ser útil ao seu próximo como negar ao sol a possibilidade de iluminar e aquecer.

Créditos: Evangelho Quotidiano
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